O xá da Pérsia e seu harém de 100 mulheres

Harém significa o conjunto de mulheres de um casamento poligâmico. O harém tradicionalmente ficava aos cuidados de eunucos do sexo masculino, ou seja, um homem castrado pela mulher mais velha do sultão, ou xá, justamente para não se envolver com as mulheres de seu patrão. Em contrapartida, muitos eunucos desfrutavam de fama, dinheiro e poder.

Os xás (xá pode ser traduzido como rei ou imperador) da Pérsia (hoje Irã) possuíam harém e eunucos já no século VII a.C. E a poligamia requer posses, porque o marido tem de prover às necessidades de todas as esposas, filhos e agregados, bem como manter numerosa criadagem. Então, os xás mais poderosos tinham uma enorme harém e gastavam uma bela grana para manter todas essas esposas.

O amigo Gustavo Machado me deu a dica de um desses poderosos xás, Nasser al-Din Shah, que governou o Irã de 1848 até seu assassinato, em 1896, o mais longo reinado em 3000 anos de história do país, e foi o primeiro monarca iraniano a visitar a Europa.

O xá Nasser al-Din Shah.

Ele era apaixonado por fotografia desde criança e, quando assumiu o poder, decidiu criar em seu palácio o primeiro estúdio fotográfico oficial. Entre 1870 e 1880, em Teerã, o fotógrafo russo Anton Servryugin abriu as portas de seu estúdio e acabou se transformando assim no fotógrafo real do soberano iraniano.

Al-Din Shah Qajar e o fotógrafo oficial Sevryugin.

O russo tinha permissão para clicar o próprio xá, seus parentes do sexo masculino e os servos da corte. Mas Nasser al-Din Shah guardava para si o privilégio de retratar o seu harém (que, segundo registros históricos, contava com cerca de 100 mulheres).

O corpo robusto era um critério de beleza importante naquela época.

O próprio xá revelava as fotos em seu laboratório, e depois guardava as imagens em álbuns de papel acetinado no palácio de Golestan, que hoje foi transformado em um museu.

A incomparável Anis al-Doleh – a esposa preferida do xá (à direita na foto)

O interessante nas fotos dessas mulheres é que, pelas leis xiitas, não era permitido fotografar o rosto das pessoas, sobretudo de mulheres. Só a pessoa mais poderosa do país podia dar-se a esse luxo de desobedecer à lei.

Anis-Al-Doleh, a “alma gêmea do xá”.

As fotos também mostram uma vida confortável e harmoniosa no harém. Todas vestem roupas modernas para a época e parecem seguras de si mesmas, encarando a câmera despreocupadamente, sem parecer intimidadas.

Mais uma foto da querida Anis-Al-Doleh (sentada).

Nasser al-Din Shah com algumas mulheres do seu harém. As fotos provavelmente foram tiradas pelo fotógrafo russo, obviamente com autorização do xá.

É possível supor que as mulheres do harém mantinham uma relacionamento amistoso, pelo que pode se ver nas fotos do grupo em um dia de piquenique.

 

Outra conclusão que se pode tirar das fotos é em relação às preferências do xá: nenhuma das mulheres era magra, a maioria exibia sobrancelhas grossas e buço. Fica claro que essas mulheres não passavam fome e nem deviam fazer trabalhos físicos. Pesquisadores dizem que a coleção conta até com imagens, digamos, ousadas, mas essas estão bem escondidas.

As mulheres do harém não passavam fome.

Uma das jovens concubinas.

Algumas das damas do harém usando tutus de balé.

O que é real é que muitas mulheres do harém deixavam crescer o buço, já que era esse o padrão de beleza naquela região. Elas simplesmente queriam ficar bonitas para o xá.
Sempre pensei que as mulheres de um harém eram como na ilustração abaixo…
Giulio Rosati (nasceu em Roma em 1858 – morreu em Roma em 1917), foi um pintor orientalista do final do século XIX e início do século XX, e foi um dos artistas que trouxe para o Ocidente sua visão do Oriente, e que ajudou a criar essa imagem fictícia dos usos e costumes daquele região então remota.
Muitos dos pintores orientalistas viajaram  ao Norte da África e Ásia ocidental, no intuito de retratar os povos do oriente, considerados atrasados, selvagens e à margem da civilização, por serem diferentes dos ocidentais. Os povos orientais foram descritos de acordo com a visão ocidental e poucas vezes retratados conforme a realidade em que viviam, mas representados através de um ilusionismo fictício criado na imaginação de seus autores.
O Oriente era visto como o lugar que a Europa não podia ter, em contraste com todo o materialismo da cultura ocidental, o que deu origem a um modismo e aumentou o turismo na região, vendido como o lugar onde o homem da cidade poderia experimentar tudo aquilo que estivesse fora do seu contexto, onde as mulheres eram o símbolo da fertilidade, da fartura, e da disponibilidade, vivendo num oásis exótico, perfeito para o repouso e prazer do viajante.
Abaixo, a reprodução de algumas pinturas da escola orientalista.

