Palavras

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Por Clene Salles

 

CONSCIÊNCIA

Temos aproximadamente entre 20 mil a 70 mil pensamentos por dia, que estão associados e são formatados através das sensações físicas (tato, paladar, audição, degustação, visão). Fico admirada e muito pensativa ao saber que a visão é muito responsável pelos pensamentos – até porque o olho humano enxerga ao contrário e é o cérebro que coloca a imagem no outro eixo que vemos e entendemos o mundo que nos cerca. 
Será que este micro e tão rápido processo interfere na qualidade e quantidade dos pensamentos e na consciência? É bizarro pensar que enxergamos o contrário… Mas é assim que funciona o olho no corpo humano. 
 
Os pensamentos também se formatam por causa das emoções e sentimentos, bem como por micro manifestações sutis (energias). 
 
E sempre me entra uma dúvida se um sonho é também um pensamento… Ou subproduto de pensamentos e sensações… É interessante pensar que o sonho é uma vertente do pensamento (lúcido ou não). 
 
Se os psicanalistas, psicólogos, psiquiatras, enfim os profissionais e cientistas do mundo mental e neurológico, afirmam que os sonhos são manifestações do inconsciente, então o sonho que lembramos faria parte da consciência? E como ficaria os pensamentos randômicos? 
 
Bem, todo esse universo é revestido e modulado por símbolos, imagens e associações aleatórias, conforme a creditação de experiências de cada ser humano em especial.
Acho que quem ou o que inventou o pensamento e suas ramificações se diverte com essa bagunçaiada toda…   
 
Sonhos e pensamentos não são construídos por palavras ou textos. Em compensação nós somos capazes de pensar sobre nossos pensamentos e sonhos, que podem vir a ser traduzidos por palavras (texto). 
 
No entanto, todos estes elementos estão bastante alinhavados com o meio ambiente e a orientação que recebemos. E as que seguimos recebendo.  
 
Mas há quem obedece a uma rebeldia interna, uma ousadia multifacetada e padrões aparentemente incoerentes que possuem pensamentos e construções mentais que ultrapassam o comum e se auto iluminam com novas formas de consciência. 
 
Vamos ao ponto. 
 
A consciência… de onde vem? Como nasce? Se desenvolve? Se constrói? Tem tempo? Necessita espaço? Tem tamanho e limte? Depende da ingestão de alimentos ou bebidas? Do que ela depende para existir? Para que serve? Existem formas diferentes de consciência? É um produto neurológico ou experimental da vivência humana? Ela sequencia, detêm e explora valores? 
 
No instante em que observo o Planeta Terra, as manifestações da Natureza e os seres humanos, eu tenho uma observação sobre ela, a consciência – ela é inconstante, criativa, sistêmica, fluída, espasmódica. 
 
E que as emoções (e como as elaboramos) tem um papel muito significativo na consciência. 
 
A velocidade de um pensamento fornecerá uma consciência apurada? Um pensamento rápido pode ser impulsivo, influenciável e ou intuitivo, e um lento pode ser analítico, crítico ou arcaico. 
 
E nem sempre a mente é capaz de fazer valer a consciência. Provável que a mente precise de um “respiro suave” para tocar a consciência.  
 
A consciência vem do “eu”, de como “estou”, e poderia arriscar a afirmar que ela se desenvolve através da percepção que o todo e os demais estão envolvidos no processo (seja qual for). 
 
O espelho mostra minha aparência e não “como estou, quem sou, o que sou”.
 
Uma pessoa pode fazer parte de um coral, e de repente alguns começam a sair do tom da canção e nem por isso essa pessoa também precisa desafinar. Agora, o legal seria é que ela tivesse uma conduta consciente de que sim, é possível seguir cantando afinada e dentro do possível ajudar que os demais se reencontrarem e se embalem num ritmo mais adequado e afinado. 
 
Um tipo de consciência nasce quando nos damos conta de que algo pode ser mais adequado, aprimorado, mais harmônico. Outro tipo de consciência nasce quando há um desejo de manipulação.  
 
Claro, ela (a consciência) vai se desenvolvendo e imagino que esta produção nunca termina e que não depende da idade do ser humano. 
 
