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Os planos de Elon Musk para ir a Marte

Elon Reeve Musk, é um empreendedor e filantropo sul-africano-canadense-americano. Ele é o fundador e CEO da SpaceX; CEO da Tesla Motors; vice-presidente da OpenAI; fundador e CEO da Neuralink; e co-fundador e presidente da SolarCity.

Ele é um empreendedor que viabilizou a exploração espacial privada, a criação de uma montadora global de carros elétricos e um novo sistema de transporte urbano. Entre as empresas que fundou ou comandou aparecem nomes como Paypal, Tesla, SpaceX e Neuralink.

Musk é movido por grandes medos e não tem vergonha de compartilhá-los em suas palestras e entrevistas. Com o sucesso de seus empreendimentos online entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, sobrevivendo à bolha da internet, Musk passou a focar seus esforços em grandes projetos que buscam mitigar seus receios de extermínio da humanidade.

Uma de suas apostas é expandir a presença humana pelo Sistema Solar, com o estabelecimento de populações em diversos planetas, a começar por Marte.

Musk está cada vez mais próximo de seu objetivo de colocar uma expedição no planeta vermelho e iniciar a colonização. O que era um sonho impossível e parecia uma conversa excêntrica demais, hoje é visto por analistas como viável, depois de quase duas décadas de desenvolvimento de foguetes e soluções aeroespaciais.

O protótipo na nave Starship, que levará os primeiros colonizadores a Marte, fez um teste bem sucedido em agosto passado, no Texas, e conseguiu decolar do solo e se manter a 150 metros de altura antes de descer, demonstrando um bom controle de trajetória. A Starship não é apenas uma nave, será uma frota inteira e, o melhor, é retornável… não vai se perder no mar, na volta à Terra.

A nave Dragon, fabricada por sua empresa SpaceX, tem um contrato com a NASA para levar e trazer astronautas da Estação Orbital. Ela serve de modelo para as naves que levarão carga a Marte, mas antes dos seres humanos.

A viagem mais recente da Dragon foi no último mês de agosto, quando trouxe dois astronautas americanos de volta à Terra.

Imagem dos astronautas da Nasa Bob Behnken e Doug Hurley a bordo da Crew Dragon, da SpaceX. FOTO DE SPACEX

Mas, quais são os planos da SpaceX, afinal?

Enviar naves não-tripuladas para Marte é o primeiro passo em qualquer plano de eventualmente enviar humanos. Pousar grandes cargas em Marte não é exatamente uma tarefa fácil: Além de uma certa massa da nave espacial, a atmosfera fina do planeta não suporta a frenagem tipo paraquedas na descida.

É necessário antecipar missões de teste para definir as tecnologias usadas para pousar cargas pesadas, incluindo humanos, em segurança – tecnologias como o retrofoguete da Sky Crane que pousou o rover Curiosity, da NASA, na superfície marciana em 2012.

Por enquanto, a SpaceX planeja usar tecnologias propulsoras para pousar as Red Dragons, que serão versões atualizadas da nave espacial Dragon 2.

Arte mostrando a Red Dragon em Marte.
O plano da SpaceX de pousar Red Dragon em Marte dependerá do seu poderoso foguete Falcon Heavy, que terá 120 metros de altura.

A SpaceX já testou com sucesso 3 estágios do gigantesco foguete Falcon Heavy,  em 2018. Na ocasião, o que serviu de carga para o teste foi o carro que o próprio Elon Musk dirigia para ir trabalhar, o Tesla Roadster elétrico.

Nesse teste, um manequim apelidado de Starman “dirige” o carro vestindo uma roupa espacial, e o carro – e seu “motorista” – foram colocados em uma órbita elíptica ao redor do Sol que vai além da órbita de Marte, tão longe quanto o cinturão de asteroides, mas não vai voar por Marte ou entrar em órbita ao seu redor. Musk disse que o carro deve vagar pelo espaço por um bilhão de anos. Radiação solar, radiação cósmica e impacto de micrometeoritos vão danificar o carro estruturalmente no decorrer do tempo.

A radiação vai quebrar o material orgânico e todas as partes com ligação de carbono. Pneus, pintura, plástico e couro devem durar apenas cerca de um ano, enquanto as partes de fibra de carbono devem durar consideravelmente mais. No fim, apenas a estrutura de alumínio, metais inertes e vidro não destruído por meteoritos vão sobrar.

A câmera foi montada no capô do carro.

Como já se tornou costume, Musk utilizou o Twitter para atualizar o público sobre as atividades da SpaceX. Ele publicou imagens do projeto Mars Base Alpha, literalmente a Base Alfa de Marte, e afirmou a um seguidor que ela provavelmente seria construída nos próximos dez anos.

Projeto da base marciana

Ele acredita que seria possível construir uma cidade com um milhão de habitantes num prazo entre 50 e 100 anos. A Mars Base Alpha seria o ponto de partida para enviar materiais e começar a construir a infraestrutura necessária para habitar o planeta.

A colonização será feita pelo seu enorme Falcon Heavy, nave que poderá ir e voltar da Lua ou de Marte, e que terá 40 cabines, com capacidade para 6 passageiros em cada uma.

A Falcon decolando do planeta vermelho

Os planos da SpaceX envolvem fazer testes em órbita até 2020, além de  uma viagem à Lua em 2022 e uma a Marte em 2024…

 

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PALAVRAS SEM TRADUÇÃO VIRAM IMAGENS

DESIGNER CRIA ILUSTRAÇÕES PARA SÉRIE DE PALAVRAS ESTRANGEIRAS QUE NÃO TÊM SINÔNIMOS EM OUTRAS LÍNGUAS.

Saudade é uma palavra que só existe na língua portuguesa – essa é uma frase que praticamente todo brasileiro já ouviu antes.

Assim como esse tesouro intraduzível do português, várias outras línguas contam com suas joias únicas, sem tradução direta para outros idiomas e, algumas vezes, bastante difícil de explicar.
A designer indiana Anjana Iyer, instalada hoje em Auckland (Nova Zelândia) utilizou este incrível banco de dados poliglota e criou ilustrações que traduzem cada uma delas.

A série de imagens fez parte de um projeto de 100 dias no qual a profissional deveria criar, diariamente, uma ilustração inédita. De acordo com Anjana Iyer, o projeto ajudou-a a melhorar suas habilidades como ilustradora e ainda a motivava todos os dias a aprender novas línguas.

Palavra do inuíte (região do Ártico na América do Norte) que significa “a frustração de esperar alguém aparecer em sua vida”.

Palavra do norueguês que significa “sentar em um ambiente exterior em um dia ensolarado para tomar uma cerveja”.

