Muletas linguísticas

Você já ouviu falar de “muletas linguísticas”? São expressões classificadas como cacoetes; expressões da moda. Por dependerem do uso, muitas vão e vêm.  São locuções, frequentemente vazias, usadas para ligar diferentes partes de um texto.

Na linguagem falada elas podem servir como apoio enquanto se pensa um pouco melhor na frase que se seguirá. Quer alguns exemplos? Aí vão:

Tipo

A palavra “tipo”, na fala, acabou se transformando na pontuação pós-moderna da geração “zap-zap”: “Hoje (tipo) eu (tipo) busco a independência (tipo) financeira.”

O “tipo” já se tornou um velho conhecido… Há tempos ele vem sendo empregado de maneira aleatória e fora de sua significação. Quando empregado de maneira viciosa, ele serve, “tipo”, como uma pontuação na frase:

(tipo) Ele nem perguntou se a gente queria que ele fosse (tipo), foi logo se oferecendo (tipo), superinconveniente!

Percebeu que, se retirarmos a expressão “tipo que”, o significado da frase não é alterado em absolutamente nada?

Meio que

Quem nunca ouviu a vazia expressão “meio que”? Em uma rápida pesquisa por microblogs, há centenas de registros como:

“A gente vive em um país (meio que) ditatorial.”

Não se desespere se você está se sentindo “meio que” revelado neste texto sobre cacoetes linguísticos. Conhecer o “inimigo” é fundamental para enfrentá-lo!

Tipo assim:

Quem achou, alguns anos atrás, que o “tipo assim” seria uma moda passageira entre os falantes, principalmente entre os adolescentes (grandes inovadores da linguagem!), enganou-se. Ele permanece por aí, marcando presença até mesmo nos textos escritos! Formalmente, ele não possui valor algum:

Acordei às 9:00 da manhã, (tipo assim) superatrasado!

Cara

E o conhecido vocalista de um grupo brasileiro (não vou dizer o nome…) completamente viciado no termo “cara”?

“Brasília, (cara), é uma terra, (cara), de poetas, (cara)!”

O uso excessivo dessa muleta ganhou tanta repercussão que o (cara) foi satirizado pelos caminhos rancorosos da Internet.

Gerundismo (esse é dose…)

Pode-se dizer hoje que vários clientes irritam-se com a moda do gerundismo, daqueles locutores do “a gente vai estar verificando…”.

Por quê? Justamente porque o atendimento telefônico, entre cliente e empresa, subentende o critério profissional, da objetividade, da eficácia.

Nós já identificamos o problema e estaremos trabalhando para resolvê-lo para você estar tendo uma melhor qualidade no serviço contratado”.

Quem nunca foi vítima desse cacoete linguístico? O gerundismo é considerado um vício de linguagem, um modismo que utiliza de maneira inadequada a forma nominal gerúndio. Na tentativa de reforçar uma ideia de continuidade de um verbo no futuro, acabamos complicando o que já é suficientemente complicado, e o que antes podia ser dito de maneira mais econômica e direta foi substituído por uma estrutura que prefere utilizar três verbos em vez de apenas um ou dois.

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O importante é saber que a língua é do falante, sem ele a língua não existe. Importante também ter em mente que a principal finalidade do idioma é a comunicação, e então, quando se alerta sobre os cacoetes (ou muletas linguísticas), estamos lembrando que existem duas vertentes da língua, a coloquial e a língua padrão, e espera-se que a gente entenda que, para cada situação, uma dessas linguagens é a mais adequada!

Fontes:
exame.abril.com.br
wikipedia
alunosonline.uol.com.br

Propagandas antigas curiosas, divertidas ou politicamente incorretas

É muito interessante a gente voltar no tempo e observar como os costumes mudam. É natural, a sociedade evolui (em alguns casos, involui, rsrsrs) e também os costumes e as preferências das pessoas.

Acreditar que a vida era melhor em nossa época de juventude não significa, necessariamente, que isso seja verdade. O que muita gente faz é supervalorizar certos momentos da infância, atribuindo-lhes qualidades que, muitas vezes, existem apenas na lembrança.

Muitos lembram da vida mais simples, jogando bola em campos de terra, subindo em árvores para comer fruta, etc. De fato, coisas boas ficam marcadas. Mas e as dificuldades? E o trabalho de tirar água do poço? E o fato de os banheiros serem cabanas externas sem ligação com as casas? E os ferros de passar roupa, aquecidos a carvão? E se você ficasse doente, qual era o hospital mais próximo?

