Por que um Nokia tijolão foi o grande sucesso da maior feira de celulares?

Em um ano em que nenhuma marca conseguiu surpreender em seus lançamentos de  celular na MWC (Mobile World Congress), maior feira de telefonia do mundo que acontece em Barcelona, quem se saiu melhor foi quem olhou para trás. Isso mesmo, em vez de tentar inovar e criar algo nunca antes visto, a Nokia voltou ao mercado de telefonia com o seu maior sucesso de vendas, o Nokia 3310.

Assim que os rumores começaram, antes mesmo da feira, já havia um grande burburinho. Seria verdade? O celular indestrutível, com bateria longa e teclado físico voltaria? Sim, já no domingo (26), o anúncio foi feito. E não teve para mais ninguém.

O celular é bem parecido com aquele do começo do anos 2000, sem Android ou iOS, sem 3G/4G, e sem apps. É bom lembrar que neste ano completamos dez da apresentação do iPhone, que trouxe os smartphones para o mercado.

Mas por que um celular “velho” é o maior sucesso quase vinte anos depois?

Não foi só você que ficou curioso sobre o novo Nokia 3310, o estande era um dos mais cheios da feira

A primeira coisa é que a notícia impactou jornalistas, formadores de opinião e moradores de grandes cidades, que costumam ser muito conectados. Os comentários incrédulos de um celular sem internet e, pior, sem WhatsApp em 2017. Ouvi muitos comentários de: “se pelo menos tivesse WhatsApp seria uma ótima para minha mãe”. (Falarei do celular para mãe ou simples mais para frente).

Logo veio o ideal da desconexão. As pessoas estão ultraconectadas e querem voltar “ao mundo real” e ter um celular como antigamente, em que um telefone era para falar e mandar SMS, no máximo. Claro, existe essa parcela da população, mas como o próprio presidente da HMD Global, empresa finlandesa que adquiriu os direitos da Nokia, que eram da Microsoft, Florian Seiche, falou ao UOL, não é só isso.

A nostalgia e o saudosismo também fazem com que aqueles com mais de trinta lembrem com carinho dos primeiros celulares que permitiam falar com qualquer pessoa por telefone fora de casa. O 3310 original vendeu mais de 126 milhões de unidade na época. Esse é um filão de mercado que vem sendo bem aproveitado pela onda vintage. E assim, a um custo muito menor que a produção de smartphones, a empresa atendeu a inúmeros pedidos de fãs.

Mas existe todo um mundo além da vida conectada. Metade da população do mundo ainda não tem smartphones. Segundo pesquisa do Strategy Analytics em 88 países lançada no final do ano passado, em 2016 eram 39% com acesso a celulares com internet, número que deve chegar em 44% só no final de 2017. Essas pessoas ou não têm celular ou usam aparelhos similares ao Nokia de dez anos atrás.

Telefones com teclado físico ainda são vistos em diversos estandes da MWC

No Brasil, de acordo com o Pew Research Center, só 41% das pessoas têm um smartphone. Uma pesquisa do Facebook e Internet.org lançada na feira mostra que são 70 milhões de brasileiros sem conexão com a internet.

Dados da Anatel de janeiro de 2017 indicam que existem 243,42 milhões de linhas móveis em operação no país, número que caiu em relação ao ano passado porque muitas pessoas estão deixando de ter mais de um chip – seja porque a tarifa entre operadoras caiu ou pela crise econômica.

Além disso, nossa rede é composta majoritariamente (67%) por planos pré-pagosque ou não têm internet ou têm acesso limitado, sendo a maioria das conexões em 3G (o 4G ainda é uma pequena parcela).

Outro fator que pode influenciar o desejo das pessoas por um aparelho sem internet como o 3310 é a troca da linha fixa pela móvel, para ser o telefone da “casa”. A cada mês cai o número de linhas fixas no país, hoje são cerca de 40 milhões. A troca serve para quem quer gastar menos ou vive em áreas em que existe o sinal 2G, mas não o 3G/4G. Para José Otero, diretor para América Latina e Caribe da 5G Americas, as tarifas da telefonia móvel estão caindo e incentivam essa troca.

Uma boa jogada de Marketing

Vamos voltar à sua mãe. O novo Nokia 3310 pode ser um aparelho para pessoas mais velhas que não usem internet no celular e preferem o teclado físico e também para crianças pequenas — ser mais “indestrutível” é um ponto favorável.

Mas se a sua mãe usa (e muito) o zapzap, a Nokia também tem um aparelho para ela. O Nokia 3, por exemplo, é um celular com Android e WhatsApp bem simples e bonito que custa R$ 500 (convertidos do euro).

Junto com o 3310, a empresa lançou três smartphones. Um deles, inclusive já foi sucesso de vendas na China. Com o lançamento do 3310, mesmo que as vendas não sejam uma maravilha, os gastos não são muitos e, com certeza, o retorno em exposição de marca foi um dos melhores dos últimos anos no segmento.

Você pode não comprar o 3310, mas agora que todo mundo só falou nele, talvez você dê uma chance para os outros aparelhos da marca.

O que mais tivemos na feira?

Os lançamentos das demais marcas agradaram, mas nada muito inovador. A LG anunciou uma tela um pouco mais comprida que o usual no G6, a Motorola lançou sua linha de celulares intermediários G5 com corpo de metal, a Sony trouxe supercâmera lenta para seus top de linha e a Samsung se viu obrigada a atrasar o lançamento de seu celular premium Galaxy S8. A Alcatel lançou uma linha com traseira com luz de LED personalizável e a Sony trouxe ainda uma tela projetada touch.