 

 

 

 

 

Fontes:

Wikipedia

xubux.com

gazetadebeirute.com

Fotos geniais de objetos do cotidiano

Quando você mantém um olhar que enxerga além do óbvio, sem censura – como o das crianças – percebe que sua criatividade vai longe. Há quem consiga fazer isso como adultos, e as fotos abaixo, mostradas no site francês Daily Geek Show, comprova a afirmação.

São objetos do cotidiano capturados sob ângulos inovadores e muito bem-humorados. Confira.

 

 

 

 

 

Fonte:

playground-inovacao.com.br

 

O Rio de 1900 a 1930

Estamos vivendo neste momento as Olimpíadas do Rio de Janeiro, e as imagens da cidade moderna e vibrante estão estampadas pelo mundo inteiro. São mais de 6 milhões de habitantes recebendo outro milhão e meio de visitantes.

Mas houve um tempo, há um século, em que o Rio era a capital federal e tinha menos de 1/6 dessa população. Aquela cidade idílica, de ruas apertadas e sujas, passava por muitas mudanças urbanas e sociais que acabaram moldando seu futuro. No começo do século 20, o Rio ostentava “modernas” ruas e praças “civilizadamente” mais largas, arborizadas e de arquitetura refinada nos moldes europeus.

Uma exposição, realizada há algum tempo em São Paulo, reuniu fotos e postais desse Rio antigo, feitas por fotógrafos que trabalharam por lá até a década de 1930, inclusive vendendo os primeiros postais da cidade para os turistas da época.

Veja algumas delas:

avenida niemeyer e são conrado

Avenida Niemeyer

Avenida Niemeyer, Gávea

Avenida Rio Branco

Avenida Rio Branco

A importância das imagens é que elas realmente documentam o processo de urbanização e modernização do Rio.

Botafogo entrada da Barra)

Algumas fotos mostram como a cidade expandia para o sul, até Ipanema e, mais tarde, para a Barra da Tijuca.

Botafogo30s

Botafogo nos anos 1930

Copacabana

A natureza é tão exuberante que ninguém parecia conseguir aplacá-la. Na foto, Copacabana.

morro do Pão de Açúcar, em uma época em que a estátua do Cristo, no Corcovado, ainda não havia sido inaugurada.

A foto acima foi tirada no morro do Pão de Açúcar, em uma época em que a estátua do Cristo, no Corcovado, ainda não havia sido inaugurada.

O Palácio Monroe localizava-se na Cinelândia, no centro da cidade brasileira do Rio de Janeiro,

A urbanização transformou as feições da cidade de forma muitas vezes brutal. Muitos prédios já não existem mais, como o Palácio Monroe.

Praia do Flamengo

Os fotógrafos exploravam a iluminação urbana elétrica, em seus primórdios, o que foi outro reflexo do processo de modernização do Brasil. Acima, a Praia do Flamengo.

rua Paissandú, no Flamengo

Rua Paissandú, no Flamengo. As palmeiras imperiais foram plantadas no fim do século 19 por ordem do Imperador Pedro 2º, formando uma espécie de passarela desde a praia até o palácio onde morava sua filha, a Princesa Isabel.

Santa Teresa e Glória)

Santa Tereza e Glória

Vista do Alto do Pão de Açúcar durante a noite

Essas fotos trazem um pouco da visão romântica, de um Rio idílico, que estava condenado a não sobreviver…

A morte dos shopping centers

O fotógrafo Seph Lawless (pseudônimo) publicou recentemente um livro com imagens de shoppings centers abandonados nos Estados Unidos. A obra Black Friday mostra a decadência de um modelo de negócio que cresce no Brasil, mas já acende um alerta preocupante por aqui. Segundo pesquisa do Ibope, os 36 empreendimentos inaugurados no ano passado abriram em média com metade das lojas fechadas por falta de locatários.

De acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), atualmente cerca de 500 centros comerciais deste tipo operam no Brasil, e o número crescerá para 530 até o fim do ano – a maioria desses novos empreendimentos estão localizados fora das grandes capitais. E pode ser esse um dos problemas. Conforme a pesquisa,  muitos centros comerciais foram abertos em mercados que não tinham demanda suficiente.

Entre os shoppings inaugurados entre setembro e dezembro de 2014, a taxa média de ocupação em 21 deles foi de apenas 38%. Segundo Fabio Caldas, coordenador de pesquisa na área de shoppings do Ibope Inteligência, o ritmo de crescimento do varejo não acompanhou o avanço dos shoppings.

Nos Estados Unidos, cerca de 15% no shoppings vão falir ou serão transformados em outros espaços comerciais nos próximos dez anos, principalmente aqueles que não têm uma grande loja de departamentos como chamativo para consumidores, segundo pesquisa da Green Street Advisors. O processo de “morte” destes ícones foi retratado por Lawless como uma representação da falência do estilo de vida americano.

Em entrevista recente, durante a divulgação de seu livro, o fotógrafo conta a motivação de suas fotos:

“Acredito que a sociedade americana fracassou. Meu país não é mais socialmente ou economicamente viável, e a maioria dos americanos é facilmente guiada como ovelhas por um governo federal tirânico. Meu país está enfraquecido e minhas fotografias expõem essa fraqueza. O governo não é muito fã do meu trabalho. Eles prefeririam que os americanos e o mundo pensassem que a América ainda é forte e vibrante. Minha arte oferece uma descrição mais precisa do país. Uma revelação mais honesta da América.”

E explica ainda porque usa um pseudônimo:

“Uso um nome fictício por medo do meu governo. Em novembro passado, o Centro Nacional de Antiterrorismo divulgou um documento interno alertando que meu trabalho está expondo vulnerabilidades de segurança e que pode ajudar terroristas. Ameaçadoramente intitulado ‘Exploração urbana oferece visão sobre vulnerabilidades da infraestrutura’, o documento diz que fotos, vídeos e diagramas postados por Seph Lawless e outros  poderiam ser usados por terroristas para ‘identificar remotamente alvos em potencial'”.

Deixando de lado a eventual paranoia de Lawless, o que não se pode negar é que esse início de crise tem inspirado reflexões sobre o modelo de negócio até de quem depende dele — como, por exemplo, a cadeia de lojas Gap, dos Estados Unidos. “Nós já estamos assumindo a decadência dos shoppings. É um modelo de negócio que funcionou durante um determinado espaço de tempo”, disse Glenn Murphy, o CEO da Gap, em recente entrevista, referindo-se aos aspectos negativos dos shoppings — estacionamentos lotados, preços e custos elevados, ambiente fechado e concentração de pessoas em áreas reduzidas.

Murphy alerta para uma tendência irreversível: o aumento significativo das compras online. No último trimestre de 2014, o volume de compras online nos Estados Unidos atingiu 6% do total gasto em varejo, praticamente dobrando em relação ao mesmo período de 2006. O gargalo para um crescimento ainda maior e em mais velocidade é a logística. Se os serviços de armazenagem e de entrega se tornarem mais eficientes, estima-se que o total do volume de compras online mais que dobre nos próximos três anos.

Mas o impacto das compras online é apenas a superfície da questão.

A verdade é que, desde a crise financeira de 2008, o varejo nos Estados Unidos tem perdido força progressivamente, ao mesmo tempo em que começam a surgir movimentos, reflexões e pensadores que combatem o consumismo excessivo que tem caracterizado a última década. “O modelo consumista atingiu seu limite e se tornou uma atividade preocupada apenas com resultados imediatos, produzindo uma estupidez sistemática que impede uma visão em longo prazo”, diz o filósofo francês Bernard Stiegler, autor do livro Uma Nova Crítica à Política Econômica.

Esse discurso tem sido sustentado por grupos dedicados à questão do aquecimento global, referindo-se aos recursos naturais finitos e à necessidade de transformação da sociedade de consumo. Ou como diz Amitai Etzioni, professor de política internacional da Universidade George Washington, em Washington, DC, Estados Unidos:

“O consumo excessivo nos leva a comprar casas maiores, carros mais caros, roupas mais transadas e tecnologias mais fascinantes que prometem felicidade, mas nunca entregam. Apenas provocam o desejo de mais, sempre mais. E aos poucos, esse consumo começa a roubar sua vida e a consumir nossos recursos limitados”.

