Afinal, os franceses tomam banho?

Há pouco tempo, um passageiro francês de origem argelina foi expulso de uma aeronave pouco antes de ela decolar. A tripulação e os passageiros se queixaram, dizendo que ele estava cheirando mal, mesmo o homem alegando que tinha passado um perfume Dior no Duty Free.

Esse evento me fez recordar os mitos sobre a França e os franceses, como o da baguete levada debaixo do braço, ou a  “ojeriza” do francês em não tomar banho, ou de serem grosseiros e mal educados.  Talvez o mais recorrente deles seja mesmo o de não gostarem de tomar banho. E, numa época em que todos se preocupam com a escassez de água para consumo, o assunto “banho + economia de água” é mais do que oportuno…

Quando visitei Paris pela primeira vez, há muitos anos, estranhei a pergunta quando fui reservar o quarto do hotel: “Com ou sem banho no quarto?” – perguntou-me a pessoa da reserva. Claro que pedi com banho, porque a única vez em que fiquei num hotel com chuveiro coletivo foi numa cidade do interior do Estado, quando estava na faculdade… O preço do quarto em Paris era muito mais caro “com banho”, e quando cheguei, notei uma banheira enorme, parecia uma piscina… E fiquei imaginando quanta água seria necessária para enchê-la. E decidi só tomar banho de ducha, mesmo.

Na Alemanha, a mesma coisa. A diferença é que não havia banheira, e o chuveiro funcionava com uma espécie de “timer”. A água saía por apenas alguns minutos, e se você não tivesse terminado até então, já era… Na primeira vez, a água acabou quando eu estava com o cabelo cheio de xampu…

A água é um bem bastante escasso em toda a Europa, especialmente quando se compara à teórica abundância que temos desse recurso no Brasil. Teórica porque a água que sobra para a população é mínima, dado o volume que é desperdiçado em vazamentos e a água que é poluída pelas indústrias e esgotos.

Voltando, o continente europeu vivia, há não muitas décadas, uma situação em que a água encanada servia apenas aos primeiros andares dos prédios, onde moravam os mais ricos. Os que moravam nos andares mais altos, os menos abonados, tinham que descer vários lances de escadas para buscar água em fontes públicas ou pagar pelos serviços dos entregadores do líquido a domicilio. Imagine então o sufoco de quem vivia ali para cozinhar, para lavar as roupas… E para tomar banho!

Acredito ser por isso que o banho diário não fizesse parte dos hábitos dos franceses, mas a “culpa” não poderia ser lançada toda sobre a falta de água. Havia ainda a herança cultural desde os tempos medievais, quando se acreditava que o banho provocasse descamação da pele, eliminando a proteção natural contra doenças. (Claro que esse pensamento não era exclusivo dos franceses, era uma crença espalhada por toda a Europa e levada às Américas pelos conquistadores espanhóis, ingleses e portugueses. Quando D. João VI e a família imperial chegaram ao Brasil em 1808, toda a corte ficou escandalizada ao ver os escravos e os índios tomando banho de mar com frequência, e acharam que eles deviam ter doenças de pele…).

Os médicos medievais achavam que a água, sobretudo quente, debilitava os órgãos, deixando o corpo exposto a insalubridades e que, se penetrasse através dos poros, podia transmitir todo tipo de doenças. Daí veio a ideia de que uma camada de sujeira protegia contra as doenças e que, portanto, o asseio pessoal devia ser realizado “a seco”, só com uma toalha limpa para esfregar as partes expostas do corpo.  Além disso, a Igreja condenava o banho por considerá-lo um luxo desnecessário e pecaminoso. E, como se sabe, o Estado mais poderoso daqueles tempos era aquele governado pelo Papa, e se ele falasse, estava falado…

As coisas não melhoraram muito no campo da higiene com o passar dos séculos. No suntuoso Palácio de Versalhes, por exemplo, um decreto de 1715, baixado pouco antes da morte do rei Luís XIV, estipulava que as fezes seriam retiradas dos corredores uma vez por semana – então, a gente deduz que o recolhimento dos dejetos era ainda mais esparso antes. Versalhes não tinha banheiros, mas contava com um quarto de banho equipado com uma banheira de mármore encomendada pelo próprio Luís XIV, um objeto que serviria apenas à ostentação, caindo no mais absoluto desuso.

