Leis bizarras sobre sexo

As leis existem para tornar a convivência em sociedade mais fácil, mas algumas leis são bem estranhas, principalmente quando se trata de sexo.

As leis estão em todos os lugares e ditam como devemos viver. Elas variam de Estado para Estado, e mais ainda, de país para país. Há leis que são relacionadas ao ato sexual, e estas são importantíssimas na luta contra os crimes sexuais.

Porém, ao redor do mundo há algumas leis relacionadas ao sexo que são, no mínimo, estranhas, e não estão apenas no Oriente Médio, onde é comum ter muitas leis relacionadas ao ato sexual.

Confira algumas das mais bizarras e que já não são mais usadas, embora ainda estejam na Constituição desses Estados ou países. E cuidado, se estiver viajando por algum desses locais, elas ainda podem ser acionadas a qualquer momento!

  • Em Guam, é proibido que as mulheres se casem virgens. Para que a lei não seja infringida, há homens que viajam pelo pequeno país, localizado a oeste do Oceano Pacifico, e tiram a virgindade das moças. Eles recebem por isso…
  • Há uma lei religiosa na maioria dos países muçulmanos do Oriente Médio que diz que é proibido ter relações sexuais com carneiros e, posteriormente, comer sua carne.
  • Em Hong Kong, a infidelidade pode chegar a custar a vida, já que é permitido que a mulher traída mate seu marido adúltero e a amante. Porém, a mulher deve matar o marido com as próprias mãos, enquanto a amante pode ser morta como a mulher traída preferir.
  • Na Colômbia, há uma lei muito peculiar que diz que a mãe deve assistir à primeira relação sexual que sua filha tem com o marido.
  • Em Minnesota, nos Estados Unidos, há uma lei que proíbe os homens de manterem relações sexuais com peixes vivos. A lei não diz nada sobre peixes mortos ou sobre mulheres terem relações com os peixes.
  • No Líbano, é permitido ter relações sexuais com animais, porém os animais devem ser apenas do sexo feminino. Caso contrário, a pessoa pode ser punida com a morte.
  • Os preservativos devem ser usados sempre, pois estes garantem que nenhuma DST (doença sexualmente transmissível) seja contraída. Aqui sabemos disso e seguimos, mas não há nenhuma lei específica. Porém, em Nevada, nos Estados Unidos, há uma lei que proíbe as relações sexuais sem preservativo.
  • Em Bakersfield, na Califórnia, é proibido fazer sexo com satanás — sim, com o capiroto! — sem preservativos.

  • Em Indiana, também nos Estados Unidos, os homens são proibidos de ficar sexualmente excitados em público.
  • Em Tallinn, na Estônia, é estritamente proibido jogar xadrez durante o ato sexual.
  • Na Indonésia, quem for pego se masturbando pode ser condenado à morte por decapitação.
  • Em Londres, na Inglaterra, não é permitido fazer sexo sobre uma motocicleta estacionada…

Vale lembrar que aquilo que é estranho para nós, pode ser perfeitamente comum em outras culturas e devemos sempre respeitar. Mesmo que achemos bizarro…

Fontes:

blastingnews.com

megacurioso.com

terra.com.br


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Algodão ou papel-toalha? Como limpar a tela do celular (e como não limpar!)

  • Telas de smartphones precisam de limpeza com certa frequência
  • Panos de microfibra e algodão são as melhores opções para higienizar os aparelhos
  • Uso de toalhas de papel, sabonete e esponjas pode piorar situação
Você é daqueles que limpa a tela do celular no primeiro pedaço de pano que vê pela frente? Mesmo que isso signifique esfregar o vidro do seu caríssimo smartphone na calça jeans? Apenas pare. É sempre bom limpar a gordura e eliminar as bactérias do aparelho, mas é preciso cautela. Existem jeitos certos (e muito errados) de tirar a sujeira do touchscreen. Separamos algumas dicas, mas antes de mais nada desligue o aparelho antes de tomar qualquer tipo de atitude em relação a isso, ok? 

