As dez vezes em que Keith Richards escapou da morte

A velha anedota diz que, após o apocalipse nuclear, tudo o que restará serão as baratas … e o KEITH RICHARDS. Nessa lista que vem logo abaixo, o bom e velho Keef sobrevive a vícios em drogas, fogo, veneno, acidentes no palco, Hell’s Angels, bibliotecas e palmeiras. Há muita lenda sobre a incrível longevidade daquele que é, realmente, o Mr. Rock, mas os incidentes relatados, segundo as fontes, têm todos uma ponta de verdade.

1944 – Bombas sobre Londres

Aposto que você não esperava ver Adolf Hitler nesta lista, eh eh eh… Quase que o lendário guitarrista não chegava a sobreviver à guerra para gravar “Satisfaction”, anos mais tarde. Durante o auge dos ataques das bombas-voadoras alemãs a Londres, Keith e a mãe fugiram para uma região que estava fora da linha de fogo. Quando as coisas se acalmaram, eles retornaram e viram que alguns de seus vizinhos foram mortos e o berço do então bebê Keith fora atingido por uma bomba V-1. Tempos depois, ele relembrou o episódio: “Hitler despejou uma de suas V-1 em minha cama! Ele estava procurando acertar meu traseiro, aquele @#$%&@!!”

1965 – Quase eletrocutado no palco

Nos primeiros anos da carreira, a banda quase perdeu uma de suas forças mais criativas. Enquanto fazia uma apresentação em Sacramento, nos Estados Unidos, o grupo começou a tocar “The Last Time” e Keith aproximou-se do microfone para fazer o backing vocal. Acontece que o microfone estava virado para o lado errado, então ele tentou desvirá-lo com o braço de sua guitarra – o que resultou em um choque quase fatal. Em um clarão azul, ele caiu inconsciente, e as cordas da guitarra ficaram queimadas. Posteriormente, o roqueiro chamou o incidente de o momento “mais espetacular” do show e disse que foi salvo por um novo par de botas com grossas solas de borracha.

1969 – Anarquia em Altamont

Se você assistir “Gimme Shelter”, o fascinante documentário sobre os ROLLING STONES, ficará admirado ao saber que todos saíram vivos de Altamont, na Califórnia. Após chegarem a esse concerto gratuito, apressadamente organizado, Mick Jagger foi esmurrado na cabeça. A violência tomou conta durante a apresentação da banda, forçando-os a parar e recomeçar algumas músicas. Um fã que estava assistindo morreu após apontar uma arma a um membro dos Hell’s Angels, que estavam lá para garantir alguma “segurança” (acredite se quiser). Após o show, os Stones foram embora em um helicóptero, e só depois tomaram conhecimento do assassinato. Houve também mais três mortes acidentais. Na verdade, os Rolling Stones queriam interromper o show logo após a confusão do primeiro incidente, mas o líder dos Angels conseguiu persuadir Keith Richards a continuar tocando. O cara estava ao lado dele, apertando o revólver nas costas e ordenando que não parasse de tocar, senão iria morrer. A banda de “prima-donas bichas, metidas” continuou, embora certamente preferisse dar o fora dali.

1971 – Fogo na Cama em Nellcote

Keith e sua namorada Anita Pallenberg quase tiveram um final prematuro durante as gravações de “Exile on Main St.”. Durante as sessões para o LP duplo, gravado na maior parte na mansão alugada por ele no sul da França, chamada Nellcote, o casal estava mergulhado em pleno vício em heroína. Keith tinha uma propensão a desmaios, algumas vezes com a agulha ainda enterrada no braço ou – como naquela ocasião – com um cigarro aceso na mão. A cama ficou em chamas, e ambos acordaram bem a tempo de escapar antes de serem torrados.

Mas não seria a última vez que Keith brincaria com fogo.