Outra crença curiosa do mesmo período diz respeito ao poder purificador da roupa: acreditava-se que o tecido “absorvia” a sujeira do corpo. Bastaria, portanto, trocar de camisa todos os dias para manter-se limpinho. Nosso velho amigo D. João VI, o fujão que estabeleceu sua corte no Rio de Janeiro para escapar dos avanços de Napoleão e que citei mais acima, mostrava-se descrente até da troca de camisas, que ele literalmente deixava apodrecer no corpo.  Mesmo coberto de feridas e contaminações na pele, e habituado a outras porquices, ele fugia da água como o Cascão.

Foi só no século XIX, com a propagação da água encanada e do esgoto e com o desenvolvimento de uma nova indústria da higiene – principalmente nos Estados Unidos –, que o banho foi reabilitado. O sabão, conhecido desde a Antiguidade, mas por muito tempo considerado um produto de luxo, foi industrializado e popularizado.

Hoje, a água chega nas residências, seja de ricos ou de pobres. Mas o francês, especialmente o mais tradicional e aquele que vive nas cidades do interior, não tem duchas em casa. Ele acha que banho é o que se toma na banheira e que chuveiro é uma invenção americana que não substitui o banho, portanto não há banho sem banheira. O banho de banheira é uma coisa muito especial, não diria que é um ritual, mas encher uma banheira e mergulhar o corpo nela demanda tempo, exige alto consumo de água e isso não pode ser feito todos os dias. O que eles fazem diariamente é a sua “toilette”, o que chamamos de “banho de gato”.

Claro que muitos tomam uma ducha, mas não é a regra entre os mais idosos. Mas todos os dias, religiosamente, o francês típico faz a sua toilette matinal. Enche a pia de água quente e com uma luvinha umedecida e ensaboada,  higieniza seu corpo de cima abaixo.

Essas luvas, em francês “gants de toilette”, são tão comuns e necessárias à higiene quanto o sabonete ou o papel higiênico.  Parece que receber um hóspede em casa sem lhe oferecer sua própria gant de toilette junto às toalhas de banho e de mão seria uma grosseria tão grande como lhe dar um par de lençóis sem fronha.

Me parece que há um outro agravante em tudo isso: além de ser um recurso finito (como estamos aprendendo a duras penas em São Paulo), a água na França também é muito calcária, principalmente em Paris. Ela de fato destrói a proteção natural da pele, o filme hidrolipídico – a camada que mantém a hidratação e protege a pele. (quer dizer, os médicos medievais até que não estavam tão errados assim…). Então, a pessoa pode ter alergias e outros problemas de pele por conta da descamação e ressecamento em excesso, causado pela água calcária. Mas isso tem “cura”: existem diversos produtos para a pele que “repõem” a hidratação e nutrem a pele ressecada até que ela se acostume.

Falando nesses cremes para o corpo e cabelo, fica aquela indagação sobre o que veio primeiro, o ovo ou a galinha…? Os franceses têm maravilhosos perfumes e produtos de higiene fantásticos (Avene, Uriage, Klorane, L’Occitane etc etc) por que o francês é porquinho e tudo isso é para disfarçar, ou eles consomem esses produtos de montão justamente porque se cuidam muito?

Não sei.

O que eu sei é que é difícil avaliar se a “porquice” é uma coisa cultural ou algo pessoal, mesmo.

Conheci alemães, russos e holandeses que me olhavam torto quando eu dizia que ia tomar “uma ducha” antes de dormir (deviam pensar: “Esse cara está desperdiçando água, será que ele tem sarna?”). Japoneses com quem eu teria reuniões me olhavam com desconfiança porque não tirava os sapatos antes de entrar na sala (para eles, o porco era eu, ao trazer sujeira de fora!). Minha filha mais nova, durante o intercâmbio que fez nos Estados Unidos, ficou horrorizada com os hábitos… Aliás, com a falta de hábitos de higiene da família com quem morou (tomar banho todos os dias, escovar os dentes após todas as refeições, tudo isso era raro de acontecer…).

Mas, por outro lado, e quantos brasileiros conheci que fugiam da água como se fosse o diabo da cruz?

PS – sobre a água calcária, ou a “água dura” de Paris, um comentário:  água dura é aquela que contém um alto nível de minerais, concretamente de sais de magnésio e cálcio. Esse tipo de água é encontrada em solos calcários.

Ela não causa problemas de saúde, além daqueles de descamação de peles mais sensíveis, e abastece inúmeras regiões na Europa: Londres, Paris, diversas zonas na Suíça e na Suécia, Portugal, Alemanha, Estados Unidos e mesmo no Brasil, por exemplo,  nas regiões de Sete Lagoas e Montes Claros, em Minas Gerais.

Vários estudos tentaram correlacionar a constituição físico-química da água potável de determinadas regiões com a incidência de pedras nos rins. Mas pesquisadores observaram até mesmo uma correlação negativa, ou seja, menor incidência de pedra nos rins com o consumo da água dura!

