O segredo nazista brasileiro

É década de 1930 no Brasil. Um time de futebol com jogadores negros ostenta uma bandeira com o Cruzeiro do Sul — e a suástica nazista. O gado da fazenda está marcado com o mesmo símbolo. Um retrato de Hitler está na parede do casarão. A foto do tal time foi encontrada na fazenda Cruzeiro do Sul, cujo nome explica a constelação que a nomeia. Mas e a suástica?

Campina do Monte Alegre é uma cidade de 5.000 pessoas, no interior de São Paulo. Ali, o rancheiro José Ricardo Rosa Maciel, o Tatão, descobriu um segredo que ficou escondido por 70 anos. “Eu cuidava dos porcos numa casa antiga. Um dia, eles quebraram uma parede e escaparam. Notei que os tijolos tinham caído. Foi um choque enorme.” Os tijolos tinham a marca da suástica. A parceira de Tatão, Senhorinha Barreta da Silva, estudava na Universidade de São Paulo e levou uma das peças para seu professor de história, Dr. Sidney Aguilar Filho.

TATÃO MOSTRA OS TIJOLOS DA FAZENDA (FOTO: GIBBY ZOBER)

“Fui até a fazenda, onde encontrei uma profusão de insígnias com a suástica, não só nos tijolos, mas em fotografias da época, marcas nos animais, bandeiras. Também achei uma história paralela sobre a transferência de 50 meninos de dez anos que foram tirados de um orfanato no Rio de Janeiro e levados para Campina do Monte Alegre em 1933. Nessas duas histórias, estava a presença da ideologia nazista”, afirma Aguilar Filho.

Depois de oito anos de pesquisa, apresentou em 2011 a tese “Educação, autoritarismo e eugenia: exploração do trabalho e violência à infância desamparada no Brasil (1930-1945)”. As crianças foram tiradas do orfanato Romão de Mattos Duarte, da Irmandade de Misericórdia. O primeiro grupo, com dez, saiu em 1933, depois mais 20 e outro de 20. Elas ficaram sob a custódia de Osvaldo Rocha Miranda, um dos cinco filhos do industrial Renato Rocha Miranda. A família era dona do famoso Hotel Glória e estava entre as mais ricas e influentes da então capital do Brasil. Com outros dois irmãos, Osvaldo era membro da Ação Integralista Brasileira, organização extremista de direita.

“Minha pesquisa se focou em que sociedade era essa, que Brasil era esse”, explica Aguilar Filho.  “Era uma cultura extremamente racista e preconceituosa. Na geração seguinte à abolição da escravatura, a estética era extremamente marcada pelo racismo. Com os olhos de hoje, é muito chocante”, diz Aguilar Filho.

EUGENIA BRASILEIRA

O artigo 138 da Constituição da época estabelecia que era função do Estado promover educação baseada em crenças eugênicas, ele aponta. No fim dos anos 1930, a Alemanha era o principal parceiro econômico do Brasil. Havia também, como consequência, fortes laços políticos, ideológicos e culturais. Aqui estava o maior partido nazista fora da Alemanha, com mais de 40 mil afiliados.

Aloysio da Silva e Argemiro dos Santos estavam na primeira leva. “Eles relatam um tratamento muito rígido, sujeito a punição física, sem permissão para deixar a fazenda sozinhos ou sem autorização, trabalho intensivo, com pouca ou nenhuma remuneração. Aloysio se refere a uma infância roubada e fala de escravidão. Argemiro não usa a palavra, mas confirma o uso sistemático da palmatória, violência física, chicotadas e punições”, afirma Aguilar Filho.

O TIME DE FUTEBOL DO CRUZEIRO DO SUL ERGUE A BANDEIRA COM O SÍMBOLO NAZISTA (FOTO: REPRODUÇÃO)

Maurice Rocha Miranda, sobrinho bisneto de Otavio e Osvaldo, nega que as crianças fossem “escravas” e diz que sua família deixou de apoiar os nazistas muito antes da Segunda Guerra.

Mas a história dos dois sobreviventes — que nunca mais se encontraram — é curiosamente similar. Ainda vivendo perto da Cruzeiro do Sul, Aloysio, 90, relembra quando foi levado do orfanato. Com doces e “lábia”, Osvaldo disse que daria a eles uma nova vida. “Ele prometeu o mundo. Mas não era nada daquilo. Nós recebemos enxadas, uma cada. Para tirar o capim, para limpar a fazenda. Fiquei preso porque me enganaram. Fui trapaceado. Esquentou meu sangue”, diz Aloysio. Os meninos eram chamados por números. Aloysio era o 23. Dois cães de guarda mantinham os garotos comportados.

Outro sobrevivente, Argemiro dos Santos, 89, vive em Foz do Iguaçu. “Na fazenda havia fotografias de Hitler, e o tempo todo você era forçado a saudar com o ‘anauê’, a saudação alemã”, ele diz. O “anauê” era, na verdade, a saudação dos integralistas, gesto idêntico ao “sigheil” da Alemanha hitlerista.

Numa dessas ironias da vida, Argemiro escapou da fazenda para se juntar à Marinha, indo à Europa lutar contra o führer cujos admiradores foram seus captores…

 

 

 

 

 

Fontes:

BBC

Galileu

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Curiosidades sobre os Discos-Voadores

O termo disco-voador, agora em desuso pelos estudiosos, designava um objeto voador no formato de um pires, e que se supunha ser extraterrestre. Hoje se utiliza a expressão OVNI (UFO, em inglês) que significa Objeto Voador Não Identificado.

