Brasil, meu Brasil brasileiro

Simplificando, os brasileiros se dividem em 3 espécies:

  1. O “bovino”, aquele que – não apenas por sua culpa ou escolha – é mantido na ignorância e não sabe de nada, só em lutar pela sobrevivência. Esse é o brasileiro que assiste a novela das 11 na Globo (a que trata da ditadura militar) e não entende nada do que rola porque não sabia que tivemos uma ditadura. É o que assiste a novela das 6 na mesma Globo (a que fala do D. Pedro I) e pergunta onde está o Pedro Álvares Cabral na trama. (OBS – isso foi identificado pela própria emissora, em suas discussões de grupo com espectadores).
  2. A “zelite”, aquele empresário ou político corrupto que vive numa realidade paralela e cuja única conexão com o mundo real é feita na hora de coletar seu dinheiro.
  3. O “otário da classe mérdia”, o brasileiro que rala a vida toda para poder pagar sua casa ou seu carro financiado, que paga seus impostos, que comete uma corrupçãozinha aqui e ali (dando um café pro guarda que o multou, por ex.) e se vê escorchado diariamente pela “zelite”.

(dentro dessas espécies, temos diversas variedades: jogadores de futebol que vieram da classe dos bovinos e hoje fazem parte da zelite; traficantes de drogas que circulam por todas as classes; estudantes da classe mérdia que vão às manifestações pra matar aula na faculdade; juízes do STF que fazem parte da zelite mas estão associados ao crime organizado e por aí vai…)

O brasileiro da espécie 3 tem um inimigo poderoso, o Estado. Prefeituras, governos estaduais, governo federal exploram o “otário da classe mérdia” desde que o Brasil é o Brasil. E esse Estado  vem num processo de corrosão há anos, alimentado pela corrupção e incompetência, e nos levou à atual “estagflação”, estagnação com inflação.

Gerando mais miséria, desemprego e violência.

Aí, o “otário da classe mérdia”, que vota em todas as eleições na esperança de escolher o menos pior, vê a “zelite” que ele colocou no poder debochar da cara dele diariamente, cuspindo seu cinismo, mentindo e fazendo negociatas para continuar mamando nas tetas da Grande Mãe Terra Brasilis.

E hoje, esse brasileiro tem ódio e vergonha. É o que se vê e ouve no busão, no metrô, nos táxis, nas rodinhas, nos trens… É gente desejando o pior àquele membro da “zelite”, é aquela teoria da boa índole indo pro ralo.

O “otário da classe mérdia” está cansado de tanta orgia, de tanta podridão, de tanta violência. Ele mal consegue viver seu presente, e enxerga seu futuro ameaçado. E, frustrado, escolhe alguém que diz não fazer parte da “zelite”, para que esse justiceiro coloque o país nos trilhos e nos livre da escória que há tanto tempo nos domina.

Moral da história:

O brasileiro “otário da classe mérdia”, que colocou o justiceiro lá, continua ralando o resto de sua vida pra pagar a prestação da casa própria e do Fiat Uno 1996.

O brasileiro “bovino” vai continuar alheio a tudo, assistindo o programa do Faustão aos domingos.

E aquele justiceiro, eleito para salvar a Pátria, descobriu-se depois que fazia parte da “zelite”, e se disfarçou de “caçador de corruptos” como um plano da própria “zelite” para continuar no poder.

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios

Que tal uma voltinha no Inferno?

Quem vive no Brasil – ou mesmo os brasileiros que estão fora do país, mas acompanham a nossa situação – sabe do que estou falando… Há uma crise sem precedentes, uma completa falta de ética e de honestidade de nossos governantes, há uma falência geral do Estado, um desemprego galopante, miséria agravada… Além de baderna generalizada, vandalismo, devastação sem igual e uma ignorância monumental que atinge tanto a “zelite” quanto os mais pobres.

É a mais perfeita descrição do inferno. E me fez lembrar do “Inferno” descrito por Dante Alighieri… Quer comparar? Pois bem, faremos uma viagenzinha pelo lugar que ele descreveu e confira se não tem muito a ver com o Brasil atual!

A Divina Comédia é com certeza um dos maiores poemas já escritos, não só por conter em sua estrutura 100 cantos e 14.233 versos, mas por ter sido fonte de inspiração para grandes nomes da arte, resultando em dezenas de obras baseadas na viagem de Dante Alighieri pelo Inferno, Purgatório e Paraíso.

Uma dessas obras é o chamado “Mapa do Inferno”, de Sandro Botticelli, e retrata os Nove Círculos concêntricos descritos no poema, com todo o sofrimento dos que tiveram esse como seu destino final.

Quem foi Dante?

Dante Alighieri nasceu em Florença, na Itália, em maio de 1265; era escritor, poeta, político, e suas inúmeras obras lhe renderam o título de “Il sommo poeta”. Mas Dante não é lembrado apenas por ter redigido uma das obras-primas da literatura universal. Sua paixão pela jovem Beatriz Portinari deixou grandes marcas na sua história, estando ela presente na “Divina Comédia” como sua guia pelo que equivale à terceira e última parte do poema, o “Paraíso”, além de ter sido uma de suas grandes fontes de inspiração para outros poemas. Dante foi exilado de sua amada Florença e faleceu em Ravena no ano de 1321.

Dante Alighieri

Agora, vamos dar início ao nosso passeio pelos Nove Círculos por onde Dante andou guiado pelo seu mestre, o poeta Virgílio. O Inferno descrito por Dante está em forma de um funil, que segue em direção ao centro da terra, onde Lúcifer está à espera. Em cada círculo, são punidos pecados distintos, de acordo com sua gravidade. Os pecados menos graves são punidos nos primeiros círculos e os mais graves, nos últimos.

