A última vez que Walt Disney apareceu na telinha

Walt Disney faleceu em 15 de dezembro de 1966, mas continuou ativo e trabalhando até o final.

Em outubro daquele ano, Disney gravou uma chamada para o filme que iria estrear em breve, “Follow Me, Boys!” (Nunca é Tarde Para Amar, no Brasil), com Fred MacMurray e um jovem ator de 15 anos que Walt previa que faria muito sucesso no futuro, Kurt Russell.

Russell com Chris Pratt em cena de “Guardiões da Galáxia – Vol. 2”

Nessa chamada, cujo título seria “An Evening with Walt Disney” e que nunca foi ao ar por conta da trágica notícia da morte de Walt, duas semanas depois da estreia nacional do filme, ele explica que não poderia estar presente na première no Radio City Music Hall, em Nova York, porque estava em meio às filmagens de “Blackbeard’s Ghost” (O Fantasma de Barba Negra, no Brasil) e que estrearia apenas dois anos depois.

Ele continua, falando bastante sobre um filme musical que estrearia em julho de 1967, estrelado por seu ator favorito, Fred MacMurray, e destaca uma das canções – que não aparece no segmento que mostro a vocês. Walt devia gostar muito desse “The Happiest Millionaire”, ou Quando o Coração Não Envelhece, porque sorri várias vezes durante sua explicação.

Veja a última vez que Walt apareceu diante de uma câmera.

Como eu disse no início, Walt se manteve em atividade até o final, honrando a fama de workaholic que tinha.  Além dos filmes que ele menciona no vídeo, estava trabalhando na produção de “The Love Bug” ( Se Meu Fusca Falasse) que foi o último longa live-action que ele aprovou.

Ao mesmo tempo, estava envolvido em dois longa-metragens de animação e que foram também suas últimas participações em produções de seu estúdio. “The Jungle Book” (Mogli, o Menino-Lobo), lançado em 1967 e que foi um enorme sucesso de crítica e de bilheteria.

E “The Aristocats” (Os Aristogatas), produzido em 1968 e lançado em 1970, uma mistura de A Dama e o Vagabundo e 101 Dálmatas, só que com gatos em vez de cachorros. Por ocasião de sua morte, Walt estava supervisionando o roteiro e a criação dos personagens.

Mas não era só com o cinema ou a TV que Walt se envolvia. Nos meses que antecederam sua morte, ele fazia contínuas reuniões com sua equipe da Disneylândia, avaliando as novas atrações e colocando suas ideias.

E já estava supervisionando sua mais ambiciosa empreitada, a criação do Walt Disney World, inaugurado só em 1971.

Abrangendo mais de 11.000 hectares, tem hoje quatro parques temáticos, dois parques aquáticos, vinte e sete resorts temáticos, dois spas e centros de ginástica, cinco campos de golfe e outros locais de lazer, esporte, compras e entretenimento. Magic Kingdom foi o primeiro parque do complexo, seguido de EPCOT, Disney’s Hollywood Studios e Disney’s Animal Kingdom, abertos entre as décadas de 1980 e 1990.

Walt queria complementar o parque que ele tinha na Califórnia, inaugurado em 1955. Além de hotéis e um parque temático similar à Disneylândia, os planos originais de Disney incluíam um “Protótipo Experimental da Comunidade do Amanhã”, o EPCOT, uma cidade planejada que serviria como um laboratório de experiências para inovações para a vida nas metrópoles. Mas, no final, o EPCOT não saiu exatamente como ele sonhara.

Lendas e fatos

Walt tinha a reputação de ser um visionário e várias lendas surgiram depois de sua morte, de que teria formulado planos de longo alcance para depois que partisse: como ser congelado para que ele pudesse ser revivido quando a ciência encontrasse a cura para a doença que o matou; ou que teria criado uma lista de filmes que nunca deveriam ser lançados em vídeos caseiros; ou que teria preparado um filme para ser assistido por seus executivos sobre como administrar a empresa em sua ausência…

A realidade, no entanto, é que todas essas lendas não têm a ver com a personalidade de Walt Disney, que deixou os aspectos comerciais da administração da empresa para seu irmão Roy e não deu muita importância ao que aconteceria depois de sua morte.

Legends Plaza, nos estúdios Disney em Burbank.

Embora Walt fosse sempre a força motriz por trás dos esforços criativos da Disney, na época de sua morte ele estava pensando principalmente em dois grandes projetos que iam além das telinhas ou telonas. Além do já mencionado EPCOT, ele ainda reservava um tempo para avaliar a mais nova atração da Disneylândia, “Piratas do Caribe”. E seu mais recente sonho era a criação de um resort de inverno no Mineral King Valley, na Califórnia, perto do Parque Nacional da Sequoia (um projeto que acabou sendo descartado devido à oposição de grupos ambientalistas).

Walt simplesmente não tinha nem o tempo e nem a inclinação para fazer planos para os caminhos que sua empresa deveria seguir depois de sua morte. Não gostava de falar sobre a morte – nem comparecia a funerais! – e muito menos sobre a sua. Tanto que não fez nenhum esforço para selecionar ou preparar um sucessor!