 

 

Fontes:

economia.terra.com.br

virgula.uol.com.br

Wikipedia

A história por trás da capa de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”

Talvez seja o disco mais lendário da história da música pop.

Teve sua capa copiada centenas de vezes; é frequentemente citado como o melhor e mais influente álbum da história do rock e da música. Lançado em 1º de junho de 1967 na Inglaterra, o álbum foi gravado em pouco mais de 4 meses, que são considerados os mais criativos da história da banda. Inovador desde sua técnica de gravação até a elaboração da capa, o álbum se tornou um clássico.

Mesmo sem tocar nas rádios e sem um forte apelo comercial, o álbum teve 11 milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos. Em 2003, a revista Rolling Stone colocou “Sgt. Pepper’s” no topo de uma lista dos 200 álbuns definitivos.

Gravado às véspera do “verão do amor”, no início da era hippie, “Sgt. Pepper’s” rompeu os limites da música pop e fez com que um disco deixasse de ser uma simples reunião de canções para se transformar em uma obra de arte com identidade própria.

Sem o compromisso com viagens e turnês, a banda pôde concentrar-se e se dedicar totalmente à produção do disco. Com a liberdade criativa entregue a George Martin, a inovação rondava os estúdios de Abbey Road.

“Sgt. Pepper’s” demorou mais de 700 horas para ser gravado e custou cerca de US$ 75 mil, números absurdos naquela época. Para se ter uma ideia, apenas quatro anos antes os mesmos Beatles haviam gravado seu primeiro álbum, “Please Please Me”, em um único dia.

A concepção desse disco surgiu de Paul McCartney, que propôs a seus companheiros que se “transformassem em outro grupo” e sugeriu o nome de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (A Banda do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta), inspirado nas bandas com nomes criativos que surgiam nos Estados Unidos naquela época, como “Quicksilver Messenger Service” ou “Big Brother and the Holding Company”.

Paul também foi o idealizador da capa. Paul desenhou em um pedaço de papel uma multidão em uma praça para assistirem Sgt. Pepper e sua banda receberem do prefeito um troféu. Ele contou sua ideia para Robert Frazer que o levou para conhecer Peter Blake, um dos artistas fundadores do Movimento Pop Art. Peter então fez o seu desenho, mudando ligeiramente o conceito inicial, que iria mudar mais até se tornar a capa como nós a conhecemos.

Nessa primeira reunião entre Blake, Frazer e McCartney, nasceu a ideia da banda escolher a galeria de pessoas a serem representadas na capa. Paul então levanta a proposta com os demais Beatles, sugerindo que todos relacionassem nomes de pessoas que admiram e que gostariam de ver na capa.

Abaixo, o rascunho de Blake para o conceito de Paul.

“Sgt. Pepper’s” não se destacou somente por sua música, mas também pela bela arte da capa e pelos encartes. A foto da capa, com os quatro Beatles uniformizados e de bigode, chamou a atenção especialmente pela sua colagem. Nela se pode ver o rosto de várias celebridades, como Marilyn Monroe, Marlon Brando, Bob Dylan, o então chamado Cassius Clay (depois, Muhammad Ali), D.H. Lawrence, Aleister Crowley e até Shirley Temple. Também apareceriam Karl Marx, Gandhi, Hitler e Jesus Cristo, mas foram deixados de fora.

Jesus Cristo não foi incluído por causa da declaração de um ano antes de John, dizendo que os Beatles eram mais populares que ele – isso poderia gerar mais protestos. Hitler, que iria aparecer por insistência de John, foi eliminado por motivos óbvios.

Detalhe de um layout inicial da capa, onde aparecia o rosto de Gandhi.

O rosto do ator mexicano Germán Valdés “Tin Tan”(irmão do também consagrado ator Ramón Valdés, o Seu Madruga do seriado Chaves) aparecia na capa, mas ele não autorizou sua exibição na última hora, enviando em seu lugar uma árvore da vida de Metepec (planta tradicional mexicana) que aparece em um canto.

Veja a seguir quem é quem.

