100 Anos do Teatro Municipal de São Paulo

Foram três anos de trabalho que consumiram R$ 28 milhões. Por fora e por dentro, o Teatro Municipal de São Paulo ficou rejuvenescido e a reforma acabou em 2011. As paredes do saguão principal receberam uma tinta que imita mármore. Os vitrais foram desmontados e restaurados, um a um. Tudo passou por uma limpeza rigorosa. O balcão e os espelhos são novos. Mas paredes, teto e janelas foram restaurados de acordo com fotografias da época da inauguração.

No salão nobre, as portas de latão receberam um tratamento específico. Filetes de ouro cobriram os detalhes da decoração apagados pelo tempo. As pinturas e desenhos do alto foram todos limpos. Boa parte dos vitrais também voltou a ter o colorido original. As 1.533 poltronas do teatro ganharam tecido novo. Tudo dentro do teatro foi lavado com material especial. Não houve necessidade de retocar as pinturas.

Há 100 anos, São Paulo era uma cidade que crescia a todo vapor. Custeada pelos recursos provenientes da lavoura cafeeira, desenvolvia-se a olhos vistos, tendo também uma vasta programação artística que nada devia a grandes centros estrangeiros. O Teatro São José, principal casa do ramo até então, foi totalmente destruído por um grande incêndio em 1898. A municipalidade determinou que novas dependências recebessem as manifestações artísticas que os paulistanos tanto apreciavam. O pessoal do escritório do arquiteto Ramos de Azevedo arregaçou as mangas com a ajuda dos colegas italianos Claudio e Domiziano Rossi e, em 1903, com o suor de vários operários (italianos como eles), as obras começaram no Centro.

Após oito anos de trabalho pesado, o “Theatro Municipal” era inaugurado no dia 12 de setembro com a ópera “Hamlet”, de Ambroise Thomas, baseada na obra homônima de William Shakespeare.

Ao longo de sua história, alguns dos nomes mais importantes da arte dramática, da música e da dança se apresentaram lá: Maria Callas, Enrico Caruso, Arturo Toscanini, Arthur Rubinstein, Ana Pavlova, Vaclav Nijinski, Isadora Duncan, Rudolf Nureyev, Mikhail Barysnikov, Duke Ellington, Ella Fitzgerald, Procópio Ferreira e até Vivien Leigh (estrela de “…E o Vento Levou”, um dos maiores sucessos do cinema de todos os tempos). O Municipal paulistano também foi cenário de um dos mais significativos movimentos artísticos brasileiros do século 20: a Semana de Arte Moderna de 1922.

Considerado uma obra arrojada para a época, teve influência em seu projeto da Ópera de Paris, com aspectos renascentistas e barrocos. Bustos, bronzes, medalhões, cristais, vitrais, colunas, mosaicos, mármores, espelhos, relevos e pinturas enriqueceram o seu interior, uma surpresa para os olhos a cada canto.

Platéia do Theatro Municipal de São Paulo construída sob influência da Ópera de Paris.

Detalhe da porta de entrada da bilheteria do Theatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo.

Detalhe dos ornamentos dos camarotes.

Salão Nobre no piso superior.

Vista geral das escadarias do Theatro Municipal de São Paulo.

Lustre do teto.

Vitral do Theatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo, centro de São Paulo.

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