 

 

 

fonte:

UOL

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15 coisas que o celular já substituiu ou pode substituir em breve

Ainda que tenham sido criados com o objetivo de fazer ligações sem a limitação dos fios e de espaço, os celulares atingiram tamanha proporção que, atualmente, parecem terem migrado tudo (ou quase tudo) para a tela. A chamada telefônica, inclusive, parece ter até perdido espaço em meio a tantos recursos, que se multiplicaram com o advento da internet e dos aplicativos.

Veja abaixo 15 coisas que o smartphone já substitui ou pode substituir em breve:

1. Despertador

Os despertadores viraram praticamente uma relíquia, mas não o seu ódio por aquele barulho que interrompe o seu sono… Agora, quem corre o risco de ser arremessado na parede toda manhã é o celular.

2. Relógio

Basta perguntar a hora para qualquer pessoa que você vai ver. A grande maioria não olha no pulso – mesmo aqueles que ainda gostam de usar relógio -, e certamente vai consultar o celular para dar uma resposta. Isso é fato: a venda de relógios de pulso caiu tremendamente nos últimos anos…

3. Mapas, guias de ruas e até o GPS

Você se lembra dos guias de ruas? Até mesmo quem usou deve se perguntar como conseguia encontrar endereços em meio a tantos mapas e códigos. Até que inventaram o GPS, que apesar de muito mais prático, não teve uma vida útil tão longa. Logo, foi substituído pelos aplicativos de mapas, que podem ser acessados pelo celular a qualquer hora e lugar, até mesmo quando se está off-line.

4. Cartões de crédito e débito

O uso do celular para pagar contas já começou a ganhar força, mesmo que ainda iniciando no Brasil. Mas o que se vê é uma tendência que certamente vai substituir os cartões de crédito e de débito com o passar do tempo.

5. Banco

Ir ao banco se tornou cada vez menos necessário. Pagar contas, fazer transferências, consultar saldos… praticamente tudo agora é possível fazer pelo celular. Para fazer saques, ainda é preciso até uma agência ou um caixa eletrônico. De qualquer forma, a economia de tempo com filas é mais do que considerável.

6. Documentos pessoais

Chega de ficar carregando o passaporte [no caso em uma viagem], documentos de identidade e a carteira de motorista para cima e para a baixo com o risco de perdê-los por aí ou esquecer no bolso da calça. Alguns países, como EUA, Irlanda e Angola já migraram grande parte desses documentos para dentro do celular. Agora, resta saber se as autoridades brasileiras vão seguir o mesmo caminho. Que seria uma boa, não resta dúvidas, nê?

7. Telefone fixo

Não que o telefone fixo tenha sido extinto, mas certamente o seu uso tem se tornado cada vez mais escasso. Nada de pagar taxas extras e exorbitantes para ligações interurbanas! O uso de aplicativos gratuitos tem facilitado e muito a comunicação de longa ou curta distância. Um contato que não se limita à audição e se estende à visão.

8. Lanterna

Os celulares nem tinham internet ainda, mas já contavam com lanternas. Quem é que não se lembra dos antigos aparelhos da Nokia? Fizeram história. Atualmente, não são todos os smartphones que vêm de fábrica com o recurso, mas é fácil encontrar aplicativos de lanterna gratuitos para todos os sistemas operacionais. Assim, dificilmente você ficará no escuro.

9. Agenda telefônica

Quem é que ainda anota o telefone dos amigos, parentes ou médicos em um papel dividido por letras do alfabeto? Dá para contar nos dedos, não é mesmo? O celular assumiu a função desse item – cada vez mais escasso nas papelarias. Uma substituição que, por um lado, facilita o acesso aos números, mas, por outro, dificultou a memorização até mesmo dos telefones considerados mais essenciais.

10. Câmera fotográfica

Cada passo é um flash! Esse é um ditado que, com a inclusão de câmeras nos celulares, se tornou válido não apenas para modelos e/ou artistas. Muito mais gente passou a tirar fotos e especialmente as selfies, abandonando com isso o uso das pequenas câmeras portáteis, ou descartáveis. Claro que os fotógrafos mais experientes, ou profissionais, não dispensam as boas câmeras fotográficas…

11. Calculadora simples

Para fazer cálculos básicos e até alguns outros mais complexos, os celulares são mais do que suficientes…

12. Bússola

Agora é possível encontrar o norte a qualquer momento, basta ter bateria no celular. O recurso está presente em quase (senão todos) os aparelhos disponíveis no mercado.

13. Vídeo game portátil

Há alguns anos, esse era o gadget dos sonhos da molecada e dos amantes dos videogames. Mas, agora, não passa de relíquia de museu. Com a diversidade de aplicativos de games -gratuitos ou não -, os celulares assumiram essa função, que passou a ser muito mais acessível e democrática.

14. Gravador de voz

Tudo começou com os gravadores de fita cassete, que evoluiu para os gravadores digitais. Mas, com era dos aplicativos – que levou quase tudo para dentro dos celulares – o aparelho se tornou perfeitamente dispensável. Atualmente, há diversas opções de apps que gravam áudios e há até aqueles que fazem o trabalho de transformar o áudio em texto! Tudo bem que a transcrição ainda vem com alguns defeitos, mas logo serão sanados, pode apostar.

