James Bond foi concebido em ponto estratégico de espionagem em Portugal

James Bond, o espião mais célebre da ficção, rodeado sempre de carros luxuosos, mulheres deslumbrantes e martinis, foi concebido em Portugal, onde seu criador, Ian Fleming, se inspirou nos segredos de espionagem durante a Segunda Guerra Mundial.

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Funcionário do Serviço de Inteligência Naval Britânica, o futuro autor chegou a Portugal em maio de 1941, junto com a comitiva de Sir John Godfrey. Portugal afirmava-se como país neutro, mas era urgente estreitar laços estratégicos com os Estados Unidos e os Aliados. Sob o regime de Salazar, Portugal pouco tinha a ver com a política europeia, sendo a sua vocação essencialmente ultramarina, pelo que o interesse português era o de afastar-se o mais possível desse conflito.

Salazar sempre se manifestou contra o anti-semitismo Nazi e, desde o início das perseguições aos judeus na Alemanha, sua política foi a de autorizar a sua entrada desde que pudessem deixar o país rapidamente, ou seja, uma política de trânsito para outros países, principalmente os Estados Unidos e o Brasil. Não por serem judeus, mas sim por serem potenciais motivos de tensão com a Alemanha, que Salazar temia, ou serem agitadores políticos e subversivos. O fato é que essa liberdade de trânsito trouxe refugiados de toda a Europa, e, em meio a eles, muitos agentes clandestinos.

Estoril, a 27 km de Lisboa, tornou-se um lugar estratégico das redes de espionagem dos dois lados e um ponto de referência para chegar ao continente americano. Os Aliados elegeram o Hotel Palácio como seu quartel-general, e foi ali, em suas elegantes acomodações, que o agente Ian Fleming, então com 33 anos, recebeu sua perigosa missão…

Hotel Palácio, Estoril, Portugal.

Hotel Palácio, Estoril, Portugal.

Naquele “ninho de espiões” em que o pacato balneário havia se transformado, Fleming convivia com espiões, muitas vezes nos balcões dos bares, com quem compartilhava martinis –  o drinque que se tornaria indissociável de James Bond – e conheceu o código morse usado para enviar informação confidencial.

Ian_Fleming

Ian_Fleming

A missão do agente era subornar o diplomata iugoslavo Dusko Popov, trazendo-o para o lado do MI6 (Military Intelligence, Section 6, a agência britânica de inteligência que abastece o governo britânico com informações das potências estrangeiras). Mal sabia ele que Popov trabalhava para os alemães…

Dusko Popov

Dusko Popov

A reputação de Popov, considerado “bon vivant” e “playboy”, marcou tanto Fleming que seu James Bond adotou vários traços do iugoslavo. Popov, cliente do Hotel Palácio, era muito profissional, com muito boa aparência e fazia enorme sucesso entre as mulheres. Ele chegou a ser apelidado no jargão dos serviços secretos com o código “triciclo”, porque andava muitas vezes acompanhado de três belas mulheres.

No Cassino de Estoril, o autor britânico viu Popov apostar US$ 40 mil (equivalente a quase US$ 650 mil em valores atualizados) em uma mesa de bacará, somente para despistar um inimigo. Este episódio foi utilizado como base para a primeira obra sobre James Bond, “Cassino Royale” (1953), onde o agente 007 enfrenta o vilão Le Chiffre em uma mesa de bacará.

Capa do primeiro livro de James Bond.

Capa do primeiro livro de James Bond.

Essa cena também é uma das mais tensas do primeiro episódio no cinema estrelado por Daniel Craig como James Bond, “Casino Royale”.

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Quem diria que James Bond é português, hein?

 

 

OBS – Fleming, como espião, teve sucesso em atrair Popov para os Aliados, já que o iugoslavo tinha antipatia pelos nazistas e aceitou de bom grado ser um agente-duplo. Foi nesse mesmo 1941 que Popov obteve um relatório alemão que descrevia detalhadamente o ataque surpresa que o Japão faria contra a base naval americana de Pearl Harbor no Havaí. Ele levou um mês para finalmente conseguir uma reunião com o então diretor do FBI e do Serviço Secreto, John Edgar Hoover. Hoover, que já conhecia o estilo de vida do espião, achou que o relatório era uma farsa e descartou-o.  A reunião acabou numa discussão acalorada. Quando Dusko Popov estava voltando de uma viagem ao Brasil, no dia 7 de dezembro de 1941, o ataque japonês foi deflagrado. Essa era a data prevista no relatório…

 

 

 

 

 

Fontes:

Miguel Conceição-UOL
Mais Educativa
Wikipedia
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Quem será o novo James Bond?