Seu falecimento pegou a empresa de surpresa, porque nem ele nem ninguém fez qualquer preparação para isso, mesmo quando Walt soube que estava com câncer. Nem o irmão de Walt, Roy, sabia o que ele estava fazendo, porque, como escreveu o biógrafo Bob Thomas: “Walt não queria que ninguém, inclusive seu irmão mais velho, xeretasse em seus projetos futuros”.

A realidade é a melhor resposta a essas lendas todas: a Walt Disney Productions afundou por muitos anos após a morte de Walt (a ponto de quase se tornar vítima de uma aquisição hostil no início dos anos 1980) precisamente porque ninguém sabia o que ele teria feito, e simplesmente reciclaram as mesmas ideias em vez de embarcar em novos esforços criativos.

O estúdio produziu uma série de animações ruins, como Oliver e sua Turma ou Robin Hood, e comédias sem graça como O Fusca Enamorado.

Temos que perguntar: se Walt estava de fato orientando seu estúdio do além-túmulo por meio de vídeos gravados antes de sua morte, por que eles passaram tantos anos acumulando fracassos em todos os segmentos? Até mesmo o fantasma dele poderia ter feito melhor do que isso…

Na verdade, foi Roy Disney quem reuniu executivos da companhia uma semana após a morte de seu irmão Walt para discutir o futuro da empresa e que continuou trabalhando bem após a aposentadoria, para ver a primeira fase do Walt Disney World ser inaugurada.

E o filho de Roy, Roy E. Disney – falecido em 2009 – , foi uma das forças orientadoras por trás da revitalização do grupo, que começou com a contratação de Michael Eisner como CEO e Frank Wells como presidente da Walt Disney Productions em 1984.

Foi dessa gestão criativa e inovadora que surgiram A Pequena Sereia, A Bela e a Fera, Pocahontas, O Rei Leão ou Toy Story, e filmes interessantes e divertidos como Rocketeer, Querida, Encolhi as Crianças, George o Rei da Floresta ou Duelo de Titãs.

É deles todo o crédito pelo renascimento da Disney e por plantarem as sementes que germinaram no sucesso contínuo até os dias de hoje.

Roy Disney, sobrinho de Walt

Jonny Quest pode virar filme com atores reais

Jonny Quest, aquele clássico personagem da Hanna-Barbera, vai virar filme. Claro, se tudo der certo… Pelo menos, são essas as notícias mais recentes chegando de Hollywood.

O elenco de Jonny Quest, com “Race” Bannon de camisa vermelha, o Dr. Benton Quest de barba, e os meninos Jonny Quest e Hadji (de turbante), com a mascote Bandit.

O diretor deve ser Chris McKay (LEGO Batman: o Filme), e o roteiro estaria sendo escrito por Terry Rossio (que escreveu os roteiros de todos os Piratas do Caribe). 

Jonny Quest, série originalmente exibida entre 1964 e 1965 e mais tarde repaginada nas décadas de 1980 e 1990, acompanha as aventuras de um rapaz que embarca em diversas aventuras extraordinárias ao lado de seu pai, um cientista. Inspirada nos programas de rádio dos anos 1930 e nos gibis da mesma época, a série animada foi responsável por apresentar uma nova faceta da produtora Hannah-Barbera, uma vez que Jonny Quest, diferentemente de outros títulos como Os FlintstonesManda-Chuva, era mais realista e sério.

 O Dr. Benton Quest era convocado para missões perigosas a serviço do governo, sempre envolvendo ciência e mistério, além de espionagem. Roger “Race” Bannon, o guarda-costas, era uma espécie de babá dos meninos, sempre salvando-os de enrascadas. Bandit, o cãozinho do grupo, era, por natureza, curioso e muito assustado, sendo muitas vezes vítima de monstros e animais das selvas.

Para criar os personagens, o estúdio Hanna-Barbera chamou o veterano dos quadrinhos Doug Wildley. Seus cenários criativos marcaram o início de uma nova fase para os desenhos animados, um avanço notável, considerando traços e cores – geralmente muito fortes, condizendo com o roteiro de cada episódio. Como apresentavam cenas rápidas de ação, o trabalho foi grande e o estúdio teve que contratar um maior número de profissionais em relação às produções passadas.

Doug Wildley
Wildley era um quadrinista e ilustrador bastante conhecido na época.
As duas imagens acima mostram os estudos do artista para o personagem e sua família
Arte de Wildley para uma cena crucial de um dos episódios favoritos do público

A abertura parecia a de um filme, inclusive com créditos dos personagens – uma inovação para a época. A música-tema também ajudou na popularização do seriado. 

Apesar do sucesso instantâneo, o estúdio produziu apenas uma temporada da série porque cada episódio era caríssimo de se fazer – afinal, os roteiros eram complexos e a animação era muito realista. Sem mencionar que cada episódio durava cerca de 20 minutos e levava uma eternidade para ficar pronto, atrapalhando, por assim dizer, a produção de outras séries que eram gravadas simultaneamente e sugando os recursos necessários a tantas produções menos complexas e mais rentáveis: Maguila, o Gorila; Formiga Atômica; Esquilo sem Grilo, Sinbad Jr. e outras. Sem mencionar a série mais famosa de todas e que, nos Estados Unidos, ocupava o chamado horário prime-time (  “horário nobre” no Brasil) da rede ABC, derrotando concorrentes como A Feiticeira e Os Monstros.

