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Primeira transmissão ao vivo da TV mundial foi com os Beatles

Os Beatles não foram importantes apenas para a música, considerados até hoje o maior grupo de rock da história, mas tiveram significativa influência sobre outras práticas e costumes da humanidade, especialmente os jovens.

Eles estão ligados eternamente à história da televisão, pois foi com esse extraordinário grupo formado por John Lennon, Ringo Star, Paul McCartney e George Harrison, que foi realizada a primeira Transmissão Mundial de TV ao vivo, evento que ocorreu no dia 25 de junho de 1967, direto de Londres.

A história foi essa:

No verão de 1967, em 18 de maio, os Beatles assinaram um contrato para representar a BBC, e a Grã-Bretanha, no programa Our World, que foi o primeiro programa de televisão ao vivo via satélite para todo o mundo e que foi assistido por aproximadamente 400 milhões de pessoas nos cinco continentes. O conceito do programa seria unir o planeta e mostrar, em pequenos segmentos, um pouco de cada país. Para isso, vários artistas e personalidades foram convidados, como Pablo Picasso e Maria Callas. O segmento que fechava a transmissão foi justamente o dos Beatles.

John Lennon escreveu a canção All You Need is Love especialmente para a ocasião, pois a BBC disse que tinha de ser simples para que os telespectadores de todo o mundo pudessem entender, e tivesse uma mensagem positiva. Afinal, a Guerra do Vietnã estava em seu auge nesse momento.

A transmissão via satélite foi idealizada pelo produtor da BBC britânica, Aubrey Singer, que comandou a sala principal de controle da transmissão dos estúdios da emissora na capital da Inglaterra. Para a empreitada se concluir, além da existência de outras salas de controle ao redor do mundo, foi necessária a utilização de três satélites geoestacionários de longo alcance na órbita terrestre (Intelsat I, Intelsat II e ATS-1), cerca de 1,5 milhões de quilômetros de cabos e uma numerosa equipe de funcionários também espalhada pelo mundo (cerca de 10 mil pessoas teriam trabalhado na transmissão, entre técnicos, produtores e intérpretes, nas mais de duas dezenas de países para os quais o sinal do programa chegou ao vivo).

Não houve políticos ou chefes de estado autorizados a participar na transmissão.

Os Beatles ensaiando a canção
Na cantina do estúdio, pouco antes de começar a transmissão

Empresas nacionais de radiodifusão de 14 países forneceram material para o programa de 125 minutos, que foi exibido em preto-e-branco. As organizações envolvidas foram da Austrália , Áustria, Canadá, Dinamarca, França, Itália, Japão, México, Espanha, Suécia, Tunísia, Reino Unido, EUA e Alemanha Ocidental e o programa também foi mostrado – sem contribuir com seu próprio conteúdo – na Bélgica, Bulgária, Finlândia, Irlanda, Luxemburgo, Mônaco, Holanda, Noruega, Portugal e Suíça.

John e Paul do lado de fora da van que os levou ao estúdio
Paul e Ringo antes do momento histórico
Na semana antes da transmissão, sete países do bloco oriental – liderados pela União Soviética – pularam fora, aparentemente em protesto  à Guerra dos Seis Dias.
Os Beatles tocaram All You Need Is Love rodeados por vários amigos, incluindo Mick Jagger, Keith Richard, Marianne Faithfull, Keith Moon, Eric Clapton, Pattie Harrison, Jane Asher, Graham Nash e Hunter Davies. Todos estavam vestidos com roupas coloridas, e foram cercados por flores, balões e cartazes.

Abaixo, a gravação original, a partir de 3:01 e como foi transmitida, em preto e branco. A seguir, a mesma gravação, colorizada, e que veio na coleção Anthology.

 

 

 

Fonte:

meionorte.com

diariodosbeatles.blogspot.com

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Começa a busca por mundos habitados

POR SALVADOR NOGUEIRA

Uma descoberta épica acaba de ser feita pela missão K2, a segunda fase de operações do satélite Kepler, da NASA. Seria apenas mais um planeta potencialmente similar à Terra, como tantos que já foram anunciados nos últimos anos, não fosse por um detalhe: ele é o primeiro a ser encontrado que permitirá a busca efetiva por sinais de vida em sua atmosfera.

