Estes são os carros que Usain Bolt deixaria para trás numa arrancada de 100 metros

Vimos Usain Bolt fazer história durante as Olimpíadas do Rio. Mas, como se não bastasse, ele é recordista mundial nos 100 metros rasos, nos 200 metros e no revezamento 4×100. Quer dizer, é o homem mais rápido do mundo… Na corrida em que quebrou o recorde mundial dos 100 metros, Bolt completou a prova em 9,58 segundos, o que dá uma média de 37,5 km/h. Mas isso não é o mais impressionante.

Como se sabe, a prova dos 100 metros rasos inicia com os corredores posicionados em um bloco de largada, ou seja, com velocidade zero. Isso significa que Usain Bolt atinge uma velocidade bem maior que os 37,5 km/h da média. Quanto? Nada menos que 44,72 km/h. Impressionante? Pois saiba que essa velocidade não é atingida no final da corrida, e sim na marca dos 80 metros. Isso significa que Usain Bolt atinge 45 km/h em 7,8 segundos, de acordo com a medição oficial do Mundial de Atletismo de 2009, realizado em Berlim.

Se isso não parece muito, saiba que essa é uma aceleração média muito próxima a de alguns carros. Quer um exemplo? O Chevette 1.4 dos anos 1970 vai de zero a 100 km/h em 17 segundos, o que resulta em uma aceleração média de 1,63 m/s².

Como Bolt precisou de apenas 7,8 segundos para chegar aos 45 km/h, a aceleração média do atleta foi de impressionantes 1,61 m/s². Se Usain Bolt conseguisse chegar aos 100 km/h, provavelmente chegaria à essa marca junto com o Chevettinho.

Outro carro que chega junto com Bolt é o atual Fiat Uno 1.0, que tem seu tempo de aceleração divulgado de 14 segundos, mas leva cerca de 17 segundos, conforme testes da imprensa brasileira. O Fiat Qubo 1.4 Natural Power vendido na Europa é outro modelo que precisa de pouco mais de 19 segundos para chegar aos 100 km/h. Movido a gás, sua aceleração média é de 1,42 m/s², o que significa que ele chegaria aos 45 km/h de Bolt em 8,73. Perderia para o astro do atletismo!

Além destes dois, alguns carros simplesmente perderiam uma hipotética prova de 100 metros contra Usain Bolt. O clássico Karmann-Ghia 1500, por exemplo, tem uma aceleração média de 1,07 m/s² (zero a 100 km/h em 26 segundos!), o que significa que levaria 11 segundos para chegar aos 45 km/h que Bolt atinge em 7,8 s.

Na verdade, praticamente todos os Volkswagen a ar perderiam para o jamaicano – até mesmo a Kombi 1600 do início da década passada, que precisava entre 21 e 23 segundos para chegar aos 100 km/h, o que resulta em uma aceleração média de 1,2 a 1,3 m/s². Com isso, ela chega aos 45 km/h na casa dos 10 segundos. A essa altura, Usain Bolt já está descalço fazendo seu raio da vitória.

Os dois primeiros Mini também entram na lista. Mesmo sendo leves e diminutos, a aceleração dos carros não ajudaria a superar Usain Bolt. O Mini Mk1 850 tem uma aceleração média de modestos 0,95 m/s², enquanto seu irmão mais valente, o Mk1 997, consegue uma marca de 1,55 m/s². O primeiro levaria 13 segundos para chegar aos 45 km/h, enquanto que o segundo precisaria de 8 segundos, chegando bem perto do corredor.

Entre os carros mais modernos que perderiam a corrida para Usain Bolt, também podemos incluir o Tata Nano e o smart ForTwo a diesel (cara, quem aprovou essa ideia?). Com aceleração de zero a 100 km/h em 24 segundos, o indiano Tata tem uma aceleração média de 1,16 m/s², precisando de 10,7 segundos para chegar aos 45 km/h. O alemãozinho bebedor de óleo é mais esperto: com aceleração média de 1,56 m/s², ele chegaria aos 45 km/h em 7,9 segundos. Só com photo finish para definir…

Por último, você talvez conheça aqueles kei cars * europeus que podem ser dirigidos sem habilitação, os VSP . Todos eles têm velocidade máxima de 45 km/h, exatamente a velocidade que Usain Bolt atingiu em seu recorde mundial. Nessa categoria também podemos incluir o Renault Twizy 45. Mas este seria um páreo duro para Bolt: com o torque instantâneo do motor elétrico, o carrinho chega aos 45 km/h em 6 segundos.

