Já foi lançado o “Almanaque do Zé Carioca” com roteiros meus e desenhos do Canini

Segue abaixo a capa da edição do Zé Carioca com 11 histórias escritas por mim e desenhadas pelo artista brasileiro que melhor representou o gingado do Zé Carioca, Renato Canini. Embora tenhamos nos encontrado poucas vezes (ele morava em Porto Alegre e eu, em São Paulo), nossa parceria foi muito divertida, porque ele captava imediatamente o que eu pretendia dizer e muitas vezes, modificava e melhorava a sequência que eu tinha pensado.

Relendo as histórias aqui selecionadas, percebo com clareza o quanto essa parceria foi rica e produtiva.

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A edição foi mencionada em alguns blogs, como o Blog do Xandro ( http://blogdoxandro.blogspot.com.br/2014/09/hqsgibis-disney-noticias-novidades-nos.html), o Blog dos Esquilos (http://blogdosesquilos.blogspot.com.br/) e no Submundo, do  Leo (http://submundo-hq.blogspot.com.br/2014/10/almanaque-do-ze-carioca-n-22-traz-11.html do Leo), de onde transcrevo parte do que foi publicado:

O “Almanaque do Zé Carioca” Nº 22 (capa acima) já está nas bancas… E apresenta uma seleção temática de histórias escritas por Júlio de Andrade e desenhadas por Renato Canini (que redefiniu o papagaio nos anos 70). Nesta matéria exclusiva do “Submundo”, vocês verão em 1º mão a seleção completa das 11 histórias que compõem esta edição (já adianto que é um material que eu incluiria no meu “TOP 100 de melhores HQs” de todos os tempos)!!!
Confiram abaixo algumas imagens desta fase clássica e consagrada do “Zé Carioca”:
Renato Canini (falecido há 1 ano) foi o artista que melhor retratou o “Zé Carioca” durante a década de 70…. Estabelecendo pro papagaio um visual mais próximo da realidade brasileira (com camiseta rasgada, morando num barraco, fugindo dos cobradores, e vivendo de pequenos golpes). Pelo realismo do universo criado pro personagem e pela diversão despretensiosa das histórias, este material (toda a fase Canini) faz parte da minha lista (pessoal) das 100 melhores HQs de todos os tempos. Mas esta edição temática também inclui o (excelente) roteirista Júlio de Andrade: Numa seleção de 11 histórias dessa parceria:
 
“Um Truque Cinematográfico”, “O Carro Saiu Barato”, “Churrasco Bom Pra Cachorro”, “No Samba Safári”, “O Grande Prêmio de Vila Xurupita”, “O Cobrador”, “O Dia Era da Barraca”, “O Piquenique”, “Mais Vale um Papagaio na Mão”, “Você Comprou Seu Chop-Chop?”, e “O Papagaio e o Papagaio”. Todas produzidas em meados dos anos 70!!!
 
A edição custa apenas R$ 5,50 (com 84 pág)…. E acima estão algumas imagens das histórias tiradas de antigas edições da época em que foram lançadas pela 1º vez na revista mensal do “Zé Carioca” e em republicações de “Disney Especial”. Na minha opinião, vale a pena acompanhar todo o material dessa fase  – que também aparece regularmente republicado em especiais tipo: “Disney BIG”!!!
 

Falo um pouco mais dessa edição aqui e do Zé Carioca em outro post, aqui.

Modéstia à parte, ontem eu li a revista e dei boas risadas com o besteirol que a gente criava. Valeu a pena, pra desopilar o fígado!

Zé Carioca e Júlio de Andrade Filho… Que samba vai dar?

Renato Canini, um dos mais importantes artistas Disney no Brasil, decisivo na trajetória do Zé Carioca, sempre trabalhou ao lado de excelentes roteiristas. Um bom exemplo é a parceria de muitos anos que o desenhista manteve com Júlio De Andrade Filho. Pois bem, o ALMANAQUE DO ZÉ CARIOCA 22, que chega às bancas em 20 de outubro, trará somente HQs da dupla Canini e Júlio De Andrade, celebrando a genialidade destes dois mestres Disney.