Palavra do irlandês que é um substantivo coletivo para ovos de Páscoa.

Palavra do japonês que significa “o tipo de efeito de luz disperso e salpicado que ocorre quando o sol brilha através de árvores”.

Palavra do maori das Ilhas Cook que significa “ter uma perna menor que a outra”.

Palavra do finlandês que significa “um galho de árvore que afundou até o chão de um lago”.

Palavra do francês que significa “rir quietamente na sua barba enquanto pensa em algo que aconteceu no passado”.

Palavra do kwangali (idioma do subgrupo banto das línguas nigero-congolesas) que significa “o ato de andar nas pontas dos pés sobre areia quente”.

Palavra do italiano que significa “mulher, geralmente idosa e solitária, que se devota a cuidar de gatos de rua”.

Palavra do tcheco que significa “dar apenas um toque em um celular para que a outra pessoa ligue de volta e você não precise gastar créditos”.

Palavra do polonês que significa “telegrafista dos movimentos de resistência do lado soviético da Cortina de Ferro”.

Palavra do japonês que significa “o gosto agridoce de um momento rápido e evanescente de beleza transcendente”.

Palavra do russo que significa “uma pessoa que faz muitas perguntas”.

Palavra do alemão que significa “a sensação de estar sozinho nas florestas”.

Fonte:

anualdesign.com.br

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Por que Microsoft deixou 855 computadores no fundo do oceano por dois anos

Empresa quis testar viabilidade de cilindro à prova d’água com 855 servidores alimentado apenas por energia eólica e solar.

Experimento pouco comum da Microsoft chegou ao fim agora Imagem: Microsoft

Dois anos atrás, a Microsoft colocou um centro de dados no fundo do mar na costa de Orkney, um arquipélago no norte da Escócia, em um experimento radical. (tratei disso num post na época, aqui)

Esse centro de dados agora foi recuperado do fundo do oceano, e os pesquisadores da Microsoft estão avaliando como tem sido seu desempenho durante esse tempo e o que podem aprender com ele sobre eficiência energética.

A primeira conclusão é que o cilindro forrado de servidores teve uma taxa de falha menor do que um centro de dados convencional. Quando o contêiner foi retirado do fundo do mar, a cerca de 800 metros da costa, após ser colocado lá em maio de 2018, apenas oito dos 855 servidores a bordo falharam.

Isso é um bom índice quando comparado com um centro de dados convencional.

“Nossa taxa de falhas dentro da água foi um oitavo do que temos em terra”, disse Ben Cutler, que liderou o que a Microsoft chama de Projeto Natick.

A equipe levantou a hipótese de que o desempenho melhor pode estar ligada ao fato de que não havia humanos a bordo e que nitrogênio, em vez de oxigênio, foi bombeado para a cápsula.

“Achamos que tem a ver com essa atmosfera de nitrogênio que reduz a corrosão e é fria, e sem as pessoas mexendo em tudo”, diz Cutler.

Orkney foi escolhida para o teste pela Microsoft em parte porque era um centro de pesquisa de energia renovável em um lugar de clima temperado, um pouco frio até. A hipótese central é de que o custo do resfriamento dos computadores é menor quando estão debaixo d’água.

O cilindro branco emergiu das águas frias com uma camada de algas, cracas e anêmonas após um dia de operação de retirada. Porém, por dentro, o centro de dados estava funcionando bem e agora está sendo examinado de perto pelos pesquisadores.

Na medida em que mais e mais dados nossos são armazenados em “nuvem” hoje em dia, existe uma preocupação crescente com o vasto consumo de energia por centros de dados.

Mais ecológico

O Projeto Natick tratava em parte de descobrir se os clusters de pequenos centros de dados subaquáticos para uso de curto prazo poderiam ser uma proposta comercial, mas também uma tentativa de aprender lições mais amplas sobre eficiência energética na computação em nuvem.

Toda a eletricidade de Orkney vem de energia eólica e solar, mas não houve problemas em manter o centro de dados subaquático alimentado com energia.

“Conseguimos funcionar muito bem em uma rede que a maioria dos centros de dados baseados em terra considera não confiável”, disse Spencer Fowers, um dos membros da equipe técnica do Projeto Natick. “Estamos com esperança de poder olhar para nossas descobertas e dizer que talvez não precisemos ter tanta infraestrutura focada em energia e confiabilidade.”

Os centros de dados subaquáticos podem parecer uma ideia estranha. Mas David Ross, que é consultor do setor há muitos anos, diz que o projeto tem um grande potencial.

Ele acredita que eles podem ser uma opção atraente para organizações que enfrentarem um desastre natural ou um ataque terrorista: “Você poderia efetivamente mover algo para um local mais seguro sem ter todos os enormes custos de infraestrutura de construir um edifício. É flexível e econômico.”

A Microsoft é cautelosa ao dizer quando um centro de dados subaquático poderá ser um produto comercial, mas está confiante de que a ideia tem valor.

“Achamos que já passamos do ponto de experimento científico”, diz Ben Cutler. “Agora é simplesmente uma questão de o que queremos projetar… seria algo pequeno ou grande?”

O experimento em Orkney terminou. Mas a esperança é que ele ajude a encontrar uma forma mais ecológica de armazenamento de dados tanto em terra quanto debaixo d’água.

 

 

Fonte:

BBC

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Posso completar a água? 5 atitudes que você acha certas e detonam seu carro.

Colocar água comum para completar o nível do radiador, mesmo em emergências, é uma prática danosa à saúde do seu automóvel; saiba fazer do jeito certo. Imagem: Foto: Shutterstock

Existem alguns hábitos que a gente adquire e passa boa parte da vida acreditando ser corretos.

Com automóveis, isso também acontece.

Seja ao dirigir, seja ao fazer a manutenção do veículo, é comum manter atitudes sem questionar se elas são de fato adequadas. Pode ser um macete ensinado pelo pai ou pelo avô.

A intenção pode ser boa. Porém, algumas práticas, feitas de forma continuada, podem gradualmente reduzir a vida útil de componentes e causar gastos inesperados com reparos lá adiante – alguns bastante elevados.

Além do aspecto financeiro, equívocos durante a condução são capazes, inclusive, de colocar em risco a sua segurança e a dos passageiros.

Confira cinco exemplos.

1 – Completar nível do radiador com água de torneira

O nível do líquido de arrefecimento deve ser completado com combinação de água desmineralizada e aditivo Imagem: Foto: Shutterstock.

Verificar o nível do sistema de arrefecimento do motor regularmente é um bom hábito, sobretudo em veículos bastante rodados, mais sujeitos a vazamentos.