Logicamente, a comparação entre Usain Bolt e os carros é meramente teórica: afinal, estamos falando de aceleração média, e a aceleração do mundo real — dos carros e de Bolt — não é constante, dependendo de uma série de fatores, dentre os quais a tração, relação de marchas, velocidade de trocas (se necessário), momento de inércia e velocidade/direção do vento.

Estes foram somente alguns carros que perderiam para Usain Bolt em uma corrida de 100 metros. Com base no cálculo da aceleração média, qualquer carro que leva mais de 17,2 segundos para acelerar de zero a 100 km/h perderia essa arrancada contra o herói jamaicano.

 

 

 

*Os kei cars, também conhecidos como keijidōsha (veículo a motor leve), é uma categoria japonesa de carros porte mini que gozam de vantagens tributárias e securitárias. Esse tipo de categoria de carros surgiu após a Segunda Guerra Mundial, como um incentivo do governo para reconstruir a indústria automobilística do país, e perdura até os dias de hoje, com algumas modificações ao longo do tempo. O blog O Treco Certo falará disso em outro post, é muito interessante.

 

Fonte:

 

Flatout.com.br

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Me, Tarzan

As Olimpíadas no Rio terminaram, com muitos medalhistas batendo recordes, e outros se aposentando. Um deles foi o fenomenal Michael Phelps, um dos maiores atletas de todos os tempos. Quebrou trinta e sete recordes mundiais e conquistou o maior número de medalhas de ouro olímpicas (oito) em uma única edição, nos Jogos de Pequim de 2008. O que será que ele vai fazer agora, que abandonou a natação? Não se sabe.

Será que vai seguir o caminho de outro nadador que teve uma carreira excepcional, tendo conquistado cinco medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928? Ele estabeleceu 67 recordes mundiais de natação e ganhou 52 campeonatos nacionais, sendo considerado um dos melhores nadadores de todos os tempos.

Estou falando de Johnny Weissmuller, medalhista olímpico na natação, mas que ficou muito mais conhecido por interpretar Tarzan no cinema, depois que se aposentou das piscinas. Ele é o dono do grito imortal:

Janos (Johann) Weiszmueller nasceu em 2 de junho de 1904 na cidade de Szabadfalu, na Romênia, cuja população era uma mistura de rumenos, austríacos, sérvios, húngaros e austríacos. Em 1905, os Weiszmueller tiveram outro filho, Petrus, que nasceu na Pensilvânia, nos Estados Unidos, para onde a família emigrara.

Aos doze anos de idade, Johnny saiu da escola pública e, para ajudar nas despesas da família, trabalhou como mensageiro de hotel e depois como ascensorista, frequentando, nas horas vagas, uma escola de natação. Em 1916, ele entrou para a equipe de natação da YMCA (Young Men’s Christian Association). Pouco tempo depois, encontrou o homem que mudaria sua vida: o técnico “Big Bill” Bachrach, principal treinador do Illinois Athletic Club de Chicago. Johnny começou seu treinamento sob as ordens de Bachrach em outubro de 1920, e se preparou para a Olimpíada.

Durante alguns meses de 1922 e todo o ano de 1923, Johnny venceu prova após prova. Na Olimpíada de 1924, Johnny Weissmuller ganhou medalhas de ouro nos 100 e 400 metros em estilo livre, e uma terceira medalha de ouro integrando a equipe de revezamento para os 800 metros.

No seu retorno aos Estados Unidos, ele descobriu que havia se tornado uma celebridade. Todo mundo queria conhecê-lo, desde o presidente americano até as maiores celebridades do país. Seu treinador vetou a maioria dos convites, mas como era fã de Douglas Fairbanks, aprovou uma visita ao estúdio da MGM.  Durante o almoço, Johnny foi apresentado a um homem chamado Sol Lesser, que o ignorou completamente. Lesser estava tentando convencer Fairbanks a realizar um filme baseado em Tarzan of the Jungle de Edgar Rice Burroughs, porém, Fairbanks não estava interessado. De repente, Fairbanks olhou para Johnny e disse: “E este rapaz? Seu nome é Johnny Weissmuller, ele é um ídolo nacional da natação, e até que se parece com Tarzan, você não acha?”. Lesser se virou e olhou pela primeira vez para Johnny. “Acho que não”, respondeu Lesser. “O que precisamos para este papel é de um astro!”. Assunto encerrado.

