Por que um Nokia tijolão foi o grande sucesso da maior feira de celulares?

Em um ano em que nenhuma marca conseguiu surpreender em seus lançamentos de  celular na MWC (Mobile World Congress), maior feira de telefonia do mundo que acontece em Barcelona, quem se saiu melhor foi quem olhou para trás. Isso mesmo, em vez de tentar inovar e criar algo nunca antes visto, a Nokia voltou ao mercado de telefonia com o seu maior sucesso de vendas, o Nokia 3310.

Assim que os rumores começaram, antes mesmo da feira, já havia um grande burburinho. Seria verdade? O celular indestrutível, com bateria longa e teclado físico voltaria? Sim, já no domingo (26), o anúncio foi feito. E não teve para mais ninguém.

O celular é bem parecido com aquele do começo do anos 2000, sem Android ou iOS, sem 3G/4G, e sem apps. É bom lembrar que neste ano completamos dez da apresentação do iPhone, que trouxe os smartphones para o mercado.

Mas por que um celular “velho” é o maior sucesso quase vinte anos depois?

Não foi só você que ficou curioso sobre o novo Nokia 3310, o estande era um dos mais cheios da feira

A primeira coisa é que a notícia impactou jornalistas, formadores de opinião e moradores de grandes cidades, que costumam ser muito conectados. Os comentários incrédulos de um celular sem internet e, pior, sem WhatsApp em 2017. Ouvi muitos comentários de: “se pelo menos tivesse WhatsApp seria uma ótima para minha mãe”. (Falarei do celular para mãe ou simples mais para frente).

Logo veio o ideal da desconexão. As pessoas estão ultraconectadas e querem voltar “ao mundo real” e ter um celular como antigamente, em que um telefone era para falar e mandar SMS, no máximo. Claro, existe essa parcela da população, mas como o próprio presidente da HMD Global, empresa finlandesa que adquiriu os direitos da Nokia, que eram da Microsoft, Florian Seiche, falou ao UOL, não é só isso.

A nostalgia e o saudosismo também fazem com que aqueles com mais de trinta lembrem com carinho dos primeiros celulares que permitiam falar com qualquer pessoa por telefone fora de casa. O 3310 original vendeu mais de 126 milhões de unidade na época. Esse é um filão de mercado que vem sendo bem aproveitado pela onda vintage. E assim, a um custo muito menor que a produção de smartphones, a empresa atendeu a inúmeros pedidos de fãs.

Mas existe todo um mundo além da vida conectada. Metade da população do mundo ainda não tem smartphones. Segundo pesquisa do Strategy Analytics em 88 países lançada no final do ano passado, em 2016 eram 39% com acesso a celulares com internet, número que deve chegar em 44% só no final de 2017. Essas pessoas ou não têm celular ou usam aparelhos similares ao Nokia de dez anos atrás.

Telefones com teclado físico ainda são vistos em diversos estandes da MWC

No Brasil, de acordo com o Pew Research Center, só 41% das pessoas têm um smartphone. Uma pesquisa do Facebook e Internet.org lançada na feira mostra que são 70 milhões de brasileiros sem conexão com a internet.

Dados da Anatel de janeiro de 2017 indicam que existem 243,42 milhões de linhas móveis em operação no país, número que caiu em relação ao ano passado porque muitas pessoas estão deixando de ter mais de um chip – seja porque a tarifa entre operadoras caiu ou pela crise econômica.

Além disso, nossa rede é composta majoritariamente (67%) por planos pré-pagosque ou não têm internet ou têm acesso limitado, sendo a maioria das conexões em 3G (o 4G ainda é uma pequena parcela).

Outro fator que pode influenciar o desejo das pessoas por um aparelho sem internet como o 3310 é a troca da linha fixa pela móvel, para ser o telefone da “casa”. A cada mês cai o número de linhas fixas no país, hoje são cerca de 40 milhões. A troca serve para quem quer gastar menos ou vive em áreas em que existe o sinal 2G, mas não o 3G/4G. Para José Otero, diretor para América Latina e Caribe da 5G Americas, as tarifas da telefonia móvel estão caindo e incentivam essa troca.

Uma boa jogada de Marketing

Vamos voltar à sua mãe. O novo Nokia 3310 pode ser um aparelho para pessoas mais velhas que não usem internet no celular e preferem o teclado físico e também para crianças pequenas — ser mais “indestrutível” é um ponto favorável.

Mas se a sua mãe usa (e muito) o zapzap, a Nokia também tem um aparelho para ela. O Nokia 3, por exemplo, é um celular com Android e WhatsApp bem simples e bonito que custa R$ 500 (convertidos do euro).