Contudo, completar o nível com água da torneira é uma prática bastante danosa, pois com o passar do tempo provoca corrosão e até entupimento de tubulações, dutos internos e da bomba de água – além de diminuir a temperatura de ebulição.

Ao consultar o manual do proprietário de diferentes veículos, a orientação básica é a mesma: colocar água destilada ou desmineralizada em combinação com o aditivo recomendado pela montadora.

“A percentagem do aditivo varia de acordo com o veículo. Alguns requerem colocar mais ou menos no reservatório. Siga sempre o que diz o manual”, recomenda o engenheiro Francisco Satkunas, conselheiro da SAE Brasil.

Água comum, seja da torneira, do rio ou até mineral, daquelas compradas em supermercado, acaba formando resíduos indesejáveis, como calcário. O aditivo, por sua, vez, é essencial para evitar corrosão e também eleva a ebulição do líquido de arrefecimento – reduzindo o risco de o motor “ferver”. Também tem propriedade anticongelante, algo que, na prática, dificilmente terá serventia na maioria do território brasileiro.

Vale destacar que nunca se deve abrir o reservatório, também conhecido como vaso de expansão, com o motor ainda quente – o líquido e os gases aquecidos e sob pressão podem causar queimaduras graves.

Após o motor esfriar, abra a tampa lentamente e com cuidado, pressionando-a levemente para baixo e girando-a no sentido anti-horário.

Se o motor superaquecer por falta de líquido, redobre os cuidados ao abrir a tampa e adicione a água desmineralizada e o aditivo lentamente e em pequenas quantidades – isso previne o choque térmico, capaz de trincar o bloco do motor.

Quanto ao nível, este deve estar entre as marcações máxima e mínima, presentes no reservatório.

2 – ‘Segurar’ o carro com a embreagem

Manter o carro parado em ladeira dosando o acelerador e o pedal de embreagem é prática nociva Imagem: Almeida Rocha/Folha Imagem

Manter o carro parado em ladeira dosando o acelerador e o pedal de embreagem é prática nociva. Dosar os pedais da embreagem e do acelerador em um aclive de forma a manter o veículo parado é uma prática que requer habilidade, da quais muitos motoristas se orgulham.

No entanto, se você faz isso com frequência, pode ir preparando o bolso.

“Nesse caso, há um escorregamento severo no contato do platô com o disco e isso provoca um desgaste bastante prematuro, reduzindo sensivelmente a vida útil desses componentes”, alerta Everton Lopes, da SAE Brasil.

O ideal, recomenda, é usar o freio de mão na subida antes de arrancar com o veículo. “Fazer assim não apenas poupa os componentes da embreagem como traz mais segurança”.

3 – Dirigir na ‘banguela’

Colocar câmbio em ponto-morto na descida de serra não poupa combustível e traz risco de acidente Imagem: Folhapress

Um hábito que muitos acreditam ser benéfico é andar na “banguela“, por conta da expectativa de poupar combustível. A prática, na verdade, não faz o carro beber menos e ainda compromete a segurança, bem como é capaz de causar danos ao conjunto da transmissão.

“Colocar o câmbio em neutro, na verdade, faz o carro gastar mais combustível do que se estivesse engrenado. O sistema de injeção é calibrado na fábrica para entrar em modo de baixo consumo assim que você tira o pé do acelerador, com o veículo engrenado. Isso faz com que o motor receba apenas a quantidade necessária de combustível para mantê-lo girando”, explica Edson Orikassa, vice-presidente da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva).

Especialmente em uma descida de serra, colocar o câmbio em neutro ou ponto-morto traz risco de acidentes. “Com as rodas de tração livres, você acaba sobrecarregando os freios, que podem superaquecer, perdendo a eficiência”, esclarece o especialista.

Camilo Adas, presidente do conselho executivo da SAE Brasil, complementa: “Deixar o carro rodar em neutro e engrená-lo com o veículo ainda em movimento pode até danificar uma ou mais engrenagens do câmbio”, alerta o engenheiro.

4 – Ignorar amaciamento do motor

Renault diz no manual do Sandero 2020 para não passar de 130 km/h nos primeiros 1.000 km Imagem: Murilo Góes/UOL

Tem gente que compra carro zero-quilômetro e pensa que amaciar o motor é coisa do passado e já sai acelerando em altas rotações. Porém, muitas marcas, para não dizer a maioria, ainda trazem no manual orientações para não abusar do pedal do acelerador durante os primeiros quilômetros de uso.

Assim, o motor não é tão exigido até que componentes internos se ajustem e ele atinja o nível ideal de operação – com aumento na performance e redução no consumo de combustível.

O manual do Renault Sandero 2020 traz essa recomendação.

“Até atingir os primeiros 1.000 km, não ultrapasse 130 km/h na troca de marcha mais elevada ou 3.000 a 3.500 rpm. No entanto, só após cerca de 3.000 km, seu veículo irá proporcionar todo seu desempenho”.

5 – Instalar engate em veículo não autorizado

Chevrolet Onix, Onix Plus e Tracker 2020 não estão aptos a receber engate de reboque Imagem: Roberto Assunção/Folhapress

Muitos desconhecem, mas existem modelos de veículos que simplesmente não podem receber engate para uso de reboque ou “carretinha”. Pois essa informação pode ser conferida justamente no manual do proprietário.

Os novos Chevrolet Onix, Onix Plus e Tracker, por exemplo, enquadram-se nesse grupo.

O livreto que acompanha os três carros da General Motors não deixa dúvidas na seção que aborda o reboque de outro veículo. Ela traz um sinal de alerta acompanhado da palavra “perigo” e da seguinte frase:

“Este veículo não está apto a receber engate traseiro e, desta forma, tracionar reboques”.

Isso acontece porque esses carros não têm capacidade para tracionar outros veículos. O Toyota Corolla da geração anterior, vendido até 2019 no País, também traz essa limitação.

Quando determinado automóvel é apto a receber engate, a carga máxima de tração consta do manual, bem como o local do chassi onde o equipamento deve ser instalado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Alessandro Reis, UOL

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Tecnologias do Velho Oeste

O Velho Oeste é o período histórico em que os EUA buscaram expandir suas fronteiras em direção à Costa Oeste do continente – o qual perdurou durante boa parte do século XIX e início do XX.

Apesar de o início da colonização do território norte-americano ter acontecido dois séculos antes, o interesse em alcançar a outra costa surgiu em 1803, depois de o país ter adquirido um estado pertencente à França – episódio que ficou conhecido como a “Compra da Louisiana”. O pontapé para a jornada territorial foi dado pelo então presidente Thomas Jefferson.

Contudo, na procura por riquezas e progresso, os exploradores não contavam encontrar tanta resistência da comunidade indígena que já habitava aquela parte do continente. O grande fluxo da migração dos descendentes dos europeus acabou oprimindo a cultura e a população da minoria étnica, que nesse caso eram os índios.

