MOMENTOS BIZARROS DE JAMES BOND

O mais recente filme de 007, “Spectre’, não tem conquistado críticas muito boas. Eu mesmo, fã confesso do personagem e tendo assistido todos os 23 filmes anteriores, e mais de uma vez, não gostei.

Comentei com outras pessoas o que achei do filme e minha opinião é a mesma de Pierce Brosnan, o ator que interpretou James Bond antes do atual dono da cadeira, Daniel Craig:

“Eu estava querendo muito ver”, Brosnan declarou ao site Hitfix. “Eu achei muito longo. A história é meio fraca — poderia ter sido condensada. Ele meio que durou tempo demais.”

Brosnan — que interpretou Bond ao longo de sete anos, começando por 007 Contra GoldenEye (1995) e terminando em 007 – Um Novo Dia para Morrer (2002) — foi além nas críticas sinceras: “[Spectre] não é nem peixe nem carne. Não é nem [um filme de James] Bond nem [de Jason] Bourne. Estou vendo um filme de Bond? Ou não é um filme de Bond?”

Há muitas cenas bizarras, algumas dignas do Agente 86 ou do Austin Powers, mas Daniel Craig não foi o único Bond a ter seus maus momentos. James Bond, na pele de outros atores, protagonizou momentos muito sem noção. Confira alguns deles:

Em “Viva e Deixe Morrer”, de 1973 – com música-tema de Paul McCartney – temos Roger Moore como 007. Ele foi o James Bond que mais protagonizou situações absurdas. Uma delas é quando  pula por cima de vários crocodilos para fugir de um lago infestado pelas feras.

Em “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro” (1974), um dos piores filmes de toda a franquia,  Roger Moore  tem uma cena que, em si, não tem nada de absurdo. O incrível salto de carro foi feito por um dublê, mas os realizadores não estavam satisfeitos só com isso. Então, adicionaram um efeito sonoro na pós-produção que deixou o filme com cara de Trapalhões. Ridículo.

No seu último filme como 007, “Na Mira dos Assassinos”, de 1985 – com uma ótima música-tema do Duran Duran – Roger Moore quase levou o James Bond ao nível Didi Mocó. Ele amarra um dirigível em uma ponte com uma corda, persegue um bandido na Torre Eiffel e nesta cena (pena que tem uma imagem ruim), vai para a parte de trás de um caminhão de bombeiros durante uma fuga sem motivo nenhum…

Quando Roger Moore foi substituído pelo ator de teatro Timothy Dalton, todos esperavam que ele trouxesse um ar mais realista ao espião (se bem que não se pode levar a sério um agente secreto que declara seu nome, certo? “Meu nome é Bond, James Bond”). Mas, logo no primeiro filme que ele fez, “007 Marcado para Morrer”, de 1987, surgiu essa cena bizarra em que James Bond está fugindo de agentes do mal, e resolve usar a caixa de um violoncelo como se fosse um trenó e fugir de seus perseguidores com estilo…

Em seu segundo e último filme na pele de Bond, “007 Permissão para Matar” (1989), Timothy Dalton ensina como fazer uma entrada triunfal em um casamento logo depois de capturar um perigoso traficante.

Para encerrar, uma das cenas mais bizarras do último filme de Pierce Brosnan como  agente secreto, “007 Um Novo Dia para Morrer”, de 2002. Com uma trama confusa e muito criticada, o filme apresentava absurdos de desenho-animado, como um carro invisível movido a controle remoto, um vilão coreano que se disfarça de ocidental, e a cena acima, em que 007 surfa em um tsunami…

Humm… Depois de rever esses momentos de outros filmes da série, até que “Spectre” não é tão ruim quanto pensei…

 

 

 

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O agente da U.N.C.L.E.

A Guerra Fria foi um dos momentos dramáticos da história moderna, e é como os historiadores chamam o período entre o final da Segunda Guerra e o começo da década de 1990. Foi durante esses anos que os Estados Unidos e a União Soviética disputavam a hegemonia política, econômica e militar no mundo. A União Soviética possuía um sistema socialista, baseado na economia planificada, partido único (Partido Comunista), igualdade social e falta de democracia. Já os Estados Unidos, a outra potência mundial, defendia a expansão do sistema capitalista, baseado na economia de mercado, sistema democrático e propriedade privada. Na segunda metade da década de 1940 até 1989, estas duas potências tentaram implantar em outros países os seus sistemas políticos e econômicos.

A definição para a expressão “guerra fria” é a de um conflito que aconteceu apenas no campo ideológico, não ocorrendo um embate militar declarado e direto entre as duas potências, até porque um conflito armado direto significaria o fim dos dois países e, provavelmente, da vida no planeta Terra. Porém ambos acabaram alimentando conflitos em outros países como, por exemplo, na Coreia e no Vietnã.