Do que ela necessita para existir? Vontade. Dor. Necessidade. E será no tempo e espaço que a consciência for necessária para que a pessoa se encaixe no que quer. Ou naquilo que ela não quer. Ou que compreendeu que não pode. A consciência sensata nos aponta onde temporariamente existe o sim e o não e… o que vai além do sim e do não. Sim, existe um campo que vai além do sim e do não. 
 
Para que serve a consciência? Talvez para seguir adiante com o mais produtivo do “consigo mesmo” e “apesar de”.  Consciência ajuda bastante a que seja produtivo desfrutar dos próprios valores e acolher o que é necessário retificar ou aprimorar. 
 
Muitos defendem que uma dieta balanceada pode proporcionar uma melhor sensação física e que isso, automaticamente, deixaria o campo mais aberto no aspecto intelectual e psíquico, que resultaria em experiências mais conscientes. Mas, não se pode afirmar que uma pessoa sem recursos para uma alimentação adequada não tenha episódios de consciência lúcida e produtiva. 
E claro, há muitos alimentos e bebidas que alteram, dilatam, amplificam e multiplicam estados de consciência. 
 
A consciência possui relação com a moral? É mais provável que seja um dos seus tipos. 
 
E por falar em tipos, eu vou continuar a comentar daqui a pouco sobre isso, porém há algo que eu quero agregar agora. Na língua espanhola há duas grafias “conciencia” e “consciencia”. 
 
Consciencia é o estado de vigília, a compreensão do mal e do bem, dentro dos âmbitos da ética e moral, enquanto que conciencia é o reconhecimento da realidade num patamar mais elevado, metafísico, mentalista, a identificação e apropriação de si mesmo, o entendimento de virtudes. 
 
Interessante, verdade?
 
Existe vários tipos de consciência… é sério! 
Vai desde a consciência física, ou seja, frio, calor, chuva, perto, longe, tempo, etc. e a consciência mais sutil que está correlacionada com valores e índices humanos (claro, conforme sua localização geográfica). E por certo, a consciência religiosa e espiritual. E também a consciência circunstancial – o que é interessante para o eu da pessoa em questão, ela se coloca em estado de alerta e compreende e quando não lhe interessa, despreza a percepção… e seguirá (satisfeita?) com sua consciência debruçada no sono do ignorar, desmilinguida nos braços do comodismo ou desespero. Seja lá qual for o desespero. 
 
Hoje não há verdades e afetos absolutos porque eles se alteram (simbolicamente) tanto como nossos pensamentos diários (entre 20 a 70 mil). E não há mais dúvida estável. Acredito que a ciência rubricaria esta apreciação.  
 
Hoje, o que podemos apenas é nos esforçar é termos conciencia, consciencia, consciência, consciousness, coscienza (em todos os idiomas do MUNDO!), do autocuidado com a nossa saúde, a proteção, a dedicação a higiene e de como nos movemos nos ambientes e como nos portamos em sociedade para minimizar os impactos das enfermidades. Nossa atual geração futura agradece. Irá agradecer se você permitir. 
 
Ter clareza e apropriar-se da bondade interna e externa que é também uma das acepções da consciência. Isso é saudável. 
 
Que esta acepção acima seja permitida e aceita em todos nós, por todos nós.  

 


IMEDIATISMO

Diariamente, sim diariamente – e praticamente de 9 horas por dia, segundo a matéria publicada em maio de 2020 no site terra.com.br (link abaixo) –  as pessoas se encontram conectadas à internet. Isso não é nem bom, nem ruim é algo para refletir. Também há que agradecer.  Sou muito grata à internet e as redes sociais. Sem elas você não estaria aqui e eu nem teria tido a oportunidade de publicar este texto. Bem, e comecei o texto justamente com uma citação de uma matéria na internet, para me autocutucar (mesmo)!

Em tempo, antes de prosseguirmos… Claro, há o grande problema da pandemia e tudo ficou mais dilatado, mais preocupante… o isolamento social, a incerteza, o desemprego, entre tantos outros, desencadeou o aumento do consumo da internet e o acesso às redes sociais.

Bem, estamos conectados à internet por aproximadamente 9 horas e… capturados – ou sequestrados – pelo outro ângulo do tema: o imediatismo. O novo termo cultura do imediatismo circula por toda internet: tudo ao mesmo tempo e agora.