A linha temporal do Velho Oeste se estendeu até 1920, acompanhando o término da Revolução Mexicana. Essa combinação de corrida por poder e guerra civil acabou impulsionando o desenvolvimento e aprimoramento de diversas tecnologias. Algumas delas você verá agora.

Tiro nem tão certeiro

Detalhe do fecho de pederneira de uma espingarda do século XIX. (Fonte da imagem: Werner Hanauska/Wikimedia Commons)

A espingarda de pederneira é uma arma com cano longo que usa o fecho de pederneira como dispositivo de disparo. Esse mecanismo consiste em uma peça com o formato de um martelo (também chamada de “cão”) que, ao ser acionada pelo gatilho, atinge um componente móvel de aço (denominado “fuzil”).

Com o impacto, é gerada uma faísca que incendeia a pólvora alocada no orifício que interligava essa parte da arma com o interior da sua câmera – ocasionando a deflagração que, enfim, dispara a bala de chumbo esférica. Atirar com esse tipo de armamento não era nada fácil. Todo o processo de preparação para um disparo era feito manualmente, fato que o tornava muito lento – um combatente bem treinado conseguia atirar no máximo três vezes por minuto.

O mínimo erro nesse procedimento, ou a presença de pólvora de má qualidade, era o suficiente para impedir o disparo. Além disso, por usar balas esféricas, os tiros estavam sujeitos a deformações e desvios com muita facilidade. Com isso, era quase impossível acertar um inimigo que estivesse a mais de 100 metros de distância.

Apesar de no período do Velho Oeste já existirem modelos de espingardas mais avançadas, as armas com fecho de pederneiras eram mais acessíveis, por isso se popularizaram nos confrontos entre índios e exploradores.

Não mexa na dina…

A. Serragem (ou qualquer outro tipo de material absorvente) misturada à nitroglicerina; B. Revestimento de proteção em torno do material explosivo; C. Cápsula detonadora; D. Fio ligado à cápsula detonadora. (Fonte da imagem: Pbroks13/Wikimedia Commons)

A dinamite foi inventada por Alfred Nobel em 1867 e foi uma tecnologia amplamente utilizada durante a expansão territorial norte-americana. Esse artefato consiste basicamente na combinação de nitroglicerina (composto químico altamente explosivo) a materiais absorventes – como argila ou serragem.

As chamadas “bananas” de dinamite possuem aproximadamente 20 centímetros de comprimento por 3,2 centímetros de diâmetro e pesam cerca de 230 gramas. Esse material foi muito utilizado no Velho Oeste para escavação de minas de carvão.

Contudo, devido à instabilidade da nitroglicerina, que pode detonar com qualquer movimento mais brusco, houve muitos acidentes durante a exploração de minério. Nesse período, diversos edifícios que estocavam dezenas de caixas de dinamite acabaram indo para os ares, literalmente. Obviamente, o explosivo também foi utilizado para guerrear – ele era a forma mais eficiente de acabar com acampamentos e meios de transporte inimigos.

Piuííí

Foto: autor desconhecido

O carvão extraído das minas abertas com a dinamite servia, entre outras atividades, para alimentar os motores a vapor que impulsionaram trens e barcos no oeste dos EUA a partir do século XIX. Esse tipo de maquinário usa a pressão do vapor, devidamente direcionada, para movimentar pistões conectados a peças articuladas e interligadas a rodas ou “moinhos” – promovendo o movimento dos veículos.

Embora a turbina a vapor tenha sido criada no século anterior, ela começou a ser utilizada em locomotivas sobre trilhos a partir de 1804 e em barcos três anos mais tarde. No avanço dos EUA rumo à Costa Oeste, os trens movidos a vapor geralmente serviam para o transporte de cargas, como alimentos, carvão e madeira. Por sua vez, os navios eram utilizados em sua maioria para a locomoção de pessoas.

Você pode até achar que essas tecnologias seculares estão obsoletas, mas elas ainda circulam por aí. Aqui no Brasil, existem locomotivas (apelidadas carinhosamente de marias-fumaça) rodando por cidades do interior e barcos (popularmente conhecidos como “gaiolas”) navegando pelos rios São Francisco e Amazonas.

Poder de destruição

(Fonte da imagem: Producer/Wikimedia Commons)

Para ocasiões em que o poder de fogo precisava de mais potência, os exploradores apelavam para os canhões – os quais, de maneira grosseira, naquela época, podiam ser considerados revólveres gigantes. Isso porque o funcionamento de ambas as armas é bem parecido.

Um canhão também possui uma peça metálica (martelo) que ao se chocar com a munição envolta por pólvora incita uma explosão (deflagração), a qual lança o projétil (bolas de ferro ou chumbo que chegavam a ter 15 cm de diâmetro e pesar 34 kg) a uma distância de até 3 km.

Há grandes controvérsias sobre que povo teria inventado o canhão. Entre as hipóteses existentes, as mais aceitas seriam que os chineses ou os mouros teriam sido os responsáveis pelo desenvolvimento desse armamento. O dado mais concreto é que a arma foi elaborada no século XIII, depois do descobrimento da pólvora.

Na corrida do Velho Oeste, os canhões foram usados em inúmeras batalhas – decidindo muitas delas. Como essas armas acompanhavam os movimentos de peregrinação, a maioria delas era montada sobre carretas de madeira para facilitar a sua locomoção – uma prática muito comum também durante a Primeira Guerra Mundial.

Sentido noroeste

Bússola do século XVIII feita de madeira, bronze, aço e vidro. (Fonte da imagem: Luis García/Wikimedia Commons)

O sol sempre foi um recurso de orientação bastante utilizado. Contudo, no século XIX não existia um mecanismo de direcionamento mais seguro do que a bússola. De maneira bem simplória, podemos definir esse dispositivo como uma agulha magnética, fixada de forma que a permita ter mobilidade, e que é atraída pelo polo magnético terrestre.

De acordo com relatos históricos, a descoberta da orientação natural dos ímãs é atribuída aos chineses. Assim, por consequência, a invenção da bússola também foi incluída no portfólio dos orientais.

Durante as longas caminhadas dos exploradores que promoveram a expansão territorial dos EUA, esse instrumento de navegação foi muito importante para que eles não perdessem o rumo da Costa Oeste.

Ponto, traço, traço e ponto

Telégrafo usado no Velho Oeste

Samuel Morse ainda era estudante quando, em 1832, teve contato com conhecedores do eletroímã. Esse fato foi crucial para que o inventor tivesse a ideia de construir um equipamento para comunicações à longa distância por meio de códigos. Três anos mais tarde, ele tinha um primeiro protótipo do telégrafo.

