Disneylândia, seis décadas!

Há seis décadas, a Disneylândia começou a ser construída, para ser aberta ao público no dia 17 de julho de 1955, em Anaheim, na Califórnia, uma cidade que fica a pouco mais de 40 km de Los Angeles. Fundada em 1857 por famílias alemãs, com o passar dos anos foi incorporada à grande Los Angeles e tem hoje mais de 300 mil habitantes.

Vista aérea da Disneylândia em Anaheim, 1963. No centro, à direita, a atração “Piratas do Caribe” ainda em construção. Ela foi aberta apenas em 1967, porque na época desta foto, os engenheiros da Disney estavam ocupados com as atrações que iriam ser mostradas na Feira Mundial de Nova York, de 1964.

Walt Disney veio com a ideia de um parque de diversões para todas as idades depois de visitar vários parquinhos com suas filhas e notar que os adultos ficavam entediados enquanto as crianças de divertiam.  Inicialmente, ele imaginou uma atração para os turistas adjacente ao seu estúdio, em Burbank, mas logo viu que a área era pequena demais para o que imaginara.

Depois de contratar um consultor para que que o ajudasse a determinar o lugar ideal para construir seu sonho, Walt comprou cerca de 65 hectares de laranjais em Anaheim, em 1953.

Nesta foto, Walt Disney está mostrando os planos de sua Disneylândia para as autoridades locais, que de início se mostravam relutantes em fornecer as licenças para a construção do parque.

Vendo dificuldades em conseguir financiamento junto aos bancos para seu projeto de um parque temático, totalmente inovador na época, Disney pensou em novas formas de obter esses fundos, e concebeu um programa de televisão chamado “Disneylândia”, que seria veiculado na ainda novata rede ABC de televisão e divulgaria o parque e suas atrações, aproveitando o acervo de seus desenhos animados e produzindo programas especialmente criados para a TV, como os seriados “Zorro” e “Davy Crocket”, que se tornaram uma verdadeira febre junto às crianças, além do programa “Clube do Mickey”, que continuou popular por muitas décadas. Em contrapartida a esse programa – que logo se tornou líder de audiência – , a rede ajudaria a financiar o parque. Assim, durante seus primeiros cinco anos de operação, a Disneylândia era de propriedade da Disneyland Inc., uma empresa da Walt Disney Productions, Walt Disney, Western Publishing (editora que publicava os quadrinhos do Tio Patinhas, Mickey, Donald e outros personagens) e a ABC.  Além do dinheiro da rede de TV, Disney ainda “alugou” o patrocínio de muitas lojas na Main Street e algumas atrações para outras empresas. Em 1960, a Walt Disney Productions comprou a participação das outras empresas e, em meados dos anos 1990, acabou comprando sua antiga parceira, a rede ABC.

Em frente a um esboço do que seria feito, Walt Disney revela seus planos para a Disneylândia durante a estreia do programa de televisão ‘Disneylândia’, em 27 de outubro de 1954.

Revista lançada por ocasião da estreia do programa de TV na rede ABC.

Walt Disney exibe os esboços do que seriam o castelo da Bela Adormecida, a entrada da Terra da Fronteira e a rua na Terra da Fronteira onde haveriam shows de cowboys, restaurantes e lojas de presentes.

A seguir, fotos de diferentes etapas da construção do “lugar mais feliz do planeta”:

Finalmente, depois de muitos obstáculos, a Disneylândia é inaugurada em Julho de 1955.

A inauguração foi televisionada nacionalmente.

O Disneyland Hotel foi aberto ao lado da Disneylândia em 1955, meses depois da inauguração do parque. De início, os hóspedes tinham que ir de carro para visitar o parque.

Só em 1959 foi inaugurado o monotrilho, na Terra do Amanhã, e dois anos depois, em 1961, ele foi ampliado até o hotel e se tornou o primeiro monotrilho a cruzar uma via pública no mundo.

Nesta foto, vemos três das mais populares atrações da Disneylândia, e todas inauguradas no mesmo dia, 14 de julho de 1959: O Matterhorn (uma montanha-russa indoor); a Submarine Voyage (onde se pode passear num submarino atômico pelos sete mares) e o monotrilho, que leva as pessoas a um passeio por todo o parque.