Junto com o 3310, a empresa lançou três smartphones. Um deles, inclusive já foi sucesso de vendas na China. Com o lançamento do 3310, mesmo que as vendas não sejam uma maravilha, os gastos não são muitos e, com certeza, o retorno em exposição de marca foi um dos melhores dos últimos anos no segmento.

Você pode não comprar o 3310, mas agora que todo mundo só falou nele, talvez você dê uma chance para os outros aparelhos da marca.

O que mais tivemos na feira?

Os lançamentos das demais marcas agradaram, mas nada muito inovador. A LG anunciou uma tela um pouco mais comprida que o usual no G6, a Motorola lançou sua linha de celulares intermediários G5 com corpo de metal, a Sony trouxe supercâmera lenta para seus top de linha e a Samsung se viu obrigada a atrasar o lançamento de seu celular premium Galaxy S8. A Alcatel lançou uma linha com traseira com luz de LED personalizável e a Sony trouxe ainda uma tela projetada touch.

 

 

 

fonte:

UOL

15 coisas que o celular já substituiu ou pode substituir em breve

Ainda que tenham sido criados com o objetivo de fazer ligações sem a limitação dos fios e de espaço, os celulares atingiram tamanha proporção que, atualmente, parecem terem migrado tudo (ou quase tudo) para a tela. A chamada telefônica, inclusive, parece ter até perdido espaço em meio a tantos recursos, que se multiplicaram com o advento da internet e dos aplicativos.

Veja abaixo 15 coisas que o smartphone já substitui ou pode substituir em breve:

1. Despertador

Os despertadores viraram praticamente uma relíquia, mas não o seu ódio por aquele barulho que interrompe o seu sono… Agora, quem corre o risco de ser arremessado na parede toda manhã é o celular.

2. Relógio

Basta perguntar a hora para qualquer pessoa que você vai ver. A grande maioria não olha no pulso – mesmo aqueles que ainda gostam de usar relógio -, e certamente vai consultar o celular para dar uma resposta. Isso é fato: a venda de relógios de pulso caiu tremendamente nos últimos anos…

3. Mapas, guias de ruas e até o GPS

Você se lembra dos guias de ruas? Até mesmo quem usou deve se perguntar como conseguia encontrar endereços em meio a tantos mapas e códigos. Até que inventaram o GPS, que apesar de muito mais prático, não teve uma vida útil tão longa. Logo, foi substituído pelos aplicativos de mapas, que podem ser acessados pelo celular a qualquer hora e lugar, até mesmo quando se está off-line.

4. Cartões de crédito e débito

O uso do celular para pagar contas já começou a ganhar força, mesmo que ainda iniciando no Brasil. Mas o que se vê é uma tendência que certamente vai substituir os cartões de crédito e de débito com o passar do tempo.

5. Banco

Ir ao banco se tornou cada vez menos necessário. Pagar contas, fazer transferências, consultar saldos… praticamente tudo agora é possível fazer pelo celular. Para fazer saques, ainda é preciso até uma agência ou um caixa eletrônico. De qualquer forma, a economia de tempo com filas é mais do que considerável.

6. Documentos pessoais

Chega de ficar carregando o passaporte [no caso em uma viagem], documentos de identidade e a carteira de motorista para cima e para a baixo com o risco de perdê-los por aí ou esquecer no bolso da calça. Alguns países, como EUA, Irlanda e Angola já migraram grande parte desses documentos para dentro do celular. Agora, resta saber se as autoridades brasileiras vão seguir o mesmo caminho. Que seria uma boa, não resta dúvidas, nê?

7. Telefone fixo

Não que o telefone fixo tenha sido extinto, mas certamente o seu uso tem se tornado cada vez mais escasso. Nada de pagar taxas extras e exorbitantes para ligações interurbanas! O uso de aplicativos gratuitos tem facilitado e muito a comunicação de longa ou curta distância. Um contato que não se limita à audição e se estende à visão.

8. Lanterna

Os celulares nem tinham internet ainda, mas já contavam com lanternas. Quem é que não se lembra dos antigos aparelhos da Nokia? Fizeram história. Atualmente, não são todos os smartphones que vêm de fábrica com o recurso, mas é fácil encontrar aplicativos de lanterna gratuitos para todos os sistemas operacionais. Assim, dificilmente você ficará no escuro.

9. Agenda telefônica

Quem é que ainda anota o telefone dos amigos, parentes ou médicos em um papel dividido por letras do alfabeto? Dá para contar nos dedos, não é mesmo? O celular assumiu a função desse item – cada vez mais escasso nas papelarias. Uma substituição que, por um lado, facilita o acesso aos números, mas, por outro, dificultou a memorização até mesmo dos telefones considerados mais essenciais.

