Astros e estrelas quando eram jovens

Já mostrei em um post alguns astros e estrelas internacionais que não estão convivendo bem com o passar do tempo (aqui). Agora, vou mostrar outros astros e estrelas quando eram mais jovens. Alguns eu diria que são quase irreconhecíveis, enquanto outros continuam praticamente a mesma coisa. Confira!

Ele tinha 22 anos quando a foto foi tirada, e estava prestando o serviço militar.

Ele tinha 22 anos quando a foto foi tirada, e estava prestando o serviço militar.

Anos depois, Sean Connery tornou-se um astro conhecido no mundo todo, especialmente pelo código 007.

Anos depois, Sean Connery tornou-se um astro conhecido no mundo todo, especialmente pelo código 007.

Com 16 anos, era o típico nerd... Ou, pelo menos, tinha cara de um.

Com 16 anos, era o típico nerd… Ou, pelo menos, tinha cara de um.

Quem diria que o George Clooney de franja na juventude se tornaria um poderoso ator e diretor em Hollywood, arrasando os corações da mulherada ao tomar um Nespresso e dizer: "What else?"

Quem diria que o George Clooney de franja na juventude se tornaria um poderoso ator e diretor em Hollywood, arrasando os corações da mulherada ao tomar um Nespresso e dizer: “What else?”

Já era uma gatinha aos 14 anos, e os óculos só acrescentavam charme.

Já era uma gatinha aos 14 anos, e os óculos só acrescentavam charme.

A gatinha se tornou um mulherão, e boa atriz. Charlize Theron já ganhou um Oscar, sabia?

A gatinha se tornou um mulherão, e boa atriz. Charlize Theron já ganhou um Oscar, sabia?

Aos 26 anos, ele tentava a carreira em Los Angeles como ator e modelo.

Aos 26 anos, ele tentava a carreira em Los Angeles como ator e modelo.

Só quando foi para a Itália, e estrelou os "spaguetti-westerns", tornou-se um astro. Clint Eastwood, hoje, é um dos atores e diretores mais respeitados do cinema.

Só quando foi para a Itália, e estrelou os “spaghetti-westerns”, tornou-se um astro. Clint Eastwood, hoje, é um dos atores e diretores mais respeitados do cinema.

Contemporâneo de Eastwood, aos 24 anos ele também seguia os passos do colega.

Contemporâneo de Eastwood, aos 24 anos ele também seguia os passos do colega.

 O sucesso veio para William Shatner quando ele desbravou o espaço, a fronteira final, comandando a nave estelar "Enterprise" no seriado para TV "Jornada nas Estrelas".

O sucesso veio para William Shatner quando ele desbravou o espaço, a fronteira final, comandando a nave estelar “Enterprise” no seriado para TV “Jornada nas Estrelas”.

Não sei se, aos 18 anos, ele tinha ideia de quem se tornaria. Mas que tinha cara de doidão, já tinha...

Não sei se, aos 18 anos, ele tinha ideia de quem se tornaria. Mas que tinha cara de doidão, já tinha…

O fato é que Steve Tyler se tornou líder e vocalista de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, Aerosmith... Como se não bastasse, ainda é o pai da linda Liv Tyler!

O fato é que Steven Tyler se tornou líder e vocalista de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, Aerosmith… Como se não bastasse, ainda é o pai da linda Liv Tyler!

Quem diria... Aos 18 anos, ele era gago e só conseguia se expressar melhor no palco da escola.

Quem diria… Aos 18 anos, ele era gago e só conseguia se expressar melhor no palco da escola.

Quando estrelou os mais populares filmes de ação, como "Duro de Matar", Bruce Willis já havia superado esse problema. Embora, nos filmes, ele precisasse se expressar mais na porrada, mesmo...

Quando estrelou os mais populares filmes de ação, como “Duro de Matar”, Bruce Willis já havia superado esse problema. Embora, nos filmes, ele precisasse se expressar mais na porrada, mesmo…

Aos 24 anos, ele já atuava regularmente nos palcos. Seu amor pelo teatro começou quando foi levado pelos pais para assistir uma encenação de "Peter Pan", quando tinha 3 anos de idade.

Aos 24 anos, ele já atuava regularmente nos palcos. Seu amor pelo teatro começou quando foi levado pelos pais para assistir uma encenação de “Peter Pan”, quando tinha 3 anos de idade.

Com uma carreira que cobre desde Shakespeare até filmes de ficção e fantasia no cinema, o multipremiado ator inglês Sir Ian McKellen tornou-se conhecido pelo grande público como o Gandalf dos filmes "O Senhor dos Anéis".

