Quanto custa uma bolsa de marca?

Cansei de ver pessoas nas vitrines com olhar melancólico de quem quer mas não pode ter: “É tão caro!”

Outro dia, passando numa loja do bairro oriental de São Paulo, vi várias bolsas “alternativas” que copiavam as bolsas de marca. Você escolhia qual comprar e escolhia também o logotipo com a marca preferida: Gucci, Prada, Chanel… E muita gente comprava, pagando menos de 5% do preço da bolsa verdadeira, segundo a lojista.

Eram lojinhas e lojinhas, uma atrás da outra, oferecendo essa “barganha”. Aí, me perguntei: mas por que as bolsas de marca são tão caras? E quanto custa uma bolsa de marca, afinal?

Uma bolsa de marca custa MUITO caro

E tudo é muito caro no Brasil… Mas já voltamos a isso.

As bolsas de marcas são caras porque o processo de produção é artesanal, com materiais de alta qualidade e mão-de-obra especializada. Sem contar o tempo de produção, onde tudo é feito sem pressa. Uma bolsa Hermès, por exemplo, pode levar de 3 dias a duas semanas para ser feita. É uma produção que não se importa com a velocidade do mercado, e aí entra a questão da exclusividade. Há casos de bolsas de modelos especiais cuja lista de espera chega a 3 anos!

Dá uma olhada neste vídeo e vai entender um pouco como uma dessas bolsas exclusivas são feitas:

Outro fator que entra nessa análise é…

Qual o mercado das bolsas de luxo?

Exatamente esse. O mercado de luxo. Marcas como Dior, Channel, Louis Vuitton, Versace… vendem itens de luxo e estão posicionadas aí. Sejam bolsas, hotéis ou perfumes, se você quiser luxo, tem que pagar caro por isso.

E nessa questão mercadológica, existe um fator que explica muita coisa, ao menos para mim. O anseio em possuir uma bolsa (ou perfume) dessas responde a uma necessidade psicológica do ser humano. O encantamento, o desejo material, a exclusividade, o se destacar. Ser VIP é ser rico.

Tudo bem, já falamos que essas bolsas dos vips custam caro, falamos do motivo das pessoas ansiarem possuir um item desses, mas, afinal…

Quanto custa uma bolsa de marca?

Depois de passear pelo bairro oriental e ver quanto custa uma bolsa de marca “alternativa”, fui pesquisar o preço das verdadeiras bolsas chiques… e caí de costas (bem, isso foi um exagero, não caí porque estava sentado). Espie só:

FENDI

Fendi teve início em 1918 em Roma como uma loja especializada em pele e couro. Apesar de crescer como uma das marcas de luxo mais renomadas do mundo, o negócio manteve seu aspecto familiar, com o foco em detalhes finos, artesanato italiano e apoio aos artesãos locais.

Esta “Runaway Tote” custa hoje mais de R$ 13.600,00.

PRADA

Uma das marcas de luxo mais desejadas do mundo, a Prada cresceu de um fabricante de produtos de couro em 1913 até se tornar uma das maiores maisons de luxo da atualidade. Com Miuccia Prada, neta de um dos fundadores, à frente do negócio de família, a grife se expandiu a partir de uma verdadeira revolução, desde a inovação nos materiais usados nos produtos até lançar sua própria coleção prêt-à-porter na década de 90. A partir de então o renome da Prada só cresce posicionada como um símbolo de status premium.

A “Cahier” de couro está na faixa de R$ 17.000,00.

BALENCIAGA

Com Demna Gvasalia à frente da direção criativa da Balenciaga, a maison parisiense permanece entre as mais influentes marcas do mundo, unindo a tradição inovadora da grife com sua visão vanguardista.

Essa tote de couro é mais baratinha, está na faixa de R$ 15.000,00.

Falando em baratinha, temos ainda…

STELLA MCCARTNEY

Conhecida por seu compromisso ecológico, as bolsas da Stella McCartney apresentam materiais sustentáveis em designs descomplicados que adicionam leveza e elegância ao seu look, como não poderia diferente, sendo filha de Paul McCartney.

É o máximo, custa apenas R$ 8.570,00.

Quer saber quais as bolsas mais caras do mundo?

Eu mostrei algumas bolsas de marca que estão na faixa de preço acima de 8.000,00 reais. Mas isso é “peanuts” quando comparamos aos preços das bolsas realmente caras, megaultra exclusivas, que não sei quem possui mas que acho que vou depois pesquisar e mostrar num outro post.