10. Câmera fotográfica

Cada passo é um flash! Esse é um ditado que, com a inclusão de câmeras nos celulares, se tornou válido não apenas para modelos e/ou artistas. Muito mais gente passou a tirar fotos e especialmente as selfies, abandonando com isso o uso das pequenas câmeras portáteis, ou descartáveis. Claro que os fotógrafos mais experientes, ou profissionais, não dispensam as boas câmeras fotográficas…

11. Calculadora simples

Para fazer cálculos básicos e até alguns outros mais complexos, os celulares são mais do que suficientes…

12. Bússola

Agora é possível encontrar o norte a qualquer momento, basta ter bateria no celular. O recurso está presente em quase (senão todos) os aparelhos disponíveis no mercado.

13. Vídeo game portátil

Há alguns anos, esse era o gadget dos sonhos da molecada e dos amantes dos videogames. Mas, agora, não passa de relíquia de museu. Com a diversidade de aplicativos de games -gratuitos ou não -, os celulares assumiram essa função, que passou a ser muito mais acessível e democrática.

14. Gravador de voz

Tudo começou com os gravadores de fita cassete, que evoluiu para os gravadores digitais. Mas, com era dos aplicativos – que levou quase tudo para dentro dos celulares – o aparelho se tornou perfeitamente dispensável. Atualmente, há diversas opções de apps que gravam áudios e há até aqueles que fazem o trabalho de transformar o áudio em texto! Tudo bem que a transcrição ainda vem com alguns defeitos, mas logo serão sanados, pode apostar.

15. Walkman, discman e MP3 Player

O finado Walkman já foi considerado uma grande invenção, que se tornou ultrapassada com o advento do discman, atropelado – logo na sequência – pelos MP3 Players. Mas os aplicativos de streaming se superaram e levaram ao celular um catálogo variado de artistas e estilos para os amantes de música.

 

Ainda há muita coisa que nem citei e o que o smartphone traz: TV, lupa, dicionário, leitor de código de barras, rádio, tradutor… Você pode até ler revistas e jornais com ele.

Quem está lendo isto no celular?

 

 

 

Fonte:

UOL

O primeiro telefone sem fio da história

Meu amigo Benny de Lima, de Londres, enviou-me um artigo muito curioso escrito por  Matt Novak para o SMITHSONIAN.COM e que transcrevo aqui, resumidamente. (quem quiser ler na íntegra, em inglês, basta clicar aqui.)

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Conheça a história do inventor da Filadélfia e entusiasta do rádio que previu o irritante hábito de falar ao telefone enquanto se está no carro.

O termo “telefone sem fio” no início de 1920 não significava, necessariamente, um dispositivo que pudesse transmitir e receber mensagens. Na verdade, a maioria dos aparelhos de rádio naquela época era simplesmente um transmissor ou um receptor. No entanto, alguns inventores estavam se divertindo com essa nova tecnologia e criando transceptores – dispositivos que poderiam transmitir e receber mensagens de rádio. Um artigo publicado num jornal de Ohio, em março de 1920, contava a história de um homem, na Filadélfia, chamado W.W. Macfarlane que estava experimentando seu próprio “telefone sem fio”. Sentado no banco de trás de seu carro enquanto o motorista dirigia, Macfarlane deixou de boca aberta um repórter de uma revista técnica enquanto conversava animadamente com a esposa, sentada em casa a 500 metros de onde estavam.

O repórter da revista perguntou ao inventor se aquele aparelho teria algum uso prático no futuro. A resposta trazia uma indagação: como aquele invento poderia ter influenciado no resultado da I Grande Guerra Mundial, que terminara apenas há dois anos?

“Imagine se isto estivesse pronto para nós na guerra. Todo um regimento equipado com os receptores de telefone, apenas com seus rifles como antenas, poderia avançar dois quilômetros e cada soldado estaria instantaneamente em contato com o comandante. Os mensageiros não seriam mais necessários. Não haveriam mais coisas como ‘um batalhão perdido'”…

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Abaixo, uma foto que encontrei na revista Popular Science de julho de 1920, mostrando o inventor e seu telefone sem fio…

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Na verdade, o invento do sr. Macfarlane não pode ser considerado a rigor o primeiro “telefone sem fio” da história. Alexander Graham Bell já vinha fazendo seus experimentos desde 1880, o problema é que essa ideia fora abandonada porque ninguém conseguira pensar em uma utilidade prática para isso. Embora alguns ainda insistissem… O vídeo abaixo – de 1922 -, encontrado por acidente em 2010 nos arquivos da empresa britânica Pathé Films, mostra duas mulheres em Nova York carregando um dispositivo robusto e conectando-o a um hidrante.

