Quem matou Dana de Teffé?

Desaparecida em 1961, a socialite Dana de Teffé foi vista pela última vez entrando no carro do advogado Leopoldo Heitor de Andrade Mendes, com quem faria uma viagem do Rio de Janeiro para São Paulo. Principal suspeito de tê-la matado, ele contou três histórias diferentes.

Desaparecida em 1961, a socialite Dana de Teffé foi vista pela última vez entrando no carro do advogado Leopoldo Heitor de Andrade Mendes, com quem faria uma viagem do Rio de Janeiro para São Paulo. Principal suspeito de tê-la matado, ele contou três histórias diferentes

Parece enredo de novela… Eu era criança quando essa história estava em todas as revistas e jornais da época. Um caso rumoroso e que eu, ainda pequeno, não entendia muito bem. Só sabia que uma mulher rica e bonita tinha sumido.

O que teria acontecido à socialite Dana de Teffé? Ela foi vista pela última vez na noite de 29 de junho de 1961, entrando no carro do advogado Leopoldo Heitor, com quem faria uma viagem do Rio de Janeiro para São Paulo.

Linda, poliglota – falava seis línguas – rica e bem relacionada, tinha então 48 anos. Heitor, 38. Nascida na antiga Tchecoslováquia, ela fugiu para a Itália aos 15 anos, depois de perder os pais e a irmã na Segunda Guerra Mundial. Lá, tornou-se amante do tenente-coronel Ettore Muti, morto em um atentado durante um passeio dos dois pelas cercanias de Roma. Logo, ela migrou para a Espanha e, em 1944, casou-se com o dentista Umberto Dias. Quatro anos depois, trocou a Espanha pelo México e conheceu seu terceiro marido, o jornalista Carlos Denegri. Em outubro de 1951, já separada dele, veio para o Brasil. Desembarcou na alta sociedade carioca, onde, em um jantar de gala, foi apresentada ao diplomata brasileiro Manuel de Teffé Von Hoonholtz – sobrinho do Barão de Teffé -, de família muito rica, por quem se apaixonou instantaneamente. Contando com Ettore Muti, que se separou da mulher para ficar com ela, era seu quarto casamento. Os dois ficaram casados até 1961.

Para cuidar da papelada do desquite (ainda não existia divórcio no Brasil), constituíram um escritório de advocacia. O advogado responsável pela parte de Dana na divisão de bens era Leopoldo Heitor…

O advogado do Diabo

Famoso por motivos não necessariamente dignificantes, Heitor era uma figura polêmica. Na primeira vez em que seu nome surgiu no noticiário policial, estava atrelado ao rumoroso crime da ladeira do Sacopã, no Humaitá, zona sul do Rio.

O Advogado do Diabo, Leopoldo Heitor

No dia 6 de abril de 1952, o bancário Afrânio Arsênio de Lemos foi encontrado morto com três tiros dentro de seu Citroën preto. A polícia recolheu no local um retrato de Marina de Andrade Costa, namorada do tenente da FAB Alberto Bandeira.

Marina Costa

Marina Costa

Várias versões foram levantadas para explicar o caso, que a essa altura havia ganhado enorme projeção na mídia. Leopoldo Heitor, que adorava um holofote, apareceu na delegacia dizendo que um cliente seu era testemunha ocular do crime. Depois de algum suspense, trouxe para depor um suposto amigo da vítima, chamado Walton Avancini. O depoente contou uma história cheia de voltas, que juntava um pouco de tudo o que já havia se especulado na mídia, e terminava por incriminar o tenente Bandeira.

Graças a Avancini e a uma série de outras testemunhas de ocasião, Bandeira acabou sendo condenado a 15 anos de prisão, em um processo considerado anos mais tarde ilegítimo pelo Supremo Tribunal Federal (Bandeira já havia cumprido sete anos de prisão e deixado a cadeia). Leopoldo Heitor ganhou a alcunha de “advogado do diabo”. Em 1957, voltou às manchetes por envolvimento na falsificação de um cheque de 18 milhões de cruzeiros. Acuado, ele fugiu com a mulher para a Argentina e ficou lá até 1960, quando a sentença já havia sido revogada.

As vidas se cruzam

Por todo esse histórico, os amigos de Dana de Teffé recomendaram muita prudência quando perceberam que Leopoldo Heitor se aproximava cada vez mais dela. Um dia, Heitor disse à cliente que havia arrumado para ela um posto de representante para a América Latina da empresa Olivetti, de máquinas de escrever. Dana acreditava que seu dinheiro não duraria para sempre e por isso queria arranjar um emprego. Heitor explicou que a sede da empresa era em São Paulo, e a convenceu a fazer a viagem de carro.

Os dois partiram às 22h daquele 29 de junho. Nunca mais encontraram nem mesmo seu corpo.

Heitor apareceu dias depois, com um ferimento na perna, e contou a primeira de três versões para explicar o sumiço de sua acompanhante. Disse que assim que chegaram a São Paulo, um “senhor distinto” aproximou-se deles em um restaurante, falando outro idioma, e disse a ela que sua mãe havia sobrevivido e estava em um asilo na Tchecoslováquia. Aos prantos, Dana teria decidido embarcar imediatamente para Praga.  Quando Heitor ponderou: “Mas você vai precisar de dinheiro”, ela teria escrito uma carta-procuração dando a ele poderes para vender seu apartamento e joias… O advogado ainda calculara que seria preciso “uma boa reserva para tirar a mãe do asilo”. O ferimento na perna, segundo ele, fora causado por “fogos de artifícios que amigos de meus filhos soltaram”.

