Por que ninguém viaja para o Brasil?

Se você passou o fim do ano em Búzios, Floripa ou Morro de São Paulo, provavelmente reclamou da multidão de argentinos e uruguaios invadindo nossa praia. Parece que tem gringo demais tirando férias por aqui, certo?

Errado.

O mundo está viajando cada vez mais, é verdade. De acordo com o relatório do World Travel & Tourism Council (WTTC) de 2016, o turismo cresce há cinco anos consecutivos mais do que a economia global, principalmente nos países em desenvolvimento. Mas o Brasil não está nesse bonde: estamos na casa dos 5 milhões de turistas internacionais desde 1998. Ou seja, se a nossa economia vive uma recessão nos últimos dois anos, o turismo está assim há 18 anos.

Pior: mesmo contando com mais praias do que uma família seria capaz de conhecer em cinco gerações e tendo tantas belezas naturais quanto Miami tem de brasileiro, o País não está nem entre os 40 mais visitados do mundo. Perdemos até para Miami, que é destino de mais de 7 milhões de turistas por ano. Mesmo o Coliseu (4 milhões de visitantes anuais) recebe quase tanta gente quanto o Brasil todo.

“Sim, mas se você mora na Europa é só pegar o carro para visitar o Coliseu. OBrasil não é tão acessível assim”, diria algum advogado do diabo de plantão. Mas não, excelência.

A África do Sul, que não é exatamente o lugar mais acessível da Terra, atingiu recentemente a marca dos 10 milhões de turistas. A Tailândia, distante para europeus e americanos, 28 milhões.

O México, que só fica perto mesmo dos EUA e do Canadá, 30 milhões.

O Peru, aqui ao lado, experimentou um crescimento de 340% no número de turistas nos últimos 15 anos, saltando de 800 mil visitantes para 3,5 milhões, enquanto o Brasil permaneceu estagnado. E, no fim, seguimos com menos turistas que países como Tunísia e Bulgária.

Tudo isso forma um cenário ainda pior do que parece. O turismo é cada vez mais importante na economia global, e na economia do Brasil não é diferente. Só em2015, o setor gerou mais de 2,6 milhões de empregos diretos por aqui. Sem falar que o Brasil aparece em décimo lugar no ranking da WTTC, que compara a relevância do turismo no PIB dos países. A questão é que 94% dessa participação provém de viagens domésticas, de nós mesmos indo curtir o verão na Bahia e o inverno em Gramado. “Temos um turismo interno relativamente forte, mas nosso potencial internacional é um dos menos aproveitados do mundo”, diz Vinicius Lummertz, presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur).

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Portos ruins: aportar no Brasil sai 20 vezes mais caro do que lá fora. Culpa do mau estado dos portos e da burocracia. Nisso, os cruzeiros fogem daqui (Estúdio Rufus/Por que ninguém viaja para o Brasil?)

A Embratur foi criada em 1966 para cuidar de tudo que diz respeito a turismo no Brasil, desde capacitação de pessoal a obras e divulgação. Com a implantação do Ministério do Turismo em 2003, ela passou a se dedicar exclusivamente à promoção do Brasil como destino no exterior. Isso é feito com participação em feiras, financiamento da vinda de jornalistas estrangeiros, campanhas de marketing e produção de conteúdo escrito e audiovisual.

O órgão teve US$ 17 milhões para trabalhar em 2015 e conta com 13 escritórios no exterior (na Argentina, Peru, Holanda, Alemanha, Espanha, França, Itália, Portugal, Inglaterra, Japão e três nos Estados Unidos).

Nossos vizinhos latinos gastam bem mais: o Peru tem 38 escritórios ao redor do mundo, e o órgão federal de promoção mexicano gasta US$ 50 milhões. E vão muito além de aparecer numa feira: a PromPeru, agência de promoção peruana, faz acordo com marcas para realizar ensaios de moda usando país de fundo e chegou a fechar uma parceria com a Rede Globo para que Machu Picchu aparecesse na novela Amor à Vida, de 2013. “O Brasil não tem nem filminhos promocionais passando nos aviões das companhias aéreas estrangeiras que operam por aqui”, diz Guilherme Paulus, sócio-fundador da agência de viagens CVC e membro do Conselho Nacional de Turismo do Governo Federal.

Quem não aparece não é visto

A vinda de grandes eventos esportivos deveria turbinar o turismo, mas a Copa acabou tendo um efeito apenas pontual (um salto para 6,4 milhões de visitantes em 2014 – 30% mais do que a média). O Brasil não fez a lição de casa de comunicação e marketing e esperou que os jogos agissem por si só. Para as Olimpíadas, a ação mais poderosa foi a isenção de visto para americanos, canadenses, australianos e japoneses entre 1º de junho e 18 de setembro. “Desde os Jogos Pan-Americanos em 2007, o Brasil tem tido um alto grau de exposição, mas por falta de projetos especiais de divulgação, isso está sendo mal aproveitado”, explica Ricardo Uvinha, professor do programa de pós-graduação em turismo da USP.

