Curiosidades, Sabedoria

HOLLYWOOD CONTRA HITLER

Hitler não era o semianalfabeto que a propagada dos aliados fez o mundo acreditar. Ele era uma pessoa instruída e um leitor voraz. Segundo amigos, vivia sempre com um livro debaixo do braço e tinha pilhas de livros em casa.

Claro, quantidade não é e nunca foi sinônimo de qualidade, e é bem possível que ele tenha interpretado de forma errada os escritos do filósofo Arthur Schopenhauer, por exemplo, um de seus ícones. Mas o líder nazista era um sujeito educado e inteligente, isso não se pode negar. E aprendemos que líderes educados e inteligentes, e ainda carismáticos e donos de uma oratória convincente, podem provocar grandes mudanças.

Para o bem e para o mal.

Quando Hitler passou a usar maciçamente os então modernos meios de comunicação de massa, como rádio e cinema, para propagar a ideologia nazista, o mundo começou a perceber que ele poderia ser perigoso. Os filmes de propaganda, dirigidos pela cineasta preferida do Führer Leni Riefenstahl, eram extremamente bem feitos. Além de exaltar a figura de Hitler, a superioridade alemã e de sua raça Ariana, eles também a inseriram na história do cinema, com suas técnicas novas de enquadramento, ângulos de câmera, iluminação e nus.

No vídeo abaixo, alguns excertos do filme mais conhecido, O Triunfo da Vontade. Neles estão presentes as principais figuras do nazismo e todos os elementos da arte da propaganda do regime.

O famoso diretor americano Frank Capra percebeu o tremendo poder dessa brilhante peça de propaganda quando a assistiu, em 1943. Ele surpreendeu-se com o cinema produzido pelo Terceiro Reich.

Na sua opinião, o longa-metragem de Riefenstahl, mais do que a celebração do congresso do partido nazista na cidade de Nuremberg, em 1934, representava uma convocação sedutora à obediência e à agressão. “Estamos mortos. Acabados. Não podemos ganhar essa guerra”, declarou. Mas logo decidiu usar as mesmas armas e produziu sete documentários para as Forças Armadas americanas: “Vamos deixar os nossos jovens escutar os nazistas e japas gritarem as suas reivindicações de pertencimento a uma raça superior, e os nossos soldados vão saber por que eles estão em uniformes”, declarou o diretor. Why We Fight, o título da série, explicava por que a guerra contra a Alemanha, a Itália e o Japão era indispensável para a liberdade, usando inclusive trechos de “O Triunfo da Vontade”.

O trailer a seguir é do lançamento da série em DVD, em 2011:

Capra não esteve sozinho no combate ideológico ao nazifascismo. Ele e outros quatro realizadores de Hollywood formaram um grupo a serviço do governo dos EUA.  As razões alegadas por Capra, John Ford, John Huston, William Wyler e George Stevens para se alistar são usuais: o chamado do dever e o fascínio pela aventura.  

Capra foi o único dos realizadores a trabalhar para as Forças Armadas sem pisar em um campo de batalha. A atuação fora do front poupou-lhe danos físicos e psicológicos. Wyler, por exemplo, ficou praticamente surdo depois de filmar dentro de um bombardeiro. Huston voltou para os EUA com transtorno de estresse pós-traumático. Dirigiu Let There Be Light (1946), um documentário a respeito da “neurose da batalha” ou “aniquilação do espírito”. As Forças Armadas censuraram o filme por mais de 35 anos…

Stevens também se traumatizou. Em quase três décadas, o diretor de O Diário de Anne Frank (1959) calou-se sobre a sua experiência na liberação do campo de concentração de Dachau em 1945. Quando se pronunciou, ele citou A Divina Comédia. “Era como se vagasse por uma das visões infernais de Dante.” Enquanto desviava de cadáveres e de sobreviventes de corpos esqueléticos, Stevens filmou tudo o que testemunhava. O material serviu como prova contra os nazistas nos julgamentos de Nuremberg. 