Deixando essa discussão mais aprofundada para outro momento, a publicidade sempre foi um balizador e termômetro da vida em sociedade, um espelho do que se consumia e do que se acreditava. Veja só alguns exemplos…

  • Imagine como era um milagre, em 1937, você poder ligar para sua mãe no Natal? lembrando que isso era para os poucos que tinham telefone em casa!
  • Propaganda da Shell veiculada em 1942, período da II Guerra Mundial, incentivando a economia de combustível.
“Petróleo é munição – economizemos para a defesa” dizia o slogan da companhia.
  • Neguinho já tacava fogo na babilônia naquela época… Com o nome de ˝cigarros índios˝ a cannabis era vendida livremente na São Paulo do início do século 20.
  • Comentei acima sobre a mudança de costumes e preferências… Veja que em 1926 mulher magra estava em baixa, a preferência era por uma mulher com vários quilos de carne sólida!
  • Não é o que você pode estar pensando… A referência é a um pinto, uma moeda portuguesa, nesse anùncio de 1913. Quem sabe os amigos portugueses possam confirmar essa informação!
  • Apenas mera coincidência eu ter selecionado este anúncio maluco… Dória, o elixir, era um sucesso contra o bafo de bode e problemas do estômago nos idos de 1930. Qualquer semelhança do ser chifrudo sendo engolido com a palavra ´Não Temer´ é mera coincidência, reforço.
  • Agora, vamos avançar algumas décadas para as propagandas coloridas. Esta foi muito veiculada nas revistas de 1957. O Sabonete Cinta Azul garantia a qualidade do produto até o fim: “um sonho de sabonete, conserva todas as suas qualidades até ter atingido a espessura de uma folha de papel”.
  • Em 1944, a Loteria Federal promovia o prêmio de 1 milhão de cruzeiros (hoje, a grosso modo, um valor próximo a R$ 4 milhões). Um anúncio chamativo, em cores fortes, com os dizeres: “O seu dia chegará”.
  • Com foco no restabelecimento do apetite nas crianças, o Emulsão de Scott apresentou este anúncio nas revistas em 1954: “Minha filha já tem apetite / Era criança sem vida”. O fortificante era apresentado como responsável por restabelecer a saúde da criança: “Passou a ter boas cores, a comer bem”. Seu concorrente era o Biotônico Fontoura.
  • O anúncio do Leite Ninho, de 1960, mostra um mãe cuidadosa e atenta na alimentação das crianças.
  • Esta saiu muitas vezes na revista O Cruzeiro, também nos anos 1960.

Daria para fazer um panorama de nossa História apenas analisando as propagandas que eram veiculadas em jornais e revistas e, mais tarde, na televisão – sem esquecer o rádio, claro. E, hoje em dia, incluindo sites e redes sociais. Até que é uma ideia…

ATUALIZAÇÃO

Mário Rubial, “dono” da nossa página PAPO DE BOTECO, de crônicas divertidas e saborosas, comentou aqui sobre uma famosa propaganda que era veiculada nos bondes. Como era o modo de transporte mais utilizado, não demorou muito para que os bondes passassem a ostentar publicidade interna e externamente.

No início, os passageiros não gostaram da novidade, mas acabaram se acostumando com os paineis e talvez a publicidade mais famosa de todas, e que faz parte da memória coletiva do brasileiro, seja a do Rhum Creosotado

Os versos são de Ernesto de Souza (farmacêutico, teatrólogo, músico e compositor) e criador desse remédio, com farta propaganda em jornais, revistas e, principalmente, nos bondes.

O anúncio acima é de 1940, com desenho de J. Carlos, o mais famoso cartunista da época.

O tema seria recorrente na publicidade do produto, como na bem-humorada versão acima, nos bondes dos anos 1950, em que o “tipo faceiro” era uma mulher de maiô.

Para quem nunca conheceu os bondes, fiz um breve resumo de sua história na cidade.

O bonde, por muitas décadas, foi o principal meio de transporte dos moradores de São Paulo. Os primeiros registros desse transporte são datados de 1872, quando São Paulo contava com um serviço de bondes puxados por tração animal, chamado de bonde a burro.

A primeira viagem desse modal foi feita entre a Rua do Carmo e a Estação da Luz, que nada mais era do que um entreposto comercial entre o interior do estado, grande produtor de café, com o Porto de Santos, destino final daquelas sacas e dos barões que embarcavam nos navios para conhecer a Europa.

Quase 30 anos depois, após adaptações e negociações, surgem os bondes elétricos na cidade, graças à Light, empresa que teve intensa participação na formação da cidade. A primeira viagem de bonde elétrico foi feita no dia 7 de maio de 1900. Em três décadas, a demanda foi tão grande que, nos anos 30, a cidade chegou a ter 160 quilômetros de trilhos, quase o dobro dos atuais 96 quilômetros de Metrô que São Paulo tem nos dias de hoje.

Em 1947, após a não renovação do contrato com a Light, a operação dos bondes passou para recém-criada Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC). De todas as capitais que tiveram esse modal, São Paulo foi a que mais tempo teve os bondes circulando pelas suas ruas: em 27 de março de 1968, um bonde que atendia a linha Praça da Sé-Santo Amaro circulou pela última vez pela cidade.

Fontes:
facebook.saopauloantiga/photos; 
internet
sampahistorica.wordpress.com
novomilenio.inf.br
wikipedia

Palavras que nossos avós usavam – e não usamos mais

O sacripanta deu um tabefe na sirigaita enquanto o janota armava o maior quiprocó

Não é só uma questão de gírias. Nem de modismos. Algumas palavras da nossa língua simplesmente deixaram de ser usadas com o passar das décadas, e expressões comuns nos tempos dos nossos avós, ou mesmo dos nossos pais, são completamente desconhecidas pelas novas gerações.

