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Relembre fatos marcantes dos 70 anos de TV no Brasil

A televisão surgiu em 1950 no Brasil, importando o que o rádio tinha de melhor. Nos anos 1970, ganhou transmissão em cores. E ao longo de 70 anos de história, lançou manias e paixões nacionais.

“Boa noite. Está no ar a televisão do Brasil!”

Garoto vestido como índio, o símbolo da TV Tupi e Lia de Aguiar e Dionisio Azevedo, em cena de ‘Sua vida me pertence’, primeira telenovela brasileira (1951). Esta produção em 15 capítulos, entretanto, era exibida apenas duas vezes por semana, e não de segunda à sexta-feira, formato usualmente adotado pelo gênero — Foto: Divulgação/Site do artista

Assim, uma logomarca com um pequeno índio anunciava a primeira transmissão brasileira, em 18 de setembro de 1950, pela TV Tupi.

O empresário e jornalista Assis Chateaubriand, fundador da Tupi, foi também o primeiro difusor dos aparelhos em um país que já tinha a tecnologia, mas carecia de famílias com recursos para comprá-los. E de aparelhos pra serem vendidos… Montes de pessoas se aglomeravam em padarias e outros lugares de São Paulo para assistir ao primeiro programa ao vivo, “TV na Taba”, na noite daquele 18 de setembro. O programa reuniu artistas que vinham do cinema e do rádio, mas se tornariam grandes símbolos da televisão, como Lima Duarte, Hebe Camargo, Lolita Rodrigues e Mazzaropi, e foi comandado por Homero Silva.

Essa primeira transmissão no País foi feita para apenas 200 aparelhos. Hoje, são mais de 100 milhões ligados em uma das maiores indústrias criativas do mundo.

Mas senta que lá vem história…

Um mês antes da inauguração, durante uma reunião, o engenheiro americano Walther Obermüller, responsável técnico, perguntou informalmente quantos aparelhos de TV havia no País. O pai da iniciativa,  Assis Chateaubriand, poderoso empresário, respondeu: nenhum.

Chatô tentou importar os aparelhos, mas pelo trâmite legal eles levariam dois meses para chegar. O empresário pediu a ajuda do então presidente Eurico Gaspar Dutra, mas o prazo para a entrega seria o mesmo. A saída foi contrabandear 200 aparelhos, prometendo o primeiro ao próprio presidente Dutra. Os outros 199 foram espalhados em pontos públicos da cidade de São Paulo…

A linha do tempo da televisão no País teve uma série de marcos históricos.

Em 1953, nascia TV Record; em 1954 foram transmitidas as primeiras partidas de futebol e o País se reuniu na frente da telinha para chorar a morte do presidente Getúlio Vargas. Em 1963, o programa de auditório de Silvio Santos começou a ser exibido nas tardes de domingo pela TV Paulista. Em 1965, entrou no ar a TV Globo. A TV Bandeirantes veio em 1967; dois anos depois, foi a vez da TV Cultura. Com o videotape, a televisão não precisava mais ser 100% ao vivo, e a qualidade dos programas começou a crescer. Surgiram atrações de sucesso como “Rancho Alegre”, humorístico estrelado por Mazzaroppi; o “Grande Teatro Tupi”, com peças televisionadas; o jornalístico Repórter Esso, que se autointitulava “testemunha ocular da história”; “O Céu é o Limite”, show de perguntas e respostas com Aurélio Campos…

Inauguração da primeira TV do Brasil, com transmissão ao vivo, a TV Tupi de São Paulo.

Logo a televisão passou a fazer parte essencial do cotidiano do brasileiro.

Humor e novelas

Nos anos 1960 a TV brasileira foi dominada pelo humor. Foi nessa década em que surgiram nomes como José Vasconcelos e Chico Anysio, prodígio que havia participado aos 16 anos de um concurso na rádio Guanabara, no Rio de Janeiro. O destaque de um de seus quadros, “A Escolinha do Professor Raimundo”, levou Chico a ganhar o seu próprio programa, “Tim Tim por Tantan” e, depois, o “Chico Anysio Show”. A próxima estrela do humor na TV seria o exótico Chacrinha, personagem do apresentador Abelardo Barbosa. Sua fama era tão grande que ele logo ganhou dois programas de auditório semanais: “Discoteca do Chacrinha”, às quartas-feiras, e “Buzina do Chacrinha”, aos domingos. Programas de auditório como o de Chacrinha e Silvio Santos marcaram para sempre a história da TV brasileira. No programa “Noites Cariocas”, na TV Rio, outro comediante conquistava seu espaço: Ronald Golias, dirigido por Carlos Alberto da Nóbrega – que até hoje apresenta o humorístico “A Praça é Nossa”, no SBT.