15. Walkman, discman e MP3 Player

O finado Walkman já foi considerado uma grande invenção, que se tornou ultrapassada com o advento do discman, atropelado – logo na sequência – pelos MP3 Players. Mas os aplicativos de streaming se superaram e levaram ao celular um catálogo variado de artistas e estilos para os amantes de música.

 

Ainda há muita coisa que nem citei e o que o smartphone traz: TV, lupa, dicionário, leitor de código de barras, rádio, tradutor… Você pode até ler revistas e jornais com ele.

Quem está lendo isto no celular?

 

 

 

Fonte:

UOL

Esse artefato de 2 mil anos é o objeto mais misterioso da história

Se não fosse uma forte tempestade na ilha grega de Anticítera, há pouco mais de um século, um dos objetos mais desconcertantes e complexos do mundo antigo jamais teria sido descoberto.

Frágil, intrigante e cheio de surpresas: item 15.087 do Museu Arqueológico Nacional em Atenas

Frágil, intrigante e cheio de surpresas: item 15.087 do Museu Arqueológico Nacional em Atenas

Após buscar abrigo na ilha, um grupo de catadores de esponjas marinhas decidiu ver se dava sorte naquelas águas. Eles acabaram encontrando os restos de uma galé romana que havia naufragado havia 2 mil anos, quando o Império Romano começou a conquistar as colônias gregas no Mediterrâneo. Nas areias do fundo do mar, a 42 metros de profundidade, estava a maior reunião de tesouros gregos encontrada até então .

Um tesouro no fundo do Mediterrâneo

Um tesouro no fundo do Mediterrâneo

Obras incomparáveis que sobreviveram ao saque por romanos e à ação da água

Obras incomparáveis que sobreviveram ao saque por romanos e à ação da água

Entre belas estátuas de cobre e mármore estava o objeto mais intrigante da história da tecnologia. Trata-se de um instrumento de bronze corroído, do tamanho de um laptop, feito há 2 mil anos na Grécia antiga. É conhecido como máquina (ou mecanismo) de Anticítera. E mostrou ser uma espécie de máquina do futuro.

No começo, as peças, cobertas por uma crosta e unidas após passar 2 mil anos no leito do mar, ficaram esquecidas. Mas um olhar atento mostrou que eram objetos feitos com esmero, engrenagens talhadas à mão. O mecanismo foi examinado em 1902, e estava em vários pedaços. Havia rodas denteadas de diferentes tamanhos com dentes triangulares cortados de forma precisa. O artefato parecia um relógio, mas isso era pouco provável porque se acreditava que relógios mecânicos só passaram a ser usados amplamente muito mais tarde.

“Se não tivessem descoberto a máquina em 1900, ninguém teria imaginado, ou nem mesmo acreditado, que algo assim existia, pois é muito sofisticada”, disse o matemático Tony Freeth, da Universidade de Cardiff.

No começo o artefato não dizia nada aos cientistas, mas eles logo notaram que as peças traziam marcas e inscrições

No começo o artefato não dizia nada aos cientistas, mas eles logo notaram que as peças traziam marcas e inscrições

É um mecanismo de genialidade surpreendente, e foram cerca de 1.500 anos até algo parecido com a máquina de Anticítera voltar a aparecer , na forma dos primeiros relógios mecânicos astronômicos, na Europa.

Mas essas são as conclusões da história: entender o que era o misterioso objeto tomou tempo, conhecimento e esforço.

Vanguarda

O primeiro a analisar em detalhes os 82 fragmentos recuperados foi o físico inglês Derek John de Solla Price (1922-1983). Ele começou o trabalho nos anos 1950 e em 1971, juntamente com o físico nuclear grego Charalampos Karakalos, fez imagens das peças com raios-X e raios gama. Eles descobriram que o mecanismo era extremamente complexo, com 27 rodas de engrenagem em seu interior .

A primeira surpresa: o mecanismo era formado por 27 engrenagens

A primeira surpresa: o mecanismo era formado por 27 engrenagens

Os especialistas conseguiram datar algumas outras peças com precisão, entre os anos 70 A.C. e 50 A.C. Mas um objeto tão extraordinário não podia ser daquela época, pensavam os especialistas. Talvez fosse mais moderno e tivesse caído no mesmo local por casualidade…

127 e 235 dentes

Price deduziu que contar os dentes em cada roda poderia fornecer pistas sobre as funções da máquina. Com imagens bidimensionais, as rodas se sobrepunham, o que dificultava a tarefa, mas ele conseguiu chegar a dois números: 127 e 235. Números que, segundo o astrônomo Mike Edmunds, eram muito importantes na Grécia antiga.

Seria possível que os gregos antigos estivessem usando a máquina para seguir o movimento da Lua?

Números que começaram a surgir coincidiam com os conhecimentos dos gregos da época

Números que começaram a surgir coincidiam com os conhecimentos dos gregos da época

A ideia era revolucionária e tão avançada que Price chegou a questionar a autenticidade daquele objeto. “Se cientistas gregos antigos podiam produzir esses sistemas de engrenagens há dois milênios, toda a história da tecnologia do Ocidente teria que ser reescrita”, diz o matemático Freeth.

Mecanização do conhecimento?

