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Planeta do tamanho da Terra é encontrado vagando pela Via Láctea

O pequeno errante não está ligado gravitacionalmente a nenhuma estrela, e estudos sugerem que existem muitos outros como ele por aí.

É o menor planeta interestelar já encontrado, e sua descoberta reforça a ideia de que existem muitos outros escondidos pelo Universo.

Batizado OGLE-2016-BLG-1928, o tal planeta errante é estranhamente pequeno – a maioria dos planetas do tipo encontrados são tão grandes ou maiores que Júpiter. A sua distância da Terra ainda não foi calculada, e não se sabe muito sobre sua composição ou outras características. Ele foi identificado por duas equipes de cientistas trabalhando nos estudos do Optical Gravitational Lensing Experiment (OGLE), da Polônia, e do Korean Microlensing Telescope Network (KMTN), da Coreia do Sul.

Planetas interestelares são mundos que não estão ligados gravitacionalmente a uma estrela ou a algum outro objeto cósmico, como a Terra e os nossos vizinhos estão ligados ao Sol. Dessa forma, eles estão fadados a vagar pelo Universo sozinhos, e por isso às vezes também são chamados de “planetas errantes”.

A princípio, é possível que esses planetas tenham surgido já inicialmente sozinhos, sem orbitar nada. Mas é possível, também, que os planetas errantes fizessem parte de sistemas solares próprios no passado, e em algum momento (provavelmente nos estágios iniciais do sistema, onde tudo é mais caótico) tenham sido ejetados por algum fenômeno astronômico – e passado a viver em “exílio”.

Sabemos que esses planetas existem, e estudos estimam que eles sejam numerosos, podendo chegar aos bilhões na Via Láctea – mas, infelizmente, eles são muito difíceis de se detectar. Fora do Sistema Solar, é fácil encontrar estrelas porque elas emitem luz. Planetas em outros sistemas são mais difíceis de serem identificados, mas é possível espiá-los a partir de um fenômeno conhecido como trânsito astronômico – quando esses planetas ficam entre a Terra e a sua estrela-mãe, bloqueando a luz emitida por ela, como num eclipse.

Como planetas têm órbita fixa, esses bloqueios ocorrem em períodos também demarcados, confirmando a existência do planeta ali. Até o momento, mais de 4.300 exoplanetas na Via Láctea já foram catalogados, a maioria usando essa técnica.

Planetas errantes, por sua vez, não emitem luz e não têm uma estrela fixa para bloquear seus raios e causar um eclipse; dessa forma, são quase invisíveis para os terráqueos. É possível detectá-los, porém, através de um fenômeno conhecido como microlentes gravitacionais. Eles ocorrem quando um objeto se alinha em um ângulo específico entre a Terra e uma fonte de luz distante (geralmente uma estrela). Segundo a teoria de Einstein, a gravidade de um corpo com massa causa uma deformação no tempo-espaço ao seu redor, que é observável vendo a trajetória dos raios da luz. Portanto, quando a luz da estrela passa por um planeta no meio do caminho, nós aqui na Terra vemos que ela se deforma – e com isso conseguimos estimar o tamanho do objeto que causou a distorção, já que objetos maiores causam distorções mais extremas e que duram mais tempo.

O problema é que as microlentes gravitacionais são raras, e, diferente do trânsito astronômico, são eventos únicos e não-repetitivos. Além disso, são passageiras, o que dificulta que as encontremos no Universo e coletemos dados satisfatórios sobre elas – a deformação causada pelo novo planeta na trajetória da luz, por exemplo, durou somente 41,5 minutos, o evento mais curto de microlentes já detectado.

Por isso, poucos planetas errantes foram identificados até agora. E a maioria deles eram planetas grandes, com massa maior que a de Júpiter. Antes de o OGLE-2016-BLG-1928 dar as caras, apenas outros quatro considerados “pequenos” haviam sido identificados, e nenhum tão pequeno como o novato da lista.

A descoberta do planeta por si só não surpreende, mas reforça a ideia de que as microlentes gravitacionais são de fato um método eficiente de se identificar coisas pelo espaço, sejam grandes ou pequenas, perto ou distantes. Nas últimas décadas, as tecnologias de detecção desses fenômenos têm avançado rapidamente, de modo que cobrem uma maior parte do Universo em busca mesmo de distorções passageiras, como foi a mais recente.

Planetas interestelares têm chances próximas a zero de serem habitáveis, já que não há uma fonte de calor próxima, e por isso devem ficar de fora dos interesses crescentes da astrobiologia, que busca vida em outros lugares no Universo. Mesmo assim, a equipe do novo estudo reforça que provavelmente devem haver muitos, mas muitos desses errantes pelo espaço – só não estamos sabendo encontrá-los com eficiência.

 

 

 

 

Fonte:

Bruno Carbinatto, Superinteressante