Com uma carreira que cobre desde Shakespeare até filmes de ficção e fantasia no cinema, o multipremiado ator inglês Sir Ian McKellen tornou-se conhecido pelo grande público como o Gandalf dos filmes “O Senhor dos Anéis”.

Ela, aos 25 anos, já atuava em peças de Shakespeare em Londres.

Ela, aos 25 anos, já atuava em peças de Shakespeare em Londres.

Hoje, depois de uma montanha de prêmios no teatro e no cinema, Helen Mirren continua bonita e mais classuda do que nunca.

Hoje, depois de uma montanha de prêmios no teatro e no cinema, Helen Mirren continua bonita e mais classuda do que nunca.

Quem será o novo James Bond?

James Bond eletrizou os espectadores pela primeira vez na Inglaterra, em 1962, no filme “O Satânico Dr. No”. A partir daí, o sucesso a cada aventura fez com que o espião acumulasse mais 23 longas-metragens. James Bond, também conhecido pelo código 007, é um agente secreto fictício do serviço de espionagem britânico MI-6, criado pelo escritor Ian Fleming em 1953.

James Bond, na concepção de Ian Fleming, e que serviu de base para publicação de suas tiras de quadrinhos no jornal britânico Daily Express, no final da década de 1950.

No Brasil, ele também teve seu gibi publicado, em meados da década de 1960, pela Rio Gráfica e Editora, hoje Editora Globo.

Ian Fleming era oriundo da aristocracia inglesa. Filho do major Valentine Fleming, morto na Primeira Guerra Mundial, cursou a Academia Militar Real de Sanhurst. Começou sua carreira na Segunda Guerra Mundial quando trabalhou como correspondente do jornal The Times. Fleming ganhou experiência em atividades de espionagem na Rússia e, posteriormente, entrou para o Serviço Secreto da Marinha Inglesa, onde foi comandante. A vivência no ambiente de trabalho fez com que criasse a personagem James Bond, agente secreto charmoso e sedutor, que vivia aventuras perigosas. Ian Fleming morreu vítima de ataque cardíaco aos 56 anos, não chegando a ver um dos filmes de maior sucesso da série: “007 Contra Goldfinger”.

O personagem foi apresentado ao público em livros de bolso na década de 1950, com a novela Casino Royale, tornando-se um sucesso de venda e popularidade entre os britânicos e, logo a seguir, entre os países de língua inglesa. Diz-se que John Kennedy era um leitor assíduo dessas aventuras. Na década seguinte, os livros viraram uma grande franquia no cinema, a mais duradora e bem sucedida financeiramente, que já rendeu mais de 12 bilhões de dólares.

O ornitólogo James Bond.

Ian Fleming tirou o nome ‘James Bond’ do autor do livro predileto de sua esposa sobre ornitologia, Birds of the West Indies, e escreveu doze livros e dois contos sobre seu personagem, antes de morrer, em 1964.

Os atores que fizeram 007

Sean Connery

Sean Connery foi o primeiro ator a dar vida a James Bond em 1962, no filme “James Bond Contra o Satânico Dr. No”. Diz a lenda que Connery conseguiu o papel após ter conversado com o produtor Albert Broccoli com um pé em cima de sua mesa e sair da reunião batendo a porta, insatisfeito com as condições impostas pelo produtor. Impressionado, Broccoli acompanhou o futuro astro pela janela e o viu andando na rua como um felino,  o andar imaginado para James Bond.

George Lazenby

O australiano George Lazenby era vendedor de carros e, possivelmente, é o Bond menos conhecido por ter feito apenas um filme do espião. Mesmo assim, para os estudiosos da obra de Ian Fleming, nesse filme, “A Serviço Secreto de Sua Majestade”, ele foi o mais fiel às características do personagem dos livros.

Roger Moore

Quem acompanhou as produções lançadas entre 1973 e 1989 tem Roger Moore como símbolo do agente britânico. Sua primeira aparição como James Bond foi em “Viva e Deixe Morrer” (1973), com música-tema de Paul McCartney. Roger Moore foi o ator que ficou mais tempo como 007, estrelando sete filmes e se aposentando do papel aos 58 anos de idade, em 1985, com o filme “James Bond na Mira dos Assassinos”.