A imagem do Brasil no exterior acaba manchada pelo noticiário negativo: em vez de praias, cachoeiras ou cidades históricas, o que mais se vê lá fora sobre nós tem a ver com violência, crise econômica e desastres como o de Mariana. No Foreign Travel Advice (“conselhos para viagens ao exterior”), uma ferramenta online do governo britânico que analisa cada país em relação à segurança, Brasil aparece com “alto nível de criminalidade”, com menção a arrastões, assaltos com arma de fogo e roubos em caixas eletrônicos. São citadas também manifestações políticas violentas e risco de zika.

A divulgação fraquinha une-se à falta de informação na internet para travar a vinda dos gringos. Olhando a relação dos dez destinos mais visitados, ela quase que se limita a cidades sem belezas naturais, com São Paulo, Porto Alegre e Brasília, que dividem a lista com Búzios, Foz do Iguaçú e o Rio, líder (merecido) entre os nossos destinos mais visitados. Chapada Diamantina, Bonito ou os Lençóis Maranhenses, que, convenhamos, não têm menos potencial turístico que Brasília ou Porto Alegre, nem aparecem na lista.

Isso acontece porque os turistas estrangeiros mal sabem que esses destinos existem. E a culpa não é deles.

As agências de turismo especializadas em destinos brasileiros não têm sites em inglês, muitos hotéis e pousadas não estão presentes nas ferramentas de reservas globais, como o Booking.com, horários de balsas e ônibus não constam na internet. Para um estrangeiro descobrir como ir do aeroporto de Campo Grande a Bonito ou de Fortaleza até Jericoacoara, por exemplo, vai levar uma canseira do Google até encontrar uma informação confiável.

Parques largados: dos nossos 71 parques nacionais, poucos têm trilhas sinalizadas, guias, áreas de camping e pousadas. Resultado: eles recebem só 7,1 milhões de visitantes por ano, contra 307 milhões nos dos EUA

Parques largados: dos nossos 71 parques nacionais, poucos têm trilhas sinalizadas, guias, áreas de camping e pousadas. Resultado: eles recebem só 7,1 milhões de visitantes por ano, contra 307 milhões nos dos EUA

Isso reflete a falta de preparo geral do País para receber visitantes, o que vai da sinalização monoglota nas ruas e no transporte público até garçons, taxistas e guias que não falam língua alguma que não seja o português. Falar um inglês excelente não é imprescindível – bambambãs do turismo como Itália, China e Tailândia também têm problemas com o idioma. No Brasil, porém, a maior parte dos profissionais de serviços ignora os rudimentos mais básicos do idioma. Aí complica.

Burocracia, sempre ela

A infraestrutura ruim também não ajuda. Dos 1,7 milhão de quilômetros da nossa malha de estradas, pouco mais de 10% são asfaltadas. Some isso à virtual ausência de transporte ferroviário, e você tem um pesadelo logístico. Aviões são uma alternativa, naturalmente. Mas voar aqui sai caro. É que não temos companhias aéreas low-cost (de baixo custo), como acontece na Europa, nos EUA e na Ásia. Nelas o serviço é reduzido a basicamente transporte; qualquer extra (como marcação de assento, despacho de mala, comida, impressão decartão de embarque e até SMS informativo) é cobrado à parte, permitindo que a empresa jogue os preços das passagens lá embaixo. “No Brasil, além da carga tributária elevada, as aéreas enfrentam um excesso de regulamentação, que esse modelo `simples¿ é proibido”, diz o advogado Guilherme Amaral, especialista em direito aeronáutico.

É obrigatório pela Agência Nacional de Aviação (Anac), por exemplo, que cada passageiro tenha direito a 23 quilos de bagagem: não temos o poder de escolher pagar menos e receber menos serviços. “A crise está abrindo espaço para discutir um modelo mais flexível, mas a mudança não será a curto prazo”, Guilherme aponta.

A falta de infra atinge em cheio os parques nacionais, que seguem lindos, mas quase às moscas. Apesar de o Brasil ter sido considerado pelo Fórum Econômico Mundial como o país com maior potencial turístico em recursos naturais no mundo, nossos 71 parques nacionais receberam 7,1 milhões de visitantes em 2015 – sendo que 2,9 milhões se concentraram no Parque Nacional da Tijuca, encravado na área urbana do Rio. Para comparar: os 59 parques nacionais dos EUA receberam 307 milhões de turistas no mesmo período.

Aí não pesa só o isolamento turístico do Brasil, que tanto aqui como nos EUA grosso dos visitantes de parques nacionais são turistas nativos. Mas a discrepância deixa claro outro problema nosso. Aqui, os parques são mais encarados como unidades de proteção ambiental do que como atração turística: poucos têm trilhas sinalizadas, guias, hotéis e transporte com preços competitivos.

Para piorar, quem pensa em abrir um negócio de turismo também tem pouco incentivo, dada a dificuldade de empreender no Brasil: no último relatório do Banco Mundial, o país aparece na 116ª posição na lista dos países nos quais é mais fácil abrir e conduzir uma empresa.

O setor de cruzeiros é um dos que mais sofrem.

Em 2010, chegamos a ter 20 navios viajando pela costa brasileira. O número caiu pela metade em 2015 e, para a temporada de 2017, que começa em novembro, míseros seis navios estão confirmados até o momento.

