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Os carros mais bizarros de todos os tempos

A carruagem sem cavalo!

Em 1899, um veículo estranho ganhou as ruas em Michigan, nos EUA. Seu inventor, Uriah Smith, colocou uma cabeça de cavalo de madeira na frente do seu carro, para que os outros cavalos não se assustassem tanto com aquele veículo barulhento. “Quando os outros cavalos perceberem que foram enganados”, disse ele na ocasião, “meu veículo já terá passado”. A cabeça era oca, para poder guardar combustível lá dentro…

1911 Overland OctoAuto

O inventor Milton Reeves achava que um carro com seis ou oito rodas seria melhor. Segundo ele, mais rodas daria mais conforto às pessoas, por isso foi juntando peças, acrescentando mais eixos, e criou o OctoAuto… O monstrengo media 7 metros! Apesar dos esforços, Reeves não recebeu nenhum pedido.

1933 Fuller Dymaxion

Esse eu achei legal, parece as naves dos antigos filmes do Flash Gordon! Projetado por R. Buckminster Fuller, esse… er… carro tinha sido pensado originalmente para ser uma aeronave. O plano era instalar motor a jato e asas infláveis, assim você poderia dirigir o carro na estrada e, quando quisesse, inflar as asas e sair voando. Mas as asas nunca foram adicionadas ao modelo, e sem elas ele ficou parecendo um comprimido rolando pela rua… O primeiro protótipo tinha uma cauda como de avião e saía demais de traseira. O modelo mais novo era maior e mais pesado, e trazia uma aleta estabilizadora no teto, como de tubarão… O “carro” nunca foi aceito pelo público.

1957 King Midget Model III

Na década de 1950, Caud Dry e Dale Orcutt, de Ohio, decidiram que iriam criar carros que todos pudessem pagar. Eles começaram com o modelo I, oferecendo o veículo como um kit estilo “faça-você-mesmo”. O kit vinha com as estruturas do carro, os eixos e chapas de aço que deveriam ser trabalhadas por alguém com alguma habilidade. E qualquer motor de um cilindro (que não vinha no kit) alimentaria o veículo. Não se sabe muito bem como, mas os dois inventores continuaram no negócio até o final da década com sua obra-prima, o modelo III (na foto). Esse era uma caixa de aço dobrada com um motor de 9 cavalos de potência. Felizmente, os padrões de segurança do governo fizeram com que o King Midget se tornasse nada mais do que uma lembrança.

1958 Zundapp Janus

Quem assiste ao segundo filme da série Carros, da Disney/Pixar, vê entre os numerosos automóveis — alguns copiando modelos do mundo real, outros não — um curioso minicarro alemão de formas simétricas, com uma porta frontal e outra traseira. O personagem é o vilão Professor Zündapp, ou apenas Professor Z, que coloca nas telas um modelo de vida curta no mundo real: o Zündapp Janus.

A Zündapp foi fundada em 1917 em Nurembergue, na Baviera, Alemanha, com o nome Zünder und Apparatebau GmbH (detonador e aparatos ltda. em alemão) para fornecer detonadores de explosivos para a Primeira Guerra Mundial. Com a queda da demanda após o fim do conflito, o fundador Fritz Neumeyer passou a de dedicar à produção de motocicletas e lançava a primeira delas, a Z22, em 1921. Na década de 1930 suas motos ganharam sucesso com uma linha diversificada de 200 a 800 cm³, incluindo modelos com carro lateral (sidecar).  Mas, depois da guerra, a Alemanha precisava de automóveis que fossem quase tão baratos e econômicos quanto as motos, mas oferecessem proteção contra o inverno severo. Foi quando surgiu o Janus. O estranho minicarro tinha uma grande porta frontal e outra traseira, abertas para cima e cada uma com dois vidros, e desenho totalmente simétrico nas laterais: à exceção dos faróis, as partes anterior e posterior eram iguais.

O nome Janus, o mesmo do deus romano que tinha rosto nos dois lados da cabeça, era justificado: sua cabine era um trapézio com lados igualmente inclinados correspondentes à frente e à traseira. Com dois bancos inteiriços de dois lugares cada, os passageiros de trás viajavam voltados para a retaguarda. Nas laterais, sem portas, eram usadas janelas de plástico Plexiglas.

Não fosse pelos faróis salientes, pelo retrovisor ou pelos arcos dos para-lamas mais altos sobre as rodas dianteiras, o motorista talvez ficasse em dúvida se deveria entrar pela porta frontal ou pela traseira. Claro que só havia volante em um dos “lados” do carro.

O anúncio do Janus sugeria alegria, mas no filme “Carros 2” ele é o malvado Professor Z

As vendas do Janus alcançaram pouco sucesso: 6.902 carros até outubro do ano seguinte, quando se encerrava o breve ciclo de produção. Diante do fracasso — seria preciso vender 15 mil deles para amortizar o investimento —, a Zündapp voltou a se dedicar às suas motos.

1961 Amphicar

Resultado de mais de uma década de desenvolvimento, o Amphicar foi lançado em 1961, no Salão Automóvel de Nova Iorque. Foi o primeiro e único carro anfíbio a ser comercializado com sucesso. A sua produção estendeu-se durante um período de 15 anos e a transição da terra para a água era feita mediante dois ou três passos relativamente simples, e de uma alavanca acionada. É essa alavanca que transfere a força do motor das rodas para as duas hélices posicionadas na traseira do veículo.

Esse exemplar das fotos é do ano de 1966. O Amphicar não usa leme: as rodas dianteiras desempenham o papel com precisão surpreendente. As portas fecham contra borrachas de vedação e têm um trinco suplementar de pressão, que precisa ser usado antes de se entrar na água. Se, por algum motivo o carro começar a fazer água, é só apertar um botão no painel, que uma bomba elétrica de grande capacidade devolve o líquido para fora.

O maior problema desse carro, e que nunca foi resolvido de forma satisfatória, era o preço.  Foram produzidas apenas 800 unidades…

1966 Peel Trident

Esse carrinho parece algo saído de um filme B de ficção-científica… Projetado com um jeitão de disco-voador, foi construído na Ilha de Man, Reino Unido, nos anos 1960. Ele tinha uma bolha de fibra de vidro como capota, o que lhe dava um ar de carro futurista, mas se mostrou uma péssima ideia.  O sol deixava o interior do carrinho tão quente quanto um forno ligado… O motor barulhento DKW e o fato de ser tão pequeno (é o menor carro para dois passageiros já produzido) contribuiu para seu insucesso.

