Primeira ligação com vídeo faz 50 anos

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Embora as videochamadas tenham se popularizado com o Skype e outros aplicativos similares, o conceito da tecnologia surgiu há muito mais tempo. A primeira ligação com vídeo completou mais de 50 anos: ela foi demonstrada em uma feira tecnológica nos Estados Unidos em um aparelho chamado Picturephone.

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A demonstração do funcionamento do Picturephone, aparelho que permitia ligar para um número fixo e mostrava a imagem do interlocutor, ocorreu em 20 de abril de 1964

A World’s Fair (Feira Mundial), realizada em Nova York em 1964 , trouxe como um dos destaques o Picturephone, fabricado pelo laboratório Bell da AT&T. Para usá-lo, o visitante tinha de entrar em uma cabine e discar para o número de telefone fixo. Depois de a ligação ser completada, a pessoa apertava um botão indicado com um “V” para ativar o vídeo. Uma câmera pequena capturava a imagem da pessoa, que era mostrada em outro Picturephone à pessoa do outro lado da linha.

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A videochamada, no entanto, estava longe de ser perfeita. A imagem mostrada era em preto e branco em uma tela pequena (16 x 21 polegadas) e gerada em 30 quadros por segundo. A pessoa tinha de ficar praticamente imóvel diante do Picturephone, caso contrário a imagem não aparecia do outro lado da telinha.

Apesar de avançada e muito curiosa para a época, a tecnologia não era barata nem prática. Quem fizesse uma chamada de 15 minutos teria de desembolsar US$ 15 – o equivalente a US$ 640 (R$ 1.950,00) em valores corrigidos de hoje.  Em 1969, a AT&T começou a vender um modelo de Picturephone para empresas, com leves melhorias no aparelho. Mas, em meados de 1971, a companhia telefônica encerrou as vendas e a oferta do serviço.

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De todo modo, foi um enorme avanço, porque até então, as videochamadas estavam restritas aos desenhos animados ou à ficção-científica…

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Aliás, a Feira Mundial de Nova York de 1964 tinha de fato esse objetivo, apresentar as grandes inovações futuristas e propostas e invenções que, segundo seus idealizadores, modificariam o mundo e o deixariam melhor. Uma dessas invenções era justamente o Picturephone.

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No centro da Feira Mundial de Nova Iorque em 1964 ficava o ícone da exibição: A Uniesfera. Construída pela US Stell, esta edificação era o triunfo da engenharia americana. Ninguém tinha conseguido criar uma representação da Terra em tal escala antes. Assim como a Torre Eiffel na Exposição de Paris em 1889, a Uniesfera tornou-se instantaneamente o símbolo reconhecível da Feira Mundial de 1964. Ela ainda está lá, no Queens, no parque que foi construído para a exibição.

Esse Picturephone foi inclusive instalado na Disneyland, e ligava o parque ao único hotel da Disney que existia na época. Falando em Disney, é claro que Walt, sempre olhando para o futuro, não deixaria de participar dessa exposição.

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Ainda antes da abertura da Feira, Disney e seus criativos foram convidados a desenvolver atrações para o evento. E três grandes empresas decidiram patrocinar essas atrações, a Ford, a General Electric e a Pepsi. Essas três atrações, depois do final da exibição,  poderiam ser reconstruídas na Disneyland.

A Ford oferecia uma viagem de volta no tempo para as origens da Terra, intitulada “Magic Skyway”. A bordo de conversíveis guiados em um trilho, os visitantes podiam ver os primeiros animais na Terra, os dinossauros, na forma de robôs animados, e os primeiros seres humanos e as primeiras invenções humanas. A sequência de dinossauros – chamada Primeval World – é a que foi depois levada para o parque na Califórnia.