E lá vamos nós…. “Deixe toda esperança, ó vós que entrais”.

O primeiro círculo – o Limbo, é destinado aos pagãos virtuosos e aos não batizados, àqueles que morreram antes da vinda de Jesus Cristo, e suas almas vagam pela mais completa escuridão, o que representa a não iluminação daqueles que não conheceram o Evangelho e seus ensinamentos.

No segundo círculo – Vale dos Ventos, encontra-se a sala do julgamento, é lá que o juiz do inferno, chamado Minos, ouve a confissão dos mortos e os destina a um dos nove círculos. Ele faz isso enrolando sua enorme cauda envolta do corpo, cada volta representando um círculo abaixo. Nesse mesmo círculo estão aqueles que cometeram o pecado da luxúria, que são atormentados por furacões e ventanias representando os vícios da carne.

Minos

Minos

No terceiro círculo – Lago da Lama, encontram-se os gulosos, atolados numa lama suja, e são punidos ao ficarem prostrados debaixo de uma forte chuva de granizo, água e neve, sendo arranhados, esfolados e dilacerados por um enorme cão de três cabeças chamado Cérbero, que retrata o apetite sem fim. O lugar ideal para os políticos brasileiros, em sua maioria…

Cérbero

Cérbero

O quarto círculo – Colinas de Rocha, é o destino dos pródigos e avarentos, que possuem como punição rolar grandes pesos, que representam as suas riquezas e estão fadados a trocarem injúrias entre si.

O quinto círculo – Rio Estige, abriga os acusados de ira, que ficam amontoados em um lago formado de água e sangue borbulhante, batendo-se e torturando-se. No fundo do Estige, estão os rancorosos que não demonstraram sua ira e permanecem proibidos de subir à superfície.

Sexto círculo – Cemitério de Fogo, lugar dos que em vida foram hereges, os que não acreditaram na existência de Deus e de Jesus como seu Filho. A punição que eles recebem é o sepultamento em túmulos abertos, de onde sai fogo (o que nos lembra a sentença dada aos condenados por heresia pela Igreja, que eram queimados em fogueiras).

O sétimo círculo – Vale do Flegetonte é o destino dos que praticam violência. Esse círculo é dividido em três vales:

No primeiro vale (Vale do Rio Flegetonte), estão as almas dos que foram violentos contra o próximo, e aqui eles permanecem mergulhados em um rio feito com o sangue dos que eles oprimiram. Na margem do rio ficam o Minotauro de Creta e centauros, que atiram setas nas almas que se erguem do sangue;

No segundo vale (Vale da Floresta dos Suicidas) estão os que praticaram violência contra si mesmo, que se transformam em árvores sombrias e retorcidas;

No terceiro vale (Vale do Deserto Abominável), estão os que praticam violência contra Deus, contra a natureza e contra a arte, e são condenados a permanecer em um deserto de areia quente, onde chovem chamas de fogo, um lugar estéril e sem vida, contrário ao mundo criado por Deus.

Vale do Flegetonte

Vale do Flegetonte

O oitavo círculo – Malebolge, é dividido em dez fossos, onde são punidos diversos pecados:

No primeiro fosso estão os rufiões e sedutores, açoitados continuamente pelos demônios, que os obrigam assim a cumprir os seus desejos;
No segundo, estão os aduladores e lisonjeiros, imersos em fezes e esterco, que representam a sujeira que deixaram no mundo, resultado do proveito que tiravam dos medos e desejos dos outros e das falsas palavras proferidas;
O terceiro é destino dos simoníacos, enterrados de cabeça para baixo e com as pernas sendo queimadas por chamas;
No quarto, encontram-se os adivinhos, que como punição têm suas cabeças voltadas para as costas, impedindo-os de olhar pra frente;
No quinto fosso estão os corruptos, submersos em um lago de piche fervente;
No sexto são punidos os hipócritas, vestidos em pesadas capas de chumbo dourado;
No sétimo estão os ladrões, que são picados por serpentes que os atravessam e os desintegram;
No oitavo são castigados os maus conselheiros, aqui envolvidos por infinitas chamas, e padecem ardendo;
O nono fosso abriga os que semearam a discórdia, e são então esfaqueados e mutilados por demônios que lhes arrancam o que representa a discórdia semeada;
No décimo fosso, os falsários são punidos com úlceras fétidas e diversas enfermidades…

(pensando melhor, é aqui que deveriam ficar os nossos políticos!)

inferno-simony

O nono e último círculo – Lago Cócite, cujo pavimento é formado por gelo, é onde estão presos os traidores. Este círculo é dividido em quatro esferas:

A primeira esfera é a de Caína, onde são punidos os que traem seus parentes, que ficam apenas com o tórax e a cabeça fora do gelo. O nome Caína faz referência a Caim, que matou seu irmão Abel.
Na segunda esfera, a esfera de Antenora, estão os que traíram sua pátria, aqui apenas as cabeças ficam fora do gelo;
A terceira esfera, chamada esfera da Ptoloméia ou Toloméia, é onde os traidores de seus convidados são punidos, ficando apenas com o rosto exposto e, quando choram, suas lágrimas congelam e cobrem os seus olhos;
A última esfera é a esfera Judeca, e seu nome faz referência ao traidor mais conhecido, Judas Iscariotes; e é o destino dos que traíram seus senhores e benfeitores, permanecendo completamente submersos no lago de gelo, conscientes. No meio da esfera está Lucífer que, com suas três cabeças, prende de um lado Judas, e do outro Brutus e Cássio, responsáveis pela morte de Júlio César.

