Levem-nos ao seu líder!

Avistamentos, extraterrestres, OVNIs, abduções… isso existe mesmo?

Desde que o homem passou a compreender que a Terra não estava sozinha no Universo, ele começou a se perguntar se haveriam outros planetas habitados no cosmos. E Marte foi eleito como o planeta próximo de nós com maior possibilidade de ter vida inteligente.

Afinal, a existência dos canais avistados pelos astrônomos sugeria uma extensa rede de irrigação artificial no planeta, construída por uma avançada civilização.

(as sondas e robozinhos que enviamos para lá, nos últimos anos, confirmaram a existência de canais, mas subterrâneos, que podem ter sido grandes rios que alimentaram, há bilhões de anos, um oceano no norte no planeta vermelho).

Antes dessa descoberta recente, Marte continuou incendiando a imaginação das pessoas durante muitos anos, e os relatos de avistamentos de OVNIs, de ETs e de abduções se multiplicaram pelo mundo.

A Guerra dos Mundos

Muitos livros foram escritos sobre uma invasão de nosso planeta pelos marcianos. O mais conhecido deles é “ A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells.

Esse livro foi adaptado para o rádio em 1938 pelo genial Orson Welles – que mais tarde entrou para a história do cinema com seu filme “Cidadão Kane”. A sua versão foi tão eficaz que milhares de pessoas, nos Estados Unidos, acreditaram realmente que o planeta estava sendo invadido! O exército foi colocado de prontidão, os hospitais e ambulâncias ficaram a postos para receber quem fugia dos marcianos, que estavam saindo de seu disco-voador armados de armas de raios! O pânico se instalou, e o caos só terminou quando se revelou que aquilo era apenas… uma novela de rádio!

Quer ouvir um trecho? Realmente, foi tudo muito realista!

Trecho da transmissão original de Orson Welles, em 1938

O Caso Roswell

Alguns anos depois, em 1947, houve um outro caso que dominou as manchetes dos jornais no mundo inteiro: um disco-voador tinha supostamente caído num rancho em Roswell, no estado do Novo México, nos Estados Unidos!

Imediatamente, os militares foram enviados para lá e a Força Aérea declarou que haviam recolhido os restos de uma nave alienígena. Logo depois, porém, a própria Força Aérea desmentiu essa notícia, afirmando que os restos eram apenas… de um balão meteorológico.

(Só que essa versão dos militares para o caso foi forjada, sendo desmentida somente após o fim da Guerra Fria. Em um relatório publicado em 1994, a Força Aérea afirmou que o objeto encontrado em Roswell era, na verdade, um balão de vigilância nuclear do Projeto Mogul, desenvolvido para monitorar possíveis testes nucleares dos rivais soviéticos.)

Seja como for, esse incidente em Roswell continua alimentando controvérsias. Para muitos, é o mais relevante evento ufológico de todos os tempos. E, há pouco, uma nova informação colocou mais lenha na fogueira.

A antiga assistente de Albert Einstein revelou, antes de falecer em 2015, aos 85 anos, que ela e o professor visitaram o local do suposto acidente, a convite do governo.

Foto supostamente tirada no local do acidente, em Roswell.

Ela disse que a nave era em forma de disco, e que parecia estar danificado de um lado. E recorda que o acesso a espaçonave não era fácil, já que inúmeros guardas, especialistas e fotógrafos estavam por lá. Revela também que, em um primeiro momento, Einstein teria estudado o “sistema de propulsão” do veículo. “Ele não ficou nem um pouco perturbado ao ver as evidências reais”. 

A ex-assistente ainda comenta que, durante a visita, os dois se depararam com cinco corpos, que supostamente seriam de extraterrestres. “Alguns dos especialistas puderam olhar mais atentamente, incluindo o meu chefe. Eles tinham cerca de um metro e meio de altura, sem cabelo, com cabeças grandes e enormes olhos escuros, e sua pele era cinza com um leve tom esverdeado”, descreve. Após a visita, Albert Einstein redigiu um relatório sobre o que viu e ela foi obrigada a não comentar nada sobre o caso.  

Blue Book

As investigações sobre os OVNIs e as abduções continuam até hoje, e um dos projetos financiados pelo governo americano se chamou Projeto Blue Book (Livro Azul). Ele teve início em 1952 e foi encerrado em 1969.

O Blue Book foi a mais longa e mais extensa investigação conhecida sobre fenômenos aéreos inexplicados. Dos mais de 12.000 avistamentos registrados, determinou-se que a maioria se tratava de fenômenos naturais ou de aeronaves erroneamente identificadas (incluindo testes de voo dos primeiros aviões de espionagem americanos, os U-2). Somente 701 casos ficaram por identificar… A conclusão final foi que:

“Nenhum OVNI registrado, investigado e avaliado pela Força Aérea representava qualquer ameaça à nossa segurança nacional; não houve qualquer prova fornecida, ou descoberta pela Força Aérea de que os avistamentos classificados como ‘não identificados’ configurassem desenvolvimentos tecnológicos ou princípios além do conhecimento científico atual; não houve qualquer indício que apontasse para que os avistamentos classificados como ‘não identificados’ fossem veículos extraterrestres.”

A abdução de Barney e Betty Hill

Quando se comenta sobre abduções, é inevitável que a gente ouça piadas satirizando esses relatos… Aliás, piadas sobre os sequestros por parte dos ETs não faltam.

Há um caso, porém, que é reconhecido como sendo a primeira abdução muito documentada e também o primeiro caso em que as vítimas da abdução teriam sido examinadas pelos alienígenas.

É o chamado Caso Barney e Betty Hill – nada a ver com o Barney e a Betty dos Flintstones…

Ops, errei de foto…

Estes eram os verdadeiros Betty e Barney Hill… ele faleceu em 1969 e ela, em 2004. E a história que eles contavam aconteceu na madrugada de 19 para 20 de setembro de 1961, quando voltavam de férias no Canadá.

Havia poucos carros na estrada quando o casal disse ter visto um ponto brilhante de luz no céu. Betty usou um binóculo para observar o objeto, que piscava luzes coloridas enquanto se movia no céu. Barney achou que eram as luzes de um avião.

Os Hill continuaram a viagem na estrada isolada, e o objeto se aproximava mais e mais, mergulhando e descendo lentamente. De repente, uma imensa nave veio em direção a seu carro, fazendo com que Barney parasse no meio da rodovia.

Barney saiu do carro e disse ter visto, com o binóculo, de oito a onze vultos humanoides olhando para fora das janelas da nave, em direção a ele. Quando a nave veio se aproximando, Barney correu de volta para o carro, dizendo “Eles vão nos pegar!” 

Saindo em disparada, chegaram mais tarde em casa. Perplexos, os Hill disseram que tentaram reconstruir a cronologia dos eventos, desde o momento em que observaram o OVNI. Mas suas recordações pareciam incompletas e fragmentadas.

Em 21 de setembro, um dia depois do ocorrido, Betty telefonou para a base da Força Aérea da região para relatar seu encontro com o OVNI. O major que os entrevistou disse que os Hill provavelmente confundiram a luz com o planeta Júpiter. Seu relatório, em todo caso, foi encaminhado para o Projeto Blue Book (“Livro Azul”), que citei pouco antes.