 

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Breve história do jeans na moda

A história dos jeans começou na França, em Nimes, onde o tecido foi fabricado pela primeira vez em 1792. Logo, passou a ser conhecido por “tecido de Nimes”, expressão que com o tempo foi abreviada para “Denim”. Por ser um tecido robusto e durável, sem necessitar de grandes cuidados, começou a ser utilizado em roupas para trabalhos no campo e pelos marinheiros italianos que trabalhavam no porto de Gênova, na Itália.

Anos depois, o tecido chegou aos Estados Unidos. Era a Corrida do Ouro na Califórnia, 1853, e andava por lá um jovem alemão de nome Levi Strauss, que tinha começado a vender lona para as carroças dos mineiros. Quando percebeu que a roupa dos mineiros sofria muito desgaste, pegou algumas dessas lonas e passou a vender calças feitas com elas. De cor marrom,  essas calças rapidamente se tornaram um sucesso, mas existia uma queixa recorrente: o tecido era pouco flexível.

Levi Strauss resolveu então procurar um tecido que fosse ao mesmo tempo resistente, durável, flexível e confortável de usar. E decidiu procurar esse tecido na Europa, continente que era mais desenvolvido à época, tendo encontrado e passado a usar o tal “tecido de Nimes”, feito de algodão sarjado.

Levi Strauss

O primeiro lote de calças de Levi Strauss tinha como código o número 501, que acabou por se tornar no modelo mais famoso e clássico. Devagarinho, com o passar dos anos, as calças jeans foram sendo melhoradas. Chamadas de “waist overalls” então, tinham um bolso para relógio, botões de suspensórios e apenas um bolso traseiro. Em 1860 foram acrescentados os botões de metal. Em 1886 começou-se a coser a etiqueta de couro no cós das calças, para reforçar sua procedência. Já a cor azul índigo, tão popular nos jeans atuais, só começou a ser utilizada em 1890 e foi, nada mais, nada menos, que uma estratégia (bem concebida) de tornar os jeans mais atraentes.  Levi Strauss decidiu tingir as peças com o corante de uma planta chamada Indigus, dando-lhes a cor pela qual o jeans é hoje conhecido. Os dois bolsos traseiros apareceram apenas em 1910.

A popularidade mundial dos jeans veio por volta da década de 30, através de filmes de sucesso que retratavam os famosos cowboys americanos. A Segunda Guerra Mundial popularizou a imagem de virilidade que o tecido Denim representava, pois era utilizado nas fardas do exército americano.

E entrou na moda, de forma definitiva, nos anos 1950. O blue jeans (modelo básico) foi usado por grandes personagens do cinema, como Marlon Brando em “O Selvagem” (1953), Marilyn Monroe em “O Rio das Almas Perdidas” (1954) e James Dean em “Juventude Transviada” (1955).

Marlon Brando
Marylin Monroe

James Dean

O grande ícone da moda da década de 70 foi a calça boca de sino, que descia ajustada na coxa e se abria abaixo do joelho. O modelo voltou nos anos 2000, só que com a cintura baixa e, de novo, em 2010. Na foto, “As Panteras”, série dos anos 70 que ajudou a popularizar esse modelo.

Ainda nos anos 70, os jeans detonados, rasgados e manchados foram também popularizados. Na capa do disco “Rocket to Russia” (1977) do Ramones, as calças combinadas com jaqueta de couro alinhavavam o visual punk que se estendeu pelos anos 80.

A Calvin Klein lançou sua linha jeans em 1978, tornando-se a primeira marca de luxo no mundo a introduzir o material em suas coleções. O sucesso foi tão grande que, após um ano, já havia faturado 70 milhões de dólares. A partir desse momento, o jeans se tornou uma peça sexy e cobiçada. Em 1980, Brooke Shields estrelou a picante campanha da marca em que diz: “Você quer saber o que há entre mim e minha Calvin? Nada”…

No Brasil, na mesma década, fez muito sucesso o jeans com lycra, e a campanha da empresa que primeiro lançou essa combinação transformou em musa a futura modelo e atriz Luiza Brunet.

Nos anos 90, o jeans também fez parte do visual grunge. O combo de camisa xadrez, tênis sujo e jeans velho (de verdade) era o uniforme dos seguidores de Kurt Cobain, líder da banda Nirvana.

No final dos anos 90 e começo dos anos 2000, as calças de cintura baixa –ou baixíssima, como as usadas por Britney Spears– eram febre! O único problema era conseguir sentar sem mostrar o “cofrinho”…

Na foto, a cantora Christina Aguilera (e rival da Britney!) usa outra grande modinha dos anos 2000: calça capri. O modelo, com comprimento abaixo dos joelhos ou no meio da canela, foi um ícone da moda da época.

Um modelo horroroso do final dos anos 2000, e que perdeu a força após 2012, foi a calça saruel. Apesar do grande sucesso na época, o modelo com cavalo baixo era controverso e não agradava a todos… Feio demais!

A calça skinny apareceu nos anos 50, mas foi em torno de 2010 que ela voltou para ficar e é uma das principais peças do guarda-roupa atual. O modelo justo é versátil e pode ser usado em diversas ocasiões e em diferentes estilos.

Hoje em dia, todo guarda-roupa, masculino ou feminino, tem o jeans como peça obrigatória. Mas… por que essas calças criadas por Levi Strauss se chamam “jeans”? A hipótese mais aceita é a seguinte:

O “tecido de Nimes” – que depois ficou “denim” – era utilizado na roupa dos marinheiros do porto de Gênova. Esses marinheiros genoveses tinham o costume de chamar “genes” às suas calças de trabalho. E quando pronunciavam a palavra “genes”, com o habitual sotaque italiano, a expressão acabou por se transformar, com o tempo, em “jeans” e assim se espalhou pelo mundo.

