Uma cena simples que se eternizou no cinema

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Outro dia vi um post dos amigos Cristina de Carli e Sergio Slomonog que comentava uma cena do filme “Amargo Pesadelo” (Deliverance, 1972), dirigido por John Boorman e estrelado por Jon Voight (o pai da Angelina Jolie, para quem não sabe, e ator diversas vezes premiado, inclusive com o Oscar) e Burt Reynolds (muito popular nos anos 1970 e premiado com o Globo de Ouro).

Esse filme trata de quatro amigos que resolvem descer as perigosas corredeiras do rio Cahulawassee antes de sua inundação para formar uma represa, apesar das advertências dos moradores sobre os perigos da correnteza. Envolvidos com as belezas naturais daquelas florestas, deixam-se levar pela emoção, mas dois montanheses começam a persegui-los e aterrorizá-los.

Esse foi um dos filmes mais ousados do início da década de 1970, marcado por uma violência física e especialmente psicológica que, hoje em dia, não teria o mesmo efeito numa plateia anestesiada por filmes regados de explosões e sangue que infestam as salas de cinema. O que acho mais especial no filme é que as situações são verossímeis e, por isso mesmo, tudo é assustadoramente real! Pena não ter recebido o Oscar de melhor filme ou diretor, porque concorria com “O Poderoso Chefão” e “Cabaret”…

As atuações são marcantes e, apesar de Lee Marvin e Marlon Brando terem sido cotados para os papéis centrais, Burt Reynolds e Jon Voight apropriam-se das personagens com desenvoltura e inteligência. Logo em seguida, Reynolds transformaria-se em êxito de bilheteria, enquanto Voight seguiria firme rumo à credibilidade artística que culminaria com um Oscar, seis anos depois.

O filme é lembrado também pela cena do duelo de banjos, uma das mais conhecidas da história do cinema. Mas a cena não é “real”. O jovem (na época, com 16 anos) Billy Redden foi escolhido na sua escola, Clayton Elementary School, devido a sua aparência, mas ele não é autista, nem tem qualquer outra deficiência. Mas o personagem assim o exigia, conforme o livro “Deliverance”, no qual o filme se baseia.

Ele não sabia tocar banjo e, por isso, foi usado um truque de filmagem – um músico se posicionou atrás dele e tocou o banjo por dentro das mangas de sua camisa. Foi usada alguma maquiagem para fazê-lo parecer mais “esquisito”.

Billy, que hoje trabalha na lanchonete em que é um dos proprietários, em sua cidade natal, Clayton, na Geórgia, ficou muito conhecido depois do lançamento de “Amargo Pesadelo”. As pessoas iam até os locais da filmagem, no rio Chattooga, querendo refazer o percurso nas corredeiras e o chamavam para servir de guia pela região. Mas depois que muitas pessoas morreram nesse rio, Billy desistiu do trabalho, por ser perigoso demais.

Billy Redden nasceu em 1956 no estado da Georgia (EUA

E somente em 2003 Redden reapareceu em um filme, “Peixe Grande” (Big Fish), de Tim Burton.

Minha sugestão: veja (ou reveja) a cena do duelo de banjos e assista ao filme. É uma das obras-primas do cinema.

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