1. Sri Yukteswar
2. Aleister Crowley
3. Mae West
4. Lenny Bruce
5. Stockhausen
6. W.C. Fields
7. Carl Jung
8. Edgar Allen Poe
9. Fred Astaire
10. Merkin
11. The Vargas girl
12. Huntz Hall
13. Simon Rodia
14. Bob Dylan
15. Aubrey Beardsly
16. Sir Robert Peel
17. Aldous Huxley
18. Dylan Thomas
19. Terry Southern
20. Dion
21. Tony Curtis
22. Wallace Berman
23. Tommy Handley
24. Marilyn Monroe
25. William Buroughs
26. Mahavatar Babaji
27. Stan Laurel
28. Richard Lindner
29. Oliver Hardy
30. Karl Marx
31. H.G. Wells
32. Paramhansa Yogananda
33. Stuart Sutcliff
35. Max Muller
37. Marlon Brando
38. Tom Mix
39. Oscar Wilde
40. Tyrone Power
41. Larry Bell
42. Dr. Livingstone
43. Johnny Weissmuller
44. Stephen Crane
45. Issy Bonn
46. George Bernard Shaw
47. Albert Stubbins
49. Lahiri Mahasaya
50. Lewis Carol
51. Sonny Liston
52 – 55. The Beatles
57. Marlene Dietrich
58. Diana Dors
59. Shirley Temple
60. Bobby Breen
61. T.E. Lawrence

Corrida pelo direito de imagem dos artistas:

Na época em que o álbum estava sendo gravado, Brian Epstein, empresário dos Beatles, começou a ter maiores problemas com drogas, tendo ficado internado em um centro de reabilitação de Londres chamado Priory. Wendy Hanson, secretária da Nems (loja de Epstein), havia pedido demissão devido aos abusos de Brian, mas teve de ser recontratada como freelancer para que pudesse ir atrás dos direitos de imagem de todos aqueles que participariam da capa, já que ela era a única que saberia fazer isso.

Sir Joe Lockwood, presidente da EMI à época, chegou a visitar Paul McCartney pessoalmente para falar que eles não usariam a imagem de Gandhi, pois poderiam ser processados. McCartney, então, o rebateu: “Todas aquelas pessoas vão estar satisfeitas por estarem na capa. O que vocês devem fazer é ligar para todas e pedir. Já fizeram isso?”. Ao receber a resposta negativa, ele continuou: “Bom, então telefonem para Marlon Brando ou o agente dele e digam que os Beatles adorariam tê-lo nessa pequena montagem, nas filas da frente. Não se trata de nada que possa prejudicá-lo ou coisa parecida. É uma homenagem que os Beatles estão prestando. Expliquem isso. Acho que as pessoas ficariam satisfeitas em aparecer na capa. Não é pouca coisa estar numa capa dos Beatles”.

Nem todos os artistas da capa foram, de fato, contatados para a obtenção do direito de imagem. Porém, a banda nunca sofreu qualquer tipo de ameaça de processo pelo uso “indevido”.

O ator americano Leo Gorcey foi o único retirado da arte por ter cobrado um valor de US$ 400 por sua imagem. E Gandhi ficou de fora porque a gravadora ficou com medo de os seguidores dele ficarem ofendidos.

Quem escolheu as figuras?

John Lennon: algumas das escolhas de John foram apenas para provocar, mesmo. Entre elas, podemos citar Adolf Hitler e o Marquês de Sade, os dois últimos jamais chegando à arte final. Brigitte Bardot, Lord Buckley, James Joyce e Friedrich Nietzsche também acabariam de fora. Os homenageados presentes são Lenny Bruce, Aleister Crowley, Dylan Thomas, Oscar Wilde, Edgar Allan Poe e Lewis Carroll.

George Harrison: a sua lista só incluiu gurus indianos. São eles: Sri Mahavatara Babaji, Sri Yukteswar Giri, Sri Lahiri Mahasaya e Paramahansa Yogananda.

Ringo Starr: Ringo não se interessou em escolher ninguém para o mural, porém apoiou as escolhas feitas pelos demais.

Paul McCartney: embora nem todos de sua lista de homenageados acabassem na arte final, Paul relacionou suas opções como sendo William Burroughs, Robert Pell, Karlheinz Stockhausen, Aldous Hexley, H.G. Wells, Albert Einstein, Carl Jung, Aubrey Beardsley, Alfred Jarry, Tom Mix, Johnny Weissmuller, Rene Magritte, Tyrone Power, Karl Marx, Richmal Crompton, Dick Barton, Tommy Handley, Albert Stubbins e Fred Astaire.

Peter Blake e Jane Haworth: o casal de artistas contribuiu com a presença de W.C. Fields, Tony Curtis, Dion DiMucci, Bobby Breen, Shirley Temple, Sonny Liston, Johnny Weissmuller e H.C. Westerman.