O que usar

Pano de microfibra

O pano de microfibra, com certeza, é a melhor opção para higienizar o seu aparelho. Não quer passar só o pano na tela? É possível utilizar (pouca) água destilada para umedecê-lo e deslizá-lo pela região frontal do celular com cuidado – de cima para baixo ou de um lado para o outro. Limpe as partes laterais e a traseira também, da mesma maneira. Lembre-se que líquido e alguns eletrônicos (os que não são à prova d’água) não “dão match”, então, nada de encharcar o pano –um borrifador, nestes casos, é a melhor opção…

Fitas adesivas

Foi para a praia com o celular ou acabou deixando ele na grama? Saiba que grãos e fiapos adoram as fendas de eletrônicos. Um truque que pouca gente conhece é usar fitas adesivas, que são aliadas na “briga” contra objetos minúsculos. É só colocá-las –sem muita força, é claro– ao longo das bordas do smartphone para que a sujeira grude na fita.

Algodão

Assim como o paninho de microfibra, o algodão levemente umedecido pode ajudar a combater a sujeira. Camisetas, flanelas ou paninhos feitos de algodão também são úteis. Só as camisetas de algodão, ok? Nada de tecidos mais grossos, que podem riscar o vidro.

O que não usar?

Toalha de papel

Elas parecem as mais indicadas (e fáceis) para dar um jeito na tela do seu celular, certo? Errado. Na verdade, as toalhas de papel são inimigas da limpeza, porque podem causar arranhões no aparelho. É melhor deixar elas para comidas e higiene pessoal, mesmo.

Sabonete

Jamais. Deixe o sabonete para o seu corpo –a composição química do produto pode estragar tanto a tela quanto a parte eletrônica do seu smartphone.

Vinagre

Essa solução pode virar uma dor de cabeça daquelas. É que o vinagre é capaz de tirar o revestimento da tela do seu aparelho, e o que já está ruim, pode piorar…

Esponjas

Parece óbvio, mas é bom lembrar que a tela do seu celular odeia coisas ásperas. E isso vale para esponjas.

Fonte:

Bruno Madrid

De Tilt, em São Paulo

 

Conheça a Harpia…

…Uma ave tão grande que algumas pessoas acham que é alguém fantasiado

Na mitologia grega, conta-se que, nos céus da antiga Grécia, voavam seres amedrontadores que possuíam rosto de mulher e corpo de águia, além de belos seios para distrair os homens desavisados. Esses seres voavam a grandes velocidades, possuíam olhos mais apurados que os das águias e eram capazes de cortar um homem ao meio com suas poderosas garras.

Eram as Harpias.

Na história de Jasão, as harpias foram enviadas para punir o cego rei trácio Fineu, roubando-lhe a comida em todas as refeições.

Esses estranhos seres também aparecem numa história do Tio Patinhas, criada pelo genial Carl Barks em 1955 e publicada no Brasil com o título “Em Busca do Velo de Ouro”.

Carl Barks gostava tanto desse mito que, mais de 20 anos depois de criar essa aventura, fez uma tela a óleo retratando a harpia ameaçando os pobres patos.

Mas existe uma harpia na vida real. E aqui mesmo no Brasil!

Não parece mesmo alguém vestindo uma fantasia?

A nossa harpia, também chamada de gavião-real, é considerada a maior e mais poderosa águia do mundo. É uma ave de rapina impressionante, as fêmeas pesam pouco mais de 9 kg e alcançam uma envergadura de até 2 metros.

Suas garras são maiores que as de um urso-pardo, com unhas de até 7 cm de comprimento.

A harpia é rápida e possante em suas investidas. É tão forte fisicamente que consegue erguer um carneiro sem maiores dificuldades. Ela voa alternando rápidas batidas de asa com planeio. Tem um assobio longo e estridente e, nas horas quentes do dia, costuma voar em círculos sobre florestas e campos próximos.

As harpias conservam energia se empoleirando silenciosamente, vendo e ouvindo por longos períodos de tempo. 