Chacrinha
Chico Anysio

Novelas

Em 1963 nascia o formato mais brasileiro da TV: a telenovela. com a primeira produção a ser exibida diariamente, 2-5499 Ocupado, produzida e exibida pela Rede Excelsior, estrelada por Tarcísio Meira e Glória Menezes. Desde então, o público se rendeu aos folhetins exibidos diariamente. Entre as produções de grande audiência, a mais marcante foi “O Direito de Nascer”, exibida em parceria pela TV Tupi e TV Rio. É provável que ela seja até hoje, em números relativos, o maior sucesso de todos os tempos: seu último capítulo teve 99,75% dos televisores ligados.

No dia 26 de abril de 1965 às 10:45, entrava no ar o canal de TV que mudaria o mercado brasileiro: a TV Globo, com a transmissão do programa infantil Uni Duni Tê. Também estavam na programação dos primeiros dias a série infantil Capitão Furacão e o telejornal Tele Globo, embrião do atual Jornal Nacional. Os primeiros oito meses da TV Globo foram um fracasso, o que levou à contratação de Walter Clark, na época com 29 anos, para o cargo de diretor-geral da emissora. Clark foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso da emissora, junto com José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Aos poucos, instalava-se na emissora carioca o conceito que viria a ser conhecido como “Padrão Globo de qualidade”, imposição estética e técnica que a levaria a superar as concorrentes e garantiria um crescimento astronômico nas décadas seguintes.

Enquanto a TV Record apostava no Festival da Música Popular Brasileira, que revelaria nomes como Elis Regina, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, a Tupi e a Globo investiam nas novelas. A Tupi emplacou “Beto Rockefeller”; a Globo, “Irmãos Coragem”, de Janete Clair, com um elenco de jovens estrelas como Tarcísio Meira, Glória Menezes, Cláudio Marzo, Regina Duarte e Cláudio Cavalcanti. Os anos 1970 trouxeram para a Globo novos nomes do humor, como Jô Soares, Agildo Ribeiro e Paulo Silvino, além de Os Trapalhões. É nessa década que ocorreu também uma grande revés para a emissora: apesar de diversas tentativas, a novela “Roque Santeiro”, de Daniel Filho, com Lima Duarte, Francisco Cuoco e Betty Faria, foi proibida pela Ditadura Militar – a história só seria exibida em 1985, em um remake. O prejuízo só não foi maior graças à sequência de novelas de grande audiência, como “Selva de Pedra”, “Pecado Capital” e “Escrava Isaura”.

Nos anos 1980, o mercado estava em ebulição: Silvio Santos comprou o canal TVS, que viraria o SBT; a Bandeirantes investia pesado no esporte, com a contratação do narrador Luciano do Valle; a Rede Manchete contratou Maytê Proença a peso de ouro para lançar a minissérie “Marquesa de Santos”; a TV Record foi comprada pelo Bispo Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus. Novos apresentadores caíam no gosto do público: Xuxa Meneghel, com foco no público infantil e Fausto Silva, na Globo; Gugu Liberato, no SBT.

Nos anos 1990 com a chegada da TV a cabo por assinatura, o mercado renasceu com um número enorme de canais, como a MTV, voltada ao público jovem, e a GloboNews, canal de notícias 24 horas no ar.

Foi uma mudança tão grande que algo semelhante só aconteceria anos depois, com a chegada ao Brasil do mercado de streaming. Mas essas já são cenas dos próximos 70 anos…

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes:

UOL

Wikipedia

isto é

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Rede Globo 50 anos: verdades e mentiras

A Rede Globo, fundada em abril de 1965, é uma rede de televisão assistida por cerca de 150 milhões de pessoas diariamente, sejam elas no Brasil ou no exterior, por meio da TV Globo Internacional. A emissora é a segunda maior rede de televisão comercial do mundo, atrás apenas da norte-americana American Broadcasting Company (ABC) – que faz parte da Disney – e é uma das maiores produtoras de telenovelas do planeta. A emissora alcança 98% do território brasileiro, cobrindo 5.482 municípios e cerca de 99% da população.

É inegável que, nesses 50 anos, a Globo se tornou líder incontestável em todos os horários, faixas, praças e nos principais indicadores de interesse do mercado comercial,  e faz parte do cotidiano dos brasileiros todos os dias através de suas novelas, jornalísticos, atrações esportivas ou de entretenimento.

Quando ela foi fundada, nos anos 1960, já existiam outras emissoras. Em 1965, por exemplo, a TV Excelsior já estava em operação. A TV Tupi, existente desde 1950; a TV Cultura, de 1960; e a TV Record, de 1953, já estavam no mercado. Shows, jornais, humorísticos e novelas não eram novidades, mas a forma pela qual a Globo trabalhou sua programação foi o que a levou à liderança.

Como não podia deixar de ser, esse meio século gerou inúmeras histórias, muitas verdadeiras, e outras tantas mentirosas. Vamos elencar abaixo algumas delas:

VERDADES

Globo apoiou a ditadura

Golpe de 64
Brasil, Rio de Janeiro, RJ. 31/03/1964. Tanque do exército para próximo à casa do presidente deposto, João Goulart, nas Laranjeiras. O Golpe de 64 submeteu o Brasil a uma ditadura militar que durou até 1985.