Duas semanas depois, Betty afirmou que passou a ter pesadelos recorrentes. Aconteciam quase todas as noites e eram tão vívidos que permaneciam em sua mente durante todo o dia.

No sonho, Betty narra que…

“Eu parecia estar lutando para recuperar a consciência, percebendo, então, que estava sendo forçada por dois homens pequenos a caminhar mata a dentro durante a noite, vendo Barney caminhando ao meu lado, embora quando o chamasse ele parecesse estar em transe, ou sonâmbulo. Os homenzinhos tinham cerca de um metro e meio de altura e usavam uniformes, com quepes semelhantes aos usados pela força aérea americana. Não tinham cabelo”.

Nos sonhos, Betty, Barney e os homenzinhos subiam uma rampa de uma nave em forma de disco, de aparência metálica. Lá dentro, Barney e Betty foram separados. Betty protestou e um homem que ela chamava de “o líder” disse que, se ela e Barney fossem examinados juntos, os exames levariam muito mais tempo. Ela e Barney foram levados para aposentos separados. Embora o líder e os outros homens falassem com Betty em inglês, não pareciam dominar bem a língua e tinham dificuldade de se comunicar.

Então, outro homem chegou para examiná-la, junto com o líder. Betty chamou esse homem de “o examinador”.

O examinador disse a Betty que iria fazer um exame rápido e alguns testes para verificar as diferenças entre os seres humanos e as pessoas na nave. Ele a sentou em uma cadeira e uma luz brilhante foi acesa sobre ela. O homem cortou uma mecha do cabelo, examinou seus olhos, ouvidos, boca, dentes, garganta e mãos. Guardou aparas de suas unhas. Depois de examinar suas pernas e pés, o homem usou uma lâmina cega, semelhante a um abridor de cartas, para raspar fragmentos de sua pele em uma lâmina de vidro.

O homem tirou o vestido de Betty. Pediu, então, que ela se deitasse em uma mesa. Dizendo que estava examinando seu sistema nervoso, arrastou uma máquina sobre seu corpo, na frente e nas costas. O homem limpou as mãos com um líquido e calçou luvas. Pegou, então, uma agulha hipodérmica de uns 10 ou 15 cm de comprimento para realizar o que ele chamou de um teste de gravidez. Em seguida, passou um chumaço úmido em seu umbigo. Quando a agulha foi enfiada, Betty sentiu uma dor excruciante, mas o homem esfregou-lhe a testa e a dor desapareceu.

O homem disse a Betty, então, que o exame terminara e que ela e Barney retornariam logo ao seu carro. O líder examinou a boca de Betty e parecia tentar puxar os dentes. Como não conseguiu, ele perguntou por que os dentes dela eram fixos e os de Barney saíam da boca. Rindo, Betty respondeu que Barney usava dentadura porque os seres humanos frequentemente perdem seus dentes com a idade. O líder parecia incapaz de compreender o conceito de idade avançada.

Quando Betty perguntou de onde eles tinham vindo, antes de irem de volta ao carro, o líder foi até a parede e “puxou um mapa, que me pareceu estranho… Era um mapa do céu “, marcado com diversas estrelas e planetas. Havia diferentes tipos de linhas entre algumas das estrelas e que mostravam, conforme foi dito a ela, as linhas cheias para rotas de comércio e as tracejadas, de exploração.

O líder perguntou a Betty se ela sabia onde a Terra estava no mapa. Betty respondeu que não e que o mapa não lhe era familiar. O líder disse, então, que devido à sua ignorância, era impossível explicar de onde eles vieram.

Só meses depois do evento, o casal notou que a viagem, que deveria durar quatro horas, durou na verdade quase sete horas. Eles não sabiam explicar esse tempo perdido e foi quando decidiram recorrer à hipnose.

Em 1963, foram falar com um renomado psicólogo de Boston, dr. Simon, para que ele fizesse sessões de hipnose, na tentativa de buscar as lembranças do que chamavam de “tempo perdido”, as quase 3 horas das quais nada se lembravam.

Embora o dr. Simon considerasse impossível a hipótese de extraterrestres, parecia óbvio que os Hill acreditavam ter avistado um OVNI com ocupantes parecidos com seres humanos.

O casal foi hipnotizado diversas vezes, e a maioria das sessões aconteceram separadamente, para que um não escutasse as recordações do outro.

Barney foi hipnotizado primeiro. Suas sessões foram sempre muito emocionais, com acessos de raiva, expressões de medo e choro histérico. Barney disse que, por causa do medo, manteve os olhos fechados durante a maior parte do encontro no OVNI.

“Senti como se seus olhos tivessem penetrado nos meus.” As criaturas descritas por Barney eram semelhantes às descritas por Betty . No entanto, Barney descreveu os olhos como sendo muito maiores, se estendendo até os lados de suas cabeças. As criaturas o fitavam nos olhos, com um efeito terrível.

Hipnotizado, Barney disse coisas como “Somente os olhos estão falando comigo” e “Tudo que vejo são esses olhos… Nem mesmo estou com medo de que não estejam em um corpo. Eles apenas estão lá. Eles apenas estão perto de mim, pressionando meus olhos.” 

Ouça um trecho dramático dessas gravações:

Enquanto Betty relatou longas conversas em inglês com as criaturas, Barney disse que os ouviu conversando entre si em uma linguagem que ele não distinguiu. Barney disse também que, nas poucas vezes em que se comunicaram com ele, parecia ser uma “transferência de pensamento” – naquela época, ele não conhecia a palavra “telepatia“.

As conclusões do Dr. Simon

Depois das extensas sessões de hipnose, o dr. Simon concluiu que as lembranças de Barney eram uma fantasia inspirada pelos sonhos recorrentes de Betty, que havia contado ao marido sobre eles. Embora o dr. Simon admitisse que essa hipótese não esclarecesse tudo, parecia ser a explicação mais plausível e coerente.

Ele ainda concluiu que Betty Hill tinha uma personalidade propensa à imaginação. Primeiro, ela era fácil de hipnotizar, o que é um traço de personalidade fortemente ligado a tendências projetivas. Além disso, depois da suposta visão do OVNI, ela leu livros relacionados ao assunto e passou a ter os sonhos, o que é outra característica de uma personalidade imaginativa.

A análise de psicólogos, que tiveram acesso às sessões, é que, através de hipnose, Betty e Barney Hill desenvolveram ambos a síndrome da falsa memória. Falsas memórias ou memórias ilusórias, em psicologia, são memórias de eventos que nunca foram efetivamente vivenciados pela pessoa.


Muitos acreditam que o casal poderia ter passado por algum trauma violento na viagem, como um assalto, e desenvolveram essa falsa memória como um mecanismo para continuar vivendo sem tanto sofrimento.

E você? Qual a sua opinião sobre tudo isso?

Caiu mesmo um disco-voador em Roswell e o governo está acobertando tudo? Ou isso é apenas uma teoria da conspiração?

