Foto de pássaros vira música

Um belo dia, o repórter fotográfico d’O Estado de S. Paulo Paulo Paulo Pinto fez uma imagem de pássaros pousados em fios de luz no interior do Rio Grande do Sul. Na publicação no jornal, o publicitário Jarbas Agnelli viu música. Na disposição dos pássaros nos fios, ele enxergou notas musicais que poderiam se tornar uma bela canção.

A foto chamou atenção por ter cinco fios de alta tensão, o numero exato de linhas de uma pauta musical. O publicitário explicou o processo:

“Lendo o jornal de manhã me deparei com uma foto de pássaros nos fios. Recortei a foto e decidi compor uma música, usando a exata posição dos pássaros como notas. Pura curiosidade em ouvir que melodia aqueles pássaros estariam criando. Esse trabalho foi feito sobre a foto original, publicada num dos maiores jornais brasileiros “O Estado de São Paulo” em 27/ago/2009, e clicada por Paulo Pinto. (nota: eu apenas apaguei os pássaros para o efeito no fínal, mas não mudei suas posições)”.

Depois de tocar a música no piano, Agnelli pesquisou quem era o dono da foto e lhe enviou a música. Animado com a ideia, o fotógrafo Paulo Pinto retornou a Agnelli enviando a foto original sem cortes. “Ele ficou superemocionado e muito feliz. Mandou a foto original de volta, que tinha mais passarinhos, porque a foto havia sido cortada nas duas pontas. Aí eu ganhei mais umas quatro notas para um lado e umas quatro notas para o outro”, contou o músico.

Animado com a ampliação da peça, Jarbas voltou ao computador e refez a música toda em mais uma madrugada. Feliz com o resultado, resolveu criar um vídeo que explicasse seu raciocínio nessa leitura.

O vídeo, que fez enorme sucesso, segue abaixo:

A música foi composta no Logic. O vídeo, no After Effects. “Birds on the Wires” foi vencedor do Youtube Play Guggenheim, selecionado entre 23.000 concorrentes.

 

 

Fontes:

Estado de S. Paulo

industriacriativa.espm.br

 

Jornal publica “erramos” 163 anos após dar notícia

Geralmente, erros em impressos são corrigidos na edição seguinte – quando são corrigidos… -, mas um jornal de Nova Jersey, nos EUA, não viu problema em corrigir uma informação dada em uma publicação de 1852.

erramos_herald_rep_01Faça as contas. O New Jersey Herald corrigiu o erro 163 anos depois! A reportagem era sobre um ataque de urso a um garoto. O texto não informava o local da fatalidade, então as pessoas presumiram que tivesse ocorrido em Nova Jersey. Mas com a correção, os leitores ficaram sabendo agora que o ataque ocorrera no Arkansas…

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Eu me pergunto se ainda tem alguém vivo da época para ler essa informação…

Manda estagiário fazer, dá nisso…

Todo mundo brinca com o estagiário.

Uma definição científica que corre por aí diz que o estagiário é uma subespécie chamada Inutilis RastejantisPodem atingir um nível cognitivo muito próximo ao dos seres humanos normais,  diferenciando-se apenas por serem acometidos de algumas anomalias cerebrais irreversíveis, o que para esta subespécie é um indicativo de evolução. Ao atingir esse nível, eles passam a ser chamados de Chatus uni-eskina-universitarius.

No meio corporativo, o estagiário é tido como uma criatura que não tem nada para fazer e não tem raciocínio próprio, porém sabe reconhecer uma ordem simples e está disposto a trabalhar mais e ganhar menos que os outros membros da empresa.

Normalmente, o estagiário é contratado para realizar o trabalho de outros profissionais para que estes tenham tempo de jogar Candy Crush e postar no Facebook. 

Por mais que o estagiário diga que “não é bem assim”, de tempos em tempos surgem evidências de que… “Sim, é assim”. Vejam o exemplo abaixo:

Eu encerro meu caso, Meretíssimo.

