O que a caminhada pode fazer por você

Já dizia Hipócrates: “Andar é o melhor remédio para um homem”. Eu iria mais além, porque caminhar – aliado a um bom sono e uma dieta saudável – pode ajudar a evitar vários problemas de saúde.

Você conhece algum exercício mais fácil de praticar do que a caminhada? Ela não exige habilidade, é uma atividade barata de se fazer, pode ser praticada a praticamente qualquer hora do dia, não tem restrição de idade e ainda pode ser feita dentro de casa, se a pessoa tiver uma esteira.

“Para uma pessoa que não pratica nenhum tipo de esporte, uma caminhada de 10 minutos por dia já provoca efeitos perceptíveis ao corpo, depois de apenas uma semana”, explica o fisiologista do esporte Paulo Correia, da Unifesp.

Além da melhora do condicionamento físico, as vantagens de caminhar para a saúde do corpo e da mente são muitas, e comprovadas pela ciência. Na pesquisa Life Insights: Health Report 2017, viu-se que 49,3% da população faz exercícios aeróbicos regularmente, 21,8% fazem exercícios de vez em quando e 26,8% não fazem exercícios físicos. Além disso, 59,2% dos participantes procuram andar a pé sempre que possível para ter uma vida mais saudável.

Entre as pessoas que já caminham ou fazem alguma outra atividade aeróbica, os principais motivos são: para envelhecer com mais saúde (78,2%), para se sentir mais disposto (76%) e para se manter em forma (66,5%). Nesse grupo, 53,3% se exercita sem academia e 46,7% frequenta a academia. E, claro, 9,6% dos participantes confessaram que pagam a academia, mas nunca vão. (eu nunca paguei, e nunca fui…. eh eh eh!)

Confira mais detalhes sobre os benefícios dessa atividade física:

1.Melhora a circulação

Um estudo feito pela USP, de Ribeirão Preto, provou que caminhar durante aproximadamente 40 minutos é capaz de reduzir a pressão arterial durante 24 horas após o término do exercício. Isso acontece porque, durante a prática, o fluxo de sangue aumenta, levando os vasos sanguíneos a se expandirem, diminuindo a pressão.

Além disso, a caminhada faz com que a as válvulas do coração trabalhem mais, melhorando a circulação de hemoglobina e a oxigenação do corpo. “Com o maior bombeamento de sangue para o pulmão, o sangue fica mais rico em oxigênio. Somado a isso, a caminhada também faz as artérias, veias e vasos capilares se dilatarem, tornando o transporte de oxigênio mais eficiente às partes periféricas do organismo, como braços e pernas”, explica o fisiologista Paulo Correia.

2. Deixa o pulmão mais eficiente

O pulmão também é bastante beneficiado quando caminhamos. De acordo com Paulo Correia, as trocas gasosas que ocorrem nesse órgão passam a ser mais poderosas quando caminhamos com frequência. Isso faz com que uma quantidade maior de impurezas saia do pulmão, deixando-o mais livre de catarros e poeiras.

3. Combate a osteoporose

O impacto dos pés com o chão tem efeito benéfico aos ossos. A compressão dos ossos da perna, e a movimentação de todo o esqueleto durante uma caminhada, faz com que haja uma maior quantidade de estímulos elétricos em nossos ossos. Esse estímulo facilita a absorção de cálcio, deixando os ossos mais resistentes e menos propensos a sofrerem com a osteoporose.

“Na fase inicial da perda de massa óssea, a caminhada é uma boa maneira de fortalecer os ossos. Mesmo assim, quando o quadro já é de osteoporose, andar frequentemente pode diminuir o avanço da doença”, diz o fisiologista da Unifesp.

Durante a caminhada, nosso corpo libera uma quantidade maior de endorfina, hormônio produzido pela hipófise, responsável pela sensação de alegria e relaxamento. Quando uma pessoa começa a praticar exercícios, ela automaticamente produz endorfina.

Depois de um tempo, é preciso praticar ainda mais exercícios para sentir o efeito benéfico do hormônio. “Quanto mais você caminha, mais endorfina seu organismo produz, o que te dá mais ânimo. Esse relaxamento também faz com que você esteja preparado para passar cada vez mais tempo caminhando”, explica Paulo Correia.

5. Aumenta a sensação de bem-estar

Uma breve caminhada em áreas verdes, como parques e jardins, pode melhorar significativamente a saúde mental, trazendo benefícios para o humor e a autoestima, de acordo com um estudo feito pela Universidade de Essex, no Reino Unido.

