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Um telefonema hoje é uma prova de amor…

A tabulação da segunda edição da pesquisa “Jovem Digital Brasileiro”, do Ibope, apresentou o perfil de consumo na rede do jovem brasileiro. A maioria desses jovens é usuária das redes sociais, e os que assistem e baixam filmes pela internet chegam a 93%.

As redes sociais mais navegadas por esse público são o Facebook com 91%, o Youtube com 48%, o Instagram com 15% e o Twitter com 13%. Todos esses são acessados simultaneamente, provocando uma grande convergência midiática. Os vídeos online se tornaram uma nova maneira de escrita na web.

Quer dizer,  a internet determina o comportamento, o estilo de vida e os padrões de consumo desse público.

Atualmente, 17% dos que vivem em regiões metropolitanas do país têm ao menos um tablet e, dos que possuem celular, 47% usam smartphone. Quatro aplicativos estão em 80% dos celulares: Facebook, email, WhatsApp e Youtube. Fora das mídias sociais, as categorias de aplicativos mais consumidas pelo jovem internauta brasileiro são jogos, previsão do tempo, internet banking e notícias.

Imprensa-de-Gutemberg

Gutemberg foi o inventor da prensa móvel. Depois de Gutemberg, tudo mudou: milhares de livros foram impressos e a leitura generalizou-se.

Eu acho que a internet desencadeou uma nova revolução, e essa geração de jovens terá uma postura totalmente diferente em relação ao mundo por conta dela. Porque, em primeiro lugar, a internet provocou uma democratização do conhecimento: qualquer pessoa pode  chegar com rapidez à informação e ao conhecimento a partir de uma simples pesquisa num computador, ou no smartphone ou tablet. Depois, pela mudança na nossa forma de comunicar, à distância e na proximidade.

Esses jovens não escrevem mais cartas, como seus avós, e nem consultam mais os jornais, como seus pais. As próprias mensagens hoje se trocam mais pelo “zapzap” (Whatsapp) do que por um contato telefônico ou pessoal. A web traz pesquisas científicas, pornografia e receitas para fabricar uma bomba ao lado do Instagram.

E aquele conceito de comunicação “virtual” me parece que também caiu por terra, porque o jovem se comunica pelas redes com aquele mesmo amigo com quem acabou de estar na escola.  Porque “teclar” é quase tão importante como trocar impressões no intervalo das aulas.

Quando os pais criticam os filhos porque eles passam muito tempo no computador, estão se esquecendo que eles mesmos não largam seus joguinhos ou o Facebook.  Dizem que os filhos não leem, mas há muito que não pegam num romance. E continuará assim: a imprensa escrita será cada vez menos lida e os livros terão tiragens cada vez menores, caso “leitura” continue a ser definida pelo número de exemplares físicos vendidos.

Quando penso numa forma de incentivar esse jovem a ler – esse jovem que foi alfabetizado com o uso dos tablets e não mais da lousa na parede da escola – imagino que não se deva mais continuar a existir apenas palestras feitas por pessoas que gostam de ler, para outras que não têm esse hábito; ou pela propaganda de livros que estão nos “10 Mais ” do não sei aonde. Acho que é preciso usarmos suportes digitais, que devem incluir sons e imagens, que estimulem a fixação da atenção, tornada agora mais volátil pela estimulação permanente. E que esse material seja compartilhável, e compartilhado com pais, amigos e outros jovens, de forma dinâmica e interativa.

O grande problema que vejo aqui é a questão da remuneração. Sim, a remuneração do escritor, quando falo de livros. Ele precisa pagar as contas, como qualquer mortal, porque um escritor tem que comer, se vestir, ter uma casa onde morar etc. Então, quando falo em compartilhar, não pode ser totalmente de graça… E aí é que mora o perigo. Com tanta coisa de graça à solta na internet, como encontrar aquele disposto a pagar pelo seu livro digital, compartilhável etc e tal?Hoje,

Mas esse é apenas um dos aspectos de nossas vidas que mudou com a internet. Posso apontar mais alguns:

O imediatismo é o que diferencia principalmente um antes de um depois em nossa vida pessoal e profissional. Tudo acontece e é compartilhado mais rápido. Ao mesmo tempo, por conta da facilidade de sua circulação, tomamos conhecimento de muitas ideias que, de outra forma, continuariam “inéditas”.

Outro ponto é o da “aldeia global”, que muito se teorizava há, sei lá, três décadas e muitos diziam que era ficção. Pois a “aldeia global” existe… A internet elimina as distâncias! Hoje, converso com minha filha, que vive a 13.000 km de onde moro, pelo Skype!