Na Olimpíada seguinte, de 1928, ele ganhou mais duas medalhas e nem teve tempo de curtir a fama. Mal chegou em casa e seu treinador o levou a uma competição no Japão. Os treinadores japoneses ficaram muito impressionados com o jovem nadador americano e lhe ofereceram um emprego como treinador de seus estudantes para a próxima Olimpíada, que se realizaria no Japão. Johnny recusou e os japoneses lhe disseram que ele iria se arrepender. Johnny deu uma risada e disse: “Veremos, meu amigo Buster Crabbe estará competindo e eu estou apostando nele”.

Buster Crabbe

Buster Crabbe

Na Olimpíada de 1932, Crabbe ganhou uma medalha de ouro, vencendo por apenas um décimo de segundo o campeão francês Jean Taris. Crabbe comentaria mais tarde que aquele um décimo de segundo mudou sua vida, porque – assim como acontecera com Weissmuller – foi graças à natação que ele foi para o cinema, ao ser contratado em 1933 para viver Tarzan no seriado Tarzan, o Destemido (Tarzan the Fearless).

O grande sucesso veio logo depois ao estrelar o seriado “Flash Gordon” e mais tarde o explorador Buck Rogers, ambos pela Universal Pictures.

Voltando a Weissmuller, antes de Crabbe, ele havia estrelado o longa-metragem Tarzan, o Filho das Selvas (Tarzan, the Ape Man) em 1932, logo após ter abandonado as piscinas. Esse filme foi  foi rodado nos estúdios da MGM com todos os requisitos das produções classe “A”, tendo o departamento de som providenciado o célebre berro, os roteiristas um dialeto tarzânico e, para as cenas mais arriscadas nos cipós, haviam os trapezistas The Flying Codonas (Alfredo e Tony Codona). O roteiro guardava pouca semelhança com o Tarzan de Burroughs e omitia todas as referências à origem do Homem-Macaco, concentrando-se nas relações românticas entre ele e a jovem inglesa Jane Parker, interpretada por Maureen O’ Sullivan.

Jane Parker penetra na selva africana num safári, juntamente com seu pai e dois caçadores, em busca de um misterioso cemitério de elefantes. Tarzan rapta Jane e o safári é capturado por uma tribo de pigmeus. Tarzan vai resgatá-los – com a ajuda de uma manada de elefantes num final excitante. A combinação de Johnny Weissmuller e Maureen O’ Sullivan foi uma mágica absoluta. “Me Tarzan, You Jane” subitamente tornou-se uma expressão conhecida em todo o mundo (embora a verdadeira frase dita por Tarzan tivesse sido “Tarzan, Jane”).

Jane e Tarzan

Jane e Tarzan

Weissmuller interpretou o personagem em 12 filmes, e a derradeira personificação do herói de Burroughs deu-se em Tarzan e as Sereias ( Tarzan and the Mermaids) em 1948. Durante os entendimentos a respeito de novos filmes, Johnny pressionou o estúdio para receber uma participação nos lucros e os produtores  preferiram não renovar o contrato do ator, declarando que ele estava sem forma física para o papel.

O último filme de Tarzan com o antigo campeão olímpico de natação no papel.

O último filme de Tarzan com o antigo campeão olímpico de natação no papel.

Depois de Tarzan, ele interpretou com sucesso a personagem Jim das Selvas na série do mesmo nome, entre 1948 e 1955. Foram dezesseis filmes ao todo, com duração média de setenta minutos cada. Em 1955, a série transferiu-se para a TV, tendo sido feitos vinte e seis episódios de meia hora cada. Já envelhecido e obeso, Weissmuller tentava dar vida a uma personagem atlética e aventureira, e esse final melancólico marcou sua despedida das câmaras.

Jim das Selvas, personagem dos quadrinhos criado por Alex Raymond, o talentoso desenhista de Flash Gordon

Jim das Selvas, personagem dos quadrinhos criado por Alex Raymond, o talentoso desenhista de Flash Gordon

No final dos anos 1950, Weissmuller mudou-se para Chicago, onde fundou uma empresa de piscinas. Seguiram-se outros empreendimentos, a maioria envolvendo Tarzan ou a natação de uma forma ou de outra, mas sem grandes resultados. Aposentou-se em 1965 e, no ano seguinte, juntou-se aos ex-Tarzans Jock Mahoney e James Pierce para a campanha publicitária de lançamento da série de TV Tarzan, estrelada por Ron Ely.

Em 1967 sua imagem foi imortalizada na capa do LP Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.

Ali está ele, atrás de Ringo e Paul.

Ali está ele, ao fundo, entre Ringo e Paul.

Morreu vítima de um edema pulmonar em Acapulco, no México, em 1984, onde vivia com a sexta esposa.

