Muletas linguísticas

Você já ouviu falar de “muletas linguísticas”? São expressões classificadas como cacoetes; expressões da moda. Por dependerem do uso, muitas vão e vêm.  São locuções, frequentemente vazias, usadas para ligar diferentes partes de um texto.

Na linguagem falada elas podem servir como apoio enquanto se pensa um pouco melhor na frase que se seguirá. Quer alguns exemplos? Aí vão:

Tipo

A palavra “tipo”, na fala, acabou se transformando na pontuação pós-moderna da geração “zap-zap”: “Hoje (tipo) eu (tipo) busco a independência (tipo) financeira.”

O “tipo” já se tornou um velho conhecido… Há tempos ele vem sendo empregado de maneira aleatória e fora de sua significação. Quando empregado de maneira viciosa, ele serve, “tipo”, como uma pontuação na frase:

(tipo) Ele nem perguntou se a gente queria que ele fosse (tipo), foi logo se oferecendo (tipo), superinconveniente!

Percebeu que, se retirarmos a expressão “tipo que”, o significado da frase não é alterado em absolutamente nada?

Meio que

Quem nunca ouviu a vazia expressão “meio que”? Em uma rápida pesquisa por microblogs, há centenas de registros como:

“A gente vive em um país (meio que) ditatorial.”

Não se desespere se você está se sentindo “meio que” revelado neste texto sobre cacoetes linguísticos. Conhecer o “inimigo” é fundamental para enfrentá-lo!

Tipo assim:

Quem achou, alguns anos atrás, que o “tipo assim” seria uma moda passageira entre os falantes, principalmente entre os adolescentes (grandes inovadores da linguagem!), enganou-se. Ele permanece por aí, marcando presença até mesmo nos textos escritos! Formalmente, ele não possui valor algum:

Acordei às 9:00 da manhã, (tipo assim) superatrasado!

Cara

E o conhecido vocalista de um grupo brasileiro (não vou dizer o nome…) completamente viciado no termo “cara”?

“Brasília, (cara), é uma terra, (cara), de poetas, (cara)!”

O uso excessivo dessa muleta ganhou tanta repercussão que o (cara) foi satirizado pelos caminhos rancorosos da Internet.

Gerundismo (esse é dose…)

Pode-se dizer hoje que vários clientes irritam-se com a moda do gerundismo, daqueles locutores do “a gente vai estar verificando…”.

Por quê? Justamente porque o atendimento telefônico, entre cliente e empresa, subentende o critério profissional, da objetividade, da eficácia.

Nós já identificamos o problema e estaremos trabalhando para resolvê-lo para você estar tendo uma melhor qualidade no serviço contratado”.

Quem nunca foi vítima desse cacoete linguístico? O gerundismo é considerado um vício de linguagem, um modismo que utiliza de maneira inadequada a forma nominal gerúndio. Na tentativa de reforçar uma ideia de continuidade de um verbo no futuro, acabamos complicando o que já é suficientemente complicado, e o que antes podia ser dito de maneira mais econômica e direta foi substituído por uma estrutura que prefere utilizar três verbos em vez de apenas um ou dois.

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O importante é saber que a língua é do falante, sem ele a língua não existe. Importante também ter em mente que a principal finalidade do idioma é a comunicação, e então, quando se alerta sobre os cacoetes (ou muletas linguísticas), estamos lembrando que existem duas vertentes da língua, a coloquial e a língua padrão, e espera-se que a gente entenda que, para cada situação, uma dessas linguagens é a mais adequada!

Fontes:
exame.abril.com.br
wikipedia
alunosonline.uol.com.br

Tropeçando na língua portuguesa?

Por que será que a gente nunca tem certeza dos porquês do uso dessa expressão? A língua portuguesa não é fácil (eu já comentei sobre isso neste post), mas também não é o fim do mundo.

Ortografia, cujo significado é escrever direito, é um dos assuntos mais temidos pelos jovens  em virtude do número de regras existentes. É difícil memorizar todas, pois não leem muito nem escrevem sistematicamente, dois dos principais segredos para aprender a escrever as palavras adequadamente.