Em uma segunda versão, Heitor afirmou que havia tido problemas com o carro e, ao parar para verificar o que era, foi assaltado. Depois de travar um tiroteio com o bandido, percebeu que Dana havia sido atingida. Pensou em levá-la para um hospital em Barra do Piraí, no interior fluminense, mas no caminho viu que ela já estava morta. Com receio de ser acusado de assassinato, procurou um amigo para ajudá-lo no sepultamento do cadáver. Quem era? Ele não podia dizer. Onde o corpo foi sepultado? Só o amigo sabia.

Uma terceira versão, que ele sustentou até o último dos quatro julgamentos a que foi submetido entre 1963 e 1971, dava conta de que Dana havia sido sequestrada por um grupo de nazistas (mais de 15 anos depois da guerra!) ou comunistas tchecos. Eram “homens altos, louros e fortes”. “Minha tese é a de sempre, que Dana foi sequestrada e levada para fora do Brasil”, disse ele, em 1999, para um programa da TV Globo. “Quem conta três verdades, não conta nenhuma”, sustentava o promotor José Ivanir Gussem.

Minha Casa, Sua Vida

Dois meses depois do sumiço de Dana, Leopoldo Heitor mudou-se com a mulher, Verinha, e os dois filhos para o apartamento dela. A promotoria o acusou de ter transformado um ponto em vírgula, ao fim da procuração assinada por Dana, e acrescentado que ele tinha direito a vender, alugar e receber todos os bens dela. Nove meses depois, o advogado já havia embolsado mais de 25 milhões de cruzeiros da vítima, ou o equivalente a mais de R$ 1 milhão, em valores atualizados.

Tudo indicava que Leopoldo Heitor havia matado Dana de Teffé para ficar com o dinheiro dela. As histórias dele não se confirmavam. A Olivetti desmentiu que o cargo de representante para a América Latina estivesse vago e também que o nome de Dana tinha sido cogitado para ocupá-lo. Tampouco havia registros da saída da tcheca do Brasil, de acordo com investigações feitas no consulado, nas companhias aéreas e na polícia marítima. A promotoria questionava como Dana poderia deixar o país, se seu passaporte estava entre os documentos reunidos no processo. Segundo Heitor, sua cliente deixara o Brasil com um passaporte falso.

Nessa versão, Dana havia ligado de fora e, apesar de ter pedido para não comentar o telefonema com ninguém, ele contratara um “escritório internacional” e descobrira que ela estava em Praga.

Dana de Teffé

Dana de Teffé

Todos os indícios apontavam para Leopoldo Heitor como o criminoso.  Preso em 31 de março de 1962, sob a acusação de homicídio e ocultação de cadáver, ele fugiu em 4 de outubro do mesmo ano. Capturado dez dias depois no Mato Grosso, Heitor foi julgado em fevereiro de 1963 e condenado a 35 anos de cadeia, dos quais cumpriu oito. Em dezembro de 1964, mesmo preso, o Tribunal de Justiça do Rio anulou a sentença do juiz Ulysses Salgado, e o réu foi a novo julgamento. Embora tudo indicasse que ele havia dado sumiço no corpo, e não houvesse nenhum outro suspeito, o advogado foi absolvido em mais três julgamentos.

O júri foi convocado em Rio Claro, interior de São Paulo, onde o réu tinha um sítio e era considerado por todos um advogado sempre disposto a ajudar os mais carentes. No tribunal Leopoldo Heitor assumiu sua própria defesa. O júri foi anulado porque a imprensa conseguiu entrar na sala onde jurados e o juiz decidiriam a sentença. Em outros dois julgamentos na mesma cidade, o último em 1971, Heitor foi absolvido.

O promotor Gussem afirmou tempos mais tarde que “em Rio Claro, ninguém ganharia aquele júri”. Alguns jurados que nunca tinham saído da cidade disseram décadas depois que não tinham ideia de quem fosse Dana de Teffé. Um deles chegou a afirmar que “estava querendo que aquilo acabasse logo, não entendia nada do que se passava”. Por falta de provas materiais, o Supremo Tribunal de Justiça não autorizou a reabertura do processo.

Em 1981, o crime prescreveu.

Depois de sair da cadeia, Leopoldo Heitor ainda se casou duas vezes. Ao morrer, em 2001, com 78 anos, deixou dez filhos e um mistério que jamais será resolvido.

Quem matou Dana de Teffé?

 

 

 

 

 

Fontes:

O Globo

Paulo Sampaio, Revista J.P de agosto

 

Cidades no mundo onde a velocidade baixou

A velocidade nas principais vias de São Paulo tem diminuído constantemente. Apesar de muitas queixas dos motoristas, que alegam ter visto o trânsito piorar por causa disso, as últimas medições apontam o contrário.

Além de diminuir a epidemia de acidentes de trânsito, e isso em todas as cidades do mundo que adotaram essa providência,  a redução da velocidade diminui o número de acidentes (e, consequentemente, o de mortos e feridos) e melhora o fluxo do trânsito e qualidade do ar.