“Os irmãos Wright usavam catapulta” e outros mitos em defesa de Santos Dumont

Foi legal ver o 14 Bis na abertura das Olimpíadas. Mas está na hora de admitir que os irmãos Wright voaram mais e voaram antes que o brasileiro.

14 bis

Alberto Santos Dumont foi um grande brasileiro, um homem admirável, mas, sorry, ele não inventou o avião. Os brasileiros precisam tomar uma atitude menos provinciana e admitir que os irmãos Wright voaram antes, voaram mais, voaram melhor. E que o 14 Bis não voava: dava pulinhos.

Dedico um capítulo do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil a mostrar por que os argumentos mais frequentes em defesa do pioneirismo de Santos Dumont são papo furado. Eis um resumo:

Mito 1: “Os irmãos Wright só decolavam com catapultas”

“O avião dos Wright não saía do chão com a própria força”, dizem os defensores do brasileiro, “porque eles usavam catapulta, uma força externa, na decolagem”. É verdade que os primeiros modelos dos Wright usavam catapultas. O mecanismo simplificava a decolagem e evitava solavancos. A partir do Flyer 3, de 1905, os irmãos prescindiram da catapulta. Como o trem de pouso não tinha rodas, usavam um trilho (sem declive) para guiar o avião. Depois do motor levar o Flyer a uma velocidade suficiente, o piloto o desconectava do trilho e levantava voo.

É preciso deixar isso claro. Em 1905, sem catapulta, sem força externa empurrando o avião, os Wright fizeram um voo de 39 mil metros. Em 1906, Santos Dumont fez um voo de 220 metros.

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1904. O aviãozinho dos Wright.

Em 1908, quando os Wright enfim conseguiram atravessar o Atlântico e demonstrar sua invenção na França, os técnicos franceses questionaram o uso da catapulta. Wilbur Wright sequer discutiu. Decolou sem a propulsão externa. Voou e quebrou recordes do mesmo modo.

Mito 2: “Não há provas dos voos dos irmãos Wright”

Wright-Brothers-Flying-Machine-Patent

Dê uma olhada na imagem acima. É o registro da patente número 821.393, referente a uma “máquina de voar”. Na descrição do projeto, os irmãos Wright definem sua criação:

Nossa invenção é relacionada à classe de máquinas de voar em que o peso é sustentado por reações resultantes em aeroplanos sob um pequeno ângulo de incidência, através da aplicação de força mecânica ou pela utilização da força da gravidade.

Parece uma descrição perfeita de um avião, não? Os irmãos solicitaram o registro em 1903. A patente demorou para ser aprovada, mas nem tanto. Foi emitida em maio de 1906, seis meses antes de Santos Dumont ganhar prêmios com o 14 Bis.

Além dessa prova, há diversos registros de voos dos Wright antes do 14 Bis. Em 5 de outubro de 1905, Wilbur Wright voou com o Flyer 3 durante 39 minutos, percorrendo 38,9 quilômetros. Sessenta pessoas assistiram àquela e a outras demonstrações; a Scientific American, meses depois, escreveu sobre o episódio.

Um ano antes do 14 Bis voar 220 metros, a uma altura máxima de… 6 metros, os Wright já negociavam a produção em série de aviões para o Exército americano. “Precisamos saber se vocês desejam reservar o monopólio do uso dessa invenção, ou se permitirão que aceitemos pedidos de máquinas similares para outros governos, e para dar demonstrações públicas, etc.”, escreveram eles em outubro de 1905.

Mito 3: “A aviação teve vários pioneiros; Santos Dumont tem tanta importância quanto os Wright”

É verdade que muitas pessoas contribuíram para a invenção do avião. Mas achar que Santos Dumont teve tanta importância quanto os Wright equivale a dizer que Anitta inventou a Bossa Nova. Santos Dumont ganhou fama como um balonista. Sua grande paixão eram os balões; ele começou a estudar asas planas a contragosto, por insistência dos colegas, que não paravam de ouvir boatos sobre o sucesso dos americanos com máquinas mais pesadas que o ar.

Quando conheceram os Wright, em 1908, os franceses ficaram boquiabertos. Os americanos não só tiravam o negócio do chão como davam curvas e oitos no ar. Tanto domínio certamente não havia surgido de um dia para o outro. “Por muito tempo, os irmãos Wright foram acusados de serem impostores. Hoje eles são venerados na França e eu me incluo com prazer entre os primeiros a se corrigir”, disse Ernest Archdeacon, o milionário que dois anos antes deu o prêmio a Santos Dumont.