E sobre o caso Hill, foi uma alucinação, um voo da imaginação… ou realmente os ETs andaram por aqui?

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Dá para viver uma semana sem plástico?

Um desafio que me ajudou a entender como podemos evitar um desastre ainda maior

Minha amiga Clene Salles nos propôs um desafio, a mim e a ela: viver uma semana sem plástico.

Isso veio por conta da iniciativa Plastic Free July, em português Julho Sem Plástico, da Plastic Free Foundation que influencia as pessoas a agirem de maneira efetiva para diminuir o consumo de plásticos. A iniciativa, que começou há dez anos, hoje já coleciona diversos prêmios pelo mundo. No ano de 2020, 326 milhões de pessoas, em mais de 170 países, aceitaram o desafio de, durante o mês de julho, recusar e não consumir plásticos que são utilizados somente uma vez – os chamados plásticos degradáveis.

A ideia é mudar nosso comportamento aos poucos, escolhendo recusar um produto por vez. Essa pequena ação pode despertar a nossa atenção para o consumo de plástico. Uma vez despertos, aos poucos vamos nos conscientizando e percebendo quais plásticos não são essenciais e podem deixar, sem muitos esforços, de fazer parte do nosso dia a dia.

Abrindo um parênteses, o plástico é um derivado do petróleo, e o petróleo e o gás não vieram do “pum” de um dinossauro… O petróleo é um combustível fóssil, originado provavelmente de restos de vida aquática animal acumulados no fundo de oceanos primitivos e cobertos por sedimentos.

Portanto, quanto mais plástico, mais precisamos de petróleo…

Fechando o parênteses… o que é preciso ter em mente é que o plástico NÃO É o grande vilão do meio-ambiente. Sem ele, a gente não teria cartões de crédito (para algumas pessoas, até que seria bom, rsrsrs…), brinquedos, talheres, tubulações… uma infinidade de produtos. Sem ele, todos esses produtos seriam mais caros para produzir, já que o plástico é até mais barato que o papel, por exemplo.

Veja o caso dos automóveis: tem plástico nas grades, no painel, nos retrovisores, nos para-choques, frisos, calotas… e é uma forma de tornar os veículos mais leves, aumentar a vida útil porque não enferruja, ajuda a garantir a diminuição do consumo de combustível e emissão de poluentes.

O GRANDE VILÃO não é o plástico, SOMOS NÓS. E você vai entender o porquê.

Somos os vilões por causa do descarte irregular do plástico degradável, aquele mesmo das garrafas PET que a gente joga no chão, a chuva leva pros rios e de lá vai pro mar.

Sabia que a garrafinha que vai pro mar pode demorar até 400 anos pra se degradar? E ela não vai desaparecer totalmente, ela vai se decompor em micropartículas de plástico que se misturam ao plâncton (o alimento dos peixes)… O peixe come as micropartículas junto com seu alimento, a gente come esse peixe e essas micropartículas entram em nosso organismo. Já se detectou essa coisa no sangue de seres humanos…

Mais um dado assustador sobre o descarte irregular do plástico: já existem ilhas de plástico boiando nos oceanos, uma delas no Oceano Pacífico, entre a Califórnia e o Havaí! Alguns chamam até de um sétimo continente! De tão grande que é, ela está com 3 vezes o tamanho da França, ou 3 vezes o tamanho da Bahia!

E como estamos aqui no Brasil? Nada melhor… infelizmente…

  • O Brasil produz 11 milhões de toneladas de lixo plástico por ano.
  • Cada brasileiro produz quase 2 kg de lixo plástico por semana.
  • Mais de 2 milhões de toneladas de plástico são descartadas de forma irregular.
  • Mais de 7 milhões de toneladas ficam em aterros sanitários.
  • Mais de 1 milhão de toneladas não é recolhida no país.

Nem é preciso detalhar todo o mal que isso causa ao meio-ambiente, à vida das aves, dos animais, dos peixes… e dos seres humanos.

O desafio de viver uma semana sem plástico foi complicado. Há plástico por todo o lado: na escova de dentes, na tampa do vaso sanitário, nas embalagens do xampu, no suporte do filtro de café… nas embalagens dos alimentos… no saco onde a gente separa o lixo que não pode ser mais reutilizado do lixo que pode ser reaproveitado… saco que é de plástico!

E se a gente não se conscientizar, tudo isso vai fazer parte das montanhas de lixo nos aterros e se juntar às ilhas de lixo plástico boiando nos oceanos!

Mas há algumas coisas simples que a gente pode fazer para ajudar a não agravar o problema, como nos mostrou o programa Julho sem Plástico.

Primeiro, substituir sempre que possível alguns dos itens em casa. Existem tampas de vaso sanitário de madeira, suporte de filtro de café de vidro, escovas de dente de bambu, utensílios de cozinha de madeira, xampu e condicionador em barra, cestos de metal, copos de bambu e muitos outros itens sustentáveis.

Há mais algumas atitudes que nós, cidadãos, podemos tomar além de cobrar das empresas e dos governos que assumam a sua parcela de responsabilidade na preservação do meio-ambiente:

  • Contribuir para a divulgação do problema e conscientizar as pessoas que vivem ao nosso redor.
  • Aplicar os 5R´s (Reduzir, Reciclar, Reutilizar, Recuperar e Reintegrar).
  • Apoiar as organizações que trabalham para erradicar o plástico.
  • Alertar as autoridades sempre que ficarmos sabendo de infrações relacionadas com a gestão dos resíduos plásticos.
  • Utilizar os produtos o máximo possível e quando chegarem ao ‘fim de sua vida útil’, reutilizá-los.
  • Fazer escolhas mais sustentáveis sempre que puder, como por exemplo, as que citei mais acima
  • Lutar por mais locais de descarte para reciclagem.
Foto por Lara Jameson em Pexels.com

Conclusão: é muito difícil a gente viver sem plástico, mas pequenas ações de cada um podem ajudar a evitar que o problema do descarte irregular se torne insolúvel.

Porque o cuidado com o Planeta, a diminuição de lixo plástico, está além de questões políticas, religiosas ou crenças – é uma questão de senso de humanidade para com a vida como um todo.

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A Covid-19 será endêmica

Mas como isso pode afetar nossas vidas?

Estamos assistindo inúmeros países considerando que o coronavírus está aí pra ficar, que teremos que conviver com ele e pronto. Em outras palavras, rebaixando a pandemia para endemia.

Mesmo aqui, no Brasil, há muitas capitais e Estados indo por esse mesmo caminho, retirando a obrigatoriedade do uso de máscaras, seja em locais públicos, seja em locais fechados, como no Rio.

Entendendo bem, reclassificar o covid não significa que o vírus desapareceu, como num passe de mágica. Significa que ele vai continuar aí, que o tormento não acabou, mas que ele vai fazer uma quantidade menor de vítimas.

Quando uma doença é classificada como endemia, quer dizer que ela estará controlada, dentro de padrões considerados toleráveis, por causa da alta imunidade da população, obtida através da vacinação e de infecções prévias.