Outro meio de transporte da Disneylândia, e que pode ser usado para visitar todas as principais atrações, é o Maria-Fumaça. Walt Disney era maluco por esses trens, e tinha um deles em miniatura em sua própria casa, no qual levou Salvador Dali para passear (veja aqui). Os trens da Disneylândia funcionam hoje em dia com biocombustível criado a partir de óleo de cozinha usado nos hotéis do parque.

Atração inspirada pelo desenho animado “Dumbo”.

Legenda original da foto de 1955: “Este foguete na Disneylândia simboliza a Tomorrowland. Nesta atração, adultos e crianças podem ‘fazer um passeio’ de foguete para a lua. A simulação é feita com efeitos realistas”.

A Terra do Amanhã (Tomorrowland) sempre foi uma das “terras” mais populares do parque, depois da “Terra da Fantasia” e da “Terra da Fronteira”. Na foto abaixo, os visitantes descansam à sombra do famoso foguete, que foi um dos marcos da Disneylândia.

Em 1954, Disney teve a ideia de uma atração que continua uma das mais populares até hoje, a “Jungle Cruise’,  um tour guiado de sete minutos por selvas do mundo inteiro e no qual os visitantes curtem a exuberante vegetação tropical e animais exóticos.

Na foto, de 1964, Disney supervisiona a instalação de novos animais audioanimatrônicos na “Jungle Cruise”.

E, para encerrar, um slideshow que tenta resumir como foi essa jornada que já dura sessenta anos!

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Fonte:

MSN

Wikipedia

 

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Os 50 anos do Peninha

Está nas bancas de revistas a edição especial de quadrinhos “Peninha 50 Anos” (Editora Abril), que homenageia um dos personagens mais populares no Brasil. Criado nos Estados Unidos em 1964, ele se tornou bastante conhecido também na Itália, mas não teve lá muito sucesso em seu país de origem.

Peninha50anos c01

Foi no Brasil que ele ganhou suas facetas mais divertidas, a partir do início da década de 1970, quando o recém-criado Estúdio de Quadrinhos Disney da Abril começou a criar suas histórias por aqui, e os artistas brasucas passaram a imprimir sua verve e sua ironia no primo atrapalhado do Donald. Tive a honra de fazer parte desse grupo pioneiro de artistas, escrevendo roteiros de histórias em quadrinhos, e a primeira história brasileira do Peninha publicada no país, em 1972, é criação minha e consta nesse volume.

Abaixo, a capa da revista original. Depois, as páginas como foram publicadas então (na edição comemorativa de agora, as cores foram refeitas, e estão muito melhores…).

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

O autor das matérias que enriquecem a revista, o jornalista Marcelo Alencar, muito gentilmente publicou o meu depoimento sobre o Peninha, meu personagem favorito dos quadrinhos Disney:
depoimento peninha 50 anos

Recomendo essa revista para todos os fãs desse pato que adora espalhar confusão, e deixo meus agradecimentos, além do Marcelo Alencar, ao editor Paulo Maffia, aos pesquisadores José Rivaldo Ribeiro e Edenilson Rodrigues, do Planeta Gibi (http://www.planetagibi.net), e a todos os brilhantes colegas com quem tive a honra de trabalhar na Editora Abril durante tantos anos!





 

 

 

Banda russa toca “Tico-Tico no Fubá”

“Tico-tico no Fubá” é uma das músicas brasileiras mais conhecidas no mundo. Composta por Zequinha de Abreu em 1917, foi gravada por praticamente todo mundo que importa: Pixinguinha, Ademilde Fonseca, Ney Matogrosso, Zizi Possi, Ray Connif, Paco de Lucia, Sivuca, Daniela Mercury…

E apareceu também no curta “Watercolor of Brazil + Tico-Tico no Fubá” que faz parte do longa Saludos Amigos, de Walt Disney, e que estreou nos cinemas em 1942. O filme  trazia um novo personagem, Zé Carioca, passeando pelo Brasil com o Pato Donald e o ensinando o samba (com as músicas “Aquarela do Brasil” e “Tico-tico no Fubá“).

Em 1947, a grande Carmem Miranda estrela, ao lado de Groucho Marx, a comédia musical Copacabana – que deveria ter sido filmada em cores, mas um corte de verbas obrigou os produtores a rodar tudo em branco e preto. No filme, Carmem interpreta “Tico-Tico no Fubá” com toda a sua exuberância. No clipe abaixo, colorizado, a gente pode ter uma ideia de como teria sido o filme se não faltasse dinheiro!