A Globo não só apoiou como cresceu à sombra da ditadura militar. A emissora aquiesceu, propagou e jamais questionou quem estava no governo militar.

Teve apoio do governo e da Embratel para virar a maior TV do país

Onde a Embratel elevava suas antenas, nos mais longínquos rincões do território nacional, a Globo também lucrava e passava a ter uma anteninha. Com isso, ela se tornou a primeira emissora do país a ter rede nacional  – a maior cobertura do país e uma das maiores do mundo em alcance de público. Anos antes, por pressão de políticos de oposição (leia-se Carlos Lacerda), a emissora teve de romper o contrato que firmara com o grupo Time Life, que na época lhe emprestou US$ 6 milhões para investir em infraestrutura, o que era um dinheirão e faria com que saísse na frente da ainda incipiente TV brasileira. Em troca, a Globo daria uma fatia de seus lucros para o grupo estrangeiro. Uma sociedade não permitida pela lei.

Editou debate eleitoral para ajudar Collor

Isso foi “confessado” recentemente pelo próprio Boni, antigo manda-chuva da emissora. Porém, o que pouco se fala, e é confirmado por vários ex-funcionários que lá estavam, em 1989, é que a primeira edição do debate era favorável a Lula. Quem a fez foi um editor “petista de carteirinha”. Mas sua edição foi tão péssima que acabou gerando uma contra-reação na emissora. Refizeram tudo e ocorreu uma guinada completa. O fundador Roberto Marinho chegou a admitir, mais tarde, que preferia Collor a Lula.

Comprou programas que nunca exibiu só para a concorrência não tê-los
Durante décadas a Globo teve acesso exclusivo a produções estrangeiras graças a seu incrível poderio econômico. Não se sabe ao certo quantos programas os brasileiros jamais viram em outras emissoras devido a essa prática. Até hoje, comentam-se os esforços para comprar os direitos de Chaves e Chapolim, que dificilmente seriam inseridos na sua grade de programação. Neste ano mesmo, do seu 50 º aniversário, comprou os direitos da série “Agentes da SHIELD” – enorme sucesso na TV paga – para exibi-lo de madrugada…
Foi ajudada a ter novo império na TV paga e impedir a ascensão de outras TVs no setor

Alguém tem dúvida? Primeiro a Globo era uma das donas da operadora Net. Quando a TV paga chegou ao Brasil, a emissora tratou de ajudar a si mesma e se espalhou rapidamente feito vírus pela TV por assinatura. Com bons canais, é verdade, como a GloboNews, mas também com muita porcaria. Hoje, a Globo tem propriedade ou parceria em quase 50 canais pagos, incluindo um monopólio de pay-per-view. Quando o governo mandou a emissora sair da Net, por desrespeitar o mercado, a Globo saiu, mas continuou sendo beneficiada não só pela Net, mas também pela Sky. Uma verdadeira ação entre amigos, que impede até hoje outras TVs de ter mais canais fechados. Quando alguém tenta, come o pão que o demônio fermentou, como a FoxSports bem sabe…

Fez Gloria Perez, Benedito Ruy Barbosa e Walter Negrão rescindirem contrato com o SBT

Foi a única vez que a Globo tomou um susto grande na área de dramaturgia. Numa de suas jogadas de mestre, Silvio Santos “furtou” Gloria Perez, Benedito Ruy Barbosa e Walter Negrão de uma só vez. O SBT passaria a investir pesado em novelas, e para isso precisava dos melhores escritores. Só que os novelistas nem chegaram a sentar na cadeira no SBT, porque a Globo os fez rescindir contrato. Tiveram de pagar uma multa milionária a SS, e até hoje parte dessa ação ainda corre na Justiça.

Obrigou o SBT a pagar multa milionária pela rescisão do contrato assinado com Gugu

Anos antes desse episódio envolvendo os novelistas, a Globo também deu uma rasteira em Silvio Santos. Gugu Liberato estava no auge da carreira, seu contrato venceu e a Globo o tirou do SBT – enquanto Silvio Santos estava viajando aos EUA, para variar. Quando voltou, Silvio Santos pegou Gugu a tiracolo e o levou até a sala do doutor Roberto, onde fez algo inédito: implorou que o concorrente devolvesse sua estrela. Alegou que estava com uma grave doença nas cordas vocais, que talvez tivesse de se aposentar, isso se não ficasse mudo para sempre ou mesmo morresse… Doutor Roberto aceitou, mas cobrou cada centavo da multa, que Silvio pagou sem pestanejar.

Criou uma linguagem visual única e inédita, que fez escola no mundo todo

Isadora Ribeiro na abertura do "Fantástico", criação de Hans Donner.
Isadora Ribeiro na abertura do “Fantástico”, criação de Hans Donner.

