A vida dos moradores de micro apartamentos em Hong Kong

Quarto, banheiro, cozinha e sala: tudo em um mesmo lugar. Essa é a realidade de milhares de pessoas que vivem em Hong Kong, uma das cidades mais ricas do mundo, mas que esconde sua pobreza em apartamentos minúsculos.

De acordo com o jornal britânico The Daily Mail, os que vivem nessas condições são idosos, desempregados, famílias com baixa renda e solteiros. E como se não bastasse a escassez de espaço – um dos apartamentos mostrados abaixo mede pouco mais de 2,5 metros quadrados  – os alugueis pagos por esses moradores ainda são caros e o metro quadrado pode chegar a custar 90 dólares de Hong Kong (cerca de 25 reais) por mês…

Com uma área de apenas 1,104 quilômetros quadrados, a região administrativa da China tem uma população de 7 milhões de habitantes, fazendo de Hong Kong uma das regiões mais densamente povoadas do mundo – o que explica a falta de espaço e boas condições de vida para quem mora por lá.

As imagens que você confere abaixo foram capturadas em uma tentativa de alertar o governo para um problema que cresce diariamente. As fotos foram feitas nos distritos de Sham Shui Po, Yau Tsim Mong e Kowloon City, mas pessoas vivendo em situações semelhantes podem ser encontradas em todas as 18 regiões da cidade.

“Hong Kong é considerada uma das cidades mais ricas do mundo. No entanto, escondida sob essa prosperidade, está uma grande desigualdade de posses e um grupo esquecido de pessoas pobres. Centenas de milhares ainda vivem aprisionados em casas ou em cubículos, enquanto as famílias desempregadas recém-chegadas da China e as crianças pobres lutam para sobreviver. Pessoas desprivilegiados aumentam enquanto a riqueza da cidade continua a crescer”, comenta Ho Hei Wah, diretor de uma organização que luta para melhorar a condição desses moradores.

A cidade passou por um período de boom econômico sem precedentes durante a década de 1970, mas, ao mesmo tempo, o então governo colonial ficou tomado pela corrupção desenfreada.
O Sr. Ho diz que a pobreza se instalou de vez e a população menos privilegiada cresceu enormemente. Hoje, 40 anos depois da reunificação com a China, os problemas apenas se agravaram.

Desde os primeiros dias, ainda como uma colônia britânica – após a Primeira Guerra do Ópio de 1839-42 – Hong Kong serviu como um importante centro de comércio internacional. Durante o século XX, a população foi reforçada por um grande número de refugiados, principalmente da China, que ajudaram a criar um novo papel para a região, transformando a colônia em um centro de manufatura e os produtos “Made in Hong Kong” foram exportados para todo o mundo.

Nos últimos anos, à medida que a economia da China continental se tornou menos isolacionista, Hong Kong evoluiu mais uma vez, agora para uma economia baseada em serviços. Na década de 1980, tornou-se um centro financeiro internacional e se juntou às 10 maiores economias do mundo.

Foi essa mudança, de uma indústria de manufatura para a indústria baseada no conhecimento, que tem sido a principal força motriz para a disparidade de riqueza da área.

Em 2007, um censo do governo de Hong Kong mostrou que o número de famílias que ganhavam menos de HK $ 4.000 por mês (R$ 1.500,00) aumentou em 80.000, enquanto aqueles com mais de HK $ 40.000 (R$ 15.000,00) aumentaram em 100.000.

 

Ou seja, o fosso vem crescendo…

 

 

 

 

Fontes:

revista k7

megacurioso

Daily Mail

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Pinguim vem sozinho ao Brasil todo ano para ver homem que salvou sua vida

Em uma ilha brasileira, um viajante dos mares parece ter encontrado sua “alma gêmea”. Aparentemente, é esta a ligação entre este pinguim de Magalhães e o aposentado João Pereira de Souza. Afinal, por quê um pinguim nativo da Patagônia viajaria cerca de três mil quilômetros de distância para sempre acabar em um quintal na Ilha Grande, no Rio de Janeiro?

Há quatro anos, João Pereira de Souza tem compartilhado sua dedicação e algumas sardinhas para agradar a ave marinha. Por todos estes cuidados, o pinguim Dindim passa cerca de oito meses ao lado do amigo e apenas durante quatro meses ele viaja de volta para sua terra natal, na Argentina.