Bem, tudo isso foi como introdução para o que eu queria mostrar, seguindo uma sugestão do publicitário-professor-músico-fotógrafo Aurélio de Oliveira, que além de tudo ainda faz um molho a bolonhesa de dar inveja à nonna: a propósito deste post, ele disse que não existe música nova ou antiga, existe música boa ou ruim. E citou justamente “Tico-Tico no Fubá” tocado por uma banda russa.

Bem, aí estão eles: o quarteto 4-Tissimo, formado pelo russo Dimitri Illarionov, as ucranianas Nadja Kossinskaja e Shelyazhenko Oksana e a bileorrussa Yuliya Lonskaya; não só desafiaram a si mesmos, como o fizeram em grande estilo. Executam esse ícone do chorinho em apenas 2 violões — isto mesmo, são 8 mãos tocando 2 violões.

Como bônus, apresento duas versões opostas e sensacionais. A primeira é do grupo americano The RedSkunk Jipzee Swing Band, que toca uma mescla da música americana de raiz e o jazz europeu nos anos 1930.

E a segunda, Daniel Barenboim e a Filarmônica de Berlim. Show!

 

Cara de um, focinho do outro

Quando eu era pequeno, assisti no cinema o desenho “101 Dálmatas” e fiquei encantado. Não apenas pela magia do movimento, pela emoção da história e pela crueldade da vilã, Cruella Cruel, que desejava sacrificar todos aqueles filhotinhos de dálmata para fazer um casaco de pele.

Mas também por uma sequência marcante logo no início do filme, quando Pongo procura uma garota para seu dono, e fica na janela do seu apartamento em Londres avaliando as possíveis candidatas (eu me lembro de pensar também: “Todo mundo em Londres anda de olhos fechados!” Ah ah ah ah!):

Desde então, fico avaliando na rua ou no parque se o dono está com a cara do cachorro e vive-versa. Muitas vezes, é muito igual, e aí tenho que virar o rosto e soltar uma gargalhada. Se a pessoa me visse rindo, primeiro não iria entender o motivo, e depois poderia parecer grosseria… Mas não é, juro: é que na hora me vem a sequência do desenho animado.

O interessante é que isso não foi apenas uma sacada dos roteiristas do filme, e nem é uma alucinação minha. Um estudo desenvolvido pelos psicólogos americanos Michael M. Roy e Nicholas J. S. Christenfeld, da Universidade da Califórnia em San Diego, mostrou que, muitas vezes, o que atrai um dono é a semelhança com o cachorro! Interessados em saber se realmente as pessoas partilham traços físicos ou psicológicos com seus bichos, eles fotografaram, em um parque público, 45 donos e seus respectivos cães – 25 de raça e 20 vira-latas. Depois, mostraram a voluntários que não tinham acompanhado a pesquisa as fotos dos proprietários, de seu animal e a de outro cão. Em 16 dos 25 casos apresentados de cães de raça, os observadores escolheram o par correto. Algo parecido com as fotos abaixo (não foram exatamente esses, mas a ideia era essa):

       

Roy e Christenfeld constataram que, de forma mais ou menos consciente, as pessoas tendem a preferir um cachorro que se assemelha a elas, ao menos no caso de animais que possuem características bem definidas e previsíveis. As possibilidades de semelhança com o vira-lata são mais imprecisas, já que no caso dos animais sem raça definida, é mais difícil antecipar o aspecto futuro do filhote. Nesse caso, talvez fosse necessário levar em conta também a convivência e a relação, mas isso exigiria uma pesquisa mais aprofundada.

O que se sabe é que, de fato, a cara de um é  o focinho do outro. Veja as fotos abaixo, de celebridades caninas, e veja se alguns humanos não se parecem mesmo com elas?

 

 

Fontes:
Disney
http://www2.uol.com.br/vivermente

Aprenda uma coisa nova todo dia

Existia uma seção da revista “Seleções”, eu acho, que era do tipo “Você Sabia?”, que sempre lia em primeiro quando meu pai trazia a mais recente edição para casa. E, nos jornais, também existia uma seção dessas, tipo “Acredite se Quiser”.

Eram curiosidades sobre as coisas deste mundo (e de fora dele), e foi lá que aprendi, por exemplo, que a temperatura de Marte – nos dias mais quentes – pode chegar a 17º C positivos, e que os jivaros encolhiam a cabeça dos inimigos. Hoje em dia existem sites que trazem esse tipo de curiosidades, além de livros, como o inglês “Learn Something Everyday”, que traz 365 curiosidades, ou o brasileiro e excelente “Guia dos Curiosos”. Como sempre gostei disso, fiz uma rápida compilação para este post, trazendo novidades interessantes.