James Bond eletrizou os espectadores pela primeira vez na Inglaterra, em 1962, no filme “O Satânico Dr. No”. A partir daí, o sucesso a cada aventura fez com que o espião acumulasse mais 23 longas-metragens. James Bond, também conhecido pelo código 007, é um agente secreto fictício do serviço de espionagem britânico MI-6, criado pelo escritor Ian Fleming em 1953.

James Bond, na concepção de Ian Fleming, e que serviu de base para publicação de suas tiras de quadrinhos no jornal britânico Daily Express, no final da década de 1950.

No Brasil, ele também teve seu gibi publicado, em meados da década de 1960, pela Rio Gráfica e Editora, hoje Editora Globo.

Ian Fleming era oriundo da aristocracia inglesa. Filho do major Valentine Fleming, morto na Primeira Guerra Mundial, cursou a Academia Militar Real de Sanhurst. Começou sua carreira na Segunda Guerra Mundial quando trabalhou como correspondente do jornal The Times. Fleming ganhou experiência em atividades de espionagem na Rússia e, posteriormente, entrou para o Serviço Secreto da Marinha Inglesa, onde foi comandante. A vivência no ambiente de trabalho fez com que criasse a personagem James Bond, agente secreto charmoso e sedutor, que vivia aventuras perigosas. Ian Fleming morreu vítima de ataque cardíaco aos 56 anos, não chegando a ver um dos filmes de maior sucesso da série: “007 Contra Goldfinger”.

O personagem foi apresentado ao público em livros de bolso na década de 1950, com a novela Casino Royale, tornando-se um sucesso de venda e popularidade entre os britânicos e, logo a seguir, entre os países de língua inglesa. Diz-se que John Kennedy era um leitor assíduo dessas aventuras. Na década seguinte, os livros viraram uma grande franquia no cinema, a mais duradora e bem sucedida financeiramente, que já rendeu mais de 12 bilhões de dólares.

O ornitólogo James Bond.

Ian Fleming tirou o nome ‘James Bond’ do autor do livro predileto de sua esposa sobre ornitologia, Birds of the West Indies, e escreveu doze livros e dois contos sobre seu personagem, antes de morrer, em 1964.

Os atores que fizeram 007

Sean Connery

Sean Connery foi o primeiro ator a dar vida a James Bond em 1962, no filme “James Bond Contra o Satânico Dr. No”. Diz a lenda que Connery conseguiu o papel após ter conversado com o produtor Albert Broccoli com um pé em cima de sua mesa e sair da reunião batendo a porta, insatisfeito com as condições impostas pelo produtor. Impressionado, Broccoli acompanhou o futuro astro pela janela e o viu andando na rua como um felino,  o andar imaginado para James Bond.

George Lazenby

O australiano George Lazenby era vendedor de carros e, possivelmente, é o Bond menos conhecido por ter feito apenas um filme do espião. Mesmo assim, para os estudiosos da obra de Ian Fleming, nesse filme, “A Serviço Secreto de Sua Majestade”, ele foi o mais fiel às características do personagem dos livros.

Roger Moore

Quem acompanhou as produções lançadas entre 1973 e 1989 tem Roger Moore como símbolo do agente britânico. Sua primeira aparição como James Bond foi em “Viva e Deixe Morrer” (1973), com música-tema de Paul McCartney. Roger Moore foi o ator que ficou mais tempo como 007, estrelando sete filmes e se aposentando do papel aos 58 anos de idade, em 1985, com o filme “James Bond na Mira dos Assassinos”.

Timothy Dalton

Timothy Dalton assumiu o personagem em “Marcado para Morrer” (1987). Ele substituiu Pierce Brosnan, que fora sondado mas estava ocupado com outras produções. Dalton participou de dois filmes como 007 e assinou contrato para realizar três filmes como protagonista; mas, nesse meio tempo, uma batalha judicial pelos direitos de James Bond fez com que as produções do terceiro filme demorassem muito e ele desistisse do projeto.