Jonny Quest ainda recebeu muitas críticas por exibir cenas violentas e monstros assustadores, que podiam “provocar pesadelos nas crianças”.

Infelizmente, todo o esmero da equipe e investimento do estúdio não salvaram a produção, cancelada com apenas 26 episódios.

Mas até hoje seus personagens carismáticos continuam sendo lembrados, seja pelos antigos fãs ou pelos novos, conquistados pelas reprises regulares ou pelos episódios disponíveis na internet.

Jonny era o curioso, intrometido e corajoso menino que encabeçava o elenco. Sempre acompanhado de seu fiel buldogue Bandit, imposto pelo produtor Barbera a fim de agradar à audiência infantil. Tanto que Wildey criou o amigo indiano Hadji como uma maneira de evitar que Jonny passasse o desenho conversando com seu cão.

Adotado pelo pai de Jonny, Dr. Benton Quest, Hadji possuía alguns poderes mágicos que herdou de sua cultura. Mesmo usando eternamente um turbante, o menino não era tratado de maneira leviana pelos roteiros, que o preservavam de abordagens racistas e irrelevantes.

Dr. Quest era protegido pelo grisalho agente (e galã) Roger “Race” Bannon, inspirado no ator Peter Graves, que ficou mundialmente famoso ao estrelar o seriado Missão Impossível.

O grande vilão era o dr. Zin, homenagem aos facínoras de seriados dos anos 1940 e arqui-inimigo mortal do dr. Quest.

E havia espaço ainda para belas mulheres, que davam trabalho a Bannon, que chegou a beijar intensamente a vilã Jezebel Jade, com quem tivera um caso no passado. Isso num desenho feito há mais de 50 anos…

Estudo de Doug Wildley para a bela Jezebel Jade.

Atendendo aos fãs, em 1986 Quest retornou, porém infantilizado em 13 novas (e fracas) aventuras. Em 1997, veio a última série, com 52 episódios, recheada de efeitos de computador (o “Mundo Virtual Quest”) e com os personagens mais envelhecidos. Também não teve apelo.

Tomara que Jonny Quest volte mais interessante em sua estreia nas telonas. Vamos aguardar…

Fontes:

Wikipedia

adorocinema.com.br

infantv.com.br

judao.com.br

O mago dos efeitos sonoros

Quando a gente conversa sobre efeitos sonoros engraçados e que são usados em animação, em games e até em filmes, a primeira lembrança que vem à mente são os efeitos sonoros dos desenhos da Hanna-Barbera.

Eles de fato foram os pioneiros a usar esses efeitos nos desenhos animados para a TV, lá no começo dos anos 1960. Criaram uma biblioteca enorme de sons, como o bongô tocado rapidamente para o som dos pés de um personagem saindo correndo. Ou o som de uma freada de carro quando alguém parava de repente. Muitos deles são usados até hoje, seja na forma original, seja reciclados com as novas tecnologias – e até inspirando os efeitos sonoros dos animes.

Mas muita gente não sabe que, há mais de 80 anos… um cara meio maluco foi contratado pelos Estúdios Disney para gravar uma música para um dos desenhos do Mickey, e acabou se tornando o chefe do Departamento de Efeitos Sonoros da empresa!

O Mago dos efeitos sonoros

 

Jimmy Macdonald criou, segundo suas próprias contas, cerca de 25.000 sons ao longo de sua carreira na Disney, que durou mais de 40 anos. Começou cantando à tirolesa, dublando os anões de “Branca de Neve”, fez a voz do Mickey substituindo Walt Disney, que não tinha mais tempo de fazer isso e também porque, de tanto fumar, já não alcançava o falsete do personagem.

Jimmy criava sons para os desenhos usando o que tivesse à mão. Por exemplo, um par de cocos para representar o galope de cavalos. Quando não havia nada que pudesse usar, ele inventava o aparelho e imitava o som de trovões, de chuva, de passarinhos cantando, tudo de forma artesanal, sem manipulação como se faz hoje – e sincronizando com a imagem e com a orquestra, que tocava o tema musical.

Atualmente, esse trabalho de sonoplastia tem inúmeros recursos tecnológicos à disposição, mas os principais designers se inspiram no velho Jimmy. Especialmente quando a Pixar, por exemplo, tem como um de seus pilares os efeitos sonoros.

“Wall-E”, de 2008, é o melhor exemplo. O filme não tem diálogos, e os personagens se comunicam por meio de chiados e outros sons exóticos. O engenheiro de som do filme, Ben Burtt – considerado o pai do design sonoro moderno e que criou os efeitos sonoros da trilogia clássica de “Star Wars”, – fala sobre isso no vídeo abaixo. E se refere à sua maior inspiração, o mago Jimmy Macdonalds.

Ele mostra como a sonoplastia era criada nos antigos desenhos da Disney, e como a genialidade e o improviso ajudaram a criar a magia desses desenhos, magia que ele continua a buscar nos dias de hoje.