Comparando dados de 1,2 mil pessoas de diferentes idades, gêneros e status de saúde mental, os pesquisadores descobriram que aqueles que se envolviam em caminhadas ao ar livre e também, ciclismo, jardinagem, pesca, canoagem, equitação e agricultura, apresentavam efeitos positivos em relação ao humor e à autoestima, mesmo que essas atividades fossem praticadas por apenas alguns minutos diários.

6. Deixa o cérebro mais saudável

Caminhar diariamente é um ótimo exercício para deixar o corpo em forma, melhorar a saúde e retardar o envelhecimento. Entretanto, um novo estudo da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, mostra que esse efeito antienvelhecimento do exercício pode ser possível também em relação ao cérebro, ao aumentar seus circuitos neurais e reduzir os riscos de problemas de memória e de atenção. “Os estímulos que recebemos quando caminhamos aumentam a nossa coordenação e fazem com que nosso cérebro seja capaz de responder a cada vez mais estímulos, sejam eles visuais, táteis, sonoros ou olfativos”, comenta Paulo Correia.

Outro estudo, feito pela Universidade de Pittsburgh, afirma que as pessoas que caminham em média 10 quilômetros por semana apresentam metade dos riscos de ter uma diminuição no volume cerebral. Isso pode ser um fator decisivo na prevenção de vários tipos de demência, inclusive a doença de Alzheimer, que mata lentamente as células cerebrais.

7. Diminui a sonolência

A caminhada durante o dia faz com que o nosso corpo tenha um pico na produção de substâncias estimulantes, como a adrenalina. Essa substância deixa o corpo mais disposto durante as horas subsequentes ao exercício. Somado a isso, a caminhada melhora a qualidade do sono de noite.

Como o corpo inteiro passa a gastar energia durante uma caminhada, o nosso organismo adormece mais rapidamente no final do dia. Por isso, poucas pessoas que caminham frequentemente têm insônia.

8. Mantém o peso em equilíbrio e emagrece

Esse talvez seja o benefício mais conhecido da caminhada. “É claro que caminhar emagrece. Se você está acostumado a gastar uma determinada quantidade de energia e começa a caminhar, o seu corpo passa a ter uma maior demanda calórica que causa uma queima de gorduras localizadas”, afirma Paulo Correia.

E o papel da caminhada na perda de peso não para por aí. Pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, mostraram que, mesmo horas depois do exercício, a pessoa continua a emagrecer devido à aceleração do metabolismo causada pelo aumento na circulação, respiração e atividade muscula

9. Controla a vontade de comer

Um estudo recente feito por pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglaterra, sugere que fazer caminhadas pode conter o vício pelo chocolate. Durante o estudo, foram avaliadas 25 pessoas que consumiam uma quantidade de pelo menos 100 gramas por dia de chocolate. Os chocólatras tiveram que renunciar ao consumo do doce e foram divididos em dois grupos, sendo que um deles faria uma caminhada diária.

Os pesquisadores perceberam que não comer o chocolate, juntamente com o estresse provocado pelo dia a dia, aumentava a vontade de consumir o doce. Mas, uma caminhada de 15 minutos em uma esteira proporcionava uma redução significativa da vontade pela guloseima.

“Além de ocupar o tempo com outra coisa que não seja a comida, a caminhada libera hormônios, como a endorfina, que relaxam e combatem o estresse, efeito que muitas pessoas buscam compensar compulsivamente na comida”, afirma Paulo Correia.

10. Protege contra derrames e infartos

Quem caminha regularmente mantém a saúde protegida das doenças cardiovasculares. Por ajudar a controlar a pressão sanguínea, caminhar é um fator de proteção contra derrames e infarto. “Os vasos ficam mais elásticos e mais propícios a se dilatarem quando há alguma obstrução. Isso impede que as artérias parem de transportar sangue ou entupam”, diz Paulo

A caminhada também regula os níveis de colesterol no corpo. Ela age tanto na diminuição na produção de gorduras ruins ao organismo, que têm mais facilidade de se acumular nas paredes dos vasos sanguíneos e por isso causar derrames e infartos, como no aumento na produção de HDL, mais conhecido como colesterol bom.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

bastanteinteressante.org

minhavida.com.br

O que é Labo, a nova invenção da Nintendo – e o que ela representa

A empresa de games acredita que o futuro dos games está em uma placa de papelão

A Nintendo está passando por um ótimo momento. Entre março e dezembro de 2017 seu videogame ponta de linha, o Nintendo Switch, vendeu 4,8 milhões de cópias nos EUA, e se tornou o primeiro console a vender tanto em tão pouco tempo. Isso só para os americanos, porque fora os resultados são ainda melhores. Somando todas as suas vendas (especialmente no Japão, onde o videogame está constantemente esgotado), o aparelho já vendeu mais de 10 milhões de unidades. Bom pro bolso deles e pro gosto dos jogadores. O site Metacritic, que reúne avaliações de críticos e amadores ao redor do mundo, para fazer uma média geral, mostra que os dois melhores games de 2017 foram justamente para a plataforma (The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Super Mario Odyssey).