Quem tem o hábito de realizar boas leituras e de escrever ao menos um texto por semana aprende com mais facilidade a arte de escrever corretamente, se aliar a isso consultas constantes a dicionários de boa qualidade.

Mas concordo que o nosso idioma tem muitas “pegadinhas”. Veja só:

Por que, porque, por quê ou porquê:

Forma Quando usar Exemplo
Por que Nas perguntas ou quando estiverem presentes (mesmo que não explícitas) as palavras “razão” e “motivo”. Por que você não aceitou o convite?

Todos sabem por que motivo ele recusou a proposta. Ela contou por que (motivo, razão) estava magoada.

Por quê Nos finais de frases. Por quê? Você sabe bem por quê.
Porque Quando corresponder a uma explicação ou a uma causa. “Não, Bentinho; digo isto porque é realmente assim, creio…” (M. Assis, Dom Casmurro). Comprei este sapato porque é mais barato.
Porquê Quando é substantivado e substitui “motivo” ou “razão”. Não sabemos o porquê de ela ter agido assim. É uma menina cheia de porquês.
Gerundismo

zumbis-gerundistas

O gerúndio expressa uma ação que está em curso ou que ocorre simultaneamente ou, ainda, que remete a uma ideia de progressão. Sua forma nominal é derivada do radical do verbo acrescida da vogal temática e da desinência -ndo.  Exemplos: comendo; partindo.

Veja, a seguir, o uso do gerúndio na prática:

E a lama desceu pelo morro, destruindo tudo que encontrava pela frente.

Depois de vários dias chuvosos o sol despontou, alegrando o coração de todos.

Rindo, ele se lembrava com saudades dos dias felizes que tivera.

Abrindo o laptop, começou a escrever.

Como vimos nos exemplos, o gerúndio pode ser empregado de diferentes maneiras em nossa língua sem que tenhamos praticado nenhuma heresia.

Já com o gerundismo é outra história. Nesse caso, trata-se do uso inadequado do gerúndio. Um vício de linguagem que se alastrou de modo tão corriqueiro e insistente que até já virou piada.

Então, se você usa expressões como: “Vou estar pesquisando seu caso.” “Vou estar completando sua ligação”, mude imediatamente sua fala para: “Vou pesquisar seu caso.” “Vou completar sua ligação.” Note que, nos dois casos, a ideia temporal a ser transmitida é a de futuro e não de presente em curso.

Quando usar “ç”

“Uma das intenções da casa de detenção é levar os que cometeram graves infrações a alcançar a introspecção, por intermédio da reeducação.”

Nessa frase, há seis palavras escritas com Ç: intenções, detenção, infrações, alcançar, introspecção e reeducação. As regras quanto ao uso do Ç são as seguintes:

1- Usa-se Ç em palavras derivadas de vocábulos terminados em -TO, -TOR e -TIVO. Por exemplo:

Canto – canção / Ereto – ereção

Infrator – infração / Setor – seção

Relativo – relação / Intuitivo – intuição

*Três palavras da frase apresentada obedecem a essa regra:

Intento – intenção

Infrator – infração

Introspectivo – introspecção

2- Usa-se Ç em substantivos terminados em -TENÇÃO derivados de verbos terminados em -TER:

Conter – contenção

Reter – retenção

Deter – detenção

3- Usa-se Ç em verbos terminados em -ÇAR cujo substantivo equivalente seja terminado em -CE ou em -ÇO:

Lance – lançar

Desenlace – desenlaçar

Abraço – abraçar

Endereço – endereçar

Almoço – almoçar

Uma palavra da frase apresentada obedece a essa regra:

Alcance – alcançar

4- Usa-se Ç em substantivos terminados em -ÇÃO derivados de verbos de que se retirou a letra R:

Exportar – exportação

Abdicar – abdicação

Abreviar – abreviação

*Uma palavra da frase apresentada obedece a essa regra:

Educar – educação.

Crase:

A palavra crase é de origem grega e significa fusão, mistura. Em gramática, basicamente a crase se refere à fusão da preposição a com o artigo feminino a: Vou à escola. O verbo ir rege a preposição a, que se funde com o artigo exigido pelo substantivo feminino escola: Vou à (a+a) escola.