A Globo foi a primeira emissora a mexer com o logotipo-símbolo da empresa, além de lhe dar uma trilha (o plim-plim) e estilizá-lo dimensionalmente. O pai disso se chama Hans Donner, 66 anos, alemão naturalizado brasileiro e gênio da linguagem visual. Seu trabalho em vinhetas e linguagem visual se tornou paradigma e foi copiado por emissoras e outras empresas ao redor do mundo. Pode-se dizer que toda a linguagem visual e gráfica no Brasil é dividida em Antes e Depois de Hans Donner. Uma curiosidade: a Pacific Data Images, grande estúdio de computação gráfica que hoje constitui a Dreamworks Animation (estúdio que criou “Shrek”, “Kung Fu Panda” e outros sucessos), colaborou nas primeiras vinhetas de Donner.

Tem a melhor programação da TV aberta brasileira

Podemos criticar a Globo por tudo, mas ela ainda é a melhor TV aberta do Brasil. Não vende sua grade de programação para ninguém, tem bons programas e apresentadores em todas as faixas horárias e ainda nada de braçada em termos de audiência. Não há nenhuma emissora que ameace seu reinado. Mesmo TVs como a Record, que até tentaram combatê-la, afundaram em estratégias de pura imitação da própria Globo, que tem os melhores filmes, atrizes, atores, roteiristas, apresentadores, e, o que é melhor, o respeito total dos maiores anunciantes do país. A Globo é uma potência de conteúdo jornalístico, dramatúrgico e de entretenimento. Se nada mudar, esse reinado continuará por mais 50 anos.

MENTIRAS

Jamais exibiu comercial com artista de outra emissora

Isso até foi verdade um tempo, mas acabou depois que Jô Soares foi para o SBT. O apresentador estrelava um sem-número de comerciais de produtos nacionalmente conhecidos, empresas ricas, e a Globo não podia abrir mão desse faturamento por causa de uma regra tola.

Punia artistas que a trocassem por TVs concorrentes: eles jamais voltariam a pisar na Globo 

Outra lenda que foi verdade por um tempo, principalmente quando Sergio Chapelin foi para o SBT apresentar um programa de auditório, “Show sem Limites”, que chegou a derrotar o “Viva o Gordo” e o seriado “Casal 20”, concorrentes no horário. A Globo boicotou as inserções comerciais com a locução de Chapelin, mas um ano depois, ele mesmo chegava à conclusão de que não tinha a “pegada” de apresentador de auditório e sua praia era mesmo o jornalismo, voltando para a Globo em 1984. A emissora até tentou fazer essa regra valer de novo anos atrás, quando a Record tirou vários artistas e profissionais para investir em novelas. Boa parte voltou e está mais que prestigiada: Marcelo Serrado, Gabriel Braga Nunes, Vanessa Gerbelli… Sem falar em outros profissionais técnicos.

Globo criou todas as suas estrelas

Bobagem. Antes de ser global, Faustão foi lançado na TV pela humilde Gazeta, e depois foi da Record e da Band; Ana Maria Braga veio da Record; Serginho Groismann, da Band; Xuxa, da TV Manchete, assim como Angélica; Luciano Huck veio da Band.

Ator Mário Gomes é internado com cenoura no ânus

Essa não só é a maior mentira em toda a história da Globo, mas a mais pérfida e doentia. Foi uma invenção de um diretor da Globo, Daniel Filho, segundo o próprio Gomes; Daniel Filho jamais a negou. Gomes se envolveu com Betty Faria, então casada com o diretor, que se vingou espalhando a história. “Foi uma tentativa de assassinato”, disse Gomes, que foi estigmatizado, apontado nas ruas e ficou longe das telas por muito tempo. Voltou, mas jamais como o galã dos anos 70. Neste link, para quem quiser ler, uma entrevista recente com Mário Gomes, onde ele conta esse evento.

Parou de vender os domingos para o Silvio Santos porque ele dava mais audiência que a emissora

SS no quadro "Boa noite, Cinderela", na TV Globo na década de 1970.
SS no quadro “Boa noite, Cinderela”, na TV Globo na década de 1970.

Muitos jovens não sabem que Silvio Santos já foi da Globo. Nos anos 1970,  Silvio ocupava até 10 horas aos domingos e já estava milionário por causa do Baú da Felicidade. Também tinha um ibope absurdo – dizem que dava 90 pontos em 1969. Empatando com a novela “Selva de Pedra”, que teria a mesma audiência… Mas a verdade é que a Globo não o tirou do ar por causa disso, e sim porque ele ganhava muito mais do que rendia para a emissora. Silvio foi para a Tupi, mas o programa era transmitido também pela Record e pela TVS (que acabara de ganhar do governo; depois ela viraria o SBT).

Teve envolvimento nos incêndios ocorridos na  TV Excelsior no final dos anos 1960

O que é curioso é que, nos anos 1990, sabe-se lá o porquê, essa “culpa” passou a ser atribuída por alguns “estudiosos” da televisão brasileira à Fundação Cásper Líbero (TV Gazeta). Tudo conversa mole. O primeiro “incêndio” atingiu pouco mais de uma mesa da emissora. O segundo, porém, foi devastador, mas naquele tempo não havia sistemas e regras de segurança como hoje.