E numa conversa sobre esse tema do imediatismo ramificamos o assunto e criei brincando o termo “instantisismo” alguns dias atrás enquanto trocava ideias com o jornalista, editor, roteirista e tradutor Júlio de Andrade Filho. Conversávamos sobre o “novo, atual, moderno, aqui e agora” versus “velho, antigo, arcaico, passado” e concluímos que chegou assim chegando com força, marcando presença: a polarização, como resultado do “instantisismo”(rsrsrs).  Brincadeiras à parte, num universo sutil e até mesmo infantil, estamos desqualificando tanto o antigo como o novo. E impulsivamente, quase todos nós valorizamos de olhos semicerrados a “última notícia”.

E o que chama atenção é que cultura tem sua origem em “cultivar”. Tudo o que tem a ver com cultura é preciso paciência, dedicação e tempo, não há cultivo instantâneo, logo o termo se contradiz.  Ora se cultura é o que vamos adquirindo a longo prazo e que permanece através do tempo a fim de dar testemunho ao que rodeia, e a cultura é também o desenvolvimento do conhecimento, como pode “cultura do imediatismo”? Contraditório demais, não!?! A vertigem do aqui e agora, do rápido, do instantâneo não sobra ar para respirar e nem pensamento profundo para pensar. Entra a taquicardia “mas e se eu perder muito tempo averiguando?”

Controverso, contraditório, antagônico ou não, estamos sendo levados ao imediatismo e respondemos a ele.

E o que será o agora senão um fragmento do passado e do futuro? É um jogo e estamos apostando às cegas que o agora tem que ser satisfeito e preenchido a qualquer custo. O imediatismo tem um preço e posso lhe garantir que no futuro a longo prazo vai custar caro.

O imediatismo estimula a impaciência, isso não cabe dúvida. Contudo, a falta de paciência leva com certeza ao déficit de atenção e a diminuição da concentração que automaticamente reduz a capacidade de absorção de dados, informações e conhecimento. Não é preciso pensar, porque a internet pensa por nós?!?

Estamos entupidos de informação, no entanto são informações em alguns instantes são legais e importantes, outras apenas divertidas, tantas outras muito falsas. E por que isso aumenta? De onde vem este resultado? Imediatismo. A receita de uma nova combinação para uma salada é bacana, mas a intoxicação por algum alimento ali agregado na salada não é nada bacana não… é chato, viu? A dica de um chá milagroso que cura tudo pode ser genial, mas investigar se algum dos componentes tem efeitos colaterais é de suma importância. Um desses chás cura-tudo levou um conhecido ao hospital com uma tremenda crise de pressão arterial porque a receita levava uma grande quantidade de gengibre, que é contraindicado a hipertensos.

O que constatamos acima de tudo é a ansiedade, a precipitação, medo e angústia se ficarmos para trás ou que nossos desejos não sejam atendidos. Vem um fantasma da vergonha de que não tenhamos recebido curtidas ou respostas dos posts que publicamos. É o terror ao vazio. Medo de cair no nada. O círculo vicioso: adquirir informações ou bens para preencher uma falta. Adquirimos. Em seguida vem de novo o vazio interior. E conforme as horas e os dias vão passando, estes índices de vazio e esgotamento do nada dobram. Se minha essência possui valores bem identificados, firmes e conscientes, se me permito refletir, minhas conclusões e direcionamento estarão mais fortes. Eu não sei do que o nada é composto, mas eu sei que antes de cair no nada tem a pessoa, tem você que está lendo, que tem muito mais valores a serem explorados do que imagina. Você tem a você mesmo! E isso é um luxo! É uma vitória!

E o outro aspecto deste caleidoscópio do imediatismo: é facinho, facinho sermos manipulados… A informação sem filtro e rápida adicionado ao desejo de ser aplaudido (likes) pode lhe levar a acreditar em coisas sem nenhum cabimento lógico. 

Alguns profissionais dizem que isso não é um problema psicológico, outros afirmam que sim. Uns médicos dizem que é neurológico e hormonal, outros não. Alguns cientistas dizem que sim outros afirmam que não. E uma das coisas que o imediatismo é mestre: a polarização. Constatamos dia após dia o extremismo e a polarização como recurso tanto para chamar a atenção, como para embrutecer nosso pensamento, tanto como para facilitar a vida do MKT e da publicidade. Afinal de contas, se tudo está polarizado, basta fazer uma campanha para o público X e outra para o Y e está resolvido, sem grandes dilemas.