A expressão “disco-voador” foi cunhada pela imprensa americana por ocasião do chamado “Caso Roswell”, como ficou conhecido o incidente em Roswell, Novo México, em 1947, onde teria caído um OVNI numa fazenda. Embora o fazendeiro nunca tenha usado esse termo para descrever o objeto que ele viu destroçado em suas terras – ele falou “disco”, “prato” e “pires” – os jornais estamparam manchetes gritantes, afirmando que a Força Aérea tinha capturado um “disco-voador” (flying saucer) na região.

A Força Aérea depois informou que os destroços eram, na verdade, de um balão atmosférico. Muita gente acredita que essa informação foi apenas uma “cortina de fumaça” para ocultar a verdade – de que eles teriam capturado um sobrevivente alienígena do acidente.

Durante a Guerra Fria, período de grande animosidade entre os Estados Unidos e a extinta União Soviética, e durante o qual as duas potências rosnavam uma para a outra, exibindo seus arsenais atômicos, o medo de uma guerra nuclear deixava os cidadãos americanos paranoicos e, seja por esse motivo ou por pura coincidência, os relatos de OVNIs passaram a ocorrer com uma frequência nunca vista.  Para os quadrinhos, a invasão dos discos-voadores era uma alegoria do ataque inimigo.

O CCCP que se vê na cápsula espacial é uma abreviatura das palavras em russo de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, URSS.

O cinema também interpretou esse sentimento popular em vários filmes, um deles o emblemático “A Invasão dos Discos-Voadores”, de 1956, com efeitos especiais do mestre do stop-motion Ray Harryhausen. Ele criou várias maquetes de discos-voadores que se tornaram a mais clássica aparência cinematográfica de um OVNI (uma cabine central estática rodeada por um anel em rotação) e que foi derivada das descrições dadas pelo major Donald Keyhoe em seu livro, que serviu de inspiração para o filme.

Abaixo, a sequência em que os E.Ts. pousam na Terra e atacam.

Foi durante essa década que começaram a surgir informações de que os nazistas vinham testando a construção de discos-voadores durante a Segunda Guerra Mundial. Essas especulações ganharam força nas décadas seguintes e muitas “teorias da conspiração” garantem que, após a guerra, americanos e soviéticos roubaram os planos alemães para construir essas naves.

A foto acima, se não for uma montagem, mostra um disco-voador nazista de segunda geração, o Haunebu II.

Alguns afirmam que, no final dos anos 1960, a força aérea americana considerou seriamente a possibilidade de que os OVNI’s que tinham sido vistos poderiam ter sido, de fato, aviões fabricados secretamente pela URSS baseados em projetos roubados dos alemães.

Outra expressão muito utilizada quando se fala de OVNIs é a “Área 51”.

Área 51 é um dos nomes atribuídos à área militar restrita no deserto de Nevada, próxima ao Groom Lake, Estados Unidos. É uma área tão secreta que o governo norte-americano só admitiu sua existência oficial em 1994, e ainda assim com muitas restrições.

Exatamente por ser tão secreta é que essa base alimentou a imaginação de pessoas no mundo todo, especulando que ali haviam discos-voadores capturados e onde se examinavam os ETs sobreviventes. A base fica a 250 km de Las Vegas, no meio do deserto, com montanhas e vegetação rasteira, e placas que dizem “Nenhum posto de gasolina pelos próximos 250 quilômetros”. Houve uma época em que a região era invadida por turistas atrás de OVNIs, mas com a passagem do tempo e o surgimento inevitável de novos temas de interesse, os filmes e programas de televisão que alimentaram a fixação pelos alienígenas escondidos na Área 51 – de Arquivo X a Independence Day – não chamam mais tanta atenção como antigamente.

E agora que a CIA confirmou recentemente que a base existe mesmo e serve para testar apenas aviões-espiões, sem nada a ver com discos-voadores, o interesse realmente minguou…

Mas o povo continua tentando conseguir boas imagens dos discos-voadores. Abaixo, seguem algumas das fotos mais conhecidas e que ainda não se comprovou que sejam uma fraude:

A foto acima foi tirada na Bélgica em 1990 e mostra um OVNI triangular com luzes nas extremidades.

Esta foi tirada na Califórnia, em 1965.

Bariloche, 1969, foto tirada pelo prof. e físico Sebastian José Tarde.

Bem, do mesmo modo que se diz “não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem”, segue abaixo uma lista de informações úteis para deixá-lo bem informado no caso de um dia você se deparar com alguns ETs desgarrados…