Ford foi o primeiro dos cinco a se arriscar quando registrou o ataque aéreo dos japoneses ao Atol de Midway, no Oceano Pacífico. Enquanto filmava The Battle of Midway (1942), foi atingido por estilhaços. As imagens tremidas, a perspectiva distorcida e o foco turvo criaram um modelo mais realista, incorporado aos documentários de guerra que o sucederam. 

Five Came Back é o título que se deu a esses cinco documentários desses fabulosos diretores, e que mudaram a história do cinema.

Para demonstrar a tremenda influência da técnica desses diretores sobre os filmes posteriores, basta dizer que os primeiros 25 minutos de O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg, se devem às filmagens do Dia D dirigidas por Ford e Stevens. A estética de A Batalha de San Pietro, de John Huston, influenciou Platoon (1986), de Oliver Stone, e Guerra ao Terror (2009), de Kathryn Bigelow.

Mas a contrapropaganda produzida por Hollywood não se limitou aos documentários. Mesmo antes de os Estados Unidos entrarem oficialmente na guerra, a Warner Bros., um dos maiores estúdios da época, lançou em 1941 o filme antinazista estrelado por Gary Cooper, Sargento York, no qual um jovem pacifista abre mão de sua crença para matar e salvar outras vidas.

Os Estados Unidos ainda mantinham relações diplomáticas com a Alemanha, em 1940, e embora muitos militares e políticos pressionassem o presidente Roosevelt a abandonar sua neutralidade, a população era fortemente contra a entrada do país em mais uma guerra (isso só foi mudar em 1943, depois do ataque japonês a Pearl Harbor). Mas Charlie Chaplin não podia perder a oportunidade de ridicularizar o ditador alemão.

Aproveitando uma série de ataques por parte dos nazistas sobre sinagogas e lojas de judeus situadas na Alemanha, fato conhecido como a “Noite dos Cristais”, Chaplin produziu O Grande Ditador em 1940. O filme foi censurado em vários países, inclusive aqui no Brasil, e deixou Hitler furioso.

Hoje, é um clássico do cinema:

Mas Hollywood tinha outras armas em seu “exército”, e uma das mais poderosas foi Walt Disney. Disney teve seu estúdio “engajado” no esforço de guerra. Além de ver diversos de seus animadores convocados para lutar, se viu contratado pelas Forças Armadas para produzir filmes de treinamento e propaganda. Um dos mais celebrados produtos do front cultural do conflito foi o curta animado A Face do Führer, propaganda antifascista que venceu o Oscar de melhor curta de animação de 1943.

Na trama, Donald acorda na Alemanha Nazista, ao som de uma canção que exalta Adolf Hitler, num quarto cercado de suásticas. Logo de manhã, ele saúda Hitler, Hirohito e Mussolini.

Forçado a sair da cama, ele logo se veste com a indumentária nazista e toma seu terrível café da manhã. O pão, envelhecido, está tão duro que é preciso fatiá-lo com um serrote. Logo, Donald é obrigado a ler o livro Mein Kampf, escrito pelo Führer. Acuado, Donald é levado até a fábrica de armas, onde terá de trabalhar “48 horas por dia”, “como um escravo”, para Hitler. A cena na qual o pato tem de atarraxar bombas é uma clara alusão ao clássico Tempos Modernos, de Chaplin. Ao final, Donald felizmente acorda do que se revela ter sido um pesadelo. “Eu estou feliz por ser um cidadão dos Estados Unidos da América”, diz, ufanista.

Usar todas as suas armas foi a maneira que Hollywood encontrou para se contrapor á sofisticada máquina de propaganda nazista.

Mas a ofensiva dos Aliados não se limitou a isso. Quando foi preciso vencer essa guerra, a BBC teve uma ideia engenhosa: contar a verdade sem vernizes. A médio prazo, a sobriedade e o respeito aos fatos e à objetividade levaram a melhor sobre os discursos exaltados de Goebbels e Hitler.