 

 

Para sempre coadjuvantes


Você conhece a fisionomia, mas em alguns casos provavelmente não se lembra do nome. Alguns deles estrelaram um ou dois filmes, ou séries de TV, mas foram os papéis de coadjuvantes que lhes trouxeram fama e reconhecimento. São todos, sem exceção, atores de talento – mas, por alguma razão que só os deuses de Hollywood sabem, poucas vezes ganharam papéis de maior destaque.

Confira:

David Morse

Gosto muito dele, especialmente em “Guerra Mundial Z”, “Guerra ao Terror” e “À Espera de um Milagre”. O ator de 1,93 m trabalhou em teatro pelo menos 10 anos antes de se aventurar no cinema e na TV, onde participou de 94 produções até agora, desde 1980…

Kevin Bacon

Talvez o mais conhecido de todos os grandes coadjuvantes, por causa dos papéis principais em “Footloose” e “O Homem sem Sombra”.  Mas, assim como David Morse, começou nas telas entre 1979-1980 e já tem mais de 90 produções no currículo, entre séries de TV e filmes no cinema.  Ficou mais conhecido por filmes como “Questão de Honra” com Tom Cruise, e “RIPD Agentes do Além”, ao lado de Jeff Bridges.

Danny Trejo

Tudo bem que ele foi o “Machete”, mas acho que Danny Trejo é o sinônimo de ator coadjuvante.  Quando jovem, entrou e saiu da cadeia durante 11 anos, por roubo e posse de drogas. Depois de entrar num programa de reabilitação, conheceu um jovem que trabalhava numa produção, “Expresso para o Inferno”, de 1985, onde ganhou um papel. Esse foi o primeiro filme dos 355 (sim, isso mesmo, 355!) em que trabalhou, seja no cinema ou na TV.

John Goodman

Ator fantástico, foi o Fred Flintstone no cinema, mas sua cara redonda – e seu enorme carisma e talento – brilharam em 154 produções – e contando… É conhecido por filmes como “O Grande Lebovski”, “Kong, a ilha da Caveira”, “Argo” , “Speed Racer”, “Barton Fink”e tantos outros. Mas, para mim, sua participação mais marcante foi em “Possuídos”, com Denzel Washington e Donald Sutherland. Mais abaixo, a abertura do filme com outro sensacional ator coadjuvante, Elias Koteas.

Steve Buscemi

Outro tremendo ator e cuja cara todo mundo conhece de algum filme ou seriado de TV. Foi a maior surpresa – só para quem não conhecia seu talento – ele ter sido escolhido pelos produtores do seriado “Boardwalk Empire”, Mark Wahlberg e Martin Scorcese, para ser o protagonista. Porque Steve Buscemi é mais conhecido pelas participações secundárias em filmes como “Con Air”, “Armaggedon”, “Cães de Aluguel” ou ‘Pulp Fiction”, e ainda no premiadíssimo seriado “Família Soprano”.  Ele continua muito ativo, assim como os citados acima, com participações em novas produções para o cinema e TV.

Joe Pesci

Esse ítalo-americano baixinho é o mafioso perfeito, e foi dirigido como tal por Martin Scorsese em “Os Bons-Companheiros” (filme que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante) e “Cassino” – trabalhou com o diretor ainda em “Touro Indomável”. Quando não está matando alguém enforcado, causando traumatismos cranianos com telefones ou atirando no pé de um subalterno que esqueceu sua bebida, também pode ser visto em papéis mais “leves”, como um dos bandidos trapalhões de “Esqueceram de Mim”. Mas talvez seu papel mais marcante foi em “Máquina Mortífera 2”, com Mel Gibson e Danny Glover.

William H. Macy

Outro dos grandes atores que todo mundo já viu em filmes e seriados para a TV, já esteve em “Magnólia”, “O Poder e a Lei”, “Seabiscuit – Alma de Herói”, “Jurassic Park 3” e cerca de outras 130 produções, entre filmes e séries, desde 1978, quando começou a trabalhar como ator, na TV. Seu papel de maior destaque foi em “Fargo”, onde vive um homem covarde que planeja o sequestro da própria mulher.

Stanley Tucci

Ator fantástico, Stanley Tucci é ainda diretor, produtor e roteirista. Foi indicado para diversos prêmios, incluindo um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua performance em “Um Olhar do Paraíso”.  Ficou mais conhecido por suas participações nos filmes “O Diabo Veste Prada” e “O Terminal”.

 

 

 

 

 

 

HOLLYWOOD CONTRA HITLER

Hitler não era o semianalfabeto que a propagada dos aliados fez o mundo acreditar. Ele era uma pessoa instruída e um leitor voraz. Segundo amigos, vivia sempre com um livro debaixo do braço e tinha pilhas de livros em casa.

Claro, quantidade não é e nunca foi sinônimo de qualidade, e é bem possível que ele tenha interpretado de forma errada os escritos do filósofo Arthur Schopenhauer, por exemplo, um de seus ícones. Mas o líder nazista era um sujeito educado e inteligente, isso não se pode negar. E aprendemos que líderes educados e inteligentes, e ainda carismáticos e donos de uma oratória convincente, podem provocar grandes mudanças.