Isso porque quase todos os processos que envolvem a realização de um cruzeiro são caros e complicados, desde a aprovação da construção de um porto à contratação do prático (o“manobrista denavio” – aquela que talvez seja a profissão mais inflacionada do Brasil, com ganhos que chegam a R$ 300 mil por mês).

“Operar um porto aqui tem custos 20 vezes maiores do que em outros destinos. Hoje estamos perdendo nossos navios para China, Austrália, Caribe, Dubai”, diz Mario Ferraz, presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos.

Além de tudo isso, o Brasil continua sendo um país quase tão fechado e protecionista quanto era na época da ditadura militar, que impõem impostos extorsivos ao capital estrangeiro.

O último Índice de Abertura de Mercados, publicado em setembro de 2015 pela Câmara de Comércio Internacional (CCI), coloca o Brasil na 70ª posição entre 75 países, ficando atrás da Argentina, Nigéria e Uganda (o ranking é organizado por grau de abertura comercial, da maior para a menor). Dessa forma, recebemos menos investimentos de fora do que poderíamos. “E isso atrapalha o turismo. Um exemplo é Brasília não ter Hyatt, Hilton ou Sheraton, grandes nomes da hotelaria mundial”, diz Vinicius, da Embratur. Essa atitude conservadora reflete também na burocracia para entrar no País. O governo defende a reciprocidade, ou seja, que nós exijamos visto dos países que o requerem para nós. A prática é comum no mundo todo – não se trata de uma aberração do Itamaraty.

Despreparo: a sinalização monoglota e a falta de prestadores de serviço que se comuniquem em inglês podem complicar a vida de um turista, e estão entre os porquês de recebermos poucos visitantes

Despreparo: a sinalização monoglota e a falta de prestadores de serviço que se comuniquem em inglês podem complicar a vida de um turista, e estão entre os porquês de recebermos poucos visitantes

Mas é fato que requisitar visto de Japão, Austrália, Canadá e, principalmente, dos EUA e da China, diminui consideravelmente a chance de esses turistas virem passar as férias por aqui – péssimo negócio se você levar em conta que chineses e americanos são os viajantes que mais gastam no mundo. “fim da reciprocidade diplomática beneficiaria a nossa economia”, diz Mario Ferraz. Ou seja: estamos rasgando dinheiro para manter o improdutivo olho por olho da diplomacia.

Tendo em vista essas dificuldades todas, então, dá para considerar heróis os 5 milhões de turistas que chegam ao Brasil. E o que eles pensam do País depois de passar uma temporada por aqui? Bom, de acordo com uma pesquisa do Ministério do Turismo feita em 2014, no fim da viagem, 95% deles demonstram intenção de voltar. Ou seja, mesmo com todas as adversidades, conseguimos conquistar quem vem.

Resta fazer com que mais gente venha.

Os problemas do Brasil

1. Portos ruins

Aportar no Brasil sai 20 vezes mais caro do que lá fora. Culpa do mau estado dos portos e da burocracia. Nisso, os cruzeiros fogem daqui.

2. Parques largados

Dos nossos 71 parques nacionais, poucos têm trilhas sinalizadas, guias, áreas decamping e pousadas. Resultado: eles recebem só 7,1 milhões de visitantes por ano, contra 307 milhões nos dos EUA.

3. Despreparo

A sinalização monoglota e a falta de prestadores de serviço que se comuniquem em inglês podem complicar a vida de um turista, e estão entre os porquês de recebermos poucos visitantes.

 

 

 

 

 

Fonte:

Superinteressante, Betina Neves

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Os hotéis mais bizarros do mundo

As férias de final de ano estão chegando, então o Treco Certo, num serviço de utilidade pública, oferece algumas dicas preciosas de hospedagem. Escolha seu destino e… Boa viagem!

A cidade norte-americana de Cottonwood, no Arizona, conta com um hotel em formato de cachorro. O “Dog Bark Park Inn” é um prédio que se assemelha com um cão da raça Beagle.

Em Harlingen, Holanda, que tal alojar-se num guindaste no porto? O “Dockside Crane Hotel” oferece muito luxo para duas pessoas e foi construído dentro do antigo guindaste do porto. No quarto com muitas janelas, tudo pode ser comandado por controle remoto e se os hóspedes estiverem cansados da vista, podem dirigir o guindaste, que gira 360 graus!

É para viajar ou dormir? O Jumbo Hostel está estacionado à entrada do aeroporto de Arlanda, em Estocolmo, na Suécia, e tem 85 camas divididas por 25 quartos. A suíte nupcial ocupa a cabine e é o único quarto com banheiro privativo.

O Tianzini Hotel fica localizado na província de Hebei, na China, e possui o recorde mundial do Guinness para a “maior imagem construída”. O hotel é uma representação de dez andares dos deuses chineses: Fu (Felicidade), Lu (Fortuna) e Shou (Longevidade).

A praia de Weymouth, em Dorset, Reino Unido, possui um hotel inusitado feito de areia! A instalação foi criada por uma empresa local e é considerada pelo livro Guinness como o primeiro hotel de areia habitável. A pernoite custa 10 libras, mas não tem banheiro nem telhados e fica aberta para o público até ser destruído pela chuva. Isso que é hotel bizarro…

Pensa que acabou? Não!

