Propagandas antigas curiosas, divertidas ou politicamente incorretas

É muito interessante a gente voltar no tempo e observar como os costumes mudam. É natural, a sociedade evolui (em alguns casos, involui, rsrsrs) e também os costumes e as preferências das pessoas.

Acreditar que a vida era melhor em nossa época de juventude não significa, necessariamente, que isso seja verdade. O que muita gente faz é supervalorizar certos momentos da infância, atribuindo-lhes qualidades que, muitas vezes, existem apenas na lembrança.

Muitos lembram da vida mais simples, jogando bola em campos de terra, subindo em árvores para comer fruta, etc. De fato, coisas boas ficam marcadas. Mas e as dificuldades? E o trabalho de tirar água do poço? E o fato de os banheiros serem cabanas externas sem ligação com as casas? E os ferros de passar roupa, aquecidos a carvão? E se você ficasse doente, qual era o hospital mais próximo?

Deixando essa discussão mais aprofundada para outro momento, a publicidade sempre foi um balizador e termômetro da vida em sociedade, um espelho do que se consumia e do que se acreditava. Veja só alguns exemplos…

  • Imagine como era um milagre, em 1937, você poder ligar para sua mãe no Natal? lembrando que isso era para os poucos que tinham telefone em casa!
  • Propaganda da Shell veiculada em 1942, período da II Guerra Mundial, incentivando a economia de combustível.
“Petróleo é munição – economizemos para a defesa” dizia o slogan da companhia.
  • Neguinho já tacava fogo na babilônia naquela época… Com o nome de ˝cigarros índios˝ a cannabis era vendida livremente na São Paulo do início do século 20.
  • Comentei acima sobre a mudança de costumes e preferências… Veja que em 1926 mulher magra estava em baixa, a preferência era por uma mulher com vários quilos de carne sólida!
  • Não é o que você pode estar pensando… A referência é a um pinto, uma moeda portuguesa, nesse anùncio de 1913. Quem sabe os amigos portugueses possam confirmar essa informação!
  • Apenas mera coincidência eu ter selecionado este anúncio maluco… Dória, o elixir, era um sucesso contra o bafo de bode e problemas do estômago nos idos de 1930. Qualquer semelhança do ser chifrudo sendo engolido com a palavra ´Não Temer´ é mera coincidência, reforço.
  • Agora, vamos avançar algumas décadas para as propagandas coloridas. Esta foi muito veiculada nas revistas de 1957. O Sabonete Cinta Azul garantia a qualidade do produto até o fim: “um sonho de sabonete, conserva todas as suas qualidades até ter atingido a espessura de uma folha de papel”.
  • Em 1944, a Loteria Federal promovia o prêmio de 1 milhão de cruzeiros (hoje, a grosso modo, um valor próximo a R$ 4 milhões). Um anúncio chamativo, em cores fortes, com os dizeres: “O seu dia chegará”.
  • Com foco no restabelecimento do apetite nas crianças, o Emulsão de Scott apresentou este anúncio nas revistas em 1954: “Minha filha já tem apetite / Era criança sem vida”. O fortificante era apresentado como responsável por restabelecer a saúde da criança: “Passou a ter boas cores, a comer bem”. Seu concorrente era o Biotônico Fontoura.
  • O anúncio do Leite Ninho, de 1960, mostra um mãe cuidadosa e atenta na alimentação das crianças.
  • Esta saiu muitas vezes na revista O Cruzeiro, também nos anos 1960.

Daria para fazer um panorama de nossa História apenas analisando as propagandas que eram veiculadas em jornais e revistas e, mais tarde, na televisão – sem esquecer o rádio, claro. E, hoje em dia, incluindo sites e redes sociais. Até que é uma ideia…

ATUALIZAÇÃO

Mário Rubial, “dono” da nossa página PAPO DE BOTECO, de crônicas divertidas e saborosas, comentou aqui sobre uma famosa propaganda que era veiculada nos bondes. Como era o modo de transporte mais utilizado, não demorou muito para que os bondes passassem a ostentar publicidade interna e externamente.

No início, os passageiros não gostaram da novidade, mas acabaram se acostumando com os paineis e talvez a publicidade mais famosa de todas, e que faz parte da memória coletiva do brasileiro, seja a do Rhum Creosotado

Os versos são de Ernesto de Souza (farmacêutico, teatrólogo, músico e compositor) e criador desse remédio, com farta propaganda em jornais, revistas e, principalmente, nos bondes.

O anúncio acima é de 1940, com desenho de J. Carlos, o mais famoso cartunista da época.

O tema seria recorrente na publicidade do produto, como na bem-humorada versão acima, nos bondes dos anos 1950, em que o “tipo faceiro” era uma mulher de maiô.