Robert Frazer: Entre os homenageados, estão lá por sua escolha: Terry Southern, Wally Berman e Richard Lindner.

Curiosidades

  • Muitos acreditam que a capa contenha uma mensagem oculta sobre a suposta morte de Paul McCartney, já que na parte inferior parece haver uma tumba adornada com flores e um contrabaixo também feito de flores com apenas três cordas, o que significaria a falta de um Beatle. Se for verdade mesmo, o “outro” Paul é tão bom ou melhor que o original…

  • Paul McCartney tinha como ideia original a banda vestida em uniformes lembrando o Exercito da Salvação. Os outro três não gostaram e partiram para confeccionar um uniforme próprio. Eles foram feitos na Burman’s, do alfaiate Maurice Burman, que normalmente fazia material militar para filmes épicos. O uniforme da banda de Sgt. Pepper é um somatório de vários estilos de uniformes ingleses em períodos diferentes da história. Cada Beatle escolheu uma cor, optando sempre por cores fortes. A intenção era confrontar o raciocínio tradicional de que uma tropa tem que ser vestida igual, de uma só forma. Literalmente, uniforme…

  • Rara foto, onde se vê o processo de produção:

  • Abaixo, uma das primeiras alternativas para a capa. Nela, pode-se notar além do posicionamento diferente dos quatro Beatles, o bumbo que foi substituído pelo definitivo no decorrer da sessão.

  • O encarte foi também uma sacada inovadora. Além de imprimir as letras das músicas (o primeiro álbum a trazer isso), outra ideia foi incluir um envelope com diversos decalques auto-colantes e tatuagens que colassem na pele com uma lambida. Elementos que remeteriam à infância, quando essas coisas eram dadas na compra de um chiclete ou revista em quadrinhos. Mas a gravadora EMI reclamou muito da despesa extra e da impraticabilidade de toda a ideia. Assim, o meio termo se tornou o encarte. Em um fundo verde de papelão, você teria a opção de recortar, se quisesse, uma medalhinha, um bigode do Sgt. Pepper e o colorido bumbo da banda. O painel também incluía um desenho do Sargento, baseando-se no rosto de um busto que existia no jardim de John e que foi usado na foto da capa (claro que recortei tudo quando comprei minha cópia…)

  • Mas o disco sofreu censura em vários países. Na versão lançada no Sudeste Asiático, Malásia e Hong-Kong, a gravadora retirou as canções interpretadas como relacionadas às drogas e as substituíram por outras, do “Magical Mystery Tour”.

As canções que saíram foram With A Little Help From My Friends, Lucy In The Sky With Diamonds e A Day In The Life. E as substitutas foram:  The Fool On The Hill, Baby You’re A Rich Man e I’m The Walrus (sic).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:
somvinil.com.br
independent. co.uk
whiplash.net
crestivegames.org.uk

Você já viu a vida desse ângulo?

São imagens impossivelmente reais de Erik Johansson, fotógrafo sueco que manipula as fotos que tira e cria cenas impressionantes.

Juntando o Photoshop a um talento gigante para fotografia, podemos encontrar algumas das imagens mais surpreendentes do mundo. É exatamente isso o que acontece com Erik Johansson, um nome que ainda vai ser muito ouvido entre designers, artistas e outros apaixonados pelos temas. Ele participou do TED – um encontro de ideias e inovações –, contando para todos como é o processo de criação de suas obras. Para Johansson, o principal é a fotografia: “Você precisa saber como tirar várias fotos com a mesma angulação e luz para que depois a edição não pareça falsa. O segundo passo é a combinação de imagens, que é onde a magia acontece”.

Esta é a página dele: http://erikjohanssonphoto.com/

Esse cara é meio que um Salvador Dali das fotos…

Erik Johansson: o mago da manipulação de fotografias

drifting-away fishy-island Greenfall ironman lazy-dogs thearchitect

Registros da vida animal

Os animais “selvagens”, muitas vezes, demonstram não ser tão selvagens assim. Quer a prova? Observe essas fotos e perceba que eles, muitas vezes, são tão espertos quanto nós… Ou mais!

Na foto acima, o Rei das Selvas – que não é bobo e nem nada – percebeu que a turma “do outro lado” estava em muito maior número e que ele tomaria uma surra. Então…

O lince deve ter ouvido falar da iguaria chinesa “sopa de barbatana de tubarão” e resolveu provar.