Foi Estocolmo, na Suécia, a primeira capital a fazer a mudança, em 1997. Desde então, muitas outras cidades seguiram por este caminho. Em Nova York, por exemplo, a velocidade em vários bairros é de 32 km/h.

Veja como funciona em outras capitais do mundo:

Londres

A capital da Inglaterra vem adotando, nos últimos anos, medidas para diminuir a quantidade de acidentes no trânsito, incluindo a redução de velocidade. Atualmente, o limite de velocidade é de 32 km/h em ruas e avenidas importantes da cidade. A diferença entre Londres e São Paulo é que lá há uma boa rede de transporte público. Por exemplo, o metrô. O sistema da capital paulista, inaugurado em 1974, tem hoje 78,3 quilômetros de extensão – numa média de expansão de 1,91 quilômetro por ano. O metrô de Londres, em operação desde janeiro de 1863, tem uma expansão média de 2,68 quilômetros por ano, e mais de 400 km de extensão…

Paris

A velocidade máxima permitida nas pistas do anel viário da capital francesa foi reduzida para 80 km/h para 70 km/h no começo de 2014. Dentro da cidade, o limite é de 50 km/h, com limites mais baixos em determinadas áreas. Essa é outra capital com boa infraestrutura de transporte público. Dá pra viver bem por lá sem carro.

Nova York

Em novembro de 2014, a administração da maior cidade dos Estados Unidos reduziu o limite de velocidade para 40 km/h. Em vários bairros, porém, o limite é ainda menor: 32 km/h. As medidas foram acompanhadas de uma campanha de conscientização e de ações para aumentar a fiscalização no trânsito. E andar de carro nessa cidade é uma insanidade… Onde há mais de 10.000 táxis rodando apenas em Manhattan. Para que se tenha uma ideia, Manhattan é menor em área do que o bairro de Santo Amaro, em São Paulo…

Cidade do México

O trânsito é um problema histórico da capital do México. Lá, os limites de velocidade foram reduzidos no fim de 2015: 80 km/h em pistas expressas, 50 km/h em avenidas, 40 km/h em vias secundárias e 20 km/h em áreas escolares e nas proximidades de hospitais. Pelo menos, dois serviços públicos lá funcionam muito bem, limpos e no horário: os trens e o metrô. E são baratos. A rede do metrô, com 250 km, cobre todos os bairros da cidade e a passagem custa 5 pesos, ou R$0,90.

Tóquio

Na capital do Japão, os motoristas podem dirigir a no máximo 50 km/h, sendo que há limites mais baixos de – 40 km/h e 30 km/h – em determinadas áreas da cidade. Mas é aquela história: não se deve andar de carro na megalópole. Além da eficiente rede de trens e metrô (que levam ambos cerca de 20 milhões de passageiros/ dia), há ainda o serviço de ônibus urbanos, conhecidos como Toei. Esse meio de transporte é indicado para as viagens curtas e para fazer a interligação com a rede de metrô.

Lima

A capital peruana tem quatro limites de velocidade em vigor: 80 km/h em vias expressas, 60 km/h nas avenidas, 40 km/h nas ruas e 30 km/h nas proximidades de escolas e hospitais.

Aqui, realmente, estamos numa capital do terceiro mundo. Uma cidade tão populosa, com mais de 8 milhões de habitantes, tem um trânsito caótico e um péssimo transporte público. Os ônibus são tipo jardineiras, sujos e caindo aos pedaços. Nos táxis, você tem que exigir que o motorista ligue o taxímetro e o metrô começou a operar há 5 anos. Tem apenas uma linha, com 34 km. Por isso, andar de carro ainda é uma opção preferida por muitas pessoas.

Bogotá

Na capital da Colômbia, a velocidade máxima permitida é de 80 km/h. Em vias situadas nas zonas residenciais e escolares, porém, o limite é de 30 km/h. Aqui, nesta cidade de quase 9 milhões de habitantes, há muitas opções de transporte público. Além dos táxis, que são baratos, há as “busetas” (pequenos ônibus coloridos que fazem trajetos mais curtos) e o Transmilênio, um sistema de VLP inspirado nos corredores de ônibus de Curitiba, melhorado e ampliado. São ônibus enormes, bi-articulados e que cobrem doze linhas, com 1.989 ônibus, 5.318 motoristas e 137 estações em 112,9 km de corredores exclusivos. Assim como em Curitiba, as estações são fechadas, sendo necessário pagar passagem para entrar na estação. Uma vez lá dentro, é possível tomar quantos ônibus forem necessários. Nos horários de pico, a tarifa é mais alta: são 1.800 pesos colombianos, equivalentes a R$ 2,10. Nos domingos e feriados, a passagem custa 1.500 COL, cerca de R$1,76.

Berlim

Na capital da Alemanha, o limite é de 50 km/h na maioria das vias, mas há áreas em que a velocidade máxima permitida é de 30 km/h. Além disso, há uma outra regra: em parte das vias com limite de 50 km/h, os motoristas não podem passar dos 30 km/h durante o período noturno.