Para quem nunca conheceu os bondes, fiz um breve resumo de sua história na cidade.

O bonde, por muitas décadas, foi o principal meio de transporte dos moradores de São Paulo. Os primeiros registros desse transporte são datados de 1872, quando São Paulo contava com um serviço de bondes puxados por tração animal, chamado de bonde a burro.

A primeira viagem desse modal foi feita entre a Rua do Carmo e a Estação da Luz, que nada mais era do que um entreposto comercial entre o interior do estado, grande produtor de café, com o Porto de Santos, destino final daquelas sacas e dos barões que embarcavam nos navios para conhecer a Europa.

Quase 30 anos depois, após adaptações e negociações, surgem os bondes elétricos na cidade, graças à Light, empresa que teve intensa participação na formação da cidade. A primeira viagem de bonde elétrico foi feita no dia 7 de maio de 1900. Em três décadas, a demanda foi tão grande que, nos anos 30, a cidade chegou a ter 160 quilômetros de trilhos, quase o dobro dos atuais 96 quilômetros de Metrô que São Paulo tem nos dias de hoje.

Em 1947, após a não renovação do contrato com a Light, a operação dos bondes passou para recém-criada Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC). De todas as capitais que tiveram esse modal, São Paulo foi a que mais tempo teve os bondes circulando pelas suas ruas: em 27 de março de 1968, um bonde que atendia a linha Praça da Sé-Santo Amaro circulou pela última vez pela cidade.

Fontes:
facebook.saopauloantiga/photos; 
internet
sampahistorica.wordpress.com
novomilenio.inf.br
wikipedia

Palavras que nossos avós usavam – e não usamos mais

O sacripanta deu um tabefe na sirigaita enquanto o janota armava o maior quiprocó

Não é só uma questão de gírias. Nem de modismos. Algumas palavras da nossa língua simplesmente deixaram de ser usadas com o passar das décadas, e expressões comuns nos tempos dos nossos avós, ou mesmo dos nossos pais, são completamente desconhecidas pelas novas gerações.

Com o tempo, novas palavras vão surgindo, assim como novos significados para palavras antigas, o que acaba deixando nosso idioma com algumas diferenças entre épocas. E palavras, tão coloquiais há alguns anos, foram engavetadas e esquecidas.

Só pra citar alguns exemplos, e os seus significados:

  • Tabefe (tapa, bofetada)
  • Sacripanta (patife, pilantra)
  • Basbaque (pessoa ingênua, simplório, tolo)
  • Chumbrega (de má qualidade, ordinário)
  • Sirigaita (mulher espevitada, pretensiosa)
  • Alcunha (apelido, codinome)
  • Janota (pessoa bem vestida)
  • Petiz (criança)
  • Pachorra (calma excessiva, paciência)
  • Garrucha (espingarda, bacamarte)
  • Quiprocó (confusão, balbúrdia)
  • Balela (mentira, conversa fiada)
  • Fuzarca (bagunça)
  • Supimpa (excelente, muito bom)
  • Alpendre (varanda coberta)
  • Bidu (pessoa que adivinha as coisas)
  • Bulhufas (coisa nenhuma, nada)
  • Radiola (aparelho de som, rádio com vitrola)
  • Vitrola (toca-discos)
  • Gorar (não dar certo)
  • Lorota (mentira)
  • Cacareco (coisa velha, objeto sem valor)

E, como falei de gírias um pouco acima, vou relembrar algumas expressões usadas em décadas passadas, e que – assim como essas palavras – também caíram em desuso, substituídas por outros modismos. Afinal, “crush”, “suave na nave”, “de boa” fazem parte do vocabulário de hoje, e também mudarão com o passar do tempo, ganhando novos significados, ou serão simplesmente esquecidas.

Anos 40

Moça na Praia de Copacabana em 1947 (Foto: Kurt Klagsbrunn)

Balangandans: acessórios como brincos, pulseiras e anéis usados em exagero.
Brotinho: Garota bonita
Coqueluche: Febre do momento
Fuzarca: confusão, alvoroço

Anos 50

Jovens misses no Miss Brasil em 1958 (Foto: Reprodução)

Bafafá/ Fuzuê: Confusão
Barbeiro: mau motorista
Chá de cadeira: espera demorada

Anos 60

Jovens atrizes brasileiras em 1968 na ‘Passeata dos Cem Mil’ (Foto: Reprodução)

Carango: carro
Bicho: cara, amigo
Bulhufas: nada
Calhambeque: carro velho
Duvi-de-o-dó: duvidar de algo.
É uma brasa, mora!: Como se fosse algo do tipo: É muito legal, saca?
Esticada: passar por vários restaurantes e bares noturnos
Lelé da cuca: louco, desequilibrado
Morou?: entendeu?
Pão: homem bonito
Papo firme: sério, real, verdadeiro
Patota: turma de amigos
Prafrentex: avançado, moderno
Sebo nas canelas: apresse-se, vamos rápido