Para o bem e para o mal.

Quando Hitler passou a usar maciçamente os então modernos meios de comunicação de massa, como rádio e cinema, para propagar a ideologia nazista, o mundo começou a perceber que ele poderia ser perigoso. Os filmes de propaganda, dirigidos pela cineasta preferida do Führer Leni Riefenstahl, eram extremamente bem feitos. Além de exaltar a figura de Hitler, a superioridade alemã e de sua raça Ariana, eles também a inseriram na história do cinema, com suas técnicas novas de enquadramento, ângulos de câmera, iluminação e nus.

No vídeo abaixo, alguns excertos do filme mais conhecido, O Triunfo da Vontade. Neles estão presentes as principais figuras do nazismo e todos os elementos da arte da propaganda do regime.

O famoso diretor americano Frank Capra percebeu o tremendo poder dessa brilhante peça de propaganda quando a assistiu, em 1943. Ele surpreendeu-se com o cinema produzido pelo Terceiro Reich.

Na sua opinião, o longa-metragem de Riefenstahl, mais do que a celebração do congresso do partido nazista na cidade de Nuremberg, em 1934, representava uma convocação sedutora à obediência e à agressão. “Estamos mortos. Acabados. Não podemos ganhar essa guerra”, declarou. Mas logo decidiu usar as mesmas armas e produziu sete documentários para as Forças Armadas americanas: “Vamos deixar os nossos jovens escutar os nazistas e japas gritarem as suas reivindicações de pertencimento a uma raça superior, e os nossos soldados vão saber por que eles estão em uniformes”, declarou o diretor. Why We Fight, o título da série, explicava por que a guerra contra a Alemanha, a Itália e o Japão era indispensável para a liberdade, usando inclusive trechos de “O Triunfo da Vontade”.

O trailer a seguir é do lançamento da série em DVD, em 2011:

Capra não esteve sozinho no combate ideológico ao nazifascismo. Ele e outros quatro realizadores de Hollywood formaram um grupo a serviço do governo dos EUA.  As razões alegadas por Capra, John Ford, John Huston, William Wyler e George Stevens para se alistar são usuais: o chamado do dever e o fascínio pela aventura.  

Capra foi o único dos realizadores a trabalhar para as Forças Armadas sem pisar em um campo de batalha. A atuação fora do front poupou-lhe danos físicos e psicológicos. Wyler, por exemplo, ficou praticamente surdo depois de filmar dentro de um bombardeiro. Huston voltou para os EUA com transtorno de estresse pós-traumático. Dirigiu Let There Be Light (1946), um documentário a respeito da “neurose da batalha” ou “aniquilação do espírito”. As Forças Armadas censuraram o filme por mais de 35 anos…

Stevens também se traumatizou. Em quase três décadas, o diretor de O Diário de Anne Frank (1959) calou-se sobre a sua experiência na liberação do campo de concentração de Dachau em 1945. Quando se pronunciou, ele citou A Divina Comédia. “Era como se vagasse por uma das visões infernais de Dante.” Enquanto desviava de cadáveres e de sobreviventes de corpos esqueléticos, Stevens filmou tudo o que testemunhava. O material serviu como prova contra os nazistas nos julgamentos de Nuremberg. 

Ford foi o primeiro dos cinco a se arriscar quando registrou o ataque aéreo dos japoneses ao Atol de Midway, no Oceano Pacífico. Enquanto filmava The Battle of Midway (1942), foi atingido por estilhaços. As imagens tremidas, a perspectiva distorcida e o foco turvo criaram um modelo mais realista, incorporado aos documentários de guerra que o sucederam. 

Five Came Back é o título que se deu a esses cinco documentários desses fabulosos diretores, e que mudaram a história do cinema.

Para demonstrar a tremenda influência da técnica desses diretores sobre os filmes posteriores, basta dizer que os primeiros 25 minutos de O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg, se devem às filmagens do Dia D dirigidas por Ford e Stevens. A estética de A Batalha de San Pietro, de John Huston, influenciou Platoon (1986), de Oliver Stone, e Guerra ao Terror (2009), de Kathryn Bigelow.

Mas a contrapropaganda produzida por Hollywood não se limitou aos documentários. Mesmo antes de os Estados Unidos entrarem oficialmente na guerra, a Warner Bros., um dos maiores estúdios da época, lançou em 1941 o filme antinazista estrelado por Gary Cooper, Sargento York, no qual um jovem pacifista abre mão de sua crença para matar e salvar outras vidas.

Os Estados Unidos ainda mantinham relações diplomáticas com a Alemanha, em 1940, e embora muitos militares e políticos pressionassem o presidente Roosevelt a abandonar sua neutralidade, a população era fortemente contra a entrada do país em mais uma guerra (isso só foi mudar em 1943, depois do ataque japonês a Pearl Harbor). Mas Charlie Chaplin não podia perder a oportunidade de ridicularizar o ditador alemão.

