Live Especial – 30 de julho às 20:00

Robert de Niro fez teste para o papel de Sonny Corleone… e não passou

O Poderoso Chefão não é apenas um filme: é uma religião. Poucas são as listas de melhores filmes de Hollywood em que não figura a saga da família Corleone. Sobre a história do filme, você já deve saber tudo o que há para saber.

Mas, e sobre os bastidores da escolha dos elenco, sobre o diretor? Então, vamos lá, tem muita coisa que eu não sabia.

  • Antes de Francis Ford Coppola, a direção de “O Poderoso Chefão” foi oferecida a Sergio Leone, responsável por clássicos do Western como “Três Homens em Conflito” e “Era uma Vez no Oeste”. O cara se recusou por achar que a história glorificava demais a máfia. Mais tarde, Leone se arrependeu de não tê-lo dirigido e acabou fazendo seu próprio filme do gênero: “Era Uma Vez na América”.
  • Coppola fazia questão que Marlon Brando interpretasse Don Vito, porém os executivos da Paramount não queriam o ator por causa de sua fama de causar problemas no set. Entre os cogitados para o papel estavam Laurence Olivier (o preferido do estúdio, mas seu agente recusou alegando que”Lorde Olivier não está trabalhando. Ele está muito doente. Ele vai morrer logo e não está interessado.” (Olivier viveu por mais 18 anos…), Orson Welles, Anthony Quinn e  Burt Lancaster, mas Coppola conseguiu convencê-los após gravar um vídeo com Brando transformado no personagem.
Laurence Olivier
Marlon Brando antes e depois da maquiagem para o papel de Don Vito Corleone. © Paramount Pictures and other respective Production Studios and Distributors.

 

  • Outro papel disputado desde o começo foi o de Michael Corleone… O estúdio queria Robert Redford ou Ryan O’Neal, porém Coppola queria um desconhecido que se parecesse com um ítalo-americano,  Al Pacino. Pacino não era conhecido, tendo aparecido em apenas dois filmes, e o estúdio não o considerava certo para o trabalho,  em parte também por causa de sua altura. Jack Nicholson, Dustin Hoffman, Warren Beatty, Martin Sheen e James Caan foram convidados para o papel e todos recusaram, exceto Caan – tornando-se a primeira escolha do estúdio para interpretar Michael. Pacino só recebeu o papel após Coppola ameaçar sair da direção. O estúdio concordou em ter Pacino como Michael sob a condição de Caan interpretar Sonny.
  • Para o papel de Sonny Corleone, mais uma vez foram testados vários atores, entre eles… Robert de Niro. Veja só seu teste, com uma fala provocadora (e hilária), caprichando no sotaque italiano:

De Niro era então um ator desconhecido, e fez ainda testes para o papel de Michael, não sendo aceito para nenhum… porém,  mais tarde interpretou um jovem Vito Corleone em O Poderoso Chefão Parte II, ganhando o Oscar de melhor ator coadjuvante.

James Caan como Sonny Corleone
  • Brando não tinha a fama de causador de encrenca à toa. Quando ganhou o Oscar em 1973 por sua interpretação como Don Vito Corleone, se recusou a receber a estatueta em protesto contra a discriminação aos índios americanos feita pelo governo e por Hollywood. Em seu lugar, mandou Marie Louise Cruz, conhecida como Sacheen Littlefeather, atriz e ativista Apache que lutava pelos direitos dos nativos americanos. Assista o vídeo.

  • A princípio, Coppola não queria dirigir o filme, porque achava a obra comercial demais. Porém, sua produtora Zoetrope, em sociedade com o diretor George Lucas, tinha uma dívida de US$ 400 mil dólares à Warner Bros por conta do fracasso do filme”THX 1138″, primeiro longa de Lucas. No final, Francis só aceitou entrar para a produção para pagar as contas.
No futuro, a humanidade vive abaixo da superfície da Terra, em uma sociedade onde os robôs são a força policial e as pessoas se divertem através da TV holográfica. Todas as pessoas tomam drogas diariamente, para controlar as emoções e manter a paz. Além disto, o sexo é proibido por lei. Um dia, o trabalhador THX 1138 resolve parar de tomar suas drogas e se apaixona por LUH 3417, sua colega de quarto, que engravida dele. Ao serem descobertos, eles se tornam bandidos em fuga. O filme, de 1971, é estrelado por Robert Duvall, que acabou ganhando um papel importante em “O Poderoso Chefão”.
  • Marlon Brando queria que o rosto de Don Corleone se parecesse com o de um bulldog. Para os primeiros testes de cena, encheu a boca com algodão. Para as gravações, utilizou próteses feitas por um dentista e que hoje estão em exposição no Museu Americano da Imagem em Movimento, em Nova York.
  •  Alguns atores como Brando, Pacino, Caan, e Robert Duvall se prepararam para o filme encontrando mafiosos de verdade. Entre os poucos criminosos que tiveram seu nome revelado está Carmine “The Snake” Persico.
  • Frank Sinatra aparece, de forma indireta, no filme. Afinal, a carreira de Sinatra foi muito impulsionada pela ajuda dos grandes mafiosos norte-americanos. Como o Johnny Fontane do filme, quando saía da cena musical ou desandava um pouco na carreira, Sinatra contava com os mafiosos para ameaçar e agredir quem quer que estivesse em seu caminho. Alguns até relatam que Sinatra e Mario Puzo, autor do livro que deu origem à trilogia, tiveram diversos desentendimentos. O cantor ignorou e ameaçou Puzo diversas vezes, mesmo este nunca confirmando a inspiração.