A cultura grega de dois milênios atrás é uma das mais criativas da humanidade, e os investigadores daquele objeto não questionavam o desenvolvimento da civilização grega, inclusive na astronomia.

Os gregos antigos sabiam muito sobre os corpos celestes, por mais complicadas que fossem suas órbitas

Os gregos antigos sabiam muito sobre os corpos celestes, por mais complicadas que fossem suas órbitas

Os gregos sabiam, por exemplo, como os corpos celestes se moviam no espaço, podiam calcular suas distâncias da Terra e a geometria de suas órbitas. Mas teriam sido capazes de fundir astronomia e matemática em um artefato e programá-lo para seguir o movimento da Lua?

O número 235 que Price havia encontrado era a chave do mecanismo para computar os ciclos da Lua .

“Os gregos sabiam que de uma nova Lua a outra se passavam, em média, 29,5 dias. Mas isso era problemático para seu calendário de 12 meses no ano, porque 12 x 29,5 = 354 dias, 11 dias a menos do que o necessário”, afirmou Alexander Jones, historiador especializado em astronomia antiga. ” O ano natural, com as estações, e o ano-calendário perderiam a sincronia.”

As contas não fechavam se apenas um ano solar fosse levado em conta, mas em um ciclo de 19 anos...

As contas não fechavam se apenas um ano solar fosse levado em conta, mas em um ciclo de 19 anos…

Os gregos, contudo, sabiam que 19 anos solares são exatamente 235 meses lunares, o chamado ciclo Metônico. Isso significa que, se você tem um ciclo de 19 anos, a longo prazo seu calendário estará em perfeita sintonia com as estações.

O ciclo Metônico foi identificado em um dos fragmentos da máquina de Anticítera…

Revoluções

Graças aos dentes das engrenagens, a máquina começou a revelar seus segredos. As fases da Lua eram extremamente úteis na época dos gregos antigos. De acordo com elas, eles determinavam as épocas de plantio, estratégias de batalha, festas religiosas, momentos de pagar dívidas e autorizações para viagens noturnas.

O outro número, 127, serviu para Price entender outra função da máquina relacionada com nosso satélite natural: o aparelho também mostrava as revoluções da Lua ao redor da TerraApós 20 anos de investigação intensa, Price concluiu que havia desvendado aquele artefato.

Mas ainda havia peças do quebra-cabeças por encaixar.

Engrenagens identificadas pelos cientistas não estavam encaixadas, e montar o quebra-cabeças demandou muito trabalho

Engrenagens identificadas pelos cientistas não estavam encaixadas, e montar o quebra-cabeças demandou muito trabalho

O futuro 223

O passo seguinte demandou tecnologia feita sob encomenda para aquele desafio. Uma equipe internacional dedicada a estudar a máquina conseguiu convencer o engenheiro de raios-X Roger Hadland a criar um equipamento especial para fazer imagens do mecanismo.

E, usando outro aparelho que havia realçado os escritos que cobrem boa parte dos fragmentos, encontraram uma referência às engrenagens e a outro número chave: 223.

Três séculos antes da idade de ouro de Atenas, astrônomos babilônios antigos descobriram que 223 luas após um eclipse (cerca de 18 meses e 11 dias, período conhecido como ciclo Saros), a Lua e a Terra voltavam para a mesma posição, de modo a provavelmente produzir outro eclipse.

Graças a milhões de tabelas com dados históricos que arquivaram ao longo do tempo, babilônios encontraram o padrão dos eclipses

Graças a milhões de tabelas com dados históricos que arquivaram ao longo do tempo, babilônios encontraram o padrão dos eclipses

“Quando havia um eclipse lunar, o rei babilônio deixava o posto e um substituto assumia o poder, de modo que os maus agouros fossem para ele. Logo, o substituto era morto e o rei voltava a assumir sua posição”, conta John Steele, especialista em Babilônia do Museu Britânico.

E 223 era o número de outra roda do mecanismo. A máquina de Anticítera podia prever eclipses . Não apenas o dia, mas a hora, direção da sombra e cor com a qual a Lua apareceria.

Informações sobre eclipses que pesquisadores encontraram na máquina de Anticítera são surpreendentemente sofisticadas

Informações sobre eclipses que pesquisadores encontraram na máquina de Anticítera são surpreendentemente sofisticadas

Tudo dependia da Lua

Como se tudo isso não fosse bastante, os pesquisadores descobriram outra maravilha. O ciclo Saros, uma interação repetitiva de 223 meses do Sol, da Terra e da Lua, dependia do padrão da Lua e “nada sobre a Lua é simples”, diz Freeth.

Não apenas a Lua tem a órbita elíptica – assim viaja mais rapidamente quando está mais perto da Terra -, mas essa elipse gira lentamente, em um período de 9 anos. Podia, então, a máquina de Anticítera rastrear o caminho flutuante da Lua?

Sim, podia: duas engrenagens menores, uma delas com uma pinça para regular a velocidade de rotação, replicavam com precisão o tempo de órbita da Lua, e outra, com 26 dentes e meio, compensava o deslocamento dessa órbita.

E, ao examinar o que sobrara da parte frontal do aparelho, os investigadores concluíram que ele tinha um planetário como os gregos entendiam o Universo naquele momento: a Terra no centro e cinco planetas ao redor.