É uma predadora especializada na captura de macacos, bugios e bichos-preguiça, por vezes capturando animais com o peso/tamanho da própria ave. É uma águia florestal muito rara, encontrada na região amazônica e em alguns pequenos trechos de Mata Atlântica.

Sua alimentação é composta de animais de porte médio, como outras aves, macacos, preguiças e até macacos maiores, como o bugio.

É uma ave feroz. Orgulhosa. Majestosa. Com um brilho de aço nos olhos que praticamente diz: “É melhor você não mexer comigo, garoto, eu como pessoas como você no café da manhã.”

Fontes:

avesderapinabrasil.com

Wikipedia

Bored Panda


Gírias antigas e o que significam

Gírias são palavras criadas para serem usadas como sinônimos mais populares para palavras já existentes. Cada década teve suas gírias mais marcantes e que hoje perderam o sentido. Afinal, com as redes sociais, praticamente a cada dia surge uma gíria nova…

O que eu acho legal, no uso da gíria, é a transgressão – as pessoas transgridem a norma “culta” pra se comunicarem de forma mais eficiente. E, claro, há o fato do modismo, e se a pessoa não usa, não se insere no meio. “Lacrar”, por exemplo.

A nossa língua, aliás, acho que qualquer língua, é viva e é influenciada pelo ambiente, pelos costumes, por aquilo que vem de fora. A norma padrão demora mais para se modificar, mas isto não quer dizer que ficará sempre igual. Só acho difícil ela assimilar os padrões da internet, com suas abreviações tipo “kd”… Duvido que um juiz vá colocar na sua sentença o “vc”…

Quer saber um pouco sobre as gírias antigas, muito antes das redes sociais? Vou replicar aqui o resumo de uma matéria e pesquisa muito legais da Thaís Stein, bacharel em Publicidade e Propaganda, e que foi publicada no http://www.dicionariopopular.com.

Quando alguma coisa é muito boa!

Bafafá

É o mesmo que confusão ou bagunça.

Barbeiro

É um motorista ruim, que não sabe dirigir direito.

Chá de cadeira

Tomar um chá de cadeira é o mesmo que ter que ficar esperando por muito tempo.

De lascar o cano

É o mesmo que dizer que algo é muito ruim.

Quando uma coisa é muito antiga… como esta gíria.

Boa pinta

É o mesmo que dizer que a pessoa é bonita, de boa aparência.

Broto

É o mesmo que garota bonita.

Bulhufas

Significa o mesmo que nada, coisa nenhuma.

Cafona

Uma coisa cafona é algo fora de moda, brega.

Significa que algo ou alguém é de se admirar. Foi popularizada pelo Roberto Carlos nos anos 1960. “Ele era uma brasa, mora!”

Fogo na roupa

É o mesmo que uma situação ou pessoa complicada.

Lelé da cuca

Uma pessoa lelé da cuca é alguém doido, maluco.

Da mesma forma que você diria “porra”

Chacrinha

É o mesmo que conversa fiada, sem objetivo.

Chato de galocha

Significa uma pessoa muito chata, insuportável. (conheço muitas…)

Entrar pelo cano

Significa se dar mal.

Grilado

É o mesmo que estar desconfiado de alguma coisa.

Patota

Uma patota é uma turma de amigos.

Da mesma forma que você diria “foda, isso aí”

Bode

Ficar de bode é o mesmo que estar de mau humor.

Viajar na maionese

É o mesmo que ficar imaginando coisas absurdas.

Pentelho

Significa o mesmo que pessoa muito chata, irritante. (tenho um sobrinho muito pentelho… e quem não tem?)

Antenado

Uma pessoa antenada é alguém que está por dentro das coisas, que entende.

Quando alguma coisa ou ideia sugerida está completamente errada

Azarar

É o mesmo que flertar.

Baranga

Significa “mulher feia”.

Bolado

É o mesmo que estar chateado ou bravo.