Só mesmo na década de 1980 é que descobrimos como usar um telefone sem fio – e não apenas como um walkie-talkie…

 

 

Coisas que os smartphones estão matando

smartphone

Os smartphones realmente são uma mão na roda. Esses danados desses aparelhos têm praticamente todas as funções que as pessoas precisam – ou acham que precisam – embutidas neles.

E se tornaram tão presentes no cotidiano que, segundo a pesquisa Global Mobile Consumer Survey feita pela empresa de auditoria Deloitte em 2015, nem dá tempo de se levantar da cama:  57% dos brasileiros dizem acessar o smartphone menos de cinco minutos depois de acordar.

Outros dados dessa pesquisa mostram que as atividades principais dos usuários são verificar e-mails, comunicar-se por mensagens instantâneas como WhatsApp e SMS, checar as redes sociais, ler notícias, assistir vídeos, buscar informações e serviços de VOIP, tecnologia que permite fazer ligações pela internet.

Isso significa que o smartphone vem empurrando outros aparelhos e serviços para o lado. A lista a seguir mostra algumas das coisas que estão se tornando obsoletas por causa deles.

(Uma delas é a interação entre as pessoas, as conversas olho no olho, mas essa é uma discussão que deixarei para outra vez…)

Walkie Talkie

Lembra dos rádios Walkie Talkie? O contato por rádio fazia com que a comunicação não fosse cobrada a cada ligação. A mesma estratégia foi aplicada em aplicativos de smartphone, usando o VOIP.

MP3 Player

A Apple revolucionou o mercado da música com seu iPod. Nos últimos anos, no entanto, as vendas do iPod estão caindo tanto que muito se fala sobre a Apple descontinuar o iPod clássico. Outros modelos de tocadores de MP3 praticamente desapareceram do mercado. Os smartphones não somente carregam músicas dentro de si, como também podem ter aplicativos como Rdio e o Spotify, que tocam a música sem que seja preciso armazená-las dentro do aparelho.

E o orelhão, então? Você precisa fazer uma ligação urgente. É preciso ter fichas ou cartão e ainda encontrar um orelhão. Não se um smartphone estiver no bolso…

Telefone fixo

O uso de telefone fixo está diminuindo mundialmente. No Brasil, de acordo com uma pesquisa do IPEA, 45,6% dos domicílios não utilizam telefone fixo. No Estado de Nova York, nos Estados Unidos, o número de assinantes de telefones fixos caiu 55% desde 2000.

Guia de ruas

Hoje, qualquer aplicativo de smartphone pode substituí-los. O Google Maps é capaz de encontrar ruas em qualquer cidade do mundo. Ele ainda pode ser usado para mostrar o caminho de um ponto ao outro analisando o trânsito em tempo real.

Gravador de voz

Quem é jornalista, ou quem já teve que fazer trabalhos para a faculdade, sabe que na hora de fazer uma entrevista era preciso levar o gravador de voz. Os primeiros eram um trambolho, os mais modernos eram pequenos e elegantes como esse da foto. Agora, o smartphone faz isso sem problemas…

Rádio relógio

Sim, o rádio relógio também está sendo aposentado pelos smartphones. Além de ter a hora na tela principal, é possível programar alarmes (diversos deles). Dias da semana, soneca, repetições, tudo pode ser escolhido. Sem contar que dá para escolher a sua música preferida e evitar acordar de mau humor por causa de alguma canção ruim.

Calculadora

Qualquer smartphone hoje vem com uma calculadora integrada. Elas são extremamente úteis para momentos como a fila do banco ou a divisão da conta de um restaurante. Alguns aplicativos trazem inclusive funções avançadas de cálculos disponíveis apenas em calculadoras científicas.

Taxi

Ponto de táxi

Antes, para se conseguir um táxi, era preciso saber onde ficava o ponto mais próximo. Aplicativos estão mudando a forma como se pega um táxi. Para o consumidor, o ponto faz menos sentido ainda: com um app a espera é menor e a comodidade maior.

Agências bancárias

Hoje, somos muito menos dependentes das agências bancárias do que antes. Não é preciso entrar em bancos para tarefas simples como consultar o extrato ou fazer transferências.  Em três anos, por exemplo, o número de clientes usando o aplicativo do banco Itaú cresceu 750%.

Guias de viagem em papel

Os serviços online disponibilizam mais informações do que se podia imaginar. Alguns, como TripAdvisor, têm aplicativos especiais. Estando na cidade, é possível acessar informações sobre locais dos quais se esteja perto e ver qual a cotação que outros viajantes deram para restaurantes e hotéis.