O movimento dos cinco planetas que podiam ser vistos a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno

O movimento dos cinco planetas que podiam ser vistos a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno

” Era uma ideia extraordinária: pegar teorias científicas da época e mecanizá-las para ver o que aconteceria dias, meses e décadas depois”, diz o matemático.

Mistério dentro de um enigma

“Essencialmente, foi a primeira vez que a raça humana criou um computador”, acrescenta Freeth. “É incrível como um cientista daquela época descobriu como usar engrenagens para rastrear os complexos movimentos da Lua e dos planetas.”

Mas quem foi esse cientista?

Uma pista estava em outra função da máquina. O aparelho também previa a data exata dos Jogos Pan-Helênicos: quatro festivais separados que se realizavam periodicamente na Grécia Antiga: Jogos Olímpicos, ou de Olímpia, Jogos Píticos, Jogos Ístmicos e Jogos Nemeus.

O curioso é que, embora os Jogos de Olímpia tivessem mais prestígio, os Jogos Ístmicos, em Corinto, apareciam em letras maiores.

Chamava a atenção o destaque aos jogos que eram celebrados no istmo de Corinto a cada dois anos, em homenagem a Poseidon, deus grego do mar

Chamava a atenção o destaque aos jogos que eram celebrados no istmo de Corinto a cada dois anos, em homenagem a Poseidon, deus grego do mar

Os investigadores já tinham notado que os nomes dos meses que apareciam em outra engrenagem da máquina eram coríntios. As evidências sugeriam que o criador da máquina era um coríntio que vivia na colônia mais rica: Siracusa.

Siracusa era lar do mais brilhante dos matemáticos e engenheiros gregos: Arquimedes .

Trata-se, talvez, do cientista mais importante da Antiguidade clássica, que determinou a distância da Terra à Lua, descobriu como calcular o volume de uma esfera, o número fundamental π e havia garantido que moveria o mundo com apenas uma alavanca.

“Só um matemático brilhante como Arquimedes poderia ter desenhado a máquina de Anticítera”, opina Freeth.

Arquimedes: Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo.

Arquimedes: Deem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo.

Sabe-se que Arquimedes estava em Siracusa quando romanos conquistaram a cidade, e que o general Marco Claudio Marcelo havia ordenado que o cientista não fosse morto, mas um soldado acabou assassinando o matemático.

Siracusa foi saqueada e seus tesouros foram enviados a Roma. O general Marcelo levou consigo duas peças – ambas, diziam, eram de Arquimedes . Os investigadores acreditam que fossem versões anteriores da máquina.

Um indício está em uma descrição que o orador Cícero fez de uma das máquinas de Arquimedes que viu na casa do neto do general Marcelo:

“Arquimedes encontrou a maneira de representar com precisão, em apenas um aparato, os variados e divergentes movimentos dos cinco planetas com suas distintas velocidades, de modo que o mesmo eclipse ocorre no globo (planetário) e na realidade.”

Cícero descreveu um planetário semelhante ao da máquina de Anticítera

Cícero descreveu um planetário semelhante ao da máquina de Anticítera

Mas o que aconteceu com a brilhante tecnologia da máquina? Por que ela se perdeu?

Como tantas outras coisas, com a queda da civilização grega e, mais tarde, da romana, os conhecimentos “imigraram” para o Oriente, onde foram mantidos por bizantinos e árabes eruditos. O segundo artefato com engrenagens de bronze mais antigo é do século 5 e tem inscrições em árabe.

E, no século 8, os mouros levaram esses conhecimentos de volta à Europa.

Todas as peças para introduzir os conhecimentos em uma só máquina

Todas as peças para introduzir os conhecimentos em uma só máquina

Investigações anteriores apontaram que a máquina estava dentro de uma caixa de madeira que não sobreviveu ao tempo. Uma caixa que continha todo o conhecimento do planeta, do tempo, espaço e Universo.

“É um pouco intimidador saber que, logo antes da queda de sua grande civilização, os gregos antigos tinham chegado tão perto de nossa era, não apenas em pensamento mas na tecnologia científica”, disse Derek J. de Solla Price.

Os pesquisadores esperam agora criar um modelo por computador com o funcionamento da máquina, e com o tempo, desenvolver uma réplica funcional.

Surge a pergunta inevitável, o que mais estariam fazendo os gregos nessa época? Quanto ao seu valor histórico e seu caráter único, o mecanismo é até mais valioso do que Mona Lisa…

 

 

Fonte:

BBC

A Inteligência Artificial pode dominar o mundo

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Um laptop capaz de ganhar milhões no mercado financeiro, controlar arsenais bélicos e manipular a política desbanca em minutos o exterminador do futuro.

Com essa cena, o professor Stuart Armstrong, da Universidade de Oxford, abre o livro “Smarter Than Us” (Mais Inteligentes do Que Nós), em que explica como a inteligência artificial (IA) é diferente do que é difundido pela cultura pop.

Justamente por isso, ela seria muito mais ameaçadora do que imaginamos.

A IA é um risco “único” porque simula e supera o ser humano na sua principal vantagem sobre a natureza: a inteligência. Quando um computador domina uma atividade, nenhum ser humano conseguirá fazê-la melhor, diz o professor. Esses sistemas teriam capacidades de concentração, paciência, velocidade de processamento e memória muito superiores à nossa.