Decorado com a frente de um antigo Mercedes-Benz e simulando a entrada em um lava rápido, o quarto é do V8 Hotel, localizado em Stuttgart, Alemanha. Esse é um hotel temático no qual você pode escolher em qual marca… Aliás, em qual carro você quer ficar.

O hotel, a recepção e alguns dos quartos:

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Temos ainda o hotel de gelo em Jukkasjärvi, na Suécia, e que funciona entre dezembro e abril, quando o calor faz o hotel literalmente… Derreter. O hotel é feito inteiramente de neve e blocos de gelo do rio Torne; até os copos do bar são feitos de gelo.

A entrada do hotel.

O bar, mais acima, e a recepção do hotel.

A suíte…

Recomenda-se, por motivos óbvios, que os hóspedes com muito calor humano moderem seu… Hã… Fogo interior.

O vilarejo que está morrendo

Viajar para a Itália é sempre um sonho. Agora imagine viajar para um vilarejo medieval com mais de 600 anos de história, no alto de uma montanha de mais de 400 metros de altura, no meio de um belo vale na região do Lázio.

Pois saiba que esse vilarejo existe, e está morrendo…

Pouco a pouco, e de forma permanente, Civita di Bagnoregio está desaparecendo. E tem sido assim por séculos. Deslizamentos de terra gradualmente degradaram os penhascos, a ponto de eliminar a antiga moradia de pedra do mais famoso filho da terra, Giovanni di Fidanza, o teólogo medieval canonizado como São Boaventura.

Durante anos, essa guerra perdida para o atrito geológico não tinha muita importância porque quase ninguém morava em Civita, e eram poucas as pessoas que visitavam a pequena cidade.

A população ainda é pequena – talvez tenha seis habitantes, talvez oito –, mas Civita, a 121 km ao norte de Roma, no centro da Itália, agora é um dínamo do turismo, com mais de 500 mil visitantes esperados neste ano.

É candidata a se tornar patrimônio mundial da Unesco. É o destaque de uma campanha de turismo local e aparece em propagandas de ônibus que circulam por Roma. Mas continua a se desintegrar, ainda que lentamente. Em maio, uma encosta cedeu perto da estrada suspensa, com uma única pista, que leva à passarela que conduz ao vilarejo. A estrada permanece estável, e equipes estão trabalhando nas encostas. Os turistas, ao que parece, nem perceberam.

Um geólogo da região estimou que Civita sofreu cerca de dez deslizamentos de terra no ano passado, alguns deles pequenos, outros mais graves.

“A chuva é o problema principal”, disse o geólogo, Giovanni Maria Di Buduo, supervisor de um museu local dedicado à geologia de Civita e dos arredores. “A chuva entra nas fraturas da rocha vulcânica e cria alterações. Nos últimos cinco séculos, vimos uma redução do penhasco cerca de 20%, devido aos deslizamentos.”

Dado o recém-descoberto comércio turístico, bem como a importância histórica e cultural de uma aldeia originalmente construída pelos antigos etruscos, o governo regional do Lázio planeja ações para responder ao problema.

Uma possibilidade é fazer pressão por uma legislação nacional que conceda estatuto especial e financiamento para Civita.

HISTÓRIA DE LUTA

Os etruscos construíram Civita há mais de 2.500 anos. Trata-se de uma das muitas aldeias fortificadas, em topos de colinas, para que se protegessem dos invasores nos vales abaixo. Mas com o passar dos séculos e as mudanças bélicas, que eclipsaram as vantagens estratégicas de Civita, a cidadezinha ficou cada vez mais isolada.

Para piorar, um terremoto atingiu o vilarejo no século 17; o governo local foi transferido para o que era o povoado vizinho Bagnoregio, e que ainda hoje é responsável por Civita.

Depois, a erosão piorou o problema. Os deslizamentos de terra transformaram a aldeia em uma ilha compacta, quando uma ponte de terra que ligava Civita a Bagnoregio gradualmente se desintegrou (posteriormente foi substituída por uma passarela de aço e concreto, utilizada hoje em dia). Mapas no museu geológico da cidade documentam o encolhimento permanente de Civita e como a erosão mastigou seu tufo vulcânico calcário.

“Esse deslizamento foi de novembro do ano passado”, disse Luca Profili, vice-prefeito de Bagnoregio, ao apontar cascalhos no fundo de um penhasco. À distância, a paisagem que rodeia Civita é uma mistura de vales verdes imersos em encostas brancas, calcárias, em erosão. “Se você olhar as fotos do ano passado, essas áreas mudaram, porque o solo é muito frágil”, acrescentou Profili.

Não muitos anos atrás, o declínio parecia inevitável, o que talvez explique o apelido de Civita,  “o vilarejo que está morrendo”. A não ser pelo fato de que não morreu, ainda…

Autoridades de turismo no Lázio promoveram Civita em campanhas publicitárias de alcance nacional. Reportagens nos meios de comunicação destacaram a novidade de uma aldeia medieval intocada no topo de um penhasco irregular, confrontado pela erosão. Era irresistível e incrivelmente pitoresco.