Lúcifer

Lúcifer

Ao passar por todos os círculos, valas, fossos e esferas, Dante e Virgílio chegam ao centro da Terra e é lá que começa a subida em direção à saída, em busca do céu estrelado, da luz no fim do túnel, encerrando assim a viagem pelo temido inferno.

Que tal? Com que se parece essa descrição?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

Christine Alencar

laparola.com.br

 

 

Quando São Paulo elegeu um rinoceronte

Muito em breve, teremos eleições para prefeito e vereador em todo o país. Será o momento de ouvirmos de novo aquele monte de promessas, de gente sendo aliciada para votar neste ou naquele candidato, de discussões e bate-bocas sobre qual o melhor candidato, torcidas organizadas, passeatas e comícios. E a volta do horário político na TV… ARGH!

Nada que seja diferente do que vem acontecendo no país desde o final da ditadura militar. E nada diferente do que acontecia antes dos militares assumirem o poder, em 1964.

O cordial povo brasileiro sempre se viu seduzido por promessas bonitas e elegeu inúmeros crápulas. Depois, ficou chorando e reclamando que “o governo é isso e aquilo”, esquecendo-se de que o “governo” foi eleito justamente… Pelo povo brasileiro.

Poucas vezes ele reagiu, porém. Uma dessas vezes foi em 1959… Getúlio Vargas havia morrido. O governador de São Paulo era Ademar de Barros, uma espécie de antepassado político de Paulo Maluf.

Ademar de Barros

Ademar de Barros

Uma das “tradições” da política brasileira é a do “rouba, mas faz”, sobre o governante que enfrenta denúncias de corrupção ao longo do mandato, mas é querido pelo povo por causa das obras que realiza. Foi deputado, prefeito da capital e governador do Estado de S. Paulo, e até hoje é identificado com esse lema, que dizem ter sido criado pelo próprio Ademar e copiado anos depois pelos correligionários do Maluf. Ademar de Barros, durante toda a sua carreira de 34 anos na política, colecionou feitos administrativos e suspeitas de desvio de dinheiro público. Fez escola, não?

Voltando, o eleitorado estava revoltado com a Câmara Municipal que, para variar, não estava se comportando muito bem. No meio de tudo isso, havia o rinoceronte Cacareco, que, vale dizer, era uma fêmea, apesar do nome.

Cacareco estava nas notícias porque saíra do Rio de Janeiro, emprestado por seis meses, para abrilhantar a inauguração do Zoológico de São Paulo, que ocorria naquele mesmo ano. Os seis meses iam se passando e os paulistas cogitavam a ideia de dar um calote e não devolver o rinoceronte.

No meio de um mar de lama da Câmara Municipal, em pleno período eleitoral, o assunto era o rinoceronte. Não que os políticos da época não ajudassem. Havia um de 230 kg, cujo slogan era “vale quanto pesa”. Outro andava por aí com uma onça e dizia: “eleitor inteligente vota no amigo da onça”.

Então, Cacareco ficou cada dia mais popular. Todos os jornais só falavam dele.

Uma conhecida fábrica de brinquedos chegou até a lançar uma miniatura do bicho!

O jornalista Itaboraí Martins brincou com isso, lançando a candidatura de Cacareco ao cargo de vereador. E não é que a ideia pegou?

Naquela época, a eleição era na base do papel e do envelope. O eleitor recebia um envelope das mãos do mesário e, dentro dele, botava a cédula do seu candidato, fosse ele quem fosse. Houve uma adesão gigantesca à candidatura de Cacareco e várias gráficas, de brincadeira, imprimiram cédulas com o nome do bicho. Muita gente achou legal ir pra rua e fazer campanha em nome do rinoceronte.

O que aconteceu a seguir parece piada, mas Cacareco recebeu cerca de 100 mil votos! Parece pouco diante do eleitorado de hoje, mas preste atenção no restante dos números. O candidato mais votado naquela eleição não teve mais que 110 mil votos e mesmo o partido que elegeu a maior bancada teve, ao todo, 95 mil votos.

Sua excelência, o rinoceronte Cacareco, nem pôde comemorar, coitado. Dois dias antes da eleição, o bicho foi devolvido para o zoo do Rio, sem muito alarde, como se fosse um anarquista subversivo.

O estrago, porém, já havia sido feito. Cacareco ganhou até as páginas do jornal “The New York Times”, que citava um eleitor:

– É melhor eleger um rinoceronte do que um asno.

Cacareco não foi o único animal a sair “candidato”. Houve o também famoso Macaco Tião, em Jaboatão elegeram um bode, mas por conta da quantidade de votos obtidos, o rinoceronte tornou-se o mais famoso caso de “voto de protesto” da história.

 

 

 

 

 

Fonte:

R7

 

Vai ter golpe? Historiadores comparam crise atual com a de 1964

No dia 13 de março de 1964, o então presidente do Brasil João Goulart fez um comício no Rio de Janeiro para pedir apoio popular e apresentar Reformas de Base (agrária, bancária, fiscal, urbana, administrativa e universitária). A estratégia não deu certo. Menos de um mês depois, os militares deram um golpe e assumiram o poder por 21 anos.

Exatamente 52 anos depois, milhares de brasileiros saíram às ruas para pedir a saída da presidente Dilma Rousseff. Em meio à crise política e com a ameaça real do impeachment, defensores do governo comparam o período atual com o golpe de 1964. Para saber o que há em comum e quais as diferenças entre as crises dos governos Jango e Dilma, conversamos com os historiadores José Otávio Nogueira e Antônio José Barbosa, ambos professores da UnB (Universidade de Brasília).