A combinação dessas características com habilidades econômicas ou sociais permitiria à inteligência artificial controlar o mundo, segundo ele. Um computador com habilidades sociais, por exemplo, poderia processar milhares de discursos políticos, estatísticas e referências culturais rapidamente, escolhendo qual o argumento mais convincente para fazer um eleitor votar em um candidato ou defender certa bandeira política.

(imagina um computador desses a serviço dos partidos políticos no Brasil? Nunca mais sairiam do poder, alternando seus candidatos infinitamente e… Não, espere, isso é ficção-científica, nunca aconteceria…)

Continuando, raciocínio semelhante vale para o mercado financeiro: uma sistema desses poderia cruzar informações sobre indicadores econômicos, decisões políticas e balanços de empresas de modo mais rápido e mais preciso.

Os defensores dessas tecnologias rebatem dizendo que esses problemas poderiam ser evitados por meio de uma programação ética, que fizesse a máquina sempre optar pela “escolha moral” – como salvar uma vida em vez de um carro. Algo que o autor Isaac Asimov preconizava em sua obra “Eu, Robô”. Mas, segundo Armstrong, é impossível fazê-lo tanto matematicamente quanto “filosoficamente”, porque as possibilidades de dilemas éticos são infinitas.

O físico Stephen Hawking já disse que “o desenvolvimento de uma inteligência artificial pode significar o fim da raça humana”.

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Mas, os especialistas em inteligência artificial (IA) são céticos quanto aos cenários catastróficos descritos no estudo resumido no quadro acima, elaborado pela Fundação Global Challenges, em parceria com o Instituto Futuro da Humanidade, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Segundo eles,  ainda que exista um risco, as pesquisas ainda estão longe de produzir algo nos moldes narrados pelo estudo. Jogar xadrez, uma das habilidades mais avançadas de IA hoje, nem se compara à capacidade de cálculo e ao volume e diversidade de informações necessários para analisar o mercado financeiro.

E, mesmo que cheguemos a esse ponto, ainda poderemos controlar as máquinas porque nenhum sistema é à prova de invasões… Bem, quem afirma isso são esses professores…

De todo modo, acho importante a gente ficar ligado nisso… Afinal, quase sempre a realidade supera em muito a ficção.

Fonte: 

Folha de S. Paulo

Como limpar a tela do celular sem danificá-lo

Companheiro de todas as horas —há quem não fique sem ele nem no banheiro—, o celular não raramente fica cheio de marcas de digitais e poeira e, embora não sejam visíveis, de germes e bactérias.

Mas limpá-lo efetivamente não é algo tão simples assim.

Durante a fabricação, a maioria das telas desses aparelhos —inclua aqui também as dos tablets e dos laptops mais modernos— passa por uma série de processos químicos que garantem maior resistência e as deixam eletricamente carregadas para que, assim, respondam ao toque. Essa eficiência, porém, tem um preço: as superfícies ficam mais sensíveis a determinadas substâncias. Logo, usar o produto errado para a limpeza pode levar a um belo prejuízo na assistência técnica.

Sendo assim, qual a melhor maneira de higienizar o celular? Usando pano, papel ou algodão? Com ajuda de água ou de álcool? A BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, foi buscar a resposta com especialistas:

O PANO CORRETO

Segundo Martín Errante, gerente de produto da Motorola na Argentina, há três maneiras recomendáveis de remover a sujeira desses aparelhos:

  • Opção 1: Usar uma flanela suave e seca;
  • Opção 2: Usar o mesmo tipo de pano, mas úmido;
  • Opção 3: Levar a um serviço autorizado, onde é possível realizar uma limpeza mais profunda de todo o aparelho.

Caso você opte por fazer o serviço em casa, Errante lembra que é preciso lançar mão de um pano bem limpo: se ele estiver sujo de pó, por exemplo, pode acabar arranhando a tela.

E OS GERMES?

Os conselhos acima ajudam a manter o aparelho aparentemente limpo. Mas… e quanto aos germes e bactérias?

Um estudo sobre hábitos de higiene em casa, feito em conjunto pela Fundação de Estudos para Saúde e Seguridade Social e pela Universidade de Barcelona (Espanha), mostra que o teclado de um computador ou a tela de um celular podem ter até 30 vezes mais microrganismos que uma tampa de vaso sanitário limpa. O motivo: esses aparelhos estão em contato constante com nossas mãos.

Professor de microbiologia e ciências ambientais da Universidade do Arizona (EUA), Charles Gerba também estudou a presença de bactérias em telefones celulares. E é taxativo: “A recomendação é limpá-los com desinfetante”.

Porém, como fazer isso sem danificar a tela dos aparelhos?

“Uma das melhores formas para deixar uma tela tátil impecável é utilizando álcool, desde que seja isopropílico ou etílico”, aconselha a engenheira química Tamara Rodriguez, da Venezuela. Ela lembra, no entanto, que, se a limpeza com esses produtos for frequente, pode levar a um desgaste considerável da superfície no longo prazo, “já que hoje em dia muitas dessas telas vêm com uma cobertura especial que ajuda a diminuir a aderência de sujeira e gordura”.

Além disso, acrescenta, as telas “são muito sensíveis a qualquer substância líquida”. No caso das feitas de LED, LCD ou plasma, há risco de danos aos pixels.

FÓRMULA CORRETA

Para higienizar o aparelho sem danificá-lo, diz a especialista, é preciso recorrer a uma “poção química”.