 

 

Fonte:

estilo.uol

Wikipedia

a origem das coisas

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Brindes que vinham nos produtos

Faz algumas semanas, postei uma reportagem sobre a Turminha Brava da Bardahl, uma campanha que fez muito sucesso no Brasil nos anos 1960. (aqui). Essa campanha gerou bonequinhos plásticos de brinde que se podia colocar no retrovisor dos carros.

O post teve tanta repercussão que as pessoas começaram a se lembrar de outros brindes do passado que vinham com produtos de consumo, ou que eram distribuídos em promoções de divulgação da marca. Por isso, decidi fazer um post relembrando alguns deles.

Mascote do Arroz Brejeiro

Toda dona de casa conhecia o arroz Brejeiro nos anos 60 e 70. Era uma das marcas mais vendidas no país e fazia muitos comerciais na TV. Durante anos, a empresa distribuiu seu mascote, o Brejeiro, um boneco com cara simpática, nos pacotes de 5 quilos. O sucesso foi tanto que logo apareceram também o boneco Marinheiro e todo o resto da família. Eu só tive mesmo o Brejeiro e, de fato, era um boneco muito simpático.

As Grandes Telenovelas

Nos anos 80, foi lançado um sabão em pó para concorrer com o líder da categoria, OMO. Era o sabão VIVA, que usou e abusou de brindes promocionais que vinham junto com o produto. Você comprava uma embalagem e vinha um exemplar de uma coleção de revistas, por exemplo. Com isso, o VIVA começou a morder participação do mercado do OMO, que logo reagiu. Eu trabalhava na Rio Gráfica (editora do grupo Globo que, depois, passou a se chamar Editora Globo) na época e oferecemos ao OMO uma coleção de livros de bolso para competir com eles.

O grande trunfo era que transformaríamos as telenovelas da TV Globo em romances. Claro que toparam, até porque as adaptações eram feitas pelos próprios autores. Foram lançados doze livros, que vinham como brinde junto com as caixas do sabão.

Os livros foram:

  • Irmãos Coragem, da novela de Janete Clair;
  • O Bem-amado, da novela de Dias Gomes;
  • Carinhoso, da novela de Lauro César Muniz;
  • Escalada, da novela de Lauro César Muniz;
  • Pecado Capital, da novela de Janete Clair;
  • Anjo Mau, da novela de Cassiano Gabus Mendes;
  • Locomotivas, da novela de Cassiano Gabus Mendes;
  • Dancin’ Days, da novela de Gilberto Braga;
  • Pai Herói, da novela de Janete Clair;
  • Marron Glacé, da novela de Cassiano Gabus Mendes;
  • Água Viva, da novela de Gilberto Braga;
  • Louco Amor, da novela de Gilberto Braga.

A promoção foi um sucesso brutal, com mais de 8 milhões de livros (e caixas de sabão em pó, óbvio) vendidos no Brasil, e mais uns  2 milhões em Portugal. Uma curiosidade: além de ser o editor da coleção, eu também cuidava dos contratos com os autores e negociei os direitos de imagem com os atores que aparecem na capa dos livros. Por isso, tive a oportunidade de conhecê-los quando levei os contratos para as assinaturas: Tarcísio Meira e Glória Menezes, uma simpatia; Ney Latorraca, Antonio Fagundes, a Betty Faria, maravilhosa… Foi muito divertido!

Elefantinho Shell

Por volta de 1966 ou 1967, ou seja, logo após o estrondoso sucesso da campanha da Bardahl, quem enchia o tanque nos postos da Shell ganhava de brinde esse elefantinho, que era o símbolo da marca. Hoje em dia, é um dos brinquedos mais procurados por colecionadores, pois poucos são encontrados em bom estado. Também cheguei a ter um desses.

Brasilino da Fábrica de Móveis Brasil

Uma das grandes lojas de móveis dos anos 70 e 80, a Fábrica de Móveis Brasil dava de brinde seu mascote, o boneco Brasilino, para quem fizesse uma compra. Ele era lembrado sempre por um de seus principais garotos-propaganda, Raul Gil. E tinha um comercial de TV que eu achava insuportável…

Gotinha da Esso

Os bonequinhos da Esso, também dos anos 60 e também distribuídos nos postos de gasolina, fizeram muito sucesso. Cheguei a ter o casalzinho, o gotinha e a gotinha, e o sucesso era amplificado porque havia comerciais de TV muito bem feitos, na forma de desenho animado, que deixavam os brindes irresistíveis para as crianças – que imploravam aos pais que fossem abastecer o carro nos postos Esso. “Só Esso dá ao seu carro o máximo!”. Anos depois a Esso lançou seu Tigre, mas esse não cheguei a possuir.

Robô no Ovomaltine

A série Perdidos no Espaço foi um sucesso gigantesco no final dos anos 60 no Brasil. Aproveitando-se disso, o achocolatado Ovomaltine deu de brinde nessa época uma réplica do robô da série. A campanha foi tão bem sucedida que muita gente ficou sem receber o robô prometido, porque o estoque havia acabado… Eu fui um deles… Snif!

Figuras de índios do Toddy

O Toddy (e Nescau e Ovomaltine) entraram no Brasil todos mais ou menos na mesma época. Mas foi o Toddy quem mais deu brindes em suas campanhas, enfatizando para as mães que suas crianças ficariam fortes. Nas embalagens de vidro vinham carros, aviões e um monte de outras coisas. E o Toddy ainda patrocinava programas de muito sucesso, como “Patrulheiros Toddy”, no começo dos anos 60.

A série era “Tales of the Texas Rangers” e exibida na TV americana entre 1955 e 1958.  Aqui, a série virou uma febre e, aproveitando-se do momento, o patrocinador passou a promover o sorteio de um uniforme completo de Patrulheiro Toddy. Basta para isso enviar o rótulo da embalagem de Toddy com nome, endereços, etc. E já viu, o sonho de todo moleque em 1961 era ganhar esse uniforme!

O programa era apresentado na TV por Dary Reis, cercado por moleques todos de uniforme. Que inveja a gente tinha dessas crianças!

