BRASIL – JUNHO DE 2013

Em junho de 2013, o Brasil começou a mudar.

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Os governos estão “cedendo” e reduzindo a tarifa dos transportes, ou cancelando o aumento dado. Só os mais ingênuos podem pensar que isso vai ficar de graça. Claro que não. Em SP, o governador e o prefeito já disseram que vão cortar investimentos – como se fizessem muitos… e por isso mesmo é evidente que virá aumento de impostos.

Não agora, que os políticos podem ser tudo o que a gente pensa que são, mas não loucos. Eles vão esperar que o circo volte a anestesiar os nossos sentidos (como circo, entenda-se futebol, Copa, Neymar na Espanha, a bicha-má da novela, etc etc) e aprovar os aumentos na calada da noite, escondidos, no escuro, como ratos que são. E quando acordarmos no dia seguinte, a gasolina estará mais cara nos postos, o carnê do IPTU virá com aumento, e por aí afora.

Porque os políticos são assim. Não são administradores, são políticos. Esse tipo de ser pensa apenas em si mesmo, em como conseguir mais benefícios para si e para seus comparsas, pensa apenas em ganhar as eleições. Em São Paulo, o prefeito tomou uma bronca do Lula porque estava resistente em ceder aos manifestantes. Mas o Lula chamou o político à razão (porque ele estava tendo um ataque de administrador público) e o lembrou que sua atitude poderia prejudicar o partido nas eleições de 2014…

A outra constatação é que o MPL só tinha um discurso, uma pauta – aliás, bem clara desde o início -, que era a redução das tarifas. Quando perguntaram à menina Mariana (desculpa, não peguei o sobrenome), uma das líderes, qual seria a próxima reivindicação, ela veio com um discurso vago de “acabar com latifúndios”. Mas não a critico, não, ao contrário. Eles já fizeram a parte deles, e foi muito.

Apesar do cala-boca dado pelos “governantes”, cedendo e cancelando o aumento nas passagens, e que vai esvaziar o movimento e minguar as manifestações, acho que eles conseguiram uma coisa muito maior do que essa vitória de Pirro.

Para raiva dos reaças, esse movimento fez a gente se lembrar de nossa voz, de nossa força. Fez os políticos e a imprensa saber que, apesar das fortes doses de anestesia que recebemos todos os dias, ainda temos olhos para enxergar, voz para gritar e pernas para ir às ruas e manifestar nosso descontentamento “contra tudo o que está aí”.

Sim, pode soar um slogan antigo e juvenil, mas é isso mesmo: parte do povo saiu para reclamar do aumento das passagens sem o correspondente aumento de qualidade no serviço, mas outra parte saiu para reclamar da corrupção, da roubalheira, da aprovação da “cura gay”, do desvio de dinheiro, dos estádios da Copa e das Olimpíadas… A lista é longa…

Quais os próximos passos?

Primeiro, agradecer e cumprimentar a moçada do MPL que nos fez lembrar que temos força, e nunca mais nos esquecermos disso.

Depois, e conscientes desse nosso poder resgatado, não nos deixarmos iludir de novo pelos políticos safados e pelos partidos que reúnem esses bandidos (seria talvez melhor chamar de gangues e não partidos políticos?). Temos eleições de novo em breve, vamos prestar mais atenção em quem elegemos.

Vamos abolir pra sempre Felicianos e Tiriricas… Mas não a democracia, por favor. Nada de derrubar quem foi eleito. Evite isso elegendo a melhor pessoa. Enfatizo sempre, “políticos safados”, porque nem todos são safados… Como disse Churchill, “A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas.” Nossos pais e avós resgataram a democracia para o Brasil de novo, vamos mantê-la.

Vamos assistir ao futebol e torcer para o time de preferência, curtir a novela, cantar junto com Michel Teló. Mas não vamos mais permitir que isso seja a coisa mais importante da vida e nos deixar anestesiar de novo.

Vamos ler a revista e o jornal que preferirmos, o programa e o jornal da TV que escolhermos, mas vamos nos informar com outras fontes, ler mais, aprender mais, estudar mais. A mídia é enganosa e manipuladora desde Gutemberg, por isso, não vamos dar todo o crédito a ela.

A ignorância é a melhor arma que os políticos safados podem usar contra nós.

Esses jovens abriram uma enorme avenida.

Como disse o Sakamoto, “… Há uma grande quantidade de pessoas que nunca teve contato com discussões sobre a sua cidade, muitos menos sobre direitos fundamentais, e que está caindo de paraquedas nos atos. Que sejam cada vez mais bem-vindos. Concordo com quem diz que este é um excelente momento para formação política desse pessoal, a fim de que entendam o que está em jogo e transformem insatisfação, descontentamento e incômodo em ação com reflexão, espírito crítico e participação ativa e duradoura nos desígnios do país.”

É isso que cabe a nós agora.

O pessoal do MPL fez a parte dele. Vamos continuar exigindo, protestando, saindo às ruas, reclamando nas urnas, cobrando, ensinando a quem não sabe.

Vamos mostrar aos políticos, a todos eles, duas coisas: que eles não mais nos controlam, e que quanto mais demorarem para nos dar respostas, mais estarão alimentando a insatisfação, e isso ninguém pode saber onde vai parar.

A bola está conosco.

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