“Pode-se usar água destilada, que, por não possuir sais nem bactérias, é um excelente agente limpador. Mas ela sozinha não elimina as bactérias”, explica Rodriguez. “Para isso, pode-se misturar uma pequena quantidade diluída de álcool isopropílico ou ácido acético (aquele encontrado no vinagre). Essas substâncias têm um pH baixo, e os microrganismos não sobrevivem a esses níveis.”

Com álcool o uso de isopropílico, fica menor o risco de dano elétrico caso o líquido entre no dispositivo. Além disso, a substância evapora rápido e é eficiente na eliminação de gorduras, garante a engenheira química.

Martín Errante, da Motorola, afirma que os serviços técnicos “geralmente usam álcool isopropílico”, mas recomenda que a limpeza com o produto seja feita por uma pessoa preparada.

O QUE EVITAR

  • Toalhas, lenços faciais ou qualquer material áspero;
  • Água da torneira, pois contém cloro e pode provocar manchas na tela;
  • Molhar diretamente o dispositivo, já que há o risco de o líquido entrar em seu interior, provocando danos graves. O mais seguro é umedecer levemente o pano e esfregá-lo em uma mesma direção.

 

 

Fonte:

BBC

Profissões que ficaram no passado

Não faz muito tempo, estava conversando sobre as profissões antigas, não aquelas que mudaram de nome (como mensageiro, hoje carteiro), mas aquelas que o progresso ou a tecnologia acabaram extinguindo. Outras profissões desapareceram apenas pela mudança de costumes, simplesmente.

Por exemplo, a de limpadores de chaminés: geralmente crianças de rua, abandonadas, que eram “adotadas” por agenciadores e que subiam as chaminés por dentro, para varrer a fuligem acumulada pela queima da madeira e que grudava nas paredes internas.

Ou as telefonistas, função que desapareceu com o avanço tecnológico. A gente vê em filmes a pessoa “pedindo linha” para a telefonista e esperando completar a chamada. Quando eu era muito criança, em São Paulo, as chamadas interurbanas ainda eram feitas através de telefonistas. Quando elas conseguiam se conectar com a outra ponta, ligavam para casa avisando, e depois conectavam os dois. Sempre fiquei me perguntando se elas, às vezes, não ficavam ouvindo as conversas…

Veja esta e mais algumas profissões que, hoje em dia, seriam inimagináveis.

Caçadores de Ratos

Ratos são atraídos por sujeira e falta de higiene, e em tempos mais antigos, era algo normal nas ruas da cidade, já que não havia sistemas eficientes de controle de pestes. Os profissionais entravam nos esgotos e caçavam esses roedores. Pelo que podemos ver nas fotos, para alguns isso era bem prazeroso.

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Acendedores de lampiões a gás

Os acendedores de lampiões tinham o dever de iluminar o caminho, literalmente. As redes elétricas não cobriam toda a cidade, e os postes tinham esses lampiões a gás que precisavam ser acesos, um a um, ao cair da tarde, com operação inversa todas as manhãs. A criançada acompanhava o funcionário da prefeitura. Ele, com uma vareta comprida, suspendia a chave de cada poste, clareando um pedaço de rua.

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Transportadores de madeira

Como é que antigamente aqueles imensos troncos de madeira eram transportados? Hoje há os grandes caminhões, mas antes era na base da mão, e para facilitar, os carregadores de madeira usavam os rios próximos para levá-los por água, por flutuação. Hoje essa prática ainda é usada na Amazônia, pelos contrabandistas de madeiras nobres.

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Cortadores de gelo

Antes dos modernos sistemas de refrigeração, a única maneira de manter a bebida gelada com um cubo de gelo era graças aos cortadores de gelo. Eles enfrentavam lagos congelados para abastecer as geladeiras dos homens ricos. Um trabalho perigoso, muitas vezes feito em condições extremas. O desenho “Frozen”, da Disney, tem um personagem que exerce essa antiga profissão.

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Despertadores humanos

E que tal uma pessoa que batia na sua janela na hora programada? Essa era a função do despertador, homens e mulheres que viviam apenas para isso. Eles usavam pedaços de madeira ou pedras para acordar os clientes. A pergunta que não quer calar é: e quem despertava os despertadores?

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 Radar Humano

Antes da invenção do radar, as forças armadas de vários países usavam espelhos acústicos – o mesmo princípio das modernas antenas parabólicas – para detectar o som de tropas se aproximando, ou de aviões, estes durante a 1ª Guerra Mundial, quando passaram a ser usados como bombardeiros.  A Inglaterra construiu uma verdadeira muralha desses espelhos acústicos a partir de 1915, especialmente ao longo da costa do Canal da Mancha. Hoje, alguns deles ainda estão de pé, como se vê na foto abaixo.

Muitas vezes, os exércitos precisavam de mobilidade, então alguns homens passaram a servir de radares humanos e seguiam com as tropas, carregando espelhos acústicos “portáteis”…

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O exército imperial japonês também tinha seus “radares humanos”, embora já mais mecanizado: os homens apenas empurravam os carrinhos com as “tubas de guerra”, dispositivos com bastante mobilidade e que acompanhavam as baterias de canhões antiaéreos.

Ressuscitadores

Os ressuscitadores foram contratados no século XIX para remover cadáveres de túmulos para as universidades. Como os corpos eram difíceis de obter pelos meios legais, os ressuscitadores eram alternativas para garantir o objeto de estudo dos alunos. Essa função meio macabra apareceu em diversos filmes de terror, homens trazendo corpos para as experiências de cientistas malucos.