A molecada consumia Toddy feito doida, porque também vinham índios de plástico dentro do frasco, em outra promoção! Essa foi em 1967, se não me engano:

Em cada vidro vinha uma figura plástica de índio. Eram doze modelos diferentes pra colecionar. Quem completasse os doze, levava até um posto de troca e recebia um brinquedo Forte Apache completo, ou um traje de cacique ou princesa da tribo. Os índios não eram inutilizados; eles eram devolvidos para as crianças apenas com uma marca para que não pudessem ser trocados de novo.

Gibis no sabão em pó Rinso

O sabão em pó Rinso foi o primeiro a ser fabricado no Brasil, em 1953, pela Unilever. Era o dono do famoso slogan “Rinso lava mais branco”, e já não é mais fabricado, tendo sido substituído pelo OMO. Mas ele lançou uma promoção muito interessante em 1971: uma coleção de 4 revistas de quadrinhos Disney, produzidas pela Abril. As revistas vinham embaladas em um plástico coladas no verso da caixa do sabão, e dava pra ver a revista antes de comprar o produto, evitando de comprar repetida.

Se você se lembrar de mais um desses brindes geniais, e que marcaram época, que tal me dar um toque? Posso preparar outro post com essas indicações!

 

 

 

 

 

Fonte:

vejasp.abril.com.br

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10 invenções que a ficção científica inventou

Imaginada em: 1865, no livro De La Terre à la Lune, de Júlio Verne.
Realizada em: 1968, astronautas orbitam a Lua; 1969, astronautas na Lua.

Na história bolada por Verne, 3 sujeitos se lançam à Lua em uma espaçonave disparada por um canhão de 275 metros. Quase 100 anos antes de Yuri Gagarin se tornar o primeiro homem a sair da Terra, Verne se aproximou da realidade. O francês também acertou o número de tripulantes, previu a falta de peso no espaço, as dimensões da cabine e a base de lançamento – Flórida, pela proximidade do Equador, onde a Terra gira mais rápido. Finalmente, propôs que, na volta, a nave pousasse na água. Mas errou feio na maneira de pôr a nave em órbita, certo? Nem tanto: cientistas querem criar um canhão semelhante ao do livro para lançar cargas rumo à Estação Espacial Internacional.

Porta automática
Imaginada em: 1899, no livro When the Sleeper Wakes, de H.G. Wells.
Realizada em: 1954.

No livro, um cara entra em coma em 1897 e acorda em 2100, encantado com as novidades tecnológicas. Entre elas, uma estreia na literatura: portas que se abrem quando alguém se aproxima e se fecham quando a pessoa se afasta. No mundo real, elas surgiram muito antes, na ventosa cidade de Corpus Christi, no Texas, onde portas viviam batendo e quebrando. Para sanar esse problema, um dupla de vidraceiros locais inventou um sistema de portas acionadas por um sistema sob tapetes. Patenteadas em 1954, chegaram ao mercado em 1960.

Robôs


Imaginados em: 1921, na peça Robôs Universais de Rossum, de Karel Capek.
Realizados em: 1961, linhas de produção da GM.

A peça checa é célebre por criar o termo “robô” (de robota, “trabalho forçado” em checo) para nomear homens-máquina. Já a “robótica” veio em 1941, com Isaac Asimov, que foi fundo no assunto, criando leis e prevendo conflitos éticos da convivência entre a inteligência natural e a artificial. Essas máquinas feitas à semelhança do ser humano, androides, ainda não existem. Mas, de maneira geral, considera-se que o Unimate, uma máquina criada em 1961 e utilizada na GM para lidar com placas quentes de metal, tenha sido o primeiro robô como os imaginamos hoje.

Bomba atômica


Imaginada em: 1895, no livro The Crack of Doom, de Robert Cromie.
Realizada em: 1945, primeira explosão em teste nos EUA.

Apenas dois anos depois da descoberta do elétron, o autor irlandês imaginou uma bomba capaz de libertar a energia que mantém unidos os átomos de uma molécula e que “levantaria 100 mil toneladas a quase 2 milhas de altura”. A ideia de uma arma superpotente é tão clichê quanto um vilão de Austin Powers, mas o método descrito por Cromie era bastante lógico e curiosamente parecido com as bombas que seriam criadas 50 anos depois, que libertam a energia contida dentro dos próprios átomos. No entanto, a busca por uma bomba atômica foi uma evolução natural diante do avanço científico da época, especialmente diante da realidade da 2ª Guerra Mundial. Se o Projeto Manhattan envolveu cientistas responsáveis pela descoberta da física quântica, Cromie falava ainda na “energia etérea” presa nos elementos da Terra.

Satélite


Imaginado em: 1945, no artigo Extra-Terrestrial Relays, de Arthur C. Clarke.
Realizado em: 1963.

Em um artigo publicado pela revista Wireless World, em outubro de 1945, Arthur C. Clarke descreveu um conceito onde 3 estações espaciais realizariam uma órbita geoestacionária (onde um objeto parece parado no céu, em relação à Terra). Assim, seria possível enviar sinais de rádio, telefone ou televisão, por exemplo, de qualquer lugar do mundo para outro. Isso só foi possível 6 anos depois do Sputnik, quando o Symcom 2 foi lançado pela Nasa para ser usado em telefonia de longa distância. Hoje, mais de 300 satélites geoestacionários orbitam a Terra – eles ficam a 36 mil km de altura, enquanto os outros geralmente estão a algumas centenas de quilômetros. O autor de 2001 – Uma Odisseia no Espaço acabou sendo reconhecido: hoje, a órbita geoestacionária é também conhecida por órbita Clarke, bem como a pequena faixa de espaço sobre o Equador onde é possível manter tal órbita é chamada de cinturão Clarke.

Urna eletrônica
Imaginada em: 1975, no livro The Shockwave Rider, de John Brunner.
Realizada em: 1996, Brasil e EUA.

Na realidade imaginada por Brunner, as informações de todos os cidadãos estão em uma rede governamental manipulada pelos poderosos. Eis que um hacker cria um programa que disponibiliza todas as informações secretas do governo para quem quiser acessá-las. O último ato do programa é criar um plebiscito nacional, com votos através dos telefones, em que a população deve decidir se o sistema será mantido – o final a gente não conta. O curioso é que a votação é criada por um hacker, enquanto na vida real eles são justamente os caras mais temidos desde que as máquinas de votação direta surgiram na década de 1990.