Concepção artística de planeta ao redor de estrela anã vermelha, como o recém-descoberto (Crédito: PHL/UPR)
Concepção artística de planeta ao redor de estrela anã vermelha, como o recém-descoberto (Crédito: PHL/UPR)

Ele tem um diâmetro cerca de 50% maior que o da Terra e completa uma volta em torno de sua estrela-mãe a cada 44,6 dias terrestres. Os dados da missão K2 revelaram a presença de outros dois planetas, um com cerca de 2,1 vezes o diâmetro terrestre, completando uma volta em torno da estrela a cada 10 dias, e o outro com 1,7 vez o diâmetro da Terra e período orbital de 24,6 dias.

Hoje em dia, é muito difícil observar diretamente a luz que emana de um planeta fora do Sistema Solar. Algumas câmeras especiais já conseguem fotografar planetas gigantes em órbitas longas em torno de seus sóis, mas isso ainda não é possível para planetas pequenos e rochosos em órbitas suficientemente próximas a ponto de permitir que a água se mantenha em estado líquido na superfície — condição aparentemente essencial para o surgimento e a manutenção da vida.

Então, o único meio de estudar a atmosfera desses mundos é nos casos em que eles “transitam” à frente de suas estrelas, com relação ao nosso campo de visão. Assim, parte da luz da estrela atravessa de raspão a atmosfera do planeta e segue até nós, carregando consigo uma “assinatura” da composição do ar.

Pois bem. O satélite Kepler detecta planetas justamente medindo as sutis reduções de brilho das estrelas conforme eles passam à frente delas. Por um lado, isso limita brutalmente a quantidade de planetas que podemos detectar, pois exige que o sistema esteja alinhado de tal forma que esses mini-eclipses sejam visíveis daqui. (Estima-se que apenas 5% dos sistemas planetários estejam num alinhamento favorável.) Por outro lado, os planetas que descobrimos já são alvos naturais para estudos de espectroscopia, a análise da tal “assinatura” na luz que passou de raspão pela atmosfera.

O satélite Kepler detecta planetas observando trânsitos deles à frente de suas estrelas-mães. (Crédito: Nasa)
O satélite Kepler detecta planetas observando trânsitos deles à frente de suas estrelas-mães. (Crédito: Nasa)

As pesquisas sobre a atmosfera desses mundos devem se ampliar a partir de 2018, quando a NASA lançar ao espaço o Telescópio Espacial James Webb. Ele será capaz de detectar dados espectrais correspondentes a uma atmosfera similar à terrestre. Por exemplo, se um desses mundos tiver uma atmosfera como a nossa, onde predomina o nitrogênio, nós saberemos. Se ela contiver grandes quantidades de dióxido de carbono, como é o caso de Vênus, também.

Isso sem falar na medida mais natural a ser tomada desse sistema planetário — a observação dos efeitos gravitacionais que os planetas exercem sobre a estrela-mãe. Com as tecnologias atuais, já seríamos capazes de detectar o bamboleio gravitacional realizado pela estrela conforme ela é atraída para lá e para cá pelos planetas girando em torno dela. E, com isso, saberíamos suas massas. Juntando essa nova informação aos diâmetros, já medidos pelo Kepler, conheceríamos a densidade. E, a partir dela, poderíamos inferir se estão mais para planetas como a Terra ou mundos gasosos, muito menos densos.

Os astrônomos já têm o caminho todo mapeado. A ideia é que o K2, assim como seu sucessor, o satélite TESS, que deve ser lançado em 2017, descubra mais alvos promissores. Quando o James Webb for ao espaço, em 2018, terá uma lista considerável de planetas para estudar — potencialmente centenas deles. Todos interessantes, mas obviamente nem todos tão bons para a vida quanto a Terra. Contudo, se, de toda essa amostra de mundos, apenas um tiver uma atmosfera rica em oxigênio sem que esse gás possa ter sido produzido em quantidade apreciável por processos não-biológicos (como é o caso do nosso planeta), já teremos a certeza de que não estamos sós no Universo.

 

Fonte:
Uol