São bolsas que estão na faixa de preço começando por 150 mil dólares e vão até uma bolsa que custa mais de 3 milhões de dólares! Claro que é uma bolsa fabricada nos Emirados Árabes e é adornada por 4.517 diamantes!

É essa aqui…

O que eu acho

Se você, minha querida ouvinte, tem poder de compra pra uma dessas bolsas – seja uma Stella ou a dos diamantes – seja feliz. Desfrute, já que pode. Geralmente, essas bolsas Gucci ou Channel duram muito e valem o custo-benefício.

E pense no trabalho do designer, do artesão, dom pessoal de marketing que cria campanhas publicitárias tão incríveis, de tanta gente que se empenha para produzir um item de tamanha qualidade, cuidando do seu item com carinho e não apenas como símbolo de status.

Dito isto…

Para encerrar, volto ao que comentei lá em cima…

Tudo é muito caro do Brasil

Ninguém discorda. Falando com pessoas entendidas e lendo, posso dizer que tudo começa porque nosso dinheiro é caro. Nossas taxas de juros são das mais altas do mundo e isso influi no custo de todas as mercadorias.

(pense na taxa de juros do cartão de crédito ou do cheque especial…)

Os banqueiros e o governo são parceiros nessa extorsão. E você não tem escolha. Não gostou do Itaú? Vá ao Bradesco e veja se é diferente. Ou ao BB.

Outro dia vi, de curiosidade, o preço num móvel na Ikea (que ia abrir uma loja no Brasil e desistiu por causa da burocracia e dos altos impostos) e outro, parecido, na Tok Stok. São móveis de baixo custo (em tese), bonitinhos mas ordinários, só que os preços… baixo custo é na Ikea, mesmo.

E as roupas e eletrônicos? Mesmo com o dólar nas alturas, vale muito mais fazer o enxoval do bebê ou comprar roupas se você viajar (para os EUA ou o bom e velho Paraguai…). Quem pode, vira contrabandista amador, porque a diferença dos preços é abissal. Sem contar o imposto de importação, que é tão absurdo que é para impedir a importação, para proteger a indústria nacional!

São vários os motivos que explicam isso. Somos um país que faz tudo para “proteger a indústria nacional”, como eu disse acima. Daí não temos concorrência e protegemos indústrias vagabundas de amigos do governo. Os produtos são vagabundos, quando comparados aos “de fora”, e aí temos a burocracia e os juros e impostos que esfolam o industrial e o consumidor.

Nossa economia é fechada

O fato de nossa economia ser tão fechada faz com que não só nossos preços sejam altos, mas que a qualidade seja baixa e a variedade inexistente. E isso afeta principalmente os mais pobres. Ricos não colocam dinheiro na poupança e nem estouram o cartão de crédito. Ricos não gastam sua renda comprando uma geladeira nova porque a velha queimou. Ou outro colchão porque o de casa rasgou de tão usado. Ricos são os donos das empresas protegidas pelo governo da concorrência. Ricos são os empresários que pegam empréstimos subsidiados no BNDES e pagam a perder de vista… quando pagam. São amigos dos governantes corruptos.

E, muitas vezes, são eles mesmos, os governantes e políticos, os donos das empresas.

São eles e seus amigos os que lucram com esse cenário.

E amedrontam os pobres – e o que restou da classe média – afirmando que o livre comércio causaria desemprego e pobreza.

Tudo é tão caro porque temos o que há de pior no capitalismo (a desigualdade de renda) com o pior do socialismo (ausência de concorrência, burocracia e ineficiência). e uma corrupção endêmica.

Se as coisas não fossem assim, se tivéssemos o livre comércio, haveria tantas vantagens… Graças ao livre comércio, os consumidores iriam gastar menos dinheiro em bens e em vários serviços.  E poderiam agora gastar mais dinheiro em outros bens e serviços, levando a um aumento da demanda e, logo, dos lucros nos setores que fornecem estes bens e serviços.  Consequentemente, haveria mais investimentos.  E essa maior taxa de investimento naturalmente levaria à criação de mais empregos nesses setores, contrabalançando qualquer eventual aumento no desemprego – que é o argumento principal de quem defende o protecionismo.

 

Olha, acho que meu próximo artigo será sobre isso. Aguardem!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

Wikipedia

correiodeuberlandia.com.br

e outras que não me lembro mais…

 

 

 

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