O que é parecido

Brasil em crise – 1964

João Goulart entrou no governo após renúncia de Jânio Quadros em 1961. Nos três anos de governo não conseguiu apoio parlamentar no Congresso Nacional. Como saída, buscava o apoio popular. Ao mesmo tempo, ele tentava agradar a direita realizando reformas ministeriais. Após anunciar as Reformas de Base, ele passou a se tornar uma “ameaça comunista” e o golpe foi questão de tempo.

Brasil em crise – 2016

O governo Dilma também vive uma crise política. Dilma tem problemas para aprovar projetos de interesse do governo no Congresso, tem índices de popularidade muito baixos e as operações da Polícia Federal têm desmoralizado seu governo. Como estratégia de governabilidade, oferece cargos a partidos e tenta buscar à militância de movimentos sociais. “Assim como no governo Jango, não há base alguma de governabilidade”, diz Nogueira.

Economia ruim – 1964

O Brasil enfrentava a inflação. O índice chegava a cerca de 90%. “Economicamente, havia uma crise muito maior. Falava-se em carestia, nem era em inflação. A própria situação econômica do país acarretou a pressão pelo fim do governo de Jango”, diz Barbosa.

Economia ruim – 2016

O Brasil também vive uma situação complicada em termos de economia. Apesar de não ser uma crise tão grande como a de 1964 (de acordo com a opinião de Barbosa), o país enfrenta aumento na inflação e queda no PIB.

O povo vai às ruas – 1964

Antes do golpe, diversas manifestações de rua aconteceram no país. Uma das mais importantes foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, ocorrida no dia 19 de março, em São Paulo. “Foi um movimento elitista. Havia uma elite política e militar envolvida com o golpe”, diz Nogueira. Além dessa marcha, aconteceram manifestações de apoio (como no anúncio das Reformas de Base) e oposição ao governo.

O povo vai às ruas – 2016

O cenário atual também fez com que a população organizasse manifestações. Desde as jornadas de junho de 2013, há manifestações contra (como a de 15 de março do ano passado) e a favor do governo (como manifestações organizados por movimentos sociais). “Os dois governos eram fracos. Em 1964, tentou uma última cartada: ficar ao lado do povo. Hoje, é povo que é que contra o governo e sai às ruas”, diz Barbosa.

Conservadorismo – 1964

Os protestos contra o governo Jango eram realizados por grupos que defendiam o combate à corrupção e a recuperação de valores morais e religiosos. O medo do comunismo era cada vez mais latente e os militares eram vistos como uma alternativa contra um “golpe comunista”.

Conservadorismo – 2016

No que se refere a uma onda conservadora, os historiadores discordam se ela toma conta da sociedade realmente. “Há um discurso moralizador em crescimento. Podemos comparar a bancada do Congresso do BBB (Boi, Bala e Bíblia) com a TFP (Tradição, Família e Propriedade), que organizou a Marcha da família”, diz Nogueira. Barbosa aponta que o discurso sobre o crescimento do moralismo é uma estratégia. “Eu vejo uma tentativa de quem está ao lado do governo de desqualificar conservadores”.

O que tem de diferente

Envolvimento internacional – 1964

O cenário internacional era muito diferente de hoje. No auge da Guerra Fria, EUA e URSS disputavam o controle político mundial. Neste sentido, o Brasil acabou se tornando estratégico para os americanos. “Anos depois do golpe, soube-se que os EUA tiveram participação direta”, diz Nogueira. “Havia um medo do comunismo e os militares se apoiaram nele para dar o golpe”, completa Barbosa.

Envolvimento internacional – 2016

Hoje, o comunismo quase não existe mais. E os EUA têm outras preocupações (como a questão do Oriente Médio) consideradas mais importantes do que quem fica no poder no Brasil. “Hoje ninguém está preocupado com o que acontece aqui”, diz Barbosa.

Papel das Forças Armadas – 1964

As Forças Armadas eram vistas como a salvação do país por parte de quem apoiava o golpe. Dois motivos apontavam para a força política da instituição: a democracia frágil e o fato de os militares já terem ocupado o poder (no início da República). “Podemos dizer que eles já haviam dado um golpe antes. Por isso, tinham força. Hoje [já] não têm essas forças”, aponta Barbosa.

Papel das Forças Armadas – 2016

Apesar de pequenos grupos defenderem a volta dos militares, a instituição não tem força política e apoio popular para dar outro golpe. “As Forças Armadas, hoje, têm um papel totalmente fora da política. Os generais falam que não vão agir contra o governo. Até porque o período militar desgastou a imagem deles”, aponta Nogueira.

Poder do Judiciário – 1964

Em 1964, não era só o Executivo que estava enfraquecido. Quando o Golpe de 64 aconteceu, o Legislativo foi atropelado. “Em 1964, houve um golpe. Os militares foram contra a Constituição Federal”, aponta Nogueira. “Não se tinha uma noção real de democracia no país”, completa Barbosa.

Poder do Judiciário – 2016

Nos dias atuais, o papel do Judiciário é outro. “Hoje, tenta-se tirar o governo pela via legal. E o Judiciário começou a ter um papel fortíssimo na política. É o STF que define os rumos do país”, aponta Nogueira. “Temos um Executivo fraco e um Legislativo [que funciona] pela Justiça. Aí, sobra o Judiciário, que simplesmente está agindo porque chegou a uma organização criminosa que está no poder. Isso sim é uma mostra que a nossa democracia evoluiu”, afirma.