  • Convencionou-se chamar de “contato de primeiro grau” a simples observação de um OVNI. De “segundo grau” quando  o OVNI pousa e deixa vestígios de sua passagem. De “terceiro grau” se o narrador diz ter visto as criaturas. Os de “quarto grau” ocorrem quando há contato direto e comunicação com os tripulantes. Nos de “quinto grau”, ocorrem viagens na nave e as abduções.
  • A abdução acontece quando a pessoa é levada por ETs contra a vontade para o interior do OVNI, onde é submetida a experiências e exames clínicos.
  • Gilberto Gil e Gal Costa afirmam que já tiveram contatos com ETs. Chico Buarque e Maria Betânia afirmam já terem visto OVNIs. Fábio Jr. também. Em maio de 2001, a cantora Elba Ramalho declarou à revista Veja que extraterrestres lhe implantaram um microchip, retirado mais tarde por esses “seres celestiais”.
  • Muitos pesquisadores destacam passagens da Bíblia que poderiam estar se referindo a discos voadores e a extraterrestres. A lista é imensa. Por exemplo: “São João, no Apocalipse, nos descreve um anjo que tinha olhos como labaredas e outro com um rosto como sol e os pés, como colunas de fogo”. Supostos OVNIs também são citados como sendo “tronos de fogo”, “braseiros consumidores” ou “rios que jorram em montes de fogo”.
  • São José dos Campos, no interior de São Paulo, é a cidade com maior número de relatos de abduções do mundo.
  • Os países com o maior número de fenômenos OVNIs são os Estados Unidos, México, Peru, Brasil, Rússia e Chile.
  • No Brasil, o caso que mais deu o que falar foi o do ET de Varginha, no interior de Minas Gerais. Segundo relatos, três garotas teriam avistado um ser com protuberâncias na cabeça, pele marrom e olhos vermelhos num terreno baldio da cidade. O incidente teria acontecido no mesmo dia em que diversos moradores relataram avistamentos de possíveis OVNIs. Também foi noticiada uma estranha movimentação de soldados do Exército na mesma região do incidente. Falou-se que o ET teria sido capturado pelas autoridades e levado a algum lugar secreto (alguns boatos apontaram a Universidade de Campinas/UNICAMP) onde teria sido estudado e mantido em sigilo. Outras teorias dizem que o Brasil não tinha como lidar com o caso e entregou o corpo do ET de Varginha para os Estados Unidos, que em troca, levou um astronauta brasileiro para o espaço, o Marcos Pontes.

  • A Área 51 foi citada em inúmeros filmes, séries e desenhos animados, e alguns deles são: Arquivo X, Taken, Transformers, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Hellboy, Independence Day, Os Simpsons, Ben 10, Johnny Quest e Futurama.

  • O Triângulo das Bermudas é uma área do Oceano Atlântico entre a Flórida, a ilha de Porto Rico e o arquipélago das Bermudas, e que ficou famosa pelos desaparecimentos de aviões, barcos e navios. Ocorreram mais de 50 eventos dessa natureza, a maioria entre 1945 e 1950. Muitas teorias foram criadas para explicar o fenômeno e uma delas é  a ação de extraterrestres.
  • Em 1938, o cineasta Orson Welles, diretor do clássico Cidadão Kane, assustou os Estados Unidos com uma teatralização no rádio do romance “Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells. Muita gente entrou em pânico. Milhares chegaram a acreditar que a Terra estava sendo invadida por seres alienígenas.
  • Segundo os astrônomos, é impossível que uma nave vinda de outro sistema planetário faça uma visitinha à Terra. Eles argumentam que as longas distâncias, além da dificuldade de obter a energia necessária para a viagem, tornam essa possibilidade nula…
  • Até agora, foram descobertos cerca de 400 planetas fora do Sistema Solar, mas os astrônomos suspeitam que esse número seja infinitamente maior. Alguns acreditam que a maior parte das estrelas possui planetas girando ao seu redor. Considerando que as galáxias menores possuem cerca de 100 bilhões de estrelas e as maiores, trilhões… Quantos planetas podem existir no Universo?

Uma última dica (testada e aprovada): se você quiser ter algum tipo de contato extraterrestre, afaste-se das cidades. A probabilidade de você enxergar um disco-voador numa cidade como São Paulo é muitas vezes menor do que em um local com pouca luminosidade, céu límpido e sem poluição.

Se não avistar nenhum ET, você pelo menos terá feito contato de primeiro grau com a natureza, e observado as estrelas cadentes.

 

 

 

 

 

Fontes:
maisquecuriosidade.blogspot.com.br
Wikipedia
ufocasebook.com
latest-ufo-sightings.net
aliensthetruth.com
zerohora.clicrbs.com.br
alemdaimaginacao.com
photos1.blogger.com

Hitler queria lançar bomba atômica em Nova York

Há muita especulação e polêmica sobre o fato dos alemães terem ou não pesquisado a bomba atômica durante a Segunda Guerra. Dados, estudos e planos descobertos após o final da guerra, porém, indicam que eles estavam bem adiantados e teriam chegado a ela bem antes dos americanos.

Segundo revelações do historiador Rainer Karlsch,  cientistas testaram “bombas nucleares” em 1944 e 1945 na ilha de Ruegen, no mar Báltico, e na região central da Alemanha, sob supervisão da SS, mas as armas não estavam prontas para uso ao final da guerra. Essa seria a “arma milagrosa” que Hitler anunciava a seus comandantes em 1944/ 1945, e que ajudaria a vencer a guerra. Entretanto, segundo alguns, os recursos econômicos da Alemanha já estavam tão esgotados, particularmente nas últimas etapas da guerra, que “não havia chance” de que o país realizasse suas ambições nucleares.

Seja como for, os planos alemães de dominar o átomo para fins bélicos literalmente naufragaram em fevereiro de 1944 junto com o batelão Hydro, no lago Tinnsjo, na Noruega, quando este transportava enorme carga de “água pesada” (óxido de deutério usado em reatores nucleares) para a Alemanha. Trabalho de 11 Comandos Noruegueses, treinados pelos britânicos, depois de cinco operações mal sucedidas e desbaratadas pelo Serviço Secreto alemão.

Mas a coisa não parava aí, segundo os pesquisadores. O mapa abaixo, de outubro de 1943, mostra o alcance de uma bomba atômica alemã se lançada sobre a cidade de Nova York, nos EUA.