No caso de ir a algum lugar e voltar de algum lugar, usa-se crase quando: “Vou à Bolívia. Volto da Bolívia”. Não se usa crase quando: “Vou a São Paulo. Volto de São Paulo”. Ou seja, se você vai a e volta da, crase há. Se você vai a e volta de, crase pra quê?

É erro colocar acento grave antes de palavras que não admitam o artigo feminino a, como verbos, a maior parte dos pronomes e as palavras masculinas.

A tabela resume os principais casos em que a crase deve (ou não) ser utilizada:

 

É preciso paciência. Só aprende a escrever adequadamente quem treina sistematicamente.

 

 

 

Fonte:

UOL Educação

UOL Vestibular

Curiosidade e insônia fazem de brasileira a maior editora da Wikipedia em português

A edição em português da Wikipedia – enciclopédia virtual colaborativa – tem mais de 670 mil artigos publicados. Entre os milhares de colaboradores voluntários da enciclopédia, uma brasileira, em específico, se destaca por ter editado sozinha 223.935 mil registros entre alterações e criações de itens.

Conhecida na Wikipedia pelo apelido “Nice poa”, a gaúcha de 64 anos fez questão de não se identificar, por medo de represálias de um grupo majoritário de usuários da enciclopédia virtual. Segundo ela, essas pessoas, algumas vezes, afastam os colaboradores antigos — diversas decisões, como por exemplo, o de exclusão de certos artigos passam pela votação deles.

Quase como uma terapia, Nice alcançou essa marca de mais de 200 mil edições, basicamente, por ter insônia – passa diversas madrugadas fazendo ou arrumando artigos – ou por curiosidade. Tudo começou ao tentar ajudar o filho em um trabalho para a faculdade. Na ocasião, notou que vários resultados iam para a Wikipedia. “Fui olhar [o site], achei interessante, fiz a primeira edição [registrada] e, assim, foi indo”, disse. Qualquer usuário com acesso à internet pode criar ou editar artigos na Wikipedia.

Apesar de ser uma publicadora ávida na Wikipedia, Nice permanece praticamente no anonimato. Poucas pessoas sabem que ela faz esse tipo de trabalho: apenas alguns familiares e amigos. Mesmo assim, “eles não gostam que eu edite, pois acham que eu estou perdendo tempo e não ganho nada com isso.”.

Em entrevista por e-mail ao UOL Tecnologia, a colaboradora da Wikipedia Nice conta o que a motivou a iniciar a edição dos artigos, sobre gente que usa mal a Wikipedia e de como é realizar um trabalho acessado por todos e com pouco reconhecimento. Confira abaixo os principais trechos:

UOL Tecnologia – Desde quando você edita artigos na Wikipedia?

Nice – Como registrada, edito na Wikipedia desde abril de 2006, mas antes editei algumas vezes como IP [sem cadastro formal. O IP – endereço que permite o acesso à internet – da pessoa fica registrado].

UOL Tecnologia – Como faz para se tornar um editor da Wikipedia?

Nice – Qualquer pessoa pode editar na wiki (e foi assim que comecei). Os wikipedistas mais antigos e os administradores estão sempre conferindo as edições de IPs e de novos usuários para verificar se não estão cometendo vandalismo ou fazendo autopromoção. Mas como há muitos colaboradores novos a cada dia que passa, nem sempre é possível ver tudo. E muita coisa indevida permanece meses, e até anos, até que por acaso alguém percebe, reverte a edição, ou a elimina.

UOL Tecnologia – O que a motivou a começar a editar na Wikipedia?

Nice – O que me motivou foi a curiosidade. Um dia estava ajudando meu filho a fazer o trabalho de conclusão da faculdade, pesquisando na internet. E o que mais aparecia eram artigos da Wikipedia. Fui olhar, achei interessante, fiz a primeira edição, e assim foi indo.

UOL Tecnologia – Dê alguns exemplos de artigos que você já criou na Wikipedia. E quais você mais gosta?

Nice – Gosto muito de cinema e criei incontáveis artigos sobre filmes e atores. Já criei centenas de artigos de filmes brasileiros e de outros países. Alguns exemplos: o da atriz Bárbara Paz (criado em 2006) e o filme “Asa Branca – Um Sonho Brasileiro”. Mas também já fiz artigos sobre gêneros cinematográficos, aquários pelo mundo, contos de fadas e biografias de artistas plásticos.

