10 traduções fabulosas de itens de cardápios

Uma coisa interessante de se ver é o cardápio de restaurantes em cidades turísticas, geralmente traduzido do português pelos tradutores automáticos da internet. Na maioria das vezes, encontramos iguarias exóticas, como insetos ao molho de laranja…

Duvida?

A coxinha virou coxinh (essa não entendi…), folhado é turned pages (literalmente, páginas viradas) e pastel, que maravilhoso, virou crayon — sabe, aquele giz pastel?

Aqui, é melhor ter cuidado… tem cerveja que late…

O quiosque não deve gostar de filé…

Cupim, o inseto, é termite em inglês. Mas como não é um restaurante na China ou na Tailândia, tenho certeza de que não estava servindo insetos ao molho de laranja.

A diferença que um acento não faz…

E se o contra-filé é à campanha, é só mandar um campaign que fica tudo certo!

Esse é mais sofisticado e Against the brazilian beef, ou contra o filé brasileiro, serve de tradução para o contra-filé.

Aqui você pode aprender inglês. Basta pedir uma porção de The American language.

O verbo matar, em inglês, se traduz como kill. Já o chá mate, bem… se você der um Google, vai descobrir que é Yerba mate tea. Estranhei o “yerba” em espanhol, já que “erva” em inglês é “herb”. Mas acredito que seja mais utilizado “yerba mate” mesmo, uma vez que a origem do mate é sul-americana. Mais alguém pode opinar?

Gostei das opções, mas prefiro a agulhinha frita, ou FRIEND NEEDLE — agulha amiga.

 

 

 

 

Fonte:

buzzfeed.com

Sacanas sem Lei?

Certa vez, comentei sobre a tradução que fazemos no Brasil dos títulos dos filmes estrangeiros (o post é este). Parece ser uma tradição a gente colocar nome sem graça, ou às vezes até com spoilers, nesses filmes – cujos títulos originais geralmente não “entregam” de cara sobre o que se trata.

Mas descobri que, em Portugal, eles são muito mais… Digamos… Criativos que nós. Veja só alguns exemplos:

007 – Um Novo Dia Para Morrer (Die Another Day)

50 Tons de Cinza (50 Shades of Gray)

A Menina que Brincava com Fogo (The Girl who Played with Fire)

Como Se Fosse a Primeira Vez (50 First Dates)

Bastardos Inglórios (Inglorius Basterds)

Corra Que a Polícia Vem Aí (The Naked Gun)

Duro de Matar (Die Hard)

Minions (desse eu gostei…)

Os Bons Companheiros (Goodfellas)

Planeta dos Macacos (Planet fo the Apes) (o spoiler foi demais…)

Um Corpo que Cai (Vertigo) (mesmo caso)

Há outros exemplos, mas acho que deixei claro o que pretendia demonstrar…

 

 

Fonte:

Osmar Portilho, para Virgula

 

 

 

O Trem dos Órfãos

O trem dos orfãos

Foi lançado um livro que minha parceira e amiga Clene Salles (https://www.facebook.com/Clene.Salles?fref=ts) me ajudou a traduzir e que traz uma história incrível, e o mais impressionante, baseada em fatos reais.

“O Trem dos Órfãos” conta a história de Vivian Daly, uma senhora de 91 anos, que decide se livrar de seus pertences antigos e acaba recebendo a ajuda de Molly, uma adolescente órfã e rebelde, que está disposta a prestar serviços para não acabar no reformatório. Revivendo cada momento marcante de sua história, Vivian conta para Molly sobre sua família irlandesa pobre, que foi de navio para Nova York em busca de uma nova vida e acabaram todos mortos em um incêndio. Sendo a única sobrevivente, ela foi levada para o Meio-Oeste americano por um trem com outras centenas de crianças que teriam seu destino decidido pela sorte. Ou seriam adotadas por boas famílias ou teriam uma existência de sofrimento e trabalho pesado.

Esse roteiro já seria suficientemente rico para dar um belo livro se fosse apenas ficção, mas a autora se inspirou no “verdadeiro” trem dos órfãos para criar uma obra dramática e inspiradora.

Você já imaginou um trem cheio de crianças órfãs saindo de Nova York e se dirigindo para os confins do país, para ver se seriam adotadas pelos fazendeiros que ou estavam idosos demais para cuidar de suas terras, ou queriam mão-de-obra barata – e a adoção dessas crianças serviria para isso?

Pois é, eu achava que isso era uma história inventada, mas de fato aconteceu…Entre 1854 e 1929, quando o último Trem dos Órfãos viajou para o Oeste, mais de 250.000 crianças órfãs foram levadas das grandes cidades para viver nas comunidades rurais no interior do país.

Os trens que levavam crianças abandonadas dos grandes centros, como Nova York ou Boston, para as regiões menos povoadas dos Estados Unidos é um acontecimento pouco comentado, mas teve um profundo impacto na cultura americana. Apesar de muitas crianças terem sofrido maus tratos e serem obrigadas a trabalhos forçados, outras encontraram novos lares e novas vidas. Dois desses órfãos chegaram a ser governadores; um serviu como parlamentar no Congresso dos Estados Unidos; e outro chegou a ser juiz na Suprema Corte de Justiça.

Mas, de onde surgiram esses trens, e esses órfãos todos?

Em meados de 1850, um onda de imigrantes chegou à Nova York no tempo em que a cidade era a maior dos Estados Unidos, vindos da Europa em busca de uma vida melhor. Essas famílias chegavam geralmente com filhos pequenos e iam morar no Lower Manhattan (onde hoje se situam a Little Italy e a Chinatown), amontoando-se nos cortiços como o da fotos abaixo.

Esses cômodos abrigavam (“abrigar” é modo de dizer) às vezes 15 pessoas, sem ventilação adequada, sem banheiros e, no inverno, sem aquecimento adequado… Os pais se deparavam com a falta de emprego e com a pobreza. As doenças eram muito comuns e, quando o pai morria, as esposas tinham poucas opções de sustento dos filhos (quando também não morriam). Elas iriam trabalhar como costureiras em regime de semi-escravidão, ou se prostituíam, e o resultado era que os filhos acabavam na ruas, abandonados ou órfãos.

Um jornal de Nova York, em 1875, alertou que haviam mais de 10.000 crianças vivendo nas ruas. Sujas, descalças, sem luvas ou agasalhos no inverno, roubavam, mendigavam, vendiam jornais e não sabiam nem ler ou escrever.

Foi nessa época que o pastor Charles Loring Brace decidiu criar um programa para ajudar essas crianças. Sabendo que o Oeste do país era pouco povoado e acreditando que muitas famílias poderiam querer adotar crianças para ajudar em casa ou nas fazendas, começou a acomodar centenas de órfãos num trem que viajaria para essa região, anunciando, nos lugarejos por onde passasse, que qualquer pessoa poderia adotar uma daquelas crianças durante a sua passagem.

Enquanto as viagens não eram organizadas, as crianças eram recolhidas das ruas e instaladas em orfanatos.

Nos orfanatos, eram alimentadas e vestidas, e tinham uma cama onde dormir. Quando o trem estava para partir, as crianças recebiam uma nova muda de roupa, tomavam banho e eram alimentadas, para que quando chegassem nas estações de trem das cidades – onde se organizava uma “exposição” das crianças às famílias interessadas – elas estivessem apresentáveis.

Se as crianças não fossem escolhidas naquela parada, voltavam ao trem em fila – por tamanho, os maiores por último – e a viagem continuava, até que não restasse mais nenhuma criança para ser adotada. Caso restasse, essa criança voltaria ao orfanato, para aguardar uma nova oportunidade de viajar.

O que mais amedrontava os pequenos passageiros é que eles não sabiam para onde o trem se dirigia, e nem qual o destino que os aguardava. Corriam entre eles histórias de outras crianças que tinham sido adotadas simplesmente para trabalhar no campo de sol a sol, sendo obrigadas a dormir no estábulo com os cavalos e comer batatas – e mais nada.

Essas histórias eram verdadeiras, infelizmente. Apesar das boas intenções do pastor Brace, de salvar as crianças abandonadas, o projeto também acabou trazendo marcas profundas para muitas daquelas pessoas: além de serem levadas para trabalhar em regime escravo ou como empregadas das famílias, outras acabaram devolvidas ou colocadas na rua por falta de recursos dos que as acolheram.

Um estudo da National Orphan Train Complex (Kansas) revela que um em cada 25 americanos descende do Trem dos Órfãos.

Mas não há estimativas sobre o quanto essa iniciativa – apesar de ter conseguido bons lares para muitos meninos e meninas abandonados em Boston ou Nova York- contribuiu para o aumento de crianças de rua em estados como Kansas, Iowa ou Nebraska, três dos que estavam entre os mais visitados pelos trens…

PS- Tenho que fazer um agradecimento especial à Mayara Facchini (https://www.facebook.com/mayarafacchini?fref=ts), que foi a editora que me convidou a traduzir o livro que conta essa história. 

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A tradução que estraga a piada

Como todos os nerds – e os não-nerds – sabem, saiu mais um episódio da Saga Star Wars, aquela que trouxe o vilão mais amado do cinema.

darthDesta vez, a saga está sendo produzida sob o guarda-chuva da Disney, uma vez que seu criador George Lucas vendeu tudo para a empresa do Mickey e está agora apenas como “consultor”, vivendo uma aposentadoria mais do que merecida.

Quem sabe virão bons filmes…

Mas a lenda de que existe um brasileiro brincalhão na equipe de criação persiste, mesmo com todas essas mudanças. Esse brasileiro estaria lá só pra sacanear com o George Lucas, sabendo que o pessoal não entende português, então seria ele o criador dos nomes bizarros dos personagens.

Vejam só os nomes que foram criados:

No episódio 2, de 2002, “Ataque dos Clones”, o grande Christopher Lee aparecia como um personagem que aqui foi traduzido como Conde Dookan, mas o nome dele é Conde Dooku.

Abaixo, vemos o comentarista de duas cabeças que aparece no episódio 1, “Ameaça Fantasma”, de 1999:

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Eles são chamados de Fode e Beed… Só não sei quem Fode… er… Você entendeu.

Tem mais, no mesmo episódio 1, o Capitão Panaka foi batizado aqui de Capitão Panaci. Imagina no cinema, quando alguém o chamasse pelo nome…

Tem mais alguns exemplos, ainda, como o Capitão Typho e a princesa Amidala.

Mas acho que o pior é um personagem que (ainda) não apareceu nos filmes, é apenas citado, e que aqui foi rebatizado como Zaifo-Vias, mas cujo nome original é… Syfo-Dias!

Ahahahahah!

SD-HS Sifodyas Sifo-Dyas_Holo

Mais acima, eu disse que o tal brasileiro brincalhão continuaria na equipe, mesmo com a mudança para a Disney e sendo comandada pelo J. J. Abrams. Pois bem, tenho provas.

No novo episódio de Star Wars, tem uma cena que mostra uma nave do Império destroçada em um planeta. Adivinha o nome do planeta?

Planeta Jaku!

Ahahahahaha!

Só para terminar, tenho um protesto a fazer, ainda no tema “traduções” e “Star Wars”. Não sei se quem assistiu percebeu, mas na nova trilogia (aquela dos episódios 1, 2 e3), o famoso Lado Negro da Força foi trocado por “Lado Sombrio da Força”.

Pô! “Lado Negro” é muito mais legal que “Lado Sombrio”!

Mas essa foi uma vitória do lado negro… Ops!… Do lado sombrio do “politicamente correto”, pelo que entendi. Porque “negro” tem conotação preconceituosa e blá-blá-blá.

Ouvi boatos de que essa mudança não se restringirá ao ex-Lado Negro da Força. Parece que teremos outras mudanças, também:

Lado-sombrio-Classificados2

Lado-sombrio-Raca

Aí, eu penso… Lado negro não pode, mas Black Friday pode?

 

 

Legendagem: A rotina do profissional das legendas

Existe um tema conectado ao lazer das pessoas que talvez seja o campeão de reclamações: a má qualidade das legendas dos filmes e séries exibidos na TV (ou no cinema).

Com o advento da “nova classe média” há alguns anos – resumindo, o crescimento do poder aquisitivo das classes sociais menos favorecidas impulsionou o consumo de bens e serviços durante algum tempo (bolha que hoje já furou, pelo excessivo endividamento dessas famílias) – houve um aumento da demanda por esse tipo de lazer. Novos canais pagos e novos serviços, como Netflix, passaram a oferecer uma grande variedade de programas e filmes, o que provocou uma corrida a profissionais de legendas. Como essa necessidade era premente, e não havia tantos profissionais habilitados, a saída foi recorrer àqueles que ainda estavam “verdes”. Daí essa quantidade de erros, apesar de haver pessoas que revisam o trabalho…

Mas a vida do legendador não é assim tão fácil como se pensa: “Que legal, assistir os filmes antes de todo mundo!”. Se os canais correm para lançar as séries no Brasil cada vez mais perto da data de estreia no exterior, o trabalho das empresas que legendam episódios também precisou ser acelerado. O tempo de preparação das legendas de um capítulo caiu pela metade: em média, de uma quinzena para uma semana.

O trabalho desse tradutor requer – além da óbvia fluência nos idiomas – uma boa bagagem cultural, porque é comum ele ser obrigado a adaptar uma piada ou situação. E a chave para a legenda é a síntese. Porque, além de uma legenda de qualidade, ele precisa colocar a menor quantidade possível de informação na legenda, mas sem perder o contexto. O espectador lê o texto e vê a imagem. Se tiver muita informação, ele só vai ler. Se tiver pouca informação, pode não compreender a cena quando levantar os olhos.

Sem contar que os softwares de legendagem permitem apenas cerca de 30 caracteres dispostos em duas linhas (o motivo é que o limite de leitura do brasileiro é entre 18 a 20 caracteres por segundo. Acima disso, nem todos conseguirão ler, e aqueles que puderem fazê-lo não terão tempo para ver o vídeo, causando com certeza um grande desconforto).

O primeiro passo do tradutor é assistir ao filme e marcar – no script fornecido pelo estúdio – as possíveis divisões das legendas, baseando-se nas pausas das falas dos personagens e tendo em mente a limitação dos caracteres. O tradutor deve levar em conta a ambientação: é um filme de época? É um filme regional? É um filme no qual se usa gírias demais? A tradução precisa ser baseada na linguagem original da obra, que pode não ser nada simples – desde complexos diálogos Shakespeareanos até gírias australianas “intraduzíveis” ao Português.

Além disso tudo, ele precisa conhecer gírias, estar atualizado com expressões idiomáticas, evitar falsos cognatos (silicon não é silício, actually não é atualmente, coroner não é coronel, e por aí vai) e conhecer o universo da cultura pop: seriados, filmes, quadrinhos, música, etc. etc.

Enfim, há inúmeros detalhes e tantas variáveis que talvez seja legal ler o depoimento de uma profissional, que ilustra bem a aventura diária do tradutor/ legendador:

“A manhã começa e lá estou eu, com o computador ligado, depois de checar os e-mails diários. O arquivo digital de vídeo está aberto dum lado e o Word, do outro. Os dicionários eletrônicos e o Google também estão a postos, aguardando a consulta mais ou menos frenética, conforme o nível de dificuldade e/ou informalidade do enredo de hoje.

O filme começa a rodar, e graças à era digital, tudo é controlado pelo teclado. Há muito tempo o videocassete ficou para trás… Ainda bem! O respectivo roteiro chegou na última hora. Ufa! Não vai ser preciso voltar inúmeras vezes cada cena a fim de conferir o que está sendo dito (depois de tanto tempo de experiência, aprendi a identificar se o roteiro é ou não de confiança…).

legendagemNo começo, devido aos créditos do filme na parte inferior da tela, as legendas devem ficar na parte superior da mesma. O cliente exige o uso de um sinalzinho para indicar isso. É preciso atenção. Passam-se alguns minutos de filme e a legendagem vai bem, segue tranqüila. Os diálogos são espaçados, simples, por enquanto. (Ainda bem que não é um Woody Allen!) Oba, vai ser fácil e rápido… Doce ilusão… logo, logo, vão aparecendo os desafios:

Pull 52 good bennis, and take home a car.

“Bennis”? De onde foram tirar isso? A explicação dos dicionários não cabe… Google nele. Descobri: é de Benjamin Franklin, que está na nota de US$100. Problema resolvido, bola pra frente.

Will Macy’s tell Gimble’s?

E agora? Não quero usar os nomes das lojas, prefiro “mastigar” a informação para o telespectador neste caso, visto que o público é variadíssimo: “O concorrente será avisado?” Maravilha, a frase tem 28 caracteres, perfeita para os dois segundos que ficará na tela.

“I’ll try to find ice, since we are in Iceland”.

Ah, começo a quebrar a cabeça pra tentar uma adaptação, mas não posso mudar o nome do país. Não tem jeito:

“Tentarei achar gelo, já que estamos na Islândia.”

Fazer o quê? Nem tudo é perfeito.

I’m the rapper.
Oh, for real. And here’s the 611 on that.

– That’s phone repair. You mean 411.
– Right.

Mais uma. Volto para a internet e descubro que 611 é o número discado nos Estados Unidos para solicitar serviços de reparos telefônicos, e 411 é o número para obter informações. Depois de desvendar o mistério, parto para a adaptação… Os trocadilhos continuam, desafiando os padrões gramaticais e de estilo do cliente, que não são poucos.

They’re chewing my ears off wanting to know when
you’re going to launch a murder enquiry.

Ih, a tradução dessa fala tem de caber em uma linha e meia… e não posso usar gírias…

You are a nation of peeny-weeny,
piffling, piccolini, piddly-diddly pouft!

Pelo amor de Deus, alguém me socorre. Essa legenda deve ficar quatro segundos na tela, o que vou escrever aqui??? Ainda por cima, tem de fazer sentido para um público amplo, não posso usar termos regionais, que só serão compreendidos aqui em Sampa.

– I’ll watch your back.
– It’s me front I’m worried about.

Três segundos para fazer esse trocadilho? (Nota de rodapé não pode, nem gíria, lembre-se.) 

his was like the Keystone Kops
versus The Gang That Couldn’t Shoot Straight.

Não entendi nada, mas como o roteiro é legal (eu bem que avisei…), veio tudo explicadinho:

Keystone Kops: an incompetent group of policemen featured in silent films from 1912 to 1917.

The Gang That Couldn’t Shoot Straight: a film from 1971 about an incompetent gang of hoodlums.

Ajudou muito!!! Traduzir ao pé da letra não dá, claro. Mais meia hora pensando numa adaptação que dê exatamente esse sentido. Não, não posso usar “É o roto falando do rasgado”, pois tenho duas linhas com 32 caracteres para encher, já que a fala dura quatro segundos. Quem disse que legendagem era fácil?


We want you to find this…

because the finding of this
finds you incapacitorially finding…

and/or locating in your discovering a way
to save your dolly belle, ol’ what’s-her-face.

Savvy?

Hoje é dia… e eu que achei que seria rápido e fácil…

Thank you!

Essa não! O personagem é hermafrodita, não tem gênero explicitamente definido no filme. Não posso eu, mera tradutora, estragar o contexto. Vai ficar: “Eu agradeço”. É, nem um simples “obrigado/a” sai ileso após um dia de legendagem. ;-) “

Flávia Fusaro é intérprete e tradutora credenciada pela ATA, e trabalha na área desde 1996. É responsável pela versão da HBO das seguintes séries:RomaAmor Imenso, e também pela legendagem dos títulos: Piratas do Caribe 2Os InfiltradosHappy FeetA Casa do LagoO Código da Vinci,Superman, o Retorno, entre outros. E-mail: ffusaro@hotmail.com.

 

 

Fontes:
teclasap.com.br
artedatraducao.blogspot.com.br
tradutorlegendagem.blogspot.com.br

Os títulos dos filmes em português são bons ou ruins?

Já li muitas vezes críticos de cinema detonando as traduções que são feitas no Brasil para os títulos dos filmes. Há casos clássicos pela bizarrice, como “A Noviça Rebelde” (The Sound of Music), porque não havia nenhuma rebelião no convento. Ou “Assim Caminha a Humanidade”, que nada tem a ver com o original, Giant. Assim como sempre quis saber como se escolhe o nome de um carro (assunto deste post:  https://otrecocerto.com/2012/08/23/como-e-escolhido-o-nome-de-um-carro/), também tenho curiosidade em saber o motivo de alguém ter tirado um título do nada como “Os Brutos Também Amam” para um filme chamado simplesmente de Shane, o nome do protagonista…

Essa resposta não consegui, ou pelo menos, só descobri uma parte: ao que parece, o título do filme é criado em português a partir da sinopse, sem que o tradutor o tenha assistido antes. Mas, sendo justo, acho que, muitas vezes, o título em português é melhor do que o original, que é sem graça ou incompreensível para o nosso público. Um exemplo disso é “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”, melhor do que o insosso Airplane (Avião) original – e que fazia alusão a um popular (e horroroso) filme-catástrofe da época, “Aeroporto” (Airport).

Abaixo, listei alguns filmes famosos com o título que foi lançado aqui, o original e sua tradução literal, se nossos distribuidores optassem por lançá-los assim:

Tarde Demais para Esquecer – An Affair to Remember (Um Caso para ser Lembrado)

O Homem que Odiava as Mulheres – The Boston Strangler ( O Estrangulador de Boston)

Sintonia de Amor – Sleepless in Seattle (Insone em Seattle)

A Força do Destino – An Officer and a Gentleman (Um Oficial e um Cavalheiro)

O Pecado Mora ao Lado – The Seven Year Itch (O Comichão do Sétimo Ano)

Ladrão de Casaca – To Catch a Thief (Como Capturar um Ladrão)

Matar ou Morrer – High Noon (Meio-Dia)

Como se pode notar por esses poucos exemplos, nossos títulos são mais atraentes. Afinal, sua função é chamar a atenção do público e atraí-lo para as salas de cinema! Mas tenho que reconhecer que há algumas traduções, ou melhor, invenções que mostram a criatividade de nossos tradutores, mas que ficaram bem toscas:

As Bem Armadas – The Heat (As Poderosas)

Entrando Numa Fria – Meet the Parents (Conheça a Família) – o problema maior foi ter que continuar a piada nas sequências, aí o último ficou quilométrico: “Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família.”

Fé Demais Não Cheira Bem – Leap of Faith (Ato de Fé) – santa criatividade!

Se Beber, Não Case! – The Hangover (A Ressaca)

 O Garoto do Futuro – The Teen Wolf (O Lobo Adolescente) – quiseram aproveitar a popularidade do Michael J. Fox, o eterno Marty McFly.

O Tiro que Não Saiu pela Culatra – Parenthood ( Paternidade) – santa criatividade! (2)

Amor sem Escalas – Up in the Air (Lá em Cima no Céu) – a tradução é nada a ver com o filme…

Onze Homens e um Segredo – Ocean’s Eleven (Os Onze Homens de Ocean) – Ocean é o nome do personagem principal do filme (George Clooney) e nosso título parece, sei lá, um filme de mistério, de terror… Enfim, não é pior do que em Portugal, que ficou “Ocean’s Eleven – Façam as Vossas Apostas”.

A Primeira Noite de um Homem – The Graduate ( O Formando) – o personagem de Dustin Hoffman nem era virgem…

Minha mãe quer que eu case – Because I said so (Porque eu disse) – o problema aqui é que contaram o filme no título…

Sei que há muitos mais, por isso, se quiser lembrar mais alguns, fique à vontade nos comentários!