Anos 70

Roberto Carlos nos anos 70 (Foto: Reprodução)

Tutu: dinheiro
Bidu: pessoa esperta
Grilado: desconfiado, em dúvida
Maior barato: legal, sensação boa
Pagar sapão: se dar mal
Pra lá de Marrakech: drogada, chapado, bêbado
Russo: situação ruim, difícil
Pisante: calçado

Anos 80

Visual da banda Ultrage a Rigor nos anos 80 (Foto: Reprodução)

Bode: mau humor, cara amarrada
Caroço: gente chata, enjoada
Maneiro: muito bacana
Numa nice: numa boa
Tá crowd: tá lotado
Tomou doril: sumiu
Viajar na maionese: falar coisas absurdas, entrar em contradição
Zura: pão duro
Pistoleiro/a: pessoa interesseira
Massa: bom, ótimo, legal

Anos 90

Mamonas Assassinas, o grupo que fez muito sucesso nos anos 90 (Foto: Reprodução)

Antenado: informado, ligado em tudo
Azaração: pegação, namorico
Mauricinho: rapaz rico e mimado, que geralmente depende dos pais
Pagar mico: passar vexame
Patricinha: moça rica e mimada, que geralmente depende dos pais.
De lei: é assim
Descolar: arranjar, conseguir
Gato/a: homem/mulher bonito/a
Perua: mulher muito arrumada, com ares de madame
Pintar: aparecer

O engraçado é que acabo de descobrir que uso palavras ou gírias de quase todas as décadas, ahahaha! E você, conhece mais alguma que não entrou? Comente.

ATUALIZAÇÃO

Duas que esqueci, enviadas pela Mara Andrade: “tá ligado”; “cola aqui”.

Fontes:
Veja SP Por Roosevelt Garcia
universoretro.com.br https://universoretro.com.br/veja-algumas-das-girias-mais-utilizadas-nas-decadas-passadas/

25 coisas que só quem tem raízes suburbanas vai reconhecer

Orgulho de ser subúrbio.

1. “Mostrar a casa” quando chega uma visita.

2. Ficar ofendido se alguém não mostra a casa quando você está visitando.

3. Colocar toalhinhas de crochê debaixo dos bibelôs.

4. Deixar os bancos do carro novo com o plástico.

5. Ir ao bingo da igreja.

6. E ganhar um frango.

7. Refrescar-se com gelinho/sacolé/geladinho comprado na garagem da vizinha.

8.”Fazer o cabelo” na cabeleireira da rua (que funciona na garagem).

9.Usar bobs no cabelo.

10.E um lenço por cima.

11.Parcelar no carnê. Não no cartão, nem no boleto: no CARNÊ.

12.Falar “não repara a bagunça”.

13.Puxar um “com quem será” depois do “parabéns”.

14.Guardar os embrulhos dos presentes recebidos.

15.Ter panos de prato com os dias da semana.

16.Fechar saco de arroz e de açúcar com pregador de madeira.

17.Juntar finzinho de sabonete.

18.Colocar roupinha no liquidificador.

19,. Ter um conjuntinho de tapete de pia, tapete de chuveiro e capinha para a tampa do vaso sanitário, tudo ORNANDO.

20. Calcular mentalmente quantos quilos de laranja dava pra comprar com o preço do suco no restaurante.

21. Pintar a rua na Copa.

22. Encapar o controle remoto com magipack.

23.Fazer pratinho no fim da festa.

24. E cobrir com um guardanapo.

25. Sair do subúrbio, mas não deixar jamais o subúrbio sair de você.

Fonte:
Clarissa Passos, Buzzfeed

Leis bizarras sobre sexo

As leis existem para tornar a convivência em sociedade mais fácil, mas algumas leis são bem estranhas, principalmente quando se trata de sexo.

As leis estão em todos os lugares e ditam como devemos viver. Elas variam de Estado para Estado, e mais ainda, de país para país. Há leis que são relacionadas ao ato sexual, e estas são importantíssimas na luta contra os crimes sexuais.

Porém, ao redor do mundo há algumas leis relacionadas ao sexo que são, no mínimo, estranhas, e não estão apenas no Oriente Médio, onde é comum ter muitas leis relacionadas ao ato sexual.

Confira algumas das mais bizarras e que já não são mais usadas, embora ainda estejam na Constituição desses Estados ou países. E cuidado, se estiver viajando por algum desses locais, elas ainda podem ser acionadas a qualquer momento!