A imagem e o texto acima estão sendo divulgados nas redes sociais, avisando dessa edição especial a ser lançada no dia 20 de outubro, e que contém histórias que eu escrevi com o Zé Carioca e que foram desenhadas pelo melhor desenhista de todos, Renato Canini, já falecido.

Comecei a escrever roteiros de histórias em quadrinhos Disney para a Editora Abril no começo de 1972, como roteirista free-lancer. Dois anos depois, fui contratado como redator-trainée e passei por inúmeras funções dentro da empresa, até chegar a ser diretor editorial. Mas minha grande paixão sempre foram os quadrinhos, especialmente os de Walt Disney. E essa paixão está sendo homenageada agora com essa edição especial.

Meu personagem favorito para trabalhar sempre foi o Peninha, como postei aqui. Mas escrevi roteiros com praticamente todos os mais importantes, como Tio Patinhas, Donald, Pateta, Madame Min, Zorro e diversos outros. Depois do Peninha, porém, aquele com quem eu mais me divertia era mesmo o Zé Carioca, para quem criei mais de 60 histórias.

Você pode escrever os roteiros de duas formas: como script – igual ao que se usa no cinema ou na TV – descrevendo as cenas e com as falas de cada personagem:

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Ou, se não tiver paciência para escrever tudo isso, fazendo um rough (pronuncia-se rafe)- um rascunho – colocando os balões e desenhando as cenas para o desenhista – muito semelhante ao story-board do cinema:

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Eu sempre preferi fazer os roughs e, curiosamente, a primeira história Disney que escrevi não foi com nenhum dos personagens preferidos, mas com o Mickey e seu arquirrival Mancha Negra. Ela foi escrita entre 1972 e 1973, mas só foi publicada em 1977, porque era uma aventura com muitas páginas e os editores tiveram que esperar aparecer um espaço nas revistas para publicá-la. A espera valeu a pena, porque foi a história de capa da edição da revista Mickey, em março daquele ano.

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Foi “As Asas de Ícaro” que iniciou a minha carreira nos quadrinhos – e na Editora Abril – mesmo tendo sido publicada muitos anos depois de sua criação.

Como o tema do post é a edição especial do Zé Carioca, a primeira história que tive publicada na Editora Abril foi justamente… do Zé Carioca, e desenhada pelo Renato Canini. Ela saiu na revista Zé Carioca, no. 1.053, de 1972:

ZC Aspirações da Vida, 1a HQ publicada

 

Foi uma longa jornada, mas muito divertida, que compartilhei com talentosos artistas e jornalistas. Meu agradecimento a todos!

 

Um dia com Mr. Disney

Em 1943, os Estúdios Disney estavam engajados no esforço de guerra, tendo alistados pelo governo americano.  As coisas estavam pretas do ponto de vista financeiro. Os mercados europeus haviam secado, os lançamentos domésticos (Bambi e O Dragão Relutante) estavam com baixo desempenho nas bilheterias, e as coisas pareciam sombrias e sem grandes perspectivas de melhora. A guerra na Europa se intensificava e, na Ásia, o caldeirão estava fervendo.

Mas depois de Pearl Harbor, o governo federal montou uma operação de salvamento dos Estúdios e encomendou filmes de treinamento para as Forças Armadas e para a população em geral. Logo, os animadores passaram a produzir centenas de desenhos-animados. Muitos de treinamento para os militares, e outros de educação para a população, seja explicando a importância do racionamento, seja o que fazer para ajudar os soldados no front.

A historinha abaixo reproduzida, com desenhos de Roy Williams e textos de Ralph Parker, foi publicada em um boletim interno que Disney produzia para os funcionários e retrata um dia típico desse período, com as sucessivas idas e vindas no humor do patrão.

Se você clicar na imagem, ela vai aparecer em formato maior e ficará mais legível.