Seja como for, o filme está entre uma das produções mais significativas da história cinematográfica. Teve por produtos a perpetuação de características da máfia que se mantêm até os dias de hoje e a projeção de novos talentos da indústria do cinema, que reverberam seus talentos individuais em projetos subsequentes. Alterando a forma pela qual a comunidade italiana é vista nos Estados Unidos, a narrativa usa da história real dela para construir sua argumentação, e seu teor verídico impacta os espectadores com êxito absoluto. O Poderoso Chefão é um clássico, uma das produções mais bem sucedidas e impecáveis do cinema mesmo tantos anos após seu lançamento, e não é exagero dizer que continuará sendo em todas as décadas que ainda irão se suceder.

Abaixo, o elenco reunido em 2017.

 

 

 

 

 

 

 

Alunos criativos

Uma das coisas mais divertidas é ver as provas de alunos criativos ou gozadores. Bem, não tenho certeza se os professores que são obrigados a ler essas coisas se divertem tanto…

A seleção abaixo exemplifica o que estou dizendo, mas acredito que os professores devem ter centenas de outras amostras tão criativas quanto essas. Sei lá, mesmo cansados ao corrigir dezenas de provas depois de um dia inteiro dando aulas, os professores devem ter dado um sorrisinho ao ler a resposta para “Qual a função do esqueleto?”…

 

 

É VERDADE QUE O DIA MUNDIAL DO ROCK SÓ EXISTE NO BRASIL?

Entenda o papel de Phil Collins e radialistas brasileiros na origem da data

Phil Collins no Live Aid, 1985

Exatamente o que diz no título. O Dia Mundial do Rock é uma jabuticaba – o que não quer dizer que, como a fruta e o rock nacional, não possa ser apreciado, só que não entrega o prometido ‘mundial’.

A origem vem de fora. Começou em 13 de julho de 1985, durante o Live Aid, festival organizado pelo escocês Midge Ure e o cantor Bob Geldof. O megaevento aconteceu simultaneamente em Londres, Inglaterra, e na Filadélfia, Estados Unidos, com o objetivo principal de arrecadar fundos para acabar com a fome na Etiópia.

A line up era imensa, com nomes como Mick Jagger , U2, David Bowie, Madonna, Duran Duran, Queen, Phill Collins e Bob Dylan. Apesar de algumas participações mais pesadas, como Black Sabbath, Led Zeppelin e Judas Priest, em média era bem mais pra pop que rock.

No auge da fama, o próprio Collins devia imaginar que teria seu desejo atendido. Mas a coisa ficou por isso. Até 1990, quando duas rádios paulistanas de rock, a 89 FM e a 97 FM, passaram a mencionar o episódio de Collins em sua  programação. Os ouvintes, as baladas de rock e o resto do país aceitaram a ideia.

O Dia do Rock de Phil Collins é ignorado no resto do mundo, mas lá fora existem outros dias do rock. Algumas rádios celebram o 9 de julho, quando ocorreu a estreia do programa American Bandstand que popularizou o rock nos EUA. Outra opção é o 5 de julho, quando Elvis Presley gravou o seu primeiro hit That’s All Right  em 1954 . E ainda há o 11 de fevereiro, quando, em 1964, os Beatles fizeram seu primeiro show ao vivo nos Estados Unidos, no Washington Coliseum, em Washington. D.C.

E, como estamos falando de Phil Collins, vamos atualizar sobre ele:

Aos 69 anos, Phil tem diabetes e está surdo do ouvido esquerdo, resultado de décadas se apresentando ao lado de alto-falantes de megadecibéis. Lesionou uma vértebra do pescoço durante a turnê do Genesis de 2007 e, depois de uma cirurgia malsucedida, tem grande dificuldade para andar e perdeu parte da sensibilidade das mãos. Não toca mais piano, não pode ficar muito tempo em pé e precisa se locomover com o auxílio de uma bengala. Mesmo com essa saúde frágil, ele pretendia sair em turnê mais uma vez em 2020, se o coronavírus não tivesse virado o planeta de cabeça para baixo.