1973 – Fogo em Redlands

Keith estava dopado quando tocou fogo em sua propriedade, chamada Redlands. Muitos afirmam que um dos cigarros acesos foi a causa, mas em sua autobiografia “Vida”, ele diz que o fogo foi causado por um rato que comeu a fiação… Em todo caso, o fogo espalhou-se pelo telhado enquanto Keith, Pallenberg e as crianças correram para se salvarem, e depois ele retornou para arrastar para fora os objetos mais caros. Existem fotos famosas que documentam o rescaldo, incluindo uma onde o vemos sentado no gramado, em cima de um carrinho de bebê ….. fumando, lógico.

Anos 70 – Esctricnina na Suíça

Keith sempre afirmou que, apesar de sua reputação, ele era um viciado relativamente responsável e que as únicas vezes em que se meteu em sérios problemas foram quando se drogou junto com pessoas nas quais não confiava. Um dia, ele contou a NME sobre sua pior experiência com drogas: “Alguém colocou estricnina em minha droga, lá na Suíça,” disse. “Fiquei quase que em coma, mas estava totalmente desperto. Eu podia ouvir tudo, e todos estavam falando ‘ele morreu, ele morreu!’, gesticulando e mexendo em mim, e eu pensava, “não estou morto!”

1973 – Troca de Sangue

Uma das mais conhecidas lendas do rock diz que, lá pelos idos de 1973, o sangue de Keith se tornou tão tóxico que um especialista realizou um procedimento experimental no qual o guitarrista trocou todo o seu sangue por alguns litros de sangue limpo. Apesar de que a troca de sangue seja provavelmente falsa (Keith admitiu que ele mesmo espalhou o rumor), há alguma evidência de que ele teve seu sangue filtrado na Suíça em 1973. De acordo com algumas fontes, o roqueiro se submeteu a hemodiálises, as quais permitiram a remoção de substâncias tóxicas de seu corpo para que não houvesse possíveis danos a seus rins. Supostamente, ele teve que permanecer sedado por uns dias para que o procedimento pudesse ser realizado.

1998 – Queda na Biblioteca

E pensar que, apesar de todos os problemas com drogas e sua vida desregrada, o velho Keef quase se ferrou em virtude de um monte de livros! Ele contou o episódio várias vezes: estava na biblioteca de sua casa, em cima de uma cadeira, para poder alcançar um livro sobre os estudos de anatomia de Leonardo da Vinci quando escorregou. Vários livros começaram a cair em cima dele. O acidente resultou em três costelas quebradas e uma turnê adiada.

2006 – Queda nas Ilhas Fiji

Em 2006, Richards levou um tombo de uma palmeira, quando estava em férias com sua família e a família de Ronnie Wood nas Ilhas Fiji. Apesar de que os primeiros relatos indicavam que ele teria caído de uma altura de mais de 12 metros, Keith revelou depois que caiu de uma altura de cerca de 2 metros.  Na autobiografia “Vida”, ele conta que estava nadando antes de subir na palmeira, e suas mãos molhadas teriam feito com que escapassem do galho, caindo no chão e batendo a cabeça no tronco da árvore. Apesar de ele achar que nada mais sério pudesse ter ocorrido, uma “forte dor de cabeça” dois dias depois forçou-o a procurar por cuidados médicos. Resultado: Richards tinha um coágulo causado pela forte batida e teve que fazer uma cirurgia no crânio para resolver o problema. E lá se foi outra turnê adiada…

2008 – Cheirando o Pai

Esses roqueiros… Olha o John cheirando coca… cola!