Com o tempo, novas palavras vão surgindo, assim como novos significados para palavras antigas, o que acaba deixando nosso idioma com algumas diferenças entre épocas. E palavras, tão coloquiais há alguns anos, foram engavetadas e esquecidas.

Só pra citar alguns exemplos, e os seus significados:

  • Tabefe (tapa, bofetada)
  • Sacripanta (patife, pilantra)
  • Basbaque (pessoa ingênua, simplório, tolo)
  • Chumbrega (de má qualidade, ordinário)
  • Sirigaita (mulher espevitada, pretensiosa)
  • Alcunha (apelido, codinome)
  • Janota (pessoa bem vestida)
  • Petiz (criança)
  • Pachorra (calma excessiva, paciência)
  • Garrucha (espingarda, bacamarte)
  • Quiprocó (confusão, balbúrdia)
  • Balela (mentira, conversa fiada)
  • Fuzarca (bagunça)
  • Supimpa (excelente, muito bom)
  • Alpendre (varanda coberta)
  • Bidu (pessoa que adivinha as coisas)
  • Bulhufas (coisa nenhuma, nada)
  • Radiola (aparelho de som, rádio com vitrola)
  • Vitrola (toca-discos)
  • Gorar (não dar certo)
  • Lorota (mentira)
  • Cacareco (coisa velha, objeto sem valor)

E, como falei de gírias um pouco acima, vou relembrar algumas expressões usadas em décadas passadas, e que – assim como essas palavras – também caíram em desuso, substituídas por outros modismos. Afinal, “crush”, “suave na nave”, “de boa” fazem parte do vocabulário de hoje, e também mudarão com o passar do tempo, ganhando novos significados, ou serão simplesmente esquecidas.

Anos 40

Moça na Praia de Copacabana em 1947 (Foto: Kurt Klagsbrunn)

Balangandans: acessórios como brincos, pulseiras e anéis usados em exagero.
Brotinho: Garota bonita
Coqueluche: Febre do momento
Fuzarca: confusão, alvoroço

Anos 50

Jovens misses no Miss Brasil em 1958 (Foto: Reprodução)

Bafafá/ Fuzuê: Confusão
Barbeiro: mau motorista
Chá de cadeira: espera demorada

Anos 60

Jovens atrizes brasileiras em 1968 na ‘Passeata dos Cem Mil’ (Foto: Reprodução)

Carango: carro
Bicho: cara, amigo
Bulhufas: nada
Calhambeque: carro velho
Duvi-de-o-dó: duvidar de algo.
É uma brasa, mora!: Como se fosse algo do tipo: É muito legal, saca?
Esticada: passar por vários restaurantes e bares noturnos
Lelé da cuca: louco, desequilibrado
Morou?: entendeu?
Pão: homem bonito
Papo firme: sério, real, verdadeiro
Patota: turma de amigos
Prafrentex: avançado, moderno
Sebo nas canelas: apresse-se, vamos rápido

Anos 70

Roberto Carlos nos anos 70 (Foto: Reprodução)

Tutu: dinheiro
Bidu: pessoa esperta
Grilado: desconfiado, em dúvida
Maior barato: legal, sensação boa
Pagar sapão: se dar mal
Pra lá de Marrakech: drogada, chapado, bêbado
Russo: situação ruim, difícil
Pisante: calçado

Anos 80

Visual da banda Ultrage a Rigor nos anos 80 (Foto: Reprodução)

Bode: mau humor, cara amarrada
Caroço: gente chata, enjoada
Maneiro: muito bacana
Numa nice: numa boa
Tá crowd: tá lotado
Tomou doril: sumiu
Viajar na maionese: falar coisas absurdas, entrar em contradição
Zura: pão duro
Pistoleiro/a: pessoa interesseira
Massa: bom, ótimo, legal

Anos 90

Mamonas Assassinas, o grupo que fez muito sucesso nos anos 90 (Foto: Reprodução)

Antenado: informado, ligado em tudo
Azaração: pegação, namorico
Mauricinho: rapaz rico e mimado, que geralmente depende dos pais
Pagar mico: passar vexame
Patricinha: moça rica e mimada, que geralmente depende dos pais.
De lei: é assim
Descolar: arranjar, conseguir
Gato/a: homem/mulher bonito/a
Perua: mulher muito arrumada, com ares de madame
Pintar: aparecer

O engraçado é que acabo de descobrir que uso palavras ou gírias de quase todas as décadas, ahahaha! E você, conhece mais alguma que não entrou? Comente.

ATUALIZAÇÃO

Duas que esqueci, enviadas pela Mara Andrade: “tá ligado”; “cola aqui”.

Fontes:
Veja SP Por Roosevelt Garcia
universoretro.com.br https://universoretro.com.br/veja-algumas-das-girias-mais-utilizadas-nas-decadas-passadas/

Por que a Lei Seca, que fez 100 anos, foi um fracasso retumbante nos EUA

Os economistas têm um pequeno problema de imagem. As pessoas acreditam que manipulam descaradamente as estatísticas, fazem previsões terríveis com excesso de confiança e jogam água no chope. Possivelmente, parte da culpa é de um homem que, há um século, foi provavelmente o economista mais famoso do mundo: Irving Fisher.