Timothy Dalton

Timothy Dalton assumiu o personagem em “Marcado para Morrer” (1987). Ele substituiu Pierce Brosnan, que fora sondado mas estava ocupado com outras produções. Dalton participou de dois filmes como 007 e assinou contrato para realizar três filmes como protagonista; mas, nesse meio tempo, uma batalha judicial pelos direitos de James Bond fez com que as produções do terceiro filme demorassem muito e ele desistisse do projeto.

Pierce Brosnan

Pierce Brosnan assumiu a vaga em “007 James Bond Contra Goldeneye”. Para os fãs mais novos, o ator é o James Bond mais lembrado, apesar de ter feito apenas quatro filmes. Durante seu contrato, Brosnan foi proibido de usar smoking em outras produções para não lembrar o espião, mas ele sempre deu um jeitinho de contornar a situação usando trajes similares.

Daniel Craig

Daniel Craig é o último ator a dar vida ao personagem e foi muito criticado por isso, no primeiro filme. Seu cabelo loiro e altura de 1,75 m (considerado baixo para o herói) foram motivos para os fãs e a imprensa criticarem essa escolha. Ele estreou em “Casino Royale” e foi elogiado pela atuação vigorosa. A partir de então, estrelou mais 3 filmes, todos com muito sucesso de público e crítica.

Mas Craig teria anunciado que “Spectre” foi seu último filme no papel do espião, e os produtores já teriam começado a procurar seu substituto.

Segundo o que se comenta, este foi o último filme de Daniel Craig como 007

Segundo o que se comenta, este foi o último filme de Daniel Craig como 007

Há muita especulação sobre quem será o próximo Bond. Fala-se até em um mulher, algo como Jane Bond!

Sim, ela mesma! A Agente Scully de "Arquivo X", Gillian Anderson, é a favorita dos fãs para ser Bond, Jane Bond...

Sim, ela mesma! A Agente Scully de “Arquivo X”, Gillian Anderson, é a favorita dos fãs para ser Bond, Jane Bond…

Quanto aos homens mais cotados para o papel, a lista é grande… Dentre os mais votados nas bolsas de apostas, temos Tom Hardy, Idris Elba e Damian Lewis (sim, se já tivemos um 007 loiro, por que não um ruivo?)

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Mas o nome mais forte, até agora, é o de Tom Hiddlestone… Ele estaria “loki” para interpretar o papel (eu sei, essa foi infame…).

Donald no País da Matemática

Em 1959, Walt Disney estava lançando um filme que era um de seus projetos mais pessoais , “A Lenda dos Anões Mágicos” (Darby O’Gill and the Little People). Esse filme, sobre o qual falo aqui, foi notável por ser um dos primeiros papéis da carreira de Sean Connery, então com 29 anos, e também porque era exibido junto com um curta-metragem que se tornou um clássico: “Donald no País da Matemágica”.

Donald no País da Matemágica (“Donald in Mathmagic Land”) é um curta de 27 minutos, estrelado pelo Donald, e que foi disponibilizado para várias escolas mais tarde, tornando-se um dos mais populares filmes educativos já feitos pela Disney.  Na época, foi lançada uma revista em quadrinhos baseada no curta que também fez enorme sucesso.

Essa história foi publicada muitas vezes no Brasil, a primeira delas em 1967, na revista “Tio Patinhas”:

Walt Disney, uma vez, comentou sobre o filme: “O desenho animado é um bom meio para estimular o interesse. Recentemente explicamos a matemática em um filme e conseguimos estimular o interesse do público neste assunto tão importante.”

Realmente, Disney e sua equipe foram brilhantes em transformar um tema tão árido num desenho tão inteligente e divertido. Afinal, Donald se encontra com Pitágoras, entende a Regra de Ouro, recebe uma explicação sobre as proporções ideais do corpo humano, faz alguns jogos mentais e o desenho termina com uma citação de Galileu Galilei.

Se você nunca assistiu esse curta-metragem, recomendo que o faça, e chame seus filhos para ver. Vai valer muito a pena!

Caso você prefira assistir na versão original (e sem legendas), aqui está.

Divirta-se!

A Lenda dos Anões Mágicos

Irlanda. Darby O’Gill é um velho excêntrico que vive contando histórias sobre leprechauns em um pub local. Ninguém acredita nelas, mas elas são verídicas. Darby é rival do rei Brian, soberano dos anões, o qual vive provocando. Quando o lorde Fitzpatrick o substitui pelo jovem guarda Michael McBride, Darby precisa da ajuda mágica de Brian e seus súditos. Para complicar ainda mais a situação, Michael se apaixona por Katie, a filha de Darby.