  • Em Guam, é proibido que as mulheres se casem virgens. Para que a lei não seja infringida, há homens que viajam pelo pequeno país, localizado a oeste do Oceano Pacifico, e tiram a virgindade das moças. Eles recebem por isso…
  • Há uma lei religiosa na maioria dos países muçulmanos do Oriente Médio que diz que é proibido ter relações sexuais com carneiros e, posteriormente, comer sua carne.
  • Em Hong Kong, a infidelidade pode chegar a custar a vida, já que é permitido que a mulher traída mate seu marido adúltero e a amante. Porém, a mulher deve matar o marido com as próprias mãos, enquanto a amante pode ser morta como a mulher traída preferir.
  • Na Colômbia, há uma lei muito peculiar que diz que a mãe deve assistir à primeira relação sexual que sua filha tem com o marido.
  • Em Minnesota, nos Estados Unidos, há uma lei que proíbe os homens de manterem relações sexuais com peixes vivos. A lei não diz nada sobre peixes mortos ou sobre mulheres terem relações com os peixes.
  • No Líbano, é permitido ter relações sexuais com animais, porém os animais devem ser apenas do sexo feminino. Caso contrário, a pessoa pode ser punida com a morte.
  • Os preservativos devem ser usados sempre, pois estes garantem que nenhuma DST (doença sexualmente transmissível) seja contraída. Aqui sabemos disso e seguimos, mas não há nenhuma lei específica. Porém, em Nevada, nos Estados Unidos, há uma lei que proíbe as relações sexuais sem preservativo.
  • Em Bakersfield, na Califórnia, é proibido fazer sexo com satanás — sim, com o capiroto! — sem preservativos.

  • Em Indiana, também nos Estados Unidos, os homens são proibidos de ficar sexualmente excitados em público.
  • Em Tallinn, na Estônia, é estritamente proibido jogar xadrez durante o ato sexual.
  • Na Indonésia, quem for pego se masturbando pode ser condenado à morte por decapitação.
  • Em Londres, na Inglaterra, não é permitido fazer sexo sobre uma motocicleta estacionada…

Vale lembrar que aquilo que é estranho para nós, pode ser perfeitamente comum em outras culturas e devemos sempre respeitar. Mesmo que achemos bizarro…

Fontes:

blastingnews.com

megacurioso.com

terra.com.br


Barão de Itararé — dois em um, o humorista e o personagem

Em 1926, no dia 13 de maio, o Barão de Itararé lançava A Manha, que era a caricatura dos jornais da época e, por tabela, da própria época. Esse tipo de jornalismo nunca fora feito em lugar nenhum. Só surgiu em grande escala muito mais tarde, nos Estados Unidos, no Mad de Harvey Kurtzman e no National Lampoon.

“Se fosse possível, eu retirava tudo o que disse”, o Barão de Itararé afirmou, em 1965. Pode ser apenas mais uma provocação, mas é bom ver um homem que foi em cana mais de uma vez pelo que disse negar a própria importância, ao setenta anos, quando estava fora de perigo. São atitudes como essa, mais do que a obra, que mantêm o encanto desse nobre que se auto-atribuiu o título em honra pela bravura demonstrada no campo de uma batalha que não houve.

LOCAL DESCONHECIDO, 16-04-1958: O jornalista e escritor Barão de Itararé, durante entrevista ao jornal “Última Hora”. (Foto: Acervo UH/Folhapress)

Fernando Apparício de Brinkerhoff Torelly, nome digno de um barão, nasceu em 29 de janeiro de 1895, numa diligência a caminho da fazenda do avô, no Uruguai. Não se sabe exatamente onde. O que importa é que o futuro jornalista, poeta, matemático, cientista, político e Marechal-almirante e Brigadeiro do Ar Comprimido gostou do mundo: havia sol e cigarras.

Aos dois anos, perdeu a mãe. Foi criado no Uruguai, pelas tias, na fazenda do avô. Aos sete, voltou para Rio Grande, para morar com o pai, João da Silva Torelly, que o botou no mau caminho. Era homem violento, maragato doente. Odiava tanto os chimangos que não permitia ao filho nem cumprimentar um amanuense, para ficarmos no mais baixo dos funcionários do governo. “Meu pai era mais louco que eu”, Apparício Torelly dizia.

A revista MAD, norte-americana de humor satírico, foi fundada pelo empresário William Gaines e pelo editor Harvey Kurtzman em 1952. A revista satiriza todos os aspectos da cultura popular americana, bem na linha do que fazia nosso Barão.