Bem, eu sei que tem muito mais, e se você se lembrar de algumas interessantes e divertidas, pode me mandar pelos comentários. Mas, atenção:

Hugo Boss criou os uniformes nazistas?

A consagrada grife de roupa alemã Hugo Boss vestiu os soldados de Adolf Hitler antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Hugo Ferdinand Boss, fundador e dono da empresa, fabricou uniformes para diversas instituições nazistas, como a Juventude Hitlerista e a implacável e criminosa Schutzstaffel (SS), uma das organizações mais vis que já marchou sobre a terra.

A empresa foi fundada em 1924 tendo como foco a produção de uniformes para o governo alemão, o que incluía, por exemplo, fardamentos para o serviço de coleta de lixo e os correios. Como muitas outras companhias do ramo de confecção, a recém-criada marca fabricava (costurava) as mais diversas vestimentas a pedido do governo alemão.

Contudo, a empresa teria sua reputação manchada para sempre por ter feito uso de prisioneiros de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, tendo o próprio fundador sido julgado em um tribunal.


Adolf Hitler e seus oficiais em meados de 1939, verificando por onde, durante a Segunda Guerra Mundial, as tropas alemãs marchariam. Créditos: Hugo Jaeger / Timepix/ Time Life Pictures / Getty Images.

As coisas mudaram para Hugo Boss a partir de 1928, com o crescimento do Partido Nazista, que cada vez mais necessitava de grandes estoques de roupas para vestir seus seguidores que, como notoriamente se percebe, andavam uniformizados.

Esse crescimento vertiginoso por fardamento fez a companhia de Ferdinand Boss se integrar às demais empresas que já produziam para o partido de Hitler, o NSDAP (“Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães”, em tradução).


Soldados da Leibstandarte-SS Adolf Hitler, 22 November 1938, Berlim. Créditos: autoria desconhecida / Arquivo Federal Alemão, ID.: 183-H15390.

Em 1931 Ferdinand, após se filiar ao Partido Nazista e firmar excelentes contratos, elevou significativamente seus lucros, principalmente a partir de 1938, quando a nação germânica definitivamente vestiu a farda para ir à guerra, fato que aconteceria em 1º de setembro de 1939 com a Invasão da Polônia.

Nesse ponto, que é delicado, residem fatos pouco conhecidos e de grande especulação sobre o envolvimento entre a companhia de roupas e o Nazismo. O que se referencia é que a filiação de Ferdinand ao Partido Nazista salvou a companhia de uma falência em 1931, fazendo-a se projetar fortemente ao mundo.


Karl Diebitsch e suas criações em porcelana. Diebitsch também criou o famoso sabre cerimonial dos oficiais da SS. Créditos: autoria desconhecida.

Diferentemente do que comumente se noticia, porém, os desenhos das vestes nazistas foram fruto, em sua maioria, do trabalho de outro alemão.

A autoria recai sobre Karl Diebitsch, um dedicado oficial da própria SS, que obteve grande êxito, pois produziu os uniformes mais elegantes da guerra, sendo muitas vezes considerados como os mais belos da história militar moderna.

Esse passado da empresa alemã desperta um gigantesco incômodo, ainda mais quando se descobre que seu próprio fundador utilizou prisioneiros de guerra, sobretudo franceses, poloneses e soviéticos, como mão de obra escrava para confeccionar os uniformes e também pertencia ao Partido Nazista.

Ao fim da guerra, Ferdinand foi julgado e condenado por associação ao regime Nacional-Socialista e por ter usado mão de obra escrava. Como condenação, recebeu ao menos uma pesada multa e perdeu temporariamente seu direito ao voto.

Lembrando, a Hugo Boss não desenhou, mas confeccionou os uniformes nazistas, incluindo os de seu líder.

Em 2011, a empresa Hugo Boss, mais uma vez, pediu desculpas publicamente pelo uso desumano de mão de obra escrava durante a Segunda Guerra Mundial. Quanto ao seu fundador, de acordo com as referências consultadas, não se pode afirmar se era ou não um membro fiel ao partido liderado por Adolf Hitler.