Agora, a empresa decidiu apostar em uma nova saída, bem longe da alta tecnologia de seus concorrentes. A Nintendo acha que o que vai revolucionar o mundo dos games a partir de agora é nada menos que o papelão.

Essa é a proposta do Labo a nova iniciativa da empresa. Em uma mistura de origami com Arduíno, a marca de videogames quer que seus jogadores construam seus próprios controles usando apenas papelão e fios.

O anúncio oficial revelou dois kits. O primeiro é chamado de Variedade e possibilita a construção de seis brinquedos: uma vara de pescar, uma casinha, uma motocicleta, dois bichinhos que andam por controle remoto e um piano. Tudo isso utilizando 28 placas de papelão,  dois fios coloridos, oito elásticos, três adesivos, três esponjas e  duas roldanas. Todos os brinquedos são acompanhados de um minigame presente no software que também vem junto com o kit. O conjunto será vendido nos EUA por 70 dólares (cerca de R$225) a partir de abril.

O segundo kit, chamado de Robô,  é bem autoexplicativo, e tem como objetivo uma única brincadeira: a de fingir ser, bem, um robô. Custando 80 dólares (R$260) e lançado no mesmo dia que o outro conjunto, ele consiste numa armadura encaixada e amarrada no corpo do jogador, e conforme o gamer faz movimentos, esses são reproduzidos por um personagem na tela. Para montar o equipamento, o jogador contará com 19 placas de papelão, quatro de cartolina, um adesivo, quatro fios, quatro tiras de tecido e 12 roldanas.

A Nintendo não esconde que seu objetivo aqui é mirar nas famílias. Prova disso é que ela está organizando workshops para pais que queiram entender melhor suas propostas (por enquanto, foram anunciados dois eventos, um em Nova York e outro em São Francisco). E a ideia tem um histórico bom. O último sucesso da Nintendo, o Wii, apostou justamente nisso – seu material de divulgação fazia questão de mostrar o potencial familiar do game – e acabou se tornando, na época de seu lançamento, o videogame mais vendido de todos os tempos.

A grande diferença está em saber aliar a jogatina de videogame casual com dois outros fatores que estão impulsionando diversos produtos atualmente, a nostalgia e a importância do elemento físico na utilização de uma tecnologia. Não é a toa que Stranger ThingsIT: A Coisa e Bingo: O Rei das Manhãs se tornaram sucessos, por exemplo. O retrô está de volta à moda. E usar papelão para jogar videogame é uma ótima saída para dar um ar antigo para uma tecnologia de ponta. É o passo além dos óculos de realidade virtual feitos com o mesmo material, que a Google inventou em 2014, fazendo sucesso na internet.

Mais do que isso, a ideia da volta ao analógico também está sendo sintomática. Desde 2006, quando o iPhone foi inventado, o acesso da população ao smartphone tem crescido exponencialmente – o que é ótimo em termos de acesso à tecnologia, mas não necessariamente é tão empolgante quanto era há 10 anos. O melhor exemplo disso talvez seja a indústria fotográfica. Em 2012, a Kodak anunciou que estava saindo do ramo das câmeras. Ninguém mais queria comprar filme fotográfico. É compreensível, porque naquele mesmo ano estava sendo lançado o iPhone 5, que permitia tirar quantas fotos quisesse – e a memória do aparelho suportasse. Mas, quatro anos depois, em 2016, outra empresa de fotos começou a lucrar justamente com a venda de filmes. A Fujifilm apostou em câmeras com impressão instantânea e explodiu em vendas. As pessoas queriam fotos com filtros ao vivo – nem que fosse para, mais tarde, postar no Instagram uma foto da foto.

A própria Nintendo já havia sido palco, timidamente, de tecnologias similares. Em 2008 a Sega lançou, exclusivamente para Wii, o game Lets Tap, que pedia para o jogador colocar o controle sob uma caixa de papelão e bater nela para jogar minigames, que iam desde corridas de obstáculo até uma versão digital do jogo de tabuleiro Jenga. Também foi um sucesso de crítica, mas não tanto de vendas.