No mundo todo, a polêmica acabou ali. Depois do sucesso dos Wright na França, o brasileiro foi aos poucos sendo esquecido pelos franceses. Decidiu então voltar para o único país que ainda acreditava em seu pioneirismo: o Brasil.

Resgate na sua memória a imagem do 14 Bis: ela se parece de alguma forma com um avião moderno? Agora veja, abaixo, o Flyer 4 voando em 1905 (um ano antes do 14 Bis). Deixo com você a resposta sobre quem contribuiu mais para a aviação.

 

 

Fonte:
Leandro Narloch
Veja.com.br

 

PS – Bem, achei a matéria interessante, por isso a reproduzi. Mas, pessoalmente, tenho ressalvas às afirmações do autor. Primeiro, está documentado que todas as réplicas do 14 Bis construídas posteriormente (com os mesmos materiais usados à época) voam normalmente. Réplicas dos Flyer (os aviões – ou planadores? – dos Wright) que seriam objeto do pioneirismo não voam a não ser catapultados. Outro fato comprovado é que o 1º equipamento (mais pesado que o ar) que saiu do solo com propulsão própria, comandável, com experimento repetido e testemunhado foi o de Alberto Santos Dumont.

E tem mais, o primeiro avião a ser produzido em série na história, e que inspirou o desenho de vários outros, foi uma invenção de Dumont: o Demoiselle, de 1907.

Cerca de 300 foram produzidos pela fábrica Clément Bayard. Santos-Dumont distribui o projeto de graça!

Santos_Dumont_Demoiselle

Quantos aviões inspirados no projeto patenteado dos Wright foram produzidos em série? Nem o exército americano o quis, porque o modelo era instável demais.

A grande contribuição de Santos-Dumont foi realmente o Demoiselle, que tinha até leme na cauda para controlar o voo e a estabilidade. E o fato de ele distribuir o projeto permitiu que outros estudiosos e aviadores o fizessem evoluir.

Segundo estudiosos, o projeto tanto do 14 Bis quanto do Flyer, com o “bico” na frente, é muito instável, por isso não foi adiante. Segundo esses mesmos estudiosos, o sonho de Santos-Dumont para a aviação não era o de cruzar grandes distâncias, era o de ter o avião em sua casa, para usá-lo no dia-a-dia, para ir ao trabalho ou visitar os amigos, de forma prática e simples.

E, finalmente, nenhum voo inicial dos americanos foi documentado. Ter o testemunho de 60 pessoas de alguma forma ligada aos inventores que tinham interesse financeiro em seu aparelho (por isso o patentearam) é altamente suspeito…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Rio de 1900 a 1930

Estamos vivendo neste momento as Olimpíadas do Rio de Janeiro, e as imagens da cidade moderna e vibrante estão estampadas pelo mundo inteiro. São mais de 6 milhões de habitantes recebendo outro milhão e meio de visitantes.

Mas houve um tempo, há um século, em que o Rio era a capital federal e tinha menos de 1/6 dessa população. Aquela cidade idílica, de ruas apertadas e sujas, passava por muitas mudanças urbanas e sociais que acabaram moldando seu futuro. No começo do século 20, o Rio ostentava “modernas” ruas e praças “civilizadamente” mais largas, arborizadas e de arquitetura refinada nos moldes europeus.

Uma exposição, realizada há algum tempo em São Paulo, reuniu fotos e postais desse Rio antigo, feitas por fotógrafos que trabalharam por lá até a década de 1930, inclusive vendendo os primeiros postais da cidade para os turistas da época.

Veja algumas delas:

avenida niemeyer e são conrado

Avenida Niemeyer

Avenida Niemeyer, Gávea

Avenida Rio Branco

Avenida Rio Branco

A importância das imagens é que elas realmente documentam o processo de urbanização e modernização do Rio.

Botafogo entrada da Barra)

Algumas fotos mostram como a cidade expandia para o sul, até Ipanema e, mais tarde, para a Barra da Tijuca.

Botafogo30s

Botafogo nos anos 1930

Copacabana

A natureza é tão exuberante que ninguém parecia conseguir aplacá-la. Na foto, Copacabana.

morro do Pão de Açúcar, em uma época em que a estátua do Cristo, no Corcovado, ainda não havia sido inaugurada.

A foto acima foi tirada no morro do Pão de Açúcar, em uma época em que a estátua do Cristo, no Corcovado, ainda não havia sido inaugurada.

O Palácio Monroe localizava-se na Cinelândia, no centro da cidade brasileira do Rio de Janeiro,

A urbanização transformou as feições da cidade de forma muitas vezes brutal. Muitos prédios já não existem mais, como o Palácio Monroe.