Pierce Brosnan

Pierce Brosnan assumiu a vaga em “007 James Bond Contra Goldeneye”. Para os fãs mais novos, o ator é o James Bond mais lembrado, apesar de ter feito apenas quatro filmes. Durante seu contrato, Brosnan foi proibido de usar smoking em outras produções para não lembrar o espião, mas ele sempre deu um jeitinho de contornar a situação usando trajes similares.

Daniel Craig

Daniel Craig é o último ator a dar vida ao personagem e foi muito criticado por isso, no primeiro filme. Seu cabelo loiro e altura de 1,75 m (considerado baixo para o herói) foram motivos para os fãs e a imprensa criticarem essa escolha. Ele estreou em “Casino Royale” e foi elogiado pela atuação vigorosa. A partir de então, estrelou mais 3 filmes, todos com muito sucesso de público e crítica.

Mas Craig teria anunciado que “Spectre” foi seu último filme no papel do espião, e os produtores já teriam começado a procurar seu substituto.

Segundo o que se comenta, este foi o último filme de Daniel Craig como 007

Segundo o que se comenta, este foi o último filme de Daniel Craig como 007

Há muita especulação sobre quem será o próximo Bond. Fala-se até em um mulher, algo como Jane Bond!

Sim, ela mesma! A Agente Scully de "Arquivo X", Gillian Anderson, é a favorita dos fãs para ser Bond, Jane Bond...

Sim, ela mesma! A Agente Scully de “Arquivo X”, Gillian Anderson, é a favorita dos fãs para ser Bond, Jane Bond…

Quanto aos homens mais cotados para o papel, a lista é grande… Dentre os mais votados nas bolsas de apostas, temos Tom Hardy, Idris Elba e Damian Lewis (sim, se já tivemos um 007 loiro, por que não um ruivo?)

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Mas o nome mais forte, até agora, é o de Tom Hiddlestone… Ele estaria “loki” para interpretar o papel (eu sei, essa foi infame…).

Biquíni, a “bomba atômica” que revolucionou a moda praia, completa 70 anos

Em 1º de julho de 1946, os americanos realizavam o primeiro de uma série de testes nucleares em um atol no Pacífico Sul. Quatro dias depois, um francês, Louis Réard, revelava, em Paris, um maiô “explosivo”. Tão explosivo que foi batizado com o nome da pequena ilha onde os testes atômicos foram realizados: Bikini, ou biquíni, em português.

“O biquíni: uma bomba anatômica” foi o slogan criado para a roupa de banho em duas peças. O modelo era vendido em um pacote do tamanho de uma grande caixa de fósforos. Réard, engenheiro automotivo cuja família possuía uma loja de lingerie, escolheu a piscina Molitor, local de Paris muito popular nos anos 30, para apresentar sua criação ao público, no dia 5 de julho de 1946.

Mas, enquanto hoje em dia o biquíni tem adeptas em todo o mundo, nenhuma modelo profissional quis usá-lo na época. A apresentação foi feita, então, pela dançarina de 19 anos Micheline Bernardini (na foto acima), que fazia shows no Cassino de Paris. Ela entrou para a história, uma vez que a criação francesa ocupou manchetes dos jornais de todo o mundo e causou um grande escândalo.

Sob pressão da Igreja Católica, os governos italiano, espanhol e belga proibiram a venda da ousada peça. Na França, curiosamente, foi permitida nas praias do Mediterrâneo, mas proibida nas do Atlântico. Vai entender…

O biquíni de Brigitte Bardot

No pós-guerra, apesar de o biquíni já existir há algum tempo, a calcinha de cintura alta foi a favorita das mulheres, como mostram as imagens de pin-ups ou fotos de atrizes norte-americanas, com Marilyn Monroe na liderança.

Após o lançamento em 1946, o biquíni entrou em baixa até 1953, quando outra bomba estourou, de novo na França, e desta vez durante o Festival de Cannes: Brigitte Bardot. A atriz francesa causou furor ao posar para os fotógrafos com um biquíni branco com flores na praia do hotel Carlton.

Nos anos 1980 e 1990, foi a vez dos maiôs e biquínis metalizados e fluorescentes. E surgiram os modelos asa delta e fio dental. Diz a lenda que, em certo momento, os biquínis artesanais de crochê foram moda mas, como eles pesavam na água depois de molhados, as brasileiras criaram o hábito de enrolá-los nas laterais –  e isso teria dado origem ao asa delta.
E tudo começou com uma bomba atômica!