O plano Amerika-Bomber foi completado em 27 de abril de 1942 e submetido ao Reichsmarschall Hermann Göring, em 12 de maio de 1942.

Esse plano, de 33 páginas, foi descoberto em Potsdam pelo historiador alemão Olaf Groehler. Dez cópias do plano foram produzidas, com seis indo para diferentes escritórios da Luftwaffe e quatro mantidas em reserva. O plano menciona o uso de base nos Açores como aeródromo de trânsito para alcançar os EUA.

Caso fosse utilizado, os aviões He 277, Junkers Ju 290, e o Messerschmitt Me 264 poderiam atingir alvos nos EUA com cargas de bombas de 3, 5 e 6,5 toneladas respectivamente.

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O bombardeiro estratégico He 277.

De acordo com o historiador James P. Duffy, Hitler viu nos Açores a possibilidade de efetuar ataques aéreos aos EUA com bombas convencionais de início, forçando os americanos a construir uma defesa antiaérea local. A ideia era fazer com que os americanos reforçassem sua defesa em detrimento da defesa da Grã-Bretanha, permitindo à Luftwaffe atacar os ingleses com menos resistência. Os estudos da época indicavam ser possível atacar os EUA com as bombas convencionais, mas os danos seriam poucos e o resultado seria um apoio ainda maior da população. Quem acabou por dar fim ao projeto foi o Almirante Donitz.

O que se teoriza é que, caso Hitler dispusesse da bomba atômica por volta de 1944/1945, ele a teria lançado em primeiro lugar em Londres e, depois, em Nova York, mais como forma de inspirar o terror psicológico no inimigo e forçar a um cessar-fogo. Iriam usar a mesma estratégia depois adotada pelos EUA contra o Japão, em 1945: os EUA só possuíam as três bombas que detonaram, mas conseguiram dobrar a resistência nipônica assim mesmo.

O fato é que, com as reservas do país quase esgotadas e depois do incidente na Noruega descrito acima, Hitler e Göring acabaram por focar sua atenção em outras armas, como as bombas voadoras V1 e V2, que foram lançadas em grande quantidade sobre a Grã-Bretanha entre o final de  1944 e o começo de 1945.

Para nossa sorte, nada disso evitou a derrota do Terceiro Reich…

Fontes:
aereo.jor.br
guerramundial1939-1945.blogspot.com.br

Retratos da escravidão

A escravidão, prática pela qual um homem assume os direitos de propriedade sobre outro, vem desde os tempos mais remotos. Nem sempre o escravo era tido como uma mercadoria. Em Esparta, onde eram usados como força de trabalho, eles não podiam ser vendidos ou comprados, uma vez que eram propriedade do Estado, que definia o que eles faziam e poderiam cedê-los por tempo determinado a alguém.

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Já em Roma, por exemplo, os escravos eram mercadoria e, nos mercados estabelecidos para isso, escravos e escravas eram exibidos e leiloados. Os preços variavam conforme as condições físicas, habilidades profissionais, a idade, a procedência e o destino.

A escravidão da era moderna está baseada num forte preconceito racial, segundo o qual o grupo étnico ao qual pertence o “dono” é considerado superior, embora já na Antiguidade as diferenças raciais fossem bastante exaltadas entre os povos escravizadores, principalmente quando havia fortes disparidades fenotípicas. Na antiguidade também foi comum a escravização de povos conquistados em guerras entre nações.

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Esse costume continuou na era moderna. Por exemplo, durante a 2ª Guerra Mundial os nazistas escravizaram diversos prisioneiros, como os da foto acima, do campo de concentração de Wobbelin, na Alemanha, mantido pelas SS. Esse campo foi libertado pelas tropas da 82ª Divisão Aerotransportada dos Estados Unidos em 1945, quando os comandantes americanos – indignados com o que encontraram – mandaram os habitantes da cidade vizinha enterrar os mortos, mais de 1000 corpos espalhados por todo o campo. (esse evento foi contado num episódio da série de TV “Band of Brothers”).

A exploração do trabalho escravo torna possível a produção de grandes excedentes e uma enorme acumulação de riquezas por parte dos povos ou indivíduos que adotam essa prática. Nas civilizações escravagistas, não era pela via do aperfeiçoamento técnico dos métodos de produção que os senhores de escravos procuravam aumentar a sua riqueza. Mas sim pelo aumento da “força de trabalho”…

No Brasil, a primeira forma de escravidão foi dos índios, especialmente na Capitania de São Paulo, onde seus moradores pobres não tinham condições de adquirir escravos africanos, nos primeiros dois séculos de colonização. A escravização de índios foi proibida pelo Marquês de Pombal. Não por razões humanitárias, mas porque eram considerados pouco aptos ao trabalho…

A escravidão dos povos africanos teve início com a produção canavieira na primeira metade do século XVI como tentativa de solução à “falta de braços para a lavoura“, já que não podiam contar com os nativos.

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Escravidão no Brasil, Jean-Baptiste Debret (1768-1848).

Os portugueses, brasileiros e mais tarde os holandeses traziam os negros africanos de suas colônias na África para utilizar como mão-de-obra escrava nos engenhos. Os mais valorizados eram os negros do Congo, Angola e Moçambique. Já os que vinham da Guiné eram enviados para trabalhar em Minas Gerais, nas minas de ouro.