Esse “encurtamento” das distâncias também permite que nossa opinião se torne pública, chegando a quem jamais nos leria ou ouviria se a web não existisse. Podemos publicar livros, gravar palestras, mostrar nossas receitas, tocar nossa mais nova música… Por isso, cada vez mais, devemos nos tornar conscientes do poder que a internet tem em fazer nascer um novo astro ou destruir a reputação desse mesmo astro em instantes.

Um terceiro ponto que destaco é a interconexão entre grupos de pessoas afins. Pessoas que compartilham de hobbies ou atividades podem se comunicar por meio dos grupos, trocar ideias e informações e o mesmo acontece com as minorias: políticas, raciais, religiosas etc. As ideias podem ser difundidas sem que exista mais a preocupação da distância ou de isolamentos, provocados ou circunstanciais.

O último ponto que destaco, e que certamente afeta aos jovens de uma forma que eles ainda não se deram conta, é a solidão e a introversão. Enquanto que os chats, grupos de discussão, redes sociais e as mensagens instantâneas aproximaram as pessoas em alguns aspectos, tenho certeza de que as tornaram mais solitárias (claro que a “culpa” não é apenas da internet; a violência e o custo de vida nas grandes cidades, além dos problemas de deslocamento, trânsito e etc, contribuem para que as pessoas fiquem mais em casa). Mas é inegável essa contradição: enquanto você se comunica mais pelos meios digitais, comunica-se menos no mundo real.

A pergunta que deixo é: como integrar o mundo físico ao virtual?

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6 comentários em “Um telefonema hoje é uma prova de amor…”

  1. Você faz umas perguntas difíceis de responder Julio! Eu até ia comentar sobre a legalização da maconha ou não. Mas, aí pensei comigo que eram tantas lições de casa não feitas, que opinar sobre isso é dar um tiro no pé! Ex. Educação e ocupação para os jovens – de fato, sem fingimentos.
    Ai, me deparo com essa: como integrar o mundo físico com o virtual?
    Vi uma vez um grupo de mulheres no LinkedIn que se encontravam duas vezes por ano. Até fui convidada. Que elas não leiam o que escrevo aqui, mas, torci o nariz… cada uma tinha que levar um doce ou salgado, e tinha que marcar o local e eram uns meses de tititi e tricotar. Imagino que passado o encontro foram mais uns meses de fofocas falando das pregas de uma, do topete da outra… Viu como sua pergunta não é fácil? Todo esse burburinho virtual facilmente vira igreja, ponto de encontro dos VA (vituais anonimos) rs
    Tempos difíceis esses, e também nos falta tempo. Uso muito a Internet, o meu trabalho exige, mas, vejo que realmente as pessoas estão “presas” no mundo virtual.
    E, tem muita gente bacana, mas, dizendo realmente o que penso, a maioria é de uma futilidade que me dá urticaria… imagina ao vivo – eu mato e viro manchete no face rs
    Leio livros pelo tablet, pago as contas pela Internet, meu tabalho é 95% com o uso da internet, músicas, vídeos, tudo. Só isso de ficar tec tec em whatsapp que acho que é vício, mas, não meu. Virou modinha. Maconha. rs legalizaram e nem perceberam rs

    Ah, ligação agora é prova de amor – ri demais!

    Seus textos são sempre muito completos, didáticos e divertidos na maioria das vezes, gosto muito.
    Abs!

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    1. Sabe, Michele, você é uma das poucas exceções nesse mundo de futilidades – virtual ou não. É um ser pensante, e isso estimula as reflexões e os debates. Tenho muita sorte em ter pessoas que me rodeiam – virtualmente ou não – e que me abordam com inteligência.

      Tenho um neto de 3 anos e uma neta de 1 ano, de minha filha mais velha que tem a sua idade, e penso muito em que mundo eles vão viver quando crescerem. Qual será a integração do mundo físico com o virtual? O sexo será via Skype? Vão estudar à distância, modalidade que vem crescendo a cada dia? O casamento será via Whatssap?

      Ou, numa virada radical, daqui a 30 anos tudo terá mudado, não teremos mais água e nem energia elétrica, e o homem terá voltado a se comunicar via sinais de fumaça?

      E os vícios voltariam a ser os de antigamente: fazer serenata, jogar bocha e pitar cachimbo feito de sabugo de milho! Rsrsrsr

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  2. Se pontes de comunicação estão se tornando barreiras de contato, o problema não está na tecnologia, e sim em quem a utiliza. Talvez, quando perdermos a mania de criarmos soluções que inventam problemas, nos tornemos mais fisicamente integrados que dispersos.

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