Ele mudou o cinema e criou o blockbuster de verão

Foi em junho de 1975 que o lançamento de “Tubarão” marcou para sempre a história do cinema. Dirigido por Steven Spielberg, o filme sobre um enorme tubarão branco que aterrorizava uma pequena cidade litorânea mudou a percepção de todos os estúdios de Hollywood sobre a temporada de verão nos Estados Unidos. Foi nesse ano que o verão, até então relegado a exibir filmes sem muita importância (a crença era que ninguém iria ficar numa sala escura com todo aquele sol lá fora…), passou a ser sinônimo de grandes estreias e multidões nos cinemas.
Não foi fácil levar o filme às telonas
Spielberg tinha apenas 27 anos quando decidiu enfrentar esse desafio. Ele filmou em Martha’s Vineyard, uma ilha costeira em Massachusetts, escolhida por suas águas rasas e seu ambiente autêntico de cidade litorânea americana, que se transformou na fictícia Amity Island. Mas o tubarão mecânico de borracha e movido a ar comprimido usado no filme vivia apresentando problemas: ele afundava toda hora, a água do mar corroía sua pele, os atores e a equipe passavam horas esperando que o tubarão funcionasse, e tudo isso gerou mais pressão sobre o cineasta: o orçamento inicial aumentou em 300%, e o cronograma de filmagem foi estendido em mais de 100 dias.

No final, isso tudo ajudou!
É aquela coisa, o sufoco obrigou o diretor a usar ainda mais sua criatividade para encontrar soluções: ele foi forçado a “esconder” o tubarão, o que aumentou o suspense, e outro fator decisivo foi o uso que ele fez da trilha sonora, composta por John Williams. Com apenas duas notas, o tema se tornou um dos mais reconhecidos do cinema, intensificando o clima de perigo iminente.
Muitos atores recusaram os papéis
Quando Spielberg planejou o filme, baseado no livro de Peter Benchley, decidiu que a estrela seria mesmo o grande tubarão branco. Isso fez com que respeitados nomes de Hollywood se recusassem a aparecer num filme sobre um tubarão gigante.
Robert Duvall recusou o papel do xerife da cidadezinha, que acabou ficando com Roy Scheider. Para o papel do caçador de tubarões, Lee Marvin não topou, nem Robert Shaw, que detestava o romance – mas foi persuadido mais tarde por sua esposa, que adorou a ideia. Outro que pulou fora de início foi Richard Dreyfuss, que foi recomendado por George Lucas.

Dreyfuss, dias depois, acreditando que o filme que acabara de fazer, “O Grande Vigarista” (1974)* seria um fracasso, decidiu ligar para Spielberg. “’Se você ainda quiser me oferecer esse emprego’”, disse Dreyfuss, “eu aceito”.
* O filme venceu o Urso de Ouro no 24º Festival Internacional de Cinema de Berlim e foi bem recebido pela crítica, mas, de fato, não foi um sucesso de bilheteria…
O livro que deu origem é baseado numa história real
No verão de 1916, perto do litoral do Estado americano de Nova Jersey, nadava mar adentro um jovem tubarão de 2,7 metros de comprimento. Ele atacou cinco pessoas, matando quatro delas e mutilando horrivelmente a quinta.
Temendo perder a receita do período de férias, os prefeitos da região negaram o ocorrido. Mas o medo fez com que os balneários turísticos fechassem e os políticos pediram ajuda aos cientistas.
Uma onda de pânico fez com que homens enfurecidos tomassem espingardas e tridentes e se lançassem para caçar o tubarão, até que o animal atacou um bote e foi morto pelo seu dono, que se transformou em herói.
Foram esses fatos que inspiraram Peter Benchley a escrever seu romance, “Jaws” (mesmo nome do filme), que foi um estrondoso sucesso mundial e estimulou a Universal e comprar os direitos para o cinema.

O então presidente cubano Fidel Castro (1926-2016) declarou que Tubarão representaria uma metáfora sobre o capitalismo predador. Outros afirmaram que a história seria uma referência ao ex-presidente americano Richard Nixon (1913-1994) e ao caso Watergate.
O livro de Benchley ocupou os primeiros lugares da lista de best-sellers do The New York Times por quase um ano – 44 semanas.
“Tubarão” continua um sucesso até hoje
O aniversário de 50 anos foi comemorado com exibições especiais, exposições, o lançamento de um documentário e produtos licenciados, como livros, brinquedos e colecionáveis, mantendo o interesse do público em alta.
Embora o filme tenha inicialmente criado um mito sobre os tubarões serem devoradores de pessoas, ele também reacendeu a discussão sobre a sua importância. Como predadores de topo, os tubarões são essenciais para manter o equilíbrio do ecossistema marinho.

Os pesquisadores e ativistas ambientais trabalham para desmistificar a ideia de que tubarões são monstros, focando em sua função ecológica e a raridade de ataques a seres humanos.
O filme influenciou o gênero do terror e é constantemente estudado e admirado por novas gerações, permanecendo como uma referência em narrativa visual e construção de atmosfera cinematográfica.
Fontes:
rollingstone.com
Wikipedia
superabril.com.br
bbc.com

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