 

Fonte:

UOL

 

Veja 10 exemplos de corrupção no cotidiano do brasileiro

Muito se fala atualmente sobre a corrupção no Brasil. Que nunca teve tanta corrupção, que nunca antes na história deste país se indiciou tantos corruptos e por aí afora. Que a corrupção é um problema crônico e que já nasceu na época da colonização portuguesa, e isso parece ser verdade. Os colonizadores vieram ao Brasil para explorar as riquezas naturais, sem se preocuparem com os índios, os habitantes originais destas terras.

Aliás, é provado que os primeiros a serem corrompidos neste país foram exatamente os indígenas, pois os portugueses os subornavam para conseguir tesouros, os escravizavam e os roubavam. Ou seja, historicamente, é um fato – embora não exclusivo daqui, uma vez que todos os conquistadores sempre fizeram isso com os povos subjugados…

Mas dois pontos são importantes a considerar nessa discussão: o primeiro é que o Brasil não é o país mais corrupto do mundo.

Veja no quadro abaixo, preparado pela Transparência Internacional (TI), uma organização não-governamental que tem como principal objetivo a luta contra a corrupção. Foi fundada em março de 1993 e encontra-se sediada em Berlim. Essa organização é conhecida pela produção anual de um relatório no qual se analisam os índices de percepção de corrupção dos países do mundo, e o quadro abaixo é do relatório mais recente. Nele, 100 é o menos corrupto e 0 é o mais corrupto. (se quiser enxergar melhor, clique em cima da imagem e ela vai se abrir em tamanho maior).

Transparency_international_2014Como se vê, nosso país está na média, e isso é um sinal positivo. De que temos um caminho a percorrer para diminuir a corrupção no Brasil, porque se estivéssemos no “vermelhão”, o melhor seria jogar a toalha, mesmo…

O segundo ponto tem a ver com o óbvio: no esquema, sempre existe o corrupto e o corruptor, e todos saem favorecidos nesse tipo de crime. Todos, menos a população honesta, que trabalha para garantir o sustento.

Eu sei que o Brasil é um Estado cheio de burocracia e falhas de gestão, onde se criam dificuldades para se vender facilidades. Sei também que a corrupção é marcada pelo clientelismo, o nepotismo e o oligarquismo. Tudo passa a ser um jogo político.

Mas, ainda acho que podemos começar a mudar esse jogo começando pelo nosso microcosmo: vamos nos lembrar de que nós também estamos cometendo deslizes éticos e morais.

Minha proposta é: vamos identificar esses péssimos hábitos em nosso cotidiano, e procurar corrigi-los. 

Se nossos valores forem diferentes dos valores dos candidatos aos cargos eletivos, não iremos elegê-los mais, e teremos mais força para cobrar daqueles que forem eleitos.

Veja só se você não cometeu um desses deslizes. Se sim, comece a corrigi-los:

1. Sonegação de imposto
A Sonegação de Imposto de Renda causa bilhões em prejuízo ao governo anualmente. Na hora de declarar aquela despesa, muitos brasileiros costumam utilizar notas fiscais que não se enquadram ou tentam arranjar dependentes para que a mordida do leão seja mais leve. O dinheiro sonegado poderia contribuir para a construção de estradas, hospitais e melhorar a infraestrutura do Brasil.

2. Carteirinha falsa

Se você não tem, deve conhecer alguém que possui uma carteirinha de estudante falsificada. “O ingresso é muito caro”, dirão alguns, tentando justificar seu ato de corrupção. O fato é que a carteirinha falsa já se espalhou de tal maneira que produtores de espetáculos praticamente dobraram o valor das entradas para poder compensar o dinheiro perdido com as falsificações. Sendo assim, quem é honesto e não cria um documento falso acaba pagando valores absurdos por causa da indústria das carteirinhas.

3. Compra de CNH

Eis uma das máfias mais conhecidas do brasileiro: a da compra de carteira de habilitação. Várias operações policiais já desmantelaram diversas quadrilhas especializadas em vender a carteira de motoristas. Os crimes vão desde a compra do documento até o pagamento do famoso “quebra” na hora da prova prática de direção.

4. Fazer hora no trabalho

Essa pode passar despercebida, mas é capaz de movimentar milhões em hora extra e gastos desnecessários nas empresas. Não existe uma pesquisa medindo quanto se é gasto por hora não trabalhada dos funcionários, mas é fácil encontrar aquele colega que fica enrolando no café…

5. Pirataria

Sabe aquela barraquinha de produtos piratas que existe em qualquer canto? Ela é um exemplo clássico de crime incorporado na sociedade brasileira. As vendas são feitas à luz do dia e sem o menor constrangimento, tanto para o vendedor quanto para o comprador. Isso serve também para os brinquedos ilegais, celulares roubados, cópia ilegal de livros, filmes ou músicas…

6 . Desrespeitar os outros

Aquela vaga de deficiente não é sua, a não ser que você tenha alguma deficiência, óbvio. É uma regra simples, mas facilmente ignorada. Do mesmo modo que não é difícil encontrar idosos em pé no ônibus ou metrô enquanto jovens ocupam os lugares reservados para tirar aquele cochilo.

7. Ganhando no troco

O rapaz do caixa dá um valor a mais em troco e você finge que está tudo certo e comemora a “sorte do dia”. A malandragem pode fazer com que a “lei do mais esperto” transforme tudo em uma bola de neve.

8. Pagando um “cafezinho”

Tem muita “autoridade” que adora um cafezinho, e vai lhe pedir a ajudinha se você cometer uma infração. Claro que o café vai ficar mais barato do que pagar pelo que você fez de errado. De novo, a lei do mais esperto entra em ação e muita gente se deixa corromper.