Aproveitando uma série de ataques por parte dos nazistas sobre sinagogas e lojas de judeus situadas na Alemanha, fato conhecido como a “Noite dos Cristais”, Chaplin produziu O Grande Ditador em 1940. O filme foi censurado em vários países, inclusive aqui no Brasil, e deixou Hitler furioso.

Hoje, é um clássico do cinema:

Mas Hollywood tinha outras armas em seu “exército”, e uma das mais poderosas foi Walt Disney. Disney teve seu estúdio “engajado” no esforço de guerra. Além de ver diversos de seus animadores convocados para lutar, se viu contratado pelas Forças Armadas para produzir filmes de treinamento e propaganda. Um dos mais celebrados produtos do front cultural do conflito foi o curta animado A Face do Führer, propaganda antifascista que venceu o Oscar de melhor curta de animação de 1943.

Na trama, Donald acorda na Alemanha Nazista, ao som de uma canção que exalta Adolf Hitler, num quarto cercado de suásticas. Logo de manhã, ele saúda Hitler, Hirohito e Mussolini.

Forçado a sair da cama, ele logo se veste com a indumentária nazista e toma seu terrível café da manhã. O pão, envelhecido, está tão duro que é preciso fatiá-lo com um serrote. Logo, Donald é obrigado a ler o livro Mein Kampf, escrito pelo Führer. Acuado, Donald é levado até a fábrica de armas, onde terá de trabalhar “48 horas por dia”, “como um escravo”, para Hitler. A cena na qual o pato tem de atarraxar bombas é uma clara alusão ao clássico Tempos Modernos, de Chaplin. Ao final, Donald felizmente acorda do que se revela ter sido um pesadelo. “Eu estou feliz por ser um cidadão dos Estados Unidos da América”, diz, ufanista.

Usar todas as suas armas foi a maneira que Hollywood encontrou para se contrapor á sofisticada máquina de propaganda nazista.

Mas a ofensiva dos Aliados não se limitou a isso. Quando foi preciso vencer essa guerra, a BBC teve uma ideia engenhosa: contar a verdade sem vernizes. A médio prazo, a sobriedade e o respeito aos fatos e à objetividade levaram a melhor sobre os discursos exaltados de Goebbels e Hitler.

Mas essa é uma história para uma outra vez…

Grandes cenas que não estavam nos roteiros

O grande Jack Nicholson

Ao contrário de outras expressões artísticas, como o teatro e a música, o cinema não costuma dar muito espaço para improvisações. Uma ou outra frase pode até ser dita de maneira diferente ou excluída pelo ator na hora da gravação, mas as cenas seguem um caminho bem definido, pautado pelo roteiro e pelas indicações prévias do diretor. Se assim não fosse, imagine quanto tempo levaria um filme para ser gravado, com as improvisações de astros como Jim Carrey ou o falecido e genial Robin Williams (conhecido como o “rei do improviso”)?

Mas…

Há quem ouse desafiar o que estava definido e, no meio da filmagem, partir para algo diferente ou propor outra solução. Se a mudança for genial, segue para a posteridade. Se não for, paciência, grava-se novamente e adeus ao improviso. O repórter Jeremy Singer, do Business Insider, faz uma lista de 10 grandes cenas que não estavam no roteiro, e escolhi cinco delas para mostrar. Se quiser ler o artigo na íntegra, está (em inglês) aqui.

“Heres Johnny!” – O Iluminado (The Shining,1980)

A imagem de Jack Nicholson com a cara enfiada no meio da porta e gritando “Heeeeere’s Johnny” se tornou uma das cenas mais lembradas do clássico do terror de Stanley Kubrick. A frase “Here’s Johnny” foi improvisada por Nicholson — ela era usada como frase de efeito pelo comediante Johnny Carson em um programa de televisão da década de 1950. Ponto para Jack, que colocou a frase na boca de toda uma nova geração.

A infância do soldado Ryan – O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, 1998)

O drama de Steven Spielberg é o filme de guerra preferido de muita gente, não à toa. A cena inicial, com a chegada dos soldados americanos à Normandia, entrou para a história do cinema. Evidentemente, nada dela poderia ter sido improvisado, e uma das sequências mais marcantes de todo o filme o foi: ocorre quando os personagens de Tom Hanks e Matt Damon aproveitam uma pausa nos combates para compartilhar histórias de suas vidas como civis, junto da família. O monólogo do soldado Ryan, quando  ele conta uma anedota sobre seu irmão e uma garota, surgiu diretamente da cabeça do ator, que ainda nos brinda com uma atuação inspirada. Prova de que Damon é mesmo uma celebridade acima da média.

“Are You Talkin to Me?” – Taxi Driver (1976)

Esta é a minha cena favorita de todas… Na pele do desajustado Travis Bickle, Robert De Niro olha para o espelho e começa a soltar frases de efeito, como se estivesse desafiando alguém. Ele pergunta: “Você está falando comigo?”. E, em seguida, aponta a arma escondida na manga do casaco. Um show de improvisação de De Niro em uma cena que ficou marcada na história do cinema — e certamente já foi repetida na frente do espelho por uma infinidade de atores e… cinéfilos, como eu, eh eh eh! Segundo o Business Insider, o roteiro de Paul Schrader apenas sinalizava que o personagem falava consigo mesmo no espelho. Aí, o genial ator decidiu aprofundar a cena como uma mostra do estado cada vez mais caótico da personalidade do taxista.

