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O quarto do resgate de Atahualpa

A civilização Inca foi o resultado de culturas andinas pré-colombianas  e que existiu na América Latina desde 1200 até a invasão dos conquistadores espanhóis e a execução do último imperador, Atahualpa.

A sociedade inca desenvolveu-se a partir do século XII, na cordilheira dos Andes na América do Sul, englobando uma série de povos assimilados no decorrer de um longo processo.

No século XIV, em seu auge, encontravam-se sob poder inca cerca de 20 milhões de pessoas, espalhadas por um vasto território que englobava terras dos atuais Peru, Equador, Bolívia e norte do Chile. O poder era centralizado na figura de um soberano, denominado inca (“o filho do sol”), que detinha a posse das terras, riquezas, minas e rebanhos. Com ampla autoridade, ele era considerado quase um deus, ocupando a posição de maior prestígio naquela sociedade. Os altos funcionários e os sacerdotes, geralmente membros da família do inca, também detinham grande poder e riquezas.

As civilizações que foram absorvidas pelos incas já construíam pirâmides de mais de 20 metros de altura, e grandes complexos cerimoniais. No auge do Império Inca, foram construídas estradas, pontes e engenhosos sistemas de irrigação, um dos quais ainda alimenta uma área de Lima, capital do Peru.

Foi em 1532 que essa magnífica civilização ruiu. Atahualpa era seu imperador e dividia o reino com o irmão Huascar, que controlava o sul do império, e a quem Atahualpa enfrentou numa cruel batalha de unificação, durante a qual, segundo historiadores, teriam morrido mais de cem mil soldados. Atahualpa venceu e se tornou o único soberano, mas o Império Inca ficou muito enfraquecido por causa da guerra.

Foi então que começaram a correr rumores sobre estrangeiros vindos do outro lado do mar e que pretendiam acabar com todo o império. O imperador resolveu apurar essa história e dirigiu-se até Cajamarca, no Peru, onde recebeu um convite do líder das tropas espanholas, Francisco Pizarro, para um jantar. 

De fato, o álibi de Pizarro revelou-se uma grande armadilha. Ele cercou os incas e fez uma proposta: ordenou que eles aceitassem a religião cristã se quisessem sobreviver e ofereceu um exemplar da Bíblia. Sem entender nenhuma palavra em castelhano, Atahualpa jogou a Bíblia no chão, o que deu a entender aos conquistadores que ele queria guerra. No mesmo momento, os soldados espanhóis que estavam escondidos avançaram e prenderam imediatamente o imperador.

Durante oito meses Atahualpa permaneceu preso, pois os espanhóis tinham interesse em mantê-lo ali para desvendar algumas localizações estratégicas de seus homens e tesouros. Mas Atahualpa ofereceu comprar sua liberdade em troca de um quarto cheio de ouro e dois de prata até a altura que sua mão alcançasse. Os conquistadores receberam o resgate, que o imperador mandou trazer das minas de Cuzco e outras localidades, mas o Inca não foi libertado.

Por não aceitar a doutrina católica, foi condenado à morte por poligamia e heresia, e enforcado em julho de 1533.

O “quarto do resgate”, que o imperador inca encheu de ouro e prata,  existe até hoje em Cajamarca, a 870 quilômetros a nordeste de Lima, e está sendo restaurado pelo governo peruano com um investimento de cerca de U$ 100 mil.

Os especialistas do Instituto Nacional de Cultura advertiram nos últimos anos sobre a presença de uma espécie de fungo que foi “comendo” a pedra e afetando a estrutura geral do quarto. A obra de restauração, além de reforçar os alicerces e estabilizar as paredes da construção de mais de 500 anos, está também restaurando o telhado e recuperando os muros do entorno.

Ficheiro:Cajamarca Cuartorescate Atahualpa lou.jpg

Os historiadores calculam que o valor do resgate pago seria de aproximadamente 650 milhões de dólares atuais, e é considerado um dos mais altos da história da humanidade. O tesouro, composto por peças e vasos de outro e prata, foi fundido e repartido entre os generais conquistadores e a coroa espanhola.

As peças que Atahualpa mandou entregar a seus sequestradores – e que foram fundidas por eles mais tarde – se assemelhavam a estas, resgatadas séculos depois e que tinham sido escondidas para escapar da sanha dos invasores:

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