 

 

 

 

 

 

 

Os piores selfies da História, e os mais divertidos

Você sabe o que é um “selfie”? É uma palavra nova que inventaram para designar o bom e velho autorretrato, só que não. Selfie tem que ser tirado com uma câmera digital ou um celular, senão ele não é um selfie digno do nome… Talvez a imagem que tenha de fato difundido o termo “selfie” no mundo todo foi aquela famosa do Obama no funeral de Nelson Mandela e que, dizem as más línguas, causou um certo furor em casa mais tarde…

Pela cara da Michelle na foto acima, há grandes probabilidades de que o tempo tenha esquentado mesmo. Se o pobre Obama tivesse postado seu selfie no day after, talvez fosse assim:

O termo “selfie” ganhou até um verbete no dicionário Oxford, e passou a definir então “uma foto tirada de si mesmo com celulares para publicação em redes sociais”. Com a infinidade de aplicativos que surgiram, como o Instagram, Facetune, CamMe e muitos outros, que até têm disparo automático de fotos e correções de imperfeições na pele, os selfies viraram uma praga. Em sites brasileiros como Ego, nossas subcelebridades alimentam seu ego com fotos como essas:

(desculpem, mas não faço ideia quem é a moça)

Você pode tirar seu selfie em qualquer lugar, mas por alguma razão o banheiro é o local preferido. 11 entre 10 pessoas tiram as fotos em frente ao espelho:

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A praga se disseminou de tal maneira que já existe uma tentativa de criar um “manual de etiqueta’ para os selfies. Uma lista do que você NÃO deve fazer quando sentir vontade de esticar o braço e fazer aquele biquinho para a câmera. Veja algumas dicas para NÃO fazer um selfie:

Um selfie com as cinzas da avó – tudo bem, as pessoas sabem o quanto você gostava da nona, mas não pega bem. Isso vale também para um funeral, não importa o quanto você se produziu para ir ao velório.

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Selfie com bichinhos – sim, animais são fofinhos e tudo, mas não precisam de fotos com os donos, não é? Basta uma foto dos próprios. Um selfie autorizado é aquele onde acontece alguma coisa inesperada, aí sim!

Selfie ao acordar – ahã, a gente acredita que você não levou uma hora se produzindo antes de tirar essa foto.

Bico de Pato – sério que ainda está nessa?

Num incêndio, use o celular pra chamar os bombeiros antes – parece uma coisa óbvia, mas o mundo está cheio de gente sem noção: “Olha, aquele prédio está pegando fogo! Que ótima oportunidade para fazer um selfie!”  .

E a dica mais básica de todas: se você não resiste e tem que fazer sua foto, procure pensar o selfie antes de clicar, e usar sua autocrítica – se tiver – para evitar fiascos épicos como estes:

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Epic Fail Selfies (12)

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Maaasss… Sempre tem um “mas”, há selfies criativos e muito divertidos, mesmo que alguns tenham sido tirados sem querer ou usado outros recursos para criá-los. Isso confirma aquilo que eu sempre digo: ainda há esperança!

Tudo bem, as coisas podem ficar estranhas.

E, pra finalizar…

Uma breve história dos telefones celulares

Outro dia, conversando com uma pessoa, nos lembramos dos primeiros telefones celulares lançados no Brasil, nos anos 1990. Eram uns tijolões quase do tamanho de um sapato. Rimos de montão ao nos lembrar do Michael Douglas no filme “Wall Street” puxando aquele troço, com uma antena de dois metros… Era o máximo de tecnologia, e no filme ele era um dos megainvestidores da Bolsa e coisa e tal, e naquela época só um cara muito rico podia ter um aparelhos desses…

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Deixando de lado a bizarrice de se pensar como seria levar um aparelho desses no bolso do paletó (os caras tinham que usar mochila só pra isso?), imagine como era antes dessa invenção – caso você não tenha idade para ter vivido isso. Esse aparelhinho (“aparelhinho” hoje, claro, não há 40 anos…) é um dos meios de comunicação mais eficazes de todos, além de ser o único, por enquanto, a embutir outro meio de comunicação no mesmo pacote, a internet!

Pois acredite, 40 anos atrás, e antes do advento do telefone móvel, não dava para se fazer uma ligação para outra pessoa com um telefone que não estivesse preso numa parede ou em cima da mesa.

E foi a Motorola quem criou o primeiro telefone móvel, por meio de seu diretor de pesquisa e desenvolvimento, Martin Cooper: em 3 de abril de 1974 ele fez a primeira chamada de celular, com um protótipo do trambolhão usado por Michael Douglas no filme e que foi batizado mais tarde de Motorola Dynatac 8000X – e que começou a ser vendido nos Estados Unidos em 1983 pela bagatela de US$ 4.000,00!

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Isso mesmo, 4.000 dólares! O monstrengo pesava 794 gramas, media 4,5 cm de largura, 8,9 cm de espessura e 33cm de altura. Você não leu errado, ele pesava como cinco smartphones que temos no mercado atualmente e tinha o tamanho de quase três Iphones 3 empilhados.