Quem sabe desta vez dá certo. Afinal, para uma empresa que começou vendendo cartas de baralho, nada mais justo do que voltar ao papel…

 

 

 

 

Fonte:

Superinteressante

Os esportes mais estranhos do mundo

Sempre achei o curling um esporte estranho (você já deve ter visto na TV, é aquele esporte maluco de inverno que é jogado em um ringue comprido de gelo, lançando pedras de um lado ao outro do ringue). Para mim, nada mais é do que uma espécie de bocha…

Mas, passeando pela internet, descobri que existem esportes ainda mais malucos do que esse! Fiz uma listinha abaixo e tenho certeza de que vai concordar comigo que são mesmo coisa de doido…

Xadrez – Boxe

Isso mesmo que você leu. Os lutadores se enfrentam no ringue em dois rounds de dois minutos cada, e depois jogam xadrez por quatro minutos e assim por diante, até um nocautear o outro ou dar um xeque-mate. Vou sugerir um MMA-dominó, que tal?

Bog-snorkeling

Esse é meio nojento. Os competidores precisam nadar ida e volta num trecho de 60 metros numa vala, usando snorkels, máscara de mergulho, pé de pato. Quem concluir em menos tempo, vence. E só pode usar a nadadeira e não dar braçadas. Eca… Há um campeonato mundial realizado no Reino Unido, mais especificamente no País de Gales.

Buzkashi

Quem assistiu o Rambo 3 viu o herói disputando uma partida disso (na época, achei que fosse invenção do roteirista, mas o esporte existe mesmo!). Montados em cavalos, os competidores têm um objetivo claro: marcar um gol no adversário. Poderia ser uma simples partida de pólo, não fosse uma pequena diferença – ao invés de bolas, eles lançam a carcaça de uma vaca ou de uma cabra. Este é o Buzkashi, esporte tradicional  no Afeganistão (a história do Rambo 3 se passava lá).  Se você já acha esquisito demais sair por aí jogando com um animal morto, tem mais: os jogadores usam chicotes para se defenderem e atacarem os jogadores do outro time.

Corrida do Queijo

Esse é mais conhecido e passa toda hora na TV, mas não por isso deixa de ser um esporte bizarro. Do alto de uma montanha em Gloucestershire, Inglaterra, é arremessado um queijo Gloucester. Para ganhar a competição (e levar para casa o queijo!) deve-se chegar primeiro ao fim da ladeira. Ao sair rolando, o queijinho pode atingir surpreendentes velocidades de até 110km/h, por isso, é raro que algum dos competidores consiga capturar o fujão antes de chegar à linha de chegada. Como sempre ocorrem fraturas nos participantes, ambulâncias ficam de prontidão para atendê-los, e também a espectadores atingidos pelo queijo rolante.

Carregamento de esposas

Simples como o nome diz, basta carregar a sua esposa num percurso de 250 metros com obstáculos, e a dupla mais rápida vence. O peso mínimo da esposa é de 49 kg, o ex-jogador de basquete Dennis Rodman já participou (ele alugou uma esposa), e o prêmio é dado de acordo com a massa corporal da mulher, só que em litros de cerveja. Não é uma ideia?

Regata de abóboras

A regata de abóboras é praticada há mais de dez anos no Canadá. Foi na fazenda de Windsor Howard Dill, em Windsor, no Canadá, que abóboras gigantes começaram a ser plantadas, tornando-se a capital mundial das abóboras gigantes. Na prova, os participantes devem escavar uma abóbora gigante (algumas chegando a pesar mais de 300 kg), e entrar nela para começar a navegação. Os participantes são lançados em um rio e saem remando como se estivessem em  um caiaque. O vencedor é aquele que cruzar primeiro a linha de chegada.

Tem de tudo nesse nosso mundo louco.

Desejo pelo “herói salvador” não mudou desde Hitler

Movido pelo ódio, incapaz de estabelecer relacionamentos normais, Adolf Hitler parecia um líder improvável, contrário a debates políticos, e que, no entanto, conseguiu um apoio gigantesco. Como foi possível Hitler se tornar uma figura tão atraente para milhões de pessoas? Ele foi, sem sombra de dúvida, um criminoso de guerra sem precedentes na história mundial. Ainda assim, era capaz de exercer uma grande influência nas pessoas que encontrava.

No livro cuja capa exibo acima, e recomendo, o historiador e autor de documentários Laurence Rees analisa a natureza atrativa de Hitler, revelando o papel que seu suposto carisma desempenhou em seu sucesso. É uma análise muito interessante sobre o homem cuja mente esteve no centro do Terceiro Reich, no holocausto dos judeus e da Segunda Guerra Mundial.

O que há de similaridade entre a ascensão do Führer e os tempos em que vivemos hoje? Ora, são os mesmos elementos, aqueles que criam a conjuntura propícia para a ascensão de regimes totalitários. Crise econômica, violência urbana e instabilidade política. Quando isso acontece, as pessoas procuram por um herói salvador, alguém que tenha uma solução, que diga que a culpa é de outra pessoa, classe ou grupo.