Fui agraciada por conhecer um médico aqui no Peru, Dr. Carlos Vasquez, médico endocrinologista e cirurgião, que me deu algumas explicações bem pontuais: “não é possível localizar exatamente quando começou, mas a ansiedade, depressão, angústia, pânico vem aumentando continuadamente nos últimos anos. Vemos que nos exames laboratoriais os níveis de cortisol (hormônio do stress) cada vez mais alterados; constatamos que o ritmo circadiano que regula os ciclos biológicos, a temperatura corporal e o sono, está cada vez mais fora do seu funcionamento natural”.  Dr. Vasquez não possui uma visão polarizada e acredita que inúmeros fatores interferem na nossa saúde. E se nossa saúde está alterada também em função ao meio ambiente, logo por que não a tecnologia, usada de maneira desmedida e compulsiva, também não a alteraria? Ele me explicou que nosso corpo diante da ansiedade, ativa algo em nós muito primitivo – tipo nossos ancestrais que tinham que sair correndo e fugir por causa de um grande perigo – que altera de uma forma muito intensa nossos hormônios, a estabilidade do funcionamento dos órgãos e sistema nervoso central. A cada novo instrumento, a cada nova ferramenta, a cada nova tecnologia, nosso sistema nervoso central capta a informação e se amolda para a adequação, mas de uma forma ou de outra algo foi alterado.

Numa conversa por telefone celular, com minha tão querida amiga Jasna Lancho, que é jornalista e corretora de estilo, nós dialogamos sobre o tema e ela lembra que o imediatismo, não tem local específico é geral, é global. Ela não nega o stress e a ansiedade gerados pelo imediatismo, mas vê que se usarmos as tecnologias com moderação, nós podemos acessar conteúdos geniais. Srta. Lancho diz, “por um lado podemos virtualmente conhecer museus – alguns deles que nem imaginávamos um dia poder visitar – e em outros continentes; podemos nos comunicar livremente com pessoas em outros países; felizmente temos acessos a conteúdos acadêmicos em alguns sites; quem tem paciência e bom senso, se decide pesquisar, encontrará informações muito interessantes, preciosas! A vida se tornou menos dura nessa pandemia graças a internet. E mais: está anunciado para o futuro bem próximo o fim da telefonia fixa e quem sabe, um pouco mais adiante num futuro não muito distante, até mesmo a telefonia celular”.

E um pensamento leva a outro…

Em meio a tudo isso, eu me lembrei de livros que li sobre arqueologia e visitas a sítios arqueológicos onde, em um deles eu vi plasmado na Huaca del Sol y de la Luna em Trujillo, La Libertad, Peru a manifestação artística da Rebelião dos Artefatos. Na imagem abaixo, podemos apreciar que os objetos se “rebelaram” contra os humanos na cultura Moche, aproximadamente no século VII da nossa era.

Esta imagem, desde que eu a vi pela primeira vez há 10 anos, ficou impregnada na mente. Aparentemente se pode observar que o ser humano, e que não é de agora,  vem sempre de uma maneira ou outra, criando objetos, instrumentos, artefatos e tecnologias que com o passar de algum tempo, estes mesmos se rebelam, ganham vida e atuam em nós e por nós, e por vezes contra nós. A arte aqui mostra os artefatos usados em batalhas onde ganharam vida e decidem lutar corpo a corpo contra os guerreiros. Essa imagem faz meu pensamento divagar e até arrisco a considerar que desde o primeiro instrumento criado, uma ponta de lança, lá no período pré-histórico, o ser humano deve ter tido ali, seu primeiro stress psicológico… Afinal de contas, qualquer artefato criado por nós, nos desvia a atenção do que antes costumávamos nos concentrar.

Reviro os olhos, torço a boca, aperto a mandíbula, cruzo e descruzo as pernas com a inquietude, sinto os dedos das mãos e dos pés se contraindo e os ombros tensos: o que fazer em relação ao aspecto debilitante (sim é certo, o imediatismo nos deixa exaustos e sem energia) do imediatismo?