Por exemplo, tuberculose e malária são duas doenças endêmicas. Por ano, são estimados 240 milhões de casos de malária, sendo 640 mil mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso aponta que mesmo doenças endêmicas podem ser mortais e, em alguns casos, novas cepas e mutações podem fazer com que uma endemia volte a ser uma pandemia.

A malária, na região da Amazônia, provoca anualmente quase 140.000 casos. E entre esses casos, sempre há os mais graves e que levam a óbito – como em todas as endemias. Os médicos estimam que será assim com o coronavírus.

Ele veio para ficar.

Os médicos continuarão em vigilância constante, avaliando as novas variantes – como foi o caso do ômicron – para evitar que a futura endemia volte a ser uma pandemia.

As vacinas continuarão a ser pesquisadas para, quem sabe, chegarmos um dia a ter um imunizante seguro e que dure pelo menos um ano, como o da vacina da H1N1.

E nosso dia será fatalmente alterado, porque espera-se que os governos estabeleçam novas regras de convivência. Por exemplo, a pessoa contaminada com o covid-19 passa a trabalhar em casa, se for possível, ou fica afastada.

Como acontece com todas as doenças novas, ainda há muitas incertezas, embora possamos cravar algumas afirmações.

Assim como acontece com a gripe, ela pode ser fatal para quem é mais velho ou sofre de problemas crônicos de saúde – mesmo com a vacinação contra a influenza. Parece claro que esse público vai precisar de reforços constantes contra o covid, como é feito com a gripe.

Ou, dependendo de como os estudos progredirem, pode ser que todos tenhamos que fazer visitas periódicas aos postos de vacinação. Porque o vírus fará parte de nosso ecossistema.

O fato é que nossa convivência com o coronavírus nunca será amistosa – como não é com o mosquito que transmite a malária na Amazônia.

Viveremos sempre alertas.

Mogli, o menino lobo, existiu!

Quando Walt Disney produziu “Mogli, o menino lobo”, ele não imaginava que aquela fosse uma história real

“Mogli, o menino lobo”, lançado em 1967, foi o último filme que Walt Disney, falecido em 1966, supervisionou

Depois do enorme sucesso de “A Espada era a Lei”, aquele desenho sobre o rei Arthur e o Mago Merlin, e que apresentou ao mundo a bruxa Madame Min, Walt Disney estava em busca de outra história que tivesse o mesmo apelo.

O roteirista do desenho anterior sugeriu então uma adaptação de O Livro da Selva, de Rudyard Kipling. Walt aprovou, foi escrita uma primeira versão, bastante próxima do clima original da obra, mas que Disney reprovou, por considerar sombrio demais para um filme destinado à família. Outros roteiros foram preparados até que se chegasse ao tom que Disney queria. O filme foi lançado em 1967 e faz sucesso até hoje.

Em 2016, foi feita uma versão com atores humanos e animais digitalizados que repetiu o sucesso da animação original.

Mogli, o personagem principal, é um menino que foi criado por lobos no livro escrito por Rudyard Kipling, considerado um dos maiores autores de língua inglesa. Ele nasceu na Índia, foi enviado para estudar na Inglaterra ainda criança, e retornou à Índia com 16 anos, onde trabalhou como repórter e redator e escreveu muitos de seus contos.

Rudyard Kipling publicou O Livro da Selva em 1894, obra que o imortalizou.

Esse clássico da literatura foi inspirado na história real de um menino conhecido como “lobo indiano”, chamado Dina Sanichar. Ele foi o garoto selvagem que teria inspirado Kipling na criação dos contos que mais tarde foram todos compilados no livro.

Dina Sanichar

Dina viveu durante o século 19 e sua história ficou conhecida depois que um grupo de caçadores o encontraram seguindo um bando de lobos, como se fizesse parte daquela matilha, em uma floresta localizada no estado de Uttar Pradesh, na Índia, em 1872.

Espantados com o que viram, o grupo de caça decidiu resgatá-lo. Para isso, eles o seguiram até uma toca em que a matilha descansava e decidiram atear fogo lá dentro, fazendo com que os lobos e o garoto saíssem correndo. Com essa armadilha, conseguiram matar os lobos e capturar a criança.

O menino selvagem foi levado então para um orfanato, onde foi batizado e recebeu o nome de Dina Sanichar. O sociólogo francês Lucien Maison, em seu ensaio Les Enfant Sauvages (1964) relatou que o garoto, por ter sido criado por lobos em meio a um ambiente selvagem, teria adquirido hábitos peculiares.

Por isso, sua adaptação no mundo civilizado foi muito demorada e incompleta. “Ele adquiriu o hábito de roer ossos para afiar os dentes e rejeitou as tentativas iniciais de se vestir. A única coisa que aprendeu durante os 20 anos em companhia humana foi ficar ereto, vestir-se com dificuldade e comer no prato e no copo”, afirmou Maison em seu estudo.

Sanichar se comunicava através de rosnados e grunhidos, exatamente como um lobo, e só fazia sons de animais. As pessoas do orfanato tentaram trabalhar com o menino e aos poucos ele começou a se adaptar, mas nunca aprendeu a falar, e consequentemente, também nunca aprendeu a ler ou escrever

Apesar dos esforços por duas décadas, o plano de imposição social sobre o garoto não o levou a adquirir nenhum comportamento humano, exceto o vício de fumar tabaco, que Sanichar praticou até o fim da sua vida, quando morreu de tuberculose em 1895, aos 30 anos.

Dina Sanichar, depois de anos de reabilitação e convívio com seres humanos, era capaz de andar ereto e se vestir.

Fontes:

Walt Disney Co.

Wikipedia

Aventuras na História, Giovanna de Matteo

A FOTO… ALÉM DA IMAGINAÇÃO

Há aquele clichê: ” A realidade parece ficção”… Pois é…

Essa foto impressionante é do dia 8 de outubro de 1940… No dia anterior, Londres havia sofrido outro terrível bombardeio por parte dos alemães. Uma das coisas que me chamou atenção na foto foi que o menino sentou-se na livraria destruída para ler seu livro, e não o pegou para levar para casa… talvez porque nem tivesse mais casa…

(a propósito, o livro que ele lia era “The History of London”, segundo apurei…)

Para fins de contextualização, abro um parêntese aqui e falo um pouco desses bombardeios…

O objetivo desses ataques, que duraram cerca de oito meses, era minar o moral do povo britânico e facilitar uma potencial invasão da Grã-Bretanha. Mas esse objetivo não foi alcançado e Hitler redirecionou seus esforços para o leste da Europa, invadindo a Rússia. Mas o ditador nazista não desistiu de atacar a ilha britânica: em 1944, ele lançou as bombas voadoras V1 e V2 mais uma vez sobre Londres… fecha parêntese.

Voltando, quando me deparei com a foto do menino diante da livraria destruída, imediatamente me lembrei de um episódio da primeira temporada do seriado cult “Além da Imaginação”, de 1959. E fiquei pensando se o criador da série, Rod Serling, por acaso não teria visto essa foto e ela o tivesse inspirado…

Devo abrir outro parêntese, afinal, muita gente não deve conhecer esse seriado…

The Twilight Zone (Além da Imaginação) sempre trazia histórias de ficção científica, suspense, fantasia e sobrenatural, e fez sucesso no mundo todo. Sua abertura, narrada pelo próprio Rod Serling, tornou-se um clássico:

“Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo homem. É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do homem e o cume dos seus conhecimentos. É a dimensão da fantasia. Uma região Além da Imaginação”.