O “chacal kung fu” não queria ser incomodado durante sua refeição, então deu um chega pra lá nos abutres enxeridos.

Mas os desentendimentos também ocorrem nos céus. Essas duas aves de rapina se enfrentam em Oxfordshire, na Inglaterra. Não se soube o motivo…

Briga de pesos-pesados: nesta foto tirada na Namíbia, a mamãe hipopótamo foi salvar o filhote, que estava sofrendo bullying do elefante, e tomou um “ippon” do grandão. Mas essa distração ajudou o filhote a fugir e ela, depois, foi ter com ele sem grandes ferimentos. Parece que apenas sua dignidade foi ferida.

Aí, o pessoal estava num barquinho na Patagônia, numa viagem de observação da vida selvagem, quando  uma baleia-franca de 50 toneladas parou logo abaixo deles… Ela também queria observar a vida selvagem, oras…

Esta briga entre dois leões foi uma disputa pelo direito de acasalar com as fêmeas de seu território…

Pinguim sortudo, esse! Escapou por um triz!

Esses íbex-dos-alpes, uma espécie de cabra selvagem que vive nas montanhas dos Alpes europeus, descem por pedras por uma encosta de inclinação de 80 graus. Durante os dias quentes, as cabras lambem o sal que escorre pelas pedras.

Linguarudos, há por todo lado: este camaleão capturou uma libélula, foto tirada numa ilha da Indonésia.

O fotógrafo estava na costa da Austrália, tirando fotos de tubarões, quando o grande tubarão branco colocou a cara pra fora da água, como se estivesse fazendo uma pose para um close – ele até sorriu! Eh eh eh. O fotógrafo não se fez de rogado e tirou a foto, afinal – segundo o fotógrafo – o tubarão não estava sendo agressivo… Estava apenas curioso…

 

 

 

 

 

 

 

 

Onde as crianças dormem

Mais um livro belíssimo, “Where Children Sleep”, de James Mollison. O livro foi inspirado pelo próprio quarto do autor, e como esse quarto refletia o que ele era quando criança.

Por isso, James fotografou crianças do mundo inteiro, e todas fora de seus quartos, de forma que ficassem bem claros os detalhes que inevitavelmente distinguem as pessoas que vivem cada uma em um canto do planeta. Mas as crianças, sempre fotografadas com um fundo neutro, formam um conjunto de retratos que espelham as nossas semelhanças.

O quarto das crianças, por outro lado, reflete bem as diferenças culturais e socioeconômicas que nos separam.

Veja uma pequena amostra do livro:

Kaya, 4 anos, Tóquio, Japão

Bial, 6 anos, Cisjordânia.

Alyssa, 8 anos, Kentucky, EUA.

 Tutu, 9 anos, Costa do Marfim.

Jaime, 9 anos, Nova Iorque, EUA.

Ryuta, 10 anos, Tóquio, Japão.

Joey, 11 anos, Kentucky, EUA.

Jyoti, 14 anos, Makwanpur, Nepal

Thais, 11 anos, Cidade de Deus, Rio, Brasil

É isso…

Se quiser ver as imagens em tamanho maior, ponha o cursor em cima da foto, clique com o botão direito do mouse e depois selecione “abrir imagem em uma nova guia”. Vai aparecer a imagem grande numa nova aba e você poderá apreciar os detalhes de cada foto.

 

http://www.jamesmollison.com/wherechildrensleep.php

Fotos de antigas celebridades

Outro dia mesmo estava conversando com minha grande amiga Clene Salles sobre fotos antigas e sobre o que postei aqui há algumas semanas (https://otrecocerto.wordpress.com/2013/08/19/o-museu-da-getty-images-libera-imagens-historicas/). A arte da fotografia é uma das que mais admiro, assim como as pessoas capazes de levarem essa arte a pontos mais altos – e conheço alguns amigos fotógrafos que fazem isso.

Mas a fotografia não é apenas arte, é também uma poderosa ferramenta pela qual podemos registrar a história. Seja a nossa história pessoal e a de nossos familiares e contemporâneos, seja a história da humanidade. Momentos e pessoas são eternizados e mostram, para gerações futuras, que o homem tem um passado, que os eventos têm raízes. E se o passado é imutável, pelo menos podemos aprender com ele, se formos inteligentes.