Boni foi o “inventor” do padrão Globo de Qualidade 
Walter Clark é o de barba, na foto. O de óculos seria o banqueiro José Luiz de Magalhães Lins e, ao lado dele, Roberto Marinho.

Essa mentira está estampada até hoje em muitos livros e guias de estudantes. Boni de fato ajudou a implantar o padrão, mas a origem dele é o acordo (irregular) assinado entre a emissora e o grupo norte-americano Time Life. A Globo recebeu da Time um tratado sobre qualidade e implantou seus itens, que incluíam a excelência em programação. Além disso, o “padrão” foi implantado também por Walter Clark (1936-1977). Essa conduta encareceu bastante os custos da emissora, mas por outro lado agregou um valor infinito às suas produções –especialmente as novelas.

Inventou o formato das novelas televisivas 

direito de nascer elenco1

Novelas já existiam antes de a Globo sequer ser gestada. No Brasil havia a TV Tupi, e a Excelsior, que tiveram novelas de sucesso (na foto acima, o elenco de “O Direito de Nascer”, da TV Tupi). Por outro lado, a Globo elevou o conceito de novela a um patamar completamente superior à concorrência, justamente pelo padrão de qualidade. Aos poucos atraiu os melhores quadros da dramaturgia, os melhores técnicos, os melhores iluminadores, cenografistas, ou seja, melhorou o que já existia.

Globo tem o poder de derrubar qualquer político de seu cargo

Até alguns anos atrás, até que se pode dizer que sim, mas hoje já não é mais. O que a emissora fez, e faz, graças a seus ótimos repórteres, é desvendar falcatruas e crimes. Por outro lado, essa prática já gerou um mártir. Tim Lopes (1950-2002) foi assassinado por traficantes do Complexo do Alemão, que descobriram um equipamento de gravação escondido em suas roupas.

Globo ignora completamente a programação das outras emissoras

Tanto é mentira que o “Encontro com Fátima” é inspirado pelo “Hoje em Dia”, da Record. O “Bem Estar”, por sua vez, só veio meses depois de um quadro fixo semelhante já exibido no matinal da Record. No final do ano passado a Globo sofreu outro chacoalhão com os telejornais matinais da concorrência, especialmente o “Notícias da Manhã”, do SBT. A Globo teve de se virar e criar algo semelhante.

Globo não deixa seus artistas participar de programas em outras emissoras

É uma meia-verdade, para sermos honestos. Tony Ramos estava em 2014 no palco do SBT para receber o Troféu Imprensa, assim como Lília Cabral. Outros artistas já foram liberados ou deram entrevistas em locais públicos ao “Pânico na Band”, por exemplo, sem que sofressem qualquer sanção.

 

Não sou mais um espectador assíduo da TV aberta, como já fui. Por uma soma de fatores, entre eles a falta de tempo, coisas melhores para fazer, a internet, a TV a cabo… Mas reconheço que a TV Globo teve – e tem – um papel fundamental na formação cultural do povo brasileiro, em sua grande maioria habituado a ver o mundo pela TV.

Exatamente por isso, fica a minha torcida para que ela utilize seu imenso poder, alicerçado em seus 50 anos de atuação, no resgate de muitos valores de nosso povo, que ficaram para trás em nome da busca sem limites pela audiência.

 

Fontes:

Na Telinha

UOL/ Ricardo Feltrin

Rede Globo

 

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Esta reportagem explica por que Sílvio Santos é um mito

A reportagem abaixo, excelente, esclarece os motivos que levaram Sílvio Santos ao status de maior mito da TV brasileira, ainda no topo e sem concorrentes por mais de meio século. Vale a pena ler, porque é muito bem escrita e passa toda a emoção que essa aventura desperta. (dica de Paulo Maffia)

Terra fura bloqueio e vai ao Programa Silvio Santos com caravana

Repórter do Terra se infiltrou na caravana do Programa Silvio Santos Foto: Andressa Tufolo / Terra

Repórter do Terra se infiltrou na caravana do Programa Silvio SantosFoto: Andressa Tufolo / Terra

Eu não fui convidada, mas entrei na festa de alguém que invade a minha e a sua casa há 50 anos pela televisão. E gostei. No último dia 16 de outubro, eu e mais 199 pessoas acordamos por volta das 5h da manhã com o mesmo objetivo: estar diante do homem do baú. Foram três meses de espera até conseguir sentar na plateia mais disputada do Brasil, a doPrograma Silvio Santos, e pelo método mais tradicional: pegando carona em uma caravana. Esses ônibus saem geralmente da cidade de São Paulo e região.

Como o pedido foi negado pelo SBT, entrei de penetra. Nessa saga, eu descobri companheirismo, tapas e mordidas por dinheiro, a grande preocupação da emissora em receber bem suas convidadas, e a panelinha das caravanistas. Silvio Santos deu um show de humildade e se empolgou com os aviõezinhos. Sim, as notas são de verdade e chegam aos maços. O combustível que move aposentados, desempregados, estudantes e trabalhadores com horários flexíveis? Ver o mito vivo, ganhar dindin e se divertir.