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A General Electric, por sua vez, propôs uma viagem ao futuro, através do “Progressland”, um pavilhão onde ela mostrava como a eletricidade mudara o mundo. Uma das atrações desse pavilhão era o “Carousel of Progress”, reconstruído na Disneyland após o final da Feira: em um palco circular giratório, veríamos como a família vivia no passado e a evolução dessa família até o futuro, onde iríamos passar as férias na Lua, como seriam nossas cidades subaquáticas, as fazendas do futuro… As rodovias onde nossos carros andariam sozinhos… Tudo isso com bonecos audioanimatrônicos, robôs que usavam a mais avançada tecnologia da época.

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010-COP-1-NY walt-disney-carousel-of-progress-0074e8468e3ea1ed02b87013069c189661Finalmente, a Pepsi se uniu à UNICEF e patrocinou a atração “It’s a Small World”, convidando os visitantes a viajar por todas as nações do mundo em pequenos barcos, sendo recebidos por bonecos audioanimatrônicos que representavam todas as nacionalidades e cantando um hino à fraternidade universal. A atração praticamente não sofreu mudanças quando foi levada à Disneyland, depois da Feira Mundial.

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Mas esses três pavilhões não foram as únicas atrações que Walt Disney levou à Feira Mundial. Ele tinha mais uma, no pavilhão do Estado de Illinois, e que era um sonho que vinha acalentando e desenvolvendo por onze anos: o projeto Lincoln.

Era o presidente americano Abraham Lincoln que levantava-se da cadeira, discursava, agradecia aos aplausos e voltava a sentar-se, em um total de 48 movimentos corporais e 15 movimentos faciais diferentes.

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No dia da estreia da atração na Feira, um acidente provocou uma pane no sistema e deixou Walt desesperado. Ao sentar-se, a figura voltou a levantar-se e não parou mais de repetir esses movimentos. Impressionado, o público aplaudia sem parar, julgando que Lincoln agradecia aos aplausos. Sem perceber o problema, a plateia delirou!

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Claro que as atrações criadas por Disney foram as grandes sensações da Feira Mundial, provocando filas enormes de visitantes ansiosos por conhecê-las. Para Walt, os resultados da Feira foram altamente positivos. Além de trazer novas atrações para a Disneyland, conseguiu o que era impossível até então: trabalhar suas ideias junto às grandes empresas norte-americanas.

Um fato curioso ocorreu no final da exposição, porém, com o boneco de Lincoln. Ao contrário das outras três atrações, ele não foi levado à Califórnia. Quando o pavilhão de Illinois foi demolido, os artefatos mais valiosos foram devolvidos ao Estado, e o boneco se perdeu. Quando decidiram remontar a atração na Disneyland, tiveram que construir outro boneco.

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Durante muitos anos, tudo o que restou da versão original foram as lembranças de quem assistiu o espetáculo em Nova York, as fotos e as gravações de áudio ou vídeo.

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Escultor da Disney dando os últimos retoques no boneco original, de 1964.

Porém, descobriu-se finalmente que a figura original de Lincoln havia sido colocada numa caixa, enviada de volta à Califórnia e ficado misteriosamente esquecida nos armazéns da Disney durante décadas. Essa figura, apenas com a cabeça, mãos e sua estrutura original, hoje uma relíquia, está bem guardada na Disneyland…

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Curiosidades sobre os filmes da Disney…

Há alguns fatos curiosos por trás das animações da Disney que são divertidos e surpreendentes.

1. O rosto de Aladim foi baseado em Tom Cruise.

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2. “Can You Feel the Love Tonight” foi quase cortada na versão final de O Rei Leão (1994). Quando Elton John soube disso, disse aos produtores que eles DEVIAM colocá-la de volta… Para quem não se lembra:

3. Ao contrário do que se pensa, Tinker Bell não foi inspirada por Marilyn Monroe e sim na modelo Margaret Kerry, que serviu de referência.

4. John Lennon recusou o convite do estúdio Disney para que os Beatles fizessem as vozes da banda que aparece em Mogli, o menino-lobo (1967). A banda tinha sido inspirada no quarteto de Liverpool, e mesmo com a recusa de Lennon, Walt Disney decidiu manter os personagens mesmo assim. Aliás, Mogli foi o último filme que ele supervisionou, e foi lançado dez meses após a morte de Disney, em 1966.