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 Telefonistas

As simpáticas moças que conectavam nossas ligações desapareceram. Hoje, elas estão a postos nas companhias telefônicas apenas para casos excepcionais, ou trabalham na recepção das grandes empresas, transferindo as ligações para os ramais. Com o avanço da tecnologia, atualmente não se ouve mais o seguinte diálogo:

– Telefonista, eu queria uma ligação para o Rio de Janeiro, o número é XX-XXXX.
– Pois não. Assim que eu completar a ligação eu retorno para o senhor.
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Estas são profissões do passado, mas certamente outras profissões modernas estão se extinguindo, justamente por conta da evolução – se é que podemos definir assim – da sociedade. O tempo não para e a gente tem que se adaptar.

 

 

Fonte: 

qga.com.br

Para fugir do ar-condicionado, Microsoft ‘mergulha’ data center

O data center Leona Philpot antes de ser colocado nas águas do oceano Pacífico, na Califórnia.

Inspirados por Júlio Verne, os pesquisadores da Microsoft acreditam que o futuro dos data centers possa estar no fundo do mar.

A Microsoft testou o protótipo de uma central autônoma de processamento de dados capaz de operar centenas de metros abaixo da superfície do oceano, eliminando um dos mais dispendiosos problemas que o setor de tecnologia enfrenta: o custo do ar-condicionado.

Os data centers atuais, que processam absolutamente todos os dados do setor de tecnologia, dos serviços de vídeo on-line às redes sociais, abrigam milhares de servidores que geram muito calor. E quando o calor é demais, os servidores caem.

Colocar todo esse equipamento sob a água gélida do oceano poderia resolver esse problema. Também poderia atender às demandas de energia do mundo da computação, que crescem exponencialmente, porque a Microsoft está considerando combinar o sistema a uma turbina ou a um módulo que aproveita a energia das marés para gerar a eletricidade necessária ao funcionamento do data center.

Esse esforço, batizado de Project Natick, pode levar à colocação de gigantescos tubos de aço conectados por cabos de fibra óptica no leito do oceano. Outra possibilidade seria posicionar cápsulas metálicas cilíndricas em suspensão abaixo da superfície do mar, para capturar as correntes oceânicas com turbinas que geram eletricidade.

EMPECILHOS

Uma ideia radical como essa poderia encontrar obstáculos, entre os quais preocupações ambientais e questões técnicas imprevistas. Mas os pesquisadores da Microsoft afirmam que a produção em massa das cápsulas poderia encurtar o prazo necessário para colocar novos data centers em operação, dos dois anos necessários hoje para instalar uma central de processamento de dados em terra para apenas 90 dias, o que ofereceria imensa vantagem de custo.

Os recipientes contendo servidores submarinos também poderiam ajudar a fazer com que os serviços de web operem mais rápido. Boa parte da população do planeta vive em centros urbanos perto do oceano, mas bem distante dos data centers, em geral construídos em áreas distantes e com muito espaço disponível.

A capacidade de posicionar poder de computação perto dos usuários reduziria a latência, ou seja, a espera que as pessoas encaram para receber dados ou acessar serviços, o que é uma questão importante para os usuários da web.

Com o lançamento de tecnologias diversificadas do entretenimento digital e a rápida chegada da “internet das coisas”, a demanda por computação centralizada vem crescendo exponencialmente. A Microsoft administra mais de cem data centers em todo o mundo, e continua a construir novas centrais em ritmo acelerado. A empresa já investiu mais de US$ 15 bilhões em um sistema mundial de data centers que agora responde pelo fornecimento de mais de 200 serviços on-line.

MEMÓRIA

“Quando você pega o seu smartphone, pensa que está usando um computador pequeno e miraculoso, mas na verdade está usando mais de cem computadores diferentes localizados nessa coisa conhecida como a nuvem”, disse Peter Lee, vice-presidente da Microsoft Research. “E quando você multiplica isso por bilhões de pessoas, o resultado é um volume espantoso de trabalho de computação.”

A companhia recentemente concluiu um teste de 105 dias de duração com uma cápsula de aço de 2,40 metros de diâmetro posicionada 10 metros abaixo da superfície do oceano Pacífico na costa do centro da Califórnia, diante de San Luis Obispo. Controlado de escritórios na sede da Microsoft em Redmond, o teste se provou mais bem-sucedido do que os pesquisadores antecipavam.

Os pesquisadores estavam preocupados com defeitos no hardware e com a possibilidade de vazamentos. O sistema subaquático estava equipado com cem sensores diferentes para medir pressão, umidade, movimento e outras condições para compreender melhor como é operar em um ambiente ao qual é impossível enviar um técnico para consertar defeitos no meio da madrugada.

O sistema se manteve funcional. Isso levou os engenheiros a prolongar o prazo da experiência e até a operar nele projetos de processamento de dados comerciais do Azure, o sistema de computação em nuvem da Microsoft.

O primeiro protótipo, que ganhou o carinhoso apelido “Leona Philpot” –uma personagem na série de videogames Halo, da Microsoft– foi recuperado e trazido para a sede da empresa, com o revestimento metálico parcialmente coberto de crustáceos.

Fonte:
JOHN MARKOFF, The New York Times