A vida num submarino

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Curiosidades, Dramas e a Rotina Sob o Mar

Passar semanas, às vezes meses, submerso, cercado apenas por aço e escuridão, é uma experiência difícil até de imaginar. Mas para os tripulantes de submarinos, esse é o cotidiano.

E se hoje essa rotina já é dura, basta pensar no que significava viver em um submarino da Segunda Guerra Mundial: calor insuportável, ar viciado, medo constante e uma convivência forçada que podia revelar tanto o melhor quanto o pior de cada pessoa.

A seguir, compartilho um mergulho (desculpe, não pude evitar, ahaha!) no dia a dia desses “marinheiros invisíveis”.


O Cheiro Inconfundível de um Submarino

Se existe algo que todos comentam, pelo menos quem já visitou um submarino ou quem já viveu lá, é o cheiro. É o cheiro da amina, descrito como um odor característico de peixe podre, que impregna tudo a bordo, incluindo roupas, pele e equipamentos. 

A amina (especificamente a metilamina) é um composto químico usado no sistema de purificação do ar do submarino, chamado de “purificador de CO₂”. Esse sistema remove o dióxido de carbono, tornando o ambiente respirável, mas, como subproduto, deixa esse cheiro de cheetos no ar… 

E a catinga ainda se mistura ao vapor do óleo hidráulico, do diesel, da comida na cozinha, do suor… e dos sanitários nos submarinos antigos!

Imagina abrir a porta de um quarto que ficou dias fechado… Agora, multiplique isso por trinta pessoas vivendo no mesmo tubo (nos mais modernos e maiores, até 160 pessoas podem chegar a conviver nessas embarcações!). Vai te dar uma pálida ideia do fedozão!


Dormir… Onde Der

Alojamento dos marinheiros do submarino USS Bowfin, hoje aberto à visitação. Ele era da frota do Pacífico durante a 2a. Guerra Mundial.

Os submarinos nunca têm camas suficientes para todos os homens. A prática comum é o hot bunking: três homens revezam a mesma cama. Quando um sai para cumprir seu turno, outro entra para dormir no colchão ainda quente…

Em alguns submarinos mais antigos, as camas ficavam tão perto dos torpedos que era possível esticar a mão e tocá-los.

O espaço é tão apertado que não dá para sentar, às vezes você só dorme de lado; muitas vezes há tubos, cabos e válvulas acima da cabeça, como se vê na foto acima, e o som dos motores e o rangido do casco nunca param.

E durante a Segunda Guerra?
Imagine tentar pegar no sono enquanto bombas de profundidade explodem perto, cada detonação fazendo o submarino vibrar.


Onde e Como Eles Comem

Os submarinos são locais de trabalho, não apenas casas das pessoas durante algum tempo, tempo que pode chegar a meses. Então, o espaço disponível é minúsculo. Na foto acima, vemos a torre de controle e o periscópio do HMS Ocelot, submarino da Marinha Real britânica. Nesse espaço, acredite, operavam até 20 tripulantes!

Então, você pode imaginar que a cozinha, às vezes, não é maior que um banheiro de um apartamento. Mesmo assim, a comida parece ser boa no início da missão. Por quê? Porque é um dos poucos prazeres a bordo.

Mas, com o passar dos dias, as frutas e verduras acabam, o calor da cozinha vai aumentando a temperatura interna, e a monotonia do “cardápio” começa a pesar. A maior parte do estoque é de alimentos congelados (como carnes, aves e vegetais) e secos (como farinha, açúcar, sal e grãos).

Quando se esgotam, então a tripulação passa a consumir principalmente alimentos enlatados, que podem ser armazenados por longos períodos.

Na Segunda Guerra, as refeições vinham de enlatados, e a água fresca era racionada. O cheiro da comida misturado ao pouco espaço contribuía para o “ar pesado”.

E onde se come?
Em mesas apertadas, revezando turnos. Alguns comem em pé. Outros, equilibrando o prato no colo, desviando de tubos e cabos.


E o Banheiro?

Os submarinos têm pouquíssimos banheiros, e nos mais antigos, havia apenas um para dezenas de homens.

E usá-lo não era simples, como o banheiro de avião: você devia se familiarizar com as válvulas – o sistema dependia da pressão do mar – e qualquer erro podia causar o retorno de… hã… resíduos para dentro da embarcação. Você devia operar válvulas e bombas em uma sequência específica.

(já imaginou inundar um submarino com… bem, você entendeu)

Já nos mais modernos, os dejetos (e outros resíduos, como os de cozinha) não são descartados diretamente no mar enquanto o submarino está submerso, mas sim direcionados para tanques de armazenamento. Nos aviões também é assim.

Para esvaziar os tanques, longe da costa e em profundidades onde o material é esmagado pela pressão e se dispersa no ambiente marinho, o submarino bombeia ar comprimido para dentro dos tanques. Essa pressão força os resíduos a sair pelas tubulações e para fora do casco, em direção ao oceano.


Como o Ar é Renovado Lá em Baixo?

Nos submarinos modernos, alguns cilindros de oxigênio liberam o ar gradualmente; filtros químicos retiram gás carbônico (gerando a amina sobre a qual falei no início) e sistemas avançados controlam a umidade e impurezas.

Nos submarinos da Segunda Guerra, porém, a coisa pegava. O ar deteriorava-se rapidamente, os tripulantes sentiam dor de cabeça o tempo todo e, dependendo da profundidade e da necessidade de esconder-se e escapar das bombas de profundidade, eles podiam ficar dias sem renovar o ar.


Viver semanas no mesmo ambiente, sem privacidade, sem janelas, sem espaço, realmente não é para qualquer um.

Por isso o treinamento de submarinistas é rigoroso, e pode durar até mais de um ano, envolvendo múltiplos cursos. O processo exige grande equilíbrio emocional e esforço pessoal devido ao ambiente confinado e aos riscos inerentes da profissão. 

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