Divirta-se… E aprenda, como eu!

Por quê as bruxas usam vassoura?

Acredita-se que, como as mulheres eram responsáveis por cuidar da casa, fazer comida e limpar o chão, elas sempre tinham uma vassoura à mão. E quando as pessoas começaram a acusar outras de serem bruxas, as vassouras eram consideradas o disfarce perfeito para uma verdadeira feiticeira, já que todas as mulheres tinham uma! Daí a associar a bruxa voando montada numa vassoura foi um pulinho!

 

Uma pessoa pode ser congelada e depois trazida à vida?

Havia uma lenda de que o corpo de Walt Disney tinha sido congelado para que fosse ressuscitado quando a ciência alcançasse esse ponto. A criogenia acredita que se você mantiver a pessoa congelada, ela poderia ser revivida no futuro quando existir a cura para sua doença – mas como a lei não permite que se congele a pessoa viva, então a pessoa tem que ter morrido… Quer dizer, como ressuscitar a pessoa? As empresas que fazem a criogenia alegam que o coração parar de bater não significa que a pessoa está completamente morta, porque algumas funções cerebrais persistem e então são congeladas nesse momento -em tese, ela pode ser revivida ao “descongelar” essas funções.

Isso funciona? Até hoje, ninguém foi “descongelado” com sucesso, porque se esse processo não for feito na temperatura e velocidade corretas, as células podem formar cristais de gelo e despedaçar. Mas o avanço da ciência pode possibilitar que a nanotecnologia repare não só as células danificadas, mas até mesmo a causa das doenças. A previsão é que o primeiro revival criogênico ocorra em 2045.

Qual o idioma mais difícil de se aprender?

Não há uma resposta simples, porque o processo de aprendizado é diferente de pessoa para pessoa. Embora nenhum idioma seja fácil de aprender, aqueles que são mais parecidos com a sua linguagem nativa são menos complicados nesse aspecto. E aprender uma língua cuja pronúncia e escrita sejam totalmente diferentes pode ser um grande desafio.

É evidente que as línguas orientais podem ser as mais difíceis para os ocidentais, e vice-versa. Mas, como foi dito antes, isso varia de pessoa para pessoa, da complexidade do idioma, de quanto tempo você dedica aos estudos, de sua motivação… Na média geral, as línguas mais “fáceis” de aprender para quem fala nosso idioma seriam o espanhol, italiano, inglês e francês. As de dificuldade média seriam o  o russo, o alemão e o polonês. E as mais “difíceis”, o árabe, japonês, coreano e mandarim.

 

O dia em que Walt Disney se encontrou com Salvador Dalí

Um belo dia, eclode a Segunda Guerra Mundial e, em 1942, Salvador Dali se muda para os Estados Unidos com a esposa Gala, onde ficou até 1948. Ele voltou para a Espanha no ano seguinte, vivendo na Catalunha até sua morte.

Nesse meio tempo, Walt Disney estava preocupado. A Segunda Guerra Mundial estava arrasando a Europa e, junto com ela,  os cofres de seu estúdio. Sem o mercado europeu para seus filmes, e com praticamente toda a economia de seu país voltada para o esforço de guerra, restara-lhe pouco mais a fazer do que os desenhos- animados destinados ao treinamento dos militares ou como propaganda, tudo sob encomenda do governo ou das Forças Armadas. Outra fonte de preocupação para Walt eram os críticos, porque muitos deles diziam que seus filmes sempre sacrificavam o genuíno talento artístico em prol de produções mais comerciais. Segundo eles, Walt favorecia a animação tradicional em prejuízo da inovação e da experimentação.

O lançamento de “Fantasia” em 1940 foi o primeiro passo no sentido de silenciá-los,  e Walt buscava desde então um cala-boca definitivo. Era por esse motivo que o criador do Mickey e do pato Donald ficava atento aos pintores e aos artistas de mais renome. “Assim como aconteceu na sequência do Monte Calvo em ‘Fantasia’, que foi criada por Kay Nielson”, disse Walt numa entrevista da época,  “eu quero dar mais oportunidades aos grandes artistas. Nós precisamos deles, nós temos que estar sempre abrindo novos caminhos”. E foi numa festa na mansão do big-boss da Warner Bros, Jack Warner, que Walt Disney encontrou Salvador Dali

Walt Disney and Salvador Dalí met during an Alfred Hitchcock's filming. Image: 3cat/24.cat

Os bigodes se conhecem pessoalmente.