Home Theater


Imaginado em: 1953, no livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.
Realizado em: anos 90.

Em sua obra mais popular, Bradbury imagina os EUA dos anos 90 como uma sociedade hedonista e anti-intelectual, onde os livros estão proibidos e são queimados se descobertos por bombeiros. Nesse mundo, todo trabalhador sonha em comprar sua “televisão de parede”, uma sala com projeções 3D e um sistema de som multicanal, onde as pessoas se sentem imersas na transmissão de espetáculos musicais ou competições que testam seu conhecimento sobre cultura popular, e onde os atores de suas séries preferidas são chamados de família. Hoje, essa descrição parece apenas um pequeno exagero – inclusive, alguns diriam, no que trata da qualidade da programação e da relação das pessoas com personagens fictícios. Porém, quando Fahrenheit foi lançado, em 1953, a televisão colorida havia sido lançada nos EUA fazia apenas 3 anos e ainda era extremamente cara. Tecnologias como o laserdisc e sistemas de som multicanal, que iriam tornar possível os home theaters, só surgiram na década de 1980.

iPad
Imaginado em: 1966, série Jornada nas Estrelas.
Realizado em: 2010, pela Apple.

Os tablets podem ser vistos em vários filmes e séries de ficção científica, geralmente na mão de engenheiros ou cientistas. A antiga aparição dessa engenhoca é na série original de Jornada nas Estrelas, de 1966. No livro 2001, escrito por Arthur C. Clarke em 1968, baseado no script que escreveu para o filme de Stanley Kubrick, o protagonista utiliza algo chamado Newspad, um computador usado basicamente para exibir conteúdo como jornais, atualizados automaticamente, durante uma viagem. Protótipos de tablets existem desde a década de 1990, mas o mundo certamente vai relacionar seu surgimento com o lançamento do iPad, da Apple, em fevereiro deste ano.

Internet
Imaginada em: 1984, no livro Neuromancer, de William Gibson.
Realizada em: anos 90

O “ciberespaço” descrito em Neuromancer lembra mais o mundo do filme Matrix – as pessoas se conectam fisicamente à rede de computadores, numa imersão completa – ser pego hackeando bancos de dados do governo e de empresas pode resultar em dor ou mesmo morte. Mas a visão de uma rede mundial de computadores e bancos de dados conectados entre si, à disposição de qualquer pessoa, era absolutamente inovadora em uma época onde computadores pessoais ainda eram um luxo. Ainda que o livro de Gibson não estivesse na cabeça de Tim-Berners Lee em 1989, quando este propôs a criação do serviço de hipertextos que viria a se tornar a web, a importância da obra na maneira como ela se desenvolveu é unânime. Quando a web começou a surgir, no início da década de 1990, as interações e oportunidades possibilitadas pelo “ciberespaço” de Gibson passaram a ser não só uma incrível previsão mas um objetivo a ser alcançado, servindo como plano de desenvolvimento para a tecnologia.

Colchão D`água

Imaginado em: 1961, no livro Stranger in a Strange Land, de Robert Heinlein.
Realizado em: 1968.

Em 1968, quando o estudante de design Charles Hall tentou patentear um colchão preenchido com água – já havia tentado versões com maisena e gelatina -, enfrentou problemas. Motivo: a tal “cama d’água” já havia sido descrita em um livro de Robert Heinlein, em que um garoto nascido e criado em Marte usa uma “cama hidráulica” para se adaptar à pressão atmosférica e à gravidade terrestres. O inventor teve a patente negada por causa da ficção.

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Superinteressante, por Solon Brochado

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Por que o mar se retrai antes da chegada de um furacão?

8.set.2017 – Navio encalha em Miami Beach, na Flórida, com a secagem das águas do mar causada pela chegada do furacão Irma…

Quando o furacão Irma, o mais poderoso da década no Atlântico, ainda se aproximava da costa da Flórida, a ventania se intensificava, a chuva começava a cair quando, de repente, o mar começou a se retrair. Aos poucos, a água foi sendo sugada, recuando e se afastando das costas e praias. Deixou um rastro de algas, pedras, troncos, ouriços do mar e caramujos.

Barcos, que antes boiavam à beira mar, ficaram afundados na areia. Essas cenas foram vistas várias vezes à medida que o furacão avançava para os EUA – e imagens pipocaram durante todo o fim de semana nas redes sociais.

As primeiras foram registradas nas Bahamas e, depois, nas costas de Key West, Naples, St. Petersburg, Sarasota e Tampa, cidades no oeste da Flórida. E por que o mar recuou se o um ciclone estava se aproximando? Não seria o caso de a maré subir, provocar ondas e inundar tudo?

“Nem sempre isso acontece. Depende da força e da direção dos ventos do furacão”, explica Juan Carlos Cárdenas, meteorologista do Centro Mundial de Prognósticos do The Weather Company, empresa de previsão e tecnologia de clima e tempo.

O fenômeno deixou muita gente surpresa e causou intensa discussão nas redes sociais.

“Foi muito estranho porque tinha muito vento, mas, ao invés de ter ondas, o mar foi embora. Foi algo estranhíssimo”, contou Sandra Padrón, moradora de Naples. Ela disse que teve medo. “O mar recuou muito na manhã (de domingo). Pensei que era anúncio de algo ruim.”

O que o vento leva

Centenas de moradores aproveitaram o recuo para tirar selfies e conferir o solo do mar.

Cárdenas diz que o mesmo aconteceu nas Bahamas. “Algumas das ilhas do arquipélago são de sotavento (as que se encontram na direção na qual o vento se move) e, por isso, explica porque o mar também tenha recuado”, completa o especialista. Quando Irma provocou esse fenômeno nas costas da Flórida, ele já havia enfraquecido, chegando às categorias 3 e 4. Ele havia passado pelo Caribe na mais elevada potência, a categoria 5, provocando ventos de cerca de 298 km/h.

 

Por que então o Irma não provocou fenômeno similar nas praias de outras ilhas caribenhas?

Profundidade das águas

Cárdenas explica que, além da força e da direção do vento, um fator a ser levado em consideração é a profundidade do mar. “Antes, o Irma se moveu por zonas do Atlântico onde a profundidade do mar é muito grande. Então, o vento arrasta a água, mas, como ali é muito profundo, a água afunda e volta em direção à costa. Não há recuo”.