Enfim, os estudos ainda estão sendo sendo conduzidos e um deles atribui ao magnésio, presente na água, alguns efeitos benéficos para a saúde humana, incluindo menor incidência de doenças cardiovasculares e renais e aumento da quantidade de colágeno, “responsável pela constituição celular (…) e bom para manter a pele jovem e saudável”.

Em Paris, você pode beber água da torneira, e o calcário só vai deixá-la com um gosto estranho para nós, brasileiros. As normas europeias que controlam a potabilidade da água são as mais rigorosas do mundo. E a água de Paris passa nos 56 parâmetros de potabilidade definidos pelo código europeu de saúde pública.

E se você gosta da água Perrier, a segunda mais vendida no mundo depois da Evian, saiba que aquelas bolhinhas são resultado das fontes subterrâneas de onde ela é extraída, e que cortam áreas com enormes quantidades de restos vegetais, cujas moléculas ácidas atacam o carbonato, componente das rochas calcárias. Isso gera o puríssimo gás carbônico que compõe a receita dessa água deliciosa, que é… Uma prima da água dura!

Fontes:
13anosdepois.com
portedoree.blogspot.pt
viverplenamenteparis.blogspot.com.br
diclorina.com.br

A falta de higiene da Idade Média

Nos filmes com temática medieval de Hollywood, vemos nobres abastados e belas damas maquiadas, penteadas e cheias de jóias, vestindo túnicas branquinhas. Tudo fachada, pois como muito já se falou, no período entre a queda do Império Romano até a descoberta da América, a higiene pessoal não era considerada uma prioridade.

Os médicos achavam que a água, sobretudo quente, debilitava os órgãos, deixando o corpo exposto a insalubridades que, se penetrassem através dos poros, podiam transmitir todo tipo de doenças. Foi quando a ideia de que uma camada de sujeira protegia a pele contra doenças se espalhou, e que, portanto, o asseio pessoal devia ser realizado “a seco”, só com uma toalha limpa para esfregar as partes expostas do corpo.

Os médicos recomendavam que as crianças limpassem o rosto e os olhos com um trapo branco para tirar o sebo, mas não muito para não retirar a cor “natural” (encardida) da tez. Na verdade, os galenos consideravam que a água era prejudicial à vista, que podia provocar dor de dentes e catarros, empalidecia o rosto e deixava o corpo mais sensível ao frio no inverno e a pele ressecada no verão. Ademais, a Igreja condenava o banho por considerá-lo um luxo desnecessário e pecaminoso. Em resumo, as práticas de higiene durante a Idade Média eram fruto dos ainda incipientes conhecimentos médicos e do pensamento predominantemente cristão, que considerava a prática do banho pecaminosa.

A falta de higiene não era restrita aos mais pobres, a rejeição pela água chegava aos estratos mais altos da sociedade. As damas mais entusiastas do asseio tomavam banho, quando muito, duas vezes ao ano, e o próprio rei só o fazia por prescrição médica e com as devidas precauções.

Os banhos, quando aconteciam, eram tomados em uma tina enorme cheia de água quente. O pai da família era o primeiro em tomá-lo, logo os outros homens da casa por ordem de idade e depois as mulheres, também por ordem de idade. Enfim chegava a vez das crianças e bebês, que eram mergulhados naquela água suja. Não é à toa que as crianças tinham grande desgosto em tomar banho.

Existiam as casas de banho públicas, oriundas dos antigos romanos, onde as pessoas se banhavam juntas ao mesmo tempo, homens e mulheres sem distinção. Quando ocorreu a Peste Negra na Europa, entre 1347 e 13503, essas casas de banho acabaram por contribuir para a peste se espalhar, e foi então que as pessoas começaram a abominar os banhos mais frequentes. É bom destacar que isto se refere à Idade Média europeia. Quando os mouros, africanos do norte, levaram a Expansão Islâmica para a Península Ibérica em 711 d.C., levaram para aquele território (Espanha e Portugal) não apenas a fé em Alá, mas também o uso da energia eólica, o uso do astrolábio, as técnicas de navegação, a arquitetura mista árabe/africana bem como a prática do saneamento básico e o costume de tomar banho, até então pouco usual.

Lembremos ainda que a Peste Bubônica – também chamada de Peste Negra -, evento que dizimou 1/3 da população europeia, se deu justamente porque os ratos que vinham nos porões dos navios que saíam do Oriente Médio em direção à Europa, encontravam naquele continente um ambiente propício para sua propagação, em virtude da grande insalubridade existente. Esgotos à céu aberto eram extremamente comuns e os ratos proliferaram rapidamente por conta disso.