Logicamente, estricnina não foi a coisa mais estranha que o doidão do Keef já colocou em seu corpo. Como ele mesmo revelou em uma entrevista à revista NME, e depois confirmou em sua autobiografia, ele uma vez cheirou um pouquinho de seu querido e velho pai. “A verdade é que depois de manter as cinzas de meu pai em uma caixa preta por seis anos, pois eu não concordei em espalhá-las ao vento, eu finalmente plantei um robusto carvalho para que pudesse espalhar essas cinzas ao redor da árvore”, contou. “E no momento em que levantei a tampa da caixa, uma fina camada de cinzas caiu na mesa. Eu não poderia simplesmente varrer meu pai pra fora, então esfreguei meu dedo sobre as cinzas e aspirei…”

Ok, Keith não escapou da morte neste incidente. Ao contrário, ele a “interiorizou”…

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

ultimateclassicrock.com

whiplash

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O primeiro show em arenas da História: os Beatles no Shea Stadium

Até aquele 15 de agosto de 1965, estádios de beisebol ou estruturas semelhantes jamais haviam sediado um show musical, e pelas mais diversas razões. Os problemas com a sonorização são básicos e óbvios. Mas havia outros tantos, o principal talvez era que o grupo, orquestra ou artista haveria de ser muito famoso para justificar a aparente megalomania de uma performance em espaço tão grande quanto incomum. Os Beatles seriam esse grupo?

Em 1965, é provável que não existisse ninguém mais famoso na face da Terra.

Longe de sua Inglaterra, os Fab Four (Quatro Fabulosos, como eram chamados) toparam o maior dos desafios até então, aceitando uma produção tocada em parceria pela NEMS Enterprises, de Brian Epstein, e a Sullivan Productions, do apresentador Ed Sullivan. O evento contou com todos os requintes de mídia disponíveis à época. A disposição de todos era fazer um evento grandioso, profissionalmente filmado, e que seria transformado posteriormente em especial de TV nos Estados Unidos e na Inglaterra.

A intenção para o show no Shea Stadium, de beisebol, em Nova York, era que os Beatles descessem com um helicóptero bem no meio do campo e que dali fossem correndo para o palco. Mas essa ideia foi abortada por não terem conseguido autorização, pois seria uma manobra perigosa demais de se realizar. O que aconteceu foi que eles pousaram com o helicóptero a uma certa distância do estádio e, de lá, foram levados em um furgão blindado da empresa Wells Fargo (os distintivos que eles usavam nas roupas, durante o concerto, eram dessa empresa).

Quando o apresentador Ed Sullivan subiu ao palco e usou os microfones para proferir a frase histórica: “Now, ladies and gentlemen… honored by their country, condecorated by their queen and loved here in America, here they are: The Beatles!”, a plateia teve certeza de que eles de fato iriam se apresentar ali. Antes, a produção americana obrigou a plateia a aguentar, por quase uma hora, um festival impressionante de artistas sem grande expressividade, como o grupo Sounds Incorporated, Cannibal & Headhunters, Brenda Holloway e King Curtis Band. Após a apresentação de Sullivan, já trajados com os “terninhos militares”, com os distintivos da Wells Fargo, os Beatles subiram as escadas que davam acesso ao gramado do estádio e correram até o palco, ouvindo 55.600 fãs gritando descontroladamente.

O impressionante é que os ingressos, quando colocados à venda, foram vendidos em poucas horas. Numa época em que não havia smartphones, nem aplicativos e nem internet.

Imagens tiradas no show mostram muitos adolescentes e mulheres chorando, gritando, e até mesmo desmaios. O barulho da multidão era tal que os policiais podiam ser vistos a tapar os ouvidos quando os Beatles entraram. Apesar da presença de forte esquema de segurança, alguns fãs conseguiram entrar em campo várias vezes durante o show e foram perseguidos e contidos. O filme também mostra John Lennon irônico, apontando um incidente desses enquanto ele tentava conversar com o público entre as músicas.

O setlist desse show – extenso, para a época – foi:

Twist And Shout
She’s A Woman
I Feel Fine
Dizzy Miss Lizzy
Ticket To Ride
Everybody’s Trying To Be My Baby (quinta faixa do lado 2 do vinil “Anthology 2”)
Can’t Buy Me Love
Baby’s In Black
I Wanna BeYour Man
A Hard Day’s Night
Help!
I’m Down

Haviam alguns famosos assistindo a esse lendário concerto dos Beatles. Mick Jagger, Keith Richards e Andrew Loog Oldhan, empresário dos Rolling Stones, assistiam tudo de um lugar situado atrás da saída do estádio, de frente para a primeira base. Segundo consta, Mick Jagger ficou surpreso com a reação do público com os Fab Four. Quem também estava no concerto era a futura atriz Meryl Streep, que tinha 16 anos na época, e estava com um “button” escrito “I Love You, Paul”.