MOMENTOS BIZARROS DE JAMES BOND

O mais recente filme de 007, “Spectre’, não tem conquistado críticas muito boas. Eu mesmo, fã confesso do personagem e tendo assistido todos os 23 filmes anteriores, e mais de uma vez, não gostei.

Comentei com outras pessoas o que achei do filme e minha opinião é a mesma de Pierce Brosnan, o ator que interpretou James Bond antes do atual dono da cadeira, Daniel Craig:

“Eu estava querendo muito ver”, Brosnan declarou ao site Hitfix. “Eu achei muito longo. A história é meio fraca — poderia ter sido condensada. Ele meio que durou tempo demais.”

Brosnan — que interpretou Bond ao longo de sete anos, começando por 007 Contra GoldenEye (1995) e terminando em 007 – Um Novo Dia para Morrer (2002) — foi além nas críticas sinceras: “[Spectre] não é nem peixe nem carne. Não é nem [um filme de James] Bond nem [de Jason] Bourne. Estou vendo um filme de Bond? Ou não é um filme de Bond?”

Há muitas cenas bizarras, algumas dignas do Agente 86 ou do Austin Powers, mas Daniel Craig não foi o único Bond a ter seus maus momentos. James Bond, na pele de outros atores, protagonizou momentos muito sem noção. Confira alguns deles:

Em “Viva e Deixe Morrer”, de 1973 – com música-tema de Paul McCartney – temos Roger Moore como 007. Ele foi o James Bond que mais protagonizou situações absurdas. Uma delas é quando  pula por cima de vários crocodilos para fugir de um lago infestado pelas feras.

Em “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro” (1974), um dos piores filmes de toda a franquia,  Roger Moore  tem uma cena que, em si, não tem nada de absurdo. O incrível salto de carro foi feito por um dublê, mas os realizadores não estavam satisfeitos só com isso. Então, adicionaram um efeito sonoro na pós-produção que deixou o filme com cara de Trapalhões. Ridículo.

No seu último filme como 007, “Na Mira dos Assassinos”, de 1985 – com uma ótima música-tema do Duran Duran – Roger Moore quase levou o James Bond ao nível Didi Mocó. Ele amarra um dirigível em uma ponte com uma corda, persegue um bandido na Torre Eiffel e nesta cena (pena que tem uma imagem ruim), vai para a parte de trás de um caminhão de bombeiros durante uma fuga sem motivo nenhum…

Quando Roger Moore foi substituído pelo ator de teatro Timothy Dalton, todos esperavam que ele trouxesse um ar mais realista ao espião (se bem que não se pode levar a sério um agente secreto que declara seu nome, certo? “Meu nome é Bond, James Bond”). Mas, logo no primeiro filme que ele fez, “007 Marcado para Morrer”, de 1987, surgiu essa cena bizarra em que James Bond está fugindo de agentes do mal, e resolve usar a caixa de um violoncelo como se fosse um trenó e fugir de seus perseguidores com estilo…

Em seu segundo e último filme na pele de Bond, “007 Permissão para Matar” (1989), Timothy Dalton ensina como fazer uma entrada triunfal em um casamento logo depois de capturar um perigoso traficante.

Para encerrar, uma das cenas mais bizarras do último filme de Pierce Brosnan como  agente secreto, “007 Um Novo Dia para Morrer”, de 2002. Com uma trama confusa e muito criticada, o filme apresentava absurdos de desenho-animado, como um carro invisível movido a controle remoto, um vilão coreano que se disfarça de ocidental, e a cena acima, em que 007 surfa em um tsunami…

Humm… Depois de rever esses momentos de outros filmes da série, até que “Spectre” não é tão ruim quanto pensei…

 

 

 

Donald no País da Matemática

Em 1959, Walt Disney estava lançando um filme que era um de seus projetos mais pessoais , “A Lenda dos Anões Mágicos” (Darby O’Gill and the Little People). Esse filme, sobre o qual falo aqui, foi notável por ser um dos primeiros papéis da carreira de Sean Connery, então com 29 anos, e também porque era exibido junto com um curta-metragem que se tornou um clássico: “Donald no País da Matemágica”.