“Take the cannoli” – O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972)

Claro que o épico de Francis Ford Coppola, O Poderoso Chefão, teria numerosas frases clássicas e cenas antológicas, e esta é apenas uma delas… Mas o curioso é que uma das frases mais marcantes não estava no script. Durante uma saída básica para dar cabo de um desafeto, o mafioso Peter Clemenza recebe a incumbência de sua esposa de levar pra casa o cannoli, tradicional sobremesa siciliana. Segundo o roteiro original, após matar o traidor Paulie, Clemenza apenas diria para o capanga que o acompanhava para deixar a arma no local. O ator Richard Castellano, porém, não perdeu a oportunidade de fazer uma graça e acrescentou uma frase à ordem, um tanto quanto inusitada para a situação. Daí nasceu o “leave the gun, take the cannoli”.

Indiana contra o espadachim – Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark)

Acho que esta cena improvisada é a mais conhecida de todas. Segundo o roteiro, Indiana Jones deveria se envolver em uma perigosa luta com o espadachim, utilizando seu chicote. O pobre ator que “lutaria” com Harrison Ford ficou ensaiando as manobras com a espada por semanas, coreografando todos os movimentos. Ele só não contava que uma indisposição estomacal acabasse atacando o astro na noite anterior, situação que o deixou com pouca paciência e disposição para rodar a cena. Pouco antes da gravação, Harrison Ford consultou o diretor Steven Spielberg e sugeriu o que acabou se tornando uma das cenas mais divertidas do filme: Indiana ignora as acrobacias do espadachim e o despacha com um único tiro.

 

Há muitas outras, como a do Heath Ledger como Coringa explodindo o hospital em O Cavaleiro das Trevas, ou Bill Murray em Tootsie, ou ainda Martin Sheen socando o espelho em Apocalypse Now, do Coppola.  E até Woody Allen, que nunca permitiu improvisações em seus filmes, espalhando 2.000 dólares de cocaína com um espirro em Noivo Neurótica, Noiva Nervosa. Talvez eu prepare uma continuação desta postagem, para mostrar essas e outras cenas antológicas… e improvisadas!

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

  • Rafael Waltrick, gazetadopovo.com.br

Me, Tarzan

As Olimpíadas no Rio terminaram, com muitos medalhistas batendo recordes, e outros se aposentando. Um deles foi o fenomenal Michael Phelps, um dos maiores atletas de todos os tempos. Quebrou trinta e sete recordes mundiais e conquistou o maior número de medalhas de ouro olímpicas (oito) em uma única edição, nos Jogos de Pequim de 2008. O que será que ele vai fazer agora, que abandonou a natação? Não se sabe.

Será que vai seguir o caminho de outro nadador que teve uma carreira excepcional, tendo conquistado cinco medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928? Ele estabeleceu 67 recordes mundiais de natação e ganhou 52 campeonatos nacionais, sendo considerado um dos melhores nadadores de todos os tempos.

Estou falando de Johnny Weissmuller, medalhista olímpico na natação, mas que ficou muito mais conhecido por interpretar Tarzan no cinema, depois que se aposentou das piscinas. Ele é o dono do grito imortal:

Janos (Johann) Weiszmueller nasceu em 2 de junho de 1904 na cidade de Szabadfalu, na Romênia, cuja população era uma mistura de rumenos, austríacos, sérvios, húngaros e austríacos. Em 1905, os Weiszmueller tiveram outro filho, Petrus, que nasceu na Pensilvânia, nos Estados Unidos, para onde a família emigrara.

Aos doze anos de idade, Johnny saiu da escola pública e, para ajudar nas despesas da família, trabalhou como mensageiro de hotel e depois como ascensorista, frequentando, nas horas vagas, uma escola de natação. Em 1916, ele entrou para a equipe de natação da YMCA (Young Men’s Christian Association). Pouco tempo depois, encontrou o homem que mudaria sua vida: o técnico “Big Bill” Bachrach, principal treinador do Illinois Athletic Club de Chicago. Johnny começou seu treinamento sob as ordens de Bachrach em outubro de 1920, e se preparou para a Olimpíada.

Durante alguns meses de 1922 e todo o ano de 1923, Johnny venceu prova após prova. Na Olimpíada de 1924, Johnny Weissmuller ganhou medalhas de ouro nos 100 e 400 metros em estilo livre, e uma terceira medalha de ouro integrando a equipe de revezamento para os 800 metros.

No seu retorno aos Estados Unidos, ele descobriu que havia se tornado uma celebridade. Todo mundo queria conhecê-lo, desde o presidente americano até as maiores celebridades do país. Seu treinador vetou a maioria dos convites, mas como era fã de Douglas Fairbanks, aprovou uma visita ao estúdio da MGM.  Durante o almoço, Johnny foi apresentado a um homem chamado Sol Lesser, que o ignorou completamente. Lesser estava tentando convencer Fairbanks a realizar um filme baseado em Tarzan of the Jungle de Edgar Rice Burroughs, porém, Fairbanks não estava interessado. De repente, Fairbanks olhou para Johnny e disse: “E este rapaz? Seu nome é Johnny Weissmuller, ele é um ídolo nacional da natação, e até que se parece com Tarzan, você não acha?”. Lesser se virou e olhou pela primeira vez para Johnny. “Acho que não”, respondeu Lesser. “O que precisamos para este papel é de um astro!”. Assunto encerrado.