Hitler comemorando seus 50 anos de idade, em 20 de abril de 1939. Os uniformes representavam uma peça fundamental para a pompa da ideologia nacional-socialista Créditos: Hugo Jaeger / Life.

A estética dos uniformes nazistas até hoje impressiona. Apesar de todas as atrocidades e exploração que cercou o nazismo, o design dos uniformes é de primeira linha, e aparentemente o acabamento também era de primeira.

Fonte: incrivelhistoria.com.br, por Eudes Bezerra

Existem 96 bolsas de cocô na Lua… E a NASA quer ir buscar

Durante as missões da Apollo, no final da década de 1960 e início da década de 1970, os astronautas foram à Lua e, como esperado, precisavam fazer necessidades. A saída dada pela NASA foi que eles usassem uma espécie de fralda durante a missão e, quando finalmente pisassem na Lua, teriam um saco acoplado às roupas. Para não trazer de volta esses sacos, a ideia genial foi deixar os excrementos em pleno satélite natural!

Agora, 50 anos depois, cientistas querem voltar à Lua para buscar um total de 96 sacolas de cocô da missão Apollo e, assim, saber se há alguma coisa viva lá.

Parece nojento? Sim, mas há uma boa explicação. Apesar de ser algo asqueroso, as fezes humanas são compostas por bactérias (cerca de 50%), abrigando ali mais de mil espécies de micróbios que vivem dentro da gente. Resumindo, nosso cocô é um ecossistema rico e perfeito para fazer pesquisas.

Mas nem só de fezes estão preenchidos os sacos deixados pelos astronautas da missão Apollo. Lá também há urina, vômito, restos de comida e outros tipos de resíduos deixados pelos primeiros homens a pisar na Lua.

Agora, assim que a NASA conseguir voltar presencialmente ao nosso satélite natural, os cientistas poderão estudar todo esse lixo terráqueo deixado pelos astronautas e descobrir se os nossos micróbios conseguiram sobreviver durante todos esses anos longe da atmosfera terrestre. E, se isso tiver acontecido, talvez eles possam também ter sobrevivido a viagens interestelares e, quem sabe, levando algum tipo de vida para outras partes do Universo.

Quais serão as descobertas que poderemos ter pela frente por conta das bolsas de cocô lunares?

Fonte: www.tecmundo.com.br

Barão de Itararé — dois em um, o humorista e o personagem

Em 1926, no dia 13 de maio, o Barão de Itararé lançava A Manha, que era a caricatura dos jornais da época e, por tabela, da própria época. Esse tipo de jornalismo nunca fora feito em lugar nenhum. Só surgiu em grande escala muito mais tarde, nos Estados Unidos, no Mad de Harvey Kurtzman e no National Lampoon.

“Se fosse possível, eu retirava tudo o que disse”, o Barão de Itararé afirmou, em 1965. Pode ser apenas mais uma provocação, mas é bom ver um homem que foi em cana mais de uma vez pelo que disse negar a própria importância, ao setenta anos, quando estava fora de perigo. São atitudes como essa, mais do que a obra, que mantêm o encanto desse nobre que se auto-atribuiu o título em honra pela bravura demonstrada no campo de uma batalha que não houve.

LOCAL DESCONHECIDO, 16-04-1958: O jornalista e escritor Barão de Itararé, durante entrevista ao jornal “Última Hora”. (Foto: Acervo UH/Folhapress)

Fernando Apparício de Brinkerhoff Torelly, nome digno de um barão, nasceu em 29 de janeiro de 1895, numa diligência a caminho da fazenda do avô, no Uruguai. Não se sabe exatamente onde. O que importa é que o futuro jornalista, poeta, matemático, cientista, político e Marechal-almirante e Brigadeiro do Ar Comprimido gostou do mundo: havia sol e cigarras.