Esta é a sinopse do filme A Lenda dos Anões Mágicos (Darby O’Gill and the Little People), que Walt Disney lançou em 1959 e que era um de seus projetos mais pessoais.

O filme era exibido nas salas de cinema com um curta-metragem que o antecedia, estrelado pelo Donald, e sobre o qual falo aqui.

Você pode ter se espantado que, no cartaz de cinema da época, apareça um nome conhecido, mas é isso mesmo: é o jovem Sean Connery, o futuro James Bond! Ele interpreta Michael, o primeiro papel de alguma importância em sua carreira e seu primeiro filme nos Estados Unidos. Connery havia feito pontas em meia dúzia de películas até então, a grande maioria sem creditá-lo no elenco.

Agora, com 29 anos, ele aguardava uma chance e foi atuando na produção da Disney que foi notado pela esposa do produtor Albert R. Broccoli, que ficou admirada pelo porte e aparência do ator. Broccoli, durante a pré-estreia em Hollywood, o convidou para um teste em um projeto que se chamava “The Satanic Dr. No”… O resto é história…

Além de contracenar com a bela Janet Munro, Connery ainda canta! O diretor pensou até em dublar o futuro 007, mas desistiu porque Disney quis manter o sotaque do ator. Uma versão da canção “My Pretty Irish Girl”, cantada por Sean Connery e Janet Munro, foi lançada em disco na época em que o filme estreou nos cinemas nos Estados Unidos.

Os antepassados ​​de Walt Disney eram imigrantes irlandeses, que foram para os Estados Unidos partindo de Kikenny, Irlanda, tentando escapar da perseguição religiosa. Ele sempre se interessou pelas lendas e histórias desse país, e quando leu a série de contos com o personagem Darby O’Gill, da autora inglesa H. T. Kavanagh, ficou encantado.  A escritora falava de todas as fadas e seres mágicos da mitologia irlandesa.

Foi então que Walt começou a planejar o lançamento do filme mais tarde batizado de A Lenda dos Anões Mágicos. Após o término da 2ª Guerra Mundial, ele enviou vários artistas para a Irlanda, no intuito de coletar material para a produção. Em dezembro de 1948, Walt Disney visitou a Irlanda e anunciou a realização desse filme, que na época chamava-se apenas “The Little People”. Foram necessários mais de dez anos para que enfim chegasse aos cinemas.

Jimmy O’Dea e todos os atores que interpretaram leprechauns  não foram incluídos em quaisquer peças de marketing do filme, e nem apareceram nas diversas premières programadas. A intenção de Walt Disney era a de que as pessoas tivessem a ilusão que leprechauns verdadeiros haviam sido contratados para o filme. Tanto que, nos créditos de abertura, pode ser lida uma mensagem de Walt na qual ele agradece “ao rei Brian de Knocknasheega e seus leprechauns pela inestimável cooperação em tornar este filme possível”.

As cenas que mostram a interação entre duendes e seres humanos utilizam a técnica de “perspectiva forçada”, quando se filma as pessoas um pouco mais longe da câmera.

Uma reclamação recorrente na época do lançamento de A Lenda dos Anões Mágicos nos cinemas era que os atores falavam a língua inglesa com sotaque gaélico, tornando os diálogos incompreensíveis em certos momentos. Em uma versão posterior do filme, tais falas foram dubladas.

No dia em que o filme foi lançado em Dublin, a prefeitura decretou feriado escolar para que todas as crianças pudessem ir ao cinema, e o dia foi chamado de “Walt Disney Day”. Toda a renda foi revertida para um fundo beneficente da Igreja de São Vicente de Paula.

E, como em todo lançamento importante que Disney fazia na época, era também produzida uma versão em quadrinhos, lançada nos Estados Unidos simultaneamente com o cinema:

A quadrinização, desenhada pelo renomado artista Alex Toth, foi também publicada no Brasil pela Editora Abril em 1070:

O famoso crítico americano Leonard Maltin, que podia destruir ou levantar um filme com uma só palavra, disse que “A Lenda dos Anões Mágicos não é apenas um dos melhores filmes de Walt Disney, mas é certamente um dos melhores filmes de fantasia já realizados”.

Aqui, o trailer de seu lançamento na TV (nos Estados Unidos), em 1977:

A Rocha e sua fuga misteriosa

A fama de Alcatraz se firmou nos anos em que esse rochedo em frente à baía de San Francisco, no norte da Califórnia, abrigou uma prisão de segurança máxima e serviu de lar forçado a alguns dos gangsteres mais temidos dos Estados Unidos.