No entanto, o meteorologista explica que, perto da plataforma continental, a profundidade do oceano é menor. Por isso, a água não pode afundar e voltar para a costa, e o mar acaba seguindo a mesma direção do vento.

“É algo que pode acontecer no sul da região ocidental de Cuba e na costa oesta da Flórida, porque há muito espaço para o mar recuar e pouca profundidade”, argumenta.

No caso de furacões fortes, como o Irma, esse fenômeno pode produzir um efeito no qual as ondas geradas podem afetar outras áreas do Golfo do México. Mas esse recuo do mar, segundo o especialista, não é definitivo. Os mesmos ventos fortes que levaram as águas vão trazê-las de volta e, possivelmente, com mais força.

O mar foi “dragado” no oeste da Flórida e nas Bahamas, onde a profundidade do mar é menor.

O que vai, volta

O meteorologista explica que, pelo próprio movimento dos ventos do furacão, há mudanças na rota do deslocamento. É possível até que, ao trocar de direção, um furacão volte pelo caminho inverso.

“Então, quando o vento retorna ao sudoeste, o mesmo acontecerá, mas na direção oposta, é o que chamamos de inundação costeira de furacões. Ouvimos informações de que, no domingo, houve lugares no sul da Flórida onde a água subiu a 15 pés (4,5 metros)”, diz o especialista.

 

Pressão no olho do furacão

O meteorologista da BBC Clive Mills-Hicks explica que “a força dos ventos não apenas cria ondas gigantescas, como também empurra e puxa a superfície do oceano em escala regional, elevando o nível do mar em algumas áreas e, inevitavelmente, sugando ele de outras áreas, que é o que aconteceu nas Bahamas”.

Segundo Mills-Hicks, um segundo fator a ser considerado é a pressão atmosférica no centro do furacão, que, no caso do Irma, é muito baixa. “O peso do ar fazendo pressão sobre a água é reduzido, o que permite elevar o nível da água no olho do furacão. Mas, áreas adjacentes verão uma queda no seu nível à medida que a água é puxada para cima, no olho do furacão.”

O fenômeno também ocorre com a chegada de tsunamis, quando a água de uma praia é puxada para dentro do mar para alimentar a onda – causando a redução do nível do mar.

 

 

 

 

 

 

Fonte:

BBC

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O primeiro submarino da História a afundar um navio de guerra

O Hunley, submarino dos Estados Confederados da América, foi o primeiro na história a afundar um navio de guerra inimigo, o USS Housatonic, dos Estados Unidos da América, na noite de 17 de fevereiro de 1864. Ou seja, seis anos antes de Júlio Verne descrever seu fenomenal “Nautilus” no livro 20.000 Léguas Submarinas.

Mas, como é mesmo essa história? Vamos lá…

Durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), os estados do norte, que defendiam a união do país, bloquearam as costas do sul confederado, que lutava pela secessão dos estados escravocratas. Para fazer frente ao poderio da marinha da União, os confederados construíram o primeiro submarino que teve de fato um uso prático, o Hunley, pequeno e movido a manivelas acionadas por sete marinheiros.

Outra inovação dos confederados foi produzir um navio encouraçado, o CSS Virgínia, que destruiu dois navios da União, antes de ser contido no dia seguinte pelo revolucionário USS Monitor, também encouraçado e dotado de uma torre de canhões giratória. Os dois navios fizeram o primeiro combate naval da história entre navios couraçados.

Tanto o Hunley como o Monitor afundaram durante a guerra. Foram redescobertos e resgatados depois de mais de um século no fundo do mar. O trabalho de conservação e pesquisa arqueológica das duas embarcações históricas já leva mais de uma década, e ajudou a criar técnicas que estão sendo usadas em vários outros artefatos históricos em todo o mundo.

SUBMARINO HUNLEY

O submarino Hunley, batizado com o nome do seu inventor, Horace Lawson Hunley, foi desenvolvido no auge da Guerra Civil na cidade de Mobile, no estado do Alabama, sendo transportado por via férrea para a cidade de Charleston. Quando da chegada do Hunley a Charleston, seu porto encontrava-se bloqueado por 2 navios da União, o USS Housatonic e o USS Canandaigua, para impedir que navios mercantes abastecessem a cidade. Foi nesse contexto que o Hunley foi construído, para destruir os navios da União, pondo fim ao bloqueio naval.

A bordo dos navios da União, corriam rumores sobre uma “máquina infernal” que tinha sido desenvolvida pelos confederados, mas não se sabia ao certo que máquina era, apenas que podia deslizar silenciosamente pela água e aproximar-se de um navio sem ser notada, e afundá-lo.

Era isso mesmo que os confederados tinham em mente.

Com 12 metros de comprimento, um peso avaliado em 7.5 toneladas, movido à força de braços por meio de uma manivela acionada por 7 homens ligada a uma hélice de ferro forjado, o Hunley mostrou ser um submarino muito capaz, mas ao mesmo tempo muito perigoso também. Antes sequer de largar para o mar para atacar o USS Housatonic, o Hunley afundou por 2 vezes, afogando o seu próprio inventor, e mais outras 12 vitimas.

Com isso, os confederados perderam o interesse no submarino. Um oficial declarou até que: “Ele é mais perigoso para nós que para eles“.

Foi então que se deu uma reviravolta.

O tenente George L. Dixon, e 7 marinheiros, demonstraram interesse em usar o Hunley, mesmo sabendo de sua má fama. O tenente Dixon fez uma série de inspeções no submarino, nas quais identificou o que poderia ter causado os afundamentos, e ordenou alguns reparos. Depois de corrigirem esses problemas, Dixon e sua tripulação começaram a testar a embarcação.  O tenente levou o submarino ao limite, testando-o exaustivamente, calculando em “X” tempo, que distância o submarino percorria, quanto tempo podiam permanecer submersos até que os niveis de oxigênio os obrigassem a regressar à superfície e renovar o ar. Dixon calculou que podiam permanecer submersos cerca de 30 minutos.