Como eram vistos como mercadorias, ou mesmo como animais – do mesmo modo como faziam os povos escravagistas da Antiguidade -, os negros eram avaliados fisicamente, sendo melhor avaliados, e tinham preço mais elevado, os escravos que tinham dentes bons, canelas finas, quadril estreito e calcanhares altos, em uma avaliação eminentemente racista. O preço dos escravos sempre foi elevado quando comparado com os preços das terras, abundantes no Brasil. Assim, durante todo o período colonial brasileiro, nos inventários de pessoas falecidas, o lote (plantel) de escravos, mesmo quando em pequeno número, sempre era avaliado por um valor muito maior que o valor atribuído às terras do fazendeiro. Por isso a morte ou a fuga de um escravo representava uma perda econômica e financeira imensa.

Os escravos fugidos formaram muitos quilombos, que traziam insegurança e frequentes prejuízos a viajantes e produtores rurais. Em Minas Gerais, por exemplo, em torno da estrada que era o único acesso a Goiás, havia o Quilombo do Ambrósio, o maior de Minas Gerais, que foi assim descrito por Luís Gonzaga da Fonseca, em sua “História de Oliveira”:

“Goiás era uma Canaã. Voltavam ricos os que tinham ido pobres. Iam e viam mares de aventureiros. Passavam boiadas e tropas. Seguiam comboios de escravos. Cargueiros intérminos, carregados de mercadorias, bugigangas, miçangas, tapeçarias e sal. Diante disso, negros foragidos de senzalas e de comboios em marcha, unidos a prófugos da justiça e mesmo a remanescentes dos extintos cataguás, foram se homiziando em certos pontos da estrada (“Caminho de Goiás” ou “Picada de Goiás”). Essas quadrilhas perigosas, sucursais dos quilombolas do rio das mortes, assaltavam transeuntes e os deixavam mortos no fundo dos boqueirões e perambeiras, depois de pilhar o que conduziam. Roubavam tudo. Boiadas. Tropas. Dinheiro. Cargueiros de mercadorias vindos da Corte (Rio de Janeiro).  E até os próprios comboios de escravos, matando os comboeiros e libertando os negros trelados. E com isto, era mais uma súcia de bandidos a engrossar a quadrilha. “

Somente no final do século XIX é que a escravidão foi mundialmente proibida. Aqui no Brasil, sua abolição se deu em 13 de maio de 1888 com a promulgação da Lei Áurea, feita pela Princesa Isabel.   Se a lei deu a liberdade jurídica aos escravos, a realidade foi cruel com muitos deles.

Sem moradia, condições econômicas e assistência do Estado, muitos negros passaram por dificuldades após a liberdade. Muitos não conseguiam empregos e sofriam preconceito e discriminação racial. A grande maioria passou a viver em habitações de péssimas condições e a sobreviver de trabalhos informais e temporários.

Marc Ferrez, fotógrafo franco-brasileiro, retratou cenas dos períodos do Império e início da República, entre 1865 e 1918, e dentre seus importantes legados visuais, há inúmeras fotos – que são parte do acervo do Instituto Moreira Salles – do Brasil dos anos 1800 nas quais a escravidão aparece sem qualquer tipo de constrangimento. Ao contrário, a impressão que passa é que essa prática tinha se tornado natural, mesmo que baseada em inúmeras formas de constrangimento e todo tipo de violência.

Quis aqui compartilhar essas fotos, tanto de Marc Ferrez quanto de Augusto Stahl e outros fotógrafos, para nos ajudar a repensar essa história que, por muito tempo, manteve-se invisível na sociedade brasileira.

A escravidão continua. É diferente daquela no Brasil Colônia, quando a prática de comprar e vender gente era uma atividade legal. Mas é tão perversa quanto. Temos escravos espalhados na Amazônia, no interior do Brasil, nas tecelagens do Brás em São Paulo.

Para o senhor de escravos, hoje é muito mais vantajoso. Era muito mais caro comprar um negro africano. Hoje, o custo é quase zero – paga-se o transporte providenciado pelos “coiotes” – e só. Gente desempregada no Brasil e em países vizinhos é abundante, portanto candidatos inocentes à escravidão não faltam. E tanto faz se a pessoa é negra, amarela, branca, vermelha… O que importa é que o escravo seja miserável, independente da raça.

Mesmo com a fiscalização mais intensa do Ministério do Trabalho, com a prisão e multa dos envolvidos e o resgate dos trabalhadores, as causas continuam em aberto. O local de origem dos escravos contemporâneos sempre tem em comum uma situação de pobreza terrível.

Enquanto não existir uma forma de fixar essas pessoas em suas terras, a mão-de-obra passível de entrar em regime de escravidão continuará abundante.



Educação para a Morte

O primeiro desenho animado sonoro, o primeiro desenho com o sistema Technicolor, o primeiro longa-metragem animado e o primeiro programa de TV completamente colorido. Esses são alguns dos feitos do maior ganhador do Oscar de todos os tempos, Walter Elias Disney.

Mas nem tudo foram flores na vida do velho Walt. Ele e seu estúdio passaram por várias crises, e uma delas foi durante a Segunda Guerra Mundial. Praticamente falido depois de “Fantasia”, e enfrentando uma greve que paralisou metade de sua força de trabalho, Disney viu com bons olhos o contrato proposto pelo governo para produzir 32 curtas animados entre 1941-1945, a US$ 4,500 cada um, filmes tanto de treinamento para os soldados quanto para levantar a moral da população. Esse contrato gerou trabalho para os empregados e ajudou o estúdio a se recuperar. E o “esforço de guerra” também gerou outros produtos, como pôsteres e quadrinhos.