O cinema, a literatura e a TV se aproveitaram desse clima antagônico e complicado para produzir obras que ficaram no imaginário popular, e o personagem que melhor representa a Guerra Fria é o agente secreto. O escritor Ian Fleming criou o estereótipo do agente secreto moderno: bonito, charmoso, cercado de mulheres e impiedoso com os inimigos. Seus livros estrelados por James Bond, o 007, foram lançados na segunda metade da década de 1950, mas só quando foram levados ao cinema na década seguinte é que de fato o personagem ficou famoso.

O sucesso de 007 gerou uma série de imitações, mas houve uma que foi a mais sucedida de todas – e não à toa, porque foi criada pelo “pai” de James Bond como sendo uma versão do agente britânico para a telinha. Ian Fleming foi chamado pela MGM para ajudar em uma série de TV logo após a “bondmania” tomar conta do mundo, entre 1962 e 1963, no rastro dos primeiros filmes com Sean Connery. E Fleming criou o agente Napoleon Solo: charmoso, sofisticado, eficiente e com uma queda pelas belas mulheres. Nenhuma diferença entre ele e 007…

Mas Fleming não pôde permanecer no projeto por conta das questões contratuais com os produtores dos filmes de James Bond. Por isso – e para evitar acusações de plágio… – a série foi reestruturada e foi criada então a agência de espionagem multinacional batizada de UNCLE (United Network Command for Law and Enforcement), cuja sede secreta ficava escondida por trás da lavanderia Del Floria’s, em Nova Iorque.

 Na concepção de Fleming, a série se chamaria Solo e o responsável pela ação seria apenas o agente Napoleon Solo (Robert Vaughn). Novamente, problemas com a produção dos filmes de James Bond barraram o título. Durante a recriação da série, veio a ideia de incluir um parceiro russo (coisa incomum na época da guerra fria!) e Solo então ganhou a companhia de Illya Kuryakin (David McCallum). Para surpresa de todos, o personagem russo ficou tão popular, especialmente entre as mulheres, que McCallum assumiu o mesmo status de estrela de Vaughn (hoje McCallum está no seriado NCIS).

No lado oposto ao dos defensores da paz mundial, havia a perversa e notória organização criminosa conhecida como Thrush, sempre disposta a dominar o mundo civilizado – o contraponto “uncleniano” à SMERSH das novelas e filmes de James Bond.

Nesse embate que durou 4 temporadas, agentes de ambas as organizações eram vistos passando por passagens secretas em locais inusitados, acionadas por botões escondidos, alavancas disfarçadas e paredes falsas. Tudo isso ao ritmo de socos, tiroteios e diálogos graciosamente inteligentes.

A série estreou em 1964 sem se tornar um grande sucesso, decolando apenas na segunda temporada, em 1965. No ano seguinte o estilo dos roteiros começou a mudar,  favorecendo textos mais divertidos por causa da série concorrente Batman, que estreou em janeiro de 1966. Ao chegar na quarta temporada, O Agente da UNCLE não resistiu à concorrência com Gunsmoke, sendo cancelada mesmo antes do final da temporada.

Veja abaixo a abertura da série, com a dublagem original:

E agora, Napoleon Solo volta num longa metragem com lançamento previsto para o segundo semestre de 2015.

“O Agente da U.N.C.L.E.” será dirigido por Guy Ritchie (Sherlock Holmes). A principal novidade é que a trama do filme será passada nos anos 1960, mesmo período da série original. Nos papéis principais, foram escalados Henry Cavill (O Homem de Aço) como Napoleon Solo  e Armie Hammer (Zorro e Tonto ou sei lá como se chamou esse filme horrível com Johnny Depp) como Illya Kuryakin.

E o chefe da Inteligência Britânica será interpretado pelo bom e velho Hugh Grant:

O vilão será Jared Harris, acostumado a papéis de personagens dúbios como em Fringe e Mad Man, ou como o vilão do Sherlock Holmes 2, prof. Moriarty.

Há rumores ainda da presença de David Beckham numa ponta…

Não sei se a escolha para o ator do papel de Napoleon Solo foi a melhor, mas sei que foi ótimo Tom Cruise desistir do projeto por conta de suas outras produções. Nada contra ele, claro – de quem gosto muito -, mas acho que seria inevitável todo mundo comparar O Agente da Uncle com Missão Impossível, estrelado por Cruise.

Fontes:

Veja

Wikipedia

http://pipocamoderna.virgula.uol.com.br/

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