Os Beatles voltaram ao estádio no dia 23 de agosto do ano seguinte, dessa vez tocando para um público menor, de 44.000 pessoas. Seis dias depois (29/08/1966), eles realizariam seu último concerto de turnê, no Candlestick Park, em São Francisco.

Em 2009, Paul voltou ao Shea Stadium – que agora se chama Citi Field e fica ao lado do estádio antigo, demolido em 2008.

Se você nunca assistiu, esta é sua chance de ver o primeiro show de rock em arenas da história:

 

Fonte:

The Beatles Brasil

Você já cantou errado algumas músicas?

“Trocando de biquíni sem parar”? Não, é “tocando B.B. King sem parar”.

Você já cantou assim também, não é? Eh eh eh…

Li uma matéria uma vez que falava sobre esse assunto, a gente usar de “embromation” quando não entende a letra de uma música. Fiz muito isso.

Tem aquela do Djavan, lembra? A que tem a frase “amar é um deserto em seus temores”, que a gente repete “amarelo deserto”, sem perceber que estava se afogando no Oceano! 

No começo, eu achava meio sem sentido a Whisky a Go-Go do Roupa Nova… Na hora do refrão, mandava ver “Eu perguntava e o holandês?”. Só muito depois entendi que era “Eu perguntava ‘do you wanna dance?’”. Quanto mico eu paguei…

Tanto quanto eu cantando “I get high” (fico doidão) em I Wanna Hold Your Hand dos Beatles, em vez de “I can’t hide” (não consigo esconder). E olha que sou beatlemaníaco desde sempre! Eu achava que a letra falava de maconha, vê se pode? Às vezes derrapo e solto um “I get high” sem querer.

E tem muito mais. Eu e vários amigos do colégio ouvíamos o Jimi Hendrix pedindo licença para beijar um rapaz em Purple Haze. No trecho em que ele canta “Excuse me while I kiss the sky” (com licença, enquanto beijo o céu), a gente entendia “Excuse me while I kiss this guy” (com licença, enquanto eu beijo esse cara).

E a música-tema do filme Ghostbusters (“Os Caça-Fantasmas”), de Ray Parker Jr? Lembra do refrão? Sempre achei que ele chamava “Those bastards!” (aqueles bastardos), ah ah ah!

Tem algumas que nunca cantei errado, mas ouvi muita gente fazendo isso. Exemplos? A do Belchior, que ficou famosa com a Elis Regina, Como Nossos Pais, no trecho “Pois você que ama o passado e que não vê”.  Já ouvi pessoas berrando “E você que é mal passado e que não vê”…

Ou a do Roberto Carlos, Um Milhão de Amigos,  quando ele diz que quer um coro de passarinhos, muita gente dizia “eu quero o couro dos passarinhos”.

E o Tim Maia não podia faltar.

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Estava fazendo curso de inglês na União Cultural Brasil-Estados Unidos, terminando o colegial, e ouvi aquele som diferente, um blues cantado em português por um cara com um vozeirão tremendo. Não deu outra, a rodinha feita no intervalo das aulas, o amigo dedilhando a melodia de Azul da Cor do Mar no violão, e eu mandei: “Maaas… quem sofre sempre tem que procurar… pelo menos VIAJAR razão para viveeer…”. Levei séculos para entender que ele dizia “… pelo menos VIR ACHAR razão para viver”.

E, para finalizar, ia me esquecendo da melhor de todas, um clássico, e que acho que todo brasileiro que a escutou uma vez canta assim:

QUANTA LAMERA, ARRIBA, QUANTA LAMERA! QUANTA LAMEEEEEEERA, ARRIBA QUANTA LAMEEEEEERA!!!