Algumas vezes, o bichinho desaparece no mar por dias, às vezes por meses, mas sempre retorna. Durante as visitas, os dois fazem longas caminhadas na praia, nadam juntos e até mesmo surfam. Normalmente, nas viagens mais longas, ele parte em fevereiro e retorna em junho.

“Quando ele retorna, sempre parece muito feliz em me ver,” disse João, em entrevista ao The Wall Street Journal. Viúvo de 71 anos, ele recebe essas visitas anuais desde 20 de março de 2011, quando salvou a ave que estava encharcada de óleo e largada na beira da praia.

Depois do primeiro encontro ele alimentou Dindim à força, o limpou e tentou fazê-lo voltar a nadar no mar. No entanto, conta que o bichinho deu um mergulho e voltou à praia. O senhor então lhe deu mais três sardinhas e conquistou sua dedicação eterna.

Não somente o amigo ama as visitas do pinguim, os demais habitantes da ilha também adoram mimar a ave marinha. “Ele é o mascote da vila”, diz Carlos Eduardo Arantes, que vive na vila de pescadores na qual Dindim foi salvo.

A espécie de Magalhães é conhecida por migrar milhares de quilômetros entre colônias de reprodução na Patagônia e viajar para alimentar-se mais ao norte. Eles tipicamente acasalam em setembro, põem ovos e têm os filhotes entre dezembro e fevereiro.

Ameno

O projeto musical do grupo Era começou em 1996, na França. Seu criador, Eric Levi, criou um idioma próprio muito parecido com o latim. Com toques de erudito, ópera e cantos gregorianos, o Era ganhou rapidamente fama mundial e muitos fãs. Em seu primeiro álbum já havia canções como Ameno e Mother, que ganharam projeção mundial em trilha de filmes e campanhas publicitárias. Um dos últimos trabalhos do grupo Era é o álbum Reborn, onde há várias canções em árabe e a voz poderosa da cantora síria Rasha Rezq.

O que mais chama atenção na música do grupo Era diz respeito a religiosidade. Figuras medievais como guerreiros, ninfas, monges e feiticeiros também são explorados nos videos e nos shows.

A música se chama-se ‘Ameno’ (amenizar, libertar), do grupo Era.  A tradução da letra está abaixo, e vale alguns instantes de reflexão.

Dori me
Interimo adapare dori me
Ameno ameno latire
Latiremo
Dori me

Verso 2:
Ameno
Omenare imperavi ameno
Dimere dimere matiro
Matiremo
Ameno

Refrão:
Omenare imperavi emulari
Ameno
Omenare imperavi emulari

Coro:
Ameno
Ameno dore
Ameno dori me (2x)
Ameno dom
Dori me reo
Ameno dori me (2x)
Dori me am

Verso 2

Refrão

Coro

Sinta minha dor
Absorve-me, Toma-me
Sinta minha dor
Liberta-me, Liberta-me
Descubra-me , Descubra meus sinais
Sinta minha dor

Suaviza (esta dor), Conforta-me Perceba, perceba

Mutilaram-me, Machucaram-me, Liberta-me

Suaviza (esta dor), Conforta-me
Liberta-me
Suaviza (esta dor), Conforta-me

Liberta-me, Ameniza a dor

Ameniza minha dor
Ameniza minha dor

Liberta-me, Senhor
Alivia minha dor, Rei

Ameniza minha dor
Ameniza minha dor

Tira-me esta dor, Senhor

A Viagem dos Elefantes

Existe algo no Universo que é muito maior do que a compreensão dos homens…

Lawrence Anthony, uma lenda na África do Sul, autor de 3 livros, entre eles o best-seller O Encantador de Elefantes,  valentemente resgatou inúmeros animais selvagens e reabilitou elefantes por todo o planeta após serem vitimados por atrocidades humanas, e entre seus feitos está o corajoso resgate dos animais do Zoológico de Bagdá durante a invasão dos Estados Unidos em 2003.

No dia 2 de março de 2012, Lawrence Anthony faleceu. Deixou saudades e é sempre lembrado por sua esposa, dois filhos, dois netos e… Numerosos elefantes.

Isso mesmo!

Dois dias após seu falecimento, os elefantes selvagens apareceram em sua casa, na enorme reserva de Thula-Thula, guiados por duas grandes matriarcas.