Praia do Flamengo

Os fotógrafos exploravam a iluminação urbana elétrica, em seus primórdios, o que foi outro reflexo do processo de modernização do Brasil. Acima, a Praia do Flamengo.

rua Paissandú, no Flamengo

Rua Paissandú, no Flamengo. As palmeiras imperiais foram plantadas no fim do século 19 por ordem do Imperador Pedro 2º, formando uma espécie de passarela desde a praia até o palácio onde morava sua filha, a Princesa Isabel.

Santa Teresa e Glória)

Santa Tereza e Glória

Vista do Alto do Pão de Açúcar durante a noite

Essas fotos trazem um pouco da visão romântica, de um Rio idílico, que estava condenado a não sobreviver…

Previsões para as Olimpíadas 2016

1. ONGs vão pipocar dizendo que apoiam o esporte, tiram crianças das ruas e as afastam das drogas. Após as olimpíadas, essas ONGs desaparecerão e serão investigadas por desvio de dinheiro público. Como de praxe, ninguém será preso ou indiciado;

2. Um grupo de funk vai fazer sucesso com uma música que diz: “Vou pegar na tua tocha e você põe na minha pira… vai tchutchuca… vai tchutchuca…”;

3. Uma escola de samba vai homenagear os jogos, rimando “Barão de Coubertin” com “sol da manhã”. Gilberto Gil virá no último carro alegórico vestido de lantejoulas douradas representando o “espírito olímpico do carioca visitando a corte do Olimpo num dia de sol ao raiar do fogo da vitória”;

4. Haverá um concurso para nomear a mascote dos jogos, que será um desenho misturando um índio, o sol, o Pão de Açúcar e o carnaval, criado por Hans Donner. Os finalistas terão nomes como: “Zé do Olimpo”, “Chico Tochinha” e “Kaíque Maratoninha”;

5. Luciano Huck vai eleger a Musa dos Jogos, concurso que durará um ano e elegerá uma modelo descoberta  em uma laje no Complexo do Alemão, chamada Kathy Mileine Suellen da Silva. 

 Abertura dos jogos

1. A tocha olímpica será roubada. O COB vai encomendar outra em urgência pro carnavalesco da Beija-Flor;

2. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e a bateria da Mangueira farão um show na praia de Copacabana pra comemorar a chegada do fogo olímpico ao Rio. Por motivo de segurança, Zeca Pagodinho será impedido de ficar a menos de 500 metros da tocha e da pira olímpica;

3. Durante o percurso da tocha, os brasileiros vão invadir a rua e correr ao lado dela carregando cartolinas cor de rosa onde se lê “GALVÃO FILMA NÓIS, 100% FAVELA DO RATO MOLHADO”;

4. Pelé vai errar o nome do presidente do COI, discursar em um inglês de merda elogiando o povo carioca, e ao final vai tropeçar no carpete que foi colado 15 minutos antes do início da cerimônia;

5. Claudia Leite e Ivete Sangalo vão cantar o “Hino das Olimpíadas” composto por Latino e MC Medalha. As duas vão duelar durante a música para ver quem vai aparecer mais na TV. Anitta fará a coreografia;

6. Durante o Hino Nacional Brasileiro, a plateia vai errar a letra, chorar como se entendesse o que está cantando, e aplaudir no final como se fosse um gol;

7. Uma brasileira vai ser filmada várias vezes com um top amarelo, um shortinho verde e a bandeira do Brasil pintada na bochecha. Depois dos jogos ela posará pra Playboy sem o top e sem o shortinho, e com a bandeira pintada na bunda;

8. Por falta de gás na última hora, já que a cerimônia só foi ensaiada durante a madrugada, a pira não vai funcionar. Zeca Pagodinho será o substituto temporário já que a Brahma é um dos patrocinadores. Em entrevista ao Fantástico, ele dirá que não se lembra direito do fato;

9. 74 passistas de fio-dental vão iniciar a cerimônia mostrando o legado cultural do Brasil ao mundo: a bala perdida, o tráfico, o funk e a favela. Em todos os morros ocorrerão foguetórios e saraivada de tiros comemorativos… Faixas no Alemão: “É nóis na fita… Brasiu”;

10. Durante os jogos de tênis, a plateia brasileira vai vaiar os competidores argentinos, obrigando o árbitro a pedir silêncio 774 vezes. Como ele pedirá em inglês, ninguém entenderá e vai continuar vaiando. Galvão Bueno vai dizer que vaiar é bom, mas vaiar os argentinos é melhor ainda. Caio Ribeiro concordará;