Se quiser saber mais sobre sua motivação para fazer isso, leia aqui . Enquanto isso, vamos recordar um de seus grandes momentos, em 1998, em Paris.

 

 

 

 

Fonte:

aventurasnahistoria.uol.com.br

Em 1918, gripe espanhola espalhou morte e pânico

Naquele ano, escolas brasileiras aprovaram todos os alunos. A busca de remédios milagrosos teve um efeito colateral inusitado, a criação da caipirinha

Parece filme de terror.

Cadáveres jazem na porta das casas, atraindo urubus. O ar é fétido. Os raros transeuntes andam a passos ligeiros, como se fugissem da misteriosa doença. Carroças surgem de tempos em tempos para, sem cuidado ou deferência, recolher os corpos, que seguem em pilhas para o cemitério. Como os coveiros, em grande parte, estão acamados ou morreram, a polícia sai às ruas capturando os homens mais robustos, que são forçados a abrir covas e sepultar os cadáveres. Os mortos são tantos que não há caixões suficientes, os corpos são despejados em valas coletivas e o trabalho se estende pela madrugada adentro.

Esse filme de terror, afinal não foi um filme… foi realidade! Isso ocorreu em 1918, quando a gripe espanhola invadiu o Brasil. A violenta mutação do vírus da gripe veio a bordo do navio Demerara, procedente da Europa. Em setembro desse ano, sem saber que trazia o vírus, o transatlântico desembarcou passageiros infectados no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro.

No mês seguinte, o país inteiro já está submerso naquela que foi a mais devastadora pandemia do século XX, matando mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo.

Em outubro e novembro de 1918, as manchetes dos jornais brasileiros se alternam entre a gripe espanhola no país e as negociações de paz na Europa, visando encerrar a 1a Guerra Mundial. É justamente o vaivém de soldados que faz o vírus mortal tocar todos os cantos do planeta.

Em todo o Brasil, os hospitais estão abarrotados. As escolas mandaram os alunos para casa. Os bondes trafegam quase vazios. Das alfaiatarias às quitandas, das lojas de tecido às barbearias, o comércio todo baixou as portas — à exceção das farmácias, onde os fregueses disputam a tapa pílulas e tônicos que prometem curar as vítimas da doença mortal.

Fon-Fon foi uma revista brasileira fundada no Rio de Janeiro em 1907. Seu nome era uma onomatopeia do ruído produzido pela buzina dos automóveis. Tendo como um de seus idealizadores o célebre escritor e crítico de arte Gonzaga Duque, tinha no enfoque dado a ilustração uma de suas principais características. Um grande exemplo dessa premissa foi a colaboração do pintor Di Cavalcanti em 1914. A revista, inclusive, tornou célebres ilustradores como Nair de Tefé, J. Carlos, Raul Pederneiras e K. Lixto. Tratava principalmente dos costumes e notícias do cotidiano e foi publicada até agosto de 1958.

Faltam estatísticas confiáveis a respeito das vítimas no Brasil. Mesmo assim, não há dúvidas de que a epidemia é avassaladora. O gráfico de óbitos anuais da cidade de São Paulo mostra um salto gritante quando chega 1918. Num único dia, o Rio chega a registrar mil mortes.

O Governo proíbe as aglomerações públicas. Os teatros e os cinemas, além de lacrados, são lavados com desinfetante. Pela primeira vez, as pessoas ficam proibidas de ir aos cemitérios no Dia de Finados — não só para evitar as multidões, mas também para impedir que se veja o estoque de corpos insepultos.

Os jornais estão repletos de anúncios de remédios milagrosos que se dizem capazes de prevenir e de curar a gripe. A oferta vai de água tônica de quinino a balas à base de ervas, de purgantes a fórmulas com canela. A procura é tão grande que as farmácias se aproveitam da situação e levam os preços às alturas. No Rio, a prefeitura reage tabelando o preço dos remédios.

 

Na cidade de São Paulo, a população em peso recorre a um remédio caseiro: cachaça com limão e mel. Em consequência, o preço do limão dispara, e a fruta some das mercearias. De acordo com o Instituto Brasileiro da Cachaça, foi dessa receita supostamente terapêutica que nasceu a caipirinha. Coincidência ou não, uma das peças de maior sucesso em São Paulo em 1918 se chama… A Caipirinha.

— A verdade é que a gripe não tem cura — diz o médico Lybio Martire Junior, presidente da Sociedade Brasileira de História da Medicina. — Diante de uma doença mortal nova e da falta de informação, a população fica apavorada e acredita em qualquer promessa de salvação. Até hoje é assim. Basta lembrar os primórdios da Aids.