“A fragilidade da Civita é ruim, mas é isso também o que faz dela um lugar único”, disse Profili. “É a ideia de que você a tem hoje, mas não sabe se a terá amanhã.”

Agora restaurantes e lojas de lembrancinhas se abastecem para atender ao fluxo de visitantes. Vários edifícios de pedra foram convertidos em bed and breakfast.  Na Sexta-Feira Santa, o grande crucifixo da catedral é levado em uma procissão para Bagnoregio – e sempre volta, porque reza a lenda que Civita desaparecerá se o crucifixo não estiver de volta até a meia-noite antes da Páscoa.

Hoje, o vilarejo fica cheio durante o dia, mas se esvazia à noite, a não ser pelos hóspedes dos bed and breakfasts ou os poucos moradores que chamam esse lugar de casa. Para eles, esse renascimento de Civita é um prazer inesperado. Várias gerações viveram aqui até os anos 1960 e 1970, quando não se conseguia trabalho e todo mundo foi embora.

Os poucos resistentes trabalham para os turistas, abrindo lojinhas ou restaurantes. Não é um mau negócio em um vilarejo que talvez não esteja morrendo, no final das contas.

 

 

 

Fontes:

NEW YORK TIMES

mobly.com.br

Voar era muito chique antigamente!

Faz algum tempo, comentei em um post como era viajar de avião na primeira classe nos anos 1960, época considerada a “idade do ouro da aviação” (aqui). A rotina e as acomodações de então em nada lembram o que acontece hoje em dia.

Por exemplo, no caso da Varig, a maior e mais famosa companhia aérea brasileira, o passageiro tinha tratamento VIP. Afinal, voar era muito chique… E muito caro!

Mesmo que fosse verão, os passageiros usavam os melhores ternos e as mulheres, os melhores vestidos, com luvas e chapéu. A bordo, assim que chegavam, eram servidos uísque escocês ou champanhe para todos os passageiros – mesmo os da classe econômica (que, pelos padrões atuais em termos de preço, equivale à classe executiva).  As aeromoças (assim eram chamadas as comissárias de bordo), vestindo uniformes desenhados por famosos estilistas, acendiam as piteiras dos passageiros.

Todo mundo (que podia...) viajava pela Varig. Na foto, o então presidente Juscelino Kubistcheck indo para Brasília.

Todo mundo (que podia…) viajava pela Varig. Na foto, o então presidente Juscelino Kubitschek indo para Brasília.

Os assentos, largos, tinham pelo menos um metro de distância do assento da frente. E na hora de comer, a primeira classe tinha caviar e cascatas de camarões. Na econômica, duas opções de prato quente, além da entrada, queijos, sobremesa, café, licores e vinhos. Todos os passageiros recebiam toalhas quentes para a higiene, a refeição era servida com toalha de mesa e guardanapos de linho, talheres de prata e copos de cristal…

Sim, tudo era muito diferente! Não existiam sites de vendas de passagens aéreas, as pessoas procuravam os agentes de viagens, uma profissão super nova então, ou iam até a loja da empresa e compravam sua passagem. E existia uma passagem impressa em papel – nada dos e-tickets de hoje – , parecida com um talão de cheques, com folhas que iam sendo destacadas à medida que o passageiro ia passando pelos poucos procedimentos de embarque.

Praticamente nenhum aeroporto tinha os fingers atuais, e o embarque e desembarque era feito na pista, mesmo, com chuva ou com sol…

E as inúmeras escalas de reabastecimento, então? No Brasil, a maioria dos voos internacionais saía do Rio, e se você reclama das escalas e da duração dos voos atuais, saiba que uma viagem hoje, Rio-Beirute, com uma escala em Roma, leva 16 horas. A mesma rota, voando num DC-8 da época, fazia escala no Recife, depois cruzava o Atlântico e fazia escala na Libéria (África), seguia para a escala em Roma, e finalmente, Beirute. Uma viagem de 23 horas!

Como já mencionado, as poltronas eram largas, nada desse aperto de hoje. Pensando bem, só assim para suportar uma viagem de 23 horas… Para que se tenha uma ideia, o Boeing 707 – com seus 46 metros de comprimento – levava uma média de 150 pessoas. Hoje, os Boeing 737-800 (como da Gol) – com 39 metros de comprimento – levam até 183 pessoas!

Algumas aeronaves tinham até um bar e sala de estar, coisa que a Emirates resgatou em seus Airbus A380. Nessa “sala de estar”, as pessoas podiam fumar de tudo, cachimbo, charuto, cigarros…

É que não havia o tipo de entretenimento que temos atualmente, como filmes e música. Isso só começou a aparecer nos voos no final da década de 1970. O máximo de entretenimento que os passageiros de então podiam ter eram jornais e revistas, naqueles aviões que não tinham as salas de estar. Nesses, você poderia ainda jogar um carteado…

O grande problema era que, como você podia fumar a bordo, e a bebida era servida à vontade, havia muitos acidentes e brigas. Por exemplo, um avião da Varig, que estava iniciando o pouso, caiu próximo a Paris porque um passageiro jogou o charuto aceso na lixeira do banheiro, e a fumaça impediu que os pilotos conseguissem enxergar qualquer coisa. Quanto às bebidas, acontecia de alguns passageiros passarem dos limites – tropeçar, cair, assediar as aeromoças, cantar alto e vomitar nos corredores.

