Uma história do Morro Caaguaçu ao Morro do Chá – Avenida Paulista

A Avenida Paulista já se chamou Rua da Real Grandeza, área que pertencia à Chácara do Capão, propriedade do português Manuel Antonio Vieira, nos idos de 1880. A mata da região era densa e cobria todo o morro com árvores muito altas como o Jatobá, Pau-ferro, Embaúba, entre outras. Por essa razão, o lugar era chamado pelas tribos indígenas que viviam por aqui de Morro do Caaguaçu, ou “Mata-Grande”, no dialeto tupiniquim.

avenidapaulista

A avenida Paulista na década de 1920

Para valorizar a região e chamar a atenção dos barões do café, cujas famílias construíram suas residências nos bairros de Campos Elísios e Higienópolis, tornando o bairro o preferido da elite paulistana, o português resolveu lotear aquele platô, dividindo parte da chácara em lotes, caprichando na escolha do nome. Foi assim que nasceu a Rua Real Grandeza.
Uma picada foi aberta para facilitar a subida dos animais em direção aos matadouros que se espalhavam pelo lado central e leste da cidade, como na Rua Quintino Bocaiuva, Ladeira de Santo Amaro e outros pontos fedorentos e de pouca higiene. Essa passagem chegou a se chamar Maria Augusta, para em pouco tempo, em 1875 conforme os primeiros registros, virar só Rua Augusta, palavra de origem latina que significa Majestade, Venerado, Absoluto.
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Os congestionamentos parecem estar no DNA da Avenida Paulista. Este da foto é de 1928…

Toda a região servia de passagem para boiadas vindas de uma parte que conhecemos por bairros de Santo Amaro, Pinheiros, Butantã e adjacências. Nos tempos da abertura da Real Grandeza, os animais que vinham do sul da cidade subiam pela Rua Augusta até o ponto mais alto do Morro Caaguaçu, para depois começar a descer e alcançar o Morro do Chá.

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Vista de 1916 do Trianon, onde hoje fica o MASP

Somente no dia 8 dezembro de 1891, por iniciativa de Joaquim Eugênio de Lima, engenheiro que projetou a alameda que recebeu seu nome, a avenida passou a se chamar Paulista, em homenagem às pessoas nascidas na capital. Arrojada, muito larga, com três vias separadas por magnólias e plátanos trazidos da Europa, foi a primeira via pública asfaltada e arborizada da cidade de São Paulo.

A_Av Paulista 1952

Hoje, todos os casarões que enfeitavam a avenida, palacetes que abrigaram as famílias que fizeram a história da cidade, como Matarazzo, Caio Prado, Horácio Sabino, Andraus, Cerqueira Cezar, Dumon’t Villares e tantas outras, foram derrubados junto com as árvores para dar lugar aos altos edifícios que encantam tanta gente…

 

São Paulo. Crédito para Divulgação-Embratur (2)

 

 

Cristina Torres
Fontes: Ajorb, Arquivo O Estado, Wikipedia, São Paulo Antiga

 

7 respostas em “Uma história do Morro Caaguaçu ao Morro do Chá – Avenida Paulista

  1. Pingback: Conheça um pouco mais a história da Av. Paulista | Guiaderodas

  2. Imagens e historias da Avenida Paulista já vi e li muitas, mas essa eu adorei ler, obrigada por compartilhar.

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  3. “seu nome, a avenida passou a se chamar Paulista, em homenagem às pessoas nascidas na capital” Muito interessante o artigo, agradeço a oportunidade de acesso, mas queria fazer um pequeno reparo na forma de colaboração: não lhe parece que, quanto ao afirmado na frase acima, se fosse para homenagear os nascidos na Capital, a avenida não deveria se chamar Paulistana?. Que, se houve intenção de homenagear a partir do local de nascimento, o local seria o Estado de São Paulo, não é mesmo? O que não seria nada estranho pois os moradores da Avenida, em boa parte, eram nascidos no Estado e não na Capital propriamente dita, Abraços e, por favor, aceite o comentário como modesta colaboração.

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    • Caro Artur, obrigado pelo comentário e pelo prestígio de sua visita ao blog.

      De fato, levando em conta o que se tem hoje como convenção, a avenida seria sim chamada de Paulistana. Porém, quando Eugênio de Lima batizou a avenida, toda pessoa nascida no estado de São Paulo era conhecida como “paulista” e não havia essa distinção entre habitantes da capital ou do interior. A Avenida Paulista, símbolo então do Estado e da capital, era simbolicamente palco de disputas.

      Em 1927, uma lei decretou que a Avenida Paulista passaria a se chamar Avenida Carlos de Campos. Era uma homenagem ao ex-presidente do Estado, morto naquele ano.

      A mudança do nome pode parecer uma singela honraria a um ex-governante, mas por trás dela está um movimento de ascensão e queda de grupos políticos que lideraram as revoluções de 1924 e de 1930. Carlos de Campos era chefe do governo de São Paulo quando explodiu a Revolução tenentista de 24, que pretendia derrubar o presidente do país, Artur Bernardes. Campos comandou a resistência e autorizou o bombardeio aéreo contra a capital para desentocar os revoltados. São Paulo foi a única cidade a sofrer um ataque aéreo na história do Brasil.

      Quando a Revolução de 1930, apoiada pelos membros dos movimentos tenentistas – derrotados em 1924 – derrubou o presidente Washington Luís e a República Velha, a elite política paulista perdeu poder e autonomia. Getúlio Vargas, que agora ocupava a Presidência da República como chefe do Governo Provisório, consolidou-se no poder nomeando para cargos políticos do novo governo muitos tenentistas, figuras que haviam sido chave para o sucesso da revolução.

      Em outubro de 1930, a nova cadeia de comando havia nomeado José Joaquim Cardoso de Melo Neto o novo prefeito de São Paulo. Uma de suas primeiras medidas foi adotar novas denominações para vias públicas. E a A Avenida Paulista, então Avenida Carlos de Campos, retornou ao seu nome original.

      Talvez eu devesse complementar essas informações em outro post, falando especificamente dessas mudanças de nome. O que acha?

      Obrigado, mais uma vez!

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