Voltamos ao primeiro mundo. O sistema de transporte público em Berlim é excelente. Os táxis não estão entre os mais caros da Europa, o metrô (apesar de antigo, com seus 150 km e estações meio sujas e encardidas) funciona muito bem, e ainda há os trens e os bondes que, somados, percorrem um trajeto de mais de 300 km.

Buenos Aires

Na capital argentina, o limite é de 60 km/h nas avenidas e de 40 km/h nas ruas. Em algumas avenidas mais largas, pistas e autopistas, o motorista pode dirigir a 70 km/h ou a 80 km/h. O transporte público de Buenos Aires é um dos fatores que influenciou o crescimento do turismo, com inúmeras alternativas para transitar pela cidade, inclusive funcionando 24 horas. Com os recentes aumentos nas tarifas desses serviços, ordenadas pelo presidente Macri, os táxis – que eram muito baratos para nós – estão agora com a bandeirada equivalente à de São Paulo. Mas a capital argentina ainda tem uma eficiente rede de ônibus urbanos, o metrô cobre praticamente toda a cidade e há ainda os trens, modernos e limpos.

Em resumo, diminuir a velocidade dos carros nas ruas é ótimo por vários motivos. Mas a cidade precisa de um transporte público eficiente que estimule os proprietários de automóveis a deixar seu carro em casa nos dias úteis.

São Paulo está longe de ter essa infraestrutura eficiente, mas avançou bastante nos últimos anos. Falta muito, mas, pelo menos, estamos a caminho…

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

UOL

O evangelho da esposa de Jesus

O “Evangelho da Mulher de Jesus” – um misterioso fragmento de papiro de 1.300 anos de idade no qual o próprio Cristo afirma ser casado – provavelmente é uma fraude, admitiu a historiadora da Universidade Harvard (EUA) responsável por publicar o texto pela primeira vez.

Revelações sobre o proprietário do papiro, Walter Fritz, um empresário alemão radicado na Flórida, vieram a público num artigo na edição de julho da revista americana The Atlantic. A investigação da revista revelou fortes indícios de que Fritz tinha tanto capacidade técnica quanto motivação para forjar o texto. “Ele basicamente mentiu para mim”, declarou à publicação Karen King, especialista em história do cristianismo primitivo que concordou em analisar o fragmento a pedido do empresário, sob a condição de não revelar o nome dele, e que divulgou seu conteúdo durante uma conferência em Roma, em 2012.

Como era de se esperar, o “Evangelho da Mulher de Jesus” chamou a atenção de milhões de pessoas mundo afora. Em copta, o idioma nativo do Egito na época do Império Romano, o texto (do tamanho de um cartão de crédito) continha frases como “Jesus disse a eles: ‘Minha mulher'” e “Quanto a mim, habito com ela”. Com base em outros textos cristãos antigos, especulou-se que a mulher seria Maria Madalena.

Maria Madalena, a mulher que amou Jesus.

Maria Madalena, a mulher que amou Jesus.

Parecia ser um manuscrito tardio demais para trazer informações relevantes sobre a figura histórica de Jesus, tendo sido escrito centenas de anos depois de sua morte. Mesmo assim, Karen defendia que a existência do fragmento poderia influenciar o debate sobre sexualidade e celibato nos primeiros séculos do cristianismo. Para ela, o papiro era um indício de que, ao menos, algumas correntes cristãs não viam incompatibilidade entre casamento (e sexo) e liderança religiosa.

Logo que imagens do fragmento vieram a público, porém, especialistas questionaram sua autenticidade. Havia esquisitices na caligrafia e no aspecto “limpo” do papiro. E trechos pareciam ter sido simplesmente copiados de outro manuscrito copta famoso, o Evangelho de Tomé, que contém enigmáticos ensinamentos atribuídos a Jesus.

Em 2014, essas dúvidas receberam um golpe quando a Universidade Harvard anunciou o resultado de testes de carbono-14 (método padrão de datar matéria orgânica antiga, o que inclui o papiro) e de análises da tinta. O papiro em si teria sido produzido por volta do ano 750 da Era Cristã, e a tinta era semelhante à encontrada em manuscritos típicos da época, entre os anos 400 e 800 d.C.

Isso, porém, não calou os críticos: não seria impossível que um falsificador tivesse comprado um papiro antigo e criasse uma tinta caseira com características semelhantes às usadas entre o fim da Antiguidade e o começo da Idade Média, para tentar enganar os especialistas.

COPTA E PORNÔ

Disposto a desfazer o mistério, o repórter Ariel Sabar, da Atlantic, passou a rastrear como o papiro teria sido passado de mão em mão ao longo das décadas, e o resultado foi uma trama bizarra envolvendo egiptologia, misticismo e pornografia caseira que parece ter saído do best-seller “O Código da Vinci”.

Walter Fritz dissera ter comprado o papiro de seu conterrâneo Hans-Ulrich Laukamp, dono de uma pequena fábrica de peças automotivas que também se mudara para os EUA. Laukamp, por sua vez, teria mostrado o fragmento, nos anos 1980, a dois egiptologistas da Universidade Livre de Berlim, que assinaram cartas dizendo ter identificado trechos de antigos textos cristãos no papiro.

Acontece que Fritz não guardou os originais de nenhum desses documentos – só cópias ou fotografias. Além disso, ele declarou à historiadora que era só um colecionador curioso e que não tinha ligações com a comunidade acadêmica.