Fechando o parêntese…

O episódio em questão – quem sabe inspirado pela foto acima – “Enfim, tempo suficiente” (Time Enough at Last), conta a história de um bancário humilde e franzino, usando óculos fundo de garrafa, cujo único prazer na vida é a leitura. Mas ele é tão obcecado por ler que isso atrapalha sua vida social e profissional. O cara lê de tudo, bula de remédio, livros, jornais, cartazes na rua… no banco, está sempre com um livro debaixo do balcão… Prejudicando seu desempenho e irritando seu chefe.

Em casa, ele só quer saber de ler e sua esposa o proíbe de fazer isso, risca seus livros, enfim… o pobre Henry (interpretado por Burgess Meredith, mais tarde o treinador de Rocky Balboa) só queria um lugar sossegado para curtir seus livros. Um dia, pensando em ler em paz, se esconde no cofre do banco, longe do chefe, sem imaginar que uma bomba poderosa iria destruir o planeta.

Ele se vê como o único sobrevivente e, ao sair vagando em meio aos escombros da cidade, descobre as ruínas da biblioteca pública e seus milhares de livros ainda intactos. O paraíso para Henry! Milhares e milhares de livros lhe esperando e todo o tempo do mundo para ler e sem ninguém para lhe perturbar… Seria terrível se algo acontecesse para evitar que ele finalmente desfrutasse de uma paz literária, não é?

Não vou contar mais porque há diversos episódios da série disponíveis pela internet, incluindo este que eu cito, e não quero estragar o final.

Mas veja um trailer para lhe aguçar o paladar:

Revi o episódio e fiquei me perguntando: será que o menino da foto teve um final diferente do Henry?

Manga com leite faz mal?

Manga com leite. Essa é uma das combinações mais polêmicas na alimentação dos brasileiros. Muita gente, sobretudo quem tem mais idade, jura de pé junto que ela é tóxica e faz mal para a saúde, resultando em incômodos gastrointestinais, como diarreia e até a morte. Mas será que isso tem algum fundamento?

A resposta é não! “Comer manga com leite seria o mesmo que comer banana com leite, morango com leite… vamos combinar, é uma mistura maravilhosa!”, diz Roberta Almeida, nutricionista.

Roberta explica que esse mito vem desde os tempos da escravidão no Brasil. A questão é que a lenda foi criada justamente para impedir o consumo do alimento, uma vez que o leite era um dos itens mais caros adquiridos na colônia. Nenhum senhor de engenho ou dono de imensas plantações de café “correria o risco” de ter a bebida consumida por um escravo e, paralelamente, como as mangueiras e seus frutos eram fartos, os cativos comiam muito a fruta que estava ali, à disposição.

Pintura feita pelo francês Jean-Baptiste Debret

Surgira assim, a invenção da mistura venenosa. Afinal, se a história contada envolvesse apenas o suposto veneno do leite, logo cairia por terra na primeira vez que um feitor fosse flagrado bebendo a “preciosidade”. Então, essa lenda foi criada e diz-se que uma sinhá, dona da casa grande, chegou mesmo a colocar algum tipo de veneno numa mistura de manga e leite e deu para uma escrava beber. Quando ela caiu morta diante dos outros, a história rapidamente se espalhou como poeira ao vento…

Então quer dizer, nutricionista Roberta, que tudo bem misturar manga e leite?

“Mas claro”, afirma ela. “Não há nada, do ponto de vista científico, que prove o contrário. Além disso, essa combinação vai proporcionar um alimento altamente nutritivo”.

O leite é fonte de proteína de grande valor biológico, cálcio —não havendo outro item que forneça a mesma quantidade—, fósforo, magnésio e vitaminas A, D e riboflavina. Além de ser o principal aliado da saúde dos ossos e dos dentes, ele atua nas terminações nervosas, no crescimento muscular e no coração.

A manga, por seu lado, é rica em caroteno (provitamina A) e contém fósforo, potássio, vitamina C e fibras. Alguns dos seus benefícios são: melhora da imunidade e do funcionamento intestinal, equilíbrio da frequência cardíaca, redução dos níveis de colesterol LDL (mau colesterol) e proteção da visão. A vitamina C, por exemplo, é um ótimo antioxidante.

Roberta conclui: “É uma combinação deliciosa, e pode ser consumida como sorvete, como vitamina batida no liquidificador no café da manhã, enfim, pode consumir como preferir porque só fará bem para sua saúde”.

Consultoria:

Roberta Almeida, nutricionista, CRN-3 68945/P @nutrirobertaaalmeida


Fontes:

Wikipedia, Daniel Navas e Renata Turbiani, Vivabem

CACHAÇA, MANGA E PÃO-DE-LÓ: CONHEÇA O CARDÁPIO DA FAMÍLIA IMPERIAL BRASILEIRA

Em 2007, uma dupla de pesquisadores descobriu o que era servido nos banquetes reais do século 19 no Brasil

Teresa Cristina, Antônio, Isabel, Pedro II, Pedro Augusto, Luís, Gastão e Pedro de Alcântara – Domínio Público / Otto Hees

Na cidade de Petrópolis, localizada no Rio de Janeiro, fica o imponente Museu Imperial, que contém em exibição mais de 300 mil itens relacionados ao período imperial brasileiro, em particular o Segundo Reinado. 

Ana Roldão, todavia, que no início dos anos 2000 era gerente de negócios da instituição, percebeu uma lacuna que não era respondida pelo amplo acervo do local. Ela explicou o que ocorreu em uma entrevista à Folha de São Paulo em 2007. 

“Quando abri o bistrô, as pessoas perguntavam: ‘Tem comida do imperador? O que Dom Pedro I comia? E a princesa Isabel?’. Eu não fazia a menor ideia do que comiam”, contou ela ao veículo. 

Foi essa dúvida que deu o pontapé inicial para uma pesquisa realizada em colaboração com o jornalista Edmundo Barreiros.

Juntos, a dupla foi capaz de compilar diversas informações curiosas a respeito da rotina alimentar da família imperial, sendo capaz de transportar o leitor para dentro dos banquetes reais daquela época. 

As fontes históricas para o estudo foram, por exemplo, livros de receitas do século 19, anotações feitas pelos mordomos que serviam a família imperial, os cadernos que listavam os itens da despensa, os cardápios que eram elaborados apenas para eles e ainda cartas escritas pela Princesa Isabel, em que ela mencionava suas refeições. 

Cada um com seus gostos

Alguns dos hábitos alimentares mais excêntricos identificados pelos pesquisadores pertenciam a Dom João VI, que era capaz de devorar três frangos inteiros em uma só refeição, e para finalizar ainda comia cinco mangas descascadas de sobremesa. 