Creio que podemos saudavelmente nos auto comprometer com pequenas mudanças de hábitos, estabelecer limites e com resiliência lidarmos com o nosso agora com mais serenidade. Ainda somos livres para fazer as coisas com amor, boa vontade… e com calma.

 

Créditos e fontes:

Crédito da ilustração: imagem encontrada no livro Huaca de La Luna – Templos y Dioses Moches – Castillo, Santiago Uceda; Gamarra, Ricardo Morales, págs. 198-199.  

https://www.terra.com.br/noticias/tecnologia/seguranca-digital/os-brasileiros-estao-cada-vez-mais-conectados-a-internet,e6901880be9ea5939ec86d9ad59c2e8737neon3b.html

https://fia.com.br/blog/cultura-do-imediatismo

http://www.nicholascarr.com/

 


MATURIDADE

Maturidade talvez seja a capacidade de prestar atenção na falas e nos silêncios oportunistas… E decidir o que fazer da vida deste momento em diante…
Considerar o que se escuta e ponderar a respeito, estar apto a meditar sobre a quietude… Talvez isso também seja maturidade…
As pessoas se absorvem no silêncio em benefício próprio, nem sempre no sentido de esperar um tempo na quietude para avaliar melhor e proporcionar, talvez, uma solução mais elaborada.
Se esforçar naquilo que é possível mudar e compreender aquilo que não pode mudar. Incorporar estas diferenças. Aceitar. E aceitar também que neste exato aspecto, seja qual for, seus valores e crenças combinam ou não com o evento que hoje você está envolvido(a). Não é um jogo, É uma escolha. E toda escolha tem consequência. Inclusive se autopreservar também tem consequências.
Maturidade, talvez, seja conseguir decifrar a manipulação e o desdém de quem se esconde na falsa identidade de “um ser do bem e de solidariedade”. A dupla moral está por todas as partes.
Educação tem a ver com maturidade? Sim e não. A educação te instrui, mas não significa que terá sabedoria para colocar em prática a empatia e responsabilidade pessoal e social. Isso seria a educação incorporada, que se tornou sabedoria e que resultou em maturidade.
Maturidade é não julgar. Ok.

Diferente, tudo se torna muito diferente quando os atos de outras pessoas comprometam o sistema social, a saúde psiquica e a ética. As pessoas estão confundindo essa história de julgar. Penso que temos o direito de avaliar. E que esta avaliação seja sensata. E para expressá-la não é necessario ser ofensiva e nem radical.
E no quesito julgar e maturidade, há muito que refletir. Num mundo tão cibernético, a pressa tomou lugar e as ponderações perderam espaço e tempo. A necessidade de uma resposta “rápida” e “inteligente” e o medo da defasagem faz com que tudo se torne um miojo (rápido para saciar a fome e péssimo para a saúde a longo prazo).

Hoje me enviaram uma mensagem que só os fracos sentem culpa, de um grupo dito “espiritual”. O absurdo texto fala que não devemos ter culpa e sim amor. Quando rebati, fui excluída do grupo. Por quê? Porque acredito que a culpa sobre os atos é a chance de reparação. E defendo que quando há amor, há responsabilidade sobre as decisões e condutas, e isto, de uma maneira simples e plana, isso acontece quando a culpa bate na porta da consciência. E quando isso acontece há amor envolvido. Fora isso, é transtorno psiquiátrico.
As pessoas fazem ou falam o que querem e não esperam, nem admitem consequências. E o pior é que inúmeras vezes estes seres querem que os demais reajam como ELES querem. Isso é manipulação. Definitivamente. Maturidade, talvez signifique, rapidamente identificar essas armadilhas.
Maturidade é ter a plena consciência de que quando tratamos os demais como gostaríamos que nos tratassem, é ilusão. Maturidade é tratar as pessoas como um ser que busca crescimento psicológico, emocional e energético e não esperar nada em troca. Nunca esperar que o outro te trate da forma como você gostaria que ele tratasse. Maturidade é concretizar que hoje, mais do que nunca, os seres humanos estão,definitivamente, preocupados consigo mesmos. E isso também traz consequências.

Que o amor próprio fale mais alto, ok. Desde e sempre que… Haja percepção para também compreender que maturidade é não permitir que ninguém te diminua de algo muito improvável, em nome da “autoestima alheia”.
Discernimento? Sim, maturidade tem este componente sim. O discernimento traz serenidade e combate a insensatez. Um santo remédio para a indiscriminação e infantilidade!
Conciliar a vida como ela é. Sem máscaras. E com profundo compromisso de aprimoramento. Isso também é maturidade.


