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O álbum dos mortos

Morte: (do latim mors), óbito (do latim obitu).

A primeira definição científica de morte, a da ausência de circulação e respiração, não está totalmente errada. Estima-se que em 99% dos casos são as falhas no coração e no pulmão que encerram de vez a vida (só 1% dos casos tem origem na morte cerebral). É como a bateria de um notebook, se ela descarrega, você ainda pode conectar a máquina na tomada. É o que acontece com grávidas que não têm mais sinais cerebrais, mas que são mantidas “vivas” por aparelhos até dar à luz.

A nossa bateria, o coração, funciona com estímulos elétricos que provocam a contração (que joga o sangue para frente) e o relaxamento (que o enche novamente). É muito importante que esses movimentos sejam sincronizados. Se o coração bater rápido demais, não dá tempo de enchê-lo totalmente e a quantidade de sangue bombeada para o corpo diminui. Bater devagar demais também não é bom sinal, pelo mesmo motivo: vai faltar sangue para manter as condições vitais. Isso é especialmente perigoso para os pulmões. Sem sangue por lá, eles não levam mais oxigênio para as células. Sem oxigênio não há metabolismo e sem metabolismo as células morrem.

Na verdade, nosso corpo não foi feito para viver para sempre. Vai chegar uma hora que, assim como uma lâmpada, vai se apagar e a vida acaba. E começam os rituais para homenagear os que se foram, o velório, a choradeira, a saudade de quem se foi…

Muitas pessoas não aceitam bem esse evento e procuram, de alguma forma, manter o ente querido próximo. Uma dessas práticas existia no passado, fotos pós-morte das pessoas que se foram.

Tenso!

Essa “prática” teve origem no século XIX, na Inglaterra, mais precisamente na era vitoriana (1837- 1901), quando a Rainha Vitória pediu que fosse fotografado o cadáver de um parente próximo que acabara de falecer para que ela guardasse a foto de lembrança. Em pouco tempo esse ato se tornou costumeiro, se espalhando por diversas partes do mundo.

Todos queriam prestar uma última homenagem a seus entes queridos e eternizá-los de certa maneira. Para isso, em muitos casos, as fotos tiradas retratavam momentos do defunto com sua família, como se estivesse vivo. Eram feitas armações de madeira que sustentavam os corpos já sem vida, criavam-se poses e os mortos eram maquiados, tendo em muitos casos os olhos pintados sobre as pálpebras para manter o aspecto de vivacidade que já não tinham mais.

Quem está morta é a menina.
Exemplo clássico da foto post-mortem. A que está sentada é quem está viva.
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A filha morta, bem maquiada, foi fotografada entre os pais.
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A esposa morta está abraçada pelo marido.
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Aqui, ambos são defuntos.

Tirar essas fotos era um luxo, devido ao elevado preço para produzi-las e também devido à pouca quantidade de câmeras fotográficas e profissionais disponíveis. A criação dos tais “álbuns dos mortos” funcionava como uma espécie de negação da morte. Muitos acreditavam que, através da foto tirada, a alma de seu ente querido ficaria viva para sempre naquele pedaço de papel.

Com o passar dos anos essa prática foi  sendo esquecida e, hoje em dia, é vista como uma esquisitice por muita gente, embora aparentemente esse hábito ainda seja comum em algumas culturas.

Muito mais bizarro que isso é saber que existem sites de leilões, sim, LEILÕES dessas fotos.

AS PESSOAS PAGAM , E MUITAS VEZES CARO, PRA TER UMA FOTO DESSAS EM CASA. Há gosto pra tudo…

 

 

 

 

(link do post original: http://cademeuwhiskey.wordpress.com/2012/10/28/fotos-post-mortem-o-bizarro-album-dos-mortos/)
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Um comentário em “O álbum dos mortos”

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