Não estou aqui comparando – longe de mim querer igualar as pessoas abaixo com o líder nazista – mas o que o povo busca nos líderes como Trump, por exemplo, não é exatamente isso? Não é querer que eles tenham a solução, que digam que a culpa da crise econômica, da violência urbana e da instabilidade política no país, ou no mundo, é dos outros? Poderia citar tantos outros líderes carismáticos em cujos ombros a população colocou essa mesma responsabilidade: Ronald Reagan, Hugo Chavez, Cristina Kirchner, José Mujica, Berlusconi, etc etc…

Na Alemanha não foi diferente. “O desejo ardente pela salvação e redenção: nada disso mudou no mundo desde a morte de Hitler, em abril de 1945”, escreve o autor. Rees procurou compreender o fascínio que o líder alemão causava nas massas em rolos de filmes de arquivos da época, com discursos e aparições públicas.

As pessoas que ouviam os discursos de Hitler não estavam hipnotizadas. Elas estavam cientes do contexto, entendiam o que ele estava falando e concordavam com suas propostas. Você tinha de estar predisposto a acreditar no que ele dizia para poder vivenciar essa conexão.

Hitler foi o arquétipo do líder carismático. Não era um político “normal” – alguém que promete medidas como impostos menores ou melhor sistema de saúde -, mas quase um líder religioso, e se achava predestinado a algo grandioso. Antes, era um joão-ninguém, incapaz de participar de uma discussão intelectual e cheio de raiva e preconceito.

Mas, quando fazia discursos, suas fraquezas eram percebidas como qualidades. Eram a marca de um “grande homem” que vivia em um mundo à parte. As pessoas tinham a sensação de que lá estava um homem que não pensava em si próprio e em suas vantagens pessoais, mas somente no bem do povo.

Essa história é importante para nós hoje. Não apenas porque nos oferece “lições”, mas porque a História pode conter avisos.

Em uma crise econômica, milhões de pessoas decidiram se voltar para um líder pouco convencional que, na opinião deles, tinha “carisma”. Um líder que se conectava com seus medos, esperanças e desejo latente de culpar os outros pela situação difícil que viviam.

O resultado disso foi desastroso.

Tem gente hoje que parece querer escolher o mesmo caminho.

 

 

Estes são os carros que Usain Bolt deixaria para trás numa arrancada de 100 metros

Vimos Usain Bolt fazer história durante as Olimpíadas do Rio. Mas, como se não bastasse, ele é recordista mundial nos 100 metros rasos, nos 200 metros e no revezamento 4×100. Quer dizer, é o homem mais rápido do mundo… Na corrida em que quebrou o recorde mundial dos 100 metros, Bolt completou a prova em 9,58 segundos, o que dá uma média de 37,5 km/h. Mas isso não é o mais impressionante.

Como se sabe, a prova dos 100 metros rasos inicia com os corredores posicionados em um bloco de largada, ou seja, com velocidade zero. Isso significa que Usain Bolt atinge uma velocidade bem maior que os 37,5 km/h da média. Quanto? Nada menos que 44,72 km/h. Impressionante? Pois saiba que essa velocidade não é atingida no final da corrida, e sim na marca dos 80 metros. Isso significa que Usain Bolt atinge 45 km/h em 7,8 segundos, de acordo com a medição oficial do Mundial de Atletismo de 2009, realizado em Berlim.

Se isso não parece muito, saiba que essa é uma aceleração média muito próxima a de alguns carros. Quer um exemplo? O Chevette 1.4 dos anos 1970 vai de zero a 100 km/h em 17 segundos, o que resulta em uma aceleração média de 1,63 m/s².

Como Bolt precisou de apenas 7,8 segundos para chegar aos 45 km/h, a aceleração média do atleta foi de impressionantes 1,61 m/s². Se Usain Bolt conseguisse chegar aos 100 km/h, provavelmente chegaria à essa marca junto com o Chevettinho.

Outro carro que chega junto com Bolt é o atual Fiat Uno 1.0, que tem seu tempo de aceleração divulgado de 14 segundos, mas leva cerca de 17 segundos, conforme testes da imprensa brasileira. O Fiat Qubo 1.4 Natural Power vendido na Europa é outro modelo que precisa de pouco mais de 19 segundos para chegar aos 100 km/h. Movido a gás, sua aceleração média é de 1,42 m/s², o que significa que ele chegaria aos 45 km/h de Bolt em 8,73. Perderia para o astro do atletismo!