Mas essa é uma história para uma outra vez…

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Educação para a Morte

O primeiro desenho animado sonoro, o primeiro desenho com o sistema Technicolor, o primeiro longa-metragem animado e o primeiro programa de TV completamente colorido. Esses são alguns dos feitos do maior ganhador do Oscar de todos os tempos, Walter Elias Disney.

Mas nem tudo foram flores na vida do velho Walt. Ele e seu estúdio passaram por várias crises, e uma delas foi durante a Segunda Guerra Mundial. Praticamente falido depois de “Fantasia”, e enfrentando uma greve que paralisou metade de sua força de trabalho, Disney viu com bons olhos o contrato proposto pelo governo para produzir 32 curtas animados entre 1941-1945, a US$ 4,500 cada um, filmes tanto de treinamento para os soldados quanto para levantar a moral da população. Esse contrato gerou trabalho para os empregados e ajudou o estúdio a se recuperar. E o “esforço de guerra” também gerou outros produtos, como pôsteres e quadrinhos.

Um desses curtas foi  “Education for Death – The Making of the Nazi” (1943), uma poderosa propaganda anti-nazista e com uma linguagem um pouco agressiva para os padrões Disney.

O curta conta a história de Hans, um garoto alemão, desde seu nascimento. É mostrado como Hans é influenciado na escola a pensar de acordo com a doutrina nazista. O filme possui diálogos em alemão, mas os fatos mais importantes são narrados em inglês.

No início do filme, os pais de Hans estão diante um oficial nazista para garantir-lhe uma certidão de nascimento. O narrador explica que os pais de Hans são obrigados a mostrar certidões de seus ancestrais a fim de provar que pertencem à raça ariana. Logo em seguida, o casal quer que seu filho se chame Hans; o que é aceitável, pois “Hans” não faz parte da lista de nomes proibidos pelo governo – os de origem judaica. O narrador também explica que o casal tem direito a ter mais onze filhos além de Hans, e conclui que isso é por causa do exército ariano que o chanceler Adolf Hitler anseia formar. Por seus serviços prestados ao III Reich (gerarem uma criança ariana), os pais de Hans recebem de presente uma cópia de Mein Kampf, best-seller da Alemanha naquele momento.
Hans vai para a escola e lá aprende o conto da Bela Adormecida. No entanto, a versão que Hans aprende mostra a “democracia” como sendo a bruxa e a “Alemanha” como sendo a bela. Hitler é o príncipe que salva a Bela das garras da bruxa.

Subitamente, Hans adoece e um oficial nazista vai até a casa de seus pais lembrar-lhes que pessoas doentes não são vistas com bons olhos pelo Estado nazista e que, caso Hans não melhore, será levado a um campo de concentração. No entanto, Hans se recupera e volta à escola. Lá, aprende o conceito darwinista de seleção natural das espécies de forma manipulada; os povos mais fracos merecem ser eliminados. Hans se junta à Juventude Hitlerista e participa da queima de livros cheio de orgulho. Em uma sequência de cenas carregadas de significação, a Bíblia Sagrada se transforma no Mein Kampf, o crucifixo numa espada cortada pela suástica e o vitral de uma igreja é brutalmente quebrado. A cena, assim como aquela da queima de livros, pode ser interpretada como a perda de valores morais tanto por parte da Alemanha quanto por parte de Hans. No final do filme, é mostrado como a vida de Hans daquele momento para frente se resumiu em marchar e saudar Hitler. Hans e seus companheiros  marcham e saúdam Hitler desde a adolescência até se transformarem em túmulos de cemitério. E o narrador conclui que a educação dada na Alemanha nazista é a “educação para a morte”. 

O curta segue abaixo e avalie como serve de poderosa propaganda para as Forças Aliadas, lembrando que, na época, esses desenhos não eram veiculados pela televisão, mas nos cinemas, muitas vezes acompanhados de noticiários que traziam as últimas informações sobre a guerra na Europa.
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As fotos secretas de Hitler

Adolf Hitler tentou desesperadamente impedir que algumas fotos “indignas”, segundo ele próprio, e que haviam sido publicadas num livro de propaganda no início das atividades do Partido Nazista, fossem divulgadas novamente.