Um desses curtas foi  “Education for Death – The Making of the Nazi” (1943), uma poderosa propaganda anti-nazista e com uma linguagem um pouco agressiva para os padrões Disney.

O curta conta a história de Hans, um garoto alemão, desde seu nascimento. É mostrado como Hans é influenciado na escola a pensar de acordo com a doutrina nazista. O filme possui diálogos em alemão, mas os fatos mais importantes são narrados em inglês.

No início do filme, os pais de Hans estão diante um oficial nazista para garantir-lhe uma certidão de nascimento. O narrador explica que os pais de Hans são obrigados a mostrar certidões de seus ancestrais a fim de provar que pertencem à raça ariana. Logo em seguida, o casal quer que seu filho se chame Hans; o que é aceitável, pois “Hans” não faz parte da lista de nomes proibidos pelo governo – os de origem judaica. O narrador também explica que o casal tem direito a ter mais onze filhos além de Hans, e conclui que isso é por causa do exército ariano que o chanceler Adolf Hitler anseia formar. Por seus serviços prestados ao III Reich (gerarem uma criança ariana), os pais de Hans recebem de presente uma cópia de Mein Kampf, best-seller da Alemanha naquele momento.
Hans vai para a escola e lá aprende o conto da Bela Adormecida. No entanto, a versão que Hans aprende mostra a “democracia” como sendo a bruxa e a “Alemanha” como sendo a bela. Hitler é o príncipe que salva a Bela das garras da bruxa.

Subitamente, Hans adoece e um oficial nazista vai até a casa de seus pais lembrar-lhes que pessoas doentes não são vistas com bons olhos pelo Estado nazista e que, caso Hans não melhore, será levado a um campo de concentração. No entanto, Hans se recupera e volta à escola. Lá, aprende o conceito darwinista de seleção natural das espécies de forma manipulada; os povos mais fracos merecem ser eliminados. Hans se junta à Juventude Hitlerista e participa da queima de livros cheio de orgulho. Em uma sequência de cenas carregadas de significação, a Bíblia Sagrada se transforma no Mein Kampf, o crucifixo numa espada cortada pela suástica e o vitral de uma igreja é brutalmente quebrado. A cena, assim como aquela da queima de livros, pode ser interpretada como a perda de valores morais tanto por parte da Alemanha quanto por parte de Hans. No final do filme, é mostrado como a vida de Hans daquele momento para frente se resumiu em marchar e saudar Hitler. Hans e seus companheiros  marcham e saúdam Hitler desde a adolescência até se transformarem em túmulos de cemitério. E o narrador conclui que a educação dada na Alemanha nazista é a “educação para a morte”. 

O curta segue abaixo e avalie como serve de poderosa propaganda para as Forças Aliadas, lembrando que, na época, esses desenhos não eram veiculados pela televisão, mas nos cinemas, muitas vezes acompanhados de noticiários que traziam as últimas informações sobre a guerra na Europa.

As fotos secretas de Hitler

Adolf Hitler tentou desesperadamente impedir que algumas fotos “indignas”, segundo ele próprio, e que haviam sido publicadas num livro de propaganda no início das atividades do Partido Nazista, fossem divulgadas novamente.

Hitler-Humiliating-picture-570560Porém, como quase sempre acontece, as coisas nem sempre saem como a gente quer, e então…

Nos escombros de uma casa destruída pelas bombas em Berlim, um soldado britânico se abaixou para pegar um livro sem capa e meio rasgado. O livro havia sido danificado pela água, mas achando que aquilo seria uma boa lembrança para mostrar às pessoas quando voltasse para casa, o soldado guardou o livro em sua mochila de lona.

O ano era 1945 e Adolf Hitler havia cometido suicídio em seu bunker de Berlim, e seus sonhos de um Reich de 1.000 anos haviam sido destruídos tanto quanto as cidades da Alemanha, agora patrulhadas pelos soldados aliados.

Um deles era Alf Robinson, esse que pegou o livro rasgado e juntou-o com suas outras relíquias nazistas, uma baioneta e uma pistola Luger. Como o livro era escrito em alemão, ficou guardado e jamais lido na casa de sua família em Barnsley, Yorkshire, Inglaterra.

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Hitler de bermudas na floresta…

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Hitler intimidador

Agora, 70 anos mais tarde, ele está prestes a ser republicado e, traduzido em inglês, fornece uma perspectiva única sobre a propaganda nazista.

Destinado a jovens leitores, a publicação oficial do partido nazista seria encarada hoje mais como um “fanzine”, e faz Hitler parecer mais como uma imitação de um tirano. O livreto, chamado “Deutschland Erwache” (Alemanha Despertada) foi escrito na década de 1930 por Baldur von Schirach, um dos primeiros capangas de Hitler.

Ele escreveu: “Nós, que tivemos o privilégio de podermos trabalhar com ele, aprendemos a adorá-lo e amá-lo”. Descrevendo o ditador como sendo “honesto, firme e modesto” e exibindo ao mesmo tempo “força e bondade”, von Schirach disse que a grandeza de Hitler “e sua profunda humanidade são virtudes capazes de tirar o fôlego de quem dele se aproxima pela primeira vez”.

Entre as imagens mais cômicas do livro estão aquelas que mostra o grande líder de calças curtas, entre outras. Hitler decidiu mais tarde que tais fotografias eram profundamente indignas e humilhantes, e proibiu novas publicações.

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Hitler e seu sorriso

Outras fotos mostram Hitler com sua equipe, com crianças e trabalhadores, e o autor escreve: “Como os olhos delas se iluminam quando o Führer está próximo!”.