Aos dois anos, perdeu a mãe. Foi criado no Uruguai, pelas tias, na fazenda do avô. Aos sete, voltou para Rio Grande, para morar com o pai, João da Silva Torelly, que o botou no mau caminho. Era homem violento, maragato doente. Odiava tanto os chimangos que não permitia ao filho nem cumprimentar um amanuense, para ficarmos no mais baixo dos funcionários do governo. “Meu pai era mais louco que eu”, Apparício Torelly dizia.

A revista MAD, norte-americana de humor satírico, foi fundada pelo empresário William Gaines e pelo editor Harvey Kurtzman em 1952. A revista satiriza todos os aspectos da cultura popular americana, bem na linha do que fazia nosso Barão.

Entre 1905 e 1911, Apparício esteve no internato Nossa Senhora da Conceição, dos jesuítas alemães, em São Leopoldo. Não estudava muito, mas prestava atenção às aulas e tinha boa memória. Em 1909, lançou seu primeiro jornal, O Capim Seco. Era inteiramente escrito à mão. Era clandestino e satírico. Primeiro jornal, primeiro problema com as autoridades: toda a tiragem de um exemplar foi apreendida. É que a matéria de capa era uma gozação com o padre-reitor.

No colégio, Apparício fazia teatro, imitando os alemães da colônia para eles mesmos. Também se dedicou à música: cantou no coro e tocou flauta, trompa e trombone. No esporte, o futebol. Seu time foi campeão no ginásio e chegou a vencer uma formação do Grêmio de Porto Alegre.

Quando deixou o colégio, foi para Porto Alegre. Queria fazer Direito, mas o pai aconselhou Medicina: “Meu filho, para que um advogado tenha boa clientela, é preciso muito talento. A um médico basta assinar receitas e atestados de óbito”.

A National Lampoon, também norte-americana, foi criada em 1970 e circulou até 1988, e seu diferencial quanto à MAD era seu humor negro e propositalmente controverso.

A passagem de Apparício Torelly pela faculdade tem inúmeras histórias de irreverência. Quase todas lendas, algumas espalhadas pelo próprio Torelly. Até 1918, estudou Medicina, ou melhor, leu os livros e confiou na memória. Quase não ia às aulas. Preferia frequentar o Clube dos Caçadores, uma mistura de cabaré e casa de jogo, mesmo andando sempre na pindaíba. Ao pai de uma namorada, que o acusou de não ter futuro, disse que futuro ele tinha, o que não tinha era presente.

Colaborava no jornal Última Hora, de Porto Alegre. Colaborava também em revistas pequenas, como KodakA Máscara. Os poemas escritos nesse tempo foram reunidos no volume Pontas de Cigarro, de 1916. Os “versos diversos” não eram sobre as angústias da adolescência, fase que, mais tarde, o autor definiria como a época em que o garoto pensa que não será tão cretino como o pai. Eram sátiras sobre a falta de grana, doença causada pelo micróbio da pindaíba, o conhecido “ariadocócus promptíferus pindahibensis”.

Em 1917, fundou dois semanários de humor: O Chico e O Maneca. No ano seguinte, abandonou a Medicina. Começava um período que chamou de maragateada: viagens pelo interior, em campanhas pelas suas ideias. Fundava e afundava jornais, além de dar conferências em teatros e cinemas. Digamos conferências, mas o certo é que o homem discursava, cantava e dançava.

O Barão continua famoso, até hoje, pelas suas frases curtas e hilariantes.

Para se ter uma ideia, deixemos o futuro barão lembrar uma performance em Bagé, frente à melhor sociedade, quando se fingiu engasgado: “Depois de dizer que quisera ter o dom da oratória, que quisera ser um Demóstenes, gaguejando, vi que a plateia estava aflita. As mulheres se abanavam, apertadas em espartilhos. E eu dava a impressão de que não podia dizer nada, que não conseguiria dizer absolutamente nada. Eu… eu… quisera, quisera… Quando todos pareciam explodir de nervosos, eu cantei: ‘Eu quisera ser a rola, a rolinha do sertão/ pra poder fazer um ninho, na palma da sua mão”.