Não era verdade, descobriu o repórter do Atlantic após viagens para a Alemanha e para a Flórida. Fritz fizera mestrado em egiptologia na Universidade Livre de Berlim (poderia, portanto, forjar o texto).

Jornais e revistas noticiaram com destaque a “descoberta” do papiro em 2012. No recorte, matéria de uma revista brasileira.

Laukamp, suposto dono original, era um sujeito simples que nunca se interessou por antiguidades ou cristianismo primitivo, segundo seus parentes – mas foi sócio de Fritz, que poderia ter forjado a assinatura do ex-sócio no contrato de venda.

Como se não bastasse, a mulher de Fritz é autora de um livro de “escrita automática” no qual afirma receber revelações místicas de anjos, e os dois mantiveram durante anos um site pornô caseiro no qual o alemão exibia filmes dela fazendo sexo com outros homens (cerimônias com sexo grupal teriam sido parte das tradições de antigos grupos cristãos não ortodoxos, segundo seus detratores…).

Na entrevista à Atlantic, Fritz alegou ter sido abusado sexualmente por um padre na infância e defendeu que os Evangelhos gnósticos – que costumam dar papel de destaque a Maria Madalena – seriam historicamente mais confiáveis do que os da Bíblia, opinião que quase nenhum especialista adota hoje. Fritz ainda convidou o repórter da revista a escrever um romance no estilo de “O Código da Vinci” em parceria com ele.

Tudo isso levou Karen King a admitir que “a balança agora pende a favor da ideia de falsificação”, já que Fritz omitiu todas as informações relevantes sobre si mesmo. “Nunca mais concordarei em fazer esse tipo de estudo com base num doador anônimo. Aprendi minha lição”, declarou ao jornal Boston Globe.

Para o frei Jacir de Freitas, franciscano que é um dos principais especialistas do Brasil em textos cristãos apócrifos – os que não foram incluídos na Bíblia –, o aparecimento de falsificações desse tipo é natural, considerando o imenso interesse do público sobre o que teria realmente acontecido durante a vida de Jesus. Por outro lado, isso não altera o fato de que a participação das mulheres na Igreja primitiva provavelmente foi muito intensa, lembra. “Certamente havia mulheres com papel de liderança ativa, e Maria Madalena se tornou uma espécie de símbolo para elas”, afirma.

 

 

 

 

 

Fontes:

BBC

UOL

Folha de S. Paulo

boato.com

Entenda a roupa usada pelos homens árabes

Os homens muçulmanos, assim como as mulheres, também têm vestimenta própria. Embora pareça uma longa peça única de tecido branco, o traje é muito mais do que isso e possui história e significados muito ricos. Quando estive em Dubai visitando minha filha, que mora lá há muitos anos, conversei com uma pessoa que me explicou as diferenças, mas acabei me esquecendo.

Agora, encontrei explicações completas que compartilho com vocês.

Gahfiya (Ghafiya ou Gafirah)

CRÉDITO: MOEFAKHRO.TUMBLR.COM

Pequena touca branca usada para prender o cabelo dos homens e manter o Ghtrah (veja abaixo) no lugar. Pode ser feito de tecido ou de uma trama parecida com o crochê.

Ghtrah (Guthra ou Gutra) 

CRÉDITO: COMMONS.WIKIMEDIA.ORG

CRÉDITO: COMMONS.WIKIMEDIA.ORG

O tradicional lenço usado na cabeça. De formato quadrado e feito em algodão, ele é dobrado como um triângulo e colocado sobre o Gahfiya com a dobra na parte da frente. Existem muitas maneiras de amarrar o lenço na cabeça e você poderá conferir algumas delas nas ilustrações.

Igal (Agal ou Ogal)

CRÉDITO: HILALPLAZA.COM

CRÉDITO: HILALPLAZA.COM

Sabe aquela “cordinha” preta de duas voltas que você sempre vê no topo da cabeça de um árabe? Então, isso é o Igal. A peça é feita de lã de camelo ou de ovelha, tramada para formar uma corda. O Igal é utilizado sobre o Ghtrah e o Gahfiya e diz-se que, antigamente, ela auxiliava os beduínos a amarrar os pés dos camelos para que eles não fugissem.

Kandoora  ( Kandura, Thobe ou Dishdasha)

CRÉDITO: ALNASHAMAUAE.COM

CRÉDITO: ALNASHAMAUAE.COM

É como se chama o “vestido” tradicional, ou túnica, usado por homens árabes. A peça, sempre com manga longa e comprimento até o tornozelo, pode ser encontrada em diversas cores e materiais. Normalmente, os tons mais claros e os tecidos mais leves são utilizados durante o verão, para refletir a luz do sol e garantir o conforto térmico. Já no inverno, as peças passam a ser mais escuras e confeccionadas em tecidos mais densos. Os modelos de Kandoora diferem ligeiramente de região para região, no Golfo. As diferenças são sutis para quem é de fora, então confira as explicações (essa parte, quando me explicaram, eu de fato não compreendi… Por isso, agora, tem desenho! Rsrs).