Hitler-Humiliating-picture-570560Porém, como quase sempre acontece, as coisas nem sempre saem como a gente quer, e então…

Nos escombros de uma casa destruída pelas bombas em Berlim, um soldado britânico se abaixou para pegar um livro sem capa e meio rasgado. O livro havia sido danificado pela água, mas achando que aquilo seria uma boa lembrança para mostrar às pessoas quando voltasse para casa, o soldado guardou o livro em sua mochila de lona.

O ano era 1945 e Adolf Hitler havia cometido suicídio em seu bunker de Berlim, e seus sonhos de um Reich de 1.000 anos haviam sido destruídos tanto quanto as cidades da Alemanha, agora patrulhadas pelos soldados aliados.

Um deles era Alf Robinson, esse que pegou o livro rasgado e juntou-o com suas outras relíquias nazistas, uma baioneta e uma pistola Luger. Como o livro era escrito em alemão, ficou guardado e jamais lido na casa de sua família em Barnsley, Yorkshire, Inglaterra.

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Hitler de bermudas na floresta…
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Hitler intimidador

Agora, 70 anos mais tarde, ele está prestes a ser republicado e, traduzido em inglês, fornece uma perspectiva única sobre a propaganda nazista.

Destinado a jovens leitores, a publicação oficial do partido nazista seria encarada hoje mais como um “fanzine”, e faz Hitler parecer mais como uma imitação de um tirano. O livreto, chamado “Deutschland Erwache” (Alemanha Despertada) foi escrito na década de 1930 por Baldur von Schirach, um dos primeiros capangas de Hitler.

Ele escreveu: “Nós, que tivemos o privilégio de podermos trabalhar com ele, aprendemos a adorá-lo e amá-lo”. Descrevendo o ditador como sendo “honesto, firme e modesto” e exibindo ao mesmo tempo “força e bondade”, von Schirach disse que a grandeza de Hitler “e sua profunda humanidade são virtudes capazes de tirar o fôlego de quem dele se aproxima pela primeira vez”.

Entre as imagens mais cômicas do livro estão aquelas que mostra o grande líder de calças curtas, entre outras. Hitler decidiu mais tarde que tais fotografias eram profundamente indignas e humilhantes, e proibiu novas publicações.

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Hitler e seu sorriso

Outras fotos mostram Hitler com sua equipe, com crianças e trabalhadores, e o autor escreve: “Como os olhos delas se iluminam quando o Führer está próximo!”.

O autor tinha 18 anos quando conheceu Hitler em Munique, em 1925, mas rapidamente escalou a hierarquia do partido por meio de sua liderança na associação de estudantes nazistas.

Em 1932 ele se casou com a filha do fotógrafo favorito de Hitler, Heinrich Hoffmann, e usou suas fotos na propaganda, que ele produziu como um jovem líder do Reich.

O serviço voluntário lhe valeu a Cruz de Ferro, mas, depois de dirigir a deportação de judeus de Viena, ele parece ter tido uma crise de consciência e passou a exigir melhor tratamento para os deportados. Depois que sua esposa também criticou as deportações, ele caiu em desgraça.

Von Schirach sobreviveu à guerra, mas em 1945 foi condenado em Nuremberg a 20 anos na prisão de Spandau, em Berlim. Ele morreu em 1974.

O jovem cabo Hitler no exército alemão na 1ª Guerra Mundial.
O jovem cabo Hitler no exército alemão na 1ª Guerra Mundial.
Hitler baniu esta foto porque seu olhar gelado o fazia parecer um bobão.
Hitler baniu esta foto porque seu olhar gelado o fazia parecer um tonto.

Seu livro ficou esquecido na casa da família Robinson por 70 anos, até que um sobrinho do velho soldado o mostrou a especialistas militares, e o livro foi parar numa editora que agora irá publicá-lo em inglês.