O autor tinha 18 anos quando conheceu Hitler em Munique, em 1925, mas rapidamente escalou a hierarquia do partido por meio de sua liderança na associação de estudantes nazistas.

Em 1932 ele se casou com a filha do fotógrafo favorito de Hitler, Heinrich Hoffmann, e usou suas fotos na propaganda, que ele produziu como um jovem líder do Reich.

O serviço voluntário lhe valeu a Cruz de Ferro, mas, depois de dirigir a deportação de judeus de Viena, ele parece ter tido uma crise de consciência e passou a exigir melhor tratamento para os deportados. Depois que sua esposa também criticou as deportações, ele caiu em desgraça.

Von Schirach sobreviveu à guerra, mas em 1945 foi condenado em Nuremberg a 20 anos na prisão de Spandau, em Berlim. Ele morreu em 1974.

O jovem cabo Hitler no exército alemão na 1ª Guerra Mundial.

O jovem cabo Hitler no exército alemão na 1ª Guerra Mundial.

Hitler baniu esta foto porque seu olhar gelado o fazia parecer um bobão.

Hitler baniu esta foto porque seu olhar gelado o fazia parecer um tonto.

Seu livro ficou esquecido na casa da família Robinson por 70 anos, até que um sobrinho do velho soldado o mostrou a especialistas militares, e o livro foi parar numa editora que agora irá publicá-lo em inglês.

O editor conta que o livro “mostra exatamente como a máquina de propaganda nazista trabalhou nas jovens mentes impressionáveis. Todo mundo se pergunta como uma nação inteira pôde ser convencida por uma farsa tão terrível quanto o Partido Nacional-Socialista. Este documento cheio de bajulações nos dá uma ótima ideia de como mesmo uma pessoa extraordinariamente perversa pode ser transformada num santo por meio da propaganda”.

 

Fonte:

Daily Express

O Zeppelin

Sempre fui fascinado pelos zeppelins… Não, não se trata de um dos maiores grupos de rock da história, o Led Zeppelin – que, aliás, tirou seu nome do zeppelin e do qual sempre fui fã.

Zeppelin é um tipo de aeronave rígida, mais especificamente um dirigível, cujo nome vem do seu inventor, o conde Ferdinand von Zeppelin e que foi pioneiro na pesquisa e desenvolvimento desse tipo de aeronave no início do século 19.

O conde alemão Zeppelin era um entusiasta dos balões numa época em que eles eram de estrutura flexível. Zeppelin, baseado nas idéias de  um engenheiro austríaco que havia tentado construir um balão de alumínio em 1887,  iniciou a construção e montagem dos primeiros dirigíveis rígidos em 1889, e, a despeito das dificuldades, terminou o seu primeiro modelo no ano seguinte. No entanto, o protótipo LZ-1 somente foi aprovado cinco anos depois, sendo que os modelos testados levavam as iniciais LZ, de Ludwig (assistente do conde) e do próprio Zeppelin, antecedendo a numeração.

O LZ-1  decolou de um hangar flutuante no Lago de Constança, sul da Alemanha, em 2 de julho de 1900. Ele carregou 5 pessoas e voou uma distância de 6 quilômetros em 17 minutos, uma velocidade estrondosa para a época. Mas isso não convenceu os possíveis investidores. Como o dinheiro estava esgotado, Ferdinand von Zeppelin teve que desmontar o protótipo, vender tudo, e liquidar a companhia. Mas ele não desistiu. Usando os últimos recursos da família, construiu mais alguns protótipos e , em 1908, ganhou fama com o LZ-4, ao cruzar os Alpes numa viagem de 12 horas, sem escalas.

Daí por diante, Zeppelin pôde contar com o dinheiro do governo alemão em suas façanhas e seus dirigíveis se transformaram em orgulho nacional. Até 1914, quando iniciou a Primeira Grande Guerra, foram mais de 150 mil quilômetros voados, 1.600 vôos e 37,3 mil passageiros transportados. Durante o conflito mundial, ao lado dos nascentes aviões, os dirigíveis alemães foram utilizados para bombardear Paris e Londres.

Os acidentes não eram muito comuns, mas aconteciam. Como a queda do dirigível Zeppelin L.19 no Mar do Norte, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. A ilustração abaixo mostra o momento do resgate da tripulação e passageiros por um barco pesqueiro.

Os Zeppelin voaram comercialmente pela primeira vez em 1910, pela Deutsche Luftschiffahrts-AG (DELAG), a primeira linha aérea comercial do mundo. Depois da guerra e principalmente durante a década de 1930, os dirigíveis foram utilizados em voos transatlânticos, mais rápidos do que as travessias de navio.