Foi ele que declarou, em outubro de 1929, que as ações haviam atingido um “patamar permanentemente alto”. Menos de dez dias depois, a Bolsa de Valores americana despencou vertiginosamente e deu origem ao período conhecido como a Grande Depressão.

Fischer era um fanático pela boa forma física. Evitava consumir carne, chá, café e chocolate. Tampouco bebia álcool. Era, aliás, um ardoroso defensor da Lei Seca, medida das autoridades americanas para proibir a produção e a venda de álcool cuja entrada em vigor, em 1920, completou 100 anos em janeiro. Foi uma mudança extraordinária que levou a quinta maior indústria do país para a ilegalidade, de uma hora para outra.

Fisher fez outra previsão à época: “[Esse episódio] será escrito na história como o começo, como uma nova era mundial, da qual essa nação terá orgulho para sempre”.

Mais uma previsão furada… a proibição seria, no fim das contas, uma farsa. A lei foi tão descumprida que o consumo caiu apenas 20% no período de vigência, e acabaria revogada em 1933, em uma das primeiras medidas do novo presidente Franklin D. Roosevelt.

Produtividade X embriaguez

As raízes da Lei Seca americana são geralmente apontadas em torno da religião, mas a verdadeira preocupação dos economistas era a produtividade. As nações sóbrias seriam muito mais eficientes que aquelas com uma força de trabalho de bêbados? Para confirmar sua teoria, Fisher tomou algumas liberdades com os números que usou.

Ele argumentou, por exemplo, que a Lei Seca gerou US$ 6 bilhões para a economia americana (algo como US$ 90 bilhões em valores atuais). O problema é que esse número não veio de uma análise cuidadosa. Fisher se valeu de estudos com poucas pessoas que apontavam uma redução de 2% da eficiência depois de drinques com estômago vazio.

Mais tarde, ele assumiu que os trabalhadores tomavam cinco doses antes do trabalho, multiplicou os 2% por cinco e concluiu que o álcool levava a uma redução de 10% da produção. Duvidoso, para dizer o mínimo.

Os economistas talvez tivessem se surpreendido menos com o fracasso da Lei Seca se pudessem ter saltado meio século na história e conhecido as análises de Gary Becker, prêmio Nobel de Economia em 1992, sobre o “criminoso racional”.

Crime e demanda

Para Becker, tornar algo ilegal simplesmente acrescenta um novo custo racional aos prós e contras calculados pelas pessoas: a penalidade caso você seja pego, modulada pela probabilidade de ser pego.

“Criminosos racionais”, afirmava Becker, “vão oferecer mercadorias proibidas por um certo preço”. Se os consumidores vão pagar esse preço depende do que os economistas chamam de elasticidade da demanda. Imagine, por exemplo, que o governo decida banir o brócolis. O mercado ilegal passaria a cultivar brócolis escondido e vendê-lo em becos escuros por preços inflados?

É improvável, já que a demanda por brócolis é elástica. Eleve o preço e muitas pessoas passariam a comprar couve-flor ou repolho. Com o álcool, por outro lado, a demanda é inelástica: aumente o preço e muitos ainda continuarão pagando o preço mais alto.

A Lei Seca americana se tornou uma bonança para criminosos racionais como Al Capone, que defendeu seu contrabando de bebidas com ares empresariais.

“Eu dou ao público o que o público pede”, afirmou. “Nunca precisei mandar vendedores agressivos, já que eu nunca consegui suprir a demanda.”

Os mercados ilegais também variam seus incentivos. Seus competidores não podem te levar às autoridades, então por que não usar os meios necessários para estabelecer um monopólio?

A teoria mais aceita indica que o aumento da violência durante a Lei Seca contribuiu para sua derrocada.

Outro fator também foi a ganância pelo lucro fácil. Cada carregamento de mercadorias levava consigo um risco, então por que não guardar espaço para um produto mais potente? Durante a Lei Seca, o consumo de cerveja caiu em relação ao de destilados. A tendência se inverteu depois do fim da proibição.

Por outro lado, o que impede o corte de custos reduzindo a qualidade do produto?

Tornaram-se comuns, então, os bares clandestinos, conhecidos como speakeasies. Aumentaram também o consumo de bebidas falsificadas (feitas a partir do milho) e, claro, a corrupção, com policiais e políticos sendo subornados pelas quadrilhas que distribuíam o produto no mercado negro.

Aos poucos, os próprios defensores da luta anti-álcool se decepcionaram com seus resultados e, em 1933, o Congresso americano aboliu a Lei Seca.

 

 

 

Fonte:
Tim Harford, BBC, da série "As 50 coisas que fizeram a economia moderna"

Grandes lojas que foram marcos em São Paulo

Relembre o passado do comércio paulistano

Grandes lojas que pareciam imunes à crise financeira acabaram fechando suas portas ou por falência ou porque foram incorporadas a empresas maiores, uma prática comum há muito tempo. Assim, varejistas muito conhecidos acabaram sendo esquecidos pelo tempo ou estão nesse processo. Relembre grandes nomes do comércio do passado, de diversas especialidades.