Gosto muito de poder desfrutar dessa janela para  o passado, como curiosidade, como oportunidade de analisar roupas, costumes, veículos… E, cada vez que olho para trás, percebo mais e mais que nós não mudamos, que o homem é sempre o mesmo. Mudam as modas, mudam os carros e os aviões, mudam alguns costumes, mas o homem, em sua essência, é sempre o mesmo.

Por exemplo, o homem sempre teve curiosidade pelas celebridades.

Segundo artigos sobre psicologia, as celebridades simbolizam os nossos desejos ocultos para a riqueza, fama, a imortalidade,  beleza … De fato, quando acompanhamos suas vidas estamos reforçando o desejo de que um dia as nossas vidas também possam ter o brilho e o destaque que as celebridades alcançaram. Elas podem também se tornar uma opção de fuga, de nós mesmos ou de uma realidade que não nos agrada. E esse culto às pessoas famosas vem desde sempre… Os exemplos abaixo atestam isso, em diferentes épocas:

Alfred Tennyson – famoso poeta inglês da era vitoriana, uma de suas obras mais conhecidas trata do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. A foto abaixo é de 1866.

Alfred, Lord Tennyson

Ulysses S. Grant, político e militar americano, general dos exércitos nortistas durante a Guerra Civil dos Estados Unidos. Foto dele, sentado e de barba, com a família, em 1870.

Ulysses Grant & his family, 1870.

Bela Lugosi, o ator húngaro que foi o mais famoso Drácula do cinema, aos 18 anos. Foto tirada em 1900.

Bela Lugosi en 1900, a los 18 años

Jesse James foi o mais famoso pistoleiro e ladrão de bancos do Oeste americano e se tornou uma lenda. Na foto, de 1872, ele está com o irmão Frank (à direita), também membro de sua gangue.

File:Jesse and Frank James.gif

John Kennedy aos 25 anos, como tenente da Marinha americana durante a Segunda Guerra Mundial. O barco de patrulha que ele comandava foi atingido por um torpedo e ele ajudou os tripulantes a chegarem a uma ilha, onde foram resgatados. Esse fato lhe rendeu muita popularidade e, depois da guerra, a fama de herói o ajudou a ingressar na política.

Lt. John F. Kennedy, U.S.N., 1942

Carole Lombard numa foto dos anos 1930, no auge de sua popularidade como atriz de cinema em Hollywood. Ela foi uma das maiores estrelas de cinema na primeira metade do século XX.

Carole Lombard, 1930’s

Lauren Bacall e Humphrey Bogart em 1944, nos estúdios da Warner Bros. Eles equivaliam, em popularidade, ao casal Angelina Jolie e Brad Pitt de hoje em dia. Na época, o culto às celebridades já estava estabelecido há mais de duas décadas, e o casal vivia cercado de fotógrafos por onde quer que passassem.

How great is this?! “Miss Bacall” and Humphrey Bogart.

Bonnie Parker em 1933, poucos meses antes de ser morta pela polícia ao lado de seu marido, Clyde Barrow. Na época da foto, Bonnie e Clyde eram cultuados como heróis pela população assolada pela Grande Depressão nos Estados Unidos, porque roubavam bancos e sempre conseguiam escapar da polícia. Ela seria uma espécie de “Robin Hood de saias”, segundo o mito construído em torno dela, embora não se saiba de uma única vez em que ela tenha dado aos pobres o produto de seus roubos.

Bonnie  in a photo found by police at the Joplin, Missouri hideout.

 A foto a seguir é cheia de controvérsias. Datada supostamente de 1849, mostra Edgar Allan Poe, um dos maiores escritores de todos os tempos, ao lado de Abraham Lincoln, que seria eleito anos mais tarde presidente dos Estados Unidos. Embora Lincoln fosse fã dos livros de Poe e ambos tivessem a mesma idade, eles nunca teriam se encontrado – e esta foto seria então uma montagem. Até hoje, porém, não se comprovou nem essa teoria e nem que a foto seja verdadeira.

Edgar Allan Poe poses with Abraham Lincoln in Mathew Brady’s Washington, D.C. studio- February 4th, 1849.  WAT

E, para finalizar, a celebridade que foi talvez a mais fotografada no século XX, Marilyn Monroe. Nesta foto, de 1955, ela está chegando ao Actor’s Studio em Nova York, onde estudou durante um ano, numa tentativa de melhorar suas habilidades de interpretação e calar a boca de seus críticos. Segundo eles, MM era apenas um rostinho bonito, o protótipo da “loura burra” do cinema.

Great shot of Marilyn.. Not the usual boring poses..