Outras manadas  selvagens também apareceram em bandos para dizer adeus a seu amado amigo-homem. Um total de 31 elefantes havia caminhado pacientemente por mais de 20 quilômetros para chegar à residência sul-africana de Anthony.

Ao testemunhar esse espetáculo, os outros humanos obviamente ficaram abismados não apenas por causa da suprema inteligência e timing perfeito com que esses elefantes pressentiram o falecimento de seu amigo, mas também por conta da maneira organizada com que eles foram prestar suas últimas homenagens. Caminhando lentamente, e durante dias, marchando pelo caminho numa fila solene desde seu habitat até a casa de seu antigo protetor.

Os humanos, intrigados, se perguntavam: como os elefantes da reserva, pastando a quilômetros de distância da casa de Anthony, e em locais diferentes da reserva, poderiam saber da morte dele?

“Um homem bom morreu de repente” disse a Rabina Leila Gal Berner, “e vindo de muito, muito longe duas manadas de elefantes, sentindo que eles haviam perdido um amado amigo, vieram numa solene procissão fúnebre para visitar a família enlutada na residência do falecido.”

“Se alguma vez houve uma ocasião em que pudemos realmente sentir a maravilhosa intercomunicação de todos os seres, foi quando refletimos sobre os elefantes de Thula Thula. O coração de um homem para de bater e os corações de centenas de elefantes se entristecem.  O coração tão generoso e dedicado  desse homem ofereceu a cura a esses elefantes, e agora eles vêm prestar sua carinhosa homenagem a seu amigo.”

A esposa de Lawrence Anthony, Françoise, estava particularmente comovida, sabendo que os elefantes não tinham vindo à sua casa antes desta data por bem mais de três anos!  Como disse a rabina, os elefantes obviamente queriam apresentar suas homenagens ao amigo que havia salvado suas vidas, e tamanho era o seu respeito que ficaram por dois dias e duas noites sem comer ou beber absolutamente nada, como numa vigília.

E assim, na manhã do terceiro dia, eles partiram para a sua longa viagem de volta.

Loucos e Santos

Texto  de Marcos Lara Resende


Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.

Louco que senta e espera a chegada da lua cheia.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice.

Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão estéril.

Começa a busca por mundos habitados

POR SALVADOR NOGUEIRA

Uma descoberta épica acaba de ser feita pela missão K2, a segunda fase de operações do satélite Kepler, da NASA. Seria apenas mais um planeta potencialmente similar à Terra, como tantos que já foram anunciados nos últimos anos, não fosse por um detalhe: ele é o primeiro a ser encontrado que permitirá a busca efetiva por sinais de vida em sua atmosfera.

Concepção artística de planeta ao redor de estrela anã vermelha, como o recém-descoberto (Crédito: PHL/UPR)

Concepção artística de planeta ao redor de estrela anã vermelha, como o recém-descoberto (Crédito: PHL/UPR)

Ele tem um diâmetro cerca de 50% maior que o da Terra e completa uma volta em torno de sua estrela-mãe a cada 44,6 dias terrestres. Os dados da missão K2 revelaram a presença de outros dois planetas, um com cerca de 2,1 vezes o diâmetro terrestre, completando uma volta em torno da estrela a cada 10 dias, e o outro com 1,7 vez o diâmetro da Terra e período orbital de 24,6 dias.

Hoje em dia, é muito difícil observar diretamente a luz que emana de um planeta fora do Sistema Solar. Algumas câmeras especiais já conseguem fotografar planetas gigantes em órbitas longas em torno de seus sóis, mas isso ainda não é possível para planetas pequenos e rochosos em órbitas suficientemente próximas a ponto de permitir que a água se mantenha em estado líquido na superfície — condição aparentemente essencial para o surgimento e a manutenção da vida.

Então, o único meio de estudar a atmosfera desses mundos é nos casos em que eles “transitam” à frente de suas estrelas, com relação ao nosso campo de visão. Assim, parte da luz da estrela atravessa de raspão a atmosfera do planeta e segue até nós, carregando consigo uma “assinatura” da composição do ar.

Pois bem. O satélite Kepler detecta planetas justamente medindo as sutis reduções de brilho das estrelas conforme eles passam à frente delas. Por um lado, isso limita brutalmente a quantidade de planetas que podemos detectar, pois exige que o sistema esteja alinhado de tal forma que esses mini-eclipses sejam visíveis daqui. (Estima-se que apenas 5% dos sistemas planetários estejam num alinhamento favorável.) Por outro lado, os planetas que descobrimos já são alvos naturais para estudos de espectroscopia, a análise da tal “assinatura” na luz que passou de raspão pela atmosfera.