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Entre 1934 e 1963, “A Rocha”, a alcunha que Alcatraz ganhou, foi a prisão-modelo em que eram detidos criminosos considerados perigosos demais para as prisões do continente. Alcatraz viveu a sua fuga mais célebre 53 anos atrás, em parte porque nunca mais se soube o paradeiro dos três detentos que escaparam. E também porque, depois disso, o governo americano ordenou o fechamento da penitenciária. Mas a lenda construída em torno do local seguiu se alimentando de relatos orais e de filmes de Hollywood.

Há alguns pontos-chave para entender as razões pelas quais a prisão se tornou um centro turístico que atrai milhares de visitantes todos os anos.

Uma prisão-modelo

Localizada em uma ilhota árida e rochosa no Pacífico, a primeira fortificação de Alcatraz for construída por volta de 1850 e utilizada como uma prisão militar. As autoridades avaliaram que o presídio fornecia segurança suficiente para frustrar qualquer tentativa de fuga. O argumento deles é de que seria impossível sobreviver no mar por causa das fortes correntes ou das baixas temperaturas das águas.

Em 1912, ali foi erguido o então maior edifício de concreto armado em todo o mundo. Mas foi o ano de 1933 que selou a fama de Alcatraz como uma prisão diferente. Ela se converteu na “prisão das prisões”, como a chamou a agência americana de prisões. O que significava isso, na prática? Que ela passaria a receber a população carcerária considerada muito indisciplinada para outros centros de detenção nos Estados Unidos.

Detentos famosos

De acordo com agência americana de prisões, a população carcerária de Alcatraz se manteve sempre abaixo da capacidade máxima do recinto. Em média, ela abrigou entre 260 e 275 prisioneiros, representando apenas 1% do total de presos em cárceres federais. Mas foram os personagens atrás das grades que ajudaram a consolidar a lenda de Alcatraz, sobretudo porque eram, em grande parte, figuras de destaque do crime organizado na época da Grande Depressão nos Estados Unidos.

O mais famoso foi, sem dúvida, Al Capone, líder da Máfia em Chicago. Ele foi enviado ao presídio porque, segundo as autoridades americanas, sua reclusão anterior, em Atlanta, não o havia impedido de continuar comandando sua organização. Capone ficou em Alcatraz por pouco mais de quatro anos, até ser diagnosticado com sífilis e transferido para outra prisão.

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Também passou pelo local o gângster George “Machine Gun” Kelly Barnes que, apesar do apelido “Metralhadora” e de sua fama de durão, nunca matou ninguém. Ele passou 17 anos em Alcatraz.

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Outro “hóspede” conhecido foi Alvin Karpowicz, apelidado de “Creepy Karpis” por causa de seu sorriso sinistro. Ele liderou a lista dos “mais procurados” pelo FBI nos anos 1930 e foi o último “inimigo público” a ser capturado vivo. Passou 25 anos na prisão.

Fugas frustradas

Nem mesmo os mais sofisticados mecanismos de segurança da época foram suficientes para impedir que alguns detentos tentassem fugir. A administração do presídio contabilizou 14 tentativas de fuga envolvendo 36 pessoas durante mais de 30 anos. Destes, 23 foram recapturados, seis morreram baleados durante a fuga e outros dois afogados. Cinco deles, no entanto, jamais foram reencontrados e passaram a fazer parte da lista de “desaparecidos”.

Dentre eles, estão os últimos a tentarem fugir: Frank Morris, Clarence Anglin e John Anglin, em 1962.

Nunca encontraram os fugitivos, nem seus corpos. Ninguém supunha que alguém pudesse sobreviver no mar gelado daquela região, além da distância da costa, mais de 5 km. Os três homens foram muito procurados  –  e continuam sendo. Hoje, Frank Morris, o mentor da operação, estaria com 85 anos se estivesse vivo. Os outros dois, os irmãos Anglin, estariam com 81 (Clarence) e 82 (John). Os mandados de prisão só serão revogados na data em que cada um completar 99 anos.

Como foi

Em 12 de junho de 1962, em Alcatraz, o tenente Bill Long fazia a contagem matinal dos detentos. E notou que um guarda não aparecera até então. Foi ao local em que o guarda deveria estar e viu que ele vinha correndo em sua direção. “Bill, tem um cara que não quer se levantar para a contagem.” “Vou fazer com que ele se levante”, respondeu o tenente.

