As irmãs “Rapunzel”

Sabia que existiu mesmo uma Rapunzel? Ou melhor, sete?

As sete irmãs Sutherland (Sarah, Victoria, Isabella, Grace, Naomi, Mary e Dora) tinham seus cabelos tão grandes que tocavam o chão. Medindo o cabelo de todas, o total era de 11,27 metros de comprimento!

O biógrafo Brandon Stickney revelou que elas se tornaram famosas por terem patenteado um “elixir milagroso” para crescimento capilar, vendendo o equivalente a mais de R$ 12 milhões de reais na época.

As irmãs nasceram entre 1851 e 1865 em uma comunidade agrícola de Cambria, Nova York. Em uma tentativa de tirar a família da pobreza, o reverendo Fletcher Sutherland, pai das meninas, colocou-as para fazer shows, originalmente como cantoras.

Mas a carreira não deu certo e o circo Barnum & Bailey as contratou, explorando o marketing por trás do cabelo com a frase “as sete maravilhas mais agradáveis do mundo”. O circo percebeu que o público ficava encantado com as tranças das irmãs, muito mais do que com seus talentos vocais.

Apesar dos shows consistirem de música das igrejas, elas recebiam elogios pelos cabelos e não por seus dotes vocais”, comentou o biógrafo.

A mãe, Maria, morreu em 1887 e ficou conhecida por aplicar uma pomada com cheiro ruim nos cabelos das filhas para estimular o crescimento. Em uma tentativa de arrecadar dinheiro das pessoas que ficavam encantadas com o tamanho das tranças, o pai resolveu aproveitar essa pomada da esposa falecida e vender um tônico com a assinatura da família.

Sarah, a mais velha das sete irmãs.

O tônico era composto por 56% de água, 44% de rum e um pouco de sal, magnésio e ácido clorídrico. O rótulo dizia: “Para os nossos clientes temos uma preparação usada por nós mesmos. Recomendamos para todo mundo e os efeitos são visíveis”. Além de usar as filhas como prova da eficácia de seu tônico, o nome e a foto do reverendo apareciam em quase todas as propagandas endossando o produto.

A caixa do tônico, chamado de “fertilizante para os cabelos”.

O reverendo usava a sua imagem de homem honesto e temente a Deus para anunciar seu tônico milagroso.

Cada frasco do tônico era vendido entre um dólar e um dólar e meio, o que significava um dia do salário semanal dos trabalhadores norte-americanos nos anos 1880.

Graças a suas táticas de marketing, o pai conseguiu vender mais de 2,5 milhões de unidades das garrafas que foram produzidas em 1890. Quatro anos depois a família já tinha arrecado mais de três milhões de dólares, uma fortuna exorbitante mesmo nos dias atuais.

A fama e a fortuna tornaram as irmãs verdadeiras celebridades e elas sempre estavam nas primeiras páginas dos principais jornais e revistas do país,  como o The New Yorker, The New York Times e Time.

Não foi surpresa que essa ascensão meteórica tenha causado um profundo impacto na família, que desenvolveu um comportamento cada vez mais excêntrico. As sete irmãs, determinadas a viver juntas depois da morte do pai, construíram em sua cidade natal uma fabulosa mansão de 14 quartos, água quente e fria (um luxo para a época), camas e demais peças do mobiliário importadas da Europa, além de alojamentos completos para as criadas.

Era o ano de 1893 e a exibição de opulência das antigas meninas pobres chocou a população. Os animais de estimação tinham roupas de verão e de inverno.  Os cavalos das charretes tinham arreios em ouro e elas davam festas frequentes, finalizando com fogos de artifício.

Para anunciar seus produtos nas vitrines das lojas, elas mandaram fazer manequins à sua semelhança e que eram enviados por todo o país – mas deviam ser regularmente devolvidos à mansão para que as criadas responsáveis por pentear e desembaraçar os cabelos das patroas fizessem o mesmo com o cabelo das manequins.

Apesar de lucrarem milhões na virada do século, os gastos extravagantes das irmãs estava descontrolado. Por fora, sua imagem era de mulheres educadas nas normas cristãs, mas dentro de casa, elas se envolviam em triângulos amorosos, desperdiçando a fortuna em bebidas, amantes, joias e drogas.

Quando uma das irmãs, Naomi, morreu, o choque foi profundo e as desestabilizou ainda mais.  Para agravar a situação, um nobre francês com o nome de Frederick Castlemaine e que cortejava Dora acabou se casando com Isabella, quase dez anos mais velha que ele.  Esse rapaz era viciado em ópio e morfina e tinha o passatempo de atirar nos raios das rodas de carroças sentado no alpendre da casa das Sutherlands. Por mais impressionante que sua pontaria fosse,  os agricultores locais estavam descontentes com esta prática. E a indignação dos vizinhos era apaziguada com grandes somas em dinheiro.

Quando o jovem cometeu suicídio, as irmãs não o embalsamaram… Deixaram seu corpo numa caixa de vidro, que era visitada  diariamente pelas mulheres. Depois de dez dias, o cheiro era tão insuportável que a polícia as obrigou a enterrar o corpo.

Victoria, a mais bela de todas, casou-se aos 50 anos com um jovem de 19… As irmãs, ultrajadas, a expulsaram de casa e a renegaram pelo resto da vida, até ela morrer na pobreza. A turbulência na família não acabou, porém. Mary, sempre mentalmente instável e antissocial, foi trancada em seu quarto e de lá não saía.

A mais velha das irmãs, Sarah, veio a falecer e as outras resistiram a enterrá-la, do mesmo modo que fizeram com o nobre francês, deixando seu corpo na caixa de vidro em casa por muitos dias.

Esse anúncio de 1910 tentava adaptar o produto das Sutherland para os novos tempos de cabelos curtos.

O golpe final para a família Sutherland veio na década de 1910: as jovens rebeldes, conhecida como “melindrosas”, começaram a cortar os cabelos bem curtos, e essa tendência se ampliou, fazendo com que o produto das Sete Irmãs se tornasse obsoleto.

Isabella morreu em 1914, e a fortuna da família foi se esvaindo rapidamente. As últimas três mulheres foram para Los Angeles em 1919, em uma tentativa desesperada de vender sua história para Hollywood, mas não deu certo e Dora morreu em um acidente de carro durante a sua viagem. Mary e Grace estavam tão sem dinheiro que não puderam sequer cremar o corpo.

Em 1920, essas duas irmãs ainda tentavam manter vivo seu negócio de “fertilizantes para cabelos” numa época que já não aceitava tranças ridiculamente longas. Sem dinheiro até para comprar comida, tiveram que abandonar a sua mansão em 1931. E, em 1936, o negócio do tônico capilar fechou de vez.

O casarão abandonado queimou em um incêndio em 24 de Janeiro de 1938, e um número infinito de documentos e relíquias dos dias de glória virou fumaça, incluindo as receitas do tônico. Mary foi internada em um manicômio, onde morreu no ano seguinte. E Grace morreu na miséria aos 92 anos em 1946, e foi enterrada numa cova comum.

Foi assim que as “sete maravilhas” da Era Vitoriana desapareceram na obscuridade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Daily Mail

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