ACESSÓRIOS

Tarboosha

CRÉDITO: ALMADANIGROUP.COM

CRÉDITO: ALMADANIGROUP.COM

É uma “cordinha”, parte da roupa tradicional masculina. Esse adorno era originalmente usado como laço ao redor do pescoço, ou colocado nos botões das kandooras. Dizem que as mulheres o teciam exclusivamente para os seus maridos como uma forma de expressar seu amor por eles. Com o passar do tempo, elas começaram a fazê-lo para seus filhos e, assim, o acessório começou a ser usado por todos.

Bisht

CRÉDITO: ALNASHAMAUAE.COM

CRÉDITO: ALNASHAMAUAE.COM

Confeccionada em lã de camelo ou de cordeiro, a peça era usada nos velhos tempos sobre a Kandorra para mostrar sinal de riqueza. A utilidade assemelha-se à da Abaya das mulheres: proteção da roupa contra areia, sujeira, etc. Hoje, o bisht é usado em funções oficiais ou comemorações – como casamentos –  e pode ser encontrado tanto em tons claros quanto escuros.

Na – Aal

CRÉDITO: ALNASHAMAUAE.COM

CRÉDITO: ALNASHAMAUAE.COM

Tradicional sandália de couro usada pelos homens muçulmanos quando estão em suas vestimentas tradicionais.

Os turbantes

Eles e as túnicas são quase idênticos às vestes das tribos de beduínos que viviam na região no século VI. É uma roupa que suporta os dias quentes e as noites frias do deserto. O turbante já era utilizado no Oriente muito antes do surgimento do islamismo. Consiste em uma longa tira de pano – que, às vezes, chega a 45 metros de comprimento – enrolada sobre a cabeça. As inúmeras formas de amarrá-lo compõem uma linguagem: o turbante indica a posição social, a tribo a que a pessoa pertence e até o seu humor naquele momento.


Para as mulheres, a história já é outra…

Mas, para não complicar demais, vou deixar pra contar uma outra vez!

 

 

 

Fontes:

Skeikh Mohammed Centre for Cultural Understanding ,

Luis Chumpitaz 

ilustrações traduzidas do Brownbook

destinodubai.com.br

vivimetaliun.wordpress.com

O Fusca 2017

Acho que todo mundo conhece, ou pelo menos ouviu falar, do Fusca. Bem, imagino que a moçada mais nova nem saiba do que se trata, então, farei um breve histórico aqui.

O Volkswagen Sedan foi um projeto de “carro do povo” (seu significado em alemão) encomendado a Ferdinand Porsche por Adolf Hitler.  No início da década de 1930, Porsche vinha desenvolvendo um projeto de carro barato e econômico, e extremamente ousado, com motor refrigerado a ar. Todos os carros então eram refrigerados a água.

Ferdinand Porsche

Ferdinand Porsche

Lançado oficialmente em 1.935, o Volkswagen podia ser comprado ao preço de 990 marcos, e era equipado com motor refrigerado a ar, sistema elétrico de seis volts e câmbio de quatro marchas – até então só se fabricavam carros com caixa de câmbio inferiores a 3 marchas.

O lançamento do carrinho do povo por Hitler.

O lançamento do carrinho do povo por Hitler.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o carrinho voltou a ser fabricado e passou a ser utilizado em serviços de primeira necessidade, escassos naquela época, como correio, atendimento médico, etc, justamente porque era um veículo de fácil manutenção, dirigibilidade e bastante econômico. Em pouco tempo, essas qualidades e sua versatilidade acabaram lhe abrindo mercados em todos os países do mundo, e em 1950 as primeiras unidades do carrinho foram importadas no Brasil.

Modelo de 1950, cujas primeiras 50 unidades foram importadas no mesmo ano pelo Brasil.

Modelo de 1950, cujas primeiras 50 unidades foram importadas no mesmo ano pelo Brasil.

O sucesso se repetiu aqui e, em 1959, ele começou a ser fabricado no país. Em poucos anos, o carro se tornou uma preferência nacional e ganhou o carinhoso apelido de “Fusca” – lá fora, ele é conhecido como ‘Beetle”.

Interior de um Fusca antigo

Interior de um Fusca antigo

Milhões de unidades do Fusca, em suas diferentes versões, foram produzidas no Brasil até que sua produção cessou em 1986. Poucos anos depois, em 1993, o então presidente Itamar Franco pediu que o carro voltasse a ser fabricado, o que aconteceu por três anos, quando sua carreira encerrou-se definitivamente. Durante esses anos todos, o carro sofreu poucas modificações tanto mecânicas quanto na carroceria, e ficou difícil para o modelo acompanhar os projetos de automóveis mais novos, que seguiam os avanços da tecnologia.

Reestilização do Fusca  de 1998, que foi batizado de New Beetle

Reestilização do Fusca de 1998, que foi batizado de New Beetle

Por isso a Volkswagen decidiu atualizar seu modelo, usando a plataforma do Golf, incorporando os avanços tecnológicos e reestilizando o veículo.  Tudo isso provocou uma mudança de perfil do público-alvo, porque o New Beetle, como foi chamado no seu lançamento, deixou de ser um “carro do povo”. Seu preço de venda estava no patamar de carros maiores, por isso ele nunca deixou de ser um carro de nicho.

