Como 2 meninas enganaram o autor de Sherlock Holmes com fotos de fadas

Frances Griffiths e algumas ‘fadas’ em uma fotografia feita em 1917 por sua prima Elsie Wright.

Essa história sempre me fascinou.

Em 1920, uma notícia surpreendeu o mundo.

Duas meninas britânicas disseram ter conseguido fotografar fadas. E para completar, o criador do famoso detetive Sherlock Holmes, o escritor Sir Arthur Conan Doyle, deu seu aval à história! Ele disse que as fotos provavam que fadas de fato existiam. As responsáveis pelas fotos, Elsie Wright, de 16 anos, e Frances Griffiths, de 9 anos, disseram ter fotografado as fadas no jardim da casa onde viviam, no norte da Inglaterra.

A história das meninas se espalhou pelo mundo – afinal, o famoso escritor tinha acreditado nela – e só foi desmentida muitos anos depois, quando Elsie (já velhinha) admitiu que fora um engodo.

Mas como foi possível que duas meninas enganassem o mundo dessa maneira?

Jardim Encantado

A história começa no jardim de uma casa no vilarejo de Cottingley, próximo à cidade inglesa de Leeds. Elsie Wright e sua prima Frances Griffiths passaram o verão de 1917 brincando no fundo do jardim, onde corria um riacho. E, segundo elas, brincando com fadas…

A menina Frances Griffiths tinha se mudado da África do Sul, junto com a mãe, para morar com a tia, o tio e a prima no condado de Yorkshire, na Inglaterra, enquanto o pai lutava na Primeira Guerra Mundial. Ela ia brincar no jardim o tempo todo, ficava molhada, voltava com a roupa suja e sua mãe pedia a ela que não fosse mais brincar lá. Um dia, para se justificar, Frances disse que queria brincar no jardim porque tinha conhecido algumas fadas.

E foi essa declaração, feita de forma espontânea, que motivou Frances e Elsie a buscarem uma forma de provar para a mãe de Frances que a menina estava dizendo a verdade. Pegaram a câmera emprestada do pai de Elsie e foram tirar fotos das fadas.

Talvez a foto mais famosa seja a de Frances. Ela está posicionada na margem (do riacho), com uma cachoeira ao fundo. Ela está inclinada para a frente, olhando para cinco fadas que dançam animadamente. (essa é a foto que abre este post)

A segunda foto é de Elsie, a mais velha. Ela está junto de um gnomo que parece estar caminhando na direção dela.

 

Elsie e o gnomo

Elsie descreveu o que teria visto naquele dia:

“Este é o lugar onde vi o gnomo. Eu estava aqui e Frances estava ali, com a câmera. O gnomo veio de trás daquela árvore, caminhou até onde eu estava. Eu achei que ele ia me tocar e estendi o braço, mas ele desapareceu. Eles eram assim, chegavam perto e depois desapareciam”.

Se olharmos as fotos considerando a época em que foram tiradas – e por duas meninas – são de ótima qualidade e as fadas até que parecem bem “reais”.

(aos olhos de hoje, a gente percebe que as fadas são bidimensionais e as fotos, muito posadas).

Mundo Espiritual

 

Durante alguns anos, essas fotos foram guardadas pela família, achando que eram apenas brincadeira de criança. No entanto, três anos após o fim da Primeira Guerra, a mãe de Elsie – como muitos britânicos naquele período – começou a se interessar por Teosofia.

A Teosofia era um movimento que investigava ideias a respeito do mundo espiritual, procurando dimensões alternativas onde pudesse existir vida. Se você levasse essa ideia um pouco mais longe, poderia muito bem considerar que fadas e outros seres místicos realmente existissem.

Quando tomamos conhecimento dessa história das fotos das meninas, nunca podemos deixar de ter em perspectiva como era o mundo em 1920.  As pessoas estavam desesperadas. Tentavam se agarrar a qualquer coisa que pudesse trazer respostas à questão: por que o Deus cristão tinha permitido os horrores daquela guerra mundial?

Milhões de pessoas haviam perdido entes queridos. Abundavam questionamentos, no mundo e na Grâ-Bretanha, sobre a sociedade, a religião e a vida após a morte.