Os pobres ao deus-dará

A epidemia escancara uma deficiência grave do Brasil: em termos de saúde, os pobres estão ao deus-dará. Não há hospitais públicos. Não é raro que as pessoas, assim que se descubram “espanholadas”, busquem socorro nas delegacias de polícia. Quem, aos trancos e barrancos, presta alguma assistência à população carente são instituições de caridade, como as Santas Casas e a Cruz Vermelha. As famílias ricas são menos atingidas do que as famílias pobres porque se refugiam em fazendas no interior do país, mantendo distância do vírus.

Dada a multidão que morre todos os dias, começa a correr no Rio a história de que a Santa Casa de Misericórdia, para abrir novos leitos, acelera a morte dos doentes em estado terminal. Isso se daria por meio de um chá envenenado administrado aos pacientes na calada da noite. Nasce, assim, a lenda do “chá da meia-noite”. Os jornais apelidam o hospital de “Casa do Diabo”.

No auge da crise, prefeitos e governadores se dão conta de que não podem permanecer de braços cruzados. Com certo atraso, distribuem remédios e alimentos, improvisam enfermarias em escolas, clubes e igrejas e convocam médicos particulares e estudantes de medicina.

Mas…

Do mesmo modo abrupto com que chega ao Brasil, a gripe espanhola desaparece repentinamente. Em dezembro, já são raros os contágios. Foram tantas as pessoas infectadas entre setembro e novembro que o vírus praticamente não tem mais a quem atacar.

Enfim terminado o filme de terror, os cariocas usam o Carnaval de 1919 como forma de exorcizar o fantasma da gripe espanhola. O Rio assiste, nos bailes e nos blocos de rua, àquela que talvez seja a folia mais desenfreada de que se tem notícia na cidade. Das marchinhas aos carros alegóricos, o tema da festa é um só: o “chá da meia-noite” — que não bota medo em mais ninguém…

 

 

Fonte:

elpais.com, Ricardo Westin

Esta reportagem faz parte da seção Arquivo S, resultado de uma parceria entre o Jornal do Senado, a Agência Senado e o Arquivo do Senado brasileiro. Com pesquisa do Arquivo do Senado. Texto atualizado em 8 de maio de 2020 para incluir informações a respeito da morte do presidente eleito Rodrigues Alves.

“Sem Ray Harryhausen, possivelmente não teria havido ‘Star Wars'”

A frase que dá título ao post foi dita por George Lucas quando da morte de Ray Harryhausen, em 2013.

Ray Harryhausen foi o mais conhecido pioneiro dos efeitos visuais no cinema, e trabalhou em filmes como Fúria de titãs (1981), As viagens de Gulliver (1960) e Jasão e o velo de ouro (1963). 

Sua genialidade e sua criatividade superaram o baixo orçamento dos filmes, a tecnologia precária e incipiente de sua época e influenciaram diretores e produtores como Steven Spielberg (Tubarão), James Cameron (Avatar), Peter Jackson (O Senhor dos anéis), George Lucas (Guerra nas estrelas) e John Landis (diretor do clipe de Thriller, de Michael Jackson).

Harryhausen, como diria anos mais tarde, teve a felicidade de ser criado por pais que apreciavam estimular sua imaginação. Tanto que o levaram, com cinco anos de idade, para assistir a primeira versão cinematográfica de O Mundo Perdido, o filme onde ele pôde ver pela primeira vez o trabalho do homem que o inspiraria para sempre, Willys o’Brien.

O Mundo Perdido, 1925

A fita, adaptação do livro homônimo de Sir Arthur Conan Doyle, foi o primeiro longa a ter dinossauros animados com a técnica de stop-motion. O Stop-Motion é uma antiga técnica cinematográfica que basicamente é a filmagem quadro-a-quadro de bonecos ou objetos inanimados para a simulação de constante movimento. E até hoje esta primitiva técnica vem fascinando os cinéfilos. Mas é um recurso primitivo e praticamente extinto, não sendo mais usado (ou muito pouco usado) pelos modernos responsáveis em efeitos especiais.

O vídeo a seguir, de cerca de 3 minutos, explica rapidamente do que se trata..

Para Harryhausen, aquele filme, assim como os livros de fantasia e mitologia e as revistas de ficção-científica, foram as fontes de fascinação que sedimentaram seu interesse pelo gênero fantástico, cuja catarse ocorreu aos treze anos de idade, quando ele entrou no cinema para assistir a King Kong, em 1933, a obra-prima de seu futuro mestre O’Brien.

Absolutamente inovador, King Kong assombrou as plateias ao mostrar dúzias de sequências visuais espetaculares, e que jamais seriam obtidas por outros meios que não através da trucagem óptica, o termo que define o uso de efeitos visuais.