Além destes dois, alguns carros simplesmente perderiam uma hipotética prova de 100 metros contra Usain Bolt. O clássico Karmann-Ghia 1500, por exemplo, tem uma aceleração média de 1,07 m/s² (zero a 100 km/h em 26 segundos!), o que significa que levaria 11 segundos para chegar aos 45 km/h que Bolt atinge em 7,8 s.

Na verdade, praticamente todos os Volkswagen a ar perderiam para o jamaicano – até mesmo a Kombi 1600 do início da década passada, que precisava entre 21 e 23 segundos para chegar aos 100 km/h, o que resulta em uma aceleração média de 1,2 a 1,3 m/s². Com isso, ela chega aos 45 km/h na casa dos 10 segundos. A essa altura, Usain Bolt já está descalço fazendo seu raio da vitória.

Os dois primeiros Mini também entram na lista. Mesmo sendo leves e diminutos, a aceleração dos carros não ajudaria a superar Usain Bolt. O Mini Mk1 850 tem uma aceleração média de modestos 0,95 m/s², enquanto seu irmão mais valente, o Mk1 997, consegue uma marca de 1,55 m/s². O primeiro levaria 13 segundos para chegar aos 45 km/h, enquanto que o segundo precisaria de 8 segundos, chegando bem perto do corredor.

Entre os carros mais modernos que perderiam a corrida para Usain Bolt, também podemos incluir o Tata Nano e o smart ForTwo a diesel (cara, quem aprovou essa ideia?). Com aceleração de zero a 100 km/h em 24 segundos, o indiano Tata tem uma aceleração média de 1,16 m/s², precisando de 10,7 segundos para chegar aos 45 km/h. O alemãozinho bebedor de óleo é mais esperto: com aceleração média de 1,56 m/s², ele chegaria aos 45 km/h em 7,9 segundos. Só com photo finish para definir…

Por último, você talvez conheça aqueles kei cars * europeus que podem ser dirigidos sem habilitação, os VSP . Todos eles têm velocidade máxima de 45 km/h, exatamente a velocidade que Usain Bolt atingiu em seu recorde mundial. Nessa categoria também podemos incluir o Renault Twizy 45. Mas este seria um páreo duro para Bolt: com o torque instantâneo do motor elétrico, o carrinho chega aos 45 km/h em 6 segundos.

Logicamente, a comparação entre Usain Bolt e os carros é meramente teórica: afinal, estamos falando de aceleração média, e a aceleração do mundo real — dos carros e de Bolt — não é constante, dependendo de uma série de fatores, dentre os quais a tração, relação de marchas, velocidade de trocas (se necessário), momento de inércia e velocidade/direção do vento.

Estes foram somente alguns carros que perderiam para Usain Bolt em uma corrida de 100 metros. Com base no cálculo da aceleração média, qualquer carro que leva mais de 17,2 segundos para acelerar de zero a 100 km/h perderia essa arrancada contra o herói jamaicano.

 

 

 

*Os kei cars, também conhecidos como keijidōsha (veículo a motor leve), é uma categoria japonesa de carros porte mini que gozam de vantagens tributárias e securitárias. Esse tipo de categoria de carros surgiu após a Segunda Guerra Mundial, como um incentivo do governo para reconstruir a indústria automobilística do país, e perdura até os dias de hoje, com algumas modificações ao longo do tempo. O blog O Treco Certo falará disso em outro post, é muito interessante.

 

Fonte:

 

Flatout.com.br

Me, Tarzan

As Olimpíadas no Rio terminaram, com muitos medalhistas batendo recordes, e outros se aposentando. Um deles foi o fenomenal Michael Phelps, um dos maiores atletas de todos os tempos. Quebrou trinta e sete recordes mundiais e conquistou o maior número de medalhas de ouro olímpicas (oito) em uma única edição, nos Jogos de Pequim de 2008. O que será que ele vai fazer agora, que abandonou a natação? Não se sabe.

Será que vai seguir o caminho de outro nadador que teve uma carreira excepcional, tendo conquistado cinco medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928? Ele estabeleceu 67 recordes mundiais de natação e ganhou 52 campeonatos nacionais, sendo considerado um dos melhores nadadores de todos os tempos.

Estou falando de Johnny Weissmuller, medalhista olímpico na natação, mas que ficou muito mais conhecido por interpretar Tarzan no cinema, depois que se aposentou das piscinas. Ele é o dono do grito imortal:

Janos (Johann) Weiszmueller nasceu em 2 de junho de 1904 na cidade de Szabadfalu, na Romênia, cuja população era uma mistura de rumenos, austríacos, sérvios, húngaros e austríacos. Em 1905, os Weiszmueller tiveram outro filho, Petrus, que nasceu na Pensilvânia, nos Estados Unidos, para onde a família emigrara.