O Código Morse, o mais difundido para esse tipo de equipamento, usa pontos e traços para construir mensagens que possam ser transmitidas de maneira rápida e segura – evitando que as informações sejam entendidas por pessoas indesejadas. Até a popularização do telefone, no início do século XX, o telégrafo foi o principal mecanismo de comunicação – incluindo o período do Velho Oeste.

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Um documentário produzido pelo History Channel mostra mais algumas invenções desse período. Algumas nem saíram do papel, outras são ridículas. Ainda assim, é interessante saber como as pessoas tentaram solucionar diversos problemas. Divirta-se.

 

 

 

 

 

Fontes:

tecmundo.com.br, Fernando Daquino

Wikipedia

Youtube

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Anos Dourados | moda e comportamento anos 50

A Segunda Grande Guerra havia terminado, deixando a Europa literalmente em escombros, assim como o Japão depois do lançamentos de duas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. A política continuava bastante tensa, pois a Guerra havia colocado a então União Soviética no palco das grandes potências. Stalin, ditador, chegou até a Alemanha, mas não saiu do país, conforme tratados anteriores.

Totalmente destruída devido a bombardeios dos Aliados, inclusive na população civil alemã (algo que a História tenta esconder até hoje), os Aliados nada puderam fazer e o país foi dividido em dois: Alemanha Oriental, um satélite da URSS e a Alemanha Ocidental, democrática e com suporte dos Aliados (França, Inglaterra e Estados Unidos). A capital Berlim, dividida, foi transferida para Bonn (famílias inteiras foram divididas juntamente com o Muro) e permaneceu neste status quo até 1989, com a Queda do Muro de Berlim, já na era de Mickhail Gorbachev.

Em pouco tempo, a Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética emergiu forte e perigosa, com a diplomacia deixada de lado. Essa animosidade  culminou com a Guerra da Coreia, onde Estados Unidos apoiavam o Sul e a União Soviética, o Norte. Nunca foi assinado qualquer armistício até hoje e a divisão das Coreias é um pesadelo para suas populações.

Ao fim, Coreia do Sul passou a ser aliada dos americanos e a Coreia do Norte, apoiada pelos soviéticos, deu no que deu até hoje: o país mais fechado do mundo, governado pelo terror e pelo medo da terceira geração de Kim  Jon Il, o patriarca do país. Momentos de tensão e a ameaça de uma guerra nuclear pairavam no ar como um peso na cabeça de todo o mundo.

E ainda tinha mais: este cenário tenso ainda jogou mais água na fervura. Era o tempo da caça às bruxas,  Comitê de Atividades Antiamericanas ( HUAC, em inglês) do senador por Wisconsin, Joseph McCarthy.

Joseph McCarthy

Artistas, escritores, pessoas comuns ficaram na mira da Comissão para “varrer o comunismo” do território americano. Foi um absoluto desrespeito às liberdades individuais que haviam emergido com força total depois da Guerra. Afinal, o Ocidente, capitalista era o símbolo da liberdade de expressão, da livre iniciativa. Começava também a política anti-segregação racional no sul dos Estados Unidos. É o início dos direitos civis para os negros americanos.

Mesmo assim, o mundo vivia a euforia de mais um pós-guerra, onde mais de 25 milhões de pessoas morreram e o mundo soube dos horrores do Holocausto, a grande matança de judeus, ciganos, gays e outras minorias pelas SS alemãs.

O mundo queria ‘passar uma borracha’ em tanta atrocidade e tentava criar uma forma de viver e mudar tudo o que estava aí, esquecendo o passado de perdas e tristeza.

O rock ainda engatinhava, mas seu ídolo máximo, Elvis Presley, lindo e jovem, fazia a mulherada delirar.

Quando se alistou na Guerra da Coreia, as fãs choravam, mas ele, como bom-moço que era à época, foi servir seu país. Na volta, o escândalo: inventou a dança rebolante do rock e os seus trejeitos correram mundo. A moçada começa a servir-se da liberdade e dos direitos civis, que ainda iriam dar o que falar – e convulsionar o mundo – na década seguinte.

Evidentemente, a moda refletia a euforia, a liberdade, a conquista de ser você mesmo. Até porque, com a guerra terminada, retornava o dinheiro e o glamour! Era a época das pin-ups.

O “New Look” de Dior é a grande referência da moda feminina nessa fase do século XX: cintura marcada; saia godê; calça corsário (capri); sapatilhas; cintos finos e tons pastel. Chega de preto, verde oliva, azul-marinho. A onda eram os tons pasteis, leves como a sociedade Ocidental queria viver.

O “New Look” de Christian Dior fez a cabeça da mulherada mundo afora. Sem racionamento, a partir de 1947, Dior usava metros e mais metros de tecido para criar um vestido bem amplo e na altura dos tornozelos.

NUNCA uma tendência foi tão rapidamente aceita como o “New Look” de Dior. A mulher necessitava sentir-se feminina novamente, gostar do luxo e da sofisticação. As saias desciam novamente. Cintura bem marcada e sapatos de saltos altos,  luvas e outros acessórios de luxo, como pele (ainda não havia restrições ecológicas) e joias, muitas joias .

O ícone fashion da temporada era a maravilhosa e estilosa AUDREY HEPBURN!

A influência do “New Look” foi tão arrebatadora que os estilistas do século XXI, da Maison Dior, continuam colocando a cintura marcada, as saias rodadas e os chapéus em suas coleções, a exemplo de John Galliano em 2008, antes de cair em desgraça por racismo.  É o genial na simplicidade sofisticada. Este é o conceito do “New Look”.

Grace Kelly, a atriz que virou princesa, era um dos ícones do “New Look”…,assim como Brigitte Bardot, que estouraria no mundo inteiro com o filme ““… E Deus fez a Mulher”, de Roger Vadim.

 

Grace Kelly
Brigitte Bardot

A blusa ombro a ombro, também chamada de Brigitte Bardot, foi uma das primeiras peças de moda a cair no gosto popular, e sem estar nas passarelas. O mesmo se deu com o xadrez (Vichy) e o “petit pois” (as famosas bolinhas, bolas e bolonas na estamparia da época e, claro, o retorno delas décadas depois).

O mix de listras, xadrez e outras estampas vem dos anos 50. É o de sempre: o que foi ontem volta hoje “repaginado”

Tudo parecia simples e prático, acompanhando as mudanças provocadas pela Guerra.

A década foi marcada por três mulheres com Estilos & Atitudes diferentes. Tinham em comum o charme e o glamour.