Harryhausen saiu do cinema embasbacado, porém decidido quanto ao que faria pelo resto da vida. Estudou desenho, teatro, pintura, escultura, etc, e tudo o mais que ele acreditava poder ser útil no novo ramo de efeitos especiais. Transformou a garagem da família em estúdio, e dedicou-se a aprender a arte de manipular objetos quadro-a-quadro, a essência da animação stop-motion. Com a ajuda dos pais, montou cenários para tentar a profissão, produzindo curta-metragens onde filmava contos de fadas clássicos, como Chapeuzinho Vermelho e Rapunzel. George Pal, outro profissional da fantasia cinematográfica, viu os trabalhos de Ray e o convidou para trabalhar com ele no George Pal’s Puppetoons. Uma espécie de show de marionetes animados em stop motion.

Mais tarde, Harryhausen teve o apadrinhamento do próprio mestre inspirador, Willys O`Brien, trabalhando como técnico de efeitos no filme de 1949 Mighty Joe Young. As inúmeras sequências de animação foram realizadas quase que totalmente pelo estreante (em longas metragens). Como pagamento, Ray levou parte do equipamento, o que auxiliou grandemente a carreira solo.

Seu filme O Monstro do Mar Revolto (It Came From Beneath The Sea, 1955), foi marcante e deveu-se ao fato do novo refinamento das sequências, que combinavam ação real e animação. Com tantos efeitos de primeira categoria, o filme só poderia se tornar num sucesso imediato. E foi o que aconteceu.

Nessa época, Harryhausen começou as experimentações que iriam permitir a feitura de truques mais convincentes. Primeiro, pintou telas de vidro, que mascaravam as mesas de animação, depois, naquilo que seria a grande inovação da técnica, ele refotografava o filme, para fazer com que os objetos animados tivessem uma interação melhor com as filmagens dos elementos reais.

Funcionava assim: uma primeira película de filme servia como base, e nela eram inseridos os elementos, animados ou não, que deveriam figurar em primeiro plano, contra o fundo natural. Depois outra camada de filme, com novos elementos fotografados, finalizando o filme a ser utilizado. Uma verdadeira colagem manual de películas, cujos resultados eram ilusões convincentes.

Era o truque que possibilitava que a criatura gigante saísse detrás de esquinas, ou se pudesse ver pessoas reais correndo atrás ou na frente do monstro.

Foi isso que ele aplicou no filme O Monstro do Mar Revolto… Na ocasião, um jovem produtor pretendia fazer um filme sobre um polvo gigante que destruía a ponte Golden Gate. Porém não tinha ideia de como realizá-lo, tecnicamente falando. Ele procurou Harryhausen para saber se o animador estaria interessado, e a resposta foi: “Eis aí algo em que eu gostaria de trabalhar”. A partir daí, começou uma parceria que duraria para o resto de suas vidas, adicionando uma coleção de filmes fantásticos ao imaginário pop do século XX.

De 1956 a 1958, Ray criou pequenas joias cinematográficas, sendo a mais popular – e a mais citada e parodiada delas – o pequeno clássico A Invasão dos Discos Voadores.

Finalmente em 1958, Harryhausen poderia mostrar sua genialidade em filmes à cores, e sua estreia foi com A Sétima Viagem de Simbad (The Seventh Voyage of Simbad),   levando o nome de Harryhausen pela primeira vez nos cartazes de cinema. Neste filme, começa um ciclo de películas que relembravam os fatos curiosos e interessantes da mitologia clássica. O filme lotou as salas dos cinemas, e a geração intermediária de cineastas que o assistiu ainda bem jovem, gente como os citados acima (Spielberg, Lucas, Cameron…) anotou cada passo das criaturas fantasiosas que desfilaram pela tela, para basear os seus futuros trabalhos.

Após essa produção, cresceu em Harryhausen a vontade de explorar novos temas, abordar assuntos mais fantasiosos, como podemos notar nos filmes As Aventuras de Gulliver (The Three Worlds of Gulliver, 1960),  e A Ilha Misteriosa (Mysterious Island, 1961), baseado na obra de Julio Verne.

No entanto, foram apenas um preparativo para uma das mais impressionantes adaptações no cinema de fantasia-aventura, Jasão e o Velo de Ouro (Jason and the Argonauts, 1963), no qual ele finalmente pode explorar sua antiga paixão pela mitologia clássica. Como não poderia deixar de ser, desfilam aí as mais impressionantes cenas de animação e aventura, como o antológico combate entre Jasão e um grupo de esqueletos, que impressionaram pela naturalidade dos movimentos.

O filme demorou três anos para ser finalizado, por causa unicamente das trabalhosas sequências de animação.

A cada novo filme, Harryhausen se aperfeiçoava mais em sua técnica dando-nos, inclusive, uma sequência arrasadora de filmes de aventura. E encerrou sua carreira em 1981, com sua obra-prima e o maior clássico da fantasia que o cinema já fez: Fúria de Titãs.

Diversas criaturas desfilam ao longo da história; talvez a mais impressionante seja a Medusa (monstro mitológico grego, metade mulher, metade animal com serpentes em lugar de cabelos e que transformava em pedra quem a encarasse). O terrível monstro marinho, Kraken, também é apavorante.