5. O pênis na capa original do lançamento em VHS de A Pequena Sereia (1989) foi puramente acidental. De acordo com o artista que a desenhou, ele estava com pressa para terminá-la e não estava nem com raiva dos chefes e nem prestes a ser demitido – como se especulou na época.

6. O mago Yen Sid, para quem Mickey vai trabalhar no segmento “O Aprendiz de Feiticeiro” de Fantasia (1940), tem o nome Disney soletrado de trás para frente.

7. Walt Disney recebeu um Oscar honorário por Branca de Neve e os Sete Anões (1937), e mais sete estatuetas em miniatura.

8. Ursula, a vilã de A Pequena Sereia, foi inspirada na vilã Madame Medusa de Bernardo e Bianca (1977) e na drag-queen Divine.

From L-R: Madame Medusa, Ursula, Divine (Photo: Everett/Getty)

9. Não se ouvem rugidos de leões em O Rei Leão.  Os produtores acharam que eram muito baixos, então usaram os rugidos de tigres!

10. Esta é boa: o nome do tubarão vegetariano em Procurando Nemo (2003) é Bruce, e foi batizado assim em homenagem ao tubarão mecânico usado no filme de Steven Spielberg Tubarão (1975). O Bruce de Spielberg recebeu esse nome em “homenagem” ao antigo advogado do diretor… Ah, ah, ah!

11. O príncipe de “A Bela Adormecida” foi o primeiro a receber um nome, Felipe, em homenagem ao Duque de Edinburgo, marido da rainha Elizabeth e pai do príncipe Charles.

12. Para gravar um minuto de “O Estranho Mundo de Jack”, o filme em stop-motion dirigido por Tim Burton, era necessário uma semana!

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13. Walt Disney tinha a ideia de uma sequência para “Branca de Neve”, um curta-metragem chamado “Snow White Returns”, que nunca foi desenvolvido. Restaram apenas algumas cenas esboçadas e mais nada…

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14. A atriz Eleanor Aubrey foi quem deu o rosto e as expressões para duas das maiores vilãs da Disney: Lady Tremaine de “Cinderela” e Maléfica de “A Bela Adormecida”.

15. Quando criança, Walt Disney interpretou “Peter Pan” em uma peça teatral na escola.

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BÔNUS

O Disney World de Orlando, na Flórida, é muito mais do que… O Magic Kingdom, cujo símbolo é o castelo da Cinderela. Ele ainda inclui o Epcot, o Animal Kingdom, o Disney MGM e mais um monte de coisas… Ah, e é do tamanho da cidade de San Francisco…

As invenções mais idiotas do mundo…

Todo mundo conhece o Prof. Pardal… E quem não o conhece, deveria conhecer. Ele é o inventor mais maluco dos quadrinhos de Walt Disney, e sempre está colocando a cuca para funcionar, criando inventos absurdos. Muitos deles inúteis, e muitos que até funcionam!

Pois bem, nosso planeta está povoado de centenas de milhares de “Prof. Pardais”, espalhados por todos os cantos e por todas as épocas. Sabemos que muitas invenções interessantes não saíram das pranchetas desses inventores por falta de tecnologia na época em que foram criadas, ou por falta de financiamento. Mas existem algumas delas que devemos agradecer aos céus por nunca terem sido construídas. Duvida?

Veja o caso desta: um dispositivo inventado para fumar um maço inteiro de cigarros ao mesmo tempo!

 As invenções mais idiotas do século XX

Outra de fumantes: o casal apaixonado poderia desfrutar do cigarro juntos, não é romântico?

 As invenções mais idiotas do século XX

Em 1963, a televisão já conseguia fascinar milhões de pessoas, então foi inventado um óculos-TV, assim você não perdia seu programa favorito se tivesse que sair de casa…

 As invenções mais idiotas do século XX

Eu acho que a caneca-privada se encaixa na categoria de inventos idiotas. Seria para o sujeito que tem mau hálito?

Se você dorme de lado e fica chateado com o desperdício de todo aquele colchão, seus problemas acabaram:

Outra solução para um problema recorrente, molhar os cabelos na hora do banho. Esta nova touca resolve isso pra você.

Há também o cigarro com dois filtros, para aqueles que querem fumar mas se preocupam com seu pulmão…

E, para encerrar, um vídeo com uma coleção enorme de ideias, algumas divertidas e outras absurdas, que só mesmo os japoneses teriam…

Fontes: 
© obvious: http://obviousmag.org/
http://hypescience.com/

A Walt Disney Company já fez 90 anos!

Em outubro de 1923 foi fundada aquela empresa que se tornou o maior ícone do planeta em termos de diversão para toda a família. E continua sendo um ícone, quase 50 anos depois da morte do fundador, Walt Disney. Hoje, quando se fala em Disney, imediatamente as pessoas se lembram dos parques, dos quadrinhos, dos desenhos animados, dos filmes, dos brinquedos… Mas Disney é muito mais:

Como se viu acima, três marcas muito conhecidas no universo do entretenimento também fazem parte do conglomerado: a Pixar de “Carros” e “Toy Story”, a Marvel do Homem de Ferro, Homem Aranha e Thor, e a Lucasfilm de “Star Wars”, do vilão Darth Vader, de Luke Skywalker e dos simpáticos robozinhos. Essas três marcas se somam ao Pato Donald, Pateta, Capitão Jack Sparrow e as princesas de “Frozen”, oferecendo mais um mundo de quadrinhos, filmes, desenhos animados e brinquedos para nosso deleite e com a inegável qualidade Disney.

Mas a gente quase se esquece de que tudo começou lá atrás, com um ratinho…

Os primeiros desenhos do Mickey.

Acho que mais do ficar escrevendo, a melhor homenagem que se pode fazer aos incontáveis talentos que trabalharam e trabalham na empresa é mostrar um pouco do que foi feito ao longo desse quase centenário. Tenho certeza de que todo mundo vai se lembrar de uma coisa ou de outra, sem contar que, se fosse mostrar tudo o que Disney fez, precisaríamos de centenas e centenas de posts…

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Já foi lançado o “Almanaque do Zé Carioca” com roteiros meus e desenhos do Canini

Segue abaixo a capa da edição do Zé Carioca com 11 histórias escritas por mim e desenhadas pelo artista brasileiro que melhor representou o gingado do Zé Carioca, Renato Canini. Embora tenhamos nos encontrado poucas vezes (ele morava em Porto Alegre e eu, em São Paulo), nossa parceria foi muito divertida, porque ele captava imediatamente o que eu pretendia dizer e muitas vezes, modificava e melhorava a sequência que eu tinha pensado.

Relendo as histórias aqui selecionadas, percebo com clareza o quanto essa parceria foi rica e produtiva.

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A edição foi mencionada em alguns blogs, como o Blog do Xandro ( http://blogdoxandro.blogspot.com.br/2014/09/hqsgibis-disney-noticias-novidades-nos.html), o Blog dos Esquilos (http://blogdosesquilos.blogspot.com.br/) e no Submundo, do  Leo (http://submundo-hq.blogspot.com.br/2014/10/almanaque-do-ze-carioca-n-22-traz-11.html do Leo), de onde transcrevo parte do que foi publicado:

O “Almanaque do Zé Carioca” Nº 22 (capa acima) já está nas bancas… E apresenta uma seleção temática de histórias escritas por Júlio de Andrade e desenhadas por Renato Canini (que redefiniu o papagaio nos anos 70). Nesta matéria exclusiva do “Submundo”, vocês verão em 1º mão a seleção completa das 11 histórias que compõem esta edição (já adianto que é um material que eu incluiria no meu “TOP 100 de melhores HQs” de todos os tempos)!!!
Confiram abaixo algumas imagens desta fase clássica e consagrada do “Zé Carioca”:
Renato Canini (falecido há 1 ano) foi o artista que melhor retratou o “Zé Carioca” durante a década de 70…. Estabelecendo pro papagaio um visual mais próximo da realidade brasileira (com camiseta rasgada, morando num barraco, fugindo dos cobradores, e vivendo de pequenos golpes). Pelo realismo do universo criado pro personagem e pela diversão despretensiosa das histórias, este material (toda a fase Canini) faz parte da minha lista (pessoal) das 100 melhores HQs de todos os tempos. Mas esta edição temática também inclui o (excelente) roteirista Júlio de Andrade: Numa seleção de 11 histórias dessa parceria:
 
“Um Truque Cinematográfico”, “O Carro Saiu Barato”, “Churrasco Bom Pra Cachorro”, “No Samba Safári”, “O Grande Prêmio de Vila Xurupita”, “O Cobrador”, “O Dia Era da Barraca”, “O Piquenique”, “Mais Vale um Papagaio na Mão”, “Você Comprou Seu Chop-Chop?”, e “O Papagaio e o Papagaio”. Todas produzidas em meados dos anos 70!!!
 
A edição custa apenas R$ 5,50 (com 84 pág)…. E acima estão algumas imagens das histórias tiradas de antigas edições da época em que foram lançadas pela 1º vez na revista mensal do “Zé Carioca” e em republicações de “Disney Especial”. Na minha opinião, vale a pena acompanhar todo o material dessa fase  – que também aparece regularmente republicado em especiais tipo: “Disney BIG”!!!
 

Falo um pouco mais dessa edição aqui e do Zé Carioca em outro post, aqui.

Modéstia à parte, ontem eu li a revista e dei boas risadas com o besteirol que a gente criava. Valeu a pena, pra desopilar o fígado!

Zé Carioca e Júlio de Andrade Filho… Que samba vai dar?

Renato Canini, um dos mais importantes artistas Disney no Brasil, decisivo na trajetória do Zé Carioca, sempre trabalhou ao lado de excelentes roteiristas. Um bom exemplo é a parceria de muitos anos que o desenhista manteve com Júlio De Andrade Filho. Pois bem, o ALMANAQUE DO ZÉ CARIOCA 22, que chega às bancas em 20 de outubro, trará somente HQs da dupla Canini e Júlio De Andrade, celebrando a genialidade destes dois mestres Disney.

A imagem e o texto acima estão sendo divulgados nas redes sociais, avisando dessa edição especial a ser lançada no dia 20 de outubro, e que contém histórias que eu escrevi com o Zé Carioca e que foram desenhadas pelo melhor desenhista de todos, Renato Canini, já falecido.

Comecei a escrever roteiros de histórias em quadrinhos Disney para a Editora Abril no começo de 1972, como roteirista free-lancer. Dois anos depois, fui contratado como redator-trainée e passei por inúmeras funções dentro da empresa, até chegar a ser diretor editorial. Mas minha grande paixão sempre foram os quadrinhos, especialmente os de Walt Disney. E essa paixão está sendo homenageada agora com essa edição especial.

Meu personagem favorito para trabalhar sempre foi o Peninha, como postei aqui. Mas escrevi roteiros com praticamente todos os mais importantes, como Tio Patinhas, Donald, Pateta, Madame Min, Zorro e diversos outros. Depois do Peninha, porém, aquele com quem eu mais me divertia era mesmo o Zé Carioca, para quem criei mais de 60 histórias.

Você pode escrever os roteiros de duas formas: como script – igual ao que se usa no cinema ou na TV – descrevendo as cenas e com as falas de cada personagem:

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Ou, se não tiver paciência para escrever tudo isso, fazendo um rough (pronuncia-se rafe)- um rascunho – colocando os balões e desenhando as cenas para o desenhista – muito semelhante ao story-board do cinema:

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Eu sempre preferi fazer os roughs e, curiosamente, a primeira história Disney que escrevi não foi com nenhum dos personagens preferidos, mas com o Mickey e seu arquirrival Mancha Negra. Ela foi escrita entre 1972 e 1973, mas só foi publicada em 1977, porque era uma aventura com muitas páginas e os editores tiveram que esperar aparecer um espaço nas revistas para publicá-la. A espera valeu a pena, porque foi a história de capa da edição da revista Mickey, em março daquele ano.

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Foi “As Asas de Ícaro” que iniciou a minha carreira nos quadrinhos – e na Editora Abril – mesmo tendo sido publicada muitos anos depois de sua criação.

Como o tema do post é a edição especial do Zé Carioca, a primeira história que tive publicada na Editora Abril foi justamente… do Zé Carioca, e desenhada pelo Renato Canini. Ela saiu na revista Zé Carioca, no. 1.053, de 1972:

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Foi uma longa jornada, mas muito divertida, que compartilhei com talentosos artistas e jornalistas. Meu agradecimento a todos!

 

Um dia com Mr. Disney

Em 1943, os Estúdios Disney estavam engajados no esforço de guerra, tendo alistados pelo governo americano.  As coisas estavam pretas do ponto de vista financeiro. Os mercados europeus haviam secado, os lançamentos domésticos (Bambi e O Dragão Relutante) estavam com baixo desempenho nas bilheterias, e as coisas pareciam sombrias e sem grandes perspectivas de melhora. A guerra na Europa se intensificava e, na Ásia, o caldeirão estava fervendo.

Mas depois de Pearl Harbor, o governo federal montou uma operação de salvamento dos Estúdios e encomendou filmes de treinamento para as Forças Armadas e para a população em geral. Logo, os animadores passaram a produzir centenas de desenhos-animados. Muitos de treinamento para os militares, e outros de educação para a população, seja explicando a importância do racionamento, seja o que fazer para ajudar os soldados no front.

A historinha abaixo reproduzida, com desenhos de Roy Williams e textos de Ralph Parker, foi publicada em um boletim interno que Disney produzia para os funcionários e retrata um dia típico desse período, com as sucessivas idas e vindas no humor do patrão.

Se você clicar na imagem, ela vai aparecer em formato maior e ficará mais legível.

Abaixo dela, traduzo os textos, da esquerda para a direita na primeira coluna e assim sucessivamente:

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1. Walt, ao chegar ao estúdio, é recepcionado por um comitê de boas-vindas que lhe traz notícias…

2. O exército e a marinha se juntam a ele na sala de reuniões.

3. Joe Grant apresenta uma ideia a Walt e tenta hipnotizá-lo com seu olhar magnético, enquanto Dick Huemer reza esperançosamente.

4. Walt pondera sobre os valores filosóficos em um roteiro.

5.  E almoça com tranquilidade, conversando com três mesas ao mesmo tempo…

6.  Depois, aprecia calmamente um cigarro enquanto sua mente trabalha.   “Falta de mão-de-obra”  “Falta de película”   “Falta de papel”   “Falta de borracha”

7. Responde as cartas dos fãs.

8. Dubla o Mickey, uma tarefa que sempre foi sua exclusividade.

9. Dá uma volta pelo estúdio, onde é abordado por poucas pessoas com dúvidas a sanar.

10. Ouve a turma “vendendo” algumas gags para o filme “Victory Through Air Power”.

11. Ouve cuidadosamente as calmas considerações do Donald sobre seu dia de trabalho…

12. E pega uma carona pra voltar para casa.

 

Essa historinha ilustra com precisão as agruras e a genialidade de Disney, sem deixar de lado as críticas sutis à sua personalidade.

Uma observação: a produção “Victory Through Air Power” , de 1943, usando  uma combinação de animação humorística e falando sobre o desenvolvimento da guerra aérea,  trata de algumas ideias que podem levar os aliados a vencer a Segunda Guerra Mundial usando bombardeios a longa distância.

Quando tiver tempo para assistir, coloquei o filme completo logo abaixo:

Acho muito interessante conhecer as diversas fases pelas quais Walt Disney e seus artistas passaram ao longo de sua história.