Abaixo dela, traduzo os textos, da esquerda para a direita na primeira coluna e assim sucessivamente:

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1. Walt, ao chegar ao estúdio, é recepcionado por um comitê de boas-vindas que lhe traz notícias…

2. O exército e a marinha se juntam a ele na sala de reuniões.

3. Joe Grant apresenta uma ideia a Walt e tenta hipnotizá-lo com seu olhar magnético, enquanto Dick Huemer reza esperançosamente.

4. Walt pondera sobre os valores filosóficos em um roteiro.

5.  E almoça com tranquilidade, conversando com três mesas ao mesmo tempo…

6.  Depois, aprecia calmamente um cigarro enquanto sua mente trabalha.   “Falta de mão-de-obra”  “Falta de película”   “Falta de papel”   “Falta de borracha”

7. Responde as cartas dos fãs.

8. Dubla o Mickey, uma tarefa que sempre foi sua exclusividade.

9. Dá uma volta pelo estúdio, onde é abordado por poucas pessoas com dúvidas a sanar.

10. Ouve a turma “vendendo” algumas gags para o filme “Victory Through Air Power”.

11. Ouve cuidadosamente as calmas considerações do Donald sobre seu dia de trabalho…

12. E pega uma carona pra voltar para casa.

 

Essa historinha ilustra com precisão as agruras e a genialidade de Disney, sem deixar de lado as críticas sutis à sua personalidade.

Uma observação: a produção “Victory Through Air Power” , de 1943, usando  uma combinação de animação humorística e falando sobre o desenvolvimento da guerra aérea,  trata de algumas ideias que podem levar os aliados a vencer a Segunda Guerra Mundial usando bombardeios a longa distância.

Quando tiver tempo para assistir, coloquei o filme completo logo abaixo:

Acho muito interessante conhecer as diversas fases pelas quais Walt Disney e seus artistas passaram ao longo de sua história.

Disneylândia, seis décadas!

Há seis décadas, a Disneylândia começou a ser construída, para ser aberta ao público no dia 17 de julho de 1955, em Anaheim, na Califórnia, uma cidade que fica a pouco mais de 40 km de Los Angeles. Fundada em 1857 por famílias alemãs, com o passar dos anos foi incorporada à grande Los Angeles e tem hoje mais de 300 mil habitantes.

Vista aérea da Disneylândia em Anaheim, 1963. No centro, à direita, a atração “Piratas do Caribe” ainda em construção. Ela foi aberta apenas em 1967, porque na época desta foto, os engenheiros da Disney estavam ocupados com as atrações que iriam ser mostradas na Feira Mundial de Nova York, de 1964.

Walt Disney veio com a ideia de um parque de diversões para todas as idades depois de visitar vários parquinhos com suas filhas e notar que os adultos ficavam entediados enquanto as crianças de divertiam.  Inicialmente, ele imaginou uma atração para os turistas adjacente ao seu estúdio, em Burbank, mas logo viu que a área era pequena demais para o que imaginara.

Depois de contratar um consultor para que que o ajudasse a determinar o lugar ideal para construir seu sonho, Walt comprou cerca de 65 hectares de laranjais em Anaheim, em 1953.

Nesta foto, Walt Disney está mostrando os planos de sua Disneylândia para as autoridades locais, que de início se mostravam relutantes em fornecer as licenças para a construção do parque.

Vendo dificuldades em conseguir financiamento junto aos bancos para seu projeto de um parque temático, totalmente inovador na época, Disney pensou em novas formas de obter esses fundos, e concebeu um programa de televisão chamado “Disneylândia”, que seria veiculado na ainda novata rede ABC de televisão e divulgaria o parque e suas atrações, aproveitando o acervo de seus desenhos animados e produzindo programas especialmente criados para a TV, como os seriados “Zorro” e “Davy Crocket”, que se tornaram uma verdadeira febre junto às crianças, além do programa “Clube do Mickey”, que continuou popular por muitas décadas. Em contrapartida a esse programa – que logo se tornou líder de audiência – , a rede ajudaria a financiar o parque. Assim, durante seus primeiros cinco anos de operação, a Disneylândia era de propriedade da Disneyland Inc., uma empresa da Walt Disney Productions, Walt Disney, Western Publishing (editora que publicava os quadrinhos do Tio Patinhas, Mickey, Donald e outros personagens) e a ABC.  Além do dinheiro da rede de TV, Disney ainda “alugou” o patrocínio de muitas lojas na Main Street e algumas atrações para outras empresas. Em 1960, a Walt Disney Productions comprou a participação das outras empresas e, em meados dos anos 1990, acabou comprando sua antiga parceira, a rede ABC.

