O agente da U.N.C.L.E.

A Guerra Fria foi um dos momentos dramáticos da história moderna, e é como os historiadores chamam o período entre o final da Segunda Guerra e o começo da década de 1990. Foi durante esses anos que os Estados Unidos e a União Soviética disputavam a hegemonia política, econômica e militar no mundo. A União Soviética possuía um sistema socialista, baseado na economia planificada, partido único (Partido Comunista), igualdade social e falta de democracia. Já os Estados Unidos, a outra potência mundial, defendia a expansão do sistema capitalista, baseado na economia de mercado, sistema democrático e propriedade privada. Na segunda metade da década de 1940 até 1989, estas duas potências tentaram implantar em outros países os seus sistemas políticos e econômicos.

A definição para a expressão “guerra fria” é a de um conflito que aconteceu apenas no campo ideológico, não ocorrendo um embate militar declarado e direto entre as duas potências, até porque um conflito armado direto significaria o fim dos dois países e, provavelmente, da vida no planeta Terra. Porém ambos acabaram alimentando conflitos em outros países como, por exemplo, na Coreia e no Vietnã.

O cinema, a literatura e a TV se aproveitaram desse clima antagônico e complicado para produzir obras que ficaram no imaginário popular, e o personagem que melhor representa a Guerra Fria é o agente secreto. O escritor Ian Fleming criou o estereótipo do agente secreto moderno: bonito, charmoso, cercado de mulheres e impiedoso com os inimigos. Seus livros estrelados por James Bond, o 007, foram lançados na segunda metade da década de 1950, mas só quando foram levados ao cinema na década seguinte é que de fato o personagem ficou famoso.

O sucesso de 007 gerou uma série de imitações, mas houve uma que foi a mais sucedida de todas – e não à toa, porque foi criada pelo “pai” de James Bond como sendo uma versão do agente britânico para a telinha. Ian Fleming foi chamado pela MGM para ajudar em uma série de TV logo após a “bondmania” tomar conta do mundo, entre 1962 e 1963, no rastro dos primeiros filmes com Sean Connery. E Fleming criou o agente Napoleon Solo: charmoso, sofisticado, eficiente e com uma queda pelas belas mulheres. Nenhuma diferença entre ele e 007…

Mas Fleming não pôde permanecer no projeto por conta das questões contratuais com os produtores dos filmes de James Bond. Por isso – e para evitar acusações de plágio… – a série foi reestruturada e foi criada então a agência de espionagem multinacional batizada de UNCLE (United Network Command for Law and Enforcement), cuja sede secreta ficava escondida por trás da lavanderia Del Floria’s, em Nova Iorque.

 Na concepção de Fleming, a série se chamaria Solo e o responsável pela ação seria apenas o agente Napoleon Solo (Robert Vaughn). Novamente, problemas com a produção dos filmes de James Bond barraram o título. Durante a recriação da série, veio a ideia de incluir um parceiro russo (coisa incomum na época da guerra fria!) e Solo então ganhou a companhia de Illya Kuryakin (David McCallum). Para surpresa de todos, o personagem russo ficou tão popular, especialmente entre as mulheres, que McCallum assumiu o mesmo status de estrela de Vaughn (hoje McCallum está no seriado NCIS).

No lado oposto ao dos defensores da paz mundial, havia a perversa e notória organização criminosa conhecida como Thrush, sempre disposta a dominar o mundo civilizado – o contraponto “uncleniano” à SMERSH das novelas e filmes de James Bond.

Nesse embate que durou 4 temporadas, agentes de ambas as organizações eram vistos passando por passagens secretas em locais inusitados, acionadas por botões escondidos, alavancas disfarçadas e paredes falsas. Tudo isso ao ritmo de socos, tiroteios e diálogos graciosamente inteligentes.

A série estreou em 1964 sem se tornar um grande sucesso, decolando apenas na segunda temporada, em 1965. No ano seguinte o estilo dos roteiros começou a mudar,  favorecendo textos mais divertidos por causa da série concorrente Batman, que estreou em janeiro de 1966. Ao chegar na quarta temporada, O Agente da UNCLE não resistiu à concorrência com Gunsmoke, sendo cancelada mesmo antes do final da temporada.

Veja abaixo a abertura da série, com a dublagem original:

E agora, Napoleon Solo volta num longa metragem com lançamento previsto para o segundo semestre de 2015.

“O Agente da U.N.C.L.E.” será dirigido por Guy Ritchie (Sherlock Holmes). A principal novidade é que a trama do filme será passada nos anos 1960, mesmo período da série original. Nos papéis principais, foram escalados Henry Cavill (O Homem de Aço) como Napoleon Solo  e Armie Hammer (Zorro e Tonto ou sei lá como se chamou esse filme horrível com Johnny Depp) como Illya Kuryakin.

E o chefe da Inteligência Britânica será interpretado pelo bom e velho Hugh Grant:

O vilão será Jared Harris, acostumado a papéis de personagens dúbios como em Fringe e Mad Man, ou como o vilão do Sherlock Holmes 2, prof. Moriarty.

Há rumores ainda da presença de David Beckham numa ponta…

Não sei se a escolha para o ator do papel de Napoleon Solo foi a melhor, mas sei que foi ótimo Tom Cruise desistir do projeto por conta de suas outras produções. Nada contra ele, claro – de quem gosto muito -, mas acho que seria inevitável todo mundo comparar O Agente da Uncle com Missão Impossível, estrelado por Cruise.

Fontes:

Veja

Wikipedia

http://pipocamoderna.virgula.uol.com.br/

YouTube

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