•    Mappin
Quando pensamos em “grandes lojas que não existem mais”, o nome do Mappin é o primeiro que nos vem à mente. Cartão postal da cidade desde 1913, quando foi fundado, a sede da Casa Anglo Brasileira na Praça Ramos foi um dos pontos mais conhecidos da capital por muito tempo. Abriu diversas filiais no decorrer dos anos. Sua loja da Avenida São João se tornou a primeira da metrópole a contar com estacionamento próprio, uma novidade absoluta nos anos 50. Decretou falência em 1999.

•    Mesbla
A segunda loja de departamentos mais lembrada da cidade foi, na verdade, fundada no Rio de Janeiro como subsidiária de uma companhia francesa especializada no comércio de máquinas. Nos anos 80, tinha mais de 180 lojas por todo o Brasil. Dificuldades na década seguinte levaram a Mesbla a perder todo seu valor. Foi comprada pelo Mappin em 1996. Com a falência, três anos depois, as duas marcas mais conhecidas do público em lojas de departamentos acabaram de uma só vez. Em 2010, foi relançada como um e-commerce, mas a iniciativa não deu certo e logo saiu do ar.

•    Arapuã
Uma das lojas mais conhecidas em vendas de eletrodomésticos teve sua origem no interior de São Paulo, em Lins, no ano de 1957. Nos anos 1990, era uma das maiores varejistas do Brasil, rivalizando com as Casas Bahia e o Ponto Frio. Entrou em recuperação judicial nos anos 2000, com uma dívida de mais de 1 bilhão de reais.

•    G. Aronson
Fundada em 1944 em São Paulo para comercializar casacos de pele, a rede chegou a ter 38 lojas no estado vendendo eletrodomésticos. Sua falência foi decretada em 1998.

•    Sears
A gigante americana fazia muito sucesso na cidade nos anos 1980, e sua maior loja era onde se encontra hoje o Shopping Pátio Paulista. A rede chegou ao país em 1949 e tinha onze filiais quando decidiu encerrar suas atividades no Brasil, no início dos anos 1990. Há alguns anos, foi anunciado que a rede voltaria ao Brasil, mas nada de concreto ainda apareceu.

•    Jumbo-Eletro
Nos anos 40, surgia no Brás uma oficina de conserto de rádios que, com o passar dos anos, diversificou suas atividades, vendendo também equipamentos e eletrodomésticos em geral, chamada Eletroradiobraz. Na década de 1970, a rede, já gigantesca, inaugurou seu primeiro supermercado, tendo como símbolo uma baleia, para fazer concorrência ao primeiro hipermercado do país, o Jumbo, do Grupo Pão de Açúcar, cujo símbolo era um elefante. Em 1976, o Jumbo incorporou a Eletroradiobraz, surgindo o Jumbo-Eletro, que passou a ser a maior rede de lojas e supermercados do Brasil. Os supermercados da rede passaram a ser conhecidos como Pão de Açúcar, os hipermercados passaram a ser Jumbo-Eletro e os magazines, simplesmente Eletro. Hoje, o GPA, do grupo francês Casino, é dono das marcas Pão de Açúcar, Compre Bem, Assaí e Extra, entre outras.

•    Ducal
Fundada em 1950, a conhecida loja de roupas masculinas teve seu auge nos anos 1960 e 1970. Com filiais em três estados brasileiros, era especializada em moda para homens, com peças bem cortadas, mas não impecáveis, barateando assim o preço. Sua última loja foi fechada em 1986.

•    Peg Pag Supermercados
O primeiro supermercado da capital foi inaugurado em 1957 e era uma completa novidade. Todo mundo queria ver aquele lugar em que você mesmo pegava as mercadorias e depois levava ao caixa pra pagar. Peg Pag foi um dos nomes mais conhecidos do ramo até 1978, quando foi incorporado pelo Grupo Pão de Açúcar. Hoje, existem alguns supermercados com esse nome espalhados pelo país, mas eles nada têm a ver com o original.

•    Casas Buri
Começou como uma loja de tecidos em 1942 e passou a vender também eletrodomésticos nos anos 1970. Chegou a ter mais de 200 lojas em São Paulo, Paraná e Centro-Oeste do Brasil. Em 1992, a marca foi comprada pelo Ponto Frio, que rebatizou todos os endereços.

•    Lojas Pirani
“Uma loja dos sonhos” era como definiam a Pirani no início dos anos 1970. Localizada no Brás, era conhecida por sua decoração de Natal, a mais caprichada da cidade naqueles tempos. Possuía também uma loja de cinco andares no Edifício Andraus, e foi confirmado que lá se originou o famoso incêndio que destruiu o prédio em 1972, por negligência técnica. Os donos tiveram que ressarcir as famílias das vítimas do incêndio, o que levou a loja à falência.