Em frente a um esboço do que seria feito, Walt Disney revela seus planos para a Disneylândia durante a estreia do programa de televisão ‘Disneylândia’, em 27 de outubro de 1954.

Revista lançada por ocasião da estreia do programa de TV na rede ABC.

Walt Disney exibe os esboços do que seriam o castelo da Bela Adormecida, a entrada da Terra da Fronteira e a rua na Terra da Fronteira onde haveriam shows de cowboys, restaurantes e lojas de presentes.

A seguir, fotos de diferentes etapas da construção do “lugar mais feliz do planeta”:

Finalmente, depois de muitos obstáculos, a Disneylândia é inaugurada em Julho de 1955.

A inauguração foi televisionada nacionalmente.

O Disneyland Hotel foi aberto ao lado da Disneylândia em 1955, meses depois da inauguração do parque. De início, os hóspedes tinham que ir de carro para visitar o parque.

Só em 1959 foi inaugurado o monotrilho, na Terra do Amanhã, e dois anos depois, em 1961, ele foi ampliado até o hotel e se tornou o primeiro monotrilho a cruzar uma via pública no mundo.

Nesta foto, vemos três das mais populares atrações da Disneylândia, e todas inauguradas no mesmo dia, 14 de julho de 1959: O Matterhorn (uma montanha-russa indoor); a Submarine Voyage (onde se pode passear num submarino atômico pelos sete mares) e o monotrilho, que leva as pessoas a um passeio por todo o parque.

Outro meio de transporte da Disneylândia, e que pode ser usado para visitar todas as principais atrações, é o Maria-Fumaça. Walt Disney era maluco por esses trens, e tinha um deles em miniatura em sua própria casa, no qual levou Salvador Dali para passear (veja aqui). Os trens da Disneylândia funcionam hoje em dia com biocombustível criado a partir de óleo de cozinha usado nos hotéis do parque.

Atração inspirada pelo desenho animado “Dumbo”.

Legenda original da foto de 1955: “Este foguete na Disneylândia simboliza a Tomorrowland. Nesta atração, adultos e crianças podem ‘fazer um passeio’ de foguete para a lua. A simulação é feita com efeitos realistas”.

A Terra do Amanhã (Tomorrowland) sempre foi uma das “terras” mais populares do parque, depois da “Terra da Fantasia” e da “Terra da Fronteira”. Na foto abaixo, os visitantes descansam à sombra do famoso foguete, que foi um dos marcos da Disneylândia.

Em 1954, Disney teve a ideia de uma atração que continua uma das mais populares até hoje, a “Jungle Cruise’,  um tour guiado de sete minutos por selvas do mundo inteiro e no qual os visitantes curtem a exuberante vegetação tropical e animais exóticos.

Na foto, de 1964, Disney supervisiona a instalação de novos animais audioanimatrônicos na “Jungle Cruise”.

E, para encerrar, um slideshow que tenta resumir como foi essa jornada que já dura sessenta anos!

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Fonte:

MSN

Wikipedia

 

Os 50 anos do Peninha

Está nas bancas de revistas a edição especial de quadrinhos “Peninha 50 Anos” (Editora Abril), que homenageia um dos personagens mais populares no Brasil. Criado nos Estados Unidos em 1964, ele se tornou bastante conhecido também na Itália, mas não teve lá muito sucesso em seu país de origem.