“Ir ao Programa Silvio Santos é prêmio”. Escutei essa frase de caravanistas e produtores e demorou até realmente entender o significado dela. Na minha primeira ligação à produção da atração fui informada de que havia duas formas de participação. Ir como convidada, o que demoraria uns três meses, ou fazer parte de uma caravana – meu alvo. Atenciosos e com uma lista composta por cerca de 150 caravanistas eles perguntaram o bairro onde eu morava e com isso pesquisaram a caravanista e ônibus, que inclusive é enviado pela emissora, que melhor se enquadrava na minha região.

Panelinha das caravanistas

Com o telefone dessas profissionais em mãos, fui direto ao ponto, dizendo que gostaria de ir ao programa. “Não sei quando serei chamada para a próxima gravação, mas deixa seu telefone comigo”, escutei como resposta de uma caravanista. Em seguida, a senhora indagou minha operadora do celular e ao escutar o nome foi enfática: “Essa não dá não. Fica caro para mim”.  Não tem problema. Eu retornei uma, duas, cinco vezes até ela gravar meu nome e acreditar que eu realmente almejava ir – argumentei que eu precisava ter ao menos uma chance, que era meu sonho e até promessa eu tinha feito. Ela me oferecia participações em outros programas, inclusive de outras emissoras, como o de João Kleber, mas meu foco era o Silvio. Depois entendi que as profissionais já tinham um grupinho de pessoas que as acompanhavam em diversos shows. Ganhar uma cadeira no Silvio Santos era oportunidade, “prêmio” para quem ia com ela nas outras. “Minha filha, você nunca foi em programa nenhum comigo e já quer logo o Silvio?”, criticou-me de forma honesta e engraçada. Ela não pode contar com o azar e levar bolo das pessoas. Fora a responsabilidade de lotar os banquinhos do auditório, “as frequentadoras” dizem que as caravanistas ganham de R$ 100 a R$ 500 por programa, dependendo da emissora.

Apostei na sorte e na persuasão. Minhas ligações tornaram-se quase que diárias, não só para essa caravanista. “É muito concorrido”, ela dizia. A “fila” que encontrei para ir ao Programa Silvio Santos não havia para outras atrações. Perguntei se era preciso pagar algo quando aparecesse uma vaga. “Olha, eu até sei de caravanista que anda fazendo isso, mas comigo não é assim. Eles ainda mandam o ônibus e ganha até lanche”, explicou de forma doce. Sensibilizada com meu pedido, quase obsessão, ela me colocou na espera depois de aproximadamente três meses. Se alguém desistisse no dia anterior ao programa, a vaga era minha.

Desistiram! Com meu lugar garantido, acordei 4h30 da manhã e fui ao terminal de ônibus combinado. Lá encontrei outras quatro mulheres e esperamos mais ou menos 1 hora por nossa caravana. O ônibus, que já vinha de uma outra parada, chegou com mais da metade dos lugares ocupados. Minhas companheiras – aposentadas de aproximadamente 60 anos e jovens estudantes, desempregadas e trabalhadoras com horários flexíveis, com idade entre 20 e 35 anos, estavam empolgadas para a gravação e me explicaram o processo.  “Se não vai nos outros programas, ela não chama. A do Silvio é a mais concorrida. Ele é o melhor apresentador. Igual a ele não tem. Ainda ganha maquiagem, lanche. E se der sorte participamos das brincadeiras. Será que hoje vou levar algum dindin?”, resumiu ansiosa uma das meninas.

 

Para as caravanistas, ir à atração de Silvio Santos é considerado um prêmio Foto: Andressa Tufolo / Terra
                                                                                                                    Para as caravanistas, ir à atração de Silvio Santos é considerado um prêmio. 
Foto: Andressa Tufolo / Terra

 

Talvez desconfiadas, minhas parceiras, que já se conheciam em sua maioria, faziam-me perguntas, querendo descobrir quem era a novata que as acompanhava. “Você mora por aqui? Com o que trabalha?”, questionavam. Elas evitam ao máximo os contratempos. “Ontem eu estava com febre. Hoje só vim porque sou responsável, não queria deixar ninguém na mão. Dei o nome e tenho que vir”, disse uma senhora se referindo ao compromisso com a caravanista. “Gosto de programa de auditório pelas atrações. Já vi o Zeca Pagodinho, que eu amo. Sabe quanto custa um show desse cara?”. A senhora admitiu gostar de Silvio, mas, irônica, reclamou: “o Silvio agora só está gostando das novinhas”. 