•    Ultralar
A Ultralar foi uma loja de departamentos fundada em 1956 e fazia parte do grupo Ultragás. Como os fogões a gás ainda eram raros no país, a Ultragás montou uma loja para vendê-los e alavancar o negócio de gás de cozinha. A rede cresceu e se diversificou, abrindo inclusive um hipermercado nos anos 1970, o Ultracenter, na Marginal Pinheiros, mais tarde comprado pelo Carrefour. No ano 2000, foi decretada a falência da Ultralar e a maioria das suas lojas foi comprada pelas Casas Bahia.

•    Hi-Fi Discos
A partir do final dos anos 1980, tradicionais lojas de discos, como Breno Rossi, Bruno Blois, Museu do Disco e Hi-Fi Discos, começaram a ter sua clientela reduzida, primeiro graças às gravadoras, que preferiam mandar seus produtos para grandes magazines e supermercados. Depois, a popularização da música digital, que praticamente aboliu a mídia física da vida dos clientes e decretou o declínio do ramo. Assim, assistimos ao fim de lojas em que os amantes da boa música costumavam passar os dias atrás de novidades e raridades.

A Exposição-Clipper

Aqueles que viveram a partir da segunda metade do século passado se lembrarão das lojas “A Exposição-Clipper”. Com loja central no Largo Santa Cecília em São Paulo e outras unidades na mesma região, disputavam espaço com o Mappin, Garbo, Mesbla, Ducal, Pirani, entre outras. Ela foi a responsável pela criação de uma data muito comemorada no Brasil, o “Dia dos Namorados”. Um publicitário chamado João Dória, pai do atual governador de São Paulo, foi contratado para elaborar a peça publicitária que fez com que o 12 de junho se tornasse marcado todo ano para os namorados brasileiros. A escolha dessa data aconteceu em 1945, com a percepção de que junho era um mês fraco para os negócios, pois o Dia das Mães já havia passado e a próxima comemoração boa para as vendas seria apenas em agosto, com o Dia dos Pais. Além disso, a data escolhida era próxima do dia de Santo Antônio, o famoso santo “casamenteiro”, em 13 de junho. As lojas Clipper eram dedicadas às roupas e acessórios femininos e a Exposição ao público masculino. Fechou as portas nos anos 1970.

Fontes:

Wikipedia

Veja São Paulo

25 coisas que só quem tem raízes suburbanas vai reconhecer

Orgulho de ser subúrbio.

1. “Mostrar a casa” quando chega uma visita.

2. Ficar ofendido se alguém não mostra a casa quando você está visitando.

3. Colocar toalhinhas de crochê debaixo dos bibelôs.

4. Deixar os bancos do carro novo com o plástico.

5. Ir ao bingo da igreja.

6. E ganhar um frango.

7. Refrescar-se com gelinho/sacolé/geladinho comprado na garagem da vizinha.

8.”Fazer o cabelo” na cabeleireira da rua (que funciona na garagem).

9.Usar bobs no cabelo.

10.E um lenço por cima.

11.Parcelar no carnê. Não no cartão, nem no boleto: no CARNÊ.

12.Falar “não repara a bagunça”.

13.Puxar um “com quem será” depois do “parabéns”.

14.Guardar os embrulhos dos presentes recebidos.

15.Ter panos de prato com os dias da semana.

16.Fechar saco de arroz e de açúcar com pregador de madeira.

17.Juntar finzinho de sabonete.

18.Colocar roupinha no liquidificador.

19,. Ter um conjuntinho de tapete de pia, tapete de chuveiro e capinha para a tampa do vaso sanitário, tudo ORNANDO.

20. Calcular mentalmente quantos quilos de laranja dava pra comprar com o preço do suco no restaurante.

21. Pintar a rua na Copa.

22. Encapar o controle remoto com magipack.

23.Fazer pratinho no fim da festa.

24. E cobrir com um guardanapo.

25. Sair do subúrbio, mas não deixar jamais o subúrbio sair de você.

Fonte:
Clarissa Passos, Buzzfeed

500 anos da morte de Leonardo da Vinci

Leonardo da Vinci é considerado um gênio, pois utilizava seu talento nas artes, medicina, engenharia, arquitetura e física.

Desde novembro de 2019, a cidade de São Paulo está recebendo ““Leonardo da Vinci — 500 Anos de um Gênio”, a maior e mais completa exibição já realizada sobre a obra do artista. Sua criação é uma parceria da Grande Exhibitions com o Museo Leonardo da Vinci, de Roma. Uma das atrações é uma animação do afresco ‘A Última Ceia’, que mostra uma projeção da obra em tamanho real (4,6 m x 8,8 m).

Leonardo da Vinci, reconhecido como um dos mais completos artistas de todos os tempos, era um pintor que, além de obras de arte, com pinturas muito famosas e as mais reproduzidas pelo mundo todo, também utilizava sua genialidade e talento nos ramos da medicina, engenharia, arquitetura e física.

Leonardo di Ser Piero “da Vinci” nasceu em 15 de abril de 1452, em Vila de Vinci, na Toscana, Itália. Leonardo era filho da camponesa Caterina Lippi e do tabelião Piero da Vinci. Seus pais não eram casados, e ele acabou sendo educado por parentes próximos, como sua madrasta e avó, já que sua mãe entregou a sua guarda ao pai quando o artista tinha apenas 5 anos de idade.