Audrey Hepburn – estilo e sofisticação. Meiga, mas ciente de seu lugar no mundo;

Brigitte Bardot – menina, despojada, mas estilosa e dona de si. Estilo mais solto, sem se ater a uma tendência ou outra.

Grace Kelly – faz mais o jeito de Audrey Hepburn. Imagem meiga, sofisticada, estilo clássico – especialmente ao se tornar a Princesa de Mônaco. Foi a atriz favorita de Alfred Hitchkok.

A VOLTA DE CHANEL

Somente em 1954 Coco Chanel reabriu sua Maison em Paris, fechada durante toda a guerra. Primeiramente foi vista como “colaboracionista” do governo de Vichy, aliado dos alemães, pois havia sido amante de um oficial das SS ( o livro “Dormindo com o Inimigo” fala sobre essa fase da vida de Chanel). Aos 70 anos de idade, criou algumas peças que se tornariam ícones inconfundíveis: o tailleur com guarnições trançadas, a famosa bolsa a tiracolo em matelassê e o scarpin bege de ponta escura.

A tradição e os valores conservadores estavam de volta. As pessoas casavam cedo e tinham filhos. Nesse contexto, a mulher dos anos 50, além de bela e bem cuidada, devia ser boa dona-de-casa, esposa e mãe. Vários aparelhos eletrodomésticos foram criados para ajudá-la nessa tarefa difícil, como o aspirador de pó e a máquina de lavar roupas. A calça “rancheira” usada por trabalhadores rurais entra para o mundinho fashion e vira febre da moçada.

O símbolo da calça jeans e camiseta branca foi o ator James Dean.

Topete, T-shirt branca, calças jeans detonadas e o cigarro sempre na boca.  Símbolo do cinema americano da época, sua fama só cresceu ao morrer ainda jovem num acidente de carro.

James Dean foi a personificação do Estilo& Atitude masculino, Estilo que é também descontração. Quanto à Atitude, basta ver o seu olhar na foto.

Em contraposição ao estilo americano descartavelmente planejado, com produtos pouco duráveis, na Europa ressurgiu, especialmente na Alemanha, o estilo modernista da Bauhaus, uma escola de arte, design e arquitetura fundada em 1919 por Walter Corpius ( durou apenas 14 anos, mas influenciou o modernismo e continua atualíssimo), dando continuidade à criação inovadora.

O foco era a fabricar bens duráveis, com design voltado à funcionalidade e ao futuro. De cadeiras a edifícios, a fórmula de linhas simples, durabilidade e equilíbrio eram os pontos fundamentais de qualquer criação que levasse a assinatura dos arquitetos e designers, incluindo a União Soviética, um dos pilares da Bauhaus, considerada arrojada e vanguardista até hoje. Discípulos famosos foram Oscar Niemeyer, Lúcio Costa ( a concepção da Esplanada dos Ministérios é puramente Bauhaus) e Philip Stark, o designer mais famoso da atualidade.

Objetos da Escola de Arquitetura e Design Bauhaus

Criação de Marcel Breuer
Cadeira Barcelona criada por Mies van der Rohe, em1929.

Ao som do rock and roll, a nova música dos anos 50, a juventude norte-americana e mundial buscava sua própria moda. Entre os negros, era vez do jazz. Ambos os ritmos mudaram o modo de ouvir música e lançaram grandes nomes, como Beatles, Louis Armstrong e outros gênios da música americana. O jazz influenciou a bossa nova brasileira que também ganhou o mundo. Uma década de experimentação, inovações e liberdade.

MODA

Na moda? Bem, a moda foi para o lado colegial, que teve origem no sportswear. As moças agora usavam, além das saias rodadas, calças cigarrete até os tornozelos, sapatos baixos, suéter e jeans.

O conforto passou a ser a palavra-chave para o vestir, um critério que adotamos até hoje, a MODA CONFORTÁVEL acima de tudo. As maisons francesas voltaram com tudo com a “haute couture”, sempre para poucas, e o streetwear começa a ganhar força. Um claro sinal de que a moda estava sendo ‘desconstruída’ de acordo com a época. Eram ícones que se tornavam objetos ‘cult’ por serem confortáveis, de fácil acesso e barato: camisetas, calça Levi´s, sapatilhas, tecidos para as costureiras ( quase toda a roupa da classe média era realizada por costureiras).

Moda praia
Calça Cigarrete anos 50 (quase uma legging)
Calça capri

As revistas de moda e das celebridades dos cinemas serviam de ‘inspiração’ para os vestidos rodados, as saias plissadas feitas pelas costureiras. O motivo: a mão-de-obra barata que ficou desempregada depois da Guerra e a profusão de tecidos incríveis em todo o mundo.

Será apenas no final da década de 60 que o binômio passarela/ruas irá mudar para ruas/passarela, fórmula que se mantém até hoje, tal a força da MODA CONCEITO, MODA CONFORTO, MODA STATEMENT, que as ruas levam até as passarelas e não “the other way around”.

 

 

Fonte:

ecolebrasil.com, Mônica Ayub – Jornalista, empresária e assessora de comunicação. Autora do Livro Estilo e Atitude: Reflexos da moda: XIX ao século XXI

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Em 1918, gripe espanhola espalhou morte e pânico

Naquele ano, escolas brasileiras aprovaram todos os alunos. A busca de remédios milagrosos teve um efeito colateral inusitado, a criação da caipirinha

Parece filme de terror.

Cadáveres jazem na porta das casas, atraindo urubus. O ar é fétido. Os raros transeuntes andam a passos ligeiros, como se fugissem da misteriosa doença. Carroças surgem de tempos em tempos para, sem cuidado ou deferência, recolher os corpos, que seguem em pilhas para o cemitério. Como os coveiros, em grande parte, estão acamados ou morreram, a polícia sai às ruas capturando os homens mais robustos, que são forçados a abrir covas e sepultar os cadáveres. Os mortos são tantos que não há caixões suficientes, os corpos são despejados em valas coletivas e o trabalho se estende pela madrugada adentro.

Esse filme de terror, afinal não foi um filme… foi realidade! Isso ocorreu em 1918, quando a gripe espanhola invadiu o Brasil. A violenta mutação do vírus da gripe veio a bordo do navio Demerara, procedente da Europa. Em setembro desse ano, sem saber que trazia o vírus, o transatlântico desembarcou passageiros infectados no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro.

No mês seguinte, o país inteiro já está submerso naquela que foi a mais devastadora pandemia do século XX, matando mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo.

Em outubro e novembro de 1918, as manchetes dos jornais brasileiros se alternam entre a gripe espanhola no país e as negociações de paz na Europa, visando encerrar a 1a Guerra Mundial. É justamente o vaivém de soldados que faz o vírus mortal tocar todos os cantos do planeta.

