Brasil, meu Brasil brasileiro

Simplificando, os brasileiros se dividem em 3 espécies:

  1. O “bovino”, aquele que – não apenas por sua culpa ou escolha – é mantido na ignorância e não sabe de nada, só em lutar pela sobrevivência. Esse é o brasileiro que assiste a novela das 11 na Globo (a que trata da ditadura militar) e não entende nada do que rola porque não sabia que tivemos uma ditadura. É o que assiste a novela das 6 na mesma Globo (a que fala do D. Pedro I) e pergunta onde está o Pedro Álvares Cabral na trama. (OBS – isso foi identificado pela própria emissora, em suas discussões de grupo com espectadores).
  2. A “zelite”, aquele empresário ou político corrupto que vive numa realidade paralela e cuja única conexão com o mundo real é feita na hora de coletar seu dinheiro.
  3. O “otário da classe mérdia”, o brasileiro que rala a vida toda para poder pagar sua casa ou seu carro financiado, que paga seus impostos, que comete uma corrupçãozinha aqui e ali (dando um café pro guarda que o multou, por ex.) e se vê escorchado diariamente pela “zelite”.

(dentro dessas espécies, temos diversas variedades: jogadores de futebol que vieram da classe dos bovinos e hoje fazem parte da zelite; traficantes de drogas que circulam por todas as classes; estudantes da classe mérdia que vão às manifestações pra matar aula na faculdade; juízes do STF que fazem parte da zelite mas estão associados ao crime organizado e por aí vai…)

O brasileiro da espécie 3 tem um inimigo poderoso, o Estado. Prefeituras, governos estaduais, governo federal exploram o “otário da classe mérdia” desde que o Brasil é o Brasil. E esse Estado  vem num processo de corrosão há anos, alimentado pela corrupção e incompetência, e nos levou à atual “estagflação”, estagnação com inflação.

Gerando mais miséria, desemprego e violência.

Aí, o “otário da classe mérdia”, que vota em todas as eleições na esperança de escolher o menos pior, vê a “zelite” que ele colocou no poder debochar da cara dele diariamente, cuspindo seu cinismo, mentindo e fazendo negociatas para continuar mamando nas tetas da Grande Mãe Terra Brasilis.

E hoje, esse brasileiro tem ódio e vergonha. É o que se vê e ouve no busão, no metrô, nos táxis, nas rodinhas, nos trens… É gente desejando o pior àquele membro da “zelite”, é aquela teoria da boa índole indo pro ralo.

O “otário da classe mérdia” está cansado de tanta orgia, de tanta podridão, de tanta violência. Ele mal consegue viver seu presente, e enxerga seu futuro ameaçado. E, frustrado, escolhe alguém que diz não fazer parte da “zelite”, para que esse justiceiro coloque o país nos trilhos e nos livre da escória que há tanto tempo nos domina.

Moral da história:

O brasileiro “otário da classe mérdia”, que colocou o justiceiro lá, continua ralando o resto de sua vida pra pagar a prestação da casa própria e do Fiat Uno 1996.

O brasileiro “bovino” vai continuar alheio a tudo, assistindo o programa do Faustão aos domingos.

E aquele justiceiro, eleito para salvar a Pátria, descobriu-se depois que fazia parte da “zelite”, e se disfarçou de “caçador de corruptos” como um plano da própria “zelite” para continuar no poder.

 

 

 

 

 

 

 

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2 pensamentos sobre “Brasil, meu Brasil brasileiro

  1. Pô, Julio… tá certo, eu tenho um Uno 96 que terminei de pagar há dois anos. Hahahahahaha, mas ainda não tenho minha casa própria. Hahahahaha E ainda não votei no inJusticeiro. Mas me considero na mérdia da classe mérdia. Hahahahaha… que tristeza.
    É rir para não chorar.
    Abraços
    Wilbur(Sergio Vasconcellos)patureba

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