Não tenho como dizer um ou dois artigos melhores, porque escrevi muitos artigos, e nem lembro mais quais eu acho os melhores. A página que contém a lista com os artigos criados por mim nem abre até o fim.

UOL Tecnologia – Com que frequência você acessa a Wikipédia para editar?

Nice – Acesso a Wikipédia quase todos os dias, sempre que tenho tempo livre e, especialmente, durante a madrugada, pois tenho insônia. Mas quando viajo, nem olho para o computador e muito menos para a Wikipedia.

UOL Tecnologia – As pessoas que você conhece têm ideia que você é uma das principais editoras da Wikipedia em português? O que elas acham disso?

Nice – Não são muitas as pessoas que sabem que eu edito na Wiki, além do marido, filhos e alguns amigos. Meu marido e meus filhos não gostam que eu edite, pois acham que eu estou perdendo tempo e não ganho nada com isso.

UOL Tecnologia – Você já foi reconhecida alguma vez ou o fato de você utilizar um nickname (apelido) faz com que você passe despercebida?

Nice – Acho que nunca fui reconhecida por ninguém, apesar de que meu nickname é o meu apelido mesmo na vida real. E eu também não fico falando muito sobre isso.

UOL Tecnologia – Como é prestar um serviço para todas as pessoas que falam português no mundo e ser quase anônima?

Nice – Nem sei se este serviço merece reconhecimento. Na verdade, não espero reconhecimento de ninguém. Ou talvez, esperasse reconhecimento pela dedicação apenas de meus companheiros da wiki. Mas o ambiente da wiki é bastante competitivo, às vezes beira o bullying por parte de alguns colaboradores.

O fato é que há um grupo de usuários que mudou as regras na Wikipedia e, por serem muitos, conseguiram afastar vários colaboradores antigos – alguns até que começaram antes de mim. Quando o assédio desse tipo de usuário aumenta, eu me afasto e volto após um tempo.

UOL Tecnologia – Existem muitas pessoas que usam a Wikipedia para fazer propaganda?

Nice – Tem gente que edita na Wiki desinteressadamente e há outras pessoas que usam por interesse pessoal (para colocar o currículo) ou corporativo (para promover a empresa em que trabalha ou presta serviço).

Muitos acabam entendendo qual é a função da Wiki e se tornando colaboradores dedicados. Políticos (ou alguém a mando deles) também editam muito, escrevendo suas biografias e dando destaque aos seus feitos –especialmente quando as eleições estão próximas.

(do UOL Tecnologia)

Utilidade Pública: Pense Bem antes de Falar

A gente fala muitas coisas sem pensar. O resultado pode ser catastrófico, dependendo da situação e do que a gente diz. Ou pode nos constranger, especialmente quando usamos frases feitas e clichês e nem pensamos em seu significado. Quer alguns exemplos? Estão abaixo:

1. Planos ou projetos para o futuro.

Alguém faz planos para o passado?

2. Conviver junto.

É possível conviver separadamente?

3. Sorriso nos lábios.

Quem já viu sorriso nos umbigos?

4. Viúva do falecido.

Sem comentários…

5. Vamos manter o mesmo time.

Ora, como se pode manter outro time??

6. Labaredas de fogo.

Não dá pra ser uma labareda de água…

7. Encarar de frente.

Existe alguém que encara de lado?

8. Países do mundo.

E de onde mais podem ser os países??

9. Pequenos detalhes.

Se já são detalhes…

10. Monopólio exclusivo.

Se já é monopólio…

Expressões curiosas da língua portuguesa

Sempre quis descobrir a origem de certas expressões da nossa língua, e ainda bem que diversos estudiosos, dentre eles o prof. Pasquale, fizeram esse trabalho. Veja só:

JURAR DE PÉS JUNTOS:
“Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu”.

A expressão teria surgido por conta das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado pra dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado pra expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

MOTORISTA BARBEIRO:

“Nossa, que cara mais barbeiro!”

No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também tiravam dentes, cortavam calos, etc., e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão “coisa de barbeiro”. Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de “motorista barbeiro”, ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira.