9. Contrabando Gourmet

Quem nunca viu aquele amigo indo para o exterior lotado de pedidos de quem ficou? “Me compra um Iphone e finge que ele é seu, tira da caixa”. É um contrabando “gourmet”, um pouco mais sofisticado daquele que já existe há décadas na velha fronteira com o Paraguai. Ou quem não conhece aquelas senhoras que vão pra Dubai e voltam com as malas cheias de artigos pra vender aqui, as “sacoleiras gourmet”? Esse pessoal que passa a perna na Receita Federal é tratado como herói, quando na verdade são corruptos, tanto quanto os políticos que desviam dinheiro.

10. Gatonet

Muita gente já ouviu falar naquele aparelhinho mágico que “abre todos os canais da sua TV a cabo”. Basta pagar uma vez e pronto, você tem todos os canais livres para consumo. Se não rolar dessa maneira, tem o primo do amigo do irmão que trabalha na operadora de TV a cabo e consegue liberar tudo por uma quantia bem camarada. Mais uma vez, a corrupção entrando na casa de cada um.

E ainda temos o “gato” da energia elétrica, do telefone, da água…

Cara, sabe que eu cansei dessa corrupção toda?

 

Fotos reveladoras de celebridades… E outras fotos incríveis!

As fotos abaixo, muitas delas nunca divulgadas antes, revelam facetas da personalidade ou momentos importantes de pessoas famosas e capturam a essência de eras passadas. Tenho certeza de que muitas delas irão surpreender você, com flagrantes curiosos, intrigantes e emocionantes. Por isso fotografia é uma arte tão especial: ela ajuda a capturar um momento e gravá-lo para sempre!

Obama no time de basquete do colégio onde estudou, em Honolulu, Havaí.

Schwarza quando chegou a Nova York, em 1968, e ficou besta com os edifícios altíssimos!

Os Beatles instantes antes de tirar sua mais icônica foto, para o álbum “Abbey Road”.

Falando em Beatles, aqui estão eles em Hamburgo, 1961, ainda com Pete Best na bateria, pouco antes do Ringo entrar na banda.

Já que falei dos Beatles, não posso deixar de mencionar os Rolling Stones, nesta foto em 1963.

Já que falei dos Beatles, não posso deixar de mencionar os Rolling Stones, nesta foto em 1963.

Bruce Lee em 1958, dançando cha-cha-cha. Ele foi um tremendo pé-de-valsa, campeão de um concurso desse ritmo em Hong Kong, naquele mesmo ano. Além de campeão de dança e mestre em artes marciais, Lee ainda era excelente boxeador!

Bruce Lee em 1958, dançando cha-cha-cha. Ele foi um tremendo pé-de-valsa, campeão de um concurso desse ritmo em Hong Kong, naquele mesmo ano. Além de campeão de dança e mestre em artes marciais, Lee ainda era excelente boxeador!

Bastidores da famosa cena de Batman e Robin escalando um edifício, da série de TV de 1966.

Bastidores da famosa cena de Batman e Robin escalando um edifício, da série de TV de 1966.

Como a cena ficou na TV.

Como a cena ficou na TV.

Adam West (Batman) e Leonard Nemoy (Spock) na bateria.

Adam West (Batman) e Leonard Nimoy (Spock) na bateria.

John Kennedy em Dallas, 1964, minutos antes de ser baleado.

John Kennedy em Dallas, 1964, minutos antes de ser baleado.

A última foto do Titanic, tirada em 1912, quando zarpava para sua trágica viagem.

Sean Connery e Ian Fleming (à esquerda na foto) no set do primeiro filme de James Bond, “O Satânico Dr. No”, em 1961. Fleming, criador do personagem, não queria Connery no papel. A lista de atores que ele escolhera incluía Cary Grant, David Niven, James Mason, Patrick McGoohan, Rex Harrison e Richard Burton, mas todos eram caros demais. Ele só foi conhecer Connery durante as filmagens…

Os mais antigos desenhos conhecidos do Mickey, feitos por Ub Iwerks entre fins de 1927 e início de 1928, depois de uma reunião com Walt Disney e seu irmão Roy, na qual definiram as características do personagem.

Anúncio numa revista nos Estados Unidos do começo dos anos 1980, falando do lançamento de um supercomputador com 10 Mb, pelo equivalente em dólares a “apenas” R$ 19.000,00…

A foto, de 1905, mostra o primeiro carregamento de bananas (3.000 quilos) a chegar à Noruega. Até então, as pessoas não encontravam muitos produtos, frutas ou verduras que não fossem produzidos ou cultivados localmente. Hoje, a Noruega é o segundo mercado importador de bananas na Europa, depois do Reino Unido.

O primeiro selfie no espaço foi tirado em 1966, pelo astronauta americano Buzz Aldrin durante a missão da Gemini XII. Três anos mais tarde, na missão Apolo XI, ele pisou na Lua.

O então presidente George W. Bush recebendo a notícia de que os aviões sequestrados por terroristas tinham derrubado o World Trade Center em Nova York, no fatídico 11 de setembro de 2001.

Hitler (de costas, o segundo da direita para a esquerda) inspeciona em 1941 a maior arma jamais construída na História, o supercanhão Dora.

O supercanhão pesava espantosas 1350 toneladas, media 47,3 metros de comprimento, 7,1 metros de largura e 11,6 metros de altura. Este colosso, com um cano de 32,48 metros, podia arremessar dois tipos de projétil: uma granada de alto explosivo de 4,8 toneladas que viajava a 820m/s e com um alcance de 48Km, e uma granada anticoncreto de 7 toneladas que podia atingir um alvo a 38Km de distância em menos de um minuto.