Aos doze anos de idade, Johnny saiu da escola pública e, para ajudar nas despesas da família, trabalhou como mensageiro de hotel e depois como ascensorista, frequentando, nas horas vagas, uma escola de natação. Em 1916, ele entrou para a equipe de natação da YMCA (Young Men’s Christian Association). Pouco tempo depois, encontrou o homem que mudaria sua vida: o técnico “Big Bill” Bachrach, principal treinador do Illinois Athletic Club de Chicago. Johnny começou seu treinamento sob as ordens de Bachrach em outubro de 1920, e se preparou para a Olimpíada.

Durante alguns meses de 1922 e todo o ano de 1923, Johnny venceu prova após prova. Na Olimpíada de 1924, Johnny Weissmuller ganhou medalhas de ouro nos 100 e 400 metros em estilo livre, e uma terceira medalha de ouro integrando a equipe de revezamento para os 800 metros.

No seu retorno aos Estados Unidos, ele descobriu que havia se tornado uma celebridade. Todo mundo queria conhecê-lo, desde o presidente americano até as maiores celebridades do país. Seu treinador vetou a maioria dos convites, mas como era fã de Douglas Fairbanks, aprovou uma visita ao estúdio da MGM.  Durante o almoço, Johnny foi apresentado a um homem chamado Sol Lesser, que o ignorou completamente. Lesser estava tentando convencer Fairbanks a realizar um filme baseado em Tarzan of the Jungle de Edgar Rice Burroughs, porém, Fairbanks não estava interessado. De repente, Fairbanks olhou para Johnny e disse: “E este rapaz? Seu nome é Johnny Weissmuller, ele é um ídolo nacional da natação, e até que se parece com Tarzan, você não acha?”. Lesser se virou e olhou pela primeira vez para Johnny. “Acho que não”, respondeu Lesser. “O que precisamos para este papel é de um astro!”. Assunto encerrado.

Na Olimpíada seguinte, de 1928, ele ganhou mais duas medalhas e nem teve tempo de curtir a fama. Mal chegou em casa e seu treinador o levou a uma competição no Japão. Os treinadores japoneses ficaram muito impressionados com o jovem nadador americano e lhe ofereceram um emprego como treinador de seus estudantes para a próxima Olimpíada, que se realizaria no Japão. Johnny recusou e os japoneses lhe disseram que ele iria se arrepender. Johnny deu uma risada e disse: “Veremos, meu amigo Buster Crabbe estará competindo e eu estou apostando nele”.

Buster Crabbe

Buster Crabbe

Na Olimpíada de 1932, Crabbe ganhou uma medalha de ouro, vencendo por apenas um décimo de segundo o campeão francês Jean Taris. Crabbe comentaria mais tarde que aquele um décimo de segundo mudou sua vida, porque – assim como acontecera com Weissmuller – foi graças à natação que ele foi para o cinema, ao ser contratado em 1933 para viver Tarzan no seriado Tarzan, o Destemido (Tarzan the Fearless).

O grande sucesso veio logo depois ao estrelar o seriado “Flash Gordon” e mais tarde o explorador Buck Rogers, ambos pela Universal Pictures.

Voltando a Weissmuller, antes de Crabbe, ele havia estrelado o longa-metragem Tarzan, o Filho das Selvas (Tarzan, the Ape Man) em 1932, logo após ter abandonado as piscinas. Esse filme foi  foi rodado nos estúdios da MGM com todos os requisitos das produções classe “A”, tendo o departamento de som providenciado o célebre berro, os roteiristas um dialeto tarzânico e, para as cenas mais arriscadas nos cipós, haviam os trapezistas The Flying Codonas (Alfredo e Tony Codona). O roteiro guardava pouca semelhança com o Tarzan de Burroughs e omitia todas as referências à origem do Homem-Macaco, concentrando-se nas relações românticas entre ele e a jovem inglesa Jane Parker, interpretada por Maureen O’ Sullivan.

Jane Parker penetra na selva africana num safári, juntamente com seu pai e dois caçadores, em busca de um misterioso cemitério de elefantes. Tarzan rapta Jane e o safári é capturado por uma tribo de pigmeus. Tarzan vai resgatá-los – com a ajuda de uma manada de elefantes num final excitante. A combinação de Johnny Weissmuller e Maureen O’ Sullivan foi uma mágica absoluta. “Me Tarzan, You Jane” subitamente tornou-se uma expressão conhecida em todo o mundo (embora a verdadeira frase dita por Tarzan tivesse sido “Tarzan, Jane”).