Ray se despediu fazendo de tudo um pouco dentro do filme, foi da suavidade do voo de Pégaso à aventura, ao terror impressionante da aparição da Medusa, e ao cuidado em apresentar os mitos dentro do contexto original, tanto quanto possível. Fúria de Titãs também representou o fim de uma maneira muito particular de fazer filmes. Um toque pessoal de fantasia, misturado com aventura e muito do espírito das matinês, o dos filmes para a família. Mas com um tempero fantasioso acessível a todos.

Ray Harryhausen foi um entusiasta dedicado a entreter o máximo possível de pessoas, com o cardápio popular da linguagem cinematográfica.

As mil e uma criaturas do mestre

 

Conheça as cidades mais quentes do mundo

Em algumas regiões do mundo as temperaturas podem chegar a 60°C

O inverno no Brasil está começando… e a temperatura, no primeiro dia, chegou a 30 graus em algumas regiões! Se você acha isso muito quente, saiba que há lugares muito mais quentes ao redor do mundo, com temperaturas que ultrapassam os 50°C!

Essa superelevação da temperatura é fruto de condições climáticas adversas, incluindo o famoso aquecimento global que, além de provocar um aumento na temperatura da atmosfera, também tem impacto em outros aspectos ambientais, como: enchentes, secas e elevação do nível do mar.

Por conta desse calorão, há cidades no mundo que, em certos períodos do ano, nem podem ser habitadas…

1 – Al ‘Aziziyah (Líbia)

Crédito: Reprodução/YouTube A cidade líbia de Al ‘Aziziyah já registrou impressionantes 57,8 °C

Existe uma controvérsia sobre qual é a cidade mais quente do mundo. Em 1992, a cidade de Al ‘Aziziyah, na Líbia, registrou impressionantes 57,8 °C, fazendo com que a região ganhasse o título de lugar mais quente do mundo. Apesar disso, a Organização Mundial de Meteorologia reconheceu, em 2017, que o Vale da Morte, na Califórnia, é o lugar mais quente do planeta. O deserto californiano também já registrou 57,8°C.

2 – Dallol (Etiópia)

Crédito: Anya Newrcha/iStock    Cercada pelo deserto de Danakil, Dallol tem uma temperatura média de 40 °C durante o ano

A cidade de Dallol, na Etiópia, já registrou, nada mais nada menos, pouco mais de 60°C. A proximidade com o vulcão Dallol é determinante para tanto calor. Com essa temperatura, é fácil de entender porque a cidade é fantasma; de fato, hoje não há sequer um só residente, embora já tenha sido povoada no começo do século passado, quando uma ferrovia levava o sal extraído da região.

3 -Wadi Halfa (Sudão)

Crédito: MarcPo/iStock    Wadi Halfa, rua comercial em Wadi Halfa, no Sudão.

Localizada em uma região de muita pobreza no centro do deserto do Saara, na fronteira com o Egito, o local chega a atingir picos de calor, a temperaturas de quase 53°C. Chegar lá também não é fácil. É preciso pegar, em Cartum, um trem que passa pelas margens do rio Nilo e por muitas ruínas milenares. Não há hotéis na cidade, apenas alojamentos, e o clima extremamente seco recebe um reforço do vento constante e muito quente que vem do Saara.

4 – Deserto Lut (Irã)

Crédito: BrasilNut1/iStock   A região já registrou temperaturas de 70°C

Considerado o 25º maior deserto do mundo, o Lut está localizado no sudeste do Irã e já chegou a registrar temperaturas de superfície acima de 70°C, medida pela Nasa. Também é marcado pelos lagos Dasht, que se estende para o sul por cerca de 300 km.

5 – Tirat Tsvi (Israel)

Crédito: Science News   Os termômetros registraram em Tirat Tsvi a temperatura recorde de 54°, em junho de 1942

Com temperaturas escaldantes, a cidade, pertencente à área de HaZafon, é o lugar mais quente da Ásia, com temperaturas que beiram os 54 ºC. A cidade funciona, também, como kibutz e se situa no vale Beit Shean, a 10 km ao sul de Beit Shean, em Israel, e faz fronteira a oeste com o rio Jordão.

6 – Timbuktu (Mali)

Crédito: Oversnap/iStock   Timbuktu é uma das regiões habitadas mais quentes do mundo

Localizada no Mali, país do oeste africano, e nas proximidades do rio Niger, a cidade foi fundada por volta de 1100 para servir as caravanas que traziam sal das minas do deserto do Saara, em troca de ouro e escravos. Em 1330, a região era parte do império do Mali e, dois séculos depois, passou a ser governada pelo império Songhay, fazendo de Timbuktu uma importante cidade universitária e capital religiosa, habitada por muçulmanos, cristãos e judeus. Também é famosa pelas altas temperaturas, que já chegaram a 54,4ºC.