Se você nunca ouviu, veja se eu não tenho razão:

 

 

 

Nova geração de músicos de rock!

Há poucos dias celebramos o Dia do Rock, e tenho assistido contente ao nascimento de uma nova geração de músicos e que têm escolhido o rock’n’roll e seu “pai”, o blues, para se expressar.  Claro que eles não chegaram a esse estágio que demonstram em seus vídeos de uma hora para outra. Aí tem horas e horas de estudo e dedicação, mesmo sendo prodígios (pelo menos acho que a menina e o garotinho de dez ou onze anos, mais abaixo, são prodígios…).

Avalie por você mesmo esses exemplos que encontrei numa rápida busca pela internet:

Esta garota, Tina, francesinha de 15 anos, é estudante de música, da história da música, de regência e composição num conservatório, e mostra no vídeo abaixo uma arranjo dela para um concerto de Vivaldi:

Mas, não para por aí. Ela faz uma cover de um dos solos de guitarra mais explosivos da história, “Eruption”, de Eddie Van Halen. Veja o original:

E agora, a versão de Tina:

Uma menina de 14 anos que toca guitarra melhor que você

Bem, existe mais gente talentosa por aí… Encontrei o Justin Weed, de 14 anos, que vive no Texas e que toca um blues como gente grande:

E o Brandon Niederauer ( o prodígio que mencionei acima), outro garoto blueseiro, de apenas 11 anos e que já faz shows com músicos adultos – e também com sua banda de moleques – em sua terra natal, Nova York, e também em New Orleans:

Depois, temos o Raffi Arto, garoto armênio de 14 anos que vive na França e que é chegado num boogie-woogie e no rock anos 1950, estilo Jerry Lee Lewis:

Falando em meninos, temos o brasileiro Luis Kalil, de  14 anos também, numa versão matadora do Hino Nacional brasileiro.

E existe uma “Escola do Rock” em San Francisco, Califórnia!

Ok, tudo bem, não é só rock que eles ensinam… Vou explicar: existe uma ONG chamada “Little Kids Rock”, que foi fundada em 2002 em San Francisco, Estados Unidos, por um professor americano desapontado com a falta de aulas de música nas escolas públicas do país. Então, o objetivo das aulas gratuitas que sua organização oferece – hoje presente em 1700 escolas espalhadas por 25 cidades do país – é transformar a vida das crianças ao revitalizar as aulas de música. Hoje, ele e seus professores ensinam música, além de outras disciplinas, para mais de 300.000 jovens e crianças!

Esses alunos são das classes menos favorecidas e eles ganham, além dessas aulas gratuitas, os instrumentos com os quais estudam. O Conselho de Administração da ONG tem como membros honorários gente do peso de Bonnie Raitt, Paul Simon, B.B. King, Slash (ex-Guns and Roses), Ziggy Marley, Gene Simmons do Kiss, Billy Joel e outros astros.

Muito legal! Abaixo, um vídeo de uma das classes mostrando o que aprenderam:

É isso aí. Quero ver onde essa molecada ainda vai chegar.

Long live rock n’ roll!

A história por trás da capa de “Rubber Soul”, dos Beatles

Considerado por inúmeros críticos como o primeiro disco da fase mais sofisticada dos Beatles –  e, para mim, o mais importante, pelo que representou na minha formação – “Rubber Soul” faz parte da lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame.

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A foto da capa do álbum, que na época (1965) fugiu de todos os padrões então vigentes, foi fruto de um acidente.  Paul McCartney conta no Anthology que, após a  sessão de fotos no jardim da casa de John Lennon, o fotógrafo Robert Freeman usava uma cartolina para projetar as imagens fotografadas, deixando-as no tamanho da capa do disco (que nem tinha título ainda). Em determinado momento, a cartolina escorregou e uma das imagens apareceu distorcida, levando os Beatles à loucura com o efeito. Imediatamente eles escolheram aquela imagem e pediram que fosse reproduzido o mesmo efeito distorcido.