Em todo o Brasil, os hospitais estão abarrotados. As escolas mandaram os alunos para casa. Os bondes trafegam quase vazios. Das alfaiatarias às quitandas, das lojas de tecido às barbearias, o comércio todo baixou as portas — à exceção das farmácias, onde os fregueses disputam a tapa pílulas e tônicos que prometem curar as vítimas da doença mortal.

Fon-Fon foi uma revista brasileira fundada no Rio de Janeiro em 1907. Seu nome era uma onomatopeia do ruído produzido pela buzina dos automóveis. Tendo como um de seus idealizadores o célebre escritor e crítico de arte Gonzaga Duque, tinha no enfoque dado a ilustração uma de suas principais características. Um grande exemplo dessa premissa foi a colaboração do pintor Di Cavalcanti em 1914. A revista, inclusive, tornou célebres ilustradores como Nair de Tefé, J. Carlos, Raul Pederneiras e K. Lixto. Tratava principalmente dos costumes e notícias do cotidiano e foi publicada até agosto de 1958.

Faltam estatísticas confiáveis a respeito das vítimas no Brasil. Mesmo assim, não há dúvidas de que a epidemia é avassaladora. O gráfico de óbitos anuais da cidade de São Paulo mostra um salto gritante quando chega 1918. Num único dia, o Rio chega a registrar mil mortes.

O Governo proíbe as aglomerações públicas. Os teatros e os cinemas, além de lacrados, são lavados com desinfetante. Pela primeira vez, as pessoas ficam proibidas de ir aos cemitérios no Dia de Finados — não só para evitar as multidões, mas também para impedir que se veja o estoque de corpos insepultos.

Os jornais estão repletos de anúncios de remédios milagrosos que se dizem capazes de prevenir e de curar a gripe. A oferta vai de água tônica de quinino a balas à base de ervas, de purgantes a fórmulas com canela. A procura é tão grande que as farmácias se aproveitam da situação e levam os preços às alturas. No Rio, a prefeitura reage tabelando o preço dos remédios.

 

Na cidade de São Paulo, a população em peso recorre a um remédio caseiro: cachaça com limão e mel. Em consequência, o preço do limão dispara, e a fruta some das mercearias. De acordo com o Instituto Brasileiro da Cachaça, foi dessa receita supostamente terapêutica que nasceu a caipirinha. Coincidência ou não, uma das peças de maior sucesso em São Paulo em 1918 se chama… A Caipirinha.

— A verdade é que a gripe não tem cura — diz o médico Lybio Martire Junior, presidente da Sociedade Brasileira de História da Medicina. — Diante de uma doença mortal nova e da falta de informação, a população fica apavorada e acredita em qualquer promessa de salvação. Até hoje é assim. Basta lembrar os primórdios da Aids.

Os pobres ao deus-dará

A epidemia escancara uma deficiência grave do Brasil: em termos de saúde, os pobres estão ao deus-dará. Não há hospitais públicos. Não é raro que as pessoas, assim que se descubram “espanholadas”, busquem socorro nas delegacias de polícia. Quem, aos trancos e barrancos, presta alguma assistência à população carente são instituições de caridade, como as Santas Casas e a Cruz Vermelha. As famílias ricas são menos atingidas do que as famílias pobres porque se refugiam em fazendas no interior do país, mantendo distância do vírus.

Dada a multidão que morre todos os dias, começa a correr no Rio a história de que a Santa Casa de Misericórdia, para abrir novos leitos, acelera a morte dos doentes em estado terminal. Isso se daria por meio de um chá envenenado administrado aos pacientes na calada da noite. Nasce, assim, a lenda do “chá da meia-noite”. Os jornais apelidam o hospital de “Casa do Diabo”.

No auge da crise, prefeitos e governadores se dão conta de que não podem permanecer de braços cruzados. Com certo atraso, distribuem remédios e alimentos, improvisam enfermarias em escolas, clubes e igrejas e convocam médicos particulares e estudantes de medicina.

Mas…

Do mesmo modo abrupto com que chega ao Brasil, a gripe espanhola desaparece repentinamente. Em dezembro, já são raros os contágios. Foram tantas as pessoas infectadas entre setembro e novembro que o vírus praticamente não tem mais a quem atacar.

Enfim terminado o filme de terror, os cariocas usam o Carnaval de 1919 como forma de exorcizar o fantasma da gripe espanhola. O Rio assiste, nos bailes e nos blocos de rua, àquela que talvez seja a folia mais desenfreada de que se tem notícia na cidade. Das marchinhas aos carros alegóricos, o tema da festa é um só: o “chá da meia-noite” — que não bota medo em mais ninguém…

 

 

Fonte:

elpais.com, Ricardo Westin

Esta reportagem faz parte da seção Arquivo S, resultado de uma parceria entre o Jornal do Senado, a Agência Senado e o Arquivo do Senado brasileiro. Com pesquisa do Arquivo do Senado. Texto atualizado em 8 de maio de 2020 para incluir informações a respeito da morte do presidente eleito Rodrigues Alves.

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“Sem Ray Harryhausen, possivelmente não teria havido ‘Star Wars'”

A frase que dá título ao post foi dita por George Lucas quando da morte de Ray Harryhausen, em 2013.

Ray Harryhausen foi o mais conhecido pioneiro dos efeitos visuais no cinema, e trabalhou em filmes como Fúria de titãs (1981), As viagens de Gulliver (1960) e Jasão e o velo de ouro (1963). 

Sua genialidade e sua criatividade superaram o baixo orçamento dos filmes, a tecnologia precária e incipiente de sua época e influenciaram diretores e produtores como Steven Spielberg (Tubarão), James Cameron (Avatar), Peter Jackson (O Senhor dos anéis), George Lucas (Guerra nas estrelas) e John Landis (diretor do clipe de Thriller, de Michael Jackson).

Harryhausen, como diria anos mais tarde, teve a felicidade de ser criado por pais que apreciavam estimular sua imaginação. Tanto que o levaram, com cinco anos de idade, para assistir a primeira versão cinematográfica de O Mundo Perdido, o filme onde ele pôde ver pela primeira vez o trabalho do homem que o inspiraria para sempre, Willys o’Brien.

O Mundo Perdido, 1925

A fita, adaptação do livro homônimo de Sir Arthur Conan Doyle, foi o primeiro longa a ter dinossauros animados com a técnica de stop-motion. O Stop-Motion é uma antiga técnica cinematográfica que basicamente é a filmagem quadro-a-quadro de bonecos ou objetos inanimados para a simulação de constante movimento. E até hoje esta primitiva técnica vem fascinando os cinéfilos. Mas é um recurso primitivo e praticamente extinto, não sendo mais usado (ou muito pouco usado) pelos modernos responsáveis em efeitos especiais.