A deusa Marilyn Monroe entretendo as tropas americanas estacionadas na Coreia, em fevereiro de 1954.

Casal vitoriano passeando de bicicleta em 1890.

Annette Kellerman foi uma nadadora, atriz de cinema, escritora e defensora da natação profissional australiana. Kellerman ficou famosa por defender os direitos das mulheres usarem maiôs de uma peça, o que era um escândalo na época. No início de 1900, as mulheres usavam pesadas combinações e calças quando nadavam. Em 1907, no auge de sua popularidade, Kellerman criou um maiô de uma peça e foi presa por atentado ao pudor. A popularidade de seus maiôs de uma peça resultou na sua própria linha de roupa de banho para mulheres. 

O Ronald McDonald original, de 1963!

1961. Lanchonete dos funcionários da Disneylândia.

O que sobrou de um incêndio no Museu de Cera de Madame Tussaud em Londres, 1930.

Mitos sobre a ditadura militar no Brasil

Desde os protestos de 2014, quando milhões de pessoas saíram às ruas no Brasil para pedir o fim da corrupção, da impunidade e reclamar dos políticos (que, paradoxalmente, são os mesmos que essas pessoas elegeram…), surgiu um movimento que vem se alastrando. Esse movimento pede a volta dos militares ao poder, porque supostamente seriam eles os únicos capazes de acabar com a corrupção e prender os safados.

O curioso é que nem os militares querem isso. Ou pelo menos, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira não quer. Numa entrevista em 2014, ele disse:

— Não há salvadores da pátria. O problema do país é acertarmos em termos de escolha. É algo de formação das pessoas, de muito longo prazo. Nossa democracia está consolidada, mas me preocupa o fato de que a juventude em geral, o que inclui seus melhores quadros, está muito afastada da participação na política. Há muita gente que tem condições intelectuais e de formação e pode contribuir para o país mas não é cooptada pela política. A estrutura atual é perversa, e precisa ser mudada em profundidade.

Ele acrescentou ainda que pedir a volta dos militares é “estupidez”.

O que ocorre é que muita gente que apoia esse movimento não sabe, ou está mal informada, sobre o que realmente ocorreu. Então, farei um modesto esforço na tentativa de colocar alguns pingos nos “is” e demolir alguns mitos sobre a ditadura militar. Quem sabe isso ajude a esclarecer que nem tudo foi tão azul naqueles anos…  Vamos lá:

Tanques circulando nas ruas do Rio de Janeiro, concretizando a tomada do Governo pelos militares.

Tanques circulando nas ruas do Rio de Janeiro, concretizando a tomada do Governo pelos militares.

Em 1964, um golpe de estado derrubou o presidente João Goulart e instaurou uma ditadura no Brasil. O regime militar durou até 1985. Censura, exílio, repressão policial, tortura, mortes e “desaparecimentos” foram comuns nesses “anos de chumbo”

A ditadura no Brasil foi branda

Países como Argentina e Chile, por exemplo, teriam sofrido muito mais em “mãos militares”. De fato, a ditadura nesses países também foi sanguinária. Como no Brasil. Tanto lá como cá, houve torturas e assassinatos. Os 357 mortos e desaparecidos com relação direta ou indireta com a repressão da ditadura (segundo a lista da Secretaria de Direitos Humanos), estão sendo revisados e o número pode saltar para 957 mortos.

Tínhamos educação de qualidade

Mais ou menos… Houve um tempo, antes do regime militar, em que as escolas públicas eram de muito boa qualidade, ao menos nos grandes centros. Porém, o governo cortou na carne os investimentos nas escolas, praticamente desviando os recursos todos no Mobral (Movimento Brasileiro para Alfabetização) que fracassou. Então, as unidades privadas prosperaram. E faturaram também. Esse “sucateamento” também chegou às universidades.

A saúde não era o caos de hoje

Se hoje todo mundo reclama da “qualidade do atendimento” e das “filas intermináveis” nos hospitais e postos de saúde, imagina naquela época. Naquele momento, conviviam dois sistemas. Um custeado pelo Ministério da Saúde, público e gratuito, e outro bancado pela Previdência, subsidiado ao setor particular.  Já no final da década de 1960, o que se gastava nesta segunda ponta do serviço superava os investimentos diretos na assistência médica. Um grande problema foi a corrupção (Jura? Não me diga…) O pagamento aos hospitais privados era feito mediante a emissão de documentos chamados Unidades de Serviço (US). Amígdalas retiradas duas vezes e homens submetidos a partos foram algumas das irregularidades constatadas. Tem mais: planos de saúde ainda não existiam e o saneamento básico chegava a poucas localidades, o que aumentava o número de doenças.

Não havia corrupção no Brasil

Duvido, corrupção é um esporte nacional que veio junto com as caravelas e nunca foi esquecido… Depois da dissolução do Congresso Nacional, as contas públicas não eram analisadas, quanto mais discutidas. Além disso, os militares investiam bilhões e bilhões em obras faraônicas – como Itaipu, Transamazônica e Ferrovia do Aço -, sem nenhum controle de gastos. Esse clima tenso de “gastos estratosféricos” até levou o ministro Armando Falcão, pilar da ditadura, a declarar que “o problema mais grave no Brasil não é a subversão. É a corrupção, muito mais difícil de caracterizar, punir e erradicar”. Se o Armando Falcão, conhecido por ter sido Ministro da Justiça durante o governo do general Ernesto Geisel, falou isso…

FOTO SAO PAULO 31/05/1977 / FOTO DE ARMANDO FALCÃO. FOTO ARQUIVO/AE

Os militares evitaram a ditadura comunista

O governo João Goulart era constitucional. Seguia à risca o protocolo. Ele chegou ao poder depois da renúncia de Jânio Quadros, de quem era vice.