Era uma festa típica de Hollywood, com a presença de todas as grandes estrelas dos anos 1930 e 1940. E, por mais inusitado que pareça, foi esse o palco em que dois dos maiores visionários da História das artes se conheceram. E desse encontro, saiu um projeto que levou 57 anos para ser completado.

Na ocasião, 1944, Dali estava elaborando uma sequência para o filme “Quando fala o coração” (Spellbound), de Alfred Hitchcock, e que foi lançado um ano mais tarde. Esse foi o primeiro filme hollywoodiano a tratar da psicanálise e trazia no elenco Ingrid Bergman e Gregory Peck. A sequência que Dali criou para o filme foi a cena dos sonhos, cheia de imagens psicoanalíticas.

Salvador Dali já era muito conhecido em todo o mundo como o mais influente artista surrealista do século, e Disney o convenceu a trabalhar no projeto de um curta-metragem chamado “Destino”, que seria incluído numa antologia de curtas na linha de “Música, Maestro”. Esta antologia era composta por dez curtas e marcava a situação dos Estúdios Disney na época, sem recursos para produzir um novo longa de animação, mas tendo que lançar novas produções com regularidade.

O segmento mais conhecido da coletânea “Música, Maestro”, Pedro e o Lobo.

“Destino”, segundo o próprio Walt, “era uma simples história de amor, na qual um rapaz conhece uma moça”. Com o mesmo título de uma canção folclórica mexicana, o desenho planejado seguiria o ritmo da música num cenário de sonhos, sendo a expressão poética dos arroubos causados pelo amor. Dali trabalhou entre 1945 e 1946, produzindo vinte e duas telas e 135 esboços de cenas de animação para o projeto, que resultaram em dezessete segundos de filme.

Dali trabalhando nos Estúdios Disney, em Burbank, Califórnia, EUA.

Abaixo, algumas das telas e esboços produzidos por Dali:

O desenho animado tinha como ponto central a importância do tempo em nossa espera pela ação do destino. E as ilustrações de Dali eram típicas, com objetos se transformando em outros, as imagens duplas… O mais incrível era ver o elitismo de Dali se combinando com a linguagem de massa de Disney.

Dali trabalhou como funcionário dos Estúdios durante oito meses, chegando todos os dias pontualmente às oito e meia da manhã e trabalhando direto até as cinco da tarde.  Disney diria mais tarde que ele “borbulhava com ideias”. Mas, infelizmente, o projeto foi abandonado em 1947 quando os recursos próprios acabaram e os estúdios não conseguiram financiamento. Disney também ficou com medo de que o público não aceitasse “Destino” se fosse lançado sozinho, por ser surreal demais, aumentando ainda mais o rombo do caixa. E assim, “Destino” ficou esquecido nos arquivos dos Estúdios durante quase seis décadas.

Felizmente, o sobrinho de Disney, Roy, se animou em finalizar o curta-metragem (que só tinha dezessete segundos) em 1999, utilizando as novas tecnologias disponíveis para emular a qualidade plástica das imagens multidimensionais de Dali. Uma equipe de 25 animadores trabalhou para decifrar os storyboards desenhados por Dali e realizar o projeto. E assim, 57 anos depois, a ideia concebida por Dali e Disney finalmente nasceu. “Destino” é a perfeita combinação da imaginação desses dois gênios:

A sequência original de 17 segundos é a das tartarugas. O filme conta a história de Cronos e a incapacidade dele de concretizar seu amor por uma mortal.  E enquanto Disney descreveu o filme como uma simples história de amor, Dali o descreveu como sendo “a visualização mágica da vida no labirinto do tempo”.

Mesmo com o fiasco do empreendimento, a amizade entre os dois sobreviveu. A filha de Walt, Diane, relembra como os dois continuaram a se visitar ao longo dos anos, e como Dali adorava andar no trem que seu pai mantinha em casa: ” Mesmo em pleno verão, ele estava vestido com um sobretudo preto, de gravata. Ele se sentava num dos pequenos vagões, com  sua bengala na posição vertical na frente dele. “

Aqui, Walt faz uma visita a Dali na Espanha.

Dali, Walt e as duas esposas, Gala e Lilian Disney.

Dali avaliando um dos primeiros trens que Walt montou no terreno de sua casa. Disney era fissurado por trens desde a infância.