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Foi no Brasil que ele ganhou suas facetas mais divertidas, a partir do início da década de 1970, quando o recém-criado Estúdio de Quadrinhos Disney da Abril começou a criar suas histórias por aqui, e os artistas brasucas passaram a imprimir sua verve e sua ironia no primo atrapalhado do Donald. Tive a honra de fazer parte desse grupo pioneiro de artistas, escrevendo roteiros de histórias em quadrinhos, e a primeira história brasileira do Peninha publicada no país, em 1972, é criação minha e consta nesse volume.

Abaixo, a capa da revista original. Depois, as páginas como foram publicadas então (na edição comemorativa de agora, as cores foram refeitas, e estão muito melhores…).

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

Pato Donald - 1078 - 1972 ed. Abril

O autor das matérias que enriquecem a revista, o jornalista Marcelo Alencar, muito gentilmente publicou o meu depoimento sobre o Peninha, meu personagem favorito dos quadrinhos Disney:
depoimento peninha 50 anos

Recomendo essa revista para todos os fãs desse pato que adora espalhar confusão, e deixo meus agradecimentos, além do Marcelo Alencar, ao editor Paulo Maffia, aos pesquisadores José Rivaldo Ribeiro e Edenilson Rodrigues, do Planeta Gibi (http://www.planetagibi.net), e a todos os brilhantes colegas com quem tive a honra de trabalhar na Editora Abril durante tantos anos!





 

 

 

Banda russa toca “Tico-Tico no Fubá”

“Tico-tico no Fubá” é uma das músicas brasileiras mais conhecidas no mundo. Composta por Zequinha de Abreu em 1917, foi gravada por praticamente todo mundo que importa: Pixinguinha, Ademilde Fonseca, Ney Matogrosso, Zizi Possi, Ray Connif, Paco de Lucia, Sivuca, Daniela Mercury…

E apareceu também no curta “Watercolor of Brazil + Tico-Tico no Fubá” que faz parte do longa Saludos Amigos, de Walt Disney, e que estreou nos cinemas em 1942. O filme  trazia um novo personagem, Zé Carioca, passeando pelo Brasil com o Pato Donald e o ensinando o samba (com as músicas “Aquarela do Brasil” e “Tico-tico no Fubá“).

Em 1947, a grande Carmem Miranda estrela, ao lado de Groucho Marx, a comédia musical Copacabana – que deveria ter sido filmada em cores, mas um corte de verbas obrigou os produtores a rodar tudo em branco e preto. No filme, Carmem interpreta “Tico-Tico no Fubá” com toda a sua exuberância. No clipe abaixo, colorizado, a gente pode ter uma ideia de como teria sido o filme se não faltasse dinheiro!

Bem, tudo isso foi como introdução para o que eu queria mostrar, seguindo uma sugestão do publicitário-professor-músico-fotógrafo Aurélio de Oliveira, que além de tudo ainda faz um molho a bolonhesa de dar inveja à nonna: a propósito deste post, ele disse que não existe música nova ou antiga, existe música boa ou ruim. E citou justamente “Tico-Tico no Fubá” tocado por uma banda russa.

Bem, aí estão eles: o quarteto 4-Tissimo, formado pelo russo Dimitri Illarionov, as ucranianas Nadja Kossinskaja e Shelyazhenko Oksana e a bileorrussa Yuliya Lonskaya; não só desafiaram a si mesmos, como o fizeram em grande estilo. Executam esse ícone do chorinho em apenas 2 violões — isto mesmo, são 8 mãos tocando 2 violões.

Como bônus, apresento duas versões opostas e sensacionais. A primeira é do grupo americano The RedSkunk Jipzee Swing Band, que toca uma mescla da música americana de raiz e o jazz europeu nos anos 1930.

E a segunda, Daniel Barenboim e a Filarmônica de Berlim. Show!

 

Cara de um, focinho do outro

Quando eu era pequeno, assisti no cinema o desenho “101 Dálmatas” e fiquei encantado. Não apenas pela magia do movimento, pela emoção da história e pela crueldade da vilã, Cruella Cruel, que desejava sacrificar todos aqueles filhotinhos de dálmata para fazer um casaco de pele.