O editor conta que o livro “mostra exatamente como a máquina de propaganda nazista trabalhou nas jovens mentes impressionáveis. Todo mundo se pergunta como uma nação inteira pôde ser convencida por uma farsa tão terrível quanto o Partido Nacional-Socialista. Este documento cheio de bajulações nos dá uma ótima ideia de como mesmo uma pessoa extraordinariamente perversa pode ser transformada num santo por meio da propaganda”.

 

Fonte:

Daily Express

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Que invenções criadas na guerra a gente usa hoje em dia?

Wr_06Por mais que a gente abomine as guerras, muitos as aceitam como sendo um mal necessário, como dizia Maquiavel – embora Hemingway afirmasse que “Não importa quão necessária ou justificável seja uma guerra, ela será sempre um crime.”

Mendel já postulava, nos estudos da biologia, que são os organismos mais fortes que sobrevivem. E os dirigentes e generais certamente se baseiam nisso para justificar a guerra como ferramenta do controle populacional. Há quem diga que, se não houvessem acontecido as duas grandes guerras no século passado, o planeta hoje estaria superpopulado, mais do que já está. A superpopulação esgotaria os recursos da Terra, que são finitos.

Mas outro ponto importante, e é inegável, reside nos benefícios que a guerra traz aos seres humanos (ao menos, aos sobreviventes…): graças à evolução na tecnologia, na medicina, em diversos aspectos da vida cotidiana. Do computador ao chocolate, é enorme a lista de produtos criados para fins militares e depois adaptados para o uso no dia-a-dia. Quase todos os materiais que usamos atualmente empregam alguma tecnologia bélica.

Os avanços das pesquisas no mundo militar afetam, claro, os setores diretamente relacionados, como a fabricação de munições ou armamentos. Mas essa evolução sempre respinga nas tecnologias civis. Por exemplo, quando acabou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o setor industrial dos Estados Unidos havia dado um salto tanto nos meios quanto na capacidade de produção. A ideia inicial era tornar as fábricas eficientes para acabar com o inimigo, mas, com o fim dos conflitos, as indústrias estavam livres para revolucionar a produção de alimentos, de roupas, de meios de transporte e outras atividades.

Há centenas de inovações na vida moderna que tiveram sua origem nas guerras dos séculos XIX e XX, do radar à ultrassonografia, mas se eu fosse listar tudo aqui, o post não teria fim; por isso vou me limitar a mostrar apenas cinco delas – e que são usadas dentro de casa!

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Forno de microondas

INVENTOR – Percy Spencer

PAÍS – Estados Unidos

GUERRA EM QUE SURGIU – Guerra fria (1945-1991)

Quando a Segunda Guerra Mundial estava no fim, um funcionário da fornecedora militar Raytheon, o engenheiro Percy Spencer, notou que um chocolate em seu bolso derreteu quando ele inspecionava magnétrons, componentes usados em radares. Deduzindo que o derretimento de seu lanche havia sido causado pelo calor gerado pelos magnétrons, Percy criou um aparelho para aquecer comida usando esse princípio. A Raytheon comprou a ideia e lançou o microondas.

CURIOSIDADE – O primeiro microondas pesava 340 quilos e custava de 2 mil a 3 mil dólares!

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Chocolate M&M’S

INVENTOR – Forrest Edward Mars

PAÍS – Espanha / Estados Unidos

GUERRA EM QUE SURGIU – Guerra Civil Espanhola (1936-1939)

O empresário americano Forrest Mars ficou sabendo que as tropas que lutavam na Guerra Civil Espanhola comiam bolinhas de chocolate envolvidas numa casca dura açucarada, que impedia o calor de derreter a guloseima. Inspirado nessa ideia, Mars criou os confeitos M&M’s, nome com as iniciais dos sobrenomes de Mars e de seu sócio, Bruce Murrie.

CURIOSIDADE – Em 1941, o produto já estava no mercado, mas ganhou impulso quando o Exército americano passou a incluir a guloseima na ração dos soldados que iam à Segunda Guerra.

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Leite condensado

INVENTOR – Gail Borden

PAÍS – Estados Unidos

GUERRA EM QUE SURGIU – Guerra de Secessão (1861-1865)

Procurando uma forma de prolongar o armazenamento do leite, reduzir seu volume e contornar a falta de refrigeração, o inventor americano Gail Borden patenteou um método para fabricar leite condensado em 1856. A novidade ficou meio esquecida até o início da Guerra de Secessão, quando o exército dos estados do Norte incluiu o produto na ração das tropas, comprando grande quantidade de leite condensado. (trato com mais profundidade esse assunto neste post aqui).

CURIOSIDADE – Quando voltavam para casa de licença, os soldados contavam às famílias sobre o novo tipo de leite. O produto agradou tanto às donas de casa que a fábrica de Borden mal conseguia atender às encomendas.

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Computador

INVENTOR – Engenheiros da Universidade da Pensilvânia

PAÍS – Estados Unidos

GUERRA EM QUE SURGIU – Guerra fria (1945-1991)

O primeiro computador, chamado de Eniac, surgiu nos Estados Unidos. Projetado para o Exército americano, o aparelho servia para ajudar nos cálculos de artilharia. Ele ficou pronto em 1946 e ajudou nos cálculos para construir a bomba de hidrogênio, testada pelos Estados Unidos em 1952.

CURIOSIDADE – A máquina tinha mais de 2 metros de altura e ocupava uma área de 15 por 9 metros – algo como um armário gigante. Custou em torno de 400 mil dólares. Neste post, conto uma breve história dos computadores.

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Margarina

INVENTOR -Hippolyte Mège-Mouriès

PAÍS – França

GUERRA EM QUE SURGIU – Guerra Franco-Prussiana (1870-1871)

Na década de 1860, o imperador francês Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, ofereceu um prêmio a quem descobrisse uma alternativa barata para a manteiga – na época, um produto caro e escasso, além de difícil conservação. Até hoje os historiadores discutem se o imperador fez isso para facilitar a vida dos franceses pobres ou para abastecer suas forças armadas, às vésperas da Guerra Franco-Prussiana.

CURIOSIDADE – Seja como for, o químico Mège-Mouriès apresentou a margarina, em 1869, levando o prêmio de Napoleão III.

O nome “margarina” deriva de uma descoberta no laboratório de um químico na França chamado Michel Eugène Chevreul, em 1813. Ele descobriu um novo ácido graxo, o qual decidiu chamar de “acide margarique”. Isso porque o material tinha uma aparência perolada e brilhante, que ele relacionou com “margarite”, a palavra grega para “pérola”, mas não chegou a usá-lo para a fabricação de algo comestível.

 

 

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Elmore Leonard e suas 10 dicas de como escrever ficção

O escritor Elmore Leonard, autor de obras que deram origem a filmes como “O nome do jogo”, “Os indomáveis” e “Jackie Brown”, morreu em agosto passado, em consequência de complicações cardíacas e respiratórias, três semanas depois de sofrer um derrame. Autor de 45 romances sempre focados na tese de que o culto ao individualismo leva à violência, Leonard sempre questionou o rótulo de “cronista da América” e a fama de pensador atribuída a ele pela crítica literária, surpresa diante de seu estilo em best-sellers como “Ponche de rum” (1992), que acabou sendo o mais citado de seus textos, e que foi transposto para as telas por Quentin Tarantino como “Jackie Brown”, em 1997.

“Eu não sou um autor sério. Não tenho habilidade para escrever um livro sério. Sou, no máximo, um criador de diálogos”. Famoso pela coloquialidade nas falas de seus personagens (“Quando algo parece escrita, eu reescrevo”, dizia) Leonard atribuía as peculiaridades de sua linguagem às experiências que viveu durante a Segunda Guerra Mundial, em uma base no Oceano Pacífico. Ele fez parte de um destacamento militar que não partiu para o combate, e ficava o tempo todo ouvindo as conversas de seus colegas, fazendo delas a matéria-prima de sua prosa.

Em um artigo publicado pelo “New York Times” em 2001, Elmore Leonard listou uma série de dicas para aspirantes a escritores. “Essas regras eu compilei para me ajudar a continuar invisível enquanto escrevo um livro, para mostrar em vez de apenas dizer o que está acontecendo na história”, disse ele. São essas dicas que reproduzo a seguir:

1. Nunca abra um livro com o clima

Se for apenas para criar uma atmosfera, e não a reação de um personagem ao clima, você não deve se alongar muito. O leitor vai ficar tentado a folhear as próximas páginas à procura de pessoas. Há exceções. Se acontecer de você ser Barry Lopez, que tem mais maneiras de descrever gelo e neve do que um esquimó, você pode fazer todos os relatórios de tempo que quiser.

2. Evite prólogos

Eles podem ser irritantes, especialmente um prólogo depois de uma introdução que vem após um prefácio. Mas estes são normalmente encontrados em não-ficção. Um prólogo num romance é história de bastidores e você pode encaixá-las em qualquer lugar que você queira.

3. Nunca use um verbo além de “disse” para relatar o diálogo

A linha de diálogo pertence ao personagem: o verbo é o escritor metendo seu nariz. Mas “disse” é muito menos invasivo do que “resmungou”, “engasgou”, “advertiu”, “mentiu”. Uma vez, eu notei Mary McCarthy terminando uma linha de diálogo com “ela asseverou” e tive que parar de ler para consultar o dicionário.

4. Nunca use um advérbio para modificar o verbo “disse”

“… ele admoestou gravemente”. Usar um advérbio desta maneira (ou de quase qualquer outro jeito) é um pecado mortal. O escritor está agora expondo-se seriamente, usando uma palavra que distrai e pode interromper o ritmo da troca com o leitor. Uma personagem de um dos meus livros conta como ela costumava escrever romances históricos “cheios de estupros e advérbios”.

5. Mantenha os pontos de exclamação sob controle

Você não tem permissão para usar mais de dois ou três a cada 100 mil palavras em uma prosa. Se você tem a destreza para brincar com exclamações como o Tom Wolfe faz, você pode jogá-las aos punhados.

6. Nunca use as expressões “de repente” ou “o mundo desabou”

Esta regra não requer uma explicação. Eu tenho notado que os escritores que usam “de repente” tendem a exercer menos controle na aplicação dos pontos de exclamação.

7. Use dialeto regional, gírias, com moderação

Uma vez que você começa a soletrar foneticamente as palavras dos diálogos e a encher a página com apóstrofos, você não será capaz de parar. Observe a forma como Annie Proulx capta o sabor das vozes do Wyoming em seu livro de contos “Curto alcance”.

8. Evite descrições detalhadas dos personagens

Em “Colinas parecendo elefantes brancos”, de Ernest Hemingway, como o “americano e a menina com ele” se parecem? “Ela tirou o chapéu e o colocou sobre a mesa”. Esta é a única referência a uma descrição física na história e, ainda assim, vemos o casal e reconhecemos o tom de suas vozes, com nenhum advérbio à vista.

9. Não entre em muitos detalhes descrevendo lugares e coisas

A menos que você seja Margaret Atwood e possa pintar cenas com a linguagem, ou consiga descrever paisagens com o estilo de Jim Harrison. Mas, mesmo que você seja bom nisso, você não vai querer que as descrições levem a ação, o fluxo da história, a uma pausa.

10. Tente deixar de fora a parte que os leitores tendem a pular

Uma regra que me veio à mente em 1983. Pense no que você pula quando lê um romance: parágrafos grossos de prosa em que você vê palavras demais. O que o escritor está fazendo: ele está escrevendo, talvez recorrendo mais uma vez ao clima, ou então está na cabeça do personagem. O leitor não quer saber o que esse cara está pensando. Aposto que você não pula os diálogos.

Minha regra mais importante é uma que resume todas essas dez: se algo parece escrita, eu reescrevo.