Ideia do post sugerida por Ione Fabiano.

Supercalifragilisticexpialidocious!

“Mary Poppins” marcou a minha infância. Lembro-me de assisti-lo perto do Natal, e toda vez que assisto de novo, a magia daqueles dias em que eu sonhava em trabalhar com Walt Disney volta a inundar minha mente.

Mesmo agora, depois de tanto tempo, continuo achando esse um dos melhores, senão o melhor filme de Disney, e um dos mais fantásticos da história do cinema. O elenco todo tem atuações maravilhosas, a direção de arte é espetacular, as canções são cativantes, o enredo é emocionante… Sem exagero, acho que toda criança merece e deve assistir esse filme. É essencial para o desenvolvimento da mente criativa infantil. Aos adultos que não tiveram a oportunidade de assistir, assistam. Nunca é tarde para entrar no mundo mágico de Mary Poppins.

E, dentre tantas canções maravilhosas, como “Chim-Chim-Cheree” ou a que dá título ao post, tem uma que me marcou desde o primeiro dia em que assisti ao filme, aos dez anos de idade: “Feed the Birds”. Eu me lembrava da velhinha sentada na escadaria dando de comer aos pombos, as aves revoando em torno do sino da catedral, a voz de Mary Poppins (Julie Andrews) cantando… Essa imagem e essa canção ficaram gravadas para sempre em minha memória.

No domingo passado, me deu uma saudade imensa desse filme e o assisti de novo, pela quaquilionésima vez. Ri, chorei, me diverti tudo outra vez como se fosse aquele mesmo Julinho de 1964, os olhos arregalados, sentado nas poltronas do enorme cine Metro de São Paulo e querendo pular para dentro dentro da tela, para cantar e dançar com Dick Van Dyke e Julie Andrews em cima dos telhados de Londres.

E aquela música encheu meu coração de novo… “Feed the Birds”… E, em minhas recentes pesquisas, descobri que essa era a música favorita de Walt Disney! Diziam que, às sextas-feiras de tarde, antes de ir embora pra casa, ele pedia a Robert Sherman (compositor da trilha do filme junto com o irmão) para que viesse ao seu escritório e tocasse pra ele. Disney sentia que essa canção o ajudava a manter um toque de humanidade ao gerenciar a empresa que, já então, estava se tornando um empreendimento ultramegamilionário. E o piano onde a canção foi tocada tantas vezes continuou no escritório de Walt anos depois de sua morte.

Quero compartilhar, então, essa canção tão comovente. Abaixo do clipe, para quem se interessar, a letra da música e sua tradução.

Early each day to the steps of Saint Paul’s
The little old bird woman comes
In her own special way to the people she calls,
“Come, buy my bags full of crumbs;
Come feed the little birds,
Show them you care
And you’ll be glad if you do
Their young ones are hungry
Their nests are so bare
All it takes is tuppence from you
Feed the birds, tuppence a bag
Tuppence, tuppence, tuppence a bag
Feed the birds,” that’s what she cries
While overhead, her birds fill the skies

All around the cathedral the saints and apostles
Look down as she sells her wares
Although you can’t see it,
You know they are smiling
Each time someone shows that he cares

Though her words are simple and few
Listen, listen, she’s calling to you
“Feed the birds, tuppence a bag
Tuppence, tuppence, tuppence a bag”

No início de cada dia, nos degraus de Saint Paul

A velha dos pássaros chega

Em sua própria maneira especial, ela diz às pessoas:

“Venha, compre um saquinho de migalhas. Vamos alimentar os passarinhos, mostrar a eles que você se importa.

E você vai ficar feliz se o fizer. Seus filhotes estão com fome,

Seus ninhos estão sem nada, custa apenas dois centavos,

Dê de comer aos pássaros, dois centavos um saco,

Dois centavos, dois centavos, dois centavos, um saco. Dê de comer aos pássaros”, é isso que ela pede,

Enquanto, sobre sua cabeça, suas aves enchem os céus.

Todos na catedral, os santos e os apóstolos

Olham para baixo enquanto ela vende seus saquinhos.

Embora você não possa ver, você sabe que eles estão sorrindo

Cada vez que alguém mostra que se importa.

Apesar de suas palavras serem poucas e simples,

Ouça, ouça, ela está chamando por você:

“Alimente as aves, dois centavos um saco,

Dois centavos, dois centavos, dois centavos um saco”.