Entre 1905 e 1911, Apparício esteve no internato Nossa Senhora da Conceição, dos jesuítas alemães, em São Leopoldo. Não estudava muito, mas prestava atenção às aulas e tinha boa memória. Em 1909, lançou seu primeiro jornal, O Capim Seco. Era inteiramente escrito à mão. Era clandestino e satírico. Primeiro jornal, primeiro problema com as autoridades: toda a tiragem de um exemplar foi apreendida. É que a matéria de capa era uma gozação com o padre-reitor.

No colégio, Apparício fazia teatro, imitando os alemães da colônia para eles mesmos. Também se dedicou à música: cantou no coro e tocou flauta, trompa e trombone. No esporte, o futebol. Seu time foi campeão no ginásio e chegou a vencer uma formação do Grêmio de Porto Alegre.

Quando deixou o colégio, foi para Porto Alegre. Queria fazer Direito, mas o pai aconselhou Medicina: “Meu filho, para que um advogado tenha boa clientela, é preciso muito talento. A um médico basta assinar receitas e atestados de óbito”.

A National Lampoon, também norte-americana, foi criada em 1970 e circulou até 1988, e seu diferencial quanto à MAD era seu humor negro e propositalmente controverso.

A passagem de Apparício Torelly pela faculdade tem inúmeras histórias de irreverência. Quase todas lendas, algumas espalhadas pelo próprio Torelly. Até 1918, estudou Medicina, ou melhor, leu os livros e confiou na memória. Quase não ia às aulas. Preferia frequentar o Clube dos Caçadores, uma mistura de cabaré e casa de jogo, mesmo andando sempre na pindaíba. Ao pai de uma namorada, que o acusou de não ter futuro, disse que futuro ele tinha, o que não tinha era presente.

Colaborava no jornal Última Hora, de Porto Alegre. Colaborava também em revistas pequenas, como KodakA Máscara. Os poemas escritos nesse tempo foram reunidos no volume Pontas de Cigarro, de 1916. Os “versos diversos” não eram sobre as angústias da adolescência, fase que, mais tarde, o autor definiria como a época em que o garoto pensa que não será tão cretino como o pai. Eram sátiras sobre a falta de grana, doença causada pelo micróbio da pindaíba, o conhecido “ariadocócus promptíferus pindahibensis”.

Em 1917, fundou dois semanários de humor: O Chico e O Maneca. No ano seguinte, abandonou a Medicina. Começava um período que chamou de maragateada: viagens pelo interior, em campanhas pelas suas ideias. Fundava e afundava jornais, além de dar conferências em teatros e cinemas. Digamos conferências, mas o certo é que o homem discursava, cantava e dançava.

O Barão continua famoso, até hoje, pelas suas frases curtas e hilariantes.

Para se ter uma ideia, deixemos o futuro barão lembrar uma performance em Bagé, frente à melhor sociedade, quando se fingiu engasgado: “Depois de dizer que quisera ter o dom da oratória, que quisera ser um Demóstenes, gaguejando, vi que a plateia estava aflita. As mulheres se abanavam, apertadas em espartilhos. E eu dava a impressão de que não podia dizer nada, que não conseguiria dizer absolutamente nada. Eu… eu… quisera, quisera… Quando todos pareciam explodir de nervosos, eu cantei: ‘Eu quisera ser a rola, a rolinha do sertão/ pra poder fazer um ninho, na palma da sua mão”.

Em 1925, por causa de uma crise de hemiplegia, foi aconselhado pelo médico a procurar um clima quente. Assim “tomei um Ita no sul”. Chegou ao Rio de Janeiro com cem contos de réis, que logo tratou de perder no jogo, tendo de ir procurar emprego. Acabou no jornal O Globo, assinando como Apporelly, nome que mais tarde simplificou para A por L.

Ainda nesse ano, escreveu um drama humorístico chamado A facada e trocou O Globo pelo A Manhã, onde tinha uma coluna: “Amanhã tem mais”. Não teve por muito tempo. Foi posto na rua. Em 1926, como vingança, fundou A Manha.

A redação era na rua 13 de Maio. O primeiro exemplar saiu no dia 13 de maio. No expediente se lia: rua 13 do corrente. Lia-se também não ter expediente, porque um jornal sério não vive de expedientes. Era um órgão de ataque… de risos. Saía às quintas-feiras, por isso se chamava um vibrante quinta ferino. Mas às vezes saía às sextas, porque uma grande folha não podia ficar presa à folhinha. No seu primeiro ano, A Manha fechou as contas com um lucro de dez mil contos de réis.

A Manha se especializou em publicar asneiras atribuídas a políticos, apenas parodiando seus nomes. Levou isso tão longe que logo o jornal era o “órgão oficial” do governo, já que o Diário Oficial não elogiava o presidente Washington Luís o suficiente. É pouco? O próprio presidente, assinando-se Vaz Antão Luís, se tornou colunista, ou melhor, era um colunista que acumulava as funções de presidente. A Manha tencionava desempenhar condignamente “sua árdua missão, com a graça de Deus e de outros ilustres colaboradores”.

