O Zeppelin

Sempre fui fascinado pelos zeppelins… Não, não se trata de um dos maiores grupos de rock da história, o Led Zeppelin – que, aliás, tirou seu nome do zeppelin e do qual sempre fui fã.

Zeppelin é um tipo de aeronave rígida, mais especificamente um dirigível, cujo nome vem do seu inventor, o conde Ferdinand von Zeppelin e que foi pioneiro na pesquisa e desenvolvimento desse tipo de aeronave no início do século 19.

O conde alemão Zeppelin era um entusiasta dos balões numa época em que eles eram de estrutura flexível. Zeppelin, baseado nas idéias de  um engenheiro austríaco que havia tentado construir um balão de alumínio em 1887,  iniciou a construção e montagem dos primeiros dirigíveis rígidos em 1889, e, a despeito das dificuldades, terminou o seu primeiro modelo no ano seguinte. No entanto, o protótipo LZ-1 somente foi aprovado cinco anos depois, sendo que os modelos testados levavam as iniciais LZ, de Ludwig (assistente do conde) e do próprio Zeppelin, antecedendo a numeração.

O LZ-1  decolou de um hangar flutuante no Lago de Constança, sul da Alemanha, em 2 de julho de 1900. Ele carregou 5 pessoas e voou uma distância de 6 quilômetros em 17 minutos, uma velocidade estrondosa para a época. Mas isso não convenceu os possíveis investidores. Como o dinheiro estava esgotado, Ferdinand von Zeppelin teve que desmontar o protótipo, vender tudo, e liquidar a companhia. Mas ele não desistiu. Usando os últimos recursos da família, construiu mais alguns protótipos e , em 1908, ganhou fama com o LZ-4, ao cruzar os Alpes numa viagem de 12 horas, sem escalas.

Daí por diante, Zeppelin pôde contar com o dinheiro do governo alemão em suas façanhas e seus dirigíveis se transformaram em orgulho nacional. Até 1914, quando iniciou a Primeira Grande Guerra, foram mais de 150 mil quilômetros voados, 1.600 vôos e 37,3 mil passageiros transportados. Durante o conflito mundial, ao lado dos nascentes aviões, os dirigíveis alemães foram utilizados para bombardear Paris e Londres.

Os acidentes não eram muito comuns, mas aconteciam. Como a queda do dirigível Zeppelin L.19 no Mar do Norte, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. A ilustração abaixo mostra o momento do resgate da tripulação e passageiros por um barco pesqueiro.

Os Zeppelin voaram comercialmente pela primeira vez em 1910, pela Deutsche Luftschiffahrts-AG (DELAG), a primeira linha aérea comercial do mundo. Depois da guerra e principalmente durante a década de 1930, os dirigíveis foram utilizados em voos transatlânticos, mais rápidos do que as travessias de navio.

O Graf Zeppelin foi o mais famoso de todos os dirigíveis, especialmente por conta da façanha que realizou em 1929, dar a volta ao mundo, como descrito em reportagens da época:

“Parece interminável a estupefação internacional com a façanha do Graf Zeppelin LZ 127 no último mês de agosto. O colosso alemão de 213 metros de comprimento, com formato que lembra os salsichões típicos de seu país de origem, tornou-se a primeira nave da história da humanidade a realizar um vôo ao redor do planeta, epopéia de 21 dias e 34.600 quilômetros. Com escalas nos Estados Unidos, Alemanha e Japão, o dirigível arrastou multidões em suas paradas, despertando admiração e curiosidade generalizadas. Aproveitando o sucesso de sua empreitada, o comandante Hugo Eckener, diretor da Luftschiffbau-Zeppelin, empresa alemã que fabricou a aeronave, apresentou os novos planos envolvendo o gigantesco cilindro mais leve que o ar. E, para júbilo dos fãs nacionais, muito em breve o Zeppelin poderá ser visto nos céus brasileiros.
A companhia tedesca pretende implantar linhas comerciais entre a Europa e as Américas –num primeiro momento, com destino aos Estados Unidos; posteriormente, rumo ao Brasil e à Argentina. Para isso, deverá construir quatro novos dirigíveis por conta própria. Além disso, estão previstos mais um ou dois em sua parceria com a empresa americana Goodyear: – eles farão a travessia entre a costa oeste dos Estados Unidos e o Havaí e as Filipinas. Os cilindros voadores deverão também transportar correspondências e encomendas. Um contrato com o correio alemão já é dado como certo, e nos Estados Unidos os representantes da companhia já se mobilizam para acertar acordo semelhante. O dinheiro advindo desses contratos deverá ser investido na construção de novas aeronaves.”

O vídeo acima mostra trechos da viagem ao redor do planeta do Graf Zeppelin.