Na Olimpíada seguinte, de 1928, ele ganhou mais duas medalhas e nem teve tempo de curtir a fama. Mal chegou em casa e seu treinador o levou a uma competição no Japão. Os treinadores japoneses ficaram muito impressionados com o jovem nadador americano e lhe ofereceram um emprego como treinador de seus estudantes para a próxima Olimpíada, que se realizaria no Japão. Johnny recusou e os japoneses lhe disseram que ele iria se arrepender. Johnny deu uma risada e disse: “Veremos, meu amigo Buster Crabbe estará competindo e eu estou apostando nele”.

Buster Crabbe

Buster Crabbe

Na Olimpíada de 1932, Crabbe ganhou uma medalha de ouro, vencendo por apenas um décimo de segundo o campeão francês Jean Taris. Crabbe comentaria mais tarde que aquele um décimo de segundo mudou sua vida, porque – assim como acontecera com Weissmuller – foi graças à natação que ele foi para o cinema, ao ser contratado em 1933 para viver Tarzan no seriado Tarzan, o Destemido (Tarzan the Fearless).

O grande sucesso veio logo depois ao estrelar o seriado “Flash Gordon” e mais tarde o explorador Buck Rogers, ambos pela Universal Pictures.

Voltando a Weissmuller, antes de Crabbe, ele havia estrelado o longa-metragem Tarzan, o Filho das Selvas (Tarzan, the Ape Man) em 1932, logo após ter abandonado as piscinas. Esse filme foi  foi rodado nos estúdios da MGM com todos os requisitos das produções classe “A”, tendo o departamento de som providenciado o célebre berro, os roteiristas um dialeto tarzânico e, para as cenas mais arriscadas nos cipós, haviam os trapezistas The Flying Codonas (Alfredo e Tony Codona). O roteiro guardava pouca semelhança com o Tarzan de Burroughs e omitia todas as referências à origem do Homem-Macaco, concentrando-se nas relações românticas entre ele e a jovem inglesa Jane Parker, interpretada por Maureen O’ Sullivan.

Jane Parker penetra na selva africana num safári, juntamente com seu pai e dois caçadores, em busca de um misterioso cemitério de elefantes. Tarzan rapta Jane e o safári é capturado por uma tribo de pigmeus. Tarzan vai resgatá-los – com a ajuda de uma manada de elefantes num final excitante. A combinação de Johnny Weissmuller e Maureen O’ Sullivan foi uma mágica absoluta. “Me Tarzan, You Jane” subitamente tornou-se uma expressão conhecida em todo o mundo (embora a verdadeira frase dita por Tarzan tivesse sido “Tarzan, Jane”).

Jane e Tarzan

Jane e Tarzan

Weissmuller interpretou o personagem em 12 filmes, e a derradeira personificação do herói de Burroughs deu-se em Tarzan e as Sereias ( Tarzan and the Mermaids) em 1948. Durante os entendimentos a respeito de novos filmes, Johnny pressionou o estúdio para receber uma participação nos lucros e os produtores  preferiram não renovar o contrato do ator, declarando que ele estava sem forma física para o papel.

O último filme de Tarzan com o antigo campeão olímpico de natação no papel.

O último filme de Tarzan com o antigo campeão olímpico de natação no papel.

Depois de Tarzan, ele interpretou com sucesso a personagem Jim das Selvas na série do mesmo nome, entre 1948 e 1955. Foram dezesseis filmes ao todo, com duração média de setenta minutos cada. Em 1955, a série transferiu-se para a TV, tendo sido feitos vinte e seis episódios de meia hora cada. Já envelhecido e obeso, Weissmuller tentava dar vida a uma personagem atlética e aventureira, e esse final melancólico marcou sua despedida das câmaras.

Jim das Selvas, personagem dos quadrinhos criado por Alex Raymond, o talentoso desenhista de Flash Gordon

Jim das Selvas, personagem dos quadrinhos criado por Alex Raymond, o talentoso desenhista de Flash Gordon

No final dos anos 1950, Weissmuller mudou-se para Chicago, onde fundou uma empresa de piscinas. Seguiram-se outros empreendimentos, a maioria envolvendo Tarzan ou a natação de uma forma ou de outra, mas sem grandes resultados. Aposentou-se em 1965 e, no ano seguinte, juntou-se aos ex-Tarzans Jock Mahoney e James Pierce para a campanha publicitária de lançamento da série de TV Tarzan, estrelada por Ron Ely.

Em 1967 sua imagem foi imortalizada na capa do LP Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.

Ali está ele, atrás de Ringo e Paul.

Ali está ele, ao fundo, entre Ringo e Paul.

Morreu vítima de um edema pulmonar em Acapulco, no México, em 1984, onde vivia com a sexta esposa.