Em 1929, Assis Chateaubriand o convidou para publicar A Manha como encarte do Diário da Noite, que seria o órgão oficial da Aliança Liberal, partido de Getúlio Vargas. Nas quintas-feiras, quando saía o encarte, a tiragem do Diário da Noite aumentava drasticamente. Chegou a 125 mil, quando Getúlio anunciou o programa da Aliança Liberal, na Esplanada do Castelo.

Em 1930, A Manha se desligou do Diário da Noite. Em outubro, Getúlio tomou o poder. Nessa época de incertezas diárias, Apporelly deu uma das manchetes mais famosas do jornalismo brasileiro: HAJA O QUE HOUVER, ACONTEÇA O QUE ACONTECER, ESTAREMOS COM O VENCEDOR. E com grande senso de oportunidade, o diretor d’A Manha se fez barão poderoso, que gostava de se ver “rodeado de cupinchas e aderentes, ostentando no peito as mais variadas condecorações”, que iam desde “artísticas tampinhas de cervejas nacionais, até fichas lavradas de companhias de ônibus e de cassinos clandestinos”. Esse personagem se tornou tão vivo que suplantou Apporelly, que às vezes se referia ele na terceira pessoa, às vezes na primeira, na mesma fala.

Em 1932, houve o levante armado, em São Paulo, conhecido como Revolução Constitucionalista. O Barão, sem se impressionar, publicava coisas do tipo: O GÁS MORTEIRO TOMOU PARATI E EVACUOU PEDREGULHOS. Falava, claro, do general Góes Monteiro, senhor chegado a uma birita. Por coisas assim, o barão foi em cana e advertido a tomar cuidado com sua “linguinha de prata”. Diz que ficou sensibilizado com a admiração dos tiras por sua figura, admiração tão grande que ele precisou posar de frente e de perfil para o fotógrafo da polícia.

Em 1933, publicou Caldo Berde, assinado por Furnandes Albaralhão. Tratava-se de uma antologia de poemas com sotaque português saídos n’A Manha. Nesse ano, Hitler assanhou a Europa e outros lugares. Aqui, esse assanhamento se chamou integralismo. O Barão, mal de ouvido, entendeu o lema “a Deus, Pátria e Família” como “adeus, Pátria e Família”. Aderiu. Mas, ao se dar conta do engano, “voltou a ocupar um lugar decente na sociedade”.

Em 1935, o barão participou da criação da Aliança Nacional Libertadora. A Intentona acabou mal. O Barão não participou das conspirações, nem tocou em armas, mas na onda de terror que veio em seguida, A Manhadeixou de circular e “eu com ela”. Ficou um ano e meio preso. No navio D. Pedro I deixou crescer uma barba de D. Pedro II.

Em 1936, foi parar no presídio da Frei Caneca, no Rio. Segundo Graciliano Ramos, a chegada do homem foi a mais rumorosa. Era um sucesso mesmo atrás das grades. Ainda segundo Graciliano, para combater o tédio, o barão planejava uma biografia do seu personagem, um volume mais grosso que um tijolo. Não parava de falar nela. Mas jamais a escreveu. Pelo menos no papel, como afirmou o humorista Fortuna: “Porque dia a dia ele não fez outra coisa. Na sucessão das aventuras do nosso querido diretor até chegar a Barão, o Apparício Torelly atinge a verdadeira criação literária. O ponto alto dessa criação deu-se quando ele a transpôs para o plano da realidade, encarnando a sua própria personagem, quando de fato estava distanciado dela, pois era o símbolo e síntese de todos os poderosos que satirizava. E isto não há como compilar. É a criação viva dentro da própria vida”.

Anistia, segundo o dicionário do Barão, é um ato pelo qual o governo resolve perdoar generosamente as injustiças que ele mesmo cometeu. Pela metade de 1937, o Barão se viu na rua por falta de provas. Mal teve tempo de se acostumar: em novembro, o Estado Novo. O Barão foi para uma das ilhas-prisões da Baía da Guanabara. Foi solto três meses depois.

Tentou relançar A Manha, mas, por prudência, preferiu alvos de fora, como Hitler, Mussolini, Franco e Salazar.A Manha só voltou mesmo em 1945, graças à associação com o jornalista Arnon de Melo. Agora o ilustre fidalgo estava na companhia de vários colaboradores: José Lins do Rego, Carlos Lacerda, Rubem Braga, Aurélio Buarque de Holanda, Álvaro Moreyra, Sérgio Milliet e muitos outros.