O rei português, contudo, tinha preferências bem específicas em relação à maneira de preparo da carne que consumia: segundo relatado por ele, ninguém fazia os frangos melhor que seu cozinheiro Alvarenga.

Dom João VI e Carlota Joaquina em pintura oficial / Crédito: Domínio Público via Wikimedia Commons

Princesa Isabel seria outra gulosa da família, embora de maneira diferente. 

“Há uma forte influência portuguesa no gosto dela. É alucinada por todos esses doces portugueses. Adora pão-de-ló, chá. É uma figura bem rica para trabalhar com alimentação, pois fala muito de comida”, relatou Ana

Existe ainda uma passagem encontrada em meio às suas correspondências em que a princesa reclama de ser servida “peixe em lata” durante a Quaresma de 1858, alimento que ela diz “não gostar nada”.

Dessa forma, Isabel acabou comendo só arroz na manteiga e batatas, episódio que a jovem descreveu como “uma verdadeira penitência”, conforme informações repercutidas pela Isto É. 

Pintura oficial da Princesa Isabel / Crédito: Domínio Público via Wikimedia Commons
 

Outra revelação feita pela pesquisa da ex-gerente do Museu Imperial e do jornalista diz respeito aos hábitos de Carlota Joaquina, a esposa de João VI.

“Na Torre do Tombo, em Lisboa, um documento aponta que eram consumidas muitas unidades de aguardente de cana por mês, a maioria destinada ao quarto e à cozinha de Carlota. Ela tomava aguardente misturada com sucos de frutas frescas, pois sofria demais com o calor brasileiro. Tinha necessidade de hidratar o corpo”, relatou Roldão à Folha. 

A história, porém, é menos simples do que parece a princípio: “Não adianta só dizer que ela era pinguça. No cruzamento de informações, percebe-se que a alimentação das mulheres era carregada nos doces, o que explica [o alto consumo], já que a aguardente era usada para conservar compotas de fruta”, explicou a historiadora. 

Entre Portugal e o Brasil

Quando veio para o Brasil em 1817, Leopoldina, que era esposa de Dom Pedro I, decidiu levar consigo uma série de alimentos na viagem. Assim, ela trouxe todo um carregamento de salmão, feijão-verde, repolho e carne de porco. 

Embora a realeza portuguesa tenha prosseguido importando boa parte de sua dieta da terra natal, todavia, eles também se adaptaram às comidas brasileiras. Dom João VI, por exemplo, foi responsável por incluir frutas como a já citada manga e também a goiaba em sua alimentação. 

Dom Pedro I, por sua vez, preferia refeições mais simples. Adorava um prato de arroz com feijão e carne de acompanhamento, por exemplo, e com frequência comia na cozinha, junto aos empregados, em vez de unir-se ao salão de jantar, onde era servido o cardápio imperial.

D. Pedro I, imperador do Brasil / Crédito: Domínio Público via Wikimedia Commons

Um dos casos divertidos revelados pela pesquisa de Roldão e Barreiros ocorreu durante uma viagem pelo Brasil em que o Imperador chegou antes do restante da comitiva na fazenda que iria recebê-los. 

 “Sem se identificar, entrou pela cozinha e disse à cozinheira que estava com muita fome. E ela: ‘Ó moço, posso dar algo simples, porque estou esperando o imperador’. Ofereceu-lhe arroz, feijão, carne e aguardente. Quando o dono da fazenda entrou, viu o imperador sentado na cozinha, tomando cachaça, comendo a comida dos empregados e rindo”, descreveu a historiadora.

Fonte:

aventurasnahistoria.uol.com.br

INGREDI BRUNATO, SOB SUPERVISÃO DE THIAGO LINCOLINS

O Dia dos Namorados no Brasil nasceu em São Paulo

“Não é só com beijos que se prova amor”, dizia a campanha publicitária pioneira na celebração

Em muitos lugares do mundo, o Dia dos Namorados é comemorado em 14 de fevereiro, em homenagem a São Valentim, bispo católico no terceiro século que celebrava casamentos em período de guerras, apesar da proibição do Império Romano. A tradição começou nos países anglo-saxões, mas passou a ser seguida inclusive por países de língua portuguesa, como Portugal e Angola.

Por que no Brasil, então, a data é comemorada no dia 12 de junho?

O “culpado” disso foi o pai do governador João Doria, o publicitário Agripino da Costa Doria Neto.  Vamos colocar as coisas no contexto da época, e que continua valendo atualmente: há questões de calendário, afinal, 14 de fevereiro costuma ser próximo ao Carnaval, e 12 de junho é véspera do dia de Santo Antônio, considerado pela tradição como “casamenteiro”. E aí, uma coisa puxou a outra…

Tudo começou em junho de 1949. O publicitário era diretor da agência de propaganda Standard, e um de seus clientes mais importantes era um grande magazine, A Exposição Clipper.

O desafio proposto pelo cliente era claro: as coisas não estavam indo muito bem, e a loja deu a missão, então, de criar novas estratégias para aquecer as vendas.

Já haviam tentado de tudo, mas sem grandes resultados… Por exemplo, divulgar pelos jornais que o magazine estava localizado num ponto da cidade de muito fácil acesso, “a 3 minutos de bonde!”.

O pai do futuro governador entrou em cena com sua equipe e percebeu que ali havia uma oportunidade comercial: junho era um mês fraco em vendas porque não tinha nenhuma data comemorativa… em maio, temos o Dia das Mães, em agosto, Dia dos Pais, em dezembro, Natal… e em junho?

Foi então que o Doria pai, lembrando-se do Valentine’s Day nos outros países, veio com a ideia de importar essa data. O dia 12 de junho foi escolhido como Dia dos Namorados justamente por ser véspera da festa  de Santo Antônio, conhecido por ser um santo “casamenteiro”.

 

O slogan desenvolvido por Doria era claro nesse sentido. “Não é só com beijos que se prova amor”. A campanha foi apoiada pela Confederação do Comércio de São Paulo e as vendas foram realmente alavancadas.

Veja algumas outras peças dessa campanha vitoriosa, que inclusive ajudou a agência a ganhar o prêmio de “Agência do Ano”.

A ideia, a partir de então, se espalhou por todo o país.

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

UOL

F. de S. Paulo

Wikipedia

dosepublicitaria.com/ Elidio Santos

Verdades e mitos sobre o Velho Oeste

Não é segredo que os filmes de faroeste moldaram o que as pessoas pensam sobre o Velho Oeste.

Histórias de bandidos, assaltos a bancos e conflitos com os nativos americanos fazem o Velho Oeste parecer sem lei. Na realidade, os Estados Unidos do século XIX eram muito menos empolgantes.

Cuidado! Índios!

Chefes sioux posam para foto com representantes na Casa Branca.  Universal Images Group via Getty Images

Os nativos americanos não eram uma ameaça constante. Nos filmes, eles atacam os colonos constantemente. Na verdade, isso raramente acontecia. O historiador Roger McGrath disse que o Velho Oeste “era um lugar muito mais civilizado, mais pacífico e seguro do que a sociedade americana de hoje”.

