Por que as Distopias Continuam Fascinando Leitores?

Se você, assim como eu, é um apaixonado por histórias, já deve ter notado: não importa quantos anos passem, as distopias continuam firmes e fortes nas listas de mais vendidos e nas conversas entre leitores jovens (e nem tão jovens assim). De clássicos como 1984 e Admirável Mundo Novo a fenômenos como Jogos Vorazes e Divergente, parece haver um fascínio inesgotável por futuros sombrios e sociedades fragmentadas.


Mas por quê? O que faz com que adolescentes e jovens adultos, especialmente, que vivem uma fase de descobertas e esperanças, se sintam tão atraídos por narrativas sobre opressão, controle e rebelião?
Segundo estudiosos, a resposta é mais complexa e muito mais próxima da nossa realidade do que parece.
O Espelho do nosso Mundo
A principal genialidade de uma boa distopia não está em prever o futuro, mas em refletir o presente. Os jovens de hoje crescem em meio a ansiedades muito reais: crises climáticas, vigilância digital constante, polarização política, a pressão das redes sociais e a incerteza econômica.
As distopias se apoderam dessas ansiedades e as amplificam. Elas criam um cenário “hipotético”, onde os medos que já sentimos se tornaram a regra. Ao ler sobre Katniss Everdeen lutando contra um governo opressor, que transforma a vida em espetáculo, o leitor não vê apenas ficção: ele enxerga um eco da cultura do reality show, dos BBB da vida, e da desigualdade social. Essa é uma forma segura de confrontar medos reais.
A Busca por Identidade e o Poder da Escolha
A adolescência é a dor da perda da inocência e a beleza da descoberta de si mesmo, um rito de passagem recheado de intensidade, paixão e construção de identidade. E qual é o tema central da maioria dos protagonistas dessas histórias? Exatamente esse.


Personagens como Thomas de Maze Runner, ou Tris de Divergente, estão vivendo em sistemas que tentam defini-los, colocá-los em caixas (ou facções…). A luta deles para romper essas regras e fazer as próprias escolhas fala diretamente com o sentimento de qualquer jovem que se sente pressionado a seguir um caminho definido pela família, pela escola ou pela sociedade. A distopia celebra o poder do indivíduo contra o sistema, e essa é uma fantasia de poder muito atraente.
O Despertar para a Ação
As histórias distópicas são mais do que apenas um entretenimento, elas geralmente são um chamado à reflexão. E nos fazem perguntar: “E se?”. “E se a gente não cuidar do meio ambiente?”. “E se a gente entregar toda a nossa privacidade em troca de alguma vantagem?”. Foi exatamente esse tipo de pergunta, sobre os limites da tecnologia e do controle, que me inspirou a escrever “Terra Líquida”.

Eu quis explorar até que ponto uma sociedade estaria disposta a ir para alcançar uma suposta estabilidade, e qual seria o custo humano disso. Ao criar aquele mundo, percebi que a linha que separa nosso presente de um futuro distópico é muito mais tênue do que imaginamos. A história se tornou uma forma de investigar minhas próprias inquietações sobre o mundo que estamos construindo… ou destruindo…
Eu acho que as distopias, no fim das contas, não são sobre o fim do mundo. São sobre a esperança que nasce mesmo nos cenários mais sombrios. Elas nos lembram que, por mais opressor que um sistema seja, a capacidade humana de questionar, de lutar e, acima de tudo, de escolher, ainda é a força mais poderosa que existe.
As distopias são espelhos de nossa resiliência. Elas nos mostram que, mesmo quando o mundo submerge, a vontade humana de encontrar um novo chão permanece inabalável.
E é por isso que continuamos voltando a elas. Porque, no fundo, nos dão um mapa para entender o presente e ferramentas para ousar construir um futuro diferente.
Se você se sente atraído por esses mundos, onde viver o amanhã é uma conquista diária, te convido a mergulhar nas águas de Terra Líquida. Descubra o que acontece quando o último muro de vidro se quebra.


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