A foto original.

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A foto acima, já recortada e pronta para ser distorcida.

Nesse momento também tiveram a ideia do título do disco: “Rubber Soul” (Alma de Borracha), um trocadilho com “rubber sole” (sola de borracha), além de uma referência à Soul Music. O logotipo com o título do disco foi produzido pelo artista Charles Front.

Charles Front era um designer gráfico de Londres que foi procurado por Robert Freeman, que lhe pediu que projetasse as letras para a capa do próximo álbum dos Beatles. Ele levou a foto escolhida, falou da distorção que eles queriam e Front sentiu que o título “Rubber Soul” lhe passava a imagem de algo viscoso, como látex, que vinha sendo puxado para baixo pela força da gravidade – espelhando a distorção da foto.

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Front apresentou seu projeto a Brian Epstein, as letras desenhadas em guache marrom e montadas sobre um esboço da capa, que prontamente o aprovou junto com os quatro membros do grupo.

‘Rubber Soul’ foi lançado em 3 de dezembro de 1965, coincidindo com a primeira data do que viria ser a turnê final do grupo pelo Reino Unido. Musicalmente e liricamente, o álbum foi a gravação mais ambiciosa do grupo, anunciando uma nova fase na carreira dos Beatles e uma antevisão do que viria a seguir. O álbum foi considerado o mais brilhante e inovador até então e menos de uma semana após seu lançamento, o disco já estava no topo das paradas, posição em que permaneceu por 12 semanas. 
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Linha de montagem do disco na fábrica.

Podemos considerar este disco como o primeiro passo para o psicodelismo e o experimentalismo produzidos depois em “Revolver”, chegando ao ápice em “Sgt. Pepper’s” e, por consequência, alterando a história da música do século XX.
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Há 50 anos, os Beatles iniciavam a invasão dos Estados Unidos – e do mundo!

(*) Por Michael Sebastian, do Advertising Age

“Quem são os Beatles?” Essa pergunta ricocheteou pelos perfis do Twitter durante a cerimônia de premiação do Grammy 2014, quando Paul McCartney e Ringo Starr se reuniram no palco para uma apresentação.

Essa é uma pergunta absurda, mesmo vindo daqueles que mal têm idade suficiente para twittar. A conta oficial dos Beatles no Twitter tem mais de dois milhões de seguidores. O perfil de Paul McCartney na mesma rede social tem 1,7 milhão de seguidores. A banda, que se separou há 44 anos, vendeu aproximadamente 350 milhões de álbuns e mais de 2,7 milhões de músicas digitais no ano passado, segundo a Nielsen SoundScan. Eles continuam com uma presença constante nas ondas do rádio. “Love”, show do Cirque du Soleil inspirado na obra dos Beatles, continua uma atração popular em Las Vegas e o CD da trilha, de 2006, vendeu mais de 6 milhões de cópias..

No que diz respeito ao mercado de mídia e marketing, a Beatlemania está viva e muito bem no aniversário de 50 anos da estreia da banda na TV norte-americana no The Ed Sullivan Show.

PS: eu havia colocado aqui um vídeo do show completo, mas a Apple Corps. mandou uma notificação para o YouTube, mandando retirar o material – provavelmente porque existe um DVD com essa gravação à venda… Então substituí apenas por este trechinho do show, que por enquanto ainda está no ar…

O Fab Four apareceu recentemente na capa de revistas, dentre elas a Rolling Stone. Títulos da Time Inc. como Time, People e Life estão publicando livros sobre a banda. A iTunes Store está vendendo álbuns da banda recém-remasterizados. A Vans criou um sapato com o tema Beatles. Já a Bloomingdale’s está comercializando uma coleção de itens – que vão de abotoaduras a paletós – criada por designers britânicos. A Target, por sua vez, está veiculando comerciais na TV promovendo o CD “Beatles 1”, compilação de sucessos que atingiram a primeira posição nas paradas, originalmente lançado em 2000.