Como a estrutura aeroportuária era muito deficiente, as empresas investiam no serviço de bordo como forma de compensação. A Varig, por exemplo, chegou a ter cozinhas próprias em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Nova York e Lisboa.

Lagosta e caviar servidos na primeira classe da Varig.

Lagosta e caviar servidos na primeira classe da Varig.

Olha que chique o menu da Varig!

Olha que chique o menu da Varig!

Mesmo na Ponte Aérea SP-Rio, os voos contavam com canapés de entrada, refeição quente e diversas opções de bebida, como uísque, vinho e cerveja. O carrinho, que hoje inexiste em alguns voos, passava pelo menos duas vezes pelos corredores para os clientes se servirem.

Os comissários e comissárias eram treinados pelas próprias empresas e o processo de seleção era rigoroso. Peso proporcional à altura (“bem” proporcional, no caso das mulheres, mostra anúncio de recrutamento da Varig dos anos 60) e dentição perfeita eram alguns dos requisitos. Era preciso, ainda, participar de cursos que ensinavam a história das empresas e habilidades como a realização de partos a bordo.

Hoje, os tempos são de cumulus nimbus. Sai caviar, entra barrinha de cereal… E não vai demorar muito, as empresas venderão passagens para viajarmos de pé, a pão e água. Sem chibatadas, por favor!

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes: 

Fast Company

Vounajanela.com

7 maravilhas do mundo das quais você nunca ouviu falar

Esta dica me foi passada pela amiga Luciana Coutinho. Todos nós conhecemos as principais maravilhas do mundo, como o Coliseu, a Grande Muralha da China e o Taj Mahal. Porém, há outros locais igualmente espetaculares que nem os viajantes mais experientes conhecem.

A revista virtual Quora, baseada nos Estados Unidos, fez uma enquete entre seus leitores viajantes e reuniu alguns dos lugares mais incríveis e desconhecidos do nosso planeta. Confira!

Grande Mesquita de Djenné, Mali

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A Grande Mesquita é a maior construção de argila do mundo. Parte da antiga cidade de Djenné, a mesquita está incluída na lista dos patrimônios da UNESCO. Por enquanto, está fechada para turistas. Acredita-se que a decisão foi tomada em 1996, depois de o lugar servir de locação para um ensaio sensual da revista ’Vogue’.

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LugChand Baori, Índia

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O conjunto arquitetônico de Chand Baori, situado em um pequeno povoado da Índia conhecido como Abaneri, é um dos poços com escadas mais antigos e profundos do mundo. A gigantesca estrutura parece uma pirâmide invertida e desce mais de 30 metros em direção ao subsolo. Em três de suas paredes há 3.500 degraus em perfeita simetria que permitem que você desça até a água de um pequeno lago esverdeado. Ainda está em discussão se o poço foi construído entre os séculos IX e XI ou 600 anos antes de nossa era.

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Palácio do Parlamento, Romênia

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É um dos lugares mais conhecidos de Bucareste, construído na época da República Socialista da Romênia. O palácio é considerado o maior edifício administrativo do mundo, o maior prédio de Parlamento, assim como o maior prédio público em nível internacional. As dimensões são de 270 a 240 metros, com 86 metros de altura. A parte subterrânea do palácio tem uma profundidade de 92 metros. O palácio conta com 1.100 ambientes e 12 andares.

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Ponte Velha, Bósnia e Herzegovina

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Essa ponte para pedestres sobre o rio Neretva é uma cópia moderna da ponte antiga, que foi totalmente destruída pelos soldados croatas em 1993, durante a guerra da Iugoslávia. A ponte é considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Uma das atrações mais tradicionais para turistas, e uma das principais fontes de renda dos jovens da cidade, são os saltos no rio Neretva a partir do meio da Ponte Velha (a altura do salto depende do nível da água no rio, de 24 a 30 metros).

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Forte Kumbhalgarh, Índia

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O Forte Kumbalgarh é rodeado por uma única parede que antigamente era conhecida como ’o guardião da morte’. Tem 36 quilômetros de extensão e em alguns pontos sua largura chega a 8 metros. A muralha se estende de forma contínua ao redor do perímetro da fortaleza, que durante séculos serviu como proteção contra invasores. Só a construção do muro levou um século — do século XV ao século XVI —. Esta grande parede da Índia presenciou muitas guerras, mas nunca caiu nem deixou que os inimigos invadissem a fortaleza. Só a Grande Muralha da China é maior que ’o guardião da morte’ ou ’olhos de Mewar’, como o lugar é chamado pelos moradores locais.

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Mesquita do xeique Lotf Allah, Irã

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É um monumento excepcional da arquitetura persa, da era safávida. A mesquita foi construída durante 17 anos (1602-1619). É incomum por vários motivos. Particularmente, não tem nenhum minarete (torre de onde são anunciados os chamados à oração). Também não tem pátio interior e sua entrada conta com escadas. Talvez o motivo desse aparente descaso com as estritas regras da arquitetura muçulmana seja o fato de a mesquita nunca haver sido anunciada como de uso público, já que era um local de culto para as mulheres do xeique.