11. Um simpático cachorro vira-lata vai furar o esquema de segurança invadindo o desfile da delegação jamaicana. Será carregado por um dos atletas e permanecerá no gramado do Maracanã durante toda a cerimônia. Será motivo de 200 reportagens, apelidado de Marley, e será adotado por uma modelo emergente que ficará com dó do pobre animalzinho. Ela dirá, em entrevista na Caras, que ele é gente como a gente;

12. Adriane Galisteu posará pra capa de Caras ao lado do grande amor da sua vida, um executivo do COB;

13. Os pombos soltos durante a cerimônia serão alvejados por tiros disparados de uma favela próxima e vendidos assados na saída do Maracanã por “dois real”.

Durante os jogos 

1. Caetano Veloso dará entrevista dizendo que o Rio é lindo, a cerimônia de abertura foi linda e que aquele negão da camiseta 74 da seleção americana de basquete é mais lindo ainda. E que tudo é Odara…

2. Uma modelo-manequim-piranha-atriz-ex-BBB vai engravidar de um jogador de hóquei americano. Sua mãe vai dar entrevista na Luciana Gimenez dizendo que sua filha era virgem até ontem, apesar de ter namorado 49 homens nos últimos seis meses, e que o atleta americano a seduziu com falsas promessas de vida nos EUA. Após o nascimento do bebê, ela posará nua e terá um programa de fofocas numa rede de TV;

3. No primeiro dia os EUA, a China e o Canadá já somarão 236 medalhas de ouro, 82 de prata e 4 de bronze. Os jornalistas brasileiros vão dizer – a cada segundo – que o Brasil é esperança de medalha em 200 modalidades e certeza de medalha em outras 35;

4. Faltando 3 dias para o fim dos jogos, o Brasil terá 2 medalhas de bronze e 1 de ouro, esta ganha por atletas no esporte “caiaque em dupla”. Eles vão ser idolatrados por 15 minutos (somando todas as emissoras abertas e a cabo) como exemplos de força e determinação do brasileiro “que não desiste nunca”, e jamais se ouvirá falar desses pobres atletas de novo;

5. A seleção brasileira de futebol comandada por Ronaldo Fenômeno vai chegar como favorita. Passara fácil pela primeira fase e entrará de salto alto na final, perdendo para a seleção de Sumatra;

6. A seleção americana de vôlei visitará uma escola patrocinada pelo Criança Esperança. Três meninos vão ganhar uma bola e um uniforme completo dos jogadores, sendo roubados e deixados pelados no dia seguinte;

7. Os traficantes da Rocinha vão roubar aquele pó branco (carbonato de magnésio) que os ginastas passam na mão. Um atleta cubano será encontrado doidão numa boate do Baixo Leblon depois de cheirá-lo. O COB, a fim de não atrasar as competições de ginástica, vai substituir o tal pó pelo cimento estocado nos fundos do ginásio inacabado;

8. Um atleta brasileiro nunca visto antes terminará em 28º lugar na sua modalidade e roubará a cena ao levantar a camiseta mostrando outra onde se lê : “JARDIM MATILDE NA VEIA”;

9. Vários atletas brasileiros apontados como promessa de medalha serão eliminados logo no início da competição. Suas provas serão reprisadas em slow motion e 400 horas de programas de debate esportivo vão analisar os motivos das suas falhas.

Após os jogos

1. Um boxeador brasileiro de 1,85 m vai estrelar um filme pornô para pagar as despesas que teve para estar nos jogos sem patrocínio;

2. Faustão entrevistará os atletas brasileiros que não ganharam medalhas. Não os deixará pronunciar uma palavra sequer, mas dirá que esses caras são exemplos no profissional tanto quanto no pessoal, amigos dos amigos, e de grande caráter e blá-blá-blá…

3. E as autoridades dirão que não são responsáveis por nenhum dos estádios onde ocorrerão os jogos, e que a manutenção e conservação deles compete à iniciativa privada.

 

Dez profissões em alta (1 de 2)

Faz algum tempo, postei um texto que falava das profissões em baixa no mercado de trabalho brasileiro (https://otrecocerto.wordpress.com/2013/07/02/dez-profissoes-em-baixa-parte-1-de-2/). E agora, vamos citar as dez profissões em alta, de acordo com as empresas locais e as multinacionais com filiais no Brasil.