Long foi até a cela indicada e viu um homem que parecia dormir. Através das barras, ele sacudiu o travesseiro e gritou: “Levante-se para a contagem”. Uma cabeça rolou ao chão. O tenente deu um pulo para trás e então percebeu que a cabeça era falsa, feita de sabão, papel-toalha e cabelos de verdade. Travesseiros cobertos na cama simulavam um corpo. Long correu ao telefone e deu o alarme.

Descobriram que Morris e os irmãos Anglin não estavam em suas celas, e em todas elas havia uma cabeça falsa e travesseiros cobertos, simulando o corpo da pessoa.

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Os preparativos de Morris e dos Anglin duraram ao menos sete meses. Cada cela tinha um vão gradeado para ventilação. Eles roubaram um aspirador da sala de música e, com ele, fizeram uma furadeira e romperam as grades. Atrás do corredor de celas em que os três ficavam, havia um corredor de calefação raramente utilizado. Usando colheres e a furadeira, cavaram as paredes para alcançar esse corredor, depois de retirar as barras das aberturas da ventilação.

Fizeram barras falsas, de cola e papel pintado, que punham no lugar das verdadeiras quando não estavam cavando. Com o pequeno acordeão de John, Frank tocava e cantava nos horários em que isso era permitido, abafando o som da furadeira. Com audácia, abriram um espaço acima do teto das celas e o usaram como oficina. Lá, fora dos horários de patrulha dos guardas, fizeram um bote de borracha inflável feito com capas de chuva, costuradas e coladas com cimento. Havia ainda sacolas de plástico transformadas em flutuadores, remos e cabeças falsas.

Outro prisioneiro, Darwin Coon, que não quis participar da fuga, ajudou John a reunir o material necessário para executá-la. Coon trabalhava na cozinha e “acidentalmente” quebrava coisas que um amigo dele, John, da manutenção, vinha consertar. E, “distraidamente”, esquecia ferramentas.

Foi provavelmente Coon que passou a eles um exemplar da revista “Mecânica Popular”, mais tarde achado pelo FBI, que, “por coincidência”, ensinava a fazer um bote de borracha. O bote foi achado depois da fuga numa ilha próxima, e também um corpo no mar, que a princípio disseram ser de Morris. Mas isso foi desmentido.

No filme que Don Siegel fez em 1979 contando essa história, com Clint Eastwood no papel principal, eles têm sucesso. Possivelmente, esse final é o verdadeiro.

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A Alcatraz de Hollywood

Além de A Fuga de Alcatraz com Eastwood, o filme A Rocha, de 1996, com Nicholas Cage e Sean Connery como astros principais (e Ed Harris como o vilão), mais uma vez destacou a prisão cuja fama e imagem foram tradicionalmente alimentadas por Hollywood ao longo do século XX. Historiadores e documentaristas, no entanto, dizem que o retrato hollywoodiano da ilha nem sempre foi fiel à realidade.

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“Alcatraz não foi a ‘prisão maldita’ dos Estados Unidos, como muitos filmes e livros a caracterizaram. Na verdade, muitos presidiários consideravam que as condições de vida de lá, como as celas individuais, eram superiores às de outras prisões federais no país”, diz um porta-voz da agência americana de penitenciárias.

Outro filme muito famoso é O Homem de Alcatraz, de 1962, no qual Burt Lancaster interpreta um prisioneiro, Robert Stroud, “The Birdman of Alcatraz”, como ficou conhecido, por ter se tornado um especialista em pássaros.

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Robert Stroud (Lancaster) foi preso por um assassinato cometido no Alasca, e se rebelava constantemente diante daquele rígido sistema penal. Para quebrar a monotonia, Stroud adotou um pássaro como animal de estimação. Quando o pássaro ficou doente, ele experimentou vários tratamentos até a sua cura. Com o passar dos anos,  acabou trabalhando com vários pássaros, tornando-se um conhecedor de aves, e publicou mais tarde um livro sobre remédios para pássaros, além de escrever sobre a história do sistema penal americano.

A atuação de Lancaster conquistou a simpatia da opinião pública. Contudo, a história revela que o Stroud real era um assassino mercenário e que não mostrava remorso pelos seus crimes.

Atualmente, a ilha de Alcatraz é um dos pontos mais visitados de San Francisco, recebendo cerca de 1 milhão de turistas por ano, e serve também de ponto de partida para uma competição anual de triatlo, “Fuga de Alcatraz”, em que centenas de atletas provam que, com treinamento e equipamento apropriados, é possível sair da ilha e chegar são e salvo à terra firme.