O vídeo a seguir, de cerca de 3 minutos, explica rapidamente do que se trata..

Para Harryhausen, aquele filme, assim como os livros de fantasia e mitologia e as revistas de ficção-científica, foram as fontes de fascinação que sedimentaram seu interesse pelo gênero fantástico, cuja catarse ocorreu aos treze anos de idade, quando ele entrou no cinema para assistir a King Kong, em 1933, a obra-prima de seu futuro mestre O’Brien.

Absolutamente inovador, King Kong assombrou as plateias ao mostrar dúzias de sequências visuais espetaculares, e que jamais seriam obtidas por outros meios que não através da trucagem óptica, o termo que define o uso de efeitos visuais.

Harryhausen saiu do cinema embasbacado, porém decidido quanto ao que faria pelo resto da vida. Estudou desenho, teatro, pintura, escultura, etc, e tudo o mais que ele acreditava poder ser útil no novo ramo de efeitos especiais. Transformou a garagem da família em estúdio, e dedicou-se a aprender a arte de manipular objetos quadro-a-quadro, a essência da animação stop-motion. Com a ajuda dos pais, montou cenários para tentar a profissão, produzindo curta-metragens onde filmava contos de fadas clássicos, como Chapeuzinho Vermelho e Rapunzel. George Pal, outro profissional da fantasia cinematográfica, viu os trabalhos de Ray e o convidou para trabalhar com ele no George Pal’s Puppetoons. Uma espécie de show de marionetes animados em stop motion.

Mais tarde, Harryhausen teve o apadrinhamento do próprio mestre inspirador, Willys O`Brien, trabalhando como técnico de efeitos no filme de 1949 Mighty Joe Young. As inúmeras sequências de animação foram realizadas quase que totalmente pelo estreante (em longas metragens). Como pagamento, Ray levou parte do equipamento, o que auxiliou grandemente a carreira solo.

Seu filme O Monstro do Mar Revolto (It Came From Beneath The Sea, 1955), foi marcante e deveu-se ao fato do novo refinamento das sequências, que combinavam ação real e animação. Com tantos efeitos de primeira categoria, o filme só poderia se tornar num sucesso imediato. E foi o que aconteceu.

Nessa época, Harryhausen começou as experimentações que iriam permitir a feitura de truques mais convincentes. Primeiro, pintou telas de vidro, que mascaravam as mesas de animação, depois, naquilo que seria a grande inovação da técnica, ele refotografava o filme, para fazer com que os objetos animados tivessem uma interação melhor com as filmagens dos elementos reais.

Funcionava assim: uma primeira película de filme servia como base, e nela eram inseridos os elementos, animados ou não, que deveriam figurar em primeiro plano, contra o fundo natural. Depois outra camada de filme, com novos elementos fotografados, finalizando o filme a ser utilizado. Uma verdadeira colagem manual de películas, cujos resultados eram ilusões convincentes.

Era o truque que possibilitava que a criatura gigante saísse detrás de esquinas, ou se pudesse ver pessoas reais correndo atrás ou na frente do monstro.

Foi isso que ele aplicou no filme O Monstro do Mar Revolto… Na ocasião, um jovem produtor pretendia fazer um filme sobre um polvo gigante que destruía a ponte Golden Gate. Porém não tinha ideia de como realizá-lo, tecnicamente falando. Ele procurou Harryhausen para saber se o animador estaria interessado, e a resposta foi: “Eis aí algo em que eu gostaria de trabalhar”. A partir daí, começou uma parceria que duraria para o resto de suas vidas, adicionando uma coleção de filmes fantásticos ao imaginário pop do século XX.

De 1956 a 1958, Ray criou pequenas joias cinematográficas, sendo a mais popular – e a mais citada e parodiada delas – o pequeno clássico A Invasão dos Discos Voadores.

Finalmente em 1958, Harryhausen poderia mostrar sua genialidade em filmes à cores, e sua estreia foi com A Sétima Viagem de Simbad (The Seventh Voyage of Simbad),   levando o nome de Harryhausen pela primeira vez nos cartazes de cinema. Neste filme, começa um ciclo de películas que relembravam os fatos curiosos e interessantes da mitologia clássica. O filme lotou as salas dos cinemas, e a geração intermediária de cineastas que o assistiu ainda bem jovem, gente como os citados acima (Spielberg, Lucas, Cameron…) anotou cada passo das criaturas fantasiosas que desfilaram pela tela, para basear os seus futuros trabalhos.

Após essa produção, cresceu em Harryhausen a vontade de explorar novos temas, abordar assuntos mais fantasiosos, como podemos notar nos filmes As Aventuras de Gulliver (The Three Worlds of Gulliver, 1960),  e A Ilha Misteriosa (Mysterious Island, 1961), baseado na obra de Julio Verne.

No entanto, foram apenas um preparativo para uma das mais impressionantes adaptações no cinema de fantasia-aventura, Jasão e o Velo de Ouro (Jason and the Argonauts, 1963), no qual ele finalmente pode explorar sua antiga paixão pela mitologia clássica. Como não poderia deixar de ser, desfilam aí as mais impressionantes cenas de animação e aventura, como o antológico combate entre Jasão e um grupo de esqueletos, que impressionaram pela naturalidade dos movimentos.

O filme demorou três anos para ser finalizado, por causa unicamente das trabalhosas sequências de animação.

A cada novo filme, Harryhausen se aperfeiçoava mais em sua técnica dando-nos, inclusive, uma sequência arrasadora de filmes de aventura. E encerrou sua carreira em 1981, com sua obra-prima e o maior clássico da fantasia que o cinema já fez: Fúria de Titãs.

Diversas criaturas desfilam ao longo da história; talvez a mais impressionante seja a Medusa (monstro mitológico grego, metade mulher, metade animal com serpentes em lugar de cabelos e que transformava em pedra quem a encarasse). O terrível monstro marinho, Kraken, também é apavorante.

Ray se despediu fazendo de tudo um pouco dentro do filme, foi da suavidade do voo de Pégaso à aventura, ao terror impressionante da aparição da Medusa, e ao cuidado em apresentar os mitos dentro do contexto original, tanto quanto possível. Fúria de Titãs também representou o fim de uma maneira muito particular de fazer filmes. Um toque pessoal de fantasia, misturado com aventura e muito do espírito das matinês, o dos filmes para a família. Mas com um tempero fantasioso acessível a todos.

Ray Harryhausen foi um entusiasta dedicado a entreter o máximo possível de pessoas, com o cardápio popular da linguagem cinematográfica.

As mil e uma criaturas do mestre