Leonardo da Vinci passou a juventude na cidade de Florença, num período de grande excitação artística e cultural. Posteriormente, ainda viveu em Milão, Roma e, por último, na França

Apesar de todos acharem que “da Vinci” trata-se de seu sobrenome, isso não é real. Escolheu-se essa denominação devido ao vilarejo onde nasceu. Traduzindo para o português, seria algo como Leonardo da Vila da Vinci, que se resumiu em Leonardo da Vinci

A Última Ceia, afresco que representa a última ceia de Jesus, localizado na parede de uma igreja de Milão.

Como era da Vinci?

Relatos antigos apontam que Leonardo tinha cabelos louros, nariz aquilino e olhos azuis. Na biografia de da Vinci escrita por Walter Isaacson, o autor define o artista com a seguinte frase: “O maior gênio da história era filho ilegítimo, gay, vegetariano, canhoto, muito disperso e, às vezes, herético”. Isaacson também afirma que da Vinci era um grande ativista pelos animais, do tipo que faria inveja aos militantes de hoje.

Quando jovem, Leonardo da Vinci chamava atenção por ser dono de uma beleza física inigualável. É difícil conseguir visualizar todas essas características na imagem que conhecemos de da Vinci, já que a maioria das pinturas que o retratam são dele já mais velho. Na imagem abaixo, uma possível representação do gênio quando jovem…

Leonardo da Vinci morreu aos 67 anos, em 2 de maio de 1519, em Cloux, na França. Foi enterrado na igreja de Saint-Florentin, em Amboise.

Física, Natureza e Anatomia

Para além de suas pinturas, as mais conhecidas em todo o mundo, Leonardo também era inventor e cientista. Entre os rascunhos de seus cadernos, também estavam os seus desenhos. Muitos deles contribuíram para estudos no ramo da Física. Por exemplo, havia anotações que mostravam desenhos de espelhos côncavos que concentrariam raios de luz a partir de diversos ângulos, ajudando a entender mais sobre o funcionamento da Óptica. Teoremas iniciais referentes à inércia, à força e à ação/reação também foram encontrados.

Não há como deixar de destacar a sua curiosidade pela anatomia humana e toda a sua funcionalidade. Relatos apontam que da Vinci chegava a ficar noites inteiras em hospitais a fim de saber como era a funcionalidade do corpo.

Sua famosa obra “O Homem Vitruviano”, de 1492, é uma ilustração que conta com um desenho de uma figura humana com proporções perfeitas, com os braços e as pernas estendidos dentro de um círculo e de um quadrado. Ela foi inspirada em uma célebre passagem do arquiteto romano Vitruvius.

As invenções de da Vinci

O artista foi o responsável por um grande número de invenções à frente de seu tempo, ele parecia antever o futuro. Mas nem tudo que ele pensou teria funcionado direito.

Escafandro

Tudo indica que uma rápida passagem de Leonardo da Vinci por Veneza, no fim do século 15, tenha inspirado a tentativa do mestre de criar um escafandro (ou traje de mergulho). A tese faz bastante sentido: além da localização semiaquática da cidade-estado italiana, com seus famosos canais, havia a motivação militar, que também está por trás de outros vários dos inventos do renascentista.

Naquela época, a república veneziana travava uma guerra duríssima contra o Império Otomano, liderado por turcos muçulmanos. O conflito colocava em risco o poderio comercial de Veneza no Mar Mediterrâneo. Diante desse cenário conflituoso, Da Vinci teria tido um estalo. E se os venezianos conseguissem atacar as embarcações turcas por baixo, com investidas pelo fundo do mar?

A solução, esboçada pelo inventor em seus cadernos, lembra, à primeira vista, uma roupa de aviador do começo do século 20. Feita de couro, ela recobriria o corpo todo do escafandrista, incluindo jaqueta, calças e uma máscara com um par de visores para que o mergulhador conseguisse enxergar o ambiente ao seu redor. Os esboços mostram longos tubos flexíveis que saem da máscara e vão terminar acima da linha da superfície, em flutuadores que seriam feitos de cortiça – e que, por isso, ficariam boiando. Isso permitiria que as pontas desses tubos ficassem permanentemente em contato com o ar, possibilitando a respiração regular do mergulhador.

Aeroplano

Leonardo da Vinci era vidrado no voo das aves. O renascentista queria a todo custo descobrir o segredo dos pássaros, talvez porque sonhasse em voar mais do que qualquer outro homem já tinha ousado sonhar. Como era um gênio e tinha total noção da sua genialidade, achou que seria capaz de criar uma máquina voadora.

O modelo tinha grandes asas inspiradas nas dos morcegos e seria equipado com uma grande argola, dentro da qual ficaria encaixado o corpo do piloto. Teria também suportes para direcionar as asas e estribos que permitiriam batê-las. A estabilidade, na imaginação do inventor, seria proporcionada por uma pequena cauda. Mas… talvez ele soubesse que nenhum ser humano conseguiria bater as asas do aparelho com a força e a rapidez necessárias para mantê-lo no ar. Por isso, o projeto jamais saiu do papel.