7 – Queensland (Austrália)

Crédito: DarrenTierney/iStock  Queensland, na Austrália, possui beleza estonteante

A temperatura já chegou a quase 69ºC no Estado australiano, situado no nordeste do país, e que ocupa mais de 20% da África. Marcada por vastas florestas tropicais, com clima seco e semidesértico, a região atrai turistas do mundo inteiro todos os anos, graças às ilhas costeiras e à grande barreira de coral.

8 – Kebilli (Tunísia)

Crédito: IdealPhoto30/iStock A cidade de 18 mil habitantes registrou a temperatura mais alta de que se tem notícia na África, em 1931

A cidade localizada no sul da Tunísia e capital da província homônima já chegou a registrar picos de 55ºC. Também pudera, já que a região fica à beira de um oásis no deserto do Saara. Com cerca de 100 mil tamareiras, é um dos principais centros comerciais da região, sendo um local de grande relevância histórica. Esses dias muito quentes não afastam os seres humanos, que habitam a área há mais de 200 mil anos.

9 – Ghadamés (Líbia)

Crédito: Pascalou95/iStock   Mesquita berbere em Ghadames, na Líbia

A cidade de Ghadames (ou Ghadamés) é dividida entre nova e antiga. Ela é habitada por cerca de 15 mil pessoas e possui uma beleza impressionante. Ambas as regiões reservam temperaturas na casa dos 55°C. A zona antiga é rodeada por uma muralha e já foi considerada patrimônio Mundial da Unesco, além de possuir uma arquitetura resistente ao calor. E uma das principais atrações do local é o lago com água salgada que a circunda por cerca de 20 km, no distrito de Nalut, a sudoeste de Trípoli, próximo às fronteiras com a Argélia e a Tunísia.

10 – Sulaibiya (Kuwait)

Crédito: Reprodução/YouTube     Cidade fica a cerca de 30 quilômetros da capital do Kuwait

Em 2012, Sulaibiya,  a cerca de 30 quilômetros da capital do Kuwait, registrou uma temperatura de 53,8°C. A capital do país sofre constantes tempestades de areia, e a população também suporta temperatura constante na casa dos 45ºC e 47°C. A Cidade do Kuwait, a capital, é conhecida por sua arquitetura moderna, que inclui arranha-céus e as incríveis Kuwait Towers, torres que são caixas-d’água cujo design lembra as cúpulas em azulejos de uma mesquita clássica. Essas torres têm capacidade para 4500 metros cúbicos de água.

As Kuwait Towers

 

 

Fonte:

catracalivre.com.br

AS BRUXAS DA NOITE: AS AVIADORAS QUE ATERRORIZAVAM TROPAS NAZISTAS

Obra de Ritanna Armeni reconstrói a história das soviéticas que lutaram durante a Segunda Guerra

Aviadoras soviéticas, mais conhecidas como “bruxas da noite” – Divulgação

A Segunda Guerra Mundial foi um conflito de homens e mulheres. Nunca antes em toda a História tantas mulheres, em diferentes países, foram chamadas a contribuir com um esforço de guerra como entre os anos de 1939 e 1945. Elas ocuparam funções que antes eram consideradas masculinas, como engenheiras, supervisoras de produção e motoristas de caminhão, por exemplo, e também se alistaram nas Forças Armadas.

A obra As Bruxas da Noite, da jornalista e escritora italiana Ritanna Armeni, conta a história das aviadoras soviéticas que defenderam seu país durante a Segunda Guerra Mundial e foram responsáveis pelos bombardeios que atingiram e dizimaram tropas alemãs.

Recentemente lançada pela Editora Seoman, a obra reconstrói a trajetória das aviadoras do 588º Regimento de Bombardeio Aéreo Noturno Soviético, que, ao todo, realizaram mais de 23 mil vôos noturnos em 1100 noites de intensos ataques.

Para escrever sua narrativa, Ritanna Armeni entrevistou a última aviadora viva, Irina Rakobolskaja, hoje com 96 anos. A jornalista deixa bem claro em sua obra a importância dessas mulheres durante as batalhas contra o Terceiro Reich.

O apelido de Bruxas da Noite lhes foi atribuído pelos alemães, pois se sentiam ameaçados por essas mulheres. Elas sempre atacavam os nazistas durante a noite e com os motores desligados, com o intuito de não chamarem a atenção.

A função do 588º regimento era o de espalhar o pânico nas tropas alemãs, bombardeando suas linhas de defesa avançadas dentro da URSS, causando pânico e impossibilitando o descanso das tropas.

O bombardeio de assédio é uma tática psicológica, na qual, de modo imprevisto mas constante, fustiga-se o inimigo com bombas de baixa potência, imprimindo às tropas assediadas elevado estresse, baixando o moral e minando sua aptidão para a luta.