Em outubro, adeus Estado Novo. Um pouco antes, quando havia apenas rumores, A Manha deu talvez sua melhor manchete: HÁ ALGO NO AR ALÉM DOS AVIÕES DE CARREIRA. Essa frase se tornou o anúncio nacional das crises.

Como vereador, defendeu o direito de voto para os analfabetos e denunciou, entre outras coisas, o esbulho sofrido pelos índios, situação não muito diferente hoje. Teve alguns apartes que se tornaram famosos. Numa discussão sobre influência dos capitais norte-americanos na economia brasileira, um vereador resolveu citar o ex-chefe de polícia do Estado Novo e perguntou se os nobres colegas sabiam a posição dele. O Barão, na bucha: “Eu sei! É três dedos abaixo do rabo do cachorro”.

Em 1949, o barão publicou seu Almanhaque. O segundo saiu em 1955 e o terceiro no ano seguinte. Eram antologias do material publicado n’A Manha.

Em 1950, em agosto, surgiu novamente A Manha, que se aguentou até junho de 1958. Mesmo tendo trabalhado uma vida como humorista, o barão considerava a influência do humor “levemente benéfica e bastante entorpecente”.

Longe do jornalismo, vivia de modo franciscano, num apartamento atulhado de livros. Eram tantos livros que, quando um quarto ficava lotado, ele passava a dormir em outro. Todo o dinheiro que tinha vinha de uma pensão dada pela Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.

Morreu em 1971, aos 76 anos, com apenas 61, porque descontou quinze anos: o tempo perdido na faculdade de Medicina, o tempo que passou preso e o tempo, uns três anos, em que perseguiu mulheres bonitas sem resultado.

O brasão do Barão.

Fonte:
Ernani Ssó , sul21.com.br

Expressões curiosas em italiano

Tenho alguns amigos italianos, ou filhos de italianos, que me ensinaram muitas coisas. Dentre elas, o uso dos gestos (claro, qual italiano consegue se expressar sem gesticular?) e de algumas expressões que adoro.

O idioma italiano é fascinante, melodioso e as expressões que guardei são perfeitas para certas situações (e para xingar alguém, então, não tem idioma melhor!). Deixe-me mostrá-las:

Stare con le mani in mano

Estar com as mãos na mão, literalmente. Ou de mãos abanando.

Imagina como deve ser frustrante para um italiano ficar parado sem gesticular! Mas a expressão é geralmente usada quando alguém não está fazendo nada enquanto os outros estão trabalhando.

“Non stare lì con le mani in mano, aiutami con questa valigia!” “Não fique aí parado! Me ajude com a minha bagagem!”

Ou para chamar a atenção de alguém grosseiro ou mal educado. Por exemplo, você convida para um aniversário e todos deviam trazer alguma coisa e a pessoa chegou sem nada:

“Che maleducato! È arrivato alla festa di compleanno con le mani in mano.” “Que grosso! Ele veio para o aniversário segurando as próprias mãos.”

Non ci piove

Não chove. Ou, para nós, não se discute! Não se fala mais nisso!

Essa é curiosa.  Terminar uma discussão com non ci piove significa que você está muito confiante sobre sua fala final, e que não há espaço para mais discussão.

Neymar è il miglior giocatore del mondo, su questo non ci piove!” “Neymar é o melhor jogador do mundo, e não se fala mais nisso!”

Acqua in bocca!

Literalmente, Água dentro da boca! Para nós, seria algo como “bico fechado”.

Sempre achei essa expressão muito curiosa. Ela é usada para trocar uma confidência, uma fofoca ou um segredo, mas pede-se ao outro para não revelar a fonte. Assim, toda vez que se queira revelar algo, avise o parceiro para não “dar com a língua nos dentes”, Acqua in bocca! Esse é o aviso.

“È un segreto, acqua in bocca!” “É um segredo, bico fechado!”

Pietro torna indietro

Pietro vem de volta? Seria o nosso “São 2 v, vai e volta”.

Por exemplo, você emprestou uma camisa, ou um livro, e quer que seja devolvido logo. Em italiano fica legal porque Pietro rima com indietro.

“Mi presti questo libro?”“Você pode me emprestar esse livro?”

“Sì, ma c’è scritto Pietro sulla copertina! Pietro torna indietro!” “Sim, mas Pietro está escrito na capa! São 2 v!”

Non avere peli sulla lingua

Não ter pelo em sua língua. Em português, seria “não ter papas na língua”, “falar o que pensa”.

Pessoas sem pelo na língua não têm medo de serem honestas, mesmo quando correm o risco de ofender alguém; não existem filtros.

“Non rimanerci male, non è cattivo… semplicemente non ha peli sulla lingua.” “Não pense mal dele, não é uma má pessoa… simplesmente fala o que pensa.”