Tudo era reciclado. Tinha gente dedicada a recolher os excrementos das fossas para vendê-los como esterco. Os tintureiros guardavam urina em grandes tinas, que depois usavam para lavar peles e branquear telas. Os ossos eram triturados para fazer adubo. O que não se reciclava ficava jogado na rua, porque os serviços públicos de limpeza urbana e saneamento não existiam ou eram insuficientes. As pessoas jogavam seu lixo e dejetos em baldes pelas portas de suas casas ou dos castelos. Imagine a cena: o sujeito acordava pela manhã, pegava o pinico e jogava ali na sua própria janela.

O mau cheiro que as pessoas exalavam por debaixo das roupas era dissipado pelo leque. Mas só os nobres tinham lacaios que faziam este trabalho. Além de dissipar o ar também servia para espantar insetos que se acumulavam ao seu redor. O príncipe dos contos de fadas fedia mais do que seu cavalo. O melhor exemplo dessa afirmação foi o rei Luís XIV da França. Ele morreu com 77 anos, numa época em que a expectativa de vida era cruel para todos, nobres e servos.

O Rei Sol, como ficou conhecido, deixou a imagem de um rei forte, robusto, detentor de um poder extraordinário para governar, uma personalidade inigualável, um rei guerreiro, um rei de paz, um arquiteto, um dançarino quase profissional, um mestre em jardinagem, um músico aplicado, amante de teatro, de poesia, mecenas das artes. Mas… Diz-se que foi um dos mais porcos de toda a história.

Acredita-se que Luis XIV deva ter tomado de 2 a 5 banhos ”inteiros” durante os seus 77 anos. Ele tinha vários métodos para mascarar os odores. Espalhar perfume pelo corpo e roupas – patchouli, almíscar, “fleur d’oranger”;  para o mau hálito, pastilhas de anis. Ele praticava  o famoso banho seco, ou seja, trocar de roupas várias vezes no dia. O monarca tinha conhecimento do mau cheiro que exalava, dificilmente suportável a todos que o acompanhavam.  Ele mesmo abria as janelas para arejar quando entrava em uma sala.

Conforme já disse mais acima, os hábitos dos banhos frequentes foram abandonados especialmente com a Peste, quando surgiu a teoria de que o banho quente dilatava os poros e  facilitava a “entrada dos vírus”. E a igreja deu a sua contribuição, denunciando o banho como sendo imoral. A partir deste momento, o uso da água seria limitado às partes livres do corpo como as mãos e o rosto. Um banho de corpo inteiro passou a ser uma raridade.

Luis XIV lavava as mãos num pequeno filete d’água despejada de uma jarrinha por um cortesão. No rosto e no corpo, muito blush – pigmento branco  à base de chumbo, altamente tóxico, pois o branco era sinônimo de beleza e saúde; na cabeça, uma mistura de talco e farinha para a peruca exageradamente alta e explicitamente gordurosa ao meio-dia, para refletir magnitude e vigor. A peruca era de cabelos falsos misturados com cabelos verdadeiros e crinas de cavalos, local preferido dos piolhos…

Na Idade Média, a maioria dos casamentos era celebrada no mês de junho, bem no começo do verão. A razão era simples: o primeiro banho do ano era tomado em maio; assim, em junho, o cheiro das pessoas ainda era tolerável. De qualquer forma, como algumas pessoas fediam mais do que as outras ou se recusavam a tomar banho, as noivas levavam ramos de flores (gardênias, jasmins e alfazemas, que floresciam no mês de maio), ao lado de seu corpo nas carruagens para disfarçar o mau cheiro. Tornou-se, então, costume celebrar os casamentos em maio, depois do primeiro banho. Por isso maio é considerado o mês das noivas e dali nasceu a tradição do buquê de flores das noivas.

Outro costume cuja origem foi na Idade Média é o do velório.

Os mais ricos tinham pratos e taças de estanho, que não eram lavados. Certos alimentos oxidavam o material, levando muita gente a morrer envenenada e sem saber o porquê. Alguns alimentos muito ácidos, que provocavam esse efeito, passaram a ser considerados tóxicos durante muito tempo. Com as taças ocorria a mesma coisa: o contato com uísque ou cerveja fazia com que as pessoas entrassem em um estado de narcolepsia produzido tanto pela bebida quanto pela intoxicação pelo estanho. Alguém que passasse pela rua e visse a pessoa nesse estado podia pensar que estava morta e logo preparavam o enterro. O corpo era colocado sobre a mesa da cozinha durante alguns dias, enquanto a família comia e bebia esperando que o “morto” voltasse à vida – ou não.