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Derawar, Paquistão

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Derawar é uma construção surpreendente de formato quadrado, erquida em 1733. A fortaleza é formada por 40 bastiões que se elevam sobre o deserto paquistanês. A altura das paredes em alguns trechos chega a medir 30 metros, e seu perímetro é de 1.500 metros. Poucos viajantes já ouviram falar desta fortaleza. Até mesmo alguns moradores do Paquistão não têm ideia de sua existência.

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Fonte:

ВВС
Tradução e adaptação: Incrível.club

 

Viajar de avião na primeira classe… Nos anos 60!

Você consegue imaginar como era viajar de avião na década de 60?

A rotina dos aeroportos e as aeronaves de hoje em nada lembram a “era de ouro” da aviação comercial. Havia mais espaço entre as poltronas, mais comissários de bordo, mesmo o serviço era incomparavelmente melhor do que atualmente. Imagine que a classe executiva que se oferece atualmente era a classe econômica de então!

Olha o tamanho do compartimento para a bagagem de mão!

Claro que tudo isso tinha um custo. Viajar de avião naquela época era um evento para poucos. Os preços das passagens eram extremamente altos.  Só para dar uma ideia, um bilhete aéreo para uma capital que ficasse a uns 2.900 km de São Paulo, como Natal (RN), que hoje custa em torno de US$ 200,00, custava há 50 anos o equivalente a US$ 1.200,00.

Mas, conforme escrevi mais acima, se os preços eram salgados, o serviço de bordo e o conforto das aeronaves eram à altura. As empresas ofereciam uma série de mimos e pequenos luxos que praticamente não existem mais hoje em dia. Mesmo que você viaje de primeira classe.

Nas viagens de longa distância, as empresas ofereciam refeições completas e bebidas livremente, como vinho, conhaque, licores, champanhe e uísque. O jantar era servido em pratos de porcelana e o vinho, em taça de cristal. Os aviões de grande porte chegavam a contar com 15 comissários de bordo!

O serviço de bordo da nossa antiga Varig chegou a ser premiado como o melhor do mundo pela revista americana “Air Transport World”.

Escolhi algumas fotos para demonstrar como era a “dolce vita” nos céus:

Depois do jantar, o mais popular passatempo era ler – livros, revistas, ou se atualizar com as notícias dos jornais. Só lembrando, ler era um hábito disseminado, pois não havia internet, nem Facebook e nem Twitter.

Falando em jantar, a coisa era realmente muito diferente de hoje em dia quando se tratava das refeições. Mesmo na classe econômica, espie só:

Na primeira classe, antes do jantar, eram servidos drinques no bar.

Acompanhados por canapés…

E o jantar – que jantar! –   era finalmente servido por garçons devidamente uniformizados e na sua mesa coberta por toalhas de linho.

Após a refeição, os passageiros poderiam se reunir de novo no bar, onde conversariam com o capitão, um veterano dos ares com mil histórias para contar.

Se a conversa estivesse chata, os passageiros poderiam, por exemplo, jogar cartas com os baralhos oferecidos pela companhia aérea, que traziam fotos de aviões ou do destino para onde estavam viajando.

Mas não pense que o pessoal da classe econômica era esquecido: a eles, os comissários de bordo ofereciam tabuleiros de xadrez ou de damas, para passarem o tempo. Ainda não havia a tecnologia para passar filmes a bordo.

Você pode ter notado, na foto lá em cima no bar, uma moça com o cigarro na mão. Fumar, hábito banido nos aviões há muitos anos, era então permitido e os passageiros costumavam se reunir na sala de estar para fumar e conversar durante o voo.

Havia ainda, nos voos de longa duração, o serviço de chá da tarde. Os docinhos e bolos que a comissária trazia no carrinho era uma tentação irresistível.

Era tudo maravilhoso, não é?

Bem, quase tudo… A segurança era precária, especialmente por conta da tecnologia ainda incipiente. Não se conseguia pousar sob neblina, as colisões no ar eram frequentes… Era comum, ainda, que paredes de vidro separassem a classe econômica da executiva. Então, durante uma turbulência, por exemplo, essas paredes se estilhaçavam e você pode imaginar o que isso significava.

E como fumar era permitido, o que fazia com que cigarros, charutos e cachimbos fossem consumidos livremente, os pequenos focos de incêndio eram frequentes, especialmente quando o passageiro caía no sono com o cigarro aceso.

As bebidas, também servidas livremente, provocavam outros problemas. Muita gente passava dos limites, e em quase todo voo você via passageiros tropeçando pelos corredores, assediando as comissárias de bordo, cantando alto e vomitando no banheiro.

Quer dizer, nem sempre se viajava num céu de brigadeiro…

 

 

 

 

Fontes:

UOL

Catraca Livre

Major Airline News

Que tal estudar numa escola de bruxos?

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Aprender feitiços, jogar quadribol, beber cerveja amanteigada e passear por Hogwarts. Tudo isso é possível em Campos de Jordão, cidade que fica a 180 km de São Paulo.