Em 1925, por causa de uma crise de hemiplegia, foi aconselhado pelo médico a procurar um clima quente. Assim “tomei um Ita no sul”. Chegou ao Rio de Janeiro com cem contos de réis, que logo tratou de perder no jogo, tendo de ir procurar emprego. Acabou no jornal O Globo, assinando como Apporelly, nome que mais tarde simplificou para A por L.

Ainda nesse ano, escreveu um drama humorístico chamado A facada e trocou O Globo pelo A Manhã, onde tinha uma coluna: “Amanhã tem mais”. Não teve por muito tempo. Foi posto na rua. Em 1926, como vingança, fundou A Manha.

A redação era na rua 13 de Maio. O primeiro exemplar saiu no dia 13 de maio. No expediente se lia: rua 13 do corrente. Lia-se também não ter expediente, porque um jornal sério não vive de expedientes. Era um órgão de ataque… de risos. Saía às quintas-feiras, por isso se chamava um vibrante quinta ferino. Mas às vezes saía às sextas, porque uma grande folha não podia ficar presa à folhinha. No seu primeiro ano, A Manha fechou as contas com um lucro de dez mil contos de réis.

A Manha se especializou em publicar asneiras atribuídas a políticos, apenas parodiando seus nomes. Levou isso tão longe que logo o jornal era o “órgão oficial” do governo, já que o Diário Oficial não elogiava o presidente Washington Luís o suficiente. É pouco? O próprio presidente, assinando-se Vaz Antão Luís, se tornou colunista, ou melhor, era um colunista que acumulava as funções de presidente. A Manha tencionava desempenhar condignamente “sua árdua missão, com a graça de Deus e de outros ilustres colaboradores”.

Em 1929, Assis Chateaubriand o convidou para publicar A Manha como encarte do Diário da Noite, que seria o órgão oficial da Aliança Liberal, partido de Getúlio Vargas. Nas quintas-feiras, quando saía o encarte, a tiragem do Diário da Noite aumentava drasticamente. Chegou a 125 mil, quando Getúlio anunciou o programa da Aliança Liberal, na Esplanada do Castelo.

Em 1930, A Manha se desligou do Diário da Noite. Em outubro, Getúlio tomou o poder. Nessa época de incertezas diárias, Apporelly deu uma das manchetes mais famosas do jornalismo brasileiro: HAJA O QUE HOUVER, ACONTEÇA O QUE ACONTECER, ESTAREMOS COM O VENCEDOR. E com grande senso de oportunidade, o diretor d’A Manha se fez barão poderoso, que gostava de se ver “rodeado de cupinchas e aderentes, ostentando no peito as mais variadas condecorações”, que iam desde “artísticas tampinhas de cervejas nacionais, até fichas lavradas de companhias de ônibus e de cassinos clandestinos”. Esse personagem se tornou tão vivo que suplantou Apporelly, que às vezes se referia ele na terceira pessoa, às vezes na primeira, na mesma fala.

Em 1932, houve o levante armado, em São Paulo, conhecido como Revolução Constitucionalista. O Barão, sem se impressionar, publicava coisas do tipo: O GÁS MORTEIRO TOMOU PARATI E EVACUOU PEDREGULHOS. Falava, claro, do general Góes Monteiro, senhor chegado a uma birita. Por coisas assim, o barão foi em cana e advertido a tomar cuidado com sua “linguinha de prata”. Diz que ficou sensibilizado com a admiração dos tiras por sua figura, admiração tão grande que ele precisou posar de frente e de perfil para o fotógrafo da polícia.

Em 1933, publicou Caldo Berde, assinado por Furnandes Albaralhão. Tratava-se de uma antologia de poemas com sotaque português saídos n’A Manha. Nesse ano, Hitler assanhou a Europa e outros lugares. Aqui, esse assanhamento se chamou integralismo. O Barão, mal de ouvido, entendeu o lema “a Deus, Pátria e Família” como “adeus, Pátria e Família”. Aderiu. Mas, ao se dar conta do engano, “voltou a ocupar um lugar decente na sociedade”.