No final dos testes, esses homens estavam dispostos a mostrar ao Almirantado que o submarino Hunley, em mãos experientes, poderia ser uma arma mortífera e extremamente eficaz. Afundando o USS Housatonic, que ocupava uma boa posição na baía, daria tempo para que alguns navios de mercadorias passassem pela “entrada desprotegida” providenciada pelo Hunley.

No dia 17 de fevereiro de 1864, às 20:45, Dixon e a sua tripulação entram a bordo do pequeno submarino e começam a sua jornada, a caminho da posição ocupada pelo Housatonic. Segundo o plano de ataque, ele pretendia submergir o Hunley quando estivessem a 1.2 km de distância do navio inimigo. Seu armamento consistia de um torpedo. Na terminologia do conflito, torpedo designava um explosivo instalado na ponta de um arpão, que era direcionado e preso ao casco da embarcação inimiga, e depois detonado por espoleta.

Segundo o relato de um sobrevivente do navio, o ataque foi assim:

Cantávamos o Hino americano, quando de súbito, sem que nada o previsse, ouviu-se o apito do vigia, paramos de cantar e fomos para o lado bombordo do convés. O que eu e os meus amigos marinheiros vimos, deixou-nos sem um pingo de sangue. Acabara de aparecer à superfície um objeto cilíndrico que se encaminhava na nossa direção, não dava para perceber o que era, a luz fraca não permitia que se visse bem, mas então, 2 tubos ergueram-se desse objeto, e percebemos que o que quer que fosse, fora construído pelo homem, e que as intenções dele não eram as melhores.

O capitão Pickering de imediato ordenou que se abrisse fogo sobre esse objeto, que, a cerca de 30 metros de nós, emitia fracos clarões de luz vindos do seu interior. Dada a proximidade a que se encontrava, não nos foi possível abrir fogo com as peças principais, sendo obrigados a abrir fogo com os mosquetes e revólveres. Do meio da confusão dos disparos, o capitão Pickering ordenou que os motores fossem de imediato postos em marcha à ré. Eu estava na amurada, disparando o meu mosquete naquele objeto, que se encontrava a 2 metros do nosso casco, quando de súbito parou. Ouviram-se gritos no interior da máquina atacante, e vi que tinha por cima pequenas vigias, e foi para lá que tentei apontar, na esperança de atingir algum dos homens no seu interior.

Então 2 tripulantes do meu navio gritaram, apontando para baixo, e vimos uma barra de ferro, que ia da máquina atacante até o nosso casco. Enquanto continuávamos a abrir fogo, a máquina começou a recuar lentamente. Não me parecia que as balas estivessem tendo qualquer efeito naquela máquina, mas não havia mais nada que pudéssemos fazer. Então, quando a máquina recuou a cerca de 40 metros, ouviu-se uma explosão debaixo d’água, todo o Housatonic tremeu sob nossos pés, a água lançada ao ar caiu sobre o convés, e nem um minuto após a explosão sentimos o convés inclinar-se, e percebemos de imediato que o navia ia afundar.

O capitão Pickering deu ordem de abandonar navio, e de imediato os botes foram lançados para dentro de água, e muitos lançaram-se ao mar. Eu fui um dos muitos que se lançou à agua, na tentativa de escapar. A água estava gelada, e fui resgatado para dentro de um bote. Nunca mais vi essa máquina que nos atacou. O Housatonic inclinou-se para trás, a proa surgiu nas águas, e nem 4 minutos após a explosão todo o magnífico navio desapareceu nas águas…

Pouco se sabe em relação ao que aconteceu a bordo do Hunley após a explosão. apenas que o submarino fez o sinal combinado, com uma lanterna de magnésio, confirmando o afundamento do Housatonic, e que os navios de abastecimento deviam agora encaminhar-se depressa para o porto de Charleston. Em terra, esperou-se pacientemente o regresso do submarino, mas ele nunca voltou.

O Hunley foi encontrado 136 anos depois, no dia 8 de agosto de 2000, enterrado sob 2 metros e meio de areia e lodo, que o conservou para a posteridade, além das ossadas do tenente Dixon e dos seus 7 tripulantes.

Os restos do Hunley.

Muita especulação há em torno do que aconteceu para o Hunley não ter regressado. Em geral, as teorias aceitas são:

  • A força da explosão da bomba, cravada no casco do Housatonic, pode ter danificado os componentes do submarino, a ponto de deixá-lo fora de operação;
  • Com o esforço realizado pela tripulação no sentido de movimentá-lo, os níveis de dióxido de carbono podem ter aumentado a níveis que fizeram os tripulantes desmaiarem, fato muito provável de ter acontecido, pois, quando do resgate da nave, as ossadas dos tripulantes encontravam-se tombadas sobre a manivela, o que é consistente com a teoria de terem desmaiado;
  • Outra hipótese é a de que, na explosão, o casco tenha ficado danificado a ponto de permitir a entrada de água, mas ainda deu tempo para a tripulação fazer o sinal de confirmação;
  • Uma inundação repentina, pela falha dos tanques de lastro, por exemplo, que fizesse com que o Hunley mergulhasse a pique, afogando os seus tripulantes.
Interior do pequeno submarino.

Quando do resgate da carcaça, não houve dúvida quanto à identificação do comandante, o tenente Dixon. Além de estar na posição esperada perto da escotilha na proa, foi achada uma relíquia especialíssima. Dixon tinha um talismã, uma moeda de ouro de vinte dólares que salvou sua vida durante a batalha de Shiloh ao ser atingida por uma bala inimiga.

Quanto ao USS Monitor, mencionado acima, vale lembrar que os estados americanos da “União”, ao norte do país, tinham maior potencial industrial que os da “Confederação” ao sul; logo puderam rapidamente criar uma brilhante resposta tecnológica ao desafio dos sulistas. O inovador couraçado USS Monitor acabou tendo uma carreira curta como a do pequeno submarino confederado, e um destino parecido. Afundou, demorou a ser achado, e parte dele foi resgatado e passa por um lento e longo processo de conservação e pesquisa.