O satélite Kepler detecta planetas observando trânsitos deles à frente de suas estrelas-mães. (Crédito: Nasa)

O satélite Kepler detecta planetas observando trânsitos deles à frente de suas estrelas-mães. (Crédito: Nasa)

As pesquisas sobre a atmosfera desses mundos devem se ampliar a partir de 2018, quando a NASA lançar ao espaço o Telescópio Espacial James Webb. Ele será capaz de detectar dados espectrais correspondentes a uma atmosfera similar à terrestre. Por exemplo, se um desses mundos tiver uma atmosfera como a nossa, onde predomina o nitrogênio, nós saberemos. Se ela contiver grandes quantidades de dióxido de carbono, como é o caso de Vênus, também.

Isso sem falar na medida mais natural a ser tomada desse sistema planetário — a observação dos efeitos gravitacionais que os planetas exercem sobre a estrela-mãe. Com as tecnologias atuais, já seríamos capazes de detectar o bamboleio gravitacional realizado pela estrela conforme ela é atraída para lá e para cá pelos planetas girando em torno dela. E, com isso, saberíamos suas massas. Juntando essa nova informação aos diâmetros, já medidos pelo Kepler, conheceríamos a densidade. E, a partir dela, poderíamos inferir se estão mais para planetas como a Terra ou mundos gasosos, muito menos densos.

Os astrônomos já têm o caminho todo mapeado. A ideia é que o K2, assim como seu sucessor, o satélite TESS, que deve ser lançado em 2017, descubra mais alvos promissores. Quando o James Webb for ao espaço, em 2018, terá uma lista considerável de planetas para estudar — potencialmente centenas deles. Todos interessantes, mas obviamente nem todos tão bons para a vida quanto a Terra. Contudo, se, de toda essa amostra de mundos, apenas um tiver uma atmosfera rica em oxigênio sem que esse gás possa ter sido produzido em quantidade apreciável por processos não-biológicos (como é o caso do nosso planeta), já teremos a certeza de que não estamos sós no Universo.

 

Fonte:
Uol

			

É preciso evitar ser médio!

Um dia, conversando com uma pessoa muito amiga, discutíamos sobre o que aconteceu com o “controle de qualidade”. Não falo do controle de qualidade das empresas, falo do controle de qualidade “das pessoas”. Quer dizer, por qual motivo as pessoas passaram a aceitar o “médio” como “bom”? Qual foi a razão de não nos esforçarmos mais para fazemos o melhor? Aliás, o “melhor” deixou de existir? Todo mundo faz do médio para baixo e assim está bom, é isso que devemos aceitar?

Não sei se é conformismo, se é sensação de impotência -“não vai adiantar porque não vai mudar mesmo” -, ou se é realmente um rebaixamento de nosso padrão de exigência, causado pelo rebaixamento dos valores da sociedade…

O fato inconteste é que aceitamos o que é “médio” em tudo, e se a gente reclama (da comida no restaurante, do atendimento no SAC , da programação da TV, da roupa que compramos, do comportamento do filho…) somos ranzinzas, chatos, exigentes, cri-cris, mal-humorados e um monte de outros adjetivos.

Claro, há formas e formas de reclamar e de exigir um padrão melhor. Se você conversa educadamente, explica e tenta descobrir uma forma de fazer de outro jeito, isso só ajuda no crescimento – seu, do outro, do produto, da sociedade, enfim, de todos. Mas se reclama com duas pedras na mão, isso só irá reafirmar que você é “chato, cri-cri, mal humorado”, etc. etc.

O artigo abaixo, da Nina Horta (http://ninahorta.blogfolha.uol.com.br/2013/09/21/chi-deu-errado/), colunista de gastronomia, fala disso com muita propriedade e nos ajuda a refletir!

 

Não sei em que alturas dessa nossa vida brasileira o ótimo passou a ser desdenhado e o mediano ou muitas vezes péssimo a ser tido como o normal.