Esses anúncios a gente não veria hoje

Claro que a propaganda sempre está à mercê dos costumes da época, e são anúncios sempre de conveniência. Ou seja, aquilo que era possível anunciar no passado pode não ser mais tão conveniente assim décadas depois. E sempre achei interessante resgatar as propagandas que nossos avós viam em sua época e observar como certas coisas, hoje absolutamente inaceitáveis, eram encaradas com normalidade então.

Por exemplo, esse anúncio de 1929:

Ainda no tema de anúncio de armas, este aqui, do começo do século passado, dizia que o revólver podia ficar exposto em qualquer lugar da casa porque tinha uma trava que impedia que disparasse…

Este anúncio, da mesma época, vendia um alvejante tão bom que “eles ficariam negros brancos”.

Em 1900, foi lançado um produto inovador,  uma lâmina mais segura que fazia a barba sem ferir a pele e evitava acidentes. Para mostrar como era segura, usaram a imagem de uma criança, assim como no anúncio do revólver, mais acima.

Quer dizer,  os produtos eram tão seguros que não fazia mal nenhum começar cedo a dar tiros com o revólver ou fazer a barba… Aliás, essa cultura maluca de possuir armas nos Estados Unidos gerou até o anúncio abaixo, na década de 1960. Olha que presentes legais para o Natal!

O hábito de fumar era arraigado em todos os países. Mas foi nos Estados Unidos, de novo, por volta de 1940, que uma fabricante de cigarros colocou um médico endossando sua marca. O anúncio dizia que, numa pesquisa com mais de 100 mil médicos no país, a marca de cigarros preferida tinha sido a sua. Quer dizer, “se você fuma X, o resultado da pesquisa não é surpresa. Se não fuma, experimente X agora”. Eles eram muito ingênuos quanto aos malefícios do fumo na época…

Anos mais tarde, em 1953, um anúncio de ketchup disse que sua nova embalagem do produto era tão fácil de abrir que “até uma mulher conseguiria”. É mole?

Esse estilo de propaganda, em que a mulher era mostrada como uma tonta avoada, foi muito comum entre as décadas de 1950 e 1970. Segundo uma marca de café, se uma esposa não preparasse a bebida com o seu produto e usasse outros – afinal, o seu era supostamente o melhor -, o marido teria todo o direito de lhe dar umas porradas…

Mas voltando ao Brasil,  os anúncios do passado que achei mais sem noção foram os de venda de escravos. O anúncio abaixo foi publicado por volta de 1871, no Estadão, na época chamado “A Província de São Paulo”.

Já o anúncio seguinte saiu na cidade de Desterro, Santa Catarina, no Jornal “O Despertador” de 26 de janeiro de 1864:

Anos depois, por volta de 1900, em um cartaz espalhado por várias casas comerciais do Rio, via-se a propaganda do lança-perfume “Alice”, sofisticado e erótico em sua mensagem porque era um produto importado da França. Somente em 1961 o lança-perfume foi proibido no Brasil. Até lá, todo mundo ficava meio doidão durante o tríduo momesco…

Hoje, a maioria dos anunciantes não teria coragem de aprovar anúncios assim. O incrível é que todos foram postos em circulação, e alguns deles – por exemplo, os que mostravam as mulheres como “Amélias” – foram publicados em jornais e revistas não faz tanto tempo assim!

 

 

 

 

As Manchetes do Meia-Hora

Existe um jornal no Rio de Janeiro que nunca li, mas de tempos em tempos vejo suas capas. E desconfio que ele se tornou popular no país justamente pelas manchetes e pelas capas, das mais criativas e divertidas dos últimos anos.

Pelo que pesquisei, a proposta do jornal é apresentar as notícias com uma linguagem fácil de ler e com textos curtos, e o tabloide é muito criticado pelos leitores de jornais mais tradicionais justamente por seu conteúdo, geralmente mais popular, e por sua linguagem, que abusa de gírias e de um português bastante coloquial. Não tenho como opinar sobre o conteúdo, mas que suas capas são uma aula de comunicação, isso elas são: