Como nasceu o boato de que Paul McCartney estaria morto

Em 1969, o DJ Russel Gibb, da rádio WKNR de Detroit, deu a chocante notícia: Paul McCartney está morto. O beatle morrera em um acidente de carro havia três anos. Parecia absurdo, mas ouvintes adicionaram detalhes. Um certo Adam LaBour chegou a descrever a morte de McCartney em artigo para o jornal da Universidade de Michigan.  O fato se espalhou tão rápido que Paul teve de se deixar fotografar pela revista Life com a família, em sua fazenda.

De fato, Paul sofreu um acidente de moto perto de Liverpool, ficando com uma cicatriz no lábio e um dente quebrado. Isto pode ser observado nos vídeos de “Paperback Writer” e “Rain”, onde Paul aparece com um implante dentário e com os lábios inchados. Mas tudo começou, na verdade, bem antes.

Em 1966, logo após o lançamento do álbum Revolver, os Beatles pararam de excursionar em virtude da dificuldade de tocar ao vivo os arranjos cada vez mais complexos e inusitados de suas músicas. Esse “sumiço” dos Beatles dos palcos alimentou a boataria. Paul teria morrido no acidente, mas tudo foi “abafado” e por isso eles não faziam mais apresentações ao vivo.  Paul tinha um sósia quase-perfeito, que inclusive teria sido seu dublê durante as filmagens de “A Hard Day’s Night” (1964) e “Help!” (1965). Logo, o tal sósia foi convocado – seu nome seria William Campbell (outras fontes citam que o nome do sósia seria Billy Shears, personagem que seria “apresentado” ao mundo, de forma velada, em Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band), já que os Beatles tinham contrato milionário com a Capitol Records e tinham que cumpri-lo.

Centenas de matérias em jornais, especulações de fãs e mesmo livros foram surgindo sustentando a versão da morte de Paul. As pessoas que acreditavam nisso se basearam em centenas de pistas que supostamente haviam sido deixadas de propósito pelos outros Beatles nas letras das músicas, nas capas dos discos e nos filmes posteriores da banda.

Vou listar algumas dessas pistas, espalhadas em capas de discos e letras de músicas:

Rubber Soul (final de 1965)

John, na foto da capa, olha para baixo como se observasse uma sepultura. A sepultura de Paul…A fotografia da capa foi distorcida para que não se notasse que Paul havia sido substituído…

A letra de “Girl” diz “that a man must break his back to earn his day of leisure will she still believe it when he’s dead?”, (“um homem tem que trabalhar duro para ter seu dia de lazer, ela ainda acreditará nisso quando ele estiver morto?) uma citação à morte, o que se tornaria comum a partir daqui.

Tem mais… A letra de “I’m Looking through You” diz: “You don’t look different but you have changed, I’m looking through you, you’re not the same… you don’t sound different… you were above me but not today, the only difference is you’re down there…” (Você não parece diferente mas você mudou, eu olho através de você, você não é mais o mesmo” se refere obviamente a Paul ter sido substituído por um sósia e não ser mais a mesma pessoa. “A única diferença é você estar embaixo” se refere ao fato de o verdadeiro Paul estar em uma sepultura).

A letra de “In My Life” diz: “some are dead and some are living” (Alguns estão mortos e alguns estão vivos, uma referência aos Beatles não estarem mais juntos).

Revolver (1966)

Ao invés de uma foto dos Beatles, pela primeira vez foi feito um desenho, para evitar que o sósia fosse desmascarado pela foto.

A música “Taxman” seria, na realidade, sobre um Taxidermista, pessoa responsável por empalhar animais mortos e fazer parecer que eles ainda estão vivos. Na letra há referências ao acidente de Paul (“if you drive a car”se você dirige um carro) e ao fato de Paul estar morto (“if you get too cold”se você ficar frio). A melhor pista é “my advice to those who die taxman..”, ou seja meu conselho para aqueles que morrem, um taxidermista (para que o morto continue parecendo vivo).

Dr. Robert teria sido o médico responsável por tentar salvar Paul. Na letra consta: “you’re a new and better man” ou você é um homem novo e melhor” se referindo ao novo Paul. “He does everything he can, Dr. Robert” ou Dr Robert faz tudo o que pode” se refere ao fato de Dr. Robert ter feito todo o possível para tentar salvar Paul.

(A canção contém várias referências às drogas, incluindo o fato de que traficantes de drogas às vezes eram chamados de ‘doctors’ (doutores) na gíria inglesa. Os Beatles eram frequentemente acusados de usarem referências às drogas em suas músicas, apesar de eles negarem fazê-lo intencionalmente; ironicamente, as referências nessa música são muito pouco percebidas. John disse que o ‘Doutor Robert’ na verdade era ele mesmo: “Eu era o único que carregava todas as pílulas nas excursões… nos primeiros dias”. No entanto, foi especulado que o Doutor Robert na vida real era o Doutor Robert Freymann, que supria “grande quantidade de anfetamina para o pessoal”).

Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (1967)

Na capa do disco, há um arranjo floral funerário que lembra seu baixo Hofner, assim como um “P”, de Paul.

Segundo alguns, o sósia de Paul seria Billy Shears, que aparece na capa. Outra referência é o verso: “He he blew his mind out in a car… he didn’t notice that the lights had changed” (“Ele arrebentou a cabeça num carro… não percebeu que o sinal havia mudado”) na música “A Day in the Life”.

(Quanto à letra de “A Day In The Life”, Lennon compôs a música após ler a notícia da morte do jovem socialite Tara Browne, herdeiro da cervejaria Guinness, de 21 anos, morto em 18 de dezembro de 1966. John estava tocando piano em sua casa quando leu a notícia da morte de Browne no jornal Daily Mail. Tara Browne estava dirigindo com sua namorada, a modelo Suki Potier, no seu Lotus Elan através da South Kensington em alta velocidade, coisa de 170km/h. Ele não conseguiu ver a luz do sinal de trânsito e prosseguiu através da esquina da Redcliffe Square com a Redcliffe Gardens, colidindo com um caminhão estacionado, e morreu no dia seguinte).

Na capa do disco, pode-se ser BE AT LESO, “fique em Leso”, o local do sepultamento de Paul, na ilha de Leso… E tem a mão espalmada acima da cabeça do Paul (ou do sósia!)… Nos sulcos finais da última faixa do LP,  e girando ao contrário, ouvia-se claramente a frase: ” Paul McCartney is dead to” (Paul McCartney está morto sim).

Na foto da bateria, se você colocar um espelho horizontalmente cortando a frase “Lonely Hearts” e olhar a combinação da parte de cima das letras com o reflexo surge a frase “one he die”, referindo-se à morte de um dos Beatles.

Calma, ainda tem mais! Os fãs eram criativos!

Magical Mystery Tour (1967)

Paul está vestido de leão marinho, um símbolo da morte em algumas culturas (er… será?) . No livro que vinha junto com o disco, em sua versão original, havia uma foto dos Beatles, cada um com uma rosa na lapela. Todos tinham rosas vermelhas, a não ser Paul, que usava um cravo preto ( isso aparece no vídeo de “Your Mother Should Know”, também).

Ao final de All You Need Is Love”, você pode ouvir John dizendo algo semelhante a “yes! he is dead!” O que Lennon realmente fala é “Yesterday”, referindo-se à tradicional canção da primeira fase dos Fab Four.

“Magical Mystery Tour” seria a jornada que todos os fãs de Paul iriam percorrer para decifrar o enigma de sua morte.

Abbey Road (1969)

Na capa, John, de branco, seria o padre. Ringo, o agente funerário (de preto), e George, o coveiro (de calças jeans surradas). Na sessão de fotos, fazia tanto calor que Paul resolveu tirar os tênis ou sapatos, não sei o que ele usava… Como na Inglaterra seria costume enterrar os mortos descalços, isso contribuiu para a boataria.

A placa do fusca branco estacionado na rua é “LMW” referindo se as iniciais de “Linda McCartney Widow” ou “Linda McCartney Viúva” e abaixo o “281F”, supostamente referindo-se ao fato de que McCartney teria 28 anos se (if em inglês) estivesse vivo.

Na letra de Come Together“one and one and one is three” ou um mais um mais um são três, referência aos três Beatles restantes, ou seja só o John, George e Ringo.

Na contracapa, ao lado direito da palavra Beatles, uma imagem feita de luzes e sombras aparece. Trata-se de uma caveira, claramente, com dois olhos e boca e do lado esquerdo há 8 pontos formando o número 3 (sendo então “3 Beatles”)…

É mole? Os Beatles sempre negaram qualquer envolvimento ou colaboração com os boatos.

Eu era moleque, na época, e embarquei nessa genial estratégia de marketing, comprando todos os discos e revistas e jornais que podia, para acompanhar as notícias e as novas pistas, que surgiam a toda hora.

Acho que a pista mais famosa talvez tenha sido em “Strawberry Fields Forever”, onde Lennon, ao final, diz “I Buried Paul” (Eu enterrei Paul). Anos mais tarde, Lennon revelou que na realidade a frase era “Cranberry Sauce”, o nome de um molho usado para temperar aves, como o peru…

https://vimeo.com/243433938

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

Wikipedia

guiadoscuriosos.uol.com.br

O primeiro show em arenas da História: os Beatles no Shea Stadium

Até aquele 15 de agosto de 1965, estádios de beisebol ou estruturas semelhantes jamais haviam sediado um show musical, e pelas mais diversas razões. Os problemas com a sonorização são básicos e óbvios. Mas havia outros tantos, o principal talvez era que o grupo, orquestra ou artista haveria de ser muito famoso para justificar a aparente megalomania de uma performance em espaço tão grande quanto incomum. Os Beatles seriam esse grupo?

Em 1965, é provável que não existisse ninguém mais famoso na face da Terra.

Longe de sua Inglaterra, os Fab Four (Quatro Fabulosos, como eram chamados) toparam o maior dos desafios até então, aceitando uma produção tocada em parceria pela NEMS Enterprises, de Brian Epstein, e a Sullivan Productions, do apresentador Ed Sullivan. O evento contou com todos os requintes de mídia disponíveis à época. A disposição de todos era fazer um evento grandioso, profissionalmente filmado, e que seria transformado posteriormente em especial de TV nos Estados Unidos e na Inglaterra.

A intenção para o show no Shea Stadium, de beisebol, em Nova York, era que os Beatles descessem com um helicóptero bem no meio do campo e que dali fossem correndo para o palco. Mas essa ideia foi abortada por não terem conseguido autorização, pois seria uma manobra perigosa demais de se realizar. O que aconteceu foi que eles pousaram com o helicóptero a uma certa distância do estádio e, de lá, foram levados em um furgão blindado da empresa Wells Fargo (os distintivos que eles usavam nas roupas, durante o concerto, eram dessa empresa).

Quando o apresentador Ed Sullivan subiu ao palco e usou os microfones para proferir a frase histórica: “Now, ladies and gentlemen… honored by their country, condecorated by their queen and loved here in America, here they are: The Beatles!”, a plateia teve certeza de que eles de fato iriam se apresentar ali. Antes, a produção americana obrigou a plateia a aguentar, por quase uma hora, um festival impressionante de artistas sem grande expressividade, como o grupo Sounds Incorporated, Cannibal & Headhunters, Brenda Holloway e King Curtis Band. Após a apresentação de Sullivan, já trajados com os “terninhos militares”, com os distintivos da Wells Fargo, os Beatles subiram as escadas que davam acesso ao gramado do estádio e correram até o palco, ouvindo 55.600 fãs gritando descontroladamente.

O impressionante é que os ingressos, quando colocados à venda, foram vendidos em poucas horas. Numa época em que não havia smartphones, nem aplicativos e nem internet.

Imagens tiradas no show mostram muitos adolescentes e mulheres chorando, gritando, e até mesmo desmaios. O barulho da multidão era tal que os policiais podiam ser vistos a tapar os ouvidos quando os Beatles entraram. Apesar da presença de forte esquema de segurança, alguns fãs conseguiram entrar em campo várias vezes durante o show e foram perseguidos e contidos. O filme também mostra John Lennon irônico, apontando um incidente desses enquanto ele tentava conversar com o público entre as músicas.

O setlist desse show – extenso, para a época – foi:

Twist And Shout
She’s A Woman
I Feel Fine
Dizzy Miss Lizzy
Ticket To Ride
Everybody’s Trying To Be My Baby (quinta faixa do lado 2 do vinil “Anthology 2”)
Can’t Buy Me Love
Baby’s In Black
I Wanna BeYour Man
A Hard Day’s Night
Help!
I’m Down

Haviam alguns famosos assistindo a esse lendário concerto dos Beatles. Mick Jagger, Keith Richards e Andrew Loog Oldhan, empresário dos Rolling Stones, assistiam tudo de um lugar situado atrás da saída do estádio, de frente para a primeira base. Segundo consta, Mick Jagger ficou surpreso com a reação do público com os Fab Four. Quem também estava no concerto era a futura atriz Meryl Streep, que tinha 16 anos na época, e estava com um “button” escrito “I Love You, Paul”.

Os Beatles voltaram ao estádio no dia 23 de agosto do ano seguinte, dessa vez tocando para um público menor, de 44.000 pessoas. Seis dias depois (29/08/1966), eles realizariam seu último concerto de turnê, no Candlestick Park, em São Francisco.

Em 2009, Paul voltou ao Shea Stadium – que agora se chama Citi Field e fica ao lado do estádio antigo, demolido em 2008.

Se você nunca assistiu, esta é sua chance de ver o primeiro show de rock em arenas da história:

 

Fonte:

The Beatles Brasil

A história por trás da capa de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”

Talvez seja o disco mais lendário da história da música pop.

Teve sua capa copiada centenas de vezes; é frequentemente citado como o melhor e mais influente álbum da história do rock e da música. Lançado em 1º de junho de 1967 na Inglaterra, o álbum foi gravado em pouco mais de 4 meses, que são considerados os mais criativos da história da banda. Inovador desde sua técnica de gravação até a elaboração da capa, o álbum se tornou um clássico.

Mesmo sem tocar nas rádios e sem um forte apelo comercial, o álbum teve 11 milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos. Em 2003, a revista Rolling Stone colocou “Sgt. Pepper’s” no topo de uma lista dos 200 álbuns definitivos.

Gravado às véspera do “verão do amor”, no início da era hippie, “Sgt. Pepper’s” rompeu os limites da música pop e fez com que um disco deixasse de ser uma simples reunião de canções para se transformar em uma obra de arte com identidade própria.

Sem o compromisso com viagens e turnês, a banda pôde concentrar-se e se dedicar totalmente à produção do disco. Com a liberdade criativa entregue a George Martin, a inovação rondava os estúdios de Abbey Road.

“Sgt. Pepper’s” demorou mais de 700 horas para ser gravado e custou cerca de US$ 75 mil, números absurdos naquela época. Para se ter uma ideia, apenas quatro anos antes os mesmos Beatles haviam gravado seu primeiro álbum, “Please Please Me”, em um único dia.

A concepção desse disco surgiu de Paul McCartney, que propôs a seus companheiros que se “transformassem em outro grupo” e sugeriu o nome de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (A Banda do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta), inspirado nas bandas com nomes criativos que surgiam nos Estados Unidos naquela época, como “Quicksilver Messenger Service” ou “Big Brother and the Holding Company”.

Paul também foi o idealizador da capa. Paul desenhou em um pedaço de papel uma multidão em uma praça para assistirem Sgt. Pepper e sua banda receberem do prefeito um troféu. Ele contou sua ideia para Robert Frazer que o levou para conhecer Peter Blake, um dos artistas fundadores do Movimento Pop Art. Peter então fez o seu desenho, mudando ligeiramente o conceito inicial, que iria mudar mais até se tornar a capa como nós a conhecemos.

Nessa primeira reunião entre Blake, Frazer e McCartney, nasceu a ideia da banda escolher a galeria de pessoas a serem representadas na capa. Paul então levanta a proposta com os demais Beatles, sugerindo que todos relacionassem nomes de pessoas que admiram e que gostariam de ver na capa.

Abaixo, o rascunho de Blake para o conceito de Paul.

“Sgt. Pepper’s” não se destacou somente por sua música, mas também pela bela arte da capa e pelos encartes. A foto da capa, com os quatro Beatles uniformizados e de bigode, chamou a atenção especialmente pela sua colagem. Nela se pode ver o rosto de várias celebridades, como Marilyn Monroe, Marlon Brando, Bob Dylan, o então chamado Cassius Clay (depois, Muhammad Ali), D.H. Lawrence, Aleister Crowley e até Shirley Temple. Também apareceriam Karl Marx, Gandhi, Hitler e Jesus Cristo, mas foram deixados de fora.

Jesus Cristo não foi incluído por causa da declaração de um ano antes de John, dizendo que os Beatles eram mais populares que ele – isso poderia gerar mais protestos. Hitler, que iria aparecer por insistência de John, foi eliminado por motivos óbvios.

Detalhe de um layout inicial da capa, onde aparecia o rosto de Gandhi.

O rosto do ator mexicano Germán Valdés “Tin Tan”(irmão do também consagrado ator Ramón Valdés, o Seu Madruga do seriado Chaves) aparecia na capa, mas ele não autorizou sua exibição na última hora, enviando em seu lugar uma árvore da vida de Metepec (planta tradicional mexicana) que aparece em um canto.

Veja a seguir quem é quem.

1. Sri Yukteswar
2. Aleister Crowley
3. Mae West
4. Lenny Bruce
5. Stockhausen
6. W.C. Fields
7. Carl Jung
8. Edgar Allen Poe
9. Fred Astaire
10. Merkin
11. The Vargas girl
12. Huntz Hall
13. Simon Rodia
14. Bob Dylan
15. Aubrey Beardsly
16. Sir Robert Peel
17. Aldous Huxley
18. Dylan Thomas
19. Terry Southern
20. Dion
21. Tony Curtis
22. Wallace Berman
23. Tommy Handley
24. Marilyn Monroe
25. William Buroughs
26. Mahavatar Babaji
27. Stan Laurel
28. Richard Lindner
29. Oliver Hardy
30. Karl Marx
31. H.G. Wells
32. Paramhansa Yogananda
33. Stuart Sutcliff
35. Max Muller
37. Marlon Brando
38. Tom Mix
39. Oscar Wilde
40. Tyrone Power
41. Larry Bell
42. Dr. Livingstone
43. Johnny Weissmuller
44. Stephen Crane
45. Issy Bonn
46. George Bernard Shaw
47. Albert Stubbins
49. Lahiri Mahasaya
50. Lewis Carol
51. Sonny Liston
52 – 55. The Beatles
57. Marlene Dietrich
58. Diana Dors
59. Shirley Temple
60. Bobby Breen
61. T.E. Lawrence

Corrida pelo direito de imagem dos artistas:

Na época em que o álbum estava sendo gravado, Brian Epstein, empresário dos Beatles, começou a ter maiores problemas com drogas, tendo ficado internado em um centro de reabilitação de Londres chamado Priory. Wendy Hanson, secretária da Nems (loja de Epstein), havia pedido demissão devido aos abusos de Brian, mas teve de ser recontratada como freelancer para que pudesse ir atrás dos direitos de imagem de todos aqueles que participariam da capa, já que ela era a única que saberia fazer isso.

Sir Joe Lockwood, presidente da EMI à época, chegou a visitar Paul McCartney pessoalmente para falar que eles não usariam a imagem de Gandhi, pois poderiam ser processados. McCartney, então, o rebateu: “Todas aquelas pessoas vão estar satisfeitas por estarem na capa. O que vocês devem fazer é ligar para todas e pedir. Já fizeram isso?”. Ao receber a resposta negativa, ele continuou: “Bom, então telefonem para Marlon Brando ou o agente dele e digam que os Beatles adorariam tê-lo nessa pequena montagem, nas filas da frente. Não se trata de nada que possa prejudicá-lo ou coisa parecida. É uma homenagem que os Beatles estão prestando. Expliquem isso. Acho que as pessoas ficariam satisfeitas em aparecer na capa. Não é pouca coisa estar numa capa dos Beatles”.

Nem todos os artistas da capa foram, de fato, contatados para a obtenção do direito de imagem. Porém, a banda nunca sofreu qualquer tipo de ameaça de processo pelo uso “indevido”.

O ator americano Leo Gorcey foi o único retirado da arte por ter cobrado um valor de US$ 400 por sua imagem. E Gandhi ficou de fora porque a gravadora ficou com medo de os seguidores dele ficarem ofendidos.

Quem escolheu as figuras?

John Lennon: algumas das escolhas de John foram apenas para provocar, mesmo. Entre elas, podemos citar Adolf Hitler e o Marquês de Sade, os dois últimos jamais chegando à arte final. Brigitte Bardot, Lord Buckley, James Joyce e Friedrich Nietzsche também acabariam de fora. Os homenageados presentes são Lenny Bruce, Aleister Crowley, Dylan Thomas, Oscar Wilde, Edgar Allan Poe e Lewis Carroll.

George Harrison: a sua lista só incluiu gurus indianos. São eles: Sri Mahavatara Babaji, Sri Yukteswar Giri, Sri Lahiri Mahasaya e Paramahansa Yogananda.

Ringo Starr: Ringo não se interessou em escolher ninguém para o mural, porém apoiou as escolhas feitas pelos demais.

Paul McCartney: embora nem todos de sua lista de homenageados acabassem na arte final, Paul relacionou suas opções como sendo William Burroughs, Robert Pell, Karlheinz Stockhausen, Aldous Hexley, H.G. Wells, Albert Einstein, Carl Jung, Aubrey Beardsley, Alfred Jarry, Tom Mix, Johnny Weissmuller, Rene Magritte, Tyrone Power, Karl Marx, Richmal Crompton, Dick Barton, Tommy Handley, Albert Stubbins e Fred Astaire.

Peter Blake e Jane Haworth: o casal de artistas contribuiu com a presença de W.C. Fields, Tony Curtis, Dion DiMucci, Bobby Breen, Shirley Temple, Sonny Liston, Johnny Weissmuller e H.C. Westerman.

Robert Frazer: Entre os homenageados, estão lá por sua escolha: Terry Southern, Wally Berman e Richard Lindner.

Curiosidades

  • Muitos acreditam que a capa contenha uma mensagem oculta sobre a suposta morte de Paul McCartney, já que na parte inferior parece haver uma tumba adornada com flores e um contrabaixo também feito de flores com apenas três cordas, o que significaria a falta de um Beatle. Se for verdade mesmo, o “outro” Paul é tão bom ou melhor que o original…

  • Paul McCartney tinha como ideia original a banda vestida em uniformes lembrando o Exercito da Salvação. Os outro três não gostaram e partiram para confeccionar um uniforme próprio. Eles foram feitos na Burman’s, do alfaiate Maurice Burman, que normalmente fazia material militar para filmes épicos. O uniforme da banda de Sgt. Pepper é um somatório de vários estilos de uniformes ingleses em períodos diferentes da história. Cada Beatle escolheu uma cor, optando sempre por cores fortes. A intenção era confrontar o raciocínio tradicional de que uma tropa tem que ser vestida igual, de uma só forma. Literalmente, uniforme…

  • Rara foto, onde se vê o processo de produção:

  • Abaixo, uma das primeiras alternativas para a capa. Nela, pode-se notar além do posicionamento diferente dos quatro Beatles, o bumbo que foi substituído pelo definitivo no decorrer da sessão.

  • O encarte foi também uma sacada inovadora. Além de imprimir as letras das músicas (o primeiro álbum a trazer isso), outra ideia foi incluir um envelope com diversos decalques auto-colantes e tatuagens que colassem na pele com uma lambida. Elementos que remeteriam à infância, quando essas coisas eram dadas na compra de um chiclete ou revista em quadrinhos. Mas a gravadora EMI reclamou muito da despesa extra e da impraticabilidade de toda a ideia. Assim, o meio termo se tornou o encarte. Em um fundo verde de papelão, você teria a opção de recortar, se quisesse, uma medalhinha, um bigode do Sgt. Pepper e o colorido bumbo da banda. O painel também incluía um desenho do Sargento, baseando-se no rosto de um busto que existia no jardim de John e que foi usado na foto da capa (claro que recortei tudo quando comprei minha cópia…)

  • Mas o disco sofreu censura em vários países. Na versão lançada no Sudeste Asiático, Malásia e Hong-Kong, a gravadora retirou as canções interpretadas como relacionadas às drogas e as substituíram por outras, do “Magical Mystery Tour”.

As canções que saíram foram With A Little Help From My Friends, Lucy In The Sky With Diamonds e A Day In The Life. E as substitutas foram:  The Fool On The Hill, Baby You’re A Rich Man e I’m The Walrus (sic).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:
somvinil.com.br
independent. co.uk
whiplash.net
crestivegames.org.uk

Você já cantou errado algumas músicas?

“Trocando de biquíni sem parar”? Não, é “tocando B.B. King sem parar”.

Você já cantou assim também, não é? Eh eh eh…

Li uma matéria uma vez que falava sobre esse assunto, a gente usar de “embromation” quando não entende a letra de uma música. Fiz muito isso.

Tem aquela do Djavan, lembra? A que tem a frase “amar é um deserto em seus temores”, que a gente repete “amarelo deserto”, sem perceber que estava se afogando no Oceano! 

No começo, eu achava meio sem sentido a Whisky a Go-Go do Roupa Nova… Na hora do refrão, mandava ver “Eu perguntava e o holandês?”. Só muito depois entendi que era “Eu perguntava ‘do you wanna dance?’”. Quanto mico eu paguei…

Tanto quanto eu cantando “I get high” (fico doidão) em I Wanna Hold Your Hand dos Beatles, em vez de “I can’t hide” (não consigo esconder). E olha que sou beatlemaníaco desde sempre! Eu achava que a letra falava de maconha, vê se pode? Às vezes derrapo e solto um “I get high” sem querer.

E tem muito mais. Eu e vários amigos do colégio ouvíamos o Jimi Hendrix pedindo licença para beijar um rapaz em Purple Haze. No trecho em que ele canta “Excuse me while I kiss the sky” (com licença, enquanto beijo o céu), a gente entendia “Excuse me while I kiss this guy” (com licença, enquanto eu beijo esse cara).

E a música-tema do filme Ghostbusters (“Os Caça-Fantasmas”), de Ray Parker Jr? Lembra do refrão? Sempre achei que ele chamava “Those bastards!” (aqueles bastardos), ah ah ah!

Tem algumas que nunca cantei errado, mas ouvi muita gente fazendo isso. Exemplos? A do Belchior, que ficou famosa com a Elis Regina, Como Nossos Pais, no trecho “Pois você que ama o passado e que não vê”.  Já ouvi pessoas berrando “E você que é mal passado e que não vê”…

Ou a do Roberto Carlos, Um Milhão de Amigos,  quando ele diz que quer um coro de passarinhos, muita gente dizia “eu quero o couro dos passarinhos”.

E o Tim Maia não podia faltar.

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Estava fazendo curso de inglês na União Cultural Brasil-Estados Unidos, terminando o colegial, e ouvi aquele som diferente, um blues cantado em português por um cara com um vozeirão tremendo. Não deu outra, a rodinha feita no intervalo das aulas, o amigo dedilhando a melodia de Azul da Cor do Mar no violão, e eu mandei: “Maaas… quem sofre sempre tem que procurar… pelo menos VIAJAR razão para viveeer…”. Levei séculos para entender que ele dizia “… pelo menos VIR ACHAR razão para viver”.

E, para finalizar, ia me esquecendo da melhor de todas, um clássico, e que acho que todo brasileiro que a escutou uma vez canta assim:

QUANTA LAMERA, ARRIBA, QUANTA LAMERA! QUANTA LAMEEEEEEERA, ARRIBA QUANTA LAMEEEEEERA!!!

Se você nunca ouviu, veja se eu não tenho razão:

 

 

 

A história por trás da capa de “Rubber Soul”, dos Beatles

Considerado por inúmeros críticos como o primeiro disco da fase mais sofisticada dos Beatles –  e, para mim, o mais importante, pelo que representou na minha formação – “Rubber Soul” faz parte da lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame.

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A foto da capa do álbum, que na época (1965) fugiu de todos os padrões então vigentes, foi fruto de um acidente.  Paul McCartney conta no Anthology que, após a  sessão de fotos no jardim da casa de John Lennon, o fotógrafo Robert Freeman usava uma cartolina para projetar as imagens fotografadas, deixando-as no tamanho da capa do disco (que nem tinha título ainda). Em determinado momento, a cartolina escorregou e uma das imagens apareceu distorcida, levando os Beatles à loucura com o efeito. Imediatamente eles escolheram aquela imagem e pediram que fosse reproduzido o mesmo efeito distorcido.

A foto original.

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A foto acima, já recortada e pronta para ser distorcida.

Nesse momento também tiveram a ideia do título do disco: “Rubber Soul” (Alma de Borracha), um trocadilho com “rubber sole” (sola de borracha), além de uma referência à Soul Music. O logotipo com o título do disco foi produzido pelo artista Charles Front.

Charles Front era um designer gráfico de Londres que foi procurado por Robert Freeman, que lhe pediu que projetasse as letras para a capa do próximo álbum dos Beatles. Ele levou a foto escolhida, falou da distorção que eles queriam e Front sentiu que o título “Rubber Soul” lhe passava a imagem de algo viscoso, como látex, que vinha sendo puxado para baixo pela força da gravidade – espelhando a distorção da foto.

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Front apresentou seu projeto a Brian Epstein, as letras desenhadas em guache marrom e montadas sobre um esboço da capa, que prontamente o aprovou junto com os quatro membros do grupo.

‘Rubber Soul’ foi lançado em 3 de dezembro de 1965, coincidindo com a primeira data do que viria ser a turnê final do grupo pelo Reino Unido. Musicalmente e liricamente, o álbum foi a gravação mais ambiciosa do grupo, anunciando uma nova fase na carreira dos Beatles e uma antevisão do que viria a seguir. O álbum foi considerado o mais brilhante e inovador até então e menos de uma semana após seu lançamento, o disco já estava no topo das paradas, posição em que permaneceu por 12 semanas. 
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Linha de montagem do disco na fábrica.

Podemos considerar este disco como o primeiro passo para o psicodelismo e o experimentalismo produzidos depois em “Revolver”, chegando ao ápice em “Sgt. Pepper’s” e, por consequência, alterando a história da música do século XX.
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Revolution

De tantas músicas que gosto dos Beatles, “Revolution” está entre as favoritas. Não apenas pela levada, com distorções e uma batida reta de Ringo que nunca tinham sido vistas até então numa música dos Beatles, mas também pela letra de John Lennon. “Revolution” foi o lado B do primeiro compacto simples da Apple Records, gravadora dos Beatles, lançado em 1968 com “Hey Jude” no lado A. (para quem não era nascido então, naquela época não havia CDs nem MP3, então a gente comprava discos de vinil que eram gravados dos dois lados. Os que traziam mais músicas, algo como 12 em média, eram os LPs. Os que traziam duas músicas, uma faixa de cada lado, eram os compactos simples).

“Revolution” foi executada no programa de David Frost, na ITV, em 4 de setembro de 1968. A apresentação histórica pode ser apreciada abaixo:

John Lennon compôs a canção durante seu período de meditação na Índia e a letra foi inspirada na situação global da época, como a revolta estudantil em Paris, a Guerra do Vietnã e o assassinato de Martin Luther King. Lennon contou como ele se sentia numa entrevista à revista Rolling Stone: “Eu queria desabafar sobre o que eu pensava da revolução. Eu achava que já era hora de falarmos sobre isso e parar de não responder perguntas sobre o que achávamos da guerra do Vietnã. Vamos falar de guerra dessa vez e não só embromar. Eu pensava sobre isso nas montanhas na Índia. Eu ainda tinha aquele sentimento de que ‘Deus irá nos salvar, ’ e que tudo ficaria bem.”

A letra segue abaixo, e logo depois a tradução.

You say you want a revolution
Well, you know
We all want to change the world
You tell me that it’s evolution
Well, you know
We all want to change the world
But when you talk about destruction
Don’t you know that you can count me out
Don’t you know it’s gonna be all right
All right, all right

You say you got a real solution
Well, you know
We’d all love to see the plan
You ask me for a contribution
Well, you know
We’re doing what we can
But when you want money 
For people with minds that hate
All I can tell is brother you have to wait
Don’t you know it’s gonna be all right
All right, all right
Ah

Ah, ah, ah, ah, ah…

You say you’ll change the constitution
Well, you know
We all want to change your head
You tell me it’s the institution
Well, you know
You better free you mind instead
But if you go carrying pictures of chairman Mao
You ain’t going to make it with anyone anyhow
Don’t you know it’s gonna be all right
All right, all right
All right, all right, all right
All right, all right, all right

Tradução

Você diz que quer uma revolução
Bem, você sabe
Todos nós queremos mudar o mundo
Você me diz que é evolução
Bem, você sabe
Todos nós queremos mudar o mundo
Mas quando você fala sobre destruição
Saiba que não pode contar comigo
Você não sabe que vai ficar tudo bem?
Tudo bem, tudo bem…

Você diz que tem uma solução de verdade
Bem, você sabe
Todos nós adoraríamos ver o seu plano
Você me pede uma contribuição
Bem, você sabe
Estamos fazendo o que se pode
Mas se você quer dinheiro
Para pessoas com mentalidade de ódio,
Tudo o que posso dizer é, cara, você vai ter que esperar
Você não sabe que vai ficar tudo bem?
Tudo bem, tudo bem…

Ah , ah, ah , ah, ah …

Você diz que quer mudar a Constituição
Bem, você sabe
Todos nós queremos mudar essa sua ideia
Você me diz que é a instituição
Bem, você sabe
É melhor libertar a sua mente, então.
Mas se você ficar carregando fotos do ditador Mao
Você não vai conseguir nenhum apoio, de ninguém
Você não sabe que vai ficar tudo bem?
Tudo bem, tudo bem…

 

Os maiores mitos e verdades sobre os Beatles

Aproveitando a notícia de que uma exposição sobre os 50 anos dos Beatles estará no Consulado Britânico em São Paulo (http://www.timeout.com.br/sao-paulo/na-cidade/events/2091/beatles-50-anos-de-historia), vou rememorar alguns dos mitos que se construíram ao longo da carreira da maior banda de rock de todos os tempos.

A capa de “Yesterday and Today” era um protesto – Quando foi lançada a coletânea Yesterday and Today, em 1966, muitos tentaram interpretar a capa do vinil: em meio a pedaços de carne e vestindo roupas de açougueiro, os quatro Beatles seguravam bonecas desmembradas. Enquanto uns viram a foto como um protesto contra a Guerra do Vietnã, outros acreditaram se tratar de uma alfinetada na Capitol, pelo fato de a gravadora constantemente “retalhar” os álbuns da banda. A verdade é que a imagem foi apenas a reprodução de um sonho de Robert Whitaker, o fotógrafo, conforme ele mesmo revelou posteriormente. A polêmica foi tanta que forçou a confecção de uma nova capa, fazendo com que a original virasse item de colecionador (recentemente, uma dessas foi vendida num leilão por quase 40 mil dólares!).  Como iria ficar muito caro imprimir uma capa nova, eles imprimiram apenas um adesivo de uma novo foto (abaixo) e colaram por cima. Muita gente rasgou sua capa tentando descolar o adesivo…

The Beatles, Yesterday And Today - 2nd State, USA, Deleted, vinyl LP album (LP record), Capitol, T2553, 293286

O “love affair” entre John Lennon e Brian Epstein – o próprio John falou sobre esse rumor certa vez: “I went on holiday to Spain with Brian… which started all the rumors that he and I were having a love affair. Well, it was almost a love affair, but not quite. It was never consummated. But we did have a pretty intense relationship.” (Fui de férias para a Espanha com Brian … Foi isso que começou todos os rumores de que ele e eu estávamos tendo um caso. Bem, era quase um romance, mas não completamente. Ele nunca foi consumado. Mas nós tivemos um relacionamento muito intenso).  O episódio ocorreu logo após o nascimento do filho de Lennon com sua primeira mulher, Cynthia, e despertou suspeitas pelo fato de Epstein ser gay. Em entrevistas dadas pouco antes de sua morte, no entanto, John negou os boatos e afirmou que se aproximou do empresário porque tinha curiosidade de saber como era ser gay em uma época conservadora como aquela. Já Paul McCartney deu outra versão dos fatos: “John, que não era burro, viu a oportunidade de mostrar ao senhor Epstein quem mandava na banda”.

Bob Dylan apresentou a maconha aos Beatles – A história de que Bob Dylan introduziu os Beatles à maconha em 1964 é desmentida na autobiografia The Beatles Anthology, lançada em 2000 por George Harrison, Ringo Starr, Paul MCartney e Yoko Ono. No livro, Harrison conta que o primeiro cigarro de maconha do grupo foi fornecido por um baterista de outro grupo de Liverpool. “Me lembro que nós fumamos no camarim da banda durante um show em Southport e todos nós aprendemos a dançar o twist naquela noite”, recorda ele. Em outros trechos, citações de John sugerem que o grupo experimentou a droga pela primeira vez em 1960. Mas é fato que em 1964, Dylan e os Beatles se conheceram no hotel Delmonico, em Nova York, quando Dylan sugeriu que eles fumassem um baseado. Dylan enrolou um, passou a John, que o passou a Ringo, seu “provador oficial”, brincou. Como eles ainda não estavam muito acostumados com a etiqueta, que era provar e passar ao próximo, Ringo fumou o baseado todo e obrigou Dylan a enrolar outro…

Eles fumaram maconha no palácio de Buckingham – Ainda falando do tema, John Lennon chocou a sociedade ao afirmar que ele, Paul, George e Ringo fumaram maconha em um banheiro do Palácio de Buckingham em 1965, pouco antes de o grupo conhecer a rainha e receber a medalha da Ordem do Império Britânico. “Ríamos feito loucos porque tínhamos acabado de fumar um baseado nos banheiros do Palácio de Buckingham… Estávamos tão nervosos!”, diz uma citação atribuída a John na autobiografia The Beatles Anthology. No mesmo livro, George confirma a ida ao banheiro, mas ressalta que era para fumar um cigarro comum, assim como diz Paul. Ringo, por sua vez, diz não ter certeza se foi fumado um baseado ou não. Quer dizer, o mito continua…

“Lucy in the Sky with Diamonds” é uma alusão ao LSD – A associação entre a canção Lucy in the Sky With Diamonds e o LSD não é gratuita. Além de ter as mesmas iniciais da droga, o videoclipe feito para a música é carregado de referências a uma “viagem” de ácido. Apesar disso, os Beatles insistiram durante muitos anos que não se tratava de uma referência ao LSD, e sim, uma composição inspirada em um desenho (abaixo) feito pelo filho de John, Julian, então com 4 anos. Em uma entrevista com Paul publicada em junho de 2004, a versão já era um pouco diferente. Embora tenha reiterado que a inspiração veio do desenho de Julian, disse que “é bem óbvio que a música é sobre uma viagem de ácido”.

Abaixo, o vídeo oficial:

Paul morreu e foi substituído por um sósia – O mito de que Paul McCartney morreu ainda nos anos 1960 persiste até hoje. O baixista teria falecido em um acidente de carro em 1966, quando o grupo estava no auge e, por isso, a gravadora teria decidido substituí-lo por um sósia. Contrariados, os outros três Beatles teriam implantado uma série de mensagens codificadas nos álbuns seguintes para que o público percebesse a farsa. Uma delas teria sido a foto do álbum Abbey Road, em que o quarteto aparece atravessando uma rua sobre uma faixa de segurança – para alguns, a representação de um cortejo fúnebre. Entre as outras evidências estariam o cigarro na mão direita de Paul, canhoto, e o fato de ele estar descalço. Paul de fato sofreu um acidente, mas de moto… E só perdeu um dente, não a vida!

 Imagem extraída do vídeo de “Rain” , gravado logo após o acidente e onde se vê o dente quebrado.

Abaixo, imagens produzidas por pessoas que queriam provar a farsa, algumas até dando o nome do suposto sósia… Ele seria o Billy Shears citado em Sgt. Peppers