“Olhem a cara dessa maçã do amor! Tem uma piscina de caramelo por baixo, escorrida!” a resposta. “É, mas caramelo escorre mesmo!” Lembro-me das balas de ovos carameladas da minha vizinha Dona Seraphita. Se uma delas escorria, era lixo imediato. Compre uma bala de ovo em São Paulo, nos dias de hoje. Parece um pato de pés de caramelo. Ou um daqueles globos geográficos com pés. E aceitamos e pagamos pelos caramelos escorridos. E lemos nos guias de jornais e revistas que é a melhor maçã do mundo, a maçã primeira, o protótipo! Como, por que lemos isso? Imagino que o repórter não é venal, não foi em troca de duas maçãs que ele escreveu aquilo, é por causa da ignorância dele também, da falta de perfeccionismo dele, de não comparar uma maçã com a outra, de não enfiar o dente, como Eva e quebrar todos os da frente.  E assim, com o acúmulo de imperfeições vai chegando o dia quando não saberemos o que é bom ou ruim. Já aconteceu com os docinhos de casamento que não há quem se lembre que eram finamente glaçados, quase não se sentia o açúcar da capa, hoje substituída por uma carapaça branca que tira todo o gosto do recheio. E as pessoas adoram!!!!!

Como resolver uma coisa dessas? A menor crítica feita a alguma coisa ruim traz sobre nós a pecha de perfeccionista, de corta-prazeres.

Ah, meninos, não é assim. A vida só vale se fizermos o melhor possível. Não se fizermos o melhor, é só tentarmos fazer o melhor possível.

Não há possibilidade de crescimento se não se tem horizontes e objetivos a alcançar. “O ruim mesmo está bom” não é lema, é burrice. É fruto da má educação, do livro rabiscado, do caderno rasgado, da pouca vontade de aprender. Qual o problema da curiosidade? De se dizer “eu não sei”?

Não acredito que vocês cozinheiros queiram fazer parte dessa turma de resignados com o pior. Não é assim. Quando o cliente chega para nós e diz que estava tudo uma delícia, devemos sorrir e agradecer e lá no fundo murmurar:” Chi, coitado, nem percebeu que o presunto estava um pouquinho grosso, poderia ter morrido engasgado se aquela tira descesse inteira pela garganta dele. Da outra vez, já sei, não tem perigo, vou mudar.”

E a conversa amigável sobre como se fazer cada vez para que o produto saia perfeito. “Por que aconteceu isso? Você não achou um pouco mole? Será que uma colher a mais de gelatina pode consertar? Ou não? Vamos experimentar?” Um desafio para vocês. Tudo que aparece de novo leva uns dez anos para pegar. Quando já está velho, não mais usável pelos criativos, por aqueles que inventaram a modinha, a manada começa a fazer numa alegria de descobrimento. E quem é que passa por cabeça dura? O que inventou aquele modo de servir, aquela renda de nozes, e não quer mais usá-la porque já foi, já era!

É impressionante como nos engessamos nas ideias. Peguem um simpático e antigo maître de festas e peçam a ele para mudar a posição dos bufês, juntá-los todos no meio do salão, por exemplo. Ele pode ter um enfarte, não estou brincando!

Conheço de muito perto chefs talentosíssimos que por problemas psicológicos de não aceitarem críticas construtivas nunca sairão de seu rame-rame cotidiano, nunca terão o prazer de crescer. Conheço chefs médios que inevitavelmente vão subir na profissão e na sua própria alegria ao rirem se seus erros e tentar consertá-los sem problemas nem ego trips.

Detesto gente que não percebe suas limitações, não quer reconhecê-las. Quem é perfeito? Em que profissão não há passos para trás, buscas e procuras, choros e alegrias? Cozinheiros, não podemos deixar que nos tatuem, nos considerem para sempre como convencidos, teimosos e burros. Somos muitas vezes convencidos, muitas vezes teimosos e infinitas vezes burros, mas é isso que precisamos combater, é preciso querer evitar ser médio, rachar o crânio, abrir a cabeça e deixar que entre tudo que há de  novo, não se impermeabilizar para o novo nem para o velho, abrir-nos para o mundo, tudo que é interessante, o que aparecer por aí,. Ah, esqueci de dizer que na rachadura do crânio deve ser colocado um chinois, uma peneirinha para que não deixemos passar também de tudo, entendam, podemos ser burros, mas nem tanto. Na verdade, a palavra de fundo, que custa a ser assimilada por nós e que leva aos céus em todos os sentidos é a humildade.