Donald no País da Matemágica (“Donald in Mathmagic Land”) é um curta de 27 minutos, estrelado pelo Donald, e que foi disponibilizado para várias escolas mais tarde, tornando-se um dos mais populares filmes educativos já feitos pela Disney.  Na época, foi lançada uma revista em quadrinhos baseada no curta que também fez enorme sucesso.

Essa história foi publicada muitas vezes no Brasil, a primeira delas em 1967, na revista “Tio Patinhas”:

Walt Disney, uma vez, comentou sobre o filme: “O desenho animado é um bom meio para estimular o interesse. Recentemente explicamos a matemática em um filme e conseguimos estimular o interesse do público neste assunto tão importante.”

Realmente, Disney e sua equipe foram brilhantes em transformar um tema tão árido num desenho tão inteligente e divertido. Afinal, Donald se encontra com Pitágoras, entende a Regra de Ouro, recebe uma explicação sobre as proporções ideais do corpo humano, faz alguns jogos mentais e o desenho termina com uma citação de Galileu Galilei.

Se você nunca assistiu esse curta-metragem, recomendo que o faça, e chame seus filhos para ver. Vai valer muito a pena!

Caso você prefira assistir na versão original (e sem legendas), aqui está.

Divirta-se!

A Lenda dos Anões Mágicos

Irlanda. Darby O’Gill é um velho excêntrico que vive contando histórias sobre leprechauns em um pub local. Ninguém acredita nelas, mas elas são verídicas. Darby é rival do rei Brian, soberano dos anões, o qual vive provocando. Quando o lorde Fitzpatrick o substitui pelo jovem guarda Michael McBride, Darby precisa da ajuda mágica de Brian e seus súditos. Para complicar ainda mais a situação, Michael se apaixona por Katie, a filha de Darby.

Esta é a sinopse do filme A Lenda dos Anões Mágicos (Darby O’Gill and the Little People), que Walt Disney lançou em 1959 e que era um de seus projetos mais pessoais.

O filme era exibido nas salas de cinema com um curta-metragem que o antecedia, estrelado pelo Donald, e sobre o qual falo aqui.

Você pode ter se espantado que, no cartaz de cinema da época, apareça um nome conhecido, mas é isso mesmo: é o jovem Sean Connery, o futuro James Bond! Ele interpreta Michael, o primeiro papel de alguma importância em sua carreira e seu primeiro filme nos Estados Unidos. Connery havia feito pontas em meia dúzia de películas até então, a grande maioria sem creditá-lo no elenco.

Agora, com 29 anos, ele aguardava uma chance e foi atuando na produção da Disney que foi notado pela esposa do produtor Albert R. Broccoli, que ficou admirada pelo porte e aparência do ator. Broccoli, durante a pré-estreia em Hollywood, o convidou para um teste em um projeto que se chamava “The Satanic Dr. No”… O resto é história…

Além de contracenar com a bela Janet Munro, Connery ainda canta! O diretor pensou até em dublar o futuro 007, mas desistiu porque Disney quis manter o sotaque do ator. Uma versão da canção “My Pretty Irish Girl”, cantada por Sean Connery e Janet Munro, foi lançada em disco na época em que o filme estreou nos cinemas nos Estados Unidos.

Os antepassados ​​de Walt Disney eram imigrantes irlandeses, que foram para os Estados Unidos partindo de Kikenny, Irlanda, tentando escapar da perseguição religiosa. Ele sempre se interessou pelas lendas e histórias desse país, e quando leu a série de contos com o personagem Darby O’Gill, da autora inglesa H. T. Kavanagh, ficou encantado.  A escritora falava de todas as fadas e seres mágicos da mitologia irlandesa.

Foi então que Walt começou a planejar o lançamento do filme mais tarde batizado de A Lenda dos Anões Mágicos. Após o término da 2ª Guerra Mundial, ele enviou vários artistas para a Irlanda, no intuito de coletar material para a produção. Em dezembro de 1948, Walt Disney visitou a Irlanda e anunciou a realização desse filme, que na época chamava-se apenas “The Little People”. Foram necessários mais de dez anos para que enfim chegasse aos cinemas.