É esse Beetle que sofreu algumas modificações e volta com nova cara em 2017. Veja só:

Ele vem com novas cores, novos para-choques, entradas de ar maiores… Tem o modelo conversível também, além de um interior todo redesenhado. Eles estão lançando ainda uma versão esportiva:

Tem também o modelo especial “Denim”, que vem num azul que dá uma cara de calça jeans.

beetle-denim-1

O teto e as rodas de 17 polegadas têm círculos coloridos em jeans e esse estilo também se reflete no interior. São bancos desportivos com capas azuis e bolsos de armazenamento no estilo de calça jeans. Na Europa, o preço desse modelo começa em US$ 26.000,00, ou R$ 83.000,00 na cotação desta semana.

Talvez a montadora traga o Beetle atualizado para mostrar ao mercado brasileiro no próximo Salão do Automóvel. O que vai pegar, é claro, será o preço de venda, porque se um Beetle 2013 era vendido na época a R$ 110.000,00, imagina qual será o preço desse 2017!

O mais relevante em toda essa história é que o projeto original continua ali, por mais modificações que se façam. Como diria o escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa, “algo deve mudar para que tudo continue como está”.

 

 

 

 

 

 

 

Mudança na órbita da Terra provocou migrações de homens pré-históricos

“Berço da humanidade”, a África é o continente primordial da história humana na Terra. Os cientistas, contudo, não entendiam exatamente o motivo de as populações terem migrado do continente para o resto do mundo. Um estudo publicado pela revista Nature dá pistas sobre o que ocorreu no planeta naquela época.

De acordo com a pesquisa conduzida por Axel Timmermann e Tobias Friedrich, da Universidade do Havaí, a dispersão de humanos da África para o restante da Terra ocorreu em quatro grandes ondas distintas nos últimos 125 mil anos. Todas, contudo, estão conectadas a mudanças no clima ocasionadas por variações na órbita que deixaram o planeta mais gelado.

Estudos anteriores já avaliavam a possibilidade de mudanças climáticas impulsionadas por variações orbitais terem influenciado a dispersão do Homo sapiens para fora da África. Faltavam, contudo, dados concretos sobre situações climáticas e datações de fósseis para corroborar a teoria.

Antigos humanos saíram da África para o resto do mundo

Antigos humanos saíram da África para o resto do mundo

Agora, a equipe de pesquisadores construiu modelos numéricos que quantificam os efeitos de antigas mudanças climáticas e no nível do mar na migração global dos últimos 125 mil anos. Os modelos identificam ondas grandes de migração glacial pela Península Arábica e pela região do Levante nos seguintes períodos: 106 mil a 94 mil, 89 mil a 73 mil, 59 mil a 47 mil e 45 mil a 29 mil anos atrás.

Os resultados se aproximam bastante aos dados arqueológicos e a fósseis já encontrados. A descoberta mostra que as mudanças climáticas ocasionadas por alteração na órbita da Terra tiveram um papel crucial para moldar a distribuição populacional no mundo. Além disso, estima que o Homo sapiens chegou quase simultaneamente à Europa e à China entre 90 mil e 80 mil anos atrás.

Esta imagem mostra ocupação populacional há 80 mil anos; áreas em vermelho mais escuro contêm até 28 indivíduos por 100 kms quadrados

Esta imagem mostra a ocupação populacional há 80 mil anos; áreas em vermelho mais escuro contêm até 28 indivíduos por 100 kms quadrados

As populações pelo mundo

A revista Nature também publicou uma vasta pesquisa que mostra a influência global do continente africano e que busca entender como funcionaram as migrações da África. Em três publicações diferentes, cientistas se debruçaram sobre o genoma de 280 populações ao redor do mundo.

Um estudo conduzido por David Reich, de Harvard, sequenciou genomas de 300 pessoas de 142 diferentes populações pouco estudadas no campo científico. Os cientistas notaram que a população que deu origem aos humanos atuais começou a divergir pelo menos há 200 mil anos.

Já a pesquisa que teve como autor Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, sequenciou o genoma de 83 aborígenes australianos e 25 indivíduos das terras altas da Papua Nova Guiné. Os dados apontam que os ancestrais dos aborígenes e da Papua Nova Guiné divergiram de populações euro-asiáticas entre 51 mil e 72 mil anos atrás. Ainda foram identificados materiais genéticos de antigos humanos, como os denisovans e de um grupo hominídeo desconhecido.

Outro estudo, feito pelos cientistas Luca Pagani e Mait Metspalu, do Estonian Biocentre, descobriu que parte do genoma dos atuais moradores de Papua Nova Guiné mostra ligação com uma população que divergiu dos africanos mais cedo dos que os eurasianos. A descoberta fomenta evidências para uma onda de migração da África há 120 mil anos que levou ao povoamento da Papua Nova Guiné.

 

 

 

Fonte:

BBC

Navio surge depois de ter desaparecido no Triângulo das Bermudas

A Guarda Costeira cubana anunciou que interceptou um navio à deriva na costa da ilha caribenha. O navio, identificado como sendo o SS Cotopaxi, desapareceu em dezembro de 1925 e, desde então, seu sumiço tem sido ligado ao famoso Triângulo das Bermudas.

As autoridades cubanas tentaram se comunicar com a tripulação exaustivamente durante dias, porque a embarcação estava se aproximando perigosamente de uma instalação militar, mas todos os esforços foram infrutíferos. Finalmente, mobilizaram barcos-patrulha até que os homens conseguiram abordar o navio.