A celebração final ocorrerá no domingo, 9 de fevereiro – exatos 50 anos da apresentação no programa de Ed Sullivan – com um especial de duas horas com Paul e Ringo na CBS, rede na qual a performance foi ao ar. “A apresentação é a quintessência da história da cultura pop e é parte da nossa história corporativa”, disse Jack Sussman, vice-presidente executivo de especiais, música e eventos ao vivo da CBS Entertainment. O concerto vai apresentar músicos de várias gerações tocando hits dos Beatles e imagens de arquivo da banda, segundo Sussman, que não quis revelar os patrocinadores. Por mais uma vez, Paul e Ringo vão dividir o palco.

Obviamente, o mercado de mídia é muito diferente daquele de 1964: a aparição dos Beatles na atração do Ed Sullivan atraiu a atenção de 73 milhões de telespectadores – número cerca de cinco vezes maior que um show top nos dias de hoje.

Tradução: Fernando Murad

A chegada da banda a Nova York, em 7 de fevereiro de 1964, foi episódio fundamental na história da música pop. É um marco da “invasão britânica” às paradas americanas. Mas, para o “New York Daily News”, seria apenas “leve entretenimento” passageiro, enquanto não vinham problemas mais pesados, como a Guerra Fria.

No aeroporto, John, Paul, George e Ringo rebateram perguntas maliciosas em entrevista coletiva. “Que acham de Beethoven?”, quis saber um repórter. “Ótimo. Especialmente seus poemas”, troçou Ringo. “Já decidiram quando vão se aposentar?”, atacou outro. “Semana que vem”, disse Lennon. A banda seguiu por mais seis anos e nunca mais foi tratada com tanto desdém.

Mas na época, sofreu pesado bombardeio da mídia (se quiser ver a imagem maior, basta clicar em cima e ela abre em uma nova janela, onde pode ser ampliada):

OBS – Curioso como o tom dos comentários nos jornais, mesmo com meio século de idade, se parecem muito com os comentários atuais sobre inúmeros assuntos. A mídia, e as pessoas, não mudaram muito depois de 50 anos…

Os Beatles são o grupo mais pirateado do mundo

Acho impressionante, não apenas como fã deles, mas como impacto musical mesmo, que um grupo que acabou há mais de 40 anos continue sendo referência de qualidade.

As músicas dos Beatles recebem cerca de 190 milhões de downloads por ano, à frente de artistas como Bob Marley, Led Zeppelin e Rolling Stones, segundo um estudo elaborado pela plataforma mundial contra a pirataria Muso. Essa plataforma trabalha em todo mundo para detectar sites que permitem a reprodução ou download de conteúdos musicais sem licença, mediante um sistema de controle remoto online. A pesquisa não inclui downloads via torrent. De acordo com a revista “Music Week”, calcula-se que cada arquivo de música dos Beatles seja baixado em média mil vezes.

O que significa isso? Que ainda existem pessoas que prefiram música pop bem feita, criativa, original, sem tantos samplings e “referências”, e que essas pessoas não encontram isso na música de hoje. Ainda há esperanças…

Outra referência que comprova a perenidade dessa banda foi o resultado do leilão na Christie’s de Nova York, que disponibilizou fotos de autoria de Mike Mitchell que registrou, então com 18 anos e com passe de fotógrafo free-lance com acesso aos bastidores, a primeira passagem dos Beatles nos EUA, em 1964. Fotos do concerto no Washington Coliseum, e dos bastidores de coletivas de imprensa estão entre o material exposto.

Alguns exemplos dos preços alcançados:

US$ 4,750.00

US$ 7,500.00

US$ 8,125.00

US$ 16, 250.00

US$ 68,500.00

As fotos são, de fato, fantásticas por si só,  mas será que algum grupo ou artista solo de hoje conseguiria resultado parecido num leilão?