Jimmy O’Dea e todos os atores que interpretaram leprechauns  não foram incluídos em quaisquer peças de marketing do filme, e nem apareceram nas diversas premières programadas. A intenção de Walt Disney era a de que as pessoas tivessem a ilusão que leprechauns verdadeiros haviam sido contratados para o filme. Tanto que, nos créditos de abertura, pode ser lida uma mensagem de Walt na qual ele agradece “ao rei Brian de Knocknasheega e seus leprechauns pela inestimável cooperação em tornar este filme possível”.

As cenas que mostram a interação entre duendes e seres humanos utilizam a técnica de “perspectiva forçada”, quando se filma as pessoas um pouco mais longe da câmera.

Uma reclamação recorrente na época do lançamento de A Lenda dos Anões Mágicos nos cinemas era que os atores falavam a língua inglesa com sotaque gaélico, tornando os diálogos incompreensíveis em certos momentos. Em uma versão posterior do filme, tais falas foram dubladas.

No dia em que o filme foi lançado em Dublin, a prefeitura decretou feriado escolar para que todas as crianças pudessem ir ao cinema, e o dia foi chamado de “Walt Disney Day”. Toda a renda foi revertida para um fundo beneficente da Igreja de São Vicente de Paula.

E, como em todo lançamento importante que Disney fazia na época, era também produzida uma versão em quadrinhos, lançada nos Estados Unidos simultaneamente com o cinema:

A quadrinização, desenhada pelo renomado artista Alex Toth, foi também publicada no Brasil pela Editora Abril em 1070:

O famoso crítico americano Leonard Maltin, que podia destruir ou levantar um filme com uma só palavra, disse que “A Lenda dos Anões Mágicos não é apenas um dos melhores filmes de Walt Disney, mas é certamente um dos melhores filmes de fantasia já realizados”.

Aqui, o trailer de seu lançamento na TV (nos Estados Unidos), em 1977:

O Caso Profumo

O escândalo com um ex-diretor da CIA, acusado de manter uma relação extra-conjugal e que pode ter colocado em risco a segurança dos Estados Unidos (veja aqui), tem semelhanças com outro caso famoso, este nos anos 1960 na Inglaterra.

Escândalos Sexuais

O chamado Caso Profumo envolveu o político britânico John Profumo e a femme fatale Christine Keeler em 1961. Profumo havia sido um dos heróis do Dia D – o desembarque aliado na Normandia na Segunda Guerra Mundial – e tinha um cargo equivalente ao de Ministro da Guerra no governo britânico. Frequentador das festas promovidas por Lorde Astor, foi numa delas que Profumo conheceu a showgirl Keeler.

John Profumo

Christine Keeler

Mas ela não morria de amores apenas por Profumo. Christine era amante também de Yevgeny Eugene Ivanov, oficial da marinha soviética e provavelmente espião, e de um conhecido “cafetão” da nobreza chamado Stephen Ward. O caso amoroso entre Profumo, um homem casado e guardião de importantes segredos de Estado, e Keeler causou arrepios no MI5, o serviço secreto britânico. A preocupação era saber se Christine Keeler era uma espiã enviada pelos soviéticos e se as confissões na alcova feitas por Profumo eram compartilhadas em uma outra cama: a de Ivanov. Ivanov, adido militar na Embaixada Soviética em Londres, portanto com imunidade diplomática, estava sob discreta vigilância do MI5.

Em 1963, uma desavença entre Christine e um antigo amante terminou na polícia e chamou a atenção da imprensa. As investigações levaram à revelação das ligações perigosas de Christine e ao fim da carreira política de Profumo. Como a guerra-fria entre o Leste e o Oeste estava em seu auge, o clamor público quase derrubou todo o governo britânico.

Keller aproveitou-se do burburinho causado pelo escândalo para faturar.

Posou para uma foto que foi publicada em um tabloide sensacionalista e colocou mais lenha na fogueira no já ardente caso debatido em todo o país. Quanto mais se falava dela, mais essa foto era reproduzida.

As consequências do escândalo foram a renúncia de Profumo e de todo o seu gabinete, Stephen Ward foi processado por “viver dos lucros imorais advindos da prostituição” e se suicidou, envergonhado. E  Keeler passou 9 meses na prisão por perjúrio (mentir sob juramento, quando disse que nada tinha com Profumo).

Profumo faleceu em 2006 e Keeler, hoje com 70 anos, tornou-se uma celebridade. Escreveu vários livros sobre o caso e, em 2001, lançou sua autobiografia.