Ele foi construído em Brooklyn, Nova York, em 1862. O USS Monitor foi o primeiro navio couraçado com ferro da marinha americana. França e Reino Unido construíram couraçados antes. Mas o Monitor, ao atacar o confederado CSS Virgínia na manhã de 9 de março de 1862 em Hampton Roads, iniciou o primeiro combate naval da história entre dois navios encouraçados. Curiosamente, mesmo depois de quatro horas de combate, nenhum navio sofreu danos sérios, mostrando que na época a couraça conseguia derrotar os canhões inimigos.

O CSS Virgínia era um navio de guerra improvisado, mas letal. Os confederados usaram o casco e o motor de um navio nortista abandonado. Fizeram uma casamata de madeira reforçada por ferro, com canhões nos bordos. Já o USS Monitor tinha uma bem mais eficaz torre giratória com dois canhões.

Voltando ao submarino, em 1999 foi lançado um telefilme chamado  The Hunley (Guerra Submarina), que conta a história do CSS Hunley e sua tripulação. Muito bem realizado, é estrelado por Armand Assante no papel do tenente Dixon. Vale muito a pena buscá-lo para assistir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Grandes cenas que não estavam nos roteiros

O grande Jack Nicholson

Ao contrário de outras expressões artísticas, como o teatro e a música, o cinema não costuma dar muito espaço para improvisações. Uma ou outra frase pode até ser dita de maneira diferente ou excluída pelo ator na hora da gravação, mas as cenas seguem um caminho bem definido, pautado pelo roteiro e pelas indicações prévias do diretor. Se assim não fosse, imagine quanto tempo levaria um filme para ser gravado, com as improvisações de astros como Jim Carrey ou o falecido e genial Robin Williams (conhecido como o “rei do improviso”)?

Mas…

Há quem ouse desafiar o que estava definido e, no meio da filmagem, partir para algo diferente ou propor outra solução. Se a mudança for genial, segue para a posteridade. Se não for, paciência, grava-se novamente e adeus ao improviso. O repórter Jeremy Singer, do Business Insider, faz uma lista de 10 grandes cenas que não estavam no roteiro, e escolhi cinco delas para mostrar. Se quiser ler o artigo na íntegra, está (em inglês) aqui.

“Heres Johnny!” – O Iluminado (The Shining,1980)

A imagem de Jack Nicholson com a cara enfiada no meio da porta e gritando “Heeeeere’s Johnny” se tornou uma das cenas mais lembradas do clássico do terror de Stanley Kubrick. A frase “Here’s Johnny” foi improvisada por Nicholson — ela era usada como frase de efeito pelo comediante Johnny Carson em um programa de televisão da década de 1950. Ponto para Jack, que colocou a frase na boca de toda uma nova geração.

A infância do soldado Ryan – O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, 1998)

O drama de Steven Spielberg é o filme de guerra preferido de muita gente, não à toa. A cena inicial, com a chegada dos soldados americanos à Normandia, entrou para a história do cinema. Evidentemente, nada dela poderia ter sido improvisado, e uma das sequências mais marcantes de todo o filme o foi: ocorre quando os personagens de Tom Hanks e Matt Damon aproveitam uma pausa nos combates para compartilhar histórias de suas vidas como civis, junto da família. O monólogo do soldado Ryan, quando  ele conta uma anedota sobre seu irmão e uma garota, surgiu diretamente da cabeça do ator, que ainda nos brinda com uma atuação inspirada. Prova de que Damon é mesmo uma celebridade acima da média.

“Are You Talkin to Me?” – Taxi Driver (1976)

Esta é a minha cena favorita de todas… Na pele do desajustado Travis Bickle, Robert De Niro olha para o espelho e começa a soltar frases de efeito, como se estivesse desafiando alguém. Ele pergunta: “Você está falando comigo?”. E, em seguida, aponta a arma escondida na manga do casaco. Um show de improvisação de De Niro em uma cena que ficou marcada na história do cinema — e certamente já foi repetida na frente do espelho por uma infinidade de atores e… cinéfilos, como eu, eh eh eh! Segundo o Business Insider, o roteiro de Paul Schrader apenas sinalizava que o personagem falava consigo mesmo no espelho. Aí, o genial ator decidiu aprofundar a cena como uma mostra do estado cada vez mais caótico da personalidade do taxista.

“Take the cannoli” – O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972)

Claro que o épico de Francis Ford Coppola, O Poderoso Chefão, teria numerosas frases clássicas e cenas antológicas, e esta é apenas uma delas… Mas o curioso é que uma das frases mais marcantes não estava no script. Durante uma saída básica para dar cabo de um desafeto, o mafioso Peter Clemenza recebe a incumbência de sua esposa de levar pra casa o cannoli, tradicional sobremesa siciliana. Segundo o roteiro original, após matar o traidor Paulie, Clemenza apenas diria para o capanga que o acompanhava para deixar a arma no local. O ator Richard Castellano, porém, não perdeu a oportunidade de fazer uma graça e acrescentou uma frase à ordem, um tanto quanto inusitada para a situação. Daí nasceu o “leave the gun, take the cannoli”.

Indiana contra o espadachim – Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark)

Acho que esta cena improvisada é a mais conhecida de todas. Segundo o roteiro, Indiana Jones deveria se envolver em uma perigosa luta com o espadachim, utilizando seu chicote. O pobre ator que “lutaria” com Harrison Ford ficou ensaiando as manobras com a espada por semanas, coreografando todos os movimentos. Ele só não contava que uma indisposição estomacal acabasse atacando o astro na noite anterior, situação que o deixou com pouca paciência e disposição para rodar a cena. Pouco antes da gravação, Harrison Ford consultou o diretor Steven Spielberg e sugeriu o que acabou se tornando uma das cenas mais divertidas do filme: Indiana ignora as acrobacias do espadachim e o despacha com um único tiro.

 

Há muitas outras, como a do Heath Ledger como Coringa explodindo o hospital em O Cavaleiro das Trevas, ou Bill Murray em Tootsie, ou ainda Martin Sheen socando o espelho em Apocalypse Now, do Coppola.  E até Woody Allen, que nunca permitiu improvisações em seus filmes, espalhando 2.000 dólares de cocaína com um espirro em Noivo Neurótica, Noiva Nervosa. Talvez eu prepare uma continuação desta postagem, para mostrar essas e outras cenas antológicas… e improvisadas!

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

  • Rafael Waltrick, gazetadopovo.com.br