Jane e Tarzan

Jane e Tarzan

Weissmuller interpretou o personagem em 12 filmes, e a derradeira personificação do herói de Burroughs deu-se em Tarzan e as Sereias ( Tarzan and the Mermaids) em 1948. Durante os entendimentos a respeito de novos filmes, Johnny pressionou o estúdio para receber uma participação nos lucros e os produtores  preferiram não renovar o contrato do ator, declarando que ele estava sem forma física para o papel.

O último filme de Tarzan com o antigo campeão olímpico de natação no papel.

O último filme de Tarzan com o antigo campeão olímpico de natação no papel.

Depois de Tarzan, ele interpretou com sucesso a personagem Jim das Selvas na série do mesmo nome, entre 1948 e 1955. Foram dezesseis filmes ao todo, com duração média de setenta minutos cada. Em 1955, a série transferiu-se para a TV, tendo sido feitos vinte e seis episódios de meia hora cada. Já envelhecido e obeso, Weissmuller tentava dar vida a uma personagem atlética e aventureira, e esse final melancólico marcou sua despedida das câmaras.

Jim das Selvas, personagem dos quadrinhos criado por Alex Raymond, o talentoso desenhista de Flash Gordon

Jim das Selvas, personagem dos quadrinhos criado por Alex Raymond, o talentoso desenhista de Flash Gordon

No final dos anos 1950, Weissmuller mudou-se para Chicago, onde fundou uma empresa de piscinas. Seguiram-se outros empreendimentos, a maioria envolvendo Tarzan ou a natação de uma forma ou de outra, mas sem grandes resultados. Aposentou-se em 1965 e, no ano seguinte, juntou-se aos ex-Tarzans Jock Mahoney e James Pierce para a campanha publicitária de lançamento da série de TV Tarzan, estrelada por Ron Ely.

Em 1967 sua imagem foi imortalizada na capa do LP Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.

Ali está ele, atrás de Ringo e Paul.

Ali está ele, ao fundo, entre Ringo e Paul.

Morreu vítima de um edema pulmonar em Acapulco, no México, em 1984, onde vivia com a sexta esposa.

Esporte maluco foi um precursor do Mad Max

Em um ano, nos Estados Unidos, o saldo foi de: 1,5 mil rodas quebradas, mais de 500 pneus estourados, 66 eixos partidos, dez motores rachados e seis carros completamente inutilizados. Mad Max? Não, era o esporte conhecido como autopolo, que causou muita destruição nos veículos e lesões graves aos competidores e ficou muito famoso no início do século passado.

O autopolo consistia basicamente numa versão motorizada do polo, com carros no lugar de cavalos. Enquanto o motorista pilotava o veículo, o passageiro carregava uma marreta cuja cabeça pesava 1,6 kg e golpeava a bola do mesmo tamanho da usada no basquete. O objetivo era fazer gols, mas as cenas lembravam mais o filme Mad Max do que qualquer outra coisa!

A modalidade fez sucesso nos Estados Unidos entre 1912 e o fim dos anos 1920. A primeira demonstração aconteceu em 1902, quando Joshua Crane Jr. acumulou as duas funções: pilotar o carro e bater na bola, olha que doido! Mas foi em 1912, quando um revendedor de veículos decidiu promover um novo modelo, que o esporte foi oficialmente criado.

Anúncio de um revendedor de “Mobiles” que, por ser mais leve que os outros, seria o ideal para o esporte. Somente dez anos depois desse anúncio ser publicado, o esporte tornou-se oficial.

A primeira partida oficial contou com quatro carros, divididos em dois times: Red Devils (Diabos Vermelhos) e Gray Ghosts (Fantasmas Cinzas). Os nomes fortes têm uma explicação: as partidas tinham como resultado, além dos gols, inúmeras lesões e fortes batidas.

Não à toa, a presença de um médico nas arenas ou feiras era obrigatória durante os duelos. Os pilotos usavam cinto de segurança e se machucavam menos, mas os rebatedores não escapavam de quedas e choques. Até algumas mortes foram registradas, embora o mais comum fossem ossos quebrados e cortes profundos.

Veja como o público lotava as arenas!

O público norte-americano aprovou a modalidade. Naquele primeiro jogo oficial, mais de cinco mil pessoas compareceram ao campo de alfafa que virou arena. No entanto, o esporte não durou nem duas décadas. E o motivo foi o alto custo: os competidores não quiseram mais bancar tantos consertos e substituições de carros destruídos – claro, a figura do patrocinador ainda não era presente no campo esportivo. Mas emoção não faltou enquanto o autopolo existiu. As fotos da época provam isso!