Esse regimento aéreo surgiu porque, durante a guerra, ficou evidente a necessidade de ampliar a força aérea soviética para impor alguma defesa contra a poderosa e soberana Luftwaffe (a Força Aérea Alemã), tendo as mulheres também sido incumbidas nessa função.

Grande parte da concepção do regimento aéreo feminino partiu dos esforços da Coronel Marina Raskova, uma aviadora russa com status de celebridade por seus trabalhos em aerodinâmica e na Zhukovsky Air Academy (Academia Aeronáutica Zhukovsky).

Marina Raskova, como tantas outras aviadoras, não sobreviveu à guerra, morrendo em 4 de janeiro de 1943 em um acidente aéreo às margens do rio Volga. Talvez o acidente tivesse sido evitado se o 588º regimento dispusesse de aviões mais modernos. Créditos: autoria desconhecida.

Raskova usou sua influência para persuadir Joseph Stalin, que concordou em criar três regimentos femininos na aviação soviética, emitindo a ordem de criação em 8 de outubro de 1941 e operando efetivamente a partir de 1942.

Cada regimento aéreo possuía cerca de 400 mulheres, todas marcadas pela coragem e voluntariedade de servir às Forças Armadas e tendo a maioria vinte e poucos anos de idade. O corpo militar era completamente formado por mulheres, seja pilotando, consertando, administrando ou comandando.

Devido à pressão exercida pelo exército alemão, o tempo de treinamento de aviadores e aviadoras foi reduzido de 4 anos para poucos meses.

As mulheres do 588º regimento voavam nos antiquados biplanos criados na década de 1920, os Polikarpov’s Po-2. Os Po-2 eram lentos, desconfortáveis, inflamáveis e presas fáceis para qualquer bateria antiaérea que os avistasse. Créditos: autoria desconhecida.

Para realizar suas funções, as aviadoras receberam os obsoletos Polikarpov’s Po-2, aviões criados em meados da década de 1920 e geralmente utilizados para o ensino de navegação aérea ou utilidade agrícola. A velocidade máxima do aparelho aéreo, mesmo embalado, não ultrapassaria os 150 km/h.

Os Polikarpov’s Po-2 eram construídos praticamente com madeira, lona e algum tecido, ficando incrivelmente suscetíveis a incêndios devido à sua composição altamente inflamável, onde apenas o motor era constituído de aço. Muitas vezes bastavam apenas alguns tiros para que os aviões se tornassem verdadeiros cometas desgovernados antes de se chocar contra o solo.

Além de lentíssimos, possuíam pouca capacidade de carga (aproximadamente 300 quilos), obrigando as aviadoras ao cumprimento de várias missões numa mesma noite, muitas vezes chegando a quase 20 incursões.

Em meio às desvantagens de se pilotar aeronaves tão antigas, surgiram algumas vantagens inesperadas. Uma de grande importância residia no fato de que os modernos caças da Luftwaffe possuíam a velocidade mínima bem superior à máxima dos Po-2, o que fazia com que os pilotos alemães, embora experientes, arriscassem a vida em manobras reprováveis por qualquer comando aéreo, sendo praticamente inúteis contra as Bruxas da Noite.

Focke-Wulf, versão Fw 190. Suas melhorias o tornariam, de acordo com especialistas, o melhor caça a pistão da guerra. Contudo, sua velocidade mínima praticamente o incapacitava para atacar os infames Polikarpov’s Po-2. Créditos: autoria desconhecida.

Outra vantagem dos Polikarpov’s Po-2 era a fácil tarefa de encontrar alvos terrestres para atacá-los com maior precisão. Esse fato se devia justamente à baixa velocidade e excelente manobrabilidade.

Ainda, as aviadoras realizavam voos em baixíssima altitude, deixando os alemães ainda mais perdidos sem saber onde se esconder

Mesmo com tamanha dedicação ofertada em prol da sobrevivência do estado soviético, o intransigente conservadorismo e o preconceito, sobretudo de gênero, permeava a sociedade soviética e prevaleceu, encerrando prematuramente a carreira das aviadoras.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, as Bruxas da Noite, assim como tantas outras mulheres, foram sumariamente desligadas das Forças Armadas, entrando a maioria no esquecimento e até sofrendo desprezo por parte da população.

As aviadoras também tiveram dificuldade em publicar suas memórias de guerra devido à forte censura do Estado liderado por Stalin, que retirava qualquer passagem tida como inapropriada à URSS.

Ritanna Armeni busca, então, reconstruir a história das Bruxas da Noite em seu livro, pois segundo a autora, a sociedade nunca deveria ter apagado da memória a luta dessas guerreiras.

 

 

 

Fontes:

aventurasnahistoria.uol.com.br

incrivelhistoria.com.br

 

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