De início, ficaram surpresos por não haver ninguém a bordo, e uma busca completa possibilitou que eles encontrassem o diário do capitão. Foi nesse momento que descobriram tratar-se do navio-fantasma, embora o diário não trouxesse nenhuma pista do que aconteceu com o Cotopaxi nos últimos 90 anos.

O especialista cubano Rodolfo Cruz Salvador analisou os documentos e acredita serem autênticos.

O diário está cheio de informações preciosas sobre como era o cotidiano dos marinheiros, mas as entradas cessam exatamente no dia 1 de dezembro de 1925, o dia em que o navio desapareceu. Ele havia partido em 29 de novembro daquele ano de Charleston, na Carolina do Sul, Estados Unidos, a caminho de Havana. A tripulação era composta por 32 homens, sob o comando do capitão Myers, e levava uma carga de 2.300 toneladas de carvão. Foi dado como desaparecido apenas dois dias depois.

O Triângulo das Bermudas é uma região que abrange a área entre Miami, Porto Rico e Bermudas e onde desapareceram dezenas de navios e de aviões, todos em circunstâncias misteriosas.  As lendas atribuem esses desaparecimentos a fenômenos paranormais e sobrenaturais, ou a atividades extraterrestres. Existem até mesmo aqueles que sustentam que os restos de uma civilização perdida (Atlântida?) ainda exerceriam influência eletromagnética sobre quem ousasse navegar naquelas águas.

A maioria dos cientistas, porém, nem reconhece a existência desse triângulo e afirma que os desaparecimentos se deram por conta de erros humanos ou fenômenos naturais. O fato, entretanto, é que o reaparecimento surpreendente do SS Cotopaxi deve obrigar a comunidade científica a rever suas crenças…

 

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Bem, essa foi a notícia que vem deixando o mundo alvoroçado há muitos meses…

Ela surgiu na segunda quinzena de maio de 2015 e conta a incrível história do navio SS Cotopaxi, que desapareceu em 1925 na região conhecida como o Triângulo das Bermudas e teria sido encontrado pela Guarda Costeira de Cuba.

Segundo o texto, que reproduzi acima, a Guarda Costeira cubana teria anunciado que haviam interceptado uma embarcação e que uma inspeção feita no navio descobriu o diário de bordo do capitão. Esse diário, após ser examinado pelo especialista cubano Rodolfo Cruz Salvador, teria confirmado ser autêntico.

A imagem abaixo seria uma das fotos comprovando o achado intrigante:

A região conhecida como Triângulo das Bermudas é um local cercado por lendas e teorias sobre navios desaparecidos e acontecimentos inexplicáveis, por isso a notícia ganhou tanto destaque em diversos sites e blogs.

No entanto, é bom que fique claro que essa história é falsa!

O navio SS Cotopaxi existiu, de fato, e afundou em 1925 durante uma viagem entre a Carolina do Sul e Havana. Apesar do capitão deixar evidente, em sua última transmissão de rádio, que o navio estava afundando, muitas pessoas ainda tratam o ocorrido como se fosse um desaparecimento, associando o incidente com as lendas sobre a região.

Não há nenhuma nota da Guarda Costeira cubana comprovando o achado e tampouco não houve nenhuma confirmação de órgãos oficiais sobre o suposto reaparecimento do navio.

E tem mais!

O homem que aparece na reportagem não se chama Rodolfo Cruz Salvador e também não é cubano. Seu nome é Lee Smale, um britânico que encontrou o diário de seu pai. Claro, ele não tem nada a ver com a história do navio que teria reaparecido.

O britânico Lee Smale teve sua foto usadda indevidamente na matéria falsa!

O britânico Lee Smale teve sua foto usada indevidamente na matéria falsa!

Aqui está o link da matéria publicada em 2013 sobre o diário do pai do britânico, que era mergulhador da Marinha inglesa e participou das tentativas de resgatar um submarino afundado durante a Primeira Guerra Mundial.

A foto do navio usada para ilustrar essa notícia falsa é, na verdade, uma montagem (até meio tosca) de um frame do filme “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, de 1977, dirigido por Steven Spielberg. Na cena, o Cotopaxi havia sido encontrado no deserto de Gobi.

Esse boato surgiu de uma publicação feita no dia 18 de maio de 2015, no site humorístico World News Daily Report. Rapidamente, vários sites começaram a copiar a notícia e, em pouco tempo, o assunto passou a se espalhar como se fosse real.

Isso também acontece por aqui, quando falsas notícias publicadas em sites de humor, como o Sensacionalista, acabam sendo espalhadas por pessoas que ou não entendem a piada e acham que a notícia é verdadeira, ou simplesmente resolvem difundir a brincadeira.

 

Para desilusão dos que acham que os deuses eram astronautas, a notícia do navio reaparecido é falsa. Sei que muita gente divulgou essa farsa na boa fé, por acreditar em muitas das teorias e lendas que correm por aí. Histórias nunca comprovadas de abduções, de avistamentos de OVNIs, lendas sobre mulas sem cabeça, zumbis ou lobisomens.

Eu, por exemplo, sou um dos que não acredita em bruxas.

Mas, que elas existem, existem…

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

internet

http://www.e-farsas