Não sei se as pessoas começaram a ter problemas de postura ao manter quase um quilo na altura da orelha durante as chamadas, mas o fato é que alguém achou que já estava na hora de melhorar a coisa, e a Motorola – de novo – criou o primeiro celular com uma capinha, um flip que protegia as teclas do aparelho e seu microfone, o Motorola MicroTAC.

Esse saiu nos Estados Unidos em 1989, pesava quase meio quilo (um grande avanço em relação ao antecessor) e serviu de inspiração para vários outros aparelhos de seus concorrentes. Um primo dele foi o primeiro celular a ser lançado no Brasil, em 1990, o PT 550, e custava “apenas” mais ou menos 3.000,00 cruzeiros (moeda vigente), o que, atualizado, seria algo como R$ 15.000,00… Na foto, ele parece pequeno, mas era conhecido como “tijolão”, porque pesava 350 gramas e tinha 23 cm de altura.

O primeiro celular lançado no Brasil

Logo surgiram novos celulares e novos concorrentes, um deles a Nokia, que vinha aperfeiçoando os antecessores e acabou incluindo uma nova facilidade em seus aparelhos, a possibilidade de mandar mensagens de texto. Então, lançou o Nokia 9000 Communicator em 1996, ainda um trambolho e meio estranho: você abria o telefone e aparecia um teclado onde o usuário poderia digitar a mensagem.

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A ideia foi genial, mas o aparelho em si não durou muito, porque as outras empresas logo perceberam que um teclado alfanumérico era muito mais prático. Vieram centenas de outros modelos na mesma linha, cada vez mais sofisticados, mais leves e menores e a tecnologia evoluiu muito rapidamente. Quando entramos no século XXI, essa evolução trouxe os aparelhos com telas sensíveis ao toque. O mais notável deles, e que é considerado o precursor dos smartphones, foi o Ericsson R380, lançado no ano 2000.

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Além do teclado alfanumérico, como o de um celular normal, você podia abrir o flip e – numa tela sensível ao toque – havia as funções de um palmtop. Para quem não sabe, os palmtops eram muito populares na ocasião e tinham as funções de agenda e até de conexão (rudimentar, comparado a hoje) à internet.

Talvez a maior evolução a seguir tenha sido a tecnologia Bluetooth, de novo desenvolvida pela Ericsson. Lançado em 2001, o Ericsson T36 trouxe a possibilidade de uma conexão entre aparelhos para o compartilhamento de dados sem fio, passando arquivos rapidamente para outro celular ou para outros equipamentos dotados da mesma tecnologia.

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Ericsson T36

As novidades então vieram em ritmo acelerado.  Em 2002 surgia o Sanyo SCP-5300 Sprint, um dos primeiros celulares com câmera fotográfica embutida do mercado mundial e já com a telinha colorida!

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Sanyo Scp5300

A qualidade da primeira câmera em um aparelho assim era obviamente muito baixa, pois era uma tecnologia que ainda estava sendo aperfeiçoada.

A tecnologia no mundo da informática evoluía muito rapidamente, até mais do que nos celulares, e então chegou a hora de um grande player no mundo dos computadores fazer sua entrada nesse novo e promissor mercado da telefonia. E ele chegou chegando… Em 2007, a Apple anunciou um novo aparelho que mudaria completamente a história dos celulares, o iPhone 2G.

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IPhone-2g

Era um aparelho com multidispositivos, tão bom quanto um IPod, com ótima acessibilidade pela tela sensível ao toque e potente em seu acesso à internet. A Apple realmente reinventou o celular.

Como será o futuro?

Impossível prever. A cada dia surgem novos aplicativos para os smartphones, as câmeras embutidas gravam vídeos e tiram fotos com altíssimas resoluções, e o interessante é que as chamadas pelas operadores estão cada vez menos sendo utilizadas,  já que o usuário está mais tempo conectado à internet e pode mandar suas mensagens usando as redes sociais ou usando os aplicativos. Então, tentar imaginar o que vem por aí é um exercício de futurologia inútil.

Afinal, quem imaginaria há dez anos que o celular serviria para tantas outras coisas além de fazer e receber ligações?

 

 

 

 

 

Fontes:
oficinadanet.com.br
TechTudo

O leitor, onde está o leitor?

Este texto foi originalmente publicado há três anos, mas republico porque continua atual e importante.

Aplauso. Crianças na Casa de Leitura Chico Mendes, em Rio Branco, Acre: cultura e natureza – Governo do Acre/Divulgação

 

Os editores brasileiros revelam que estão publicando livros “demais”. Isto é uma verdade ou um mal- entendido? Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras disse que publica 280 títulos por ano e que “não dá para crescer mais com obras de mercado, até porque o mercado está muito competitivo. (…). Há editoras que hoje não conseguem entrar em redes de livrarias com um exemplar de algum título. Há uma superprodução. De livros, escritores, editores, um número de editoras grande surgindo”.