Chapinha, maquiagem e viva as “periguetes” 

Conforme nos aproximávamos do endereço da emissora, em Osasco (SP), o burburinho no ônibus aumentava. O trajeto durou entre 40 minutos e uma hora. “Ele era um camelô…tem gente que nasce com uma estrela na testa”, refletiam sobre Silvio. Nesse meio tempo, perguntávamos uma sobre a vida da outra, sobre a família, atividades que havíamos deixado de lado para estar lá. A senhora que sentou ao meu lado, por exemplo, perdeu a aula de hidroginástica.

Algumas meninas mais jovens já trocavam de roupa. Substituíam seu jeans por saias coladas, blusinhas mais incrementadas e salto alto. “Estou periguetinhaaaa”, brincavam. Íntima das meninas, a caravanista entrava na onda: “menina, cobre essas pernas. Sua mãe não vai gostar”. Outras diziam: “ah vai ter muita tranqueira aí”, se referindo ao modo de vestir de algumas. Eu optei por um modelito mais discreto: jeans e bata.

 

Mulheres passam por maquiadores e cabeleireiros antes da gravação Foto: Andressa Tufolo / Terra
                                                                                                                                                Mulheres passam por maquiadores e cabeleireiros antes da gravação. Foto: Andressa Tufolo / Terra           

 

A organizadora avisou antes de descermos do transporte: “chegando lá vocês vão receber lanche, café com leite e fazer cabelo e maquiagem. Não tem essa de não quero”.  No SBT, entramos em uma sala de preparação. Lá, já éramos direcionadas aos nossos lugares e posições no auditório. Em geral, as mais jovens na frente e as mais velhas no fundo. Nesse espaço, a expectativa tomava conta das recém-chegadas e veteranas. Era chapinha de cabelo para cá, espelho para lá. Até troca dos itens dos lanches teve entre elas. Foram servidos sanduíches de queijo e presunto, chocolates, refrigerante, achocolatado e biscoito.

Roque, o “sedutor”, e as dicas para pegar dinheiro

Depois de cabelos e maquiagens feitos – de modo simples e rápido – ficamos quietas e sentadas para ouvir as dicas e orientações de como se comportar dentro do estúdio. Nesse ínterim, chega Roque, ícone que não poderia faltar no programa. De camisa estampada, jeans e sapato vermelho de verniz, ele entra, lançando olhares e piscadas e reforçando as explicações das colegas. Era como se fosse um promoter de balada muito requisitado.

A gravação seria do quadro aviãozinho, o antigo Topa Tudo Por Dinheiro. A produção, chamada de elenco, nos instruiu, como em qualquer programa de auditório, sobre o que deveríamos responder diante das perguntas de Silvio. Salientavam a importância da animação, aplausos e alegria durante o show. Até o modo de agitar o pompom nos foi passado. A essa altura eu já estava perdida com tanta informação. “Esse é um programa sem baderna. Não pisem na cadeira. Na hora de pegar dinheiro não olhem para alto, olhem para o chão. É mais fácil de pegar. Já teve gente que mordeu a mão da outra para pegar dinheiro. Uma moça levou um tapa na cabeça. Me avisem quando foi sem querer ou proposital”, disse uma pessoa da equipe. “E não soprem as respostas para a colega”, alertou.

“Quando o Silvio perguntar se é sua primeira vez aqui, vocês digam: sim. Quando ganhar dinheiro precisa ir lá assinar um papel. Ganhou, vai para o final da fila para dar oportunidade para outras pessoas. Se o Silvio quiser a mesma menina, não é para reclamar: ‘ai eu não fui..ela já foi’. É ele que escolhe. Ele é o apresentador, o programa é dele”.

Perdi as contas de quantas vezes Roque perguntou se estávamos sendo bem tratadas. A preocupação em proporcionarem do bom e do melhor, e serem bons anfitriões, era prioritária. “Vocês estão sendo bem tratadas? Se alguma coisa não agradar vocês, se não as tratarem bem, podem falar comigo”, repetia Roque. A equipe também nos avisou que se não nos sentíssemos bem havia uma enfermaria com profissionais na emissora.

Silvio Santos vem aí olê, olê, olá!
Abram alas. Depois de uma longa espera, ele, Silvio Santos, entra no estúdio. Elegante e alinhado, ele é aplaudido de pé pela plateia e cumprimenta sua equipe. “Silvio é humilde. Estou impressionada. Desde o câmera até os diretores ele cumprimentou. Ele, o chefe, o poderoso, dono do SBT. Fiquei arrepiada”, disse uma senhora.

As primeiras palavras do “homem do baú” têm tom de piada. Ele brinca que as meninas são bonitas, depois feias, e faz charme ao dizer que estava feliz em vê-las arrumadas somente por causa dele. Até que o discurso muda para algo mais sério. “Brincadeiras à parte uma coisa é certa. Vocês são muito gentis por terem vindo até aqui e deixado compromissos de lado. Sejam muito bem recebidas nessa casa”, disse com verdade e gratidão.

Por um momento esqueci que estava lá para fazer essa reportagem. As palavras dele e os comentários animados das colegas haviam me roubado a atenção. Para mim, a emoção de estar diante do mito, para elas nem tanto, mas por estarem acostumadas com ele – pessoalmente ou pela telinha de seus televisores. Silvio era um amigo íntimo e antigo para elas.