Chiodo scaccia chiodo

Essa é bem curiosa: Prego tira prego. Talvez em português a melhor tradução fosse “Quando uma porta se fecha, outra se abre”.

Se você algum dia terminar o namoro com alguém e quiser o conselho de uma mamma italiana, você vai ouvir  “chiodo scaccia chiodo!”

Em outras palavras: você vai esquecer esse (enferrujado, péssimo, ruim) prego, porque em breve um brilhante e novinho vai substituí-lo! Essa expressão é normalmente usada em casos de amor, mas também pode ser aplicada a qualquer pessoa que está tentando superar algo (um emprego, um amigo que não liga de volta, uma briga).

“Sei ancora innamorato di lei? Dai, troverai presto qualcun altro… chiodo scaccia chiodo!” “Você ainda está apaixonado por ela? Não se preocupe, quando uma porta se fecha…”

Avere un diavolo per capello

Literalmente, quer dizer: Ter um diabo por cabelo. Seria, para nós, a pessoa estar fora de sienraivecida. Com o diabo no corpo.

Existe algo que descreva melhor quando uma pessoa fica furiosa? É como se ela estivesse encapetada, com uma horda de diabinhos gritando na sua orelha. Tantos quantos seus fios de cabelo!

“Lasciami stare…ho un diavolo per capello”“Me deixa… estou com o diabo no corpo!”

 

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Bem, como eu disse no início, xingar em italiano parece mais legal que em português:

Porco dio, ma va a fancullo!!!!

Um que se usa muito no trânsito é cuglione = C ::ahhhh:: zao…

Agora, se quiser mesmo xingar um italiano, chama o cara de cornuto. De preferência emenda fazendo chifrinho com a mão (tipo heavy metal). Embora seja apenas um simples “corno”, é o pior xingamento para eles, porque isso é uma coisa que envolve a família. Como eles valorizam muito a família, qualquer coisa que a envolva é muito ofensiva.

 

E aguarde, porque a Máfia vai bater à sua porta…

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

pt.babbel.com

ilustrações Elena Lombardi

O mago dos efeitos sonoros

Quando a gente conversa sobre efeitos sonoros engraçados e que são usados em animação, em games e até em filmes, a primeira lembrança que vem à mente são os efeitos sonoros dos desenhos da Hanna-Barbera.

Eles de fato foram os pioneiros a usar esses efeitos nos desenhos animados para a TV, lá no começo dos anos 1960. Criaram uma biblioteca enorme de sons, como o bongô tocado rapidamente para o som dos pés de um personagem saindo correndo. Ou o som de uma freada de carro quando alguém parava de repente. Muitos deles são usados até hoje, seja na forma original, seja reciclados com as novas tecnologias – e até inspirando os efeitos sonoros dos animes.

Mas muita gente não sabe que, há mais de 80 anos… um cara meio maluco foi contratado pelos Estúdios Disney para gravar uma música para um dos desenhos do Mickey, e acabou se tornando o chefe do Departamento de Efeitos Sonoros da empresa!

O Mago dos efeitos sonoros

 

Jimmy Macdonald criou, segundo suas próprias contas, cerca de 25.000 sons ao longo de sua carreira na Disney, que durou mais de 40 anos. Começou cantando à tirolesa, dublando os anões de “Branca de Neve”, fez a voz do Mickey substituindo Walt Disney, que não tinha mais tempo de fazer isso e também porque, de tanto fumar, já não alcançava o falsete do personagem.

Jimmy criava sons para os desenhos usando o que tivesse à mão. Por exemplo, um par de cocos para representar o galope de cavalos. Quando não havia nada que pudesse usar, ele inventava o aparelho e imitava o som de trovões, de chuva, de passarinhos cantando, tudo de forma artesanal, sem manipulação como se faz hoje – e sincronizando com a imagem e com a orquestra, que tocava o tema musical.

Atualmente, esse trabalho de sonoplastia tem inúmeros recursos tecnológicos à disposição, mas os principais designers se inspiram no velho Jimmy. Especialmente quando a Pixar, por exemplo, tem como um de seus pilares os efeitos sonoros.

“Wall-E”, de 2008, é o melhor exemplo. O filme não tem diálogos, e os personagens se comunicam por meio de chiados e outros sons exóticos. O engenheiro de som do filme, Ben Burtt – considerado o pai do design sonoro moderno e que criou os efeitos sonoros da trilogia clássica de “Star Wars”, – fala sobre isso no vídeo abaixo. E se refere à sua maior inspiração, o mago Jimmy Macdonalds.

Ele mostra como a sonoplastia era criada nos antigos desenhos da Disney, e como a genialidade e o improviso ajudaram a criar a magia desses desenhos, magia que ele continua a buscar nos dias de hoje.