Sergio Machado, do Grupo Editorial Record, informou que em 2010 o Brasil editou 55 mil títulos, numa média de 210 obras por dia. Só a própria editora Record, comentou, coloca no mercado 80 títulos por mês. Seu proprietário revelou que tem 2 milhões de livros em galpões que lhe custam uma despesa alta.

Eis uma crise paradoxal. De excesso e de carência. Excesso de livros ou carência de leitores? Assim como um copo com metade de água pode ser visto como um espaço metade cheio ou metade vazio, permitam-me examinar a questão por outro ângulo, fazendo uma correção: o Brasil não produz livros “demais”, o Brasil produz leitores de menos. Há que “produzir” o leitor. E não estou falando de alfabetização. Essa cadeia do livro não existe sem o destinatário: o leitor. Não há excesso de livros, há falta de bibliotecas, de livrarias e de leitores. Há, por outro lado, centenas de iniciativas governamentais e particulares tentando corrigir isto. Todos, não só os editores, temos que modificar o conceito de livro, livraria, biblioteca, leitor e leitura, pois na verdade todo esse sistema em torno do livro está em crise (ou “metamorphose”).

Mas que crise é essa? Vejamos.

Crise, leitura e o pré-sal. Falar de leitura é uma auspiciosa novidade. Na década de 20 do século passado, Monteiro Lobato fundou uma editora brasileira e a literatura infantil. Com Borba de Morais e Mário de Andrade, na década de 30, redescobriu-se a biblioteca pública. Na mesma época o governo federal criou o Instituto Nacional do Livro pensando em editar uma enciclopédia e livros. Nos anos 50, Paulo Freire reinventou a alfabetização fazendo um plantador de cana aprender a ler em 45 dias.

Mas o conceito de leitura sempre esteve oculto, era o não-dito.

Leitura não se limita à “alfabetização”. Leitura não se limita à escola: trata-se de formar uma sociedade leitora, para o País enfrentar os desafios do século 21. Só em 1992 é que através do Proler pensou-se em implementar uma Política Nacional de Leitura. E desde 2006 que o PNLL (Plano Nacional do Livro e da Leitura) insiste numa política de leitura que atravesse todos os ministérios e seja uma determinação da Presidência da República. A rigor se poderia dizer: leitura é uma questão de segurança nacional.

Considerada a leitura como algo além da escola, algo além da alfabetização, algo que vai lidar com o “analfabetismo funcional” e com o “analfabetismo tecnológico”, haverá (como já começa a haver) programas de leitura em hospitais, quartéis, fábricas, sindicatos, empresas, tribos indígenas, igrejas, condomínios, acampamentos agrários, comunidades quilombolas, favelas, programas para aposentados e programa para cegos, surdos, mudos e outros deficientes físicos, etc.

Nos últimos anos, “agentes de leitura” e “mediadores de leitura” se espalharam pelo Brasil. A experiência positiva dos agentes de leitura no Ceará foi levada para o Ministério da Cultura e expande-se em vários Estados. No Acre foram criadas mais de cem Casas da Leitura interagindo com uma nova maneira de ler a cultura e a natureza. Os agentes ou mediadores de leitura devem chegar a 15 mil brevemente e têm sido treinados por instituições como a Cátedra de Leitura da PUC-RJ. O ideal é que se mesclem com os “agentes de saúde” e os “médicos de família”.

Nessa redescoberta da leitura, onde havia apenas o Instituto Nacional do Livro, espera-se a criação do Instituto do Livro, da Leitura e da Biblioteca e a nova administração da Fundação Biblioteca Nacional planeja construir 25 mil bibliotecas populares com livro de qualidade a 10 reais.

Enfim, a leitura é o verdadeiro pré-sal. O petróleo em si não resolve os problemas básicos de um país. Há países que têm petróleo e têm terríveis desigualdades sociais e opressão política. Há países que não têm petróleo e estão na ponta do processo civilizatório. E todos os países que realmente se desenvolveram passaram pela leitura. A leitura torna os livros vivos e desenvolve os países.

Torna-se irrecusável contar uma história verdadeira que narrei na recente Jornada Literária de Passo Fundo, quando Alberto Manguel e Kate Wilson debatiam equivocadamente sobre esse tema. Diz-se que o Marechal Rondon, no princípio do século passado, foi designado para conquistar grande parte do território brasileiro levando a comunicação através de postes e fios que conduziam mensagens telegráficas. Depois de ter instalado praticamente em todo o País esse sistema de comunicação, ao colocar o último poste na fronteira da Bolívia, ele foi surpreendido com a notícia de que Marconi havia acabado de descobrir o telégrafo sem fio…

Cem anos depois a situação se repete. Conseguiremos fazer na era do livro eletrônico o que não conseguimos fazer na era do livro impresso?