DICAS PARA ESCREVER BEM

É antigo, desconheço a autoria.

1. Vc deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo em que indigitados exibicionistas, com supedâneo na língua pátria, raiam o paroxismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no início das frases. bem como após o ponto final.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz, onde Judas perdeu as botas
6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in. Ok?

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??…então valeu, cara!
9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar é um erro fatal em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra no seu texto pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra num texto vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida dentro do texto.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os
outros não tem idéias próprias”.
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, ou seja, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações!!! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!
25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão
da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam,desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para naum estrupar a língoa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não vá estar escrevendo (nem vá estar falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e vai estar causando ambigüidade, demonstrando com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda vão estar acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.
29. Outra barbaridade que tu deves evitar, tchê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo! Uai…nada de mandar esse trem… vixi… entendeu, bichinho?
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar, já que é insuportável verificar, que o mesmo final escutar, palavras para frasear, frasear para palavrear, o tempo todo sem parar.


SEMENTES

Foto: Pixabay.com

Era uma vez, num lugar muito distante, numa época mágica, onde um rei e uma rainha tiveram um bebê numa escura noite de inverno, que tristemente tão linda criaturinha veio a falecer poucos dias depois.
O luto se impregnara por todo o reino.
A omissão do calor do sol naquele momento tornava aquele bosque ainda mais lamentoso. Parecia que o rumor do pranto se expandia por todos os cantos.
Depois de alguns dias, o casal coroado, após o tão dolorido funeral, decidiu convocar o povo. Eles tomaram uma decisão.
A partir daquele dia, quando os pequeninos nasciam até completar 1 ano de idade, deveriam todos bebês, durante 7 dias por exatamente 7 minutos, ficarem delicadamente expostos aos raios solares, por volta das 7 horas da manhã.
Os raios solares deveriam suavemente tocar a coroa de cada um deles. Estava decretado diante do Mistério Sagrado, que esta luz também iluminaria o coração de cada um deles, tanto crianças como os próprios pais e mães. Durante o processo as crianças deveriam comer uma pequeniníssima semente (que nunca tinha recebido nome) daquela região. Isso ajudaria que o Sol fixasse.
Assim, com o passar do tempo, todos os seres ao fechar os olhos, teriam a confiança de que a semente solar estava ali dentro deles e que os iluminaria para sempre.
Tempos depois… A prática de fechar os olhos e ficar em silêncio por 10 minutos diários, resgatando na imaginação a semente solar, tornou-se hábito. Todos sentiam-se mais saudáveis e fortes.
E então…
Era uma vez, num lugar muito distante, numa época mágica, onde nenhuma criança morria numa noite escura de inverno.
Porque todos ali possuíam em si mesmos a semente mágica do calor do sol.


PALAVRA

Foto: Pixabay.com

Os pensamentos inflacionaram e não havia como suportar os chamados da coerência. Na humanidade destas elaborações as palavras soltavam seus cheiros e gostos, inquietudes e soluções.
Palavras são medicinais? Elas curam? Como qualquer remédio, tem efeitos colaterais?
Elas informam (in-forma)?
Palavras amam e são amadas? São reconhecidas e recolocadas?
O que as palavras querem?
Elas (por incrível que pareça, todas) pedem conforto (seja qual for).
Palavra pede espaço, quando é lida ou ouvida.
Palavra sonhada, idealizada quer ser encontrada. Quer seu lugar e disponibilidade.
Encontrar palavras de bem-estar é aquela que possa se tornar verdadeiramente multifacetada.
Talvez elas queiram ser respeitadas por seu aspecto randômico que nasceu do aleatório das letras. Sabe, a palavra tem autoestima…
Palavras confusas pedem repouso e descanso.
Num momento de introspecção e contato com o Sagrado elas pedem que as mãos possam suportar sua leveza. Que voz seja expediente.
Afinal, elas são códigos instáveis da História.
O som é a Era da Origem.
A palavra se espreguiça na geração dos começos.
Ela se move livremente no Caos.
E a ordem dela é o Verbo?
Ela desconhece o tempo.

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