Em 1935, o barão participou da criação da Aliança Nacional Libertadora. A Intentona acabou mal. O Barão não participou das conspirações, nem tocou em armas, mas na onda de terror que veio em seguida, A Manhadeixou de circular e “eu com ela”. Ficou um ano e meio preso. No navio D. Pedro I deixou crescer uma barba de D. Pedro II.

Em 1936, foi parar no presídio da Frei Caneca, no Rio. Segundo Graciliano Ramos, a chegada do homem foi a mais rumorosa. Era um sucesso mesmo atrás das grades. Ainda segundo Graciliano, para combater o tédio, o barão planejava uma biografia do seu personagem, um volume mais grosso que um tijolo. Não parava de falar nela. Mas jamais a escreveu. Pelo menos no papel, como afirmou o humorista Fortuna: “Porque dia a dia ele não fez outra coisa. Na sucessão das aventuras do nosso querido diretor até chegar a Barão, o Apparício Torelly atinge a verdadeira criação literária. O ponto alto dessa criação deu-se quando ele a transpôs para o plano da realidade, encarnando a sua própria personagem, quando de fato estava distanciado dela, pois era o símbolo e síntese de todos os poderosos que satirizava. E isto não há como compilar. É a criação viva dentro da própria vida”.

Anistia, segundo o dicionário do Barão, é um ato pelo qual o governo resolve perdoar generosamente as injustiças que ele mesmo cometeu. Pela metade de 1937, o Barão se viu na rua por falta de provas. Mal teve tempo de se acostumar: em novembro, o Estado Novo. O Barão foi para uma das ilhas-prisões da Baía da Guanabara. Foi solto três meses depois.

Tentou relançar A Manha, mas, por prudência, preferiu alvos de fora, como Hitler, Mussolini, Franco e Salazar.A Manha só voltou mesmo em 1945, graças à associação com o jornalista Arnon de Melo. Agora o ilustre fidalgo estava na companhia de vários colaboradores: José Lins do Rego, Carlos Lacerda, Rubem Braga, Aurélio Buarque de Holanda, Álvaro Moreyra, Sérgio Milliet e muitos outros.

Em outubro, adeus Estado Novo. Um pouco antes, quando havia apenas rumores, A Manha deu talvez sua melhor manchete: HÁ ALGO NO AR ALÉM DOS AVIÕES DE CARREIRA. Essa frase se tornou o anúncio nacional das crises.

Como vereador, defendeu o direito de voto para os analfabetos e denunciou, entre outras coisas, o esbulho sofrido pelos índios, situação não muito diferente hoje. Teve alguns apartes que se tornaram famosos. Numa discussão sobre influência dos capitais norte-americanos na economia brasileira, um vereador resolveu citar o ex-chefe de polícia do Estado Novo e perguntou se os nobres colegas sabiam a posição dele. O Barão, na bucha: “Eu sei! É três dedos abaixo do rabo do cachorro”.

Em 1949, o barão publicou seu Almanhaque. O segundo saiu em 1955 e o terceiro no ano seguinte. Eram antologias do material publicado n’A Manha.

Em 1950, em agosto, surgiu novamente A Manha, que se aguentou até junho de 1958. Mesmo tendo trabalhado uma vida como humorista, o barão considerava a influência do humor “levemente benéfica e bastante entorpecente”.

Longe do jornalismo, vivia de modo franciscano, num apartamento atulhado de livros. Eram tantos livros que, quando um quarto ficava lotado, ele passava a dormir em outro. Todo o dinheiro que tinha vinha de uma pensão dada pela Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.

Morreu em 1971, aos 76 anos, com apenas 61, porque descontou quinze anos: o tempo perdido na faculdade de Medicina, o tempo que passou preso e o tempo, uns três anos, em que perseguiu mulheres bonitas sem resultado.

O brasão do Barão.

Fonte:
Ernani Ssó , sul21.com.br