Pompons a postos. Toca a musiquinha de abertura do programa e o jogo começa. As gincanas se passam mais no auditório do que no próprio palco. Questionei se as participantes se sentiam envergonhadas ao serem chamadas. Elas são literalmente sem vergonha no melhor sentido da palavra. Adoram brincar e aparecer na televisão e defendem a cordialidade para com o comunicador. “Se ele chama, tem que ir…vai falar não para ele? É chato né”. E detalham a troca com o apresentador: “é como se ele estivesse na sala da casa dele. Ele vai para lá e para cá. Você esquece a vergonha, esquece que está no programa, brinca, e quando vê já ganhou”.

E pode acreditar. O dinheiro é de verdade e Silvio faz de tudo para ele ir para o bolso de sua plateia. Entre um quadro e outro ele parava, pensava, e dava seu jeito. No jogo de cartas, o objetivo era adivinhar se o número que vinha na sequência era mais alto ou mais baixo que o anterior. Silvio Santos deu o seu pitaco. Algumas cartas continham uma bruxa, espécie de coringa, que fazia a pessoa perder tudo. Ele quis o game sem essa opção. E assim foi feito. O desejo de Silvio é uma ordem.

Quem quer dinheiro?

O valor de cada prova era pré-estipulado em sua maioria, mas ele alterava quando queria, pouco antes da brincadeira começar. Questionava quanto tinha sobrado de dinheiro e quando estava acabando ele pedia mais. Imediatamente, sua equipe trazia os maços com as notas. “Acertando aqui leva R$ 500”, disse Silvio em um dos jogos. “Nossa”, a plateia suspirava. A felizarda que participou dessa etapa levou a graninha prometida e as congratulações das colegas. “Esse vai dar para pagar parte do meu aluguel”, disse. As amigas vibravam: “R$ 500 paus. Que sortuda”!

Outra gincana, o concurso Miss Simpatia, rendeu à vencedora um prêmio de R$ 1 mil – o valor mais alto. O mínimo nas “prendas” era de 20 reais. Mas muitas saíram com R$ 50, R$ 100. Uma colega faturou R$ 250.

A gravação contou com um duelo musical. Everton Silva, vencedor do ídolos, e convidados, entre eles o jornalista Décio Piccinini e a cantora Adriana Ribeiro, estiveram lá.  No palco, uma brincadeira de karaokê foi cogitada e montada. Silvio vetou, educadamente, para evitar duas atrações musicais no mesmo programa. Imediatamente, o cenário foi desmontado e deu espaço a outro game.

Para quem acha as perguntinhas dos jogos do Silvio ultrapassadas e ingênuas, saiba que elas agradaram e muito às participantes. Elas se envolvem de tal maneira, que ficam aflitas tentando ajudar as colegas ou as criticando quando erram coisas fáceis. Compenetradas e dominadas pelo poder de comunicação de Silvio, elas querem desvendar os enigmas e debatem as respostas. Uma jovem foi chamada para soletrar a palavra “gorjeta”. Nervosa, a menina não conseguia passar do G e O. Silvio deu um empurrãozinho com o R. “Vamos lá, G – O – R….”. Ela começa outra vez. O apresentador insistiu, ajudou, e com cinco chances ela finalizou a tarefa! Depois foi pressionada pelas colegas, em tom de brincadeira. “Tomara que minha mãe não veja isso”, disse.

De repente já são 14h30 e o programa acaba. Mesmo depois de horas de espera e gravação, escuta-se um uníssono “Ahhhhhhh”, com pesar. Pompons e crachás foram devolvidos e nos direcionamos para o ônibus. Na volta, a troca de figurinhas reina. “Ganhou alguma coisa?”, perguntam. “O importante é participar”, respondeu alguém. Elas dão explicações sobre o que farão com o dinheiro – uma delas disse que engordaria o cofrinho do aluguel, outra compraria um presentinho para a filha. Elas brincam entre elas com seus erros e acertos. Fazem comentários sobre Silvio – se chegaram pertinho dele, algumas o acham bonito, igualzinho ao cara a que assistem pela televisão. Outras acham diferente. Comentam sobre o sapato que o apresentador usou. “Deve ser caro”, concluem. Falam sobre os bastidores, de como funciona aquele universo – “esses brinquedos aqui do lado de fora devem ser usados nas provas do programa do Celso Portiolli”. As meninas e senhoras se preocupam comigo. Querem me ajudar a achar a condução correta após chegar ao terminal. Telefones são trocados e amizades formadas. “Vamos no próximo?”, me convidam. Banho de alegria e companheirismo na volta para casa.  Depois de toda essa saga para conseguir me infiltrar, descubro que o filho de uma pessoa que me ajuda em casa é motorista de caravana. Mas não teria sido tão divertido se fosse fácil!

(o link para a matéria, com mais fotos, está aqui).