Mas também por uma sequência marcante logo no início do filme, quando Pongo procura uma garota para seu dono, e fica na janela do seu apartamento em Londres avaliando as possíveis candidatas (eu me lembro de pensar também: “Todo mundo em Londres anda de olhos fechados!” Ah ah ah ah!):

Desde então, fico avaliando na rua ou no parque se o dono está com a cara do cachorro e vive-versa. Muitas vezes, é muito igual, e aí tenho que virar o rosto e soltar uma gargalhada. Se a pessoa me visse rindo, primeiro não iria entender o motivo, e depois poderia parecer grosseria… Mas não é, juro: é que na hora me vem a sequência do desenho animado.

O interessante é que isso não foi apenas uma sacada dos roteiristas do filme, e nem é uma alucinação minha. Um estudo desenvolvido pelos psicólogos americanos Michael M. Roy e Nicholas J. S. Christenfeld, da Universidade da Califórnia em San Diego, mostrou que, muitas vezes, o que atrai um dono é a semelhança com o cachorro! Interessados em saber se realmente as pessoas partilham traços físicos ou psicológicos com seus bichos, eles fotografaram, em um parque público, 45 donos e seus respectivos cães – 25 de raça e 20 vira-latas. Depois, mostraram a voluntários que não tinham acompanhado a pesquisa as fotos dos proprietários, de seu animal e a de outro cão. Em 16 dos 25 casos apresentados de cães de raça, os observadores escolheram o par correto. Algo parecido com as fotos abaixo (não foram exatamente esses, mas a ideia era essa):

       

Roy e Christenfeld constataram que, de forma mais ou menos consciente, as pessoas tendem a preferir um cachorro que se assemelha a elas, ao menos no caso de animais que possuem características bem definidas e previsíveis. As possibilidades de semelhança com o vira-lata são mais imprecisas, já que no caso dos animais sem raça definida, é mais difícil antecipar o aspecto futuro do filhote. Nesse caso, talvez fosse necessário levar em conta também a convivência e a relação, mas isso exigiria uma pesquisa mais aprofundada.

O que se sabe é que, de fato, a cara de um é  o focinho do outro. Veja as fotos abaixo, de celebridades caninas, e veja se alguns humanos não se parecem mesmo com elas?

 

 

Fontes:
Disney
http://www2.uol.com.br/vivermente

Aprenda uma coisa nova todo dia

Existia uma seção da revista “Seleções”, eu acho, que era do tipo “Você Sabia?”, que sempre lia em primeiro quando meu pai trazia a mais recente edição para casa. E, nos jornais, também existia uma seção dessas, tipo “Acredite se Quiser”.

Eram curiosidades sobre as coisas deste mundo (e de fora dele), e foi lá que aprendi, por exemplo, que a temperatura de Marte – nos dias mais quentes – pode chegar a 17º C positivos, e que os jivaros encolhiam a cabeça dos inimigos. Hoje em dia existem sites que trazem esse tipo de curiosidades, além de livros, como o inglês “Learn Something Everyday”, que traz 365 curiosidades, ou o brasileiro e excelente “Guia dos Curiosos”. Como sempre gostei disso, fiz uma rápida compilação para este post, trazendo novidades interessantes.

Divirta-se… E aprenda, como eu!

Por quê as bruxas usam vassoura?

Acredita-se que, como as mulheres eram responsáveis por cuidar da casa, fazer comida e limpar o chão, elas sempre tinham uma vassoura à mão. E quando as pessoas começaram a acusar outras de serem bruxas, as vassouras eram consideradas o disfarce perfeito para uma verdadeira feiticeira, já que todas as mulheres tinham uma! Daí a associar a bruxa voando montada numa vassoura foi um pulinho!

 

Uma pessoa pode ser congelada e depois trazida à vida?