O Graf Zeppelin foi o mais famoso de todos os dirigíveis, especialmente por conta da façanha que realizou em 1929, dar a volta ao mundo, como descrito em reportagens da época:

“Parece interminável a estupefação internacional com a façanha do Graf Zeppelin LZ 127 no último mês de agosto. O colosso alemão de 213 metros de comprimento, com formato que lembra os salsichões típicos de seu país de origem, tornou-se a primeira nave da história da humanidade a realizar um vôo ao redor do planeta, epopéia de 21 dias e 34.600 quilômetros. Com escalas nos Estados Unidos, Alemanha e Japão, o dirigível arrastou multidões em suas paradas, despertando admiração e curiosidade generalizadas. Aproveitando o sucesso de sua empreitada, o comandante Hugo Eckener, diretor da Luftschiffbau-Zeppelin, empresa alemã que fabricou a aeronave, apresentou os novos planos envolvendo o gigantesco cilindro mais leve que o ar. E, para júbilo dos fãs nacionais, muito em breve o Zeppelin poderá ser visto nos céus brasileiros.
A companhia tedesca pretende implantar linhas comerciais entre a Europa e as Américas –num primeiro momento, com destino aos Estados Unidos; posteriormente, rumo ao Brasil e à Argentina. Para isso, deverá construir quatro novos dirigíveis por conta própria. Além disso, estão previstos mais um ou dois em sua parceria com a empresa americana Goodyear: – eles farão a travessia entre a costa oeste dos Estados Unidos e o Havaí e as Filipinas. Os cilindros voadores deverão também transportar correspondências e encomendas. Um contrato com o correio alemão já é dado como certo, e nos Estados Unidos os representantes da companhia já se mobilizam para acertar acordo semelhante. O dinheiro advindo desses contratos deverá ser investido na construção de novas aeronaves.”

O vídeo acima mostra trechos da viagem ao redor do planeta do Graf Zeppelin.

A primeira viagem transatlântica de um dirigível entre a Alemanha e a América do Sul foi registrada em maio de 1930, tendo o  Graf Zeppelin decolado de Friedrichshafen no dia dezoito e chegado ao Campo do Jiquiá, na cidade do Recife, em Pernambuco, a 21 do mesmo mês. Prosseguindo a viagem, pousou no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro no dia 25, causando alvoroço na então Capital Federal.

Após essa bem-sucedida viagem transatlântica inaugural, os zeppelins realizaram mais três viagens ao Brasil em 1931 e nove em 1932. As passagens custavam 1.000 dólares! Um desses enormes dirigíveis, e que foi a maior nave a voar em toda a história da aviação, foi um ícone da indústria alemã e amplamente empregado na propaganda nazista, o Hindenburgh.

Na foto acima, o gigantesco dirigível chegando ao Rio, em 1936.

O Hindenburgh, com 245 metros de comprimento e sustentado por 200 mil metros cúbicos de hidrogênio,era impulsionado por quatro motores de 1200 HP cada, que moviam hélices de mais de 6 metros de altura, e tinha autonomia de voo para 16.000 km quando completamente abastecido. O dirigível era inflado com hidrogênio, ao invés de hélio, principalmente devido ao preço, que era mais barato, e porque o uso do hidrogênio diminuía a dependência do hélio, que era em sua maior parte importado dos Estados Unidos.

Ficheiro:Hindenburg first landing at Lakehurst 1936.jpg

O Hindenburgh pousado em Lakehurst, New Jersey, Estados Unidos, em maio de 1936. Os passageiros podem ser vistos descendo a rampa na parte traseira.

Infelizmente, depois de ter cruzado o Atlântico mais de 17 vezes, ele fez sua última viagem para os Estados Unidos em 1937, levando 36 passageiros e 61 tripulantes, vindos da Alemanha. Durante as manobras de pouso, um tremendo incêndio tomou conta do dirigível e durou 30 segundos, matando 36 pessoas. O governo alemão acusou o governo americano de sabotagem, pois o grandioso zeppelin representava a superioridade tecnológica daquele país.

Mais tarde, as investigações apontaram a origem das chamas a faíscas elétricas que se desencadearam ao se lançar as amarras ao solo no processo de pouso, geradas pela descarga de energia eletrostática acumulada no dirigível; contudo culparam não o gás hidrogênio, mas sim a própria estrutura do dirigível, construído com tecido de algodão impermeabilizado com acetato de celulose e recoberto com pó de alumínio (a fim de conferir-lhe uma cor prateada permitindo o destaque da suástica) – produtos altamente inflamáveis.

A comoção mundial gerada pelo acidente acabou provocando o encerramento da era dos dirigíveis na aviação comercial de passageiros.

Atualmente, os dirigíveis são utilizados basicamente  com fins publicitários e para realização de transmissões de TV em eventos esportivos, como o da Goodyear.

Há empresas ainda que estudam a possibilidade de usar esse tipo de aeronave para o transporte de carga ou de pessoas, como o Aeroscraft, que seria a evolução do zeppelin, e já está em testes.

Ele possui um corpo semi-rígido, que sobe aos ares com bolsões de hélio – como um dirigível – mas que alça voo como um avião devido a seu formato. Imagine ter a capacidade de transportar enormes quantidades de material ou pessoas a qualquer distância, sem a necessidade de uma infraestrutura terrestre totalmente dedicada a isso – como um aeroporto.

O Aeroscraft não requer pista de decolagem porque ele sobe aos ares na vertical. Para decolar, ele usa motores turbopropulsores a jato. Uma vez no ar, ele usa bolsões de hélio dentro de uma estrutura rígida para controlar a altitude. Quando o piloto quer descer, o veículo precisa ficar mais pesado, então o hélio é comprimido e armazenado em câmaras. Isso cria um vácuo que é preenchido por ar, mais pesado que o hélio – isso faz o Aeroscraft descer. Para subir, basta expulsar o ar e preencher o espaço com hélio.

Como não precisa de pista de pouso, pode levar cargas para locais difíceis de chegar e ainda levar até 60 toneladas de peso. Na animação abaixo, o fabricante mostra como a nave vai operar, visando, claro, a venda para as forças armadas, ao menos de início…

Acho que nem o conde Zeppelin tinha pensado nisso em seus sonhos mais loucos…