Enquanto algumas tribos  guerreavam com os colonos, a maioria viu uma oportunidade de comércio. De acordo com Hard Road West: História e Geologia Ao longo da Gold Rush Trail, mais nativos americanos foram mortos por migrantes do que o contrário.

O Velho Oeste não era “sem lei”

Transcendental Graphics / Getty Images

A palavra “sem lei” é frequentemente usada para descrever o Velho Oeste. Na verdade, não era mais sem lei do que é agora. De acordo com o Smithsonian, a reputação de “ilegalidade” começou com jornais de Dodge City, Kansas. E foram esses jornais sensacionalistas do início da década de 1870 que forneceram a base para as tramas dos filmes e seriados!

Chapéus de cowboy não eram populares

James Dean posa usando um chapéu de cowboy. Getty Images

O chapéu Stetson é mais conhecido pelo nome de “chapéu de cowboy”. É tão onipresente nos filmes de faroeste que as pessoas podem achar que todo cowboy os usava. Na realidade, os cowboys raramente usavam esse chapéu. Ele nem foi criado até 1865.

John B. Stetson desenhou o chapéu baseado em chapéus dos vaqueros mexicanos. De acordo com o National Cowboy Museum, o chapéu passou por diversos designs antes de chegar ao visual clássico que conhecemos hoje. Tornou-se popular no final do século 19 e no início do século 20 por sua durabilidade, mas poucas pessoas o usaram durante o Velho Oeste.

Armas de fogo eram proibidas na maioria das cidades

Coldres à venda Eric Lafforgue / Art in All of Us / Corbis via Getty Images

Nos filmes do Velho Oeste, cada personagem tem uma arma na cintura. Na realidade, muitas cidades proibiram o porte de armas. Estados como Louisiana e Kentucky proibiram o porte de armas de fogo, embora muitas dessas leis tenham sido revogadas. Até mesmo Dodge City, uma cidade conhecida por sua “ilegalidade”, tinha placas dizendo “O porte de armas de fogo é estritamente proibido”.

O historiador Adam Winkler observou que muitas pessoas usavam armas para se protegerem de animais selvagens. O governo federal se omitiu sobre as leis e as regras variaram de estado para estado.

Havia engarrafamentos nas cidades

Getty Images

Os filmes de faroeste fazem com que os Estados Unidos do século 19 pareçam nada mais do que pequenas cidades e colinas áridas. Mas as cidades existiam em 1800 e, onde havia cidades, havia engarrafamentos. Tanto as carruagens quanto as carroças ficavam engarrafadas no Velho Oeste.

Entre 1880 e 1900, mais de 15 milhões de pessoas mudaram-se para as cidades americanas. A industrialização encorajou as pessoas a irem para as cidades rurais em busca de mais oportunidades de emprego. Muitos dos assentamentos menores se tornaram cidades fantasmas por causa disso. Com mais pessoas, há muito mais tráfego.

Camelos selvagens vagaram pelo oeste americano

Camelos descansam perto de um poço de petróleo no começo do século XX. Arquivo Hulton / Imagens Getty

Se os filmes do Velho Oeste fossem historicamente precisos, eles mostrariam camelos perambulando pelos desertos e campinas. Camelos selvagens de fato viveram na América do Norte durante o século XIX. Agradeça ao Secretário da Guerra, Jefferson Davis, por trazer camelos para os EUA…

Davis achava que os camelos eram a chave para a expansão para o Oeste, uma vez que podiam transportar suprimentos e exigiam pouca água. O Exército dos EUA comprou 75 camelos e os vendeu depois em leilões. Durante a Guerra Civil, muitos desses camelos foram soltos e não se sabe o que aconteceu com eles.

O duelo do O.K. Corral não aconteceu no O.K. Corral

 OK. Corral  em Tombstone, Arizona. Robert Alexander / Getty Images

O tiroteio no O.K. Corral foi um dos duelos mais famosos do Velho Oeste de todos os tempos. O tiroteio de 30 segundos resultou de uma rivalidade de longa data entre bandidos famosos como Doc Holliday e Ike Clanton. No entanto, isso realmente não aconteceu no O.K. Curral.

O tiroteio, na verdade, aconteceu ao lado do Estúdio Fotográfico de C. S. Fly, na Fremont Street. Isso ficava seis portas abaixo do O.K. Curral. Claro que isso não impediu que o local se tornasse um destino turístico popular em Tombstone, Arizona.

Cowboys tinham péssima higiene

Um xerife em um cavalo, foto de 1901. Getty Images

Embora os atores pareçam sempre limpos e bem barbeados nos filmes, a realidade era muito mais suja. De acordo com a True West Magazine, a maioria dos cowboys ficava semanas sem tomar banho. Isso os deixava suscetíveis a várias doenças e parasitas.

Era difícil conseguir água limpa, assim como sabão. Os colonizadores faziam sabão com gordura animal e isso costumava irritar a pele. Dentistas não existiam; as pessoas tinham que recorrer aos barbeiros para extrair os dentes. Os nativos americanos eram muito mais limpos do que o cowboy…

A Califórnia não foi a primeira (ou única) corrida do ouro

Nesta ilustração, os mineiros procuram ouro na Califórnia. Coleção Kean / Arquivo de fotos / Imagens Getty

A corrida do ouro na Califórnia foi a mais famosa e a maior migração em massa da história americana. Mas não foi a primeira corrida do ouro no Velho Oeste. A primeira. e realmente significativa, ocorreu em 1799 no condado de Cabarrus, na Carolina do Norte. Trinta anos depois, houve outra corrida do ouro nos Apalaches do sul, da Geórgia.

A corrida do ouro na Califórnia foi a terceira e a mais importante do Velho Oeste. Além disso, a corrida pela prata também aconteceu. Em 1858, dez anos após a corrida da Califórnia, quarenta e nove famílias foram a Nevada para extrair prata.

Pela primeira vez, mulheres se tornaram garçonetes

Duas mulheres fazem pedidos a uma garçonete em um restaurante. Getty Images

As mulheres não tinham muitos direitos no Velho Oeste e não conseguiam empregos. No entanto, isso estava mudando rapidamente. Fred Harvey, dono de uma rede de restaurantes chamada Harvey House, deu início à tendência de contratar mulheres como garçonetes.

Harvey rapidamente se cansou dos garçons se metendo em brigas. Em um movimento radical, ele demitiu todos os garçons e os substituiu por mulheres. Contratou mulheres com idades entre 18 e 30 anos e as colocou em treinamento durante 30 dias. Essas mulheres recebiam seu salário, além de gorjetas, que lhes permitiam viver com independência.

Assaltos a banco eram muito, muito raros

A ilustração mostra um banco operando no século XIX. Getty Images

Os assaltos a bancos são um dos mais populares enredos dos filmes de faroeste. Mas quantos assaltos a banco realmente aconteceram? De acordo com Larry Schweikart, da Foundation for Economic Freedom, não muitos. Apenas oito assaltos a banco ocorreram entre 1859-1900.

Os bancos eram fortemente protegidos, diz o Wild World of History. Eram geralmente adjacentes a outros edifícios, e grandes bolas de ferro ficavam em cima dos cofres. O formato da bola causou um efeito explosivo quando as pessoas atiraram nela, por causa do ricochete. Aqueles que tentaram roubar bancos passaram por momentos muuuuito difíceis.