Temos que ter em mente que a Idade Média engloba um período de mais de 1000 anos, em que várias etnias com culturas diversas tiveram o seu apogeu ou declínio, passando ou não seu legado para a posteridade. O banho, como exemplo de higiene, era geralmente relegado a ocasiões especiais pelos francos. Por outro lado, era tido como obrigatório aos sábados no caso dos povos nórdicos (vikings). Lembrando sempre que a popularização do banho só se deu na segunda metade do século passado, quando a revolução tecnológica facilitou a prática.  Após a Segunda Guerra Mundial, o processo de reconstrução das casas permitiu que os chuveiros fossem disseminados por toda a Europa. Isso eliminou a necessidade de se banhar em rios ou regatos gelados, quando no verão, ou carregar baldes cheios do poço, no inverno, para depois ter de cortar lenha para esquentar a água, e ainda esvaziar a tina no dia seguinte, para evitar o choque térmico. Uma trabalheira danada.

E, finalizando, não custa lembrar que o costume de tomar banho diário no Brasil foi herdado dos indígenas. Há relatos de que, quando a Corte portuguesa chegou, D. João VI ficou estarrecido com os índios entrando no mar para se banhar, acreditando que eles teriam alguma doença de pele… Diz-se que ele próprio teria tomado apenas 2 banhos completos em toda sua vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

http://www.mdig.com.br

Os mais curiosos elevadores do mundo

As primeiras informações de deslocamentos verticais ascendentes de que se tem notícia remotam ao início da terceira dinastia (2788 a.C.) no Egito, com a construção da primeira pirâmide de pedra conhecida. Na mesma época, primitivos aparelhos já eram utilizados pelos sumérios na Mesopotâmia para a construção de templos gigantescos, os zigurates (sobre os quais falei aqui: https://otrecocerto.com/2013/09/16/nao-confunda-a-sumeria-com-a-cimeria/). Durante a IV dinastia do Egito, por volta de 2580 a.C., foram construídas as grandes pirâmides na Planície de Gizé, nas quais existem marcas de ganchos indicando a utilização de máquinas de elevação.

O arquiteto romano Vitruvius teria construído um elevador para transporte de pessoas no século I a.C., e a elevação era obtida utilizando-se um contrapeso, que subia e descia sob o controle de uma roldana movida por uma manivela do lado de fora da plataforma. Parece que esses elevadores foram utilizados nas casas romanas com vários andares, onde teriam sido operados por escravos.  Séculos depois,  o rei Luís XV mandou instalar, em 1743, no Palácio de Versalhes, um elevador que ligava os seus aposentos ao de sua amante, madame de Châteauroux, no andar de baixo.

O primeiro elevador de passageiros em uso comercial foi inaugurado em março de 1857,  numa loja  de departamentos de cinco andares em Nova York.

Os primeiros elevadores demoravam entre 2 a 3 minutos para subir 8 andares. Hoje, existem elevadores que percorrem 100 andares em 1 minuto. E os elevadores mais curiosos do mundo são:

O do Burj Al Khalifa, em Dubai (o prédio mais alto do mundo) viaja a 65 km/h, e você vai em um minuto do térreo ao 124º andar. É verdade, eu estive lá e conferi, é impressionante!

Há ainda o Aqua Dom, no meio do Radisson Hotel de Berlim. É um aquário gigante e, no meio do tanque, circula um elevador com paredes transparentes.  Dentro deles, os visitantes podem admirar toda a beleza da vida marinha durante uma viagem que dura cinco minutos.

 Há um bar-elevador! Esse Rising Tide Bar fica no maior navio do mundo, o Oasis Of the Seas. É um bar flutuante que leva 35 passageiros e a viagem pelos 16 andares do navio leva oito minutos.

Em Osaka, no Japão, foi instalado um elevador com capacidade para 85 pessoas! É que os escritórios da empresa funcionam apenas a partir do décimo quinto andar do prédio, obrigando um número razoável de empregados a subir do térreo até lá praticamente no mesmo horário. Depois da instalação da cabine, o problema foi solucionado e não há mais desculpas para atrasos.

Esse é bem curioso: um elevador para bicicletas! Foi instalado em Trondhein, Noruega, há mais de 20 anos, para ajudar os ciclistas a subir uma enorme ladeira.

Finalmente, o elevador panorâmico mais alto do mundo, que fica em Bailong, China. Tem 172 metros de altura!