Paraquedas

No século XV, da Vinci estudou o voo dos pássaros e tirou conclusões básicas sobre a aerodinâmica. É considerado por muitos o pai do paraquedas, o qual inventou com o intuito de resgatar pessoas presas em prédios em chamas.

Em 1483, ele idealizou um “protetor para quedas”, feito de pano e com o formato de uma pirâmide, que serviu para estudar os princípios da aerodinâmica: ao aumentar a resistência ao ar, o objeto diminui a velocidade de queda de um corpo na atmosfera. Diferentemente do que se vê nos equivalentes modernos, Da Vinci não previu no seu projeto um pequeno furo no topo – hoje, considerado essencial para a estabilidade na descida.

Tanque blindado

Este projeto foi desenhado, aproximadamente, em 1487. O tanque blindado do inventor italiano tinha o formato de um disco voador e canhões em toda a culatra, permitindo um giro de 360º. A cobertura convexa tinha como objetivo desviar dos ataques dos inimigos. Tinha capacidade para até oito pessoas.

A blindagem seria feita de madeira e recoberta com folhas de metal, mais ou menos como certos escudos militares da época, e encimada por uma torre de observação. Como não havia motores movidos a diesel no século 15, o tanque de guerra, se tivesse sido construído, teria de ser impulsionado a muque humano mesmo. Os oito tripulantes precisariam girar um conjunto de manivelas, propelindo as rodas do veículo.

De acordo com as anotações do próprio Leonardo da Vinci, o tanque foi projetado para servir a um objetivo tático bem definido: o de assustar o inimigo e abrir a maior brecha possível em suas fileiras, de modo que os soldados de infantaria aliados conseguissem empreender um ataque fulminante e decisivo. O inventor sabia, entretanto, que nem sempre seria possível empregar essa arma secreta, uma vez que a estrutura da máquina de guerra era extremamente pesada e suas rodas ofereceriam bem pouca ou nenhuma mobilidade em campos de batalha íngremes ou acidentados.

A maioria dos estudiosos acredita que, na verdade, Da Vinci sabia perfeitamente bem que sua invenção tinha muitas outras limitações além dessa. Afinal, ele entendia de mecânica como poucos – ou melhor, como pouquíssimos. Mesmo assim, optou por produzir esquemas confusos. As motivações para essa esquisitice podem ser o notório ciúme que o mestre tinha de suas criações e também seu pacifismo. Apesar de botar banca como engenheiro militar, costumava criticar os absurdos da guerra em seus escritos, bem como todas as demais formas de violência.

Da Vinci era gay?

A especulação sobre a sexualidade de Da Vinci é um passatempo centenário. Escrevendo na década de 1560, o artista Giovanni Paolo Lomazzo inventou um diálogo entre o artista e o escultor grego Phidias, no qual este o questiona sobre a natureza de seu relacionamento com um de seus jovens assistentes: “Você talvez brincou com ele aquele ‘jogo do traseiro’ que os florentinos amam tanto?” Leonardo responde afirmativamente com entusiasmo. Em 1910, Sigmund Freud especulou que, apesar de cercar-se de jovens bonitos, a homossexualidade de Da Vinci era apenas latente e não era colocada em prática.

Um desses jovens foi Gian Giacomo Caprotti, conhecido por Da Vinci como Salaí (“pequeno demônio”), um garoto de família pobre que ingressou na sua oficina aos 10 anos, em 1490, quando o mestre tinha quase 30 anos. Ele imediatamente se notabilizou como um causador de problemas: há referências frequentes de Da Vinci a Salaí por roubos ou por ter comido mais do que o artista considerava respeitável. Ele era um garoto da classe trabalhadora e, evidentemente, muito difícil de lidar, mas acabou ficando com Leonardo por 25 anos.

Relacionamentos homossexuais eram comuns na época

Enquanto Da Vinci era um homem à frente de seu tempo de muitas maneiras, a natureza de sua ligação com Salaí era algo comum na época. Relacionamentos como este, entre homens adultos e adolescentes, eram realmente muito comuns no mundo em que Leonardo viveu. No período em que Leonardo morou em Florença, no início de sua carreira, as relações homossexuais eram tão predominantes que o termo “florenzer” se tornou uma gíria alemã para as relações entre pessoas do mesmo sexo.

No entanto, na tentativa de controlar a prática, o governo da cidade incentivou os cidadãos a denunciá-la. Aos 23 anos, Leonardo estava entre os quatro artistas acusados publicamente de sodomia após uma denúncia anônima. Mas não se sabe se ele foi preso.

Sabemos muito sobre os interesses de Leonardo da Vinci em botânica e anatomia humana, suas explorações na aviação, de máquinas de guerra e do fluxo de água, suas habilidades como pintor e até mesmo sua reputação de deixar projetos inacabados. Mas o que sabemos sobre o homem e suas paixões?

Fontes:

mundoeducacao.bol.com.br
superabril.com.br
sabercultural.com.br
wikipedia