O Pony Express não foi bem sucedido

Um homem do Pony Express passa pelas linhas telegráficas em um desenho de 1861. Getty Images

O Pony Express é o serviço de correio mais rápido do Velho Oeste. No entanto, foi um fracasso financeiro. Ele funcionou por apenas 19 meses antes de ser encerrado. Poucas semanas depois de ter começado, estourou a Guerra do Lago Pyramid, entre os Estados Unidos e os índios Paiute. O expresso encerrou a operação por conta disso, o que lhes custou US $ 75.000.

O Pony Express lutou para se recuperar depois. Quando fechou em outubro de 1861, a empresa havia perdido US $ 200.000 (mais de US $ 6 milhões em dinheiro de hoje). Apesar de sua vida curta, o Pony Express entregou 35.000 correspondências.

A maioria dos cowboys tinha apenas cerca de um metro e meio de altura


Se você presumisse que os vaqueiros tinham a mesma altura que os homens de hoje, estaria errado. As pessoas eram mais baixas, em média, do que as pessoas no século 21. Quando os antropólogos examinaram um cemitério do Velho Oeste, eles notaram que a maioria dos homens tinha apenas um metro e meio de altura, ou pouco mais. O mais alto tinha um metro e setenta e cinco.

Curiosamente, os homens da Idade Média estavam mais perto da altura média atual. Em 2004, um estudo da Ohio State University descobriu que as pessoas “encolheram” entre a Idade Média e o século XIX. A falta de alimentos, clima mais frio e vidas mais sacrificadas seriam os culpados.

Alguns vaqueiros não andavam a cavalo

Membros do corpo de camelos no sudoeste dos EUA em 1857. Imagens MPI / Getty

Quando a maioria das pessoas imagina cowboys, ele é um homem em um cavalo. No entanto, nem todos os cowboys montavam cavalos. Alguns até montaram camelos! Isso foi especialmente verdadeiro no final da década de 1880, quando o arame farpado se tornou popular e as doenças devastaram o gado.

Os cavalos eram importados da Espanha e, como tal, eram caros. As pessoas que compravam cavalos também precisavam de aulas de equitação, e muitas pessoas não podiam pagar por elas. Muitos vaqueiros tinham cavalos e não os montavam, porque os usavam nos arados ou nas diligências.

A água não era de graça

 Getty Images

Considerando os longos dias de trabalho dos cowboys, supostamente haveria água em abundância nas fazendas e enquanto eles estivessem na estrada. Bem, esse realmente não era o caso. A água era, na verdade, bastante cara no Velho Oeste.

Enquanto os pedaços de carne seca eram vendidos por cerca de um centavo cada, a água podia ser vendida por “empresários” por alguns dólares! Nem é preciso dizer que os cowboys não ganhavam muito dinheiro e, portanto, precisavam ser muito cuidadosos com a quantidade de dinheiro que gastavam no líquido superfaturado.

A maioria dos cowboys era de origem mexicana

Um cowboy e seu cavalo, em 1878. / Getty Images

Acredite ou não, a maioria dos cowboys do Velho Oeste não era americana. Originalmente,  eram descendentes de mexicanos. O conceito de cowboy veio dos vaqueros, fazendeiros treinados no México que ganharam destaque após a chegada dos espanhóis.

De acordo com o Smithsonian, o Velho Oeste era tão diverso – senão mais – do que os Estados Unidos de hoje. Um em cada quatro cowboys tinha raízes na África. O historiador William Katz disse que as pessoas naquela época dependiam umas das outras para sobreviver, independentemente da origem.

A década de 1870 marcou o fim dos cowboys

Fazendeiros e o gado em uma cerca de arame farpado na década de 1890. D. Marsh / Buyenlarge / Getty Images

Poucos cowboys foram necessários após a década de 1870. Em 1876, John Warne Gates descobriu que os animais não cruzavam as cercas de arame farpado. Enquanto os anúncios a chamavam de “A Maior Descoberta da Época”, outros a chamavam de “a corda do diabo”. O arame farpado significava que os cowboys não eram mais necessários, porque não precisavam mais reunir o gado esparso.

Além disso, vaqueiros e nativos americanos não gostavam de como o arame farpado machucava o gado. Algumas pessoas formaram grupos chamados Blue Devils e Javelines para cortar as cercas das fazendas. A disputa continuou ao longo do final do século 19, quando os cowboys finalmente desapareceram.

As brigas eram muito raras

Silver Screen / Getty Images

Coloque um filme de faroeste antigo e uma briga com certeza vai acontecer durante a primeira meia hora. Ironicamente, brigas de salão e levar as pessoas “para fora” para resolver discussões não é o que realmente acontecia no Velho Oeste. Em vez disso, sobreviver em tempos difíceis significava se dar bem com seus vizinhos.

Embora cerca de 90% dos filmes de faroeste mostrem pessoas sacando armas para um confronto ao meio-dia, a verdade é que a maioria das cidades  eram mais seguras, com uma taxa de homicídio menor do que muitas cidades modernas.

As mulheres da noite podiam se dar bem 

HBO

A vida de uma dama da noite nem sempre foi fácil, nem foi vista como uma carreira honrosa para as mulheres no Velho Oeste. No entanto, elas não se davam tão mal quanto as pessoas acreditam. Na verdade, essas mulheres tinham um estilo de vida bastante confortável, pois eram muito procuradas e recebiam um bom salário.

Com seus altos salários, essas senhoras tinham condições de vida confortáveis, liberdades sociais especiais e, em alguns casos, tinham até policiais protegendo-as.

Cowboys vindos do México

DeAgostini / Getty Images

Cowboys e a representação do Velho Oeste são muito americanos, tendo sido mostrados em vários filmes de Hollywood e em romances de faroeste. Ironicamente, o conceito do cowboy não se originou nos Estados Unidos, como muitos pensam, mas ao sul da fronteira com o México.

O conceito de cowboy vem dos vaqueros, vaqueiros mexicanos que eram conhecidos por suas longas viagens com o gado, pelos rodeios e seus chapéus em estilo sombrero que provavelmente inspiraram o chapéu do cowboy moderno. Eles até inventaram um jargão bem conhecido, incluindo “bronco” e “debandada”.

A vida como cowboy era menos do que glamorosa


Muitas representações do cowboy do Velho Oeste mostram os homens como indivíduos bem-apessoados que sempre estão no lugar certo na hora certa, salvando o dia da “confusão dos moradores da cidade”. Bem, esta imagem não é exatamente real. A vida de um cowboy era tudo menos glamorosa e heroica.

Em vez disso, esses homens viviam vidas de operários, trabalhando em ranchos, consertando cercas e tendo uma camada de sujeira que parecia nunca desaparecer completamente. Normalmente dormindo no chão, os vaqueiros costumavam estar cansados, sujos e com dores demais no corpo para pegar em armas com alguém que tentasse assaltar um saloon

 

 

 

 

 

Fonte:

giveitlove.com

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