O Robô e o Homem Simples

Gente, eu reconheço, sou mesmo um cara enxerido… Vivo fuçando as coisas, querendo entender mais, aprender mais. Sempre fui assim.

Nas minhas recentes investigações, xeretando as “mudernidades” (como dizia meu pai, em seu mineirês), acabei fazendo um experimento e eu queria contar pra vocês o que aconteceu.

Sabe aquela curiosidade que cutuca a gente?

Pois é. Me peguei estudando como a Inteligência Artificial está funcionando na música e resolvi testar a “máquina”. Escrevi uma letra, que foi vertida em inglês (porque eu queria “compor” um blues e achei que combinava mais em inglês), e que foi chamada “Simple Man” — um pai dando conselhos de vida para o filho sobre honestidade, dignidade e como o valor da vida está nas coisas que o dinheiro não compra.

Eu sei, eu sei, tem nada de super original e existem milhões de músicas com esse tema, mas, como eu disse, não pretendo ganhar um Grammy, foi só um experimento, pra ver como funciona essa coisa toda.

Voltando à minha história, depois da letra vertida em inglês — e que a IA corrigiu —, gravei uns segundinhos de uma melodia que improvisei na hora na minha cabeça, cantando no meu celular “véio de guerra”, e chamei umas IAs para serem minhas “assistentes de estúdio”.

Elas ajudaram a polir as rimas, mexeram na minha voz, eu falei que aquela melodia capenga era pra ser um “blues do Mississippi” e, então, as queridas criaram o arranjo completo.

Depois, pedi que minhas “assistentes” transformassem aquela minha gravação caseira em uma música pop mais agitada, sem esquecer de apagar o cachorrinho latindo ao fundo… (na primeira versão do blues, o cachorrinho ficou, eu até ia deixar, mas pedi pra apagarem).

O resultado?

Postei as duas versões lá no meu canal no YouTube e vou colocar ambas aqui. A primeira versão é o blues.

Agora, veja como ficou a mesma música na versão pop:

Eu achei que, tecnicamente, ficou impecável. Mas sabe qual foi a minha conclusão?

Por mais que essas “entidades inorgânicas” entreguem um som perfeito, se a gente não colocar o dedo (e a alma) ali, a coisa fica gelada. Fica mecânica. A IA faz a nota certa, a melodia que a gente instruiu, mas ela não entende o que é “perdoar a si mesmo” ou “deixar um rastro de gentileza”.

A tecnologia é uma ferramenta incrível, um baita copiloto, mas o “borogodó” (nossa, lembrei dessa gíria agora, misericórdia, tou velho🙄) , o sentimento que arrepia, esse ainda é exclusividade nossa. É o toque humano que impede a música de ser só um amontoado de algoritmos.

Não sei se, com a evolução tão rápida dessas “assistentes”, elas poderão emular os sentimentos humanos, mas , por enquanto, ainda não.

Dêem uma ouvida e me digam: qual versão mexe mais com vocês? A melancolia do Blues ou a energia do Pop?

Aqui estão as letras, pra quem quiser checar:

He said

Son

You don’t need much

Fold your pride in a coffee cup

Call your mama when the days get hard

Keep your word

Guard your heart

[Chorus]

Be a simple man

Let your hands get tired

Let your name stay honest

Be a simple man

Chase a quiet life over any promise

Of gold and glass

That fades so fast

Be a simple

Simple man

Pay your bills

Then count your friends

You’ll know riches by the time it spends

Hold on loosely when you fall in love

Leave when you must

Come back when it’s enough

[Chorus]

Be a simple man

Let your hands get tired

Let your name stay honest

Be a simple man

Chase a quiet life over any promise

Of gold and glass

That fades so fast

Be a simple

Simple man

You won’t read this in a book on a shelf

You learn it bleeding

Forgiving yourself (oh yeah)

The world screams loud

But the truth talks plain

One small kindness can outshout fame

[Chorus]

Be a simple man

Let your hands get tired

Let your name stay honest

Be a simple man

Chase a quiet life over any promise

Of gold and glass

That fades so fast

Be a simple

Simple man

When they speak your name

Hope it sounds like grace

Just a simple man

Who left a gentle trace

Ele disse:

Filho, cê não precisa de muito

Bota o teu orgulho numa xícara de café

Liga pra sua mãe quando o dia for duro

Cumpre tua palavra

Guarda a tua fé

[Refrão]

Seja um homem simples

Deixa as mãos cansarem

Deixa teu nome ser honesto

Seja um homem simples

Busca uma vida calma, mais que qualquer promessa

De ouro e vidro

Que brilha e se desfaz

Seja um homem

Um homem simples

Paga tuas contas

Depois conta teus amigos

Você sabe que é rico pelo tempo que eles te dedicam

Encara com leveza quando se apaixonar

Vai embora quando precisar

Mas volta quando for o seu lugar

[Refrão]

Seja um homem simples

Deixa as mãos cansarem

Deixa teu nome ser honesto

Seja um homem simples

Busca uma vida calma, mais que qualquer promessa

De ouro e vidro

Que brilha e se desfaz

Seja um homem

Um homem simples

Cê não vai ler isso em livro da estante

Você aprende sangrando

Perdoando a si próprio

O mundo berra alto

Mas a verdade fala mansa

Um pequeno gesto de bondade

Vale mais que a fama

[Refrão]

Seja um homem simples

Deixa as mãos cansarem

Deixa teu nome ser honesto

Seja um homem simples

Busca uma vida calma, mais que qualquer promessa

De ouro e vidro

Que brilha e se desfaz

Seja um homem

Um homem simples

Quando falarem teu nome

Espero que soe como uma benção

Apenas um homem simples

Que deixou um rastro de gentileza

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SOBRE O AUTOR

Júlio A. Filho, escritor brasileiro de literatura infanto-juvenil, fantasia e não-ficção. Seu mote é simples: “contar histórias é quem eu sou”.

Autor da série infantil “O Outro Lado dos Bichos”, que reinventa o olhar sobre os animais com humor e imaginação, e também do livro “Riquezas do Brasil”, que apresenta de forma acessível e encantadora os patrimônios culturais e naturais do nosso país reconhecidos pela UNESCO.

Lançou também “Onde a Verdade se Esconde” e “Terra Líquida”.

São histórias que exploram o silêncio, o poder e as consequências das escolhas.

São livros que transitam entre o suspense e o mistério (“Onde a Verdade se Esconde”) e a ficção científica ( “Terra Líquida”), onde os personagens estão diante de dilemas morais, segredos difíceis de encarar e sociedades que revelam seus verdadeiros limites em momentos de crise.