Se não conseguimos em 500 anos colocar uma biblioteca em cada canto do País, por outro lado, cada cidadão está se convertendo, à revelia de nossa incompetência histórica, em um “consumidor” de informação através da informática, do Google, da internet. Se temos apenas 2.600 livrarias e 6.500 cinemas, é bom que nos espantemos e nos rejubilemos com o fato de que temos 109.000 lan-houses e que só uma favela como a da Rocinha, que tem apenas uma biblioteca heroicamente construída e seguramente não possui nenhuma livraria, tem, por outro lado, 200 lan-houses.

Inclusão digital
Tem-se falado muito de “inclusão digital”. O Ministério da Comunicação (Gesac) informa que “telecentros” estão sendo implantados em todo o País e já existem 13.379 em 5.564 municípios. Eles podem ter o papel que as bibliotecas convencionais deveriam ter tido. Os “promotores de inclusão digital” são irmãos gêmeos dos recentes “agentes de leitura” ou “agentes de cultura”. Os telecentros oferecem 6.200 kits do MC às prefeituras. O telefone portátil, o iPad e o Google são uma realidade. Os 200 milhões de celulares são 200 milhões de bibliotecas em potencial à espera de nossa criatividade. Assim como um viajante do século 18 tinha uma maleta de viagem em que carregava algumas dezenas de livros para ler, hoje pela internet todos podem ter uma biblioteca em suas mãos, seja nas margens do Tocantins ou no Sul do País.

O Brasil está vivenciando três fatos novos:

1) A invasão da eletrônica em nossa vida cotidiana, nos jogando em outra era.

2) O surgimento de outras gerações chamadas de X, Y, Z, pelos especialistas em marketing: jovens que vivem zapeando. São “dispersivos”, fazem várias coisas ao mesmo tempo, não têm o sentido de “concentração” unidirecional que era a nossa característica. Nós os achamos superficiais. Mas, e se estivermos realmente diante de um fenômeno de mutação não exatamente genética, e sim cultural? Um daqueles momentos de “point of no return” que remete para a metáfora que McLuhan usou: a lagarta assustada olhando uma borboleta em seu esplendor, dizia: “Eu nunca me transformarei num monstro daqueles…”.

3) A emergência das classes C, D e E que até agora estavam fora do mercado, da comunicação e da cultura livresca. Quando a gente fala de classe C, falamos de um século de exclusão, sem saúde, sem saber o que é política.

Lembremos: o aprendizado já foi oral – o essencial era o uso da memória. Com a evolução, o saber passou a ser escrito. Hoje, passa pelo visual. Ou pode-se dizer, é oral, é escrito e também visual. O oral, o escrito e o visual se complementam.

Em algumas ocasiões tenho dito que, provavelmente, somos a última geração letrada. Gostaria de estar equivocado, que o futuro me desmentisse. Ou que descobrisse, ou que descobríssemos formas novas de ler. Se olharmos a história do Brasil, podemos detectar três momentos culturais e econômicos relevantes que nos forçam a uma decisão crucial no presente:

1) A febre do ouro e da pedras preciosas ocorreu quando éramos colônia e essa riqueza escoou para os cofres dos dominadores.

2) Tendo perdido essa chance, perdemos também a chance da revolução industrial nos séculos 18 e 19, porque aqui predominava a escravidão, a cultura agrária e a coroa brasileira era apenas cliente dos produtos industrializados europeus.

3) Estamos diante da revolução digital. Se perdemos as duas revoluções anteriores, hoje há algumas coincidências: a revolução digital chega com a avassaladora globalização, no momento em que o Brasil supostamente autossuficiente de petróleo incorpora outras classes e descobre o pré -sal.

Repito, para terminar: o verdadeiro pré-sal é a cultura e/ou a leitura. Os animais, os peixes, as árvores e até as bactérias leem constantemente o mundo antes de tomarem qualquer decisão. Por que o ser humano insiste em andar às cegas no universo da comunicação?

 

AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

É ESCRITOR, EX-PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL, CRIADOR DO PROLER (PROGRAMA NACIONAL DE INCENTIVO À LEITURA), DO SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS, E EX-SECRETÁRIO GERAL DA ASSOCIAÇÃO DE BIBLIOTECAS NACIONAIS IBERO AMERICANAS, AUTOR, ENTRE OUTROS, DE SÍSIFO DESCE A MONTANHA (POESIA, ROCCO)