Como em Hogwarts, escola de bruxaria de Harry Potter, os alunos vão viver e ter aulas no castelo (um hotel com mais de 6 mil metros de área construída e a 1700 metros de altitude).

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“Por quatro dias, uniformizados com as típicas capas da EMB, os alunos se matricularão e frequentarão as aulas que mais forem de seu interesse. Há temas apropriados para todos os tipos de bruxos!”, diz o site.

Os alunos deverão escolher oito dos 10 cursos oferecidos pela escola: Poções e Elixires, Cuidado dos Animais Mágicos, Adivinhação, Astromagia, Cultura Trouxa, Herbologia, História Mágica, Defesa Antitrevas, Feitiçaria, Voo (sim, tem uma disciplina que ensina a habilidade de voar!). Eles receberão todo o material escolar para as aulas, que vão durar em torno de 40 minutos cada.

As aulas incluem recitar feitiços, jogar Quadribola (adaptação do jogo Quadribol dos livros de Harry Potter), cuidar de “animais mágicos” e vivenciar “a rotina de uma escola de magia em um castelo de verdade.”

Escola de Magia e Bruxaria do Brasil é uma iniciativa da gaúcha Vanessa Godoi que, em outubro de 2015, resolveu reunir fãs dos livros e dos filmes de Harry Potter do Brasil inteiro para uma experiência de um dia de aulas e disputas nos mesmos moldes das vividas em Hogwarts.

A vivência, que aconteceu em Porto Alegre, deu tão certo que, neste ano, a escola saiu das terras gaúchas para aportar em Campos do Jordão. Em 2016 a experiência fica muito maior. As aulas acontecem entre os dias 24 e 27 de junho, ou seja, quatro dias de imersão no universo criado por J.K. Rowling.

“Vem gente do Brasil inteiro, já recebemos até do Pará e do Amazonas. Estamos esperando 220 pessoas. Podem se inscrever alunos dos 14 aos 99 anos. No caso dos bruxos, estendemos a idade para os 155 anos”, brinca Vanessa.

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Ela explica que a ideia surgiu depois de perceber que todas as feiras sobre a saga eram iguais. “Decidi criar um mundo paralelo, onde os fãs poderiam ter uma imersão completa e real do mundo da magia. O conteúdo dado em sala de aula é totalmente lúdico e voltado ao universo de Harry Potter”, acrescenta.

Vanessa disse que a escola não pretende ser apenas uma cópia de Hogwarts. “Lá, as pessoas encarnam mesmo os personagens, igual a um RPG [jogo em que consiste interpretar papéis em um determinado universo fictício]. O objetivo é criar a nossa própria fanfic [narrativa fictícia escrita e divulgada por fãs].”

Ambientação

Uma equipe de 32 pessoas, entre atores, cenógrafos e figurinistas, se encarregará de transformar o castelo em uma verdadeira instituição de magia e bruxaria. Tudo está sendo pensado nos mínimos detalhes para incrementar a experiência dos alunos.

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A quadra de tênis, por exemplo, se transformará em uma quadra de “quadribola”, derivado do quadribol, esporte mais popular no universo da bruxaria. Até os quatro camarotes para abrigar torcedores das quatro diferentes casas serão reconstituídos, iguaizinhos aos de Hogwarts.

No ato da matrícula, cada aluno escolhe em qual casa prefere ficar. A Casa dos Tigres corresponde a Grifinória; a das Cobras, a Sonserina; a Casa das Águias é Corvinal; a dos Esquilos fica com quem prefere Lufa-Lufa.

“Aqui não tem o chapéu seletor, mas há um limite de 55 pessoas por casa. Por isso, na hora de fazer a matrícula, os alunos precisam colocar uma ordem de preferência para serem realocados caso seja necessário”, diz ela.

Tupiniquim

A criadora da experiência já adverte que a Escola de Magia e Bruxaria do Brasil, apesar das muitas semelhanças, não é Hogwarts. Desta forma, embora contem com as mesmíssimas disciplinas da parente britânica, os estudantes não encontrarão personagens como o diretor Alvo Dumbledore ou o professor Snape.

“São dez professores e um diretor, todos diferentes daqueles apresentados em Hogwarts. Os nossos têm mais a cara do Brasil, há uma miscigenação maior. Os alunos vão adorar os novos personagens”, explica.

A empreitada une 11 atores, mais figurinistas, cenógrafos e roteiristas, que trabalham para dar vida às situações vividas na escola durante os quatro dias de atividades.

Prepare o bolso

Deu vontade de ir? Então é bom tratar de quebrar logo o cofrinho, cobrar aquele empréstimo para o irmão ou preparar um discurso bem persuasivo aos pais. Os quatro dias de curso saem por R$ 1.800.

Mas não se engane, mesmo com o valor salgado, quem esperar muito pode ficar sem vaga. “Abrimos as matrículas em dezembro do ano passado e já temos praticamente a metade de inscritos. A expectativa é que até o fim de fevereiro as vagas estejam esgotadas”, explica Vanessa.

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Os interessados podem acessar a página da escola para mais informações.