Hugo Boss criou os uniformes nazistas?

A consagrada grife de roupa alemã Hugo Boss vestiu os soldados de Adolf Hitler antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Hugo Ferdinand Boss, fundador e dono da empresa, fabricou uniformes para diversas instituições nazistas, como a Juventude Hitlerista e a implacável e criminosa Schutzstaffel (SS), uma das organizações mais vis que já marchou sobre a terra.

A empresa foi fundada em 1924 tendo como foco a produção de uniformes para o governo alemão, o que incluía, por exemplo, fardamentos para o serviço de coleta de lixo e os correios. Como muitas outras companhias do ramo de confecção, a recém-criada marca fabricava (costurava) as mais diversas vestimentas a pedido do governo alemão.

Contudo, a empresa teria sua reputação manchada para sempre por ter feito uso de prisioneiros de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, tendo o próprio fundador sido julgado em um tribunal.


Adolf Hitler e seus oficiais em meados de 1939, verificando por onde, durante a Segunda Guerra Mundial, as tropas alemãs marchariam. Créditos: Hugo Jaeger / Timepix/ Time Life Pictures / Getty Images.

As coisas mudaram para Hugo Boss a partir de 1928, com o crescimento do Partido Nazista, que cada vez mais necessitava de grandes estoques de roupas para vestir seus seguidores que, como notoriamente se percebe, andavam uniformizados.

Esse crescimento vertiginoso por fardamento fez a companhia de Ferdinand Boss se integrar às demais empresas que já produziam para o partido de Hitler, o NSDAP (“Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães”, em tradução).


Soldados da Leibstandarte-SS Adolf Hitler, 22 November 1938, Berlim. Créditos: autoria desconhecida / Arquivo Federal Alemão, ID.: 183-H15390.

Em 1931 Ferdinand, após se filiar ao Partido Nazista e firmar excelentes contratos, elevou significativamente seus lucros, principalmente a partir de 1938, quando a nação germânica definitivamente vestiu a farda para ir à guerra, fato que aconteceria em 1º de setembro de 1939 com a Invasão da Polônia.

Nesse ponto, que é delicado, residem fatos pouco conhecidos e de grande especulação sobre o envolvimento entre a companhia de roupas e o Nazismo. O que se referencia é que a filiação de Ferdinand ao Partido Nazista salvou a companhia de uma falência em 1931, fazendo-a se projetar fortemente ao mundo.


Karl Diebitsch e suas criações em porcelana. Diebitsch também criou o famoso sabre cerimonial dos oficiais da SS. Créditos: autoria desconhecida.

Diferentemente do que comumente se noticia, porém, os desenhos das vestes nazistas foram fruto, em sua maioria, do trabalho de outro alemão.

A autoria recai sobre Karl Diebitsch, um dedicado oficial da própria SS, que obteve grande êxito, pois produziu os uniformes mais elegantes da guerra, sendo muitas vezes considerados como os mais belos da história militar moderna.

Esse passado da empresa alemã desperta um gigantesco incômodo, ainda mais quando se descobre que seu próprio fundador utilizou prisioneiros de guerra, sobretudo franceses, poloneses e soviéticos, como mão de obra escrava para confeccionar os uniformes e também pertencia ao Partido Nazista.

Ao fim da guerra, Ferdinand foi julgado e condenado por associação ao regime Nacional-Socialista e por ter usado mão de obra escrava. Como condenação, recebeu ao menos uma pesada multa e perdeu temporariamente seu direito ao voto.

Lembrando, a Hugo Boss não desenhou, mas confeccionou os uniformes nazistas, incluindo os de seu líder.

Em 2011, a empresa Hugo Boss, mais uma vez, pediu desculpas publicamente pelo uso desumano de mão de obra escrava durante a Segunda Guerra Mundial. Quanto ao seu fundador, de acordo com as referências consultadas, não se pode afirmar se era ou não um membro fiel ao partido liderado por Adolf Hitler.


Hitler comemorando seus 50 anos de idade, em 20 de abril de 1939. Os uniformes representavam uma peça fundamental para a pompa da ideologia nacional-socialista Créditos: Hugo Jaeger / Life.

A estética dos uniformes nazistas até hoje impressiona. Apesar de todas as atrocidades e exploração que cercou o nazismo, o design dos uniformes é de primeira linha, e aparentemente o acabamento também era de primeira.

Fonte: incrivelhistoria.com.br, por Eudes Bezerra

A misteriosa organização que matava japoneses no Brasil


As fake news estão em evidência nos últimos tempos, mas não são uma invenção moderna. Em 1946 elas já existiam – e faziam vítimas no Brasil.


A família Mizobe chegou ao Brasil em 1927

Após o fim da Segunda Guerra, um grupo extremista de imigrantes japoneses começou a espalhar o boato de que o Japão não havia perdido a guerra. Segundo eles, as notícias da rendição do imperador japonês em 1945 eram mentiras espalhadas pelos Aliados para minar o moral dos nipônicos.

A crença dos membros do grupo nacionalista Shindo Renmei em sua própria versão da realidade era tão forte que eles assassinavam quem dissesse a verdade. As vítimas eram outros imigrantes, que aceitavam o fato de que o Japão tinha perdido a guerra. Os extremistas os chamavam de “corações sujos” e acreditavam que eles deveriam ser eliminados por amor à pátria.

Entre 1946 a 1947, pelo menos 23 membros da comunidade japonesa no Brasil foram assassinados por causa de seu compromisso com a verdade. E ao menos 147 foram feridos.

O pai de Aiko Higuchi foi um deles.


Aiko Higuchi, com 98 anos, é filha do primeiro imigrante morto pelo grupo Shindo Reimei

A vida na guerra

Em agosto de 1942, o Brasil entrou na Segunda Guerra ao lados dos Aliados – EUA, Reino Unido, França, União Soviética e China, entre outros – contra os países do eixo: Alemanha, Itália e Japão.

Imigrantes desses países eram vistos com desconfiança. Foi uma época difícil para os 160 mil imigrantes japoneses – a maioria dos quais trabalhava na roça.

Aiko Higuchi, na época uma agricultora de 23 anos, vivia em Bastos, no interior de São Paulo. Assim como muitas famílias de imigrantes, a sua tinha vindo para o Brasil em busca de uma vida melhor, quando a menina tinha sete anos.

“Papai deixou o filho mais velho no Japão porque achava que ia ficar 5, 6 anos no Brasil e depois voltaria. A propaganda no Japão era a de que, no Brasil, você ganhava dinheiro fácil.”

A realidade, no entanto, era bem diferente – e a situação da comunidade piorou muito após a entrada do Brasil na guerra.

“Não vinham cartas (do Japão), né? Não pode ouvir rádio. Jornal japonês era proibido. A gente ficava no escuro, não sabia nada do que estava acontecendo”, conta Aiko no sobradinho onde mora hoje no bairro de Santana, em São Paulo. “Não pode falar japonês na rua. Se fala japonês, entra na cadeia”.


Aiko estudou em escola só para imigrantes em Bastos, no interior de SP

Sentada no sofá da sala, ela relembra de detalhes do passado como se tivessem acontecido na semana passada.

Imigrantes não podiam dirigir e não podiam viajar. Escolas foram fechadas e empresas japoneses tiveram o capital confiscado.

Essas condições levaram ao surgimento de grupos que davam apoio para a comunidade. Um deles, no entanto, acabou seguindo um caminho sombrio: o Shindo Reinmei, fundado por Junji Kikawa, um ex-oficial do exército japonês.

Durante a guerra, Kikawa tentou ajudar os esforços de guerra japoneses pressionando os fazendeiros imigrantes para que parassem de produzir seda, que era usada para fazer paraquedas para os Aliados.

Sua organização teve um papel central nos eventos trágicos dentro da comunidade após 15 de agosto de 1945, quando o imperador Hiroito anunciou a rendição do Japão.

A Segunda Guerra havia acabado, com a derrota do Japão. Mas o Shindo Renmei começou a espalhar rumores na comunidade japonesa de que isso era uma grande mentira, inventada pelos Aliados para minar o ânimo dos japoneses.

“Mandavam mensagens falando que Japão tinha ganhado guerra e ia mandar navio para levar japonês de volta”, conta Aiko. “Eles eram, como diz? Fanáticos, né? Maioria eram pessoas com pouca educação em cidades com muitos japoneses: Bastos, Pompeia, Tupã.”

“Aí que Shindo Renmei começou a fazer isso: dizia que quem falasse que Japão perdeu guerra não era japonês. Era traidor.”

Compromisso com a verdade

O Shindo Remei tinha como alvo os membros mais proeminentes da comunidade, que eram mais integrados com os brasileiros e tinham mais acesso à informação.

O pai de Aiko, Ikuta Mizobe, era o gerente de uma cooperativa de agricultores em Bastos, onde a maioria da população era de imigrantes japoneses.

“Papai tinha que falar com os cooperados, era gerente de cooperativa. Tem que falar verdade, né?”, relembra Aiko. “As pessoas vinham perguntar sobre guerra, e ele falava o que sabia: que Japão tenha perdido.”


Ikuta Mizobe era gerente de uma cooperativa de agricultores e foi morto por falar a verdade

“Meu pai recebeu carta com duas palavras: pessoa e coração, cortado com uma faca. Minha mãe queimou a carta. Desde aquele dia eu não consegui mais dormir, toda noite ia pra cama pensando”, diz ela.

Em 1946, Aiko estava casada, vivendo na cidade de Pompeia, com o marido e seu filho recém-nascido, Katsuo Higuchi. Em 7 de março, uma caminhonete chegou a sua casa com uma mensagem. “Meu sogro escreveu bilhete falando que papai tinha machucado pé e mandaram me buscar.”

“Mas quando cheguei à casa da minha mãe, o caixão estava em cima da mesa”, diz dona Aiko, com a voz embargada.

Sangue e lágrimas

“Na noite anterior meu pai tinha saído para dar uma olhada nas orquídeas e fechar o portão, que meu irmão mais novo sempre deixava aberto”, conta Aiko.

“Então ele foi ao banheiro, atrás da casa. Dois homens estavam escondidos. Quando ele estava fechando a porta, eles atiraram. Minha mãe ouviu os tiros e saiu, e viu dois homens fugindo no cavalo.”

“Meu pai nunca fez nada de mal para ninguém, porque Deus não ajuda? Mas a gente sofreu por causa disso, viu? Mamãe falou depois: nunca imaginou que tinha tanto sangue no corpo”, diz Aiko, misturando japonês e português. “Ela limpou meio balde de sangue.”

O pai de Aiko foi a primeira vítima do terrorismo do Shindo Remei. Eles usavam armas e, às vezes, katanas – as espadas tradicionais japonesas.


Membros do Shindo Reimei espalhavam que o Japão não havia perdido a guerra

Anos depois, cerca de 380 imigrantes foram investigados por participarem do Shindo Remei. Muitos foram condenados a penas entre 1 e 30 anos na prisão. Quatorze jovens foram condenados por homicídio. Mas, no fim dos anos 1950, muitos já estavam livres.

Alguns deles chegaram a ser entrevistados para um documentário. Tokuichi Hitaka, que matou um ex-coronel do exército japonês na cidade de São Paulo, explicou porque confessaram quando foram presos.

“Depois do assassinato, eu joguei a arma fora. Na delegacia, o delegado não acreditava que a gente estava confessando. Do ponto de vista dos brasileiros, nós éramos um bando de idiotas. Mas nós acreditávamos que estávamos fazendo nosso dever pela pátria. Nós assumimos o que fizemos, como verdadeiros japoneses”, disse ele, no filme. “Não teria tido nenhum propósito, o que fizemos, se tivéssemos negado.”

Os dois homens que mataram o pai de Aiko também foram presos e condenados.

Ligação

Em 1957, Aiko mudou pra São Paulo, onde vive até hoje.

“Minha mãe guardou muita mágoa no coração a vida inteira, nunca falou muito sobre isso”, conta Katsuo Higuchi, de 72 anos, filho mais velho de Aiko e o único que chegou a ser carregado pelo avô antes de seu assassinato.


A família Mizobe cultivava alimentos em Bastos, no interior de SP

A paz só veio em 2008, quando, aos 88 anos, ela recebeu um telefonema de uma mulher que queria conversar sobre o assassinato de seu pai.

“Era filha do criminoso, que chamava Yamamoto. Ela queria encontrar. Quando ela veio, num domingo, disse que o irmão dela não quis vir porque ficou com medo, achava que eu ia matar ele”, conta Aiko, rindo. “Eu não tinha coragem de matar galinha! Jamais faria isso. Ela veio pedir desculpas, pelo que o pai dela tinha feito. Eu disse para ela: você tem não culpa. Eu não tenho raiva de você. Mas tenho muita raiva do seu pai.”

“Eu só tinha um pai. E minha mãe ficou sozinha, sofrendo.”

O reencontro foi bom para as duas mulheres. Depois de 62 anos, Aiko finalmente conseguiu falar abertamente sobre o que aconteceu e ficar em paz com o seu passado.


O Shindo Renmei e  o contexto histórico


O navio Kasato Maru atracado no Porto de Santos, 1908

Os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao Brasil em 1908. A grande maioria deles pretendia fazer fortuna para depois retornar ao Japão.

Os recém-chegados depararam-se com uma terra completamente diferente de sua pátria: língua, costumes, religião, alimentação, clima, enfim, tudo era diferente daquilo que eles estavam acostumados.

Nesse contexto, o imigrante japonês era visto com desconfiança, já que possuía hábitos completamente diferentes dos brasileiros e de outros imigrantes estrangeiros. Os japoneses organizavam-se em comunidades fechadas, poucos aprendiam a língua portuguesa e evitavam contatos com os brasileiros e outras comunidades. Isso contribuiu ainda mais para aumentar a desconfiança contra eles.

Apesar de tudo, o Brasil possuía, já na década de 1930, a maior comunidade de imigrantes japoneses do mundo.


Família de imigrantes japoneses em Bastos, São Paulo, 1930

A ditadura do Estado Novo, implantado por Getúlio Vargas, procurou ressaltar o nacionalismo brasileiro através da repressão à cultura dos imigrantes que formavam comunidades fechadas, como os japoneses e alemães. O decreto nº 383, de 18 de abril de 1938, determinou várias proibições aos estrangeiros: não poderiam participar de atividades políticas, formar qualquer tipo de associação, falar idiomas estrangeiros em público ou usá-los para alfabetização de crianças. A transmissão de programas de rádio em idiomas estrangeiros foi proibida. As publicações impressas (jornais, revistas, livros) em idiomas estrangeiros foram proibidas, a não ser que fossem bilíngues, japonês-português, por exemplo. Como a publicação em japonês ficou muito cara, jornais e revistas deixaram de circular.

Em 1939, uma pesquisa da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, de São Paulo, mostrava que 87,7% dos nipo-brasileiros assinavam jornais em idioma japonês, um índice altíssimo de leitura no Brasil da época. O decreto praticamente acabou com a disseminação de informações na comunidade japonesa, pois boa parte de seus integrantes sequer compreendia o português.

Com o rompimento das relações diplomáticas com o Japão, em 1942, a chegada de novos imigrantes foi proibida, as cartas não mais vinham, os nipo-brasileiros passaram a não poder viajar pelo território nacional ou residir em certos locais (como no litoral) sem salvo-conduto expedido por autoridade policial, e os aparelhos de rádio foram apreendidos, para que não se ouvissem transmissões em ondas curtas do Japão. Durante todo o período da Segunda Guerra Mundial, a falta de informações sobre o Japão passou a ser total.

O grupo extremista

O Shindo Renmei não foi o primeiro nem o único grupo de caráter nacionalista criado por imigrantes japoneses. Haviam outras organizações, mas nenhuma praticou atos terroristas. A maior parte era destinada ao auxílio mútuo da comunidade nipo-brasileira.

Por exemplo, alguns católicos japoneses (Keizo Ishihara, Margarida Watanabe e Massaru Takahashi) criaram, com a aprovação da Igreja Católica e das autoridades do governo, uma caixa beneficente, chamada simplificadamente de “Pia”, com o objetivo de prestar ajuda aos membros pobres da colônia.

Um ex-coronel do exército japonês, Junji Kikawa, participou das atividades da “Pia”. Em 1942, após um violento confronto envolvendo brasileiros e japoneses na cidade de Marília, Junji Kikawa fundou a Shindo Renmei (a “Liga do Caminho dos Súditos”). Em 1944, desligou-se da entidade beneficente “Pia”, pois a diretoria desta opunha-se à propaganda que ele fazia.

Junji Kikawa

  Junji Kikawa imprimia e distribuía panfletos que aconselhavam os agricultores nipo-brasileiros a abandonar ou destruir a produção de seda (usada na fabricação de paraquedas) e hortelã (o mentol derivado era utilizado para tornar a nitroglicerina mais potente). Ocorreram alguns atos de destruição de criação de bicho-da-seda e de plantações de hortelã de agricultores, porém as autoridades policiais não investigaram os fatos devidamente e o assunto foi logo esquecido.

A Shindo Renmei tinha sede na capital e chegou a possuir 64 filiais nos estados de São Paulo e Paraná. Mantinha-se com doações de seus filiados.

A bomba atômica em Nagasaki

Com o fim da Segunda Guerra, muitos integrantes da Shindo Renmei recusaram-se a acreditar nas notícias oficiais sobre a derrota do Japão. Seus objetivos então passaram a ser punir os derrotistas, divulgar a “verdade” (que o Japão venceu ou vencia a guerra) e defender a honra do imperador.

A comunidade nipo-brasileira da época ficou dividida a partir das ameaças realizadas por membros mais fanáticos da Shindo Renmei em:

  • Kachigumi: – os vitoristas, aqueles que acreditavam que a guerra continuava ou que a vitória tinha sido do Japão. Nem todos foram simpatizantes das ações da Shindo Renmei. Era um grupo constituído pelas pessoas mais pobres da comunidade e que ainda desejavam o retorno ao seu país. Eram os mais numerosos.
  • Makegumi: – os derrotistas, pejorativamente chamados de “corações sujos“, eram os que acreditavam na derrota japonesa. Formavam o grupo mais próspero da colônia, eram mais bem informados e melhor adaptados ao Brasil.

Alguns pilantras (conhecidos como lero-lero) forjaram jornais e revistas japonesas com notícias sobre a grande vitória e começaram a vender terras nos “territórios conquistados”. Outros venderam yens, a moeda japonesa praticamente sem valor na época, a preços altos para os que queriam voltar ao Japão. Os boatos espalhados pelos estelionatários aprofundaram ainda mais a confusão de notícias na colônia e causaram enormes prejuízos aos kachigumi, levando alguns ao suicídio.

As fake news de então

Os integrantes da Shindo Renmei acreditavam firmemente que as notícias sobre a derrota e rendição do Japão eram falsas. Assim, criaram uma rede de comunicação para divulgar a “verdade”: que o Japão vencera a guerra. Além de jornais e revistas em japonês, estações de rádio clandestinas foram colocadas no ar.

Um documento falso, com assinatura de Hiroíto e data posterior à rendição oficial, dizia: “Forças de terra e mar prosseguem na guerra”. A Rádio Bastos, uma das dezenas de emissoras piratas da organização, colocava no ar um noticiário surreal, com boletins sobre a rendição de 7,5 milhões de soldados americanos, a nomeação de um novo presidente dos EUA pelo imperador japonês e a conquista da cidade de São Francisco, na Califórnia.

Foi nesse momento que a Shindo elaborou listas com os nomes dos makegumi que deveriam morrer por trair o imperador.

Segundo o DEOPS (a Polícia Política do Estado), as ações punitivas eram coordenadas de uma tinturaria na cidade de São Paulo e eram de lá que saíam os assassinos. E várias pensões no centro da cidade e no bairro oriental abrigavam os criminosos após as ações. 

Esses assassinos, chamados de tokkotai, eram sempre jovens. Primeiro, entregavam ou enviavam cartas exigindo o seppuku (suicídio ritual) dos makegumi que deveriam morrer, pois assim eles poderiam “recuperar a honra perdida”. Deveriam suicidar-se cortando o próprio ventre, sobre o qual depois seria colocada uma bandeira do Japão. As cartas começavam dizendo:

Você tem o coração sujo, então deve ter a garganta lavada. (isto é, deverá ter a garganta cortada por uma espada katana).

Os que se recusavam a cometer suicídio eram executados com armas de fogo e, às vezes, com espadas. Os crimes ocorreram muitas vezes na presença de familiares dos assassinados. Nenhum dos makegumi que recebeu a carta aceitou suicidar-se.

Repressão e término

As histórias de assassinatos, especialmente aqueles com espada katana, espalharam o terror da Shindo Renmei dentro da comunidade nipo-brasileira. Apesar de não ter sido afetada diretamente, o resto da população brasileira reforçou seus preconceitos de que todos japoneses eram fanáticos nacionalistas.

Uma parte da população brasileira reagiu e espancou alguns nipo-brasileiros inocentes ou pertencentes à Shindo Renmei. Confrontos ocorreram em cidades do interior paulista onde havia grande quantidade de imigrantes japoneses, como na região de Tupã, São Paulo.

O exército e o DEOPS realizaram operações de investigação nos estados de São Paulo e do Paraná, e 376 nipo-brasileiros foram identificados. Finalmente, as lideranças da Shindo Renmei e boa parte dos tokkotais foram presos.


A saga kachigumi

Uma breve história dos “vitoristas” japoneses

AGOSTO DE 1942

A Shindo Renmei é fundada em Marília, interior de São Paulo, pelo coronel aposentado Junji Kikawa.

AGOSTO de 1945

O Japão se rende aos Aliados na 2ª Guerra Mundial. A organização clandestina diz que é mentira.

JULHO DE 1946

Ataques deixam 10 mortos em 8 dias. Imigrantes japoneses passam a ser hostilizados.

AGOSTO DE 1946

Reação popular a uma série de atentados na cidade de Tupã transforma a cidade num campo de batalha.

MARÇO DE 1946

Terroristas da Shindo matam o primeiro japonês a reconhecer a derrota: Ikuta Mizobe, em Bastos.

DEZEMBRO DE 1946

Mais de 380 integrantes da Shindo Renmei são condenados. Dez anos mais tarde, todos receberiam anistia.


Fontes:

Leticia Mori e Thomas Pappon – BBC Brasil em São Paulo e em Londres

Superinteressante

Wikipedia

Corações Sujos, de Fernando Moraes, Cia. das Letras

A Segunda Guerra Mundial em fotos poderosas

Foi o conflito  mais abrangente da história, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. A guerra começou em 1939, com a invasão alemã à Polônia, e durou até 1945, quando duas bombas nucleares lançadas pelos americanos em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, decretaram seu fim. 

A Segunda Guerra Mundial foi um dos eventos de maior importância na história da humanidade, definindo o mundo como hoje o conhecemos.

As fotos a seguir, da Getty Images, contam um pouco dessa história.

Hitler informando da invasão à Polônia, em 1939.
Parada militar alemã, celebrando a vitória na Polônia, em 1939.
Tropas alemãs em missão na Polônia, em 1939.
Jornaleiro londrino anunciando a eclosão da guerra, em 1939.
Manifestação anti-Hitler em Nova York, 1939.
Paris ocupada pelos alemães, em 1940.
A cantora Edith Piaf visitando um campo de prisioneiros de guerra.
Crianças inglesas, sob o bombardeio alemão em Londres.
Civis procuram abrigo no metrô londrino, em 1940.
Manifestação pró-Hitler em Berlim, 1941.
Avião de guerra alemão Heinkel He-111 em ataque às tropas inimigas, em 1941.
Navios americanos em chamas na base de Pearl Harbor, atacados pelo Japão em 1941.
Submarino alemão no círculo polar ártico, em 1942.
Marinha alemã celebra a noite de Natal a bordo de navio de guerra, em 1943
Soldado alemão se rende a soldado americano, em 1943.
Caça americano sofre acidente durante pouso em porta-aviões.
Escritor e correspondente de guerra Ernest Hemingway em meio às tropas americanas, em 1943
Marinha americana chega à baía de Tóquio, em 1945
Batalha de Okinawa, ao sul do Japão. Foi a maior batalha marítimo-terrestre-aérea da história, ocorrendo de abril a junho de 1945.
Famosa foto, que se tornou um símbolo da vitória americana contra o Japão, tirada logo depois da vitória sobre os japoneses na ilha de Iwo Jima.

O Brasil já teve um time de futebol nazista

Em uma fazenda no interior de São Paulo, a 160 km a oeste da capital, um time de futebol posa para uma foto comemorativa. Mas o que torna a imagem extraordinária é o símbolo na bandeira do time – uma suástica.

A foto, provavelmente, foi tirada após a ascensão nazista na Alemanha, na década de 1930. “Nada explicava a presença dessa suástica aqui”, conta José Ricardo Rosa Maciel, ex-dono da remota fazenda Cruzeiro do Sul, perto de Campina do Monte Alegre, que encontrou a foto, por acaso, um dia.

Mas essa foi, na verdade, sua segunda e intrigante descoberta. A primeira tinha ocorrido no chiqueiro. “Um dia, os porcos quebraram uma parede e fugiram para o campo”, ele disse. “Notei que os tijolos tinham caído. Achei que estava tendo alucinações”.

Na parte debaixo de cada tijolo estava gravada uma suástica.

Ter prédios antigos com tijolos com a suástica é até normal, muita coisa era importada da Alemanha na década de 30, até tijolos. Não devemos esquecer que o governo brasileiro daquela época (ditadura de Getúlio Vargas) era simpatizante do fascismo e só entrou na guerra contra a Alemanha por pressão americana e, Getúlio que não era nenhum bobo, em 1942 percebeu qual seria o lado vencedor… Mas antes disso, o Brasil tinha fortes vínculos com a Alemanha Nazista. Os dois países eram parceiros comerciais e o Brasil tinha o maior partido fascista fora da Europa, com mais de 40 mil integrantes.

Levou anos para que Maciel, com o auxílio do historiador Sidney Aguillar Filho, conhecesse a terrível história que conectava sua fazenda aos fascistas brasileiros.

Ação Integralista

O historiador descobriu que a fazenda tinha pertencido aos Rocha Miranda, uma família de ricos industriais do Rio de Janeiro. Três deles – o pai, Renato, e dois filhos, Otávio e Osvaldo – eram membros da Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de extrema direita simpatizante do Nazismo. A família às vezes organizava eventos na fazenda, recebendo milhares de membros do partido. Mas também existia no lugar um campo brutal de trabalhos forçados para crianças negras abandonadas.

“Descobri a história de 50 meninos com idades em torno de 10 anos que tinham sido tirados de um orfanato no Rio”, conta o historiador. “Foram três levas. O primeiro grupo, em 1933, tinha dez (crianças)”.

Osvaldo Rocha Miranda solicitou a guarda legal dos órfãos, segundo documentos encontrados por Aguillar Filho. O pedido foi atendido.

“Ele enviou seu motorista, que nos colocou em um canto”, conta Aloysio da Silva, um dos primeiros meninos levados para trabalhar na fazenda, hoje com 90 anos de idade. “Osvaldo apontava com uma bengala – ‘Coloca aquele no canto de lá, esse no de cá’. De 20 meninos, ele pegou dez”.

Aloysio da Silva era conhecido apenas pelo número. Ele era o 23.

“Ele prometeu o mundo – que iríamos jogar futebol, andar a cavalo. Mas não tinha nada disso. Todos os dez tinham de arrancar ervas daninhas com um ancinho e limpar a fazenda. Fui enganado”. As crianças eram espancadas regularmente com uma palmatória. Não eram chamadas pelo nome, mas por números.

Cães de guarda mantinham as crianças na linha. “Um se chamava Veneno, o macho. A fêmea se chamava Confiança”, conta Silva, que ainda mora na região. “Evito falar sobre esse assunto”.

Até as vacas da fazenda recebiam a suástica

Argemiro dos Santos é outro dos sobreviventes. Quando menino, foi encontrado nas ruas e levado para um orfanato. Um dia, Rocha Miranda veio buscá-lo. “Eles não gostavam de negros”, conta Santos, hoje com 89 anos.

“Havia castigos, deixavam a gente sem comida ou nos batiam com a palmatória. Doía muito. Duas batidas, às vezes. O máximo eram cinco, porque uma pessoa não aguentava. Eles tinham fotografias de Hitler e você era obrigado a fazer uma saudação. Eu não entendia nada daquilo”.

Alguns dos descendentes da família Rocha Miranda dizem que seus antepassados deixaram de apoiar o Nazismo antes da Segunda Guerra Mundial. Maurice Rocha Miranda, sobrinho-bisneto de Otávio e Osvaldo, também nega que as crianças eram mantidas na fazenda como “escravos”. Em entrevista à Folha de São Paulo, ele disse que os órfãos na fazenda “tinham de ser controlados, mas nunca foram punidos ou escravizados”.

O historiador Sidney Aguillar Filho, no entanto, acredita nas histórias dos sobreviventes. E apesar da passagem do tempo, tanto Silva quanto Santos – que nunca mais se encontraram desde o tempo em que viveram na fazenda – fazem relatos muito parecidos e perturbadores de suas experiências.

Para os órfãos, os únicos momentos de alegria eram os jogos de futebol contra times de trabalhadores das fazendas locais, como aquele em que foi tirada a foto onde se vê a bandeira com a suástica. (O futebol tinha papel fundamental na ideologia integralista.)

“A gente se reunia para bater bola e a coisa foi crescendo”, diz Santos. “Tínhamos campeonatos, éramos bons de bola.”  Mas depois de vários anos, ele não aguentava mais. “Tinha um portão (na fazenda) e um dia eu o deixei aberto”, ele conta. “Naquela noite, eu fugi. Ninguém viu”.

Santos voltou ao Rio onde, aos 14 anos de idade, passou a dormir na rua e trabalhar como vendedor de jornais. Em 1942, quando o Brasil declarou guerra contra a Alemanha, Santos se alistou na Marinha como taifeiro, servindo mesas e lavando louça. Depois de trabalhar para nazistas, Santos passou a lutar contra eles.

Argemiro dos Santos ainda guarda a medalha de ouro que ganhou

“Estava apenas prestando um serviço para o Brasil”, explica. “Não sentia ódio por Hitler, não sabia quem ele era”.

Santos saiu em patrulha pela Europa e depois passou um período, ainda durante a guerra, trabalhando em navios que caçavam submarinos na costa brasileira. Hoje, Santos é conhecido, na comunidade onde vive, pelo apelido de Marujo. E se orgulha de um certificado e uma medalha que recebeu em reconhecimento por seus serviços durante a guerra.

Mas ele também é famoso por suas proezas futebolísticas, jogando como meio de campo em vários grandes times brasileiros na década de 1940.

“Naquela época, não existiam jogadores profissionais, éramos todos amadores”, diz. “Joguei para o Fluminense, Botafogo, Vasco da Gama… Os jogadores eram todos vendedores de jornais e  engraxates”. Hoje, ele vive uma vida tranquila com a esposa, Guilhermina, e estão casados há 61 anos. “Eu gosto de tocar meu trompete, de sentar na varanda e tomar uma cerveja gelada. Tenho muitos amigos e eles sempre aparecem para bater papo”, conta.

As lembranças do tempo difícil que passou na fazenda, no entanto, são difíceis de apagar.

“Quem diz que sempre teve uma vida boa desde que nasceu está mentindo”, diz ele. “Na vida de todo mundo acontecem coisas ruins”.

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Integralismo Brasileiro

 

 

 

Fonte:

HOLLYWOOD CONTRA HITLER

Hitler não era o semianalfabeto que a propagada dos aliados fez o mundo acreditar. Ele era uma pessoa instruída e um leitor voraz. Segundo amigos, vivia sempre com um livro debaixo do braço e tinha pilhas de livros em casa.

Claro, quantidade não é e nunca foi sinônimo de qualidade, e é bem possível que ele tenha interpretado de forma errada os escritos do filósofo Arthur Schopenhauer, por exemplo, um de seus ícones. Mas o líder nazista era um sujeito educado e inteligente, isso não se pode negar. E aprendemos que líderes educados e inteligentes, e ainda carismáticos e donos de uma oratória convincente, podem provocar grandes mudanças.

Para o bem e para o mal.

Quando Hitler passou a usar maciçamente os então modernos meios de comunicação de massa, como rádio e cinema, para propagar a ideologia nazista, o mundo começou a perceber que ele poderia ser perigoso. Os filmes de propaganda, dirigidos pela cineasta preferida do Führer Leni Riefenstahl, eram extremamente bem feitos. Além de exaltar a figura de Hitler, a superioridade alemã e de sua raça Ariana, eles também a inseriram na história do cinema, com suas técnicas novas de enquadramento, ângulos de câmera, iluminação e nus.

No vídeo abaixo, alguns excertos do filme mais conhecido, O Triunfo da Vontade. Neles estão presentes as principais figuras do nazismo e todos os elementos da arte da propaganda do regime.

O famoso diretor americano Frank Capra percebeu o tremendo poder dessa brilhante peça de propaganda quando a assistiu, em 1943. Ele surpreendeu-se com o cinema produzido pelo Terceiro Reich.

Na sua opinião, o longa-metragem de Riefenstahl, mais do que a celebração do congresso do partido nazista na cidade de Nuremberg, em 1934, representava uma convocação sedutora à obediência e à agressão. “Estamos mortos. Acabados. Não podemos ganhar essa guerra”, declarou. Mas logo decidiu usar as mesmas armas e produziu sete documentários para as Forças Armadas americanas: “Vamos deixar os nossos jovens escutar os nazistas e japas gritarem as suas reivindicações de pertencimento a uma raça superior, e os nossos soldados vão saber por que eles estão em uniformes”, declarou o diretor. Why We Fight, o título da série, explicava por que a guerra contra a Alemanha, a Itália e o Japão era indispensável para a liberdade, usando inclusive trechos de “O Triunfo da Vontade”.

O trailer a seguir é do lançamento da série em DVD, em 2011:

Capra não esteve sozinho no combate ideológico ao nazifascismo. Ele e outros quatro realizadores de Hollywood formaram um grupo a serviço do governo dos EUA.  As razões alegadas por Capra, John Ford, John Huston, William Wyler e George Stevens para se alistar são usuais: o chamado do dever e o fascínio pela aventura.  

Capra foi o único dos realizadores a trabalhar para as Forças Armadas sem pisar em um campo de batalha. A atuação fora do front poupou-lhe danos físicos e psicológicos. Wyler, por exemplo, ficou praticamente surdo depois de filmar dentro de um bombardeiro. Huston voltou para os EUA com transtorno de estresse pós-traumático. Dirigiu Let There Be Light (1946), um documentário a respeito da “neurose da batalha” ou “aniquilação do espírito”. As Forças Armadas censuraram o filme por mais de 35 anos…

Stevens também se traumatizou. Em quase três décadas, o diretor de O Diário de Anne Frank (1959) calou-se sobre a sua experiência na liberação do campo de concentração de Dachau em 1945. Quando se pronunciou, ele citou A Divina Comédia. “Era como se vagasse por uma das visões infernais de Dante.” Enquanto desviava de cadáveres e de sobreviventes de corpos esqueléticos, Stevens filmou tudo o que testemunhava. O material serviu como prova contra os nazistas nos julgamentos de Nuremberg. 

Ford foi o primeiro dos cinco a se arriscar quando registrou o ataque aéreo dos japoneses ao Atol de Midway, no Oceano Pacífico. Enquanto filmava The Battle of Midway (1942), foi atingido por estilhaços. As imagens tremidas, a perspectiva distorcida e o foco turvo criaram um modelo mais realista, incorporado aos documentários de guerra que o sucederam. 

Five Came Back é o título que se deu a esses cinco documentários desses fabulosos diretores, e que mudaram a história do cinema.

Para demonstrar a tremenda influência da técnica desses diretores sobre os filmes posteriores, basta dizer que os primeiros 25 minutos de O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg, se devem às filmagens do Dia D dirigidas por Ford e Stevens. A estética de A Batalha de San Pietro, de John Huston, influenciou Platoon (1986), de Oliver Stone, e Guerra ao Terror (2009), de Kathryn Bigelow.

Mas a contrapropaganda produzida por Hollywood não se limitou aos documentários. Mesmo antes de os Estados Unidos entrarem oficialmente na guerra, a Warner Bros., um dos maiores estúdios da época, lançou em 1941 o filme antinazista estrelado por Gary Cooper, Sargento York, no qual um jovem pacifista abre mão de sua crença para matar e salvar outras vidas.

Os Estados Unidos ainda mantinham relações diplomáticas com a Alemanha, em 1940, e embora muitos militares e políticos pressionassem o presidente Roosevelt a abandonar sua neutralidade, a população era fortemente contra a entrada do país em mais uma guerra (isso só foi mudar em 1943, depois do ataque japonês a Pearl Harbor). Mas Charlie Chaplin não podia perder a oportunidade de ridicularizar o ditador alemão.

Aproveitando uma série de ataques por parte dos nazistas sobre sinagogas e lojas de judeus situadas na Alemanha, fato conhecido como a “Noite dos Cristais”, Chaplin produziu O Grande Ditador em 1940. O filme foi censurado em vários países, inclusive aqui no Brasil, e deixou Hitler furioso.

Hoje, é um clássico do cinema:

Mas Hollywood tinha outras armas em seu “exército”, e uma das mais poderosas foi Walt Disney. Disney teve seu estúdio “engajado” no esforço de guerra. Além de ver diversos de seus animadores convocados para lutar, se viu contratado pelas Forças Armadas para produzir filmes de treinamento e propaganda. Um dos mais celebrados produtos do front cultural do conflito foi o curta animado A Face do Führer, propaganda antifascista que venceu o Oscar de melhor curta de animação de 1943.

Na trama, Donald acorda na Alemanha Nazista, ao som de uma canção que exalta Adolf Hitler, num quarto cercado de suásticas. Logo de manhã, ele saúda Hitler, Hirohito e Mussolini.

Forçado a sair da cama, ele logo se veste com a indumentária nazista e toma seu terrível café da manhã. O pão, envelhecido, está tão duro que é preciso fatiá-lo com um serrote. Logo, Donald é obrigado a ler o livro Mein Kampf, escrito pelo Führer. Acuado, Donald é levado até a fábrica de armas, onde terá de trabalhar “48 horas por dia”, “como um escravo”, para Hitler. A cena na qual o pato tem de atarraxar bombas é uma clara alusão ao clássico Tempos Modernos, de Chaplin. Ao final, Donald felizmente acorda do que se revela ter sido um pesadelo. “Eu estou feliz por ser um cidadão dos Estados Unidos da América”, diz, ufanista.

Usar todas as suas armas foi a maneira que Hollywood encontrou para se contrapor á sofisticada máquina de propaganda nazista.

Mas a ofensiva dos Aliados não se limitou a isso. Quando foi preciso vencer essa guerra, a BBC teve uma ideia engenhosa: contar a verdade sem vernizes. A médio prazo, a sobriedade e o respeito aos fatos e à objetividade levaram a melhor sobre os discursos exaltados de Goebbels e Hitler.

Mas essa é uma história para uma outra vez…

Quando a privada afundou o submarino

Banheiro de um U-Boat Tipo VII, como o 1206 | Crédito: Wikimedia Commons

HISTÓRIA MALUCA 

A situação não devia parecer promissora para os tripulantes do U-1206, que partiu em 6 de abril de 1945 rumo à costa da Grã-Bretanha, com a missão de afundar qualquer coisa que pudesse. A guerra estava perdida – antes do final do mês, Adolf Hitler jogaria a toalha com um tiro na própria cabeça em seu bunker. Com o completo domínio aliado dos mares, a missão era suicida. Mas ao menos um consolo eles tinham: podiam usar a descarga.

Para economizar espaço, os submarinos alemães não tinham um compartimento para dejetos, como os dos aliados. A descarga era direto na água. Isso quer dizer que era impossível usar o banheiro quando a máquina estava submergida, porque a pressão no exterior faria a água correr para dentro. Assim, os marinheiros tinham que usar baldes, latinhas, o que desse – num espaço mal ventilado e já poluído pelos odores de suor e óleo diesel.

U-Boat Tipo VII, como o 1206 / Wikimedia Commons

Mas o 1206 vinha com um ultratecnológico banheiro de alta pressão, que podia ser usado a qualquer profundidade, baseado num sistema de válvulas muito complexo. (dá para se ter uma ideia com a foto lá de cima…)

E era tecnológico até demais: tão complicado que exigia treinamento específico.

Em 14 de abril, o capitão Karl-Adolf Schlitt atendeu às necessidades da natureza e resolveu dar descarga sozinho. O  sistema inteiro se abriu para o exterior, quando o submarino estava a 61 metros de profundidade. A água, numa pressão de 7 atmosferas, jorrou violentamente de dentro da bacia, atirando seu conteúdo ao alto – mas, agora, isso era o menor dos problemas.

Logo abaixo do banheiro ficavam as baterias do submarino. O ácido nelas reagiu com a água, soltando gás cloro – tão letal que foi usado como arma química na Primeira Guerra. O capitão não teve escolha a não ser mandar o submarino emergir.

Chegando à superfície, foram recepcionados por aviões britânicos. Um marinheiro morreu e outros três caíram na água. Schlitt mandou todo mundo para os botes salva-vidas e afundou o próprio submarino com explosivos, para evitar sua captura pelos aliados. Afinal, vai que eles quisessem copiar a magnífica tecnologia de banheiros alemã?

Os tripulantes do U-1206, depois de presos pelos britânicos por conta do gás letal em seu interior…

A dor de barriga do capitão levou à captura de 46 alemães, contando com ele próprio.

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Aventuras na História

Curiosidades sobre os Discos-Voadores

O termo disco-voador, agora em desuso pelos estudiosos, designava um objeto voador no formato de um pires, e que se supunha ser extraterrestre. Hoje se utiliza a expressão OVNI (UFO, em inglês) que significa Objeto Voador Não Identificado.

A expressão “disco-voador” foi cunhada pela imprensa americana por ocasião do chamado “Caso Roswell”, como ficou conhecido o incidente em Roswell, Novo México, em 1947, onde teria caído um OVNI numa fazenda. Embora o fazendeiro nunca tenha usado esse termo para descrever o objeto que ele viu destroçado em suas terras – ele falou “disco”, “prato” e “pires” – os jornais estamparam manchetes gritantes, afirmando que a Força Aérea tinha capturado um “disco-voador” (flying saucer) na região.

A Força Aérea depois informou que os destroços eram, na verdade, de um balão atmosférico. Muita gente acredita que essa informação foi apenas uma “cortina de fumaça” para ocultar a verdade – de que eles teriam capturado um sobrevivente alienígena do acidente.

Durante a Guerra Fria, período de grande animosidade entre os Estados Unidos e a extinta União Soviética, e durante o qual as duas potências rosnavam uma para a outra, exibindo seus arsenais atômicos, o medo de uma guerra nuclear deixava os cidadãos americanos paranoicos e, seja por esse motivo ou por pura coincidência, os relatos de OVNIs passaram a ocorrer com uma frequência nunca vista.  Para os quadrinhos, a invasão dos discos-voadores era uma alegoria do ataque inimigo.

O CCCP que se vê na cápsula espacial é uma abreviatura das palavras em russo de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, URSS.

O cinema também interpretou esse sentimento popular em vários filmes, um deles o emblemático “A Invasão dos Discos-Voadores”, de 1956, com efeitos especiais do mestre do stop-motion Ray Harryhausen. Ele criou várias maquetes de discos-voadores que se tornaram a mais clássica aparência cinematográfica de um OVNI (uma cabine central estática rodeada por um anel em rotação) e que foi derivada das descrições dadas pelo major Donald Keyhoe em seu livro, que serviu de inspiração para o filme.

Abaixo, a sequência em que os E.Ts. pousam na Terra e atacam.

Foi durante essa década que começaram a surgir informações de que os nazistas vinham testando a construção de discos-voadores durante a Segunda Guerra Mundial. Essas especulações ganharam força nas décadas seguintes e muitas “teorias da conspiração” garantem que, após a guerra, americanos e soviéticos roubaram os planos alemães para construir essas naves.

A foto acima, se não for uma montagem, mostra um disco-voador nazista de segunda geração, o Haunebu II.

Alguns afirmam que, no final dos anos 1960, a força aérea americana considerou seriamente a possibilidade de que os OVNI’s que tinham sido vistos poderiam ter sido, de fato, aviões fabricados secretamente pela URSS baseados em projetos roubados dos alemães.

Outra expressão muito utilizada quando se fala de OVNIs é a “Área 51”.

Área 51 é um dos nomes atribuídos à área militar restrita no deserto de Nevada, próxima ao Groom Lake, Estados Unidos. É uma área tão secreta que o governo norte-americano só admitiu sua existência oficial em 1994, e ainda assim com muitas restrições.

Exatamente por ser tão secreta é que essa base alimentou a imaginação de pessoas no mundo todo, especulando que ali haviam discos-voadores capturados e onde se examinavam os ETs sobreviventes. A base fica a 250 km de Las Vegas, no meio do deserto, com montanhas e vegetação rasteira, e placas que dizem “Nenhum posto de gasolina pelos próximos 250 quilômetros”. Houve uma época em que a região era invadida por turistas atrás de OVNIs, mas com a passagem do tempo e o surgimento inevitável de novos temas de interesse, os filmes e programas de televisão que alimentaram a fixação pelos alienígenas escondidos na Área 51 – de Arquivo X a Independence Day – não chamam mais tanta atenção como antigamente.

E agora que a CIA confirmou recentemente que a base existe mesmo e serve para testar apenas aviões-espiões, sem nada a ver com discos-voadores, o interesse realmente minguou…

Mas o povo continua tentando conseguir boas imagens dos discos-voadores. Abaixo, seguem algumas das fotos mais conhecidas e que ainda não se comprovou que sejam uma fraude:

A foto acima foi tirada na Bélgica em 1990 e mostra um OVNI triangular com luzes nas extremidades.

Esta foi tirada na Califórnia, em 1965.

Bariloche, 1969, foto tirada pelo prof. e físico Sebastian José Tarde.

Bem, do mesmo modo que se diz “não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem”, segue abaixo uma lista de informações úteis para deixá-lo bem informado no caso de um dia você se deparar com alguns ETs desgarrados…

  • Convencionou-se chamar de “contato de primeiro grau” a simples observação de um OVNI. De “segundo grau” quando  o OVNI pousa e deixa vestígios de sua passagem. De “terceiro grau” se o narrador diz ter visto as criaturas. Os de “quarto grau” ocorrem quando há contato direto e comunicação com os tripulantes. Nos de “quinto grau”, ocorrem viagens na nave e as abduções.
  • A abdução acontece quando a pessoa é levada por ETs contra a vontade para o interior do OVNI, onde é submetida a experiências e exames clínicos.
  • Gilberto Gil e Gal Costa afirmam que já tiveram contatos com ETs. Chico Buarque e Maria Betânia afirmam já terem visto OVNIs. Fábio Jr. também. Em maio de 2001, a cantora Elba Ramalho declarou à revista Veja que extraterrestres lhe implantaram um microchip, retirado mais tarde por esses “seres celestiais”.
  • Muitos pesquisadores destacam passagens da Bíblia que poderiam estar se referindo a discos voadores e a extraterrestres. A lista é imensa. Por exemplo: “São João, no Apocalipse, nos descreve um anjo que tinha olhos como labaredas e outro com um rosto como sol e os pés, como colunas de fogo”. Supostos OVNIs também são citados como sendo “tronos de fogo”, “braseiros consumidores” ou “rios que jorram em montes de fogo”.
  • São José dos Campos, no interior de São Paulo, é a cidade com maior número de relatos de abduções do mundo.
  • Os países com o maior número de fenômenos OVNIs são os Estados Unidos, México, Peru, Brasil, Rússia e Chile.
  • No Brasil, o caso que mais deu o que falar foi o do ET de Varginha, no interior de Minas Gerais. Segundo relatos, três garotas teriam avistado um ser com protuberâncias na cabeça, pele marrom e olhos vermelhos num terreno baldio da cidade. O incidente teria acontecido no mesmo dia em que diversos moradores relataram avistamentos de possíveis OVNIs. Também foi noticiada uma estranha movimentação de soldados do Exército na mesma região do incidente. Falou-se que o ET teria sido capturado pelas autoridades e levado a algum lugar secreto (alguns boatos apontaram a Universidade de Campinas/UNICAMP) onde teria sido estudado e mantido em sigilo. Outras teorias dizem que o Brasil não tinha como lidar com o caso e entregou o corpo do ET de Varginha para os Estados Unidos, que em troca, levou um astronauta brasileiro para o espaço, o Marcos Pontes.

  • A Área 51 foi citada em inúmeros filmes, séries e desenhos animados, e alguns deles são: Arquivo X, Taken, Transformers, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Hellboy, Independence Day, Os Simpsons, Ben 10, Johnny Quest e Futurama.

  • O Triângulo das Bermudas é uma área do Oceano Atlântico entre a Flórida, a ilha de Porto Rico e o arquipélago das Bermudas, e que ficou famosa pelos desaparecimentos de aviões, barcos e navios. Ocorreram mais de 50 eventos dessa natureza, a maioria entre 1945 e 1950. Muitas teorias foram criadas para explicar o fenômeno e uma delas é  a ação de extraterrestres.
  • Em 1938, o cineasta Orson Welles, diretor do clássico Cidadão Kane, assustou os Estados Unidos com uma teatralização no rádio do romance “Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells. Muita gente entrou em pânico. Milhares chegaram a acreditar que a Terra estava sendo invadida por seres alienígenas.
  • Segundo os astrônomos, é impossível que uma nave vinda de outro sistema planetário faça uma visitinha à Terra. Eles argumentam que as longas distâncias, além da dificuldade de obter a energia necessária para a viagem, tornam essa possibilidade nula…
  • Até agora, foram descobertos cerca de 400 planetas fora do Sistema Solar, mas os astrônomos suspeitam que esse número seja infinitamente maior. Alguns acreditam que a maior parte das estrelas possui planetas girando ao seu redor. Considerando que as galáxias menores possuem cerca de 100 bilhões de estrelas e as maiores, trilhões… Quantos planetas podem existir no Universo?

Uma última dica (testada e aprovada): se você quiser ter algum tipo de contato extraterrestre, afaste-se das cidades. A probabilidade de você enxergar um disco-voador numa cidade como São Paulo é muitas vezes menor do que em um local com pouca luminosidade, céu límpido e sem poluição.

Se não avistar nenhum ET, você pelo menos terá feito contato de primeiro grau com a natureza, e observado as estrelas cadentes.

 

 

 

 

 

Fontes:
maisquecuriosidade.blogspot.com.br
Wikipedia
ufocasebook.com
latest-ufo-sightings.net
aliensthetruth.com
zerohora.clicrbs.com.br
alemdaimaginacao.com
photos1.blogger.com