Foi nesse contexto, então, que as mães das meninas decidiram ir a uma reunião da Sociedade Teosófica da região para participar de uma discussão sobre a vida das fadas. Elas levaram as fotos das filhas, que obviamente despertaram grande interesse.

Pouco tempo depois, as fotos foram parar nas mãos de um importante membro da sociedade, o escritor Sir Arthur Conan Doyle.

Na época em que tomou conhecimento das fotos, ele já havia recebido uma encomenda da revista Strand Magazine (onde as histórias de Sherlock Holmes foram publicadas e o fizeram famoso em todo o mundo) para escrever um artigo sobre a vida das fadas. Ele rapidamente pediu a especialistas em fotografia que analisassem as fotos para estabelecer se eram genuínas. Elas foram declaradas autênticas. Segundo os especialistas, não havia evidências de falsificação. Então, quando Conan Doyle escreveu seu artigo, usou as fotos para embasar sua afirmação de que as fadas existiam e ali estavam as fotos para comprovar.

A febre das fadas tomou conta do país e as fotos foram levadas em turnê pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos.

A história sobreviveu mais alguns anos, até que, em 1983, Elsie finalmente confessou à BBC que ela havia desenhado e recortado as figuras em papel cartão. E para que aparentassem estar suspensas no ar, tinha colado as figuras em palitos fincados no solo.

“Por que você decidiu admitir a verdade, tantos anos depois?”, perguntou o jornalista da BBC.

“Tenho três netas, não quero que essa história se estenda para sempre. Achei melhor esclarecer isso de uma vez por todas.”

 

Pós-guerra

Mas como foi possível que uma brincadeira de duas meninas convencesse tantas pessoas importantes, como Sir Arthur Conan Doyle?

Como já foi dito, era um mundo do pós-guerra, as pessoas procuravam respostas e havia outra conexão entre Doyle e a família das meninas. Assim como o pai de Frances, o filho de Conan Doyle tinha lutado na guerra. E morrido.

Ele tinha perdido o filho. E provavelmente sentia grande culpa, por ter incentivado o jovem a se alistar. Além disso, também havia se envolvido na propaganda de guerra, para aumentar o número de recrutas.

 

Esse é quase o final da história. Existe uma quinta foto, onde aparecem apenas fadas, que parecem emergir de um ninho de grama. Essa foto, Frances insistiu até o fim, era realmente verdadeira.

Frances foi uma menina que mudou do país onde nasceu, o pai foi lutar na guerra e acabou morrendo…  Talvez as condições fossem perfeitas para que ela se conectasse com uma outra esfera.

Vai saber?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

BBC

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O pai da invenção mais mortal de todas

A invenção desse homem mata mais do que todas as guerras, todos os acidentes de carro e todas as catástrofes da natureza. Porque as mortes provocadas por sua invenção somam mais de 1 milhão de pessoas por ano!

James Buchanan Duke modernizou a indústria tabagista, com máquinas e marketing

James Buchanan Duke

James Buchanan Duke teve simplesmente a ideia de inventar uma máquina de fazer cigarros! Claro, não foi ele quem inventou o cigarro. Na verdade, o tabaco enrolado com papel já existia há mais de um século, e o hábito de mascar fumo era disseminado deste tempos imemoriais. Mas o que ele criou transformou-o no responsável pelo fenômeno do cigarro no século XX.

O câncer de pulmão era quase inexistente antes desse fenômeno. O cirurgião americano Alton Ochsner lembra que, quando ainda era estudante de medicina em 1919, sua turma foi chamada para assistir a uma autópsia de uma vítima de câncer de pulmão. Na época, a doença era tão rara que os estudantes acharam que não teriam outra chance de testemunhar algo parecido!

Em 1880, aos 24 anos, Duke entrou em um nicho da indústria do tabaco – os cigarros já enrolados.  Dois anos depois, percebeu uma chance de ganhar dinheiro. Ele começou a trabalhar com um jovem mecânico chamado James Bonsack, para construir uma máquina para fabricar cigarros. Duke estava convencido que as pessoas estariam dispostas a fumar os cigarros perfeitamente simétricos produzidos pela máquina.

E foi esse equipamento que revolucionou a indústria.

James Buchanan Duke, o pai do maior assassino da história (4)

O plano da máquina que eles construíram, e que fazia 120 mil cigarros por dia! Hoje, se produz 16 mil cigarros… Por minuto!

A máquina produzia essencialmente um cigarro comprido que era depois cortado em pedaços menores e do mesmo comprimento. Mas, como as pontas ficavam abertas, o tabaco precisava ser umedecido, para ficar rígido e não cair do cigarro. Isso era feito com ajuda de aditivos químicos, como glicerina, açúcar e melaço.

A produção era excelente, muito maior do que os enrolados manualmente, que era de 200 cigarros por turno, por funcionária. O problema é que os 120 mil cigarros diários que saíam da máquina representavam um quinto do consumo nos Estados Unidos.  Quer dizer, Duke produzia muito mais cigarros do que conseguia vender. E foi aí que ele teve outra ideia fantástica.

Fazer marketing e publicidade!

Duke patrocinou corridas, distribuiu cigarros gratuitamente em concursos de beleza e colocou anúncios nas revistas da época.

Anúncio de cigarro de 1900, na cola dos primeiros anúncios criados por Duke.

Ele também percebeu que a inclusão de figurinhas colecionáveis nas carteiras de cigarro era tão importante quanto trabalhar na qualidade do produto. Em 1889, gastou US$ 800 mil em marketing (ou US$ 25 milhões, em valores de hoje em dia). O sucesso de Duke confirmou o que ele suspeitava, que as pessoas gostavam dos cigarros feitos pela máquina. Eles tinham aparência mais moderna e higiênica. Uma das campanhas enfatizava o fato de que cigarros manuais eram feitos com contato da mão e da saliva de outras pessoas.

Mas, apesar de o número de fumantes ter quadruplicado nos 15 anos até 1900, o mercado ainda era um nicho, já que a maioria das pessoas mascava tabaco ou consumia cachimbos ou charutos. Duke – que também era fumante – viu o potencial competitivo dos cigarros em relação aos demais produtos. Uma das vantagens era a facilidade para acendê-los, ao contrário dos cachimbos. Os cigarros chegaram ainda a ser promovidos como benéficos à saúde. Eles eram listados nas enciclopédias farmacêuticas até 1906 e indicados por médicos para casos de tosse, asma, resfriado e tuberculose – uma doença que é agravada pelo fumo.

No começo dos anos 1900, houve um movimento antitabagismo, mas ele estava mais relacionado à moralidade do que à saúde. O crescimento no número de crianças e mulheres fumantes era parte de um debate sobre o declínio moral da sociedade. Os cigarros foram proibidos em 16 Estados americanos entre 1890 e 1927. E a atenção de Duke voltou-se para o exterior.

Em 1902, ele formou a empresa britânica British American Tobacco. As embalagens e o marketing foram ajustados para mercados consumidores diferentes, mas o produto era basicamente o mesmo. Aquilo que chamamos hoje de globalização foi antecipado por Duke há mais de um século. A partir de então, todos os demais fabricantes passaram a usar a mesma estratégia (produção industrial de cigarros e propaganda maciça) e a indústria do cigarro conquistou todos os mercados do mundo.

camel-john-wayne_1939352i Fumar era chique, charmoso, coisa de astros do cinema, esportistas e médicos, e ajudava a emagrecer.

Só que um elo direto do cigarro com câncer de pulmão não foi encontrado até 1957 na Grã-Bretanha e 1964 nos Estados Unidos.

No entanto, se pensarmos bem, Duke não pode ser responsabilizado sozinho, afinal, ninguém é obrigado a fumar. Hoje, se a ideia for apontar o dedo, é preciso considerar toda a cadeia produtiva, desde os agricultores até os executivos da indústria, passando pelos designers que criam as embalagens e os donos dos canais de varejo. É uma discussão que envolve a saúde das pessoas, mas que passa também por milhões de empregos e pela receita gerada pelos impostos. Uma discussão ética, moral, de sustentabilidade, de emprego e trabalho.

Acho que a única certeza cristalina mesmo é que o cigarro faz mal à saúde!

Mas James Duke tem uma importância que, à parte as consequências de sua invenção, é enorme: sua visão pioneira do mercado, do marketing, do uso da publicidade inspirado pelo conhecimento da psicologia humana.

Acredito que podemos usar suas lições em algo que traga mais benefícios às pessoas.

 

Fonte: BBC Brasil

Onze regras para ser uma boa esposa

Em 1953, foi publicado na Espanha um guia de como ser uma boa esposa…

Quem o escreveu foi uma mulher, Pilar Primo de Rivera, que faleceu em 1991.  Pilar era irmã de José Antonio Primo de Rivera, fundador da Falange Española, partido político de extrema direita, e filha de  Miguel Primo de Rivera, ditador espanhol na década de 1920.

PILAR

O guia basicamente ensinava como as mulheres deveriam se comportar para que seus maridos fossem felizes. Uma série de dicas mostrando que a esposa deveria viver para servir, sempre à disposição de um marido. Um guia de submissão. Claro que era um produto de seu tempo, ainda mais machista e opressor do que os dias atuais. E mostra como a ideia da submissão feminina veio sendo construída e sendo arraigada na mentalidade das famílias.

Tenho certeza de que, para muitos, a leitura deste guia hoje parecerá mais uma caricatura, mas sei que para outros – e sem brincadeira! – poderá parecer realmente uma “fórmula” para se conseguir um casamento perfeito.

O mais irônico de tudo é que Pilar nunca se casou, e sempre pregou que as mulheres devem ser “femininas, não feministas”.

O guia segue abaixo em espanhol, mas dá para entender as linhas gerais:

56C

E9E

01 – Prepare o delicioso jantar para ele

D75

02 – Esteja sempre arrumada

CBB

03 – Seja sempre interessante, uma de suas obrigações é distraí-lo.

CCE

04 – A casa deve estar impecável!

ABC

05 – Ele tem que se sentir no paraíso

9E2

06 – Cuide de seus filhos, deixe as crianças limpas e arrumadas.

CDC

07 – Não faça barulho, desligue o aspirador e a máquina de lavar, mande os filhos se calarem.

186

08 – Procure sempre estar feliz

886

09 – Escute-o

8A8

10 – Coloque-se no lugar dele, sem reclamar se ele chegar tarde, ou se for se divertir sem você ou se não vem pra casa toda noite. 

43B

11 – Não reclame de problemas insignificantes.. Qualquer problema seu é um mero detalhe se comparado com o que ele tem que passar

276

(Bônus) Faça-o se sentir à vontade, ofereça uma bebida quente e tire os sapatos dele.

550

Este guia é verdadeiro, e foi publicado numa revista há 62 anos…

Fontes:
taringa.net
publimetro.com.mx
neinordin.com.br

Fotos de antigas celebridades

Outro dia mesmo estava conversando com minha grande amiga Clene Salles sobre fotos antigas e sobre o que postei aqui há algumas semanas (https://otrecocerto.wordpress.com/2013/08/19/o-museu-da-getty-images-libera-imagens-historicas/). A arte da fotografia é uma das que mais admiro, assim como as pessoas capazes de levarem essa arte a pontos mais altos – e conheço alguns amigos fotógrafos que fazem isso.

Mas a fotografia não é apenas arte, é também uma poderosa ferramenta pela qual podemos registrar a história. Seja a nossa história pessoal e a de nossos familiares e contemporâneos, seja a história da humanidade. Momentos e pessoas são eternizados e mostram, para gerações futuras, que o homem tem um passado, que os eventos têm raízes. E se o passado é imutável, pelo menos podemos aprender com ele, se formos inteligentes.

Gosto muito de poder desfrutar dessa janela para  o passado, como curiosidade, como oportunidade de analisar roupas, costumes, veículos… E, cada vez que olho para trás, percebo mais e mais que nós não mudamos, que o homem é sempre o mesmo. Mudam as modas, mudam os carros e os aviões, mudam alguns costumes, mas o homem, em sua essência, é sempre o mesmo.

Por exemplo, o homem sempre teve curiosidade pelas celebridades.

Segundo artigos sobre psicologia, as celebridades simbolizam os nossos desejos ocultos para a riqueza, fama, a imortalidade,  beleza … De fato, quando acompanhamos suas vidas estamos reforçando o desejo de que um dia as nossas vidas também possam ter o brilho e o destaque que as celebridades alcançaram. Elas podem também se tornar uma opção de fuga, de nós mesmos ou de uma realidade que não nos agrada. E esse culto às pessoas famosas vem desde sempre… Os exemplos abaixo atestam isso, em diferentes épocas:

Alfred Tennyson – famoso poeta inglês da era vitoriana, uma de suas obras mais conhecidas trata do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. A foto abaixo é de 1866.

Alfred, Lord Tennyson

Ulysses S. Grant, político e militar americano, general dos exércitos nortistas durante a Guerra Civil dos Estados Unidos. Foto dele, sentado e de barba, com a família, em 1870.

Ulysses Grant & his family, 1870.

Bela Lugosi, o ator húngaro que foi o mais famoso Drácula do cinema, aos 18 anos. Foto tirada em 1900.

Bela Lugosi en 1900, a los 18 años

Jesse James foi o mais famoso pistoleiro e ladrão de bancos do Oeste americano e se tornou uma lenda. Na foto, de 1872, ele está com o irmão Frank (à direita), também membro de sua gangue.

File:Jesse and Frank James.gif

John Kennedy aos 25 anos, como tenente da Marinha americana durante a Segunda Guerra Mundial. O barco de patrulha que ele comandava foi atingido por um torpedo e ele ajudou os tripulantes a chegarem a uma ilha, onde foram resgatados. Esse fato lhe rendeu muita popularidade e, depois da guerra, a fama de herói o ajudou a ingressar na política.

Lt. John F. Kennedy, U.S.N., 1942

Carole Lombard numa foto dos anos 1930, no auge de sua popularidade como atriz de cinema em Hollywood. Ela foi uma das maiores estrelas de cinema na primeira metade do século XX.

Carole Lombard, 1930’s

Lauren Bacall e Humphrey Bogart em 1944, nos estúdios da Warner Bros. Eles equivaliam, em popularidade, ao casal Angelina Jolie e Brad Pitt de hoje em dia. Na época, o culto às celebridades já estava estabelecido há mais de duas décadas, e o casal vivia cercado de fotógrafos por onde quer que passassem.

How great is this?! “Miss Bacall” and Humphrey Bogart.

Bonnie Parker em 1933, poucos meses antes de ser morta pela polícia ao lado de seu marido, Clyde Barrow. Na época da foto, Bonnie e Clyde eram cultuados como heróis pela população assolada pela Grande Depressão nos Estados Unidos, porque roubavam bancos e sempre conseguiam escapar da polícia. Ela seria uma espécie de “Robin Hood de saias”, segundo o mito construído em torno dela, embora não se saiba de uma única vez em que ela tenha dado aos pobres o produto de seus roubos.

Bonnie  in a photo found by police at the Joplin, Missouri hideout.

 A foto a seguir é cheia de controvérsias. Datada supostamente de 1849, mostra Edgar Allan Poe, um dos maiores escritores de todos os tempos, ao lado de Abraham Lincoln, que seria eleito anos mais tarde presidente dos Estados Unidos. Embora Lincoln fosse fã dos livros de Poe e ambos tivessem a mesma idade, eles nunca teriam se encontrado – e esta foto seria então uma montagem. Até hoje, porém, não se comprovou nem essa teoria e nem que a foto seja verdadeira.

Edgar Allan Poe poses with Abraham Lincoln in Mathew Brady’s Washington, D.C. studio- February 4th, 1849.  WAT

E, para finalizar, a celebridade que foi talvez a mais fotografada no século XX, Marilyn Monroe. Nesta foto, de 1955, ela está chegando ao Actor’s Studio em Nova York, onde estudou durante um ano, numa tentativa de melhorar suas habilidades de interpretação e calar a boca de seus críticos. Segundo eles, MM era apenas um rostinho bonito, o protótipo da “loura burra” do cinema.

Great shot of Marilyn.. Not the usual boring poses..

Como surgiu o vibrador?

Meu amigo Claudio Attílio comentou que eu sou o principal responsável por estar resolvendo todas as dúvidas existenciais que ele arrasta desde o princípio de sua existência.

Dando sequência, então, a esse trabalho de utilidade pública, apresento a seguir a resposta para uma dessas dúvidas que assola a mente da humanidade desde que Nero tacou fogo em Roma: como surgiu o vibrador? Depois de exaustivas pesquisas, descobri a melhor explicação no site muitointeressante.com.br.

Segundo o que apurei, ele surgiu para descansar as mãos dos médicos, que já estavam exaustas de masturbar suas pacientes.

Inventado em meados do século 19, o vibrador era um instrumento médico para a cura da histeria, doença que acometia exclusivamente mulheres. Sintomas como irritabilidade, ansiedade, choro, falta ou excesso de apetite e outros altos e baixos tão conhecidos do público feminino caracterizavam a histeria, doença que a comunidade médica acreditava ser causada por deslocamentos no útero. O diagnóstico, curiosamente, era dado na maioria das vezes para mulheres solteiras e viúvas, e em alguns casos, mulheres que não tinham muita atividade sexual em casa. O tratamento? Massagem no clitóris até a paciente atingir o “paroxismo histérico”, ou em termos atuais, o orgasmo.

Mulheres passaram a lotar os consultórios e os médicos, de tanto massagear clitóris de pacientes, começaram a ter uma espécie de LER (lesão por esforço repetitivo). Como a necessidade é um dos maiores impulsos humanos, o tratamento “manual” se aperfeiçoou e passou a ser feito com um instrumento – o vibrador!

O The Manipulator foi o primeiro vibrador patenteado da história em 1869, pelo médico norte americano George Taylor. Ele era movido a vapor.

Depois do The Manipulator, vários outros vibradores foram lançados, movidos a manivela, ar comprimido, a bateria e a eletricidade.

Modelo Woody, movido a manivela.

Modelo Dr. Johansen’s, movido a manivela.

Modelo Chas a Cyphers, movido a ar comprimido.

Modelo Giro-Lator, movido a eletricidade.

O “fabuloso White Cross” era vendido em lojas de departamento, na primeira década do século XX, e foi um dos primeiros a ter seu uso doméstico liberado.

Anúncio do White Cross Vibrator, publicado no The New York Tribune em janeiro de 1913.

À medida que foi ganhando conotação sexual, o vibrador adquiriu um ar negativo e ligado à vulgaridade, principalmente por conta do seu uso em filmes pornô. Só voltou a ser relativamente aceito na década de 60, com a revolução sexual feminina.

Hoje sexólogos e ginecologistas o indicam não para curar uma doença, mas para auxiliar no prazer e na descoberta sexual da mulher.

Há também um caso médico da atualidade em que os vibradores são indicados para homens – mas para aqueles que fazem cirurgia para mudança de sexo. Durante vários meses após a cirurgia, quem troca o bilau por uma ximbica precisa usar um vibrador periodicamente, para que o canal vaginal aberto ali não cicatrize.

 

O Zeppelin

Sempre fui fascinado pelos zeppelins… Não, não se trata de um dos maiores grupos de rock da história, o Led Zeppelin – que, aliás, tirou seu nome do zeppelin e do qual sempre fui fã.

Zeppelin é um tipo de aeronave rígida, mais especificamente um dirigível, cujo nome vem do seu inventor, o conde Ferdinand von Zeppelin e que foi pioneiro na pesquisa e desenvolvimento desse tipo de aeronave no início do século 19.

O conde alemão Zeppelin era um entusiasta dos balões numa época em que eles eram de estrutura flexível. Zeppelin, baseado nas idéias de  um engenheiro austríaco que havia tentado construir um balão de alumínio em 1887,  iniciou a construção e montagem dos primeiros dirigíveis rígidos em 1889, e, a despeito das dificuldades, terminou o seu primeiro modelo no ano seguinte. No entanto, o protótipo LZ-1 somente foi aprovado cinco anos depois, sendo que os modelos testados levavam as iniciais LZ, de Ludwig (assistente do conde) e do próprio Zeppelin, antecedendo a numeração.

O LZ-1  decolou de um hangar flutuante no Lago de Constança, sul da Alemanha, em 2 de julho de 1900. Ele carregou 5 pessoas e voou uma distância de 6 quilômetros em 17 minutos, uma velocidade estrondosa para a época. Mas isso não convenceu os possíveis investidores. Como o dinheiro estava esgotado, Ferdinand von Zeppelin teve que desmontar o protótipo, vender tudo, e liquidar a companhia. Mas ele não desistiu. Usando os últimos recursos da família, construiu mais alguns protótipos e , em 1908, ganhou fama com o LZ-4, ao cruzar os Alpes numa viagem de 12 horas, sem escalas.

Daí por diante, Zeppelin pôde contar com o dinheiro do governo alemão em suas façanhas e seus dirigíveis se transformaram em orgulho nacional. Até 1914, quando iniciou a Primeira Grande Guerra, foram mais de 150 mil quilômetros voados, 1.600 vôos e 37,3 mil passageiros transportados. Durante o conflito mundial, ao lado dos nascentes aviões, os dirigíveis alemães foram utilizados para bombardear Paris e Londres.

Os acidentes não eram muito comuns, mas aconteciam. Como a queda do dirigível Zeppelin L.19 no Mar do Norte, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. A ilustração abaixo mostra o momento do resgate da tripulação e passageiros por um barco pesqueiro.

Os Zeppelin voaram comercialmente pela primeira vez em 1910, pela Deutsche Luftschiffahrts-AG (DELAG), a primeira linha aérea comercial do mundo. Depois da guerra e principalmente durante a década de 1930, os dirigíveis foram utilizados em voos transatlânticos, mais rápidos do que as travessias de navio.

O Graf Zeppelin foi o mais famoso de todos os dirigíveis, especialmente por conta da façanha que realizou em 1929, dar a volta ao mundo, como descrito em reportagens da época:

“Parece interminável a estupefação internacional com a façanha do Graf Zeppelin LZ 127 no último mês de agosto. O colosso alemão de 213 metros de comprimento, com formato que lembra os salsichões típicos de seu país de origem, tornou-se a primeira nave da história da humanidade a realizar um vôo ao redor do planeta, epopéia de 21 dias e 34.600 quilômetros. Com escalas nos Estados Unidos, Alemanha e Japão, o dirigível arrastou multidões em suas paradas, despertando admiração e curiosidade generalizadas. Aproveitando o sucesso de sua empreitada, o comandante Hugo Eckener, diretor da Luftschiffbau-Zeppelin, empresa alemã que fabricou a aeronave, apresentou os novos planos envolvendo o gigantesco cilindro mais leve que o ar. E, para júbilo dos fãs nacionais, muito em breve o Zeppelin poderá ser visto nos céus brasileiros.
A companhia tedesca pretende implantar linhas comerciais entre a Europa e as Américas –num primeiro momento, com destino aos Estados Unidos; posteriormente, rumo ao Brasil e à Argentina. Para isso, deverá construir quatro novos dirigíveis por conta própria. Além disso, estão previstos mais um ou dois em sua parceria com a empresa americana Goodyear: – eles farão a travessia entre a costa oeste dos Estados Unidos e o Havaí e as Filipinas. Os cilindros voadores deverão também transportar correspondências e encomendas. Um contrato com o correio alemão já é dado como certo, e nos Estados Unidos os representantes da companhia já se mobilizam para acertar acordo semelhante. O dinheiro advindo desses contratos deverá ser investido na construção de novas aeronaves.”

O vídeo acima mostra trechos da viagem ao redor do planeta do Graf Zeppelin.

A primeira viagem transatlântica de um dirigível entre a Alemanha e a América do Sul foi registrada em maio de 1930, tendo o  Graf Zeppelin decolado de Friedrichshafen no dia dezoito e chegado ao Campo do Jiquiá, na cidade do Recife, em Pernambuco, a 21 do mesmo mês. Prosseguindo a viagem, pousou no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro no dia 25, causando alvoroço na então Capital Federal.

Após essa bem-sucedida viagem transatlântica inaugural, os zeppelins realizaram mais três viagens ao Brasil em 1931 e nove em 1932. As passagens custavam 1.000 dólares! Um desses enormes dirigíveis, e que foi a maior nave a voar em toda a história da aviação, foi um ícone da indústria alemã e amplamente empregado na propaganda nazista, o Hindenburgh.

Na foto acima, o gigantesco dirigível chegando ao Rio, em 1936.

O Hindenburgh, com 245 metros de comprimento e sustentado por 200 mil metros cúbicos de hidrogênio,era impulsionado por quatro motores de 1200 HP cada, que moviam hélices de mais de 6 metros de altura, e tinha autonomia de voo para 16.000 km quando completamente abastecido. O dirigível era inflado com hidrogênio, ao invés de hélio, principalmente devido ao preço, que era mais barato, e porque o uso do hidrogênio diminuía a dependência do hélio, que era em sua maior parte importado dos Estados Unidos.

Ficheiro:Hindenburg first landing at Lakehurst 1936.jpg

O Hindenburgh pousado em Lakehurst, New Jersey, Estados Unidos, em maio de 1936. Os passageiros podem ser vistos descendo a rampa na parte traseira.

Infelizmente, depois de ter cruzado o Atlântico mais de 17 vezes, ele fez sua última viagem para os Estados Unidos em 1937, levando 36 passageiros e 61 tripulantes, vindos da Alemanha. Durante as manobras de pouso, um tremendo incêndio tomou conta do dirigível e durou 30 segundos, matando 36 pessoas. O governo alemão acusou o governo americano de sabotagem, pois o grandioso zeppelin representava a superioridade tecnológica daquele país.

Mais tarde, as investigações apontaram a origem das chamas a faíscas elétricas que se desencadearam ao se lançar as amarras ao solo no processo de pouso, geradas pela descarga de energia eletrostática acumulada no dirigível; contudo culparam não o gás hidrogênio, mas sim a própria estrutura do dirigível, construído com tecido de algodão impermeabilizado com acetato de celulose e recoberto com pó de alumínio (a fim de conferir-lhe uma cor prateada permitindo o destaque da suástica) – produtos altamente inflamáveis.

A comoção mundial gerada pelo acidente acabou provocando o encerramento da era dos dirigíveis na aviação comercial de passageiros.

Atualmente, os dirigíveis são utilizados basicamente  com fins publicitários e para realização de transmissões de TV em eventos esportivos, como o da Goodyear.

Há empresas ainda que estudam a possibilidade de usar esse tipo de aeronave para o transporte de carga ou de pessoas, como o Aeroscraft, que seria a evolução do zeppelin, e já está em testes.

Ele possui um corpo semi-rígido, que sobe aos ares com bolsões de hélio – como um dirigível – mas que alça voo como um avião devido a seu formato. Imagine ter a capacidade de transportar enormes quantidades de material ou pessoas a qualquer distância, sem a necessidade de uma infraestrutura terrestre totalmente dedicada a isso – como um aeroporto.

O Aeroscraft não requer pista de decolagem porque ele sobe aos ares na vertical. Para decolar, ele usa motores turbopropulsores a jato. Uma vez no ar, ele usa bolsões de hélio dentro de uma estrutura rígida para controlar a altitude. Quando o piloto quer descer, o veículo precisa ficar mais pesado, então o hélio é comprimido e armazenado em câmaras. Isso cria um vácuo que é preenchido por ar, mais pesado que o hélio – isso faz o Aeroscraft descer. Para subir, basta expulsar o ar e preencher o espaço com hélio.

Como não precisa de pista de pouso, pode levar cargas para locais difíceis de chegar e ainda levar até 60 toneladas de peso. Na animação abaixo, o fabricante mostra como a nave vai operar, visando, claro, a venda para as forças armadas, ao menos de início…

Acho que nem o conde Zeppelin tinha pensado nisso em seus sonhos mais loucos…