26-de-agosto-de-1961-Renúncia-Jânio-QuadrosPorém, quando Jango assumiu a Presidência, a imprensa bateu na tecla de que em seu governo havia um “caos administrativo” e que havia a necessidade de restabelecer a “ordem e o progresso” através de uma intervenção militar. Foi criada, então, a ideia da iminência de um “golpe comunista” e de um alinhamento à URSS, o que foi o motivo da intervenção. Goulart não era marxista. Antes de ser presidente, ele fora ministro de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek e estava mais próximo do populismo. Jango afirmou numa entrevista, anos depois da deposição, que havia uma confusão entre “justiça social” – o que ele pretendia fazer com as Reformas de Base – e comunismo, ideia que ele não compartilhava: “Justiça social não é algo marxista ou comunista”, disse. O mais grave, eu acho, é o resultado das pesquisas que o IBOPE (sim, ele já existia desde 1942) realizou sobre o governo Jango e que não foram divulgadas na época, pesquisa localizada nos arquivos que o Ibope doou à Unicamp:

· Em junho de 1963, Jango era aprovado por 66% da população de São Paulo, desempenho superior ao do governador Adhemar de Barros (59%) e do prefeito Prestes Maia (38%).

· Pesquisa de março de 1964 revela que, caso fosse candidato no ano seguinte, Goulart teria mais da metade das intenções de voto na maioria das capitais pesquisadas. Apenas em Fortaleza e Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek tinha percentuais maiores

· Havia amplo apoio à reforma agrária, com um índice superior a 70% em algumas capitais.

· Pesquisa na semana anterior ao golpe, realizada em São Paulo a pedido da Fecomercio, apontava que 72% da população aprovava o governo Jango.

·  Entre os mais pobres, a popularidade alcançava 86%.

· 55% dos paulistanos consideravam as medidas anunciadas por Goulart no Comício da Central do Brasil, em 13 de março, como de real interesse para o povo.

Jango e esposa no comício

Jango e esposa no comício

O Brasil cresceu economicamente

O que cresceu mesmo foi a dívida externa,  que perdurou gigantesca no mínimo dez anos depois do fim do regime militar. Em 1984, o Brasil devia a governos e bancos estrangeiros o equivalente a 53,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, o chamado “milagre econômico brasileiro” – quando o Brasil cresceu acima de 10% ao ano – mostrou de fato que a distribuição de renda se polarizou: os 10% mais ricos, que tinham 38% da renda nacional em 1960, chegaram a 51% da renda em 1980. Já os mais pobres, que tinham 17% da renda nacional em 1960, decaíram para 12% duas décadas depois. Quer dizer, quem era rico ficou ainda mais rico e o pobre, mais pobre.

Durante a ditadura, só morreram vagabundos e terroristas

Boilesen-morto-em-71

Boilesen morto em São Paulo, em 1971, pelos grupos extremistas.

Não. Morreram terroristas, sim, mas também soldados e civis inocentes – e outros nem tão inocentes (do ponto de vista dos extremistas), como Henning Albert Boilesen, um empresário dinamarquês radicado no Brasil, presidente da Ultragás e fundador do CIEE – Centro de Integração Empresa Escola. Este foi assassinado por causa das ligações dele com o delegado Fleury, e sua atuação para arrecadar fundos para financiar a OBAN (Operação Bandeirante). Criada para combater o terrorismo, misturando policiais civis e militares, acabou virando uma espécie de pedra filosofal do famigerado DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna). Mas, houve também o genocídio de povos indígenas na Amazônia durante a construção da Transamazônica. Segundo estimativas, durante a obra morreram 8.000 índios…

Naquele tempo, havia civismo e não tinha tanta baderna como greves e passeatas

Edson Luís foi o estudante secundarista (ensino médio) de 18 anos, morto no restaurante Calabouço no Rio de Janeiro pela PM durante um os inúmeros confrontos com o governo da ditadura militar. Ele foi o primeiro estudante assassinado pelas mãos da ditadura.

Edson Luís foi o estudante secundarista (ensino médio) de 18 anos, morto no restaurante Calabouço no Rio de Janeiro pela PM durante um dos inúmeros confrontos com o governo da ditadura militar

Quando os militares assumiram o poder, uma das primeiras medidas que tomaram foi assumir a possibilidade de suspensão dos diretos políticos de qualquer cidadão. Isso incluía a censura prévia, o controle das atividades dos sindicatos, a proibição ou a repressão às manifestações públicas, a prisão arbitrária, enfim… Tudo o que uma ditadura faz. Para que se tenha uma ideia do nível de repressão, cada jornal ou revista tinha um censor designado, que aprovava ou não o que seria publicado. Muitos jornais saíam com receitas de bolo ou trechos de “Os Lusíadas” no lugar de notícias que não agradassem ao regime militar…

As passeatas e os protestos foram muitos, e muita gente foi perseguida, presa ou torturada apenas por ser contra a ditadura – não que fossem terroristas.

Caso este resumo não tenha sido suficiente, há uma montanha de informações sobre esse período da nossa história na internet. Gaste um pouco de seu tempo estudando, caso tenha se esquecido, ou não saiba nada sobre o assunto.

A informação e o conhecimento sobre o passado são armas muito poderosas, porque nos ajudam a compreender o presente e a nos posicionar. Por isso, as ditaduras sempre perseguem quem informa, e destroem tudo aquilo que traga conhecimento.