A música faz milagres todos os dias

E quando isso acontece num programa de calouros muito popular na TV, é instantaneamente divulgado no mundo todo pelas redes sociais. A surpresa da vez é uma garotinha de 9 anos de idade que canta a ária “O Mio Babbino Caro”(Meu Querido Papai) com uma voz surpreendente, deixando a todos de boca aberta – literalmente – no estúdio da TV que exibia “Holland’s Got Talent”, uma espécie de “ìdolos” ou aquele “Voice Brasil” ou algo assim da TV Globo.

“O Mio Babbino Caro” é de uma ópera de Giacomo Puccini, compositor italiano cujas árias, como “O Mio Babbino Caro”, ou “Nessun Dorma”, de Turandot, tornaram-se parte da cultura popular. Suas óperas estão entre as mais interpretadas hoje em dia, como “Madame Butterfly”, “Tosca” e a própria “Turandot”.

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Giacomo Puccini

A ária que a menina canta no programa de TV foi feita especialmente para a voz feminina e foi imortalizada ao ser interpretada por Maria Callas e depois, por Montserrat Caballé, considerada hoje uma das grandes sopranos mundiais – e que ficou famosa ao gravar o álbum Barcelona com Freedie Mercury do Queen. E essa ária aparece no filme “Mr. Bean sai de Férias”, quando ele e o menino que procura o pai estão sem dinheiro e fazem uma encenação numa praça.

Uma das mais populares sopranos atuais é Sarah Brightman, que também interpretou “O Mio Babbino Caro” num show ao vivo há alguns anos.

Ela é mundialmente famosa e já vendeu mais de 30 milhões de cópias de seus álbuns e DVDs. Canta em várias línguas e já se apresentou ao lado dos maiores nomes da música, como Andrea Bocelli, Plácido Domingo e Josep Carreras. Ou seja, é supertalentosa, tem uma longa carreira e é muito experiente.

Então, depois de ter ouvido a grande estrela cantar a ária, compare com o que a menininha fez, com apenas 9 anos e supernervosa por estar na frente de tanta gente:

E então, a música não faz milagres, ao fazer desabrochar um anjo cantante como esse?

 

 

 

 

Juíza condena fã de hip hop a ouvir música clássica

Essa é hilária.

Uma juíza de Ohio, nos Estados Unidos, aplicou uma pena a um jovem de 24 anos porque ele ouvia hip-hop e rap muito alto no som do carro, parado no estacionamento da faculdade onde ele trabalha como porteiro e treina no time de basquete local.

A juíza ofereceu ao rapaz duas opções: pagar uma multa no valor de 150 dólares ou pagar 35 dólares e ouvir 20 horas de música clássica de compositores como Bach, Beethoven e Chopin. O rapaz concordou com a segunda opção, mas não suportou quinze minutos de audição. Segundo o oficial da condicional que acompanhava a pena, o jovem disse que “não conseguira suportar aquilo, então decidiu pagar a multa e fim de papo”.

Ele aguenta rap e não aguenta ouvir a música de Bach, Beethoven ou Chopin?

    

Por conta da repercussão do caso, o rapaz afirmou mais tarde que não foi porque não gostou da música, mas porque “tinha que ir treinar com o time de basquete e não poderia ficar mais tempo”.

A juíza disse que aplicou tal penalidade porque queria que o jovem percebesse o quão difícil é ouvir músicas que não fazem parte do gosto pessoal. “Penso que muita gente não gosta de ser forçada a ouvir música, e acreditava que essa experiência o fizesse expandir os horizontes”, declarou a magistrada.

Concerto para Máquina de Escrever

Jerry Lewis, hoje com 87 anos, foi talvez o rei das pantomimas, um dos ramos da comédia ocidental (vaudeville, burlesco, etc. são outros ramos). Pantomima é aquele humor gestual, com poucas palavras – ou nenhuma – que era a base das comédias nos filmes mudos de Charles Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd. Atualmente, acredito que Jim Carey é o herdeiro desse gênero, inspirado por… Jerry Lewis! Jerry estrelou, escreveu e/ou dirigiu mais de 40 filmes, com e sem o parceiro Dean Martin.

Um dos filmes mais conhecidos e bem-sucedidos, “O Professor Aloprado”, de 1963, foi refilmado anos depois, com Eddie Murphy no papel central.  No ano de 1963, Jerry Lewis estava no auge da carreira e estrelou outra comédia de sucesso, “Errado Pra Cachorro”.

       

No filme, Phoebe Tuttle (Agnes Moorehead) é