TIRAR O CAVALO DA CHUVA:

“Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!”

No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia colocar o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: “Pode tirar o cavalo da chuva”. Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.

DAR COM OS BURROS N’ÁGUA:

A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante, o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.

PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, as leis eram criadas apenas “para inglês ver”. Daí surgiu o termo.

NHENHENHÉM:

Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indígenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer “nhen-nhen-nhen”.

VAI TOMAR BANHO:
Em “Casa Grande & Senzala”, Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore para limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Então, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com frequência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem “tomar banho”.

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA:
Um de seus primeiros registros literários foi feito pelo escritor latino Ovídio ( 43 a .C.-18 d.C), autor de célebres livros como “A arte de amar “e “Metamorfoses”. Escreveu o poeta: “A água mole cava a pedra dura”. É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase para que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio, os portugueses e os brasileiros.

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS

 

A expressão “onde Judas perdeu as botas” é usada para designar um lugar distante, desconhecido e inacessível. Existe uma história não comprovada que relata que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhara por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem seus sapatos, saíram em busca dos mesmos e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se tais botas foram achadas. Acredita-se que foi assim que surgiu tal expressão.

DOR DE COTOVELO

A expressão “dor-de-cotovelo”, muito usada para se referir a alguém que sofreu uma decepção amorosa, tem sua origem na figura de uma pessoa sentada em um bar e com os cotovelos em cima do balcão, enquanto toma uma bebida e lamenta a má sorte no amor. Tipo “meu mundo caiu…”, “ninguém me ama…”.  De tanto o apaixonado ficar com os cotovelos apoiados sobre balcão, eles deveriam doer. Esta é a ideia por trás da expressão.

ACABAR EM PIZZA

Uma das expressões mais usadas no meio político é “tudo acabou em pizza”, empregada quando algo errado é julgado sem que ninguém seja punido. O termo teria surgido no  futebol. Na década de 1960, alguns cartolas palmeirenses estariam reunidos para resolver alguns problemas e, durante 14 horas seguidas de brigas e discussões, ficaram com muita fome. Assim, todos foram a uma pizzaria, tomaram muito chope e pediram 18 pizzas grandes. Depois disso, simplesmente foram para casa e a paz reinou de forma absoluta. Após esse episódio, o jornalista Milton Peruzzi, que trabalhava  num jornal muito popular na época, A Gazeta Esportiva, deu a seguinte manchete: “Crise do Palmeiras termina em pizza”. Daí em diante o termo pegou.

DE MÃOS ABANANDO

Na época da intensa imigração no Brasil, no começo do século passado, os imigrantes tinham que ter suas próprias ferramentas. As “mãos abanando” eram um sinal de que aquele imigrante não estava disposto a trabalhar. A partir daí o termo passou a ser empregado para designar alguém que não traz nada consigo. Uma aplicação comum da expressão é quando alguém vai a uma festa de aniversário sem levar presente, por exemplo.

LÁGRIMAS DE CROCODILO

Quando dizemos que uma pessoa está chorando “lágrimas de crocodilo”, estamos querendo dizer que ela está fingindo, chorando de uma forma falsa. Tal expressão, utilizada no mundo inteiro, veio do fato de que o crocodilo, quando está devorando suas presas, faz uma pressão muito forte sobre o céu da boca e estimula suas glândulas lacrimais, dando a impressão de que o animal está chorando. Obviamente, o animal não “chora”, por isso surgiu a expressão popular.

DOURAR A PÍLULA

Antigamente, as farmácias embrulhavam as pílulas em papel dourado, para melhorar o aspecto do remedinho amargo. A expressão  significa melhorar a aparência de algo.

ESTAR COM A MACACA

A origem da expressão significava que a pessoa estava possuída pelo demo. Em algumas culturas, palavras tipo demônio, capeta ou diabo são sinais de má sorte. Para atenuá-los, esses vocábulos têm sido substituídos por cão e macaca. Atualmente, a expressão caracteriza a pessoa nervosa, estressada, irritada.