Segundo um relatório divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) em fevereiro desse ano, a expectativa de contratação para os próximos anos permanecerá aquecida. Intitulada Perspectivas Estruturais do Mercado de Trabalho na Indústria Brasileira – 2020, a pesquisa ouviu de 402 empresas brasileiras – que, juntas, empregam 2,2 milhões de pessoas – quais setores demandarão mais profissionais nos próximos anos. Mesmo que a economia esteja engasgando, a expectativa otimista ainda se mantém.

De acordo com o estudo, quem deve liderar as contratações no país é a área da engenharia, além do segmento comercial – este último um dos principais empregadores de uma economia que caminha cada vez mais em direção ao setor de serviços, dizem especialistas.

“Depois de ‘arrumar a casa’ em 2011, ou seja, organizar suas finanças, as empresas estão buscando entregar resultados neste ano. Isso significa maximizar os lucros, algo que se reflete no perfil das contratações”, diz Paulo Pontes, presidente da filial brasileira da Michael Page, uma das principais agências de recrutamento de executivos de média e alta gerência do país. Para isso, as companhias brasileiras estão elevando suas exigências.

Segundo o relatório da Firjan, 69,1% das empresas ouvidas requerem, no mínimo, algum tipo de pós-graduação para profissionais de nível superior. Já para mais da metade delas, o diploma universitário é indispensável, inclusive, para profissionais de nível médio/técnico. Então, segundo as empresas, vamos às profissões em alta:

 1) Engenheiro de Petróleo

Quanto ganha (em média): R$ 14.000

O que faz: É responsável pelo desenvolvimento de projetos de exploração do petróleo e seus derivados em poços e jazidas, buscando maior eficiência de produção sem dano ao meio-ambiente. Com a descoberta do pré-sal, a profissão é oferecida, hoje, como curso de graduação nas principais universidades do país.

2) Engenheiro de mobilidade

Quanto ganha (em média): R$ 12.000

O que faz: Supervisiona grandes obras de infraestrutura, verificando se estão adequadas às normas legais. Nos grandes centros urbanos, esse profissional é encarregado de gerenciar o planejamento do transporte urbano. A carreira entrou no radar dos recrutadores depois que o Brasil foi confirmado como sede de grandes eventos, como a Copa do Mundo e a Olimpíada.

3) Engenheiro ambiental 

Quanto ganha (em média): R$ 8.000 a R$ 12.000

O que faz: Concebe e executa projetos que diminuam o dano causado pela ação humana no meio-ambiente. A profissão é cada vez mais requisitada por grandes empresas e governos preocupados com o desenvolvimento sustentável.

4) Médico do Trabalho

Quanto ganha (em média): R$ 10.000 a R$ 16.000

O que faz: Trata-se de um ramo da medicina especializado na promoção do bem-estar e da saúde do trabalhador. Profissionais dessa área avaliam a capacidade de um candidato de executar determinada tarefa, além de realizar exames de rotina nos funcionários para verificar o cumprimento das obrigações trabalhistas.

5) Gerente de Recursos Humanos

Quanto ganha (em média): R$ 8.000 a R$ 14.000

O que faz: É responsável por recrutar novos profissionais e assegurar a permanência dos antigos. Antes subestimada, a profissão saiu do limbo e conquistou importância à medida que as empresas perceberam a necessidade de reter bons profissionais face à concorrência.

Na próxima segunda-feira, dia 8, postarei a parte final da lista dos empregos em alta, definidos em uma série de entrevistas realizadas em 2012 pela BBC Brasil com especialistas em recrutamento e seleção de pessoal.

 

Caixas para dormir nos aeroportos

Quem já passou uma noite no aeroporto, dormindo nos bancos de metal – ou no chão, mesmo – sabe do que estou falando… O pior é que os atrasos, overbooks e cancelamentos de voos estão se tornando cada vez mais comuns.

Dois arquitetos russos pensaram nisso e criaram as Caixas de Dormir, as Sleepboxes!

A Sleepbox inclui uma cama e está equipada com um sistema de mudança automática de lençóis, sistema de ventilação, alerta sonoro, televisão LCD incorporada, WiFi, plataforma para um computador portátil e carregadores de smarphones. Sob a cama há ainda um espaço para as malas. O aluguel poderá ir de 15 minutos à várias horas. O cliente é quem manda.

A Sleep Box não oferece banheiros nem lavatórios, portanto, devem ser utilizados aqueles existentes no local onde foram instalados. Já podemos encontrá-las em diversos aeroportos, como os de Paris, Pequim, Moscou, Bangkok…

Os idealizadores a estão chamando de micro-hotéis, porque nos locais aonde há mais espaço, tem até concierge. Como em Estocolmo, por exemplo, com várias “caixas”, ou no aeroporto de Boston.

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