A primeira viagem transatlântica de um dirigível entre a Alemanha e a América do Sul foi registrada em maio de 1930, tendo o  Graf Zeppelin decolado de Friedrichshafen no dia dezoito e chegado ao Campo do Jiquiá, na cidade do Recife, em Pernambuco, a 21 do mesmo mês. Prosseguindo a viagem, pousou no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro no dia 25, causando alvoroço na então Capital Federal.

Após essa bem-sucedida viagem transatlântica inaugural, os zeppelins realizaram mais três viagens ao Brasil em 1931 e nove em 1932. As passagens custavam 1.000 dólares! Um desses enormes dirigíveis, e que foi a maior nave a voar em toda a história da aviação, foi um ícone da indústria alemã e amplamente empregado na propaganda nazista, o Hindenburgh.

Na foto acima, o gigantesco dirigível chegando ao Rio, em 1936.

O Hindenburgh, com 245 metros de comprimento e sustentado por 200 mil metros cúbicos de hidrogênio,era impulsionado por quatro motores de 1200 HP cada, que moviam hélices de mais de 6 metros de altura, e tinha autonomia de voo para 16.000 km quando completamente abastecido. O dirigível era inflado com hidrogênio, ao invés de hélio, principalmente devido ao preço, que era mais barato, e porque o uso do hidrogênio diminuía a dependência do hélio, que era em sua maior parte importado dos Estados Unidos.

Ficheiro:Hindenburg first landing at Lakehurst 1936.jpg

O Hindenburgh pousado em Lakehurst, New Jersey, Estados Unidos, em maio de 1936. Os passageiros podem ser vistos descendo a rampa na parte traseira.

Infelizmente, depois de ter cruzado o Atlântico mais de 17 vezes, ele fez sua última viagem para os Estados Unidos em 1937, levando 36 passageiros e 61 tripulantes, vindos da Alemanha. Durante as manobras de pouso, um tremendo incêndio tomou conta do dirigível e durou 30 segundos, matando 36 pessoas. O governo alemão acusou o governo americano de sabotagem, pois o grandioso zeppelin representava a superioridade tecnológica daquele país.

Mais tarde, as investigações apontaram a origem das chamas a faíscas elétricas que se desencadearam ao se lançar as amarras ao solo no processo de pouso, geradas pela descarga de energia eletrostática acumulada no dirigível; contudo culparam não o gás hidrogênio, mas sim a própria estrutura do dirigível, construído com tecido de algodão impermeabilizado com acetato de celulose e recoberto com pó de alumínio (a fim de conferir-lhe uma cor prateada permitindo o destaque da suástica) – produtos altamente inflamáveis.

A comoção mundial gerada pelo acidente acabou provocando o encerramento da era dos dirigíveis na aviação comercial de passageiros.

Atualmente, os dirigíveis são utilizados basicamente  com fins publicitários e para realização de transmissões de TV em eventos esportivos, como o da Goodyear.

Há empresas ainda que estudam a possibilidade de usar esse tipo de aeronave para o transporte de carga ou de pessoas, como o Aeroscraft, que seria a evolução do zeppelin, e já está em testes.

Ele possui um corpo semi-rígido, que sobe aos ares com bolsões de hélio – como um dirigível – mas que alça voo como um avião devido a seu formato. Imagine ter a capacidade de transportar enormes quantidades de material ou pessoas a qualquer distância, sem a necessidade de uma infraestrutura terrestre totalmente dedicada a isso – como um aeroporto.

O Aeroscraft não requer pista de decolagem porque ele sobe aos ares na vertical. Para decolar, ele usa motores turbopropulsores a jato. Uma vez no ar, ele usa bolsões de hélio dentro de uma estrutura rígida para controlar a altitude. Quando o piloto quer descer, o veículo precisa ficar mais pesado, então o hélio é comprimido e armazenado em câmaras. Isso cria um vácuo que é preenchido por ar, mais pesado que o hélio – isso faz o Aeroscraft descer. Para subir, basta expulsar o ar e preencher o espaço com hélio.

Como não precisa de pista de pouso, pode levar cargas para locais difíceis de chegar e ainda levar até 60 toneladas de peso. Na animação abaixo, o fabricante mostra como a nave vai operar, visando, claro, a venda para as forças armadas, ao menos de início…

Acho que nem o conde Zeppelin tinha pensado nisso em seus sonhos mais loucos…

 

 

 

 

 

 

 

 

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2 pensamentos sobre “O Zeppelin

  1. Dois dias atrás o Homem lembrou-se que um calendário de 45 anos nos separa da chegada à lua dos pioneiros. Agora, planejar, construir e levantar o Zepellin (também foi, digamos assim, um ídolo para mim) foi sem dúvida um assombro. Qualquer faísca…

    Boa postagem.

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