ERRO CRASSO

Licínio Crasso foi membro do primeiro triunvirato romano, juntamente com Pompeu e Júlio César. Era um político medíocre, ambicioso e interesseiro (lembra alguém entre os políticos brasileiros?…). Tomou a ofensiva na Síria contra os Partos, mas foi derrotado por um erro grosseiro de estratégia militar, que lhe custou a vida. Confiante na superioridade numérica de seu exército, e disposto a estraçalhar logo o inimigo, decidiu ganhar tempo cortando caminho por um vale estreito. Os sírios então fecharam as duas únicas saídas e o exército romano foi massacrado, incluindo ele próprio. Foi a decisão mais estúpida da história militar. Daí o significado da expressão.

A lógica dos portugueses

Estive algumas vezes em Portugal e, em todas elas, sempre fui muito bem tratado. Adorei o país, as cidades que visitei, o povo… E lá descobri que as piadas que os brasileiros contam, na verdade, retratam uma lógica diferente. De fato, vivi situações nas quais o meu uso do idioma, que de fato não pode ser chamado de língua portuguesa, mas de língua “brasileira”, estava errado se comparado ao uso que o português faz, que é mais literal, cultiva um preciosismo de sintaxe.

Recebi alguns exemplos disso que falo, gentilmente enviados por Clene Salles (https://www.facebook.com/Clene.Salles) e que transcrevo abaixo. Não sei quantos desses exemplos são histórias verídicas, mas a julgar pelo que vivi, podem ser reais:

***

Um brasileiro estava em Lisboa e numa sexta-feira perguntou a um comerciante se ele fechava no sábado. O vendedor respondeu que não. No sábado, o brasileiro voltou e deu com a cara na porta.
Na segunda-feira, cobrou irritado do português:
– O senhor disse que não fechava!
O homem respondeu :
– Mas como vamos fechar se não abrimos?

***

Um jornalista hospedou-se há um mês num hotel em Évora. Na hora de abrir a água da pia se atrapalhou, pois na torneira azul estava escrito ‘F’ e na outra, preta, também ‘F’. Confuso, quis saber da camareira o porquê dos dois ‘efes’. A moça olhou-o com cara de espanto e respondeu, como quem fala com uma criança:

– Ora pois, fria e fervente.

***

Em Lisboa, a passeio, resolveu comprar uma gravata. Entrou numa loja do Chiado e, além da gravata, comprou  ainda um par de meias, duas camisas sociais, uma polo esporte, um par de luvas e um cinto. Chorou um descontinho, e pediu para fechar a conta. Viu então que o vendedor pegou um lápis e papel e se pôs a fazer contas, multiplicando, somando, tirando porcentagem de desconto, e aí intrigado, perguntou:
– O senhor não tem máquina de calcular?
– Infelizmente não trabalhamos com electrónicos, mas o senhor pode encontrar na loja justamente aqui ao lado…

 

***

O brasileiro examina o cardápio em um restaurante de Lisboa e chama o garçon para tirar uma dúvida.
– Amigo, como é que vem este Filé à Moda da Casa?
Ao que o garçon responde sem pestanejar
– Sou eu mesmo que o trago.
***

E a melhor….O casal de brasileiros entra num restaurante na rua do Diário que tem uma vista bonita para o rio e pergunta:
– Podemos sentar naquela mesa que tem a vista para o rio?
No que o garçon responde:
– Acho melhor os senhores sentarem nas cadeiras!

2-Restaurante

 

Americano no supermercado

Essa é velha, mas ainda dou risada!

Um norte americano, morando há pouquíssimo tempo no Brasil, e falando pouco o português, faz a sua lista de compras e vai ao supermercado para tentar abastecer a sua despensa e geladeira.

Tendo feito a lista, a seu modo, e com o carrinho à frente, vai lembrando-se do que precisa:

PAY SHE
MAC CAR ON
MY ONE EASY
PAUL ME TOO
ALL FACE
CAR NEED BOY ( MAIL KILO )
AS PAR GOES
KEY JOE ( PARM ZOOM)
COW VIEW FLOOR
BETTER HAB
LEE MOON
BEER IN GEL
THREE GO
PAY TO THE PIER YOU

Ao final ainda dá um tapa na testa, dizendo :

PUTZ GRILL LOW ! IS KEY SEE O TOO MUCH….