Havia uma lenda de que o corpo de Walt Disney tinha sido congelado para que fosse ressuscitado quando a ciência alcançasse esse ponto. A criogenia acredita que se você mantiver a pessoa congelada, ela poderia ser revivida no futuro quando existir a cura para sua doença – mas como a lei não permite que se congele a pessoa viva, então a pessoa tem que ter morrido… Quer dizer, como ressuscitar a pessoa? As empresas que fazem a criogenia alegam que o coração parar de bater não significa que a pessoa está completamente morta, porque algumas funções cerebrais persistem e então são congeladas nesse momento -em tese, ela pode ser revivida ao “descongelar” essas funções.

Isso funciona? Até hoje, ninguém foi “descongelado” com sucesso, porque se esse processo não for feito na temperatura e velocidade corretas, as células podem formar cristais de gelo e despedaçar. Mas o avanço da ciência pode possibilitar que a nanotecnologia repare não só as células danificadas, mas até mesmo a causa das doenças. A previsão é que o primeiro revival criogênico ocorra em 2045.

Qual o idioma mais difícil de se aprender?

Não há uma resposta simples, porque o processo de aprendizado é diferente de pessoa para pessoa. Embora nenhum idioma seja fácil de aprender, aqueles que são mais parecidos com a sua linguagem nativa são menos complicados nesse aspecto. E aprender uma língua cuja pronúncia e escrita sejam totalmente diferentes pode ser um grande desafio.

É evidente que as línguas orientais podem ser as mais difíceis para os ocidentais, e vice-versa. Mas, como foi dito antes, isso varia de pessoa para pessoa, da complexidade do idioma, de quanto tempo você dedica aos estudos, de sua motivação… Na média geral, as línguas mais “fáceis” de aprender para quem fala nosso idioma seriam o espanhol, italiano, inglês e francês. As de dificuldade média seriam o  o russo, o alemão e o polonês. E as mais “difíceis”, o árabe, japonês, coreano e mandarim.

 

O dia em que Walt Disney se encontrou com Salvador Dalí

Um belo dia, eclode a Segunda Guerra Mundial e, em 1942, Salvador Dali se muda para os Estados Unidos com a esposa Gala, onde ficou até 1948. Ele voltou para a Espanha no ano seguinte, vivendo na Catalunha até sua morte.

Nesse meio tempo, Walt Disney estava preocupado. A Segunda Guerra Mundial estava arrasando a Europa e, junto com ela,  os cofres de seu estúdio. Sem o mercado europeu para seus filmes, e com praticamente toda a economia de seu país voltada para o esforço de guerra, restara-lhe pouco mais a fazer do que os desenhos- animados destinados ao treinamento dos militares ou como propaganda, tudo sob encomenda do governo ou das Forças Armadas. Outra fonte de preocupação para Walt eram os críticos, porque muitos deles diziam que seus filmes sempre sacrificavam o genuíno talento artístico em prol de produções mais comerciais. Segundo eles, Walt favorecia a animação tradicional em prejuízo da inovação e da experimentação.

O lançamento de “Fantasia” em 1940 foi o primeiro passo no sentido de silenciá-los,  e Walt buscava desde então um cala-boca definitivo. Era por esse motivo que o criador do Mickey e do pato Donald ficava atento aos pintores e aos artistas de mais renome. “Assim como aconteceu na sequência do Monte Calvo em ‘Fantasia’, que foi criada por Kay Nielson”, disse Walt numa entrevista da época,  “eu quero dar mais oportunidades aos grandes artistas. Nós precisamos deles, nós temos que estar sempre abrindo novos caminhos”. E foi numa festa na mansão do big-boss da Warner Bros, Jack Warner, que Walt Disney encontrou Salvador Dali

Walt Disney and Salvador Dalí met during an Alfred Hitchcock's filming. Image: 3cat/24.cat

Os bigodes se conhecem pessoalmente.

Era uma festa típica de Hollywood, com a presença de todas as grandes estrelas dos anos 1930 e 1940. E, por mais inusitado que pareça, foi esse o palco em que dois dos maiores visionários da História das artes se conheceram. E desse encontro, saiu um projeto que levou 57 anos para ser completado.

Na ocasião, 1944, Dali estava elaborando uma sequência para o filme “Quando fala o coração” (Spellbound), de Alfred Hitchcock, e que foi lançado um ano mais tarde. Esse foi o primeiro filme hollywoodiano a tratar da psicanálise e trazia no elenco Ingrid Bergman e Gregory Peck. A sequência que Dali criou para o filme foi a cena dos sonhos, cheia de imagens psicoanalíticas.

Salvador Dali já era muito conhecido em todo o mundo como o mais influente artista surrealista do século, e Disney o convenceu a trabalhar no projeto de um curta-metragem chamado “Destino”, que seria incluído numa antologia de curtas na linha de “Música, Maestro”. Esta antologia era composta por dez curtas e marcava a situação dos Estúdios Disney na época, sem recursos para produzir um novo longa de animação, mas tendo que lançar novas produções com regularidade.

O segmento mais conhecido da coletânea “Música, Maestro”, Pedro e o Lobo.

“Destino”, segundo o próprio Walt, “era uma simples história de amor, na qual um rapaz conhece uma moça”. Com o mesmo título de uma canção folclórica mexicana, o desenho planejado seguiria o ritmo da música num cenário de sonhos, sendo a expressão poética dos arroubos causados pelo amor. Dali trabalhou entre 1945 e 1946, produzindo vinte e duas telas e 135 esboços de cenas de animação para o projeto, que resultaram em dezessete segundos de filme.

Dali trabalhando nos Estúdios Disney, em Burbank, Califórnia, EUA.

Abaixo, algumas das telas e esboços produzidos por Dali:

O desenho animado tinha como ponto central a importância do tempo em nossa espera pela ação do destino. E as ilustrações de Dali eram típicas, com objetos se transformando em outros, as imagens duplas… O mais incrível era ver o elitismo de Dali se combinando com a linguagem de massa de Disney.

Dali trabalhou como funcionário dos Estúdios durante oito meses, chegando todos os dias pontualmente às oito e meia da manhã e trabalhando direto até as cinco da tarde.  Disney diria mais tarde que ele “borbulhava com ideias”. Mas, infelizmente, o projeto foi abandonado em 1947 quando os recursos próprios acabaram e os estúdios não conseguiram financiamento. Disney também ficou com medo de que o público não aceitasse “Destino” se fosse lançado sozinho, por ser surreal demais, aumentando ainda mais o rombo do caixa. E assim, “Destino” ficou esquecido nos arquivos dos Estúdios durante quase seis décadas.

Felizmente, o sobrinho de Disney, Roy, se animou em finalizar o curta-metragem (que só tinha dezessete segundos) em 1999, utilizando as novas tecnologias disponíveis para emular a qualidade plástica das imagens multidimensionais de Dali. Uma equipe de 25 animadores trabalhou para decifrar os storyboards desenhados por Dali e realizar o projeto. E assim, 57 anos depois, a ideia concebida por Dali e Disney finalmente nasceu. “Destino” é a perfeita combinação da imaginação desses dois gênios:

A sequência original de 17 segundos é a das tartarugas. O filme conta a história de Cronos e a incapacidade dele de concretizar seu amor por uma mortal.  E enquanto Disney descreveu o filme como uma simples história de amor, Dali o descreveu como sendo “a visualização mágica da vida no labirinto do tempo”.

Mesmo com o fiasco do empreendimento, a amizade entre os dois sobreviveu. A filha de Walt, Diane, relembra como os dois continuaram a se visitar ao longo dos anos, e como Dali adorava andar no trem que seu pai mantinha em casa: ” Mesmo em pleno verão, ele estava vestido com um sobretudo preto, de gravata. Ele se sentava num dos pequenos vagões, com  sua bengala na posição vertical na frente dele. “

Aqui, Walt faz uma visita a Dali na Espanha.

Dali, Walt e as duas esposas, Gala e Lilian Disney.

Dali avaliando um dos primeiros trens que Walt montou no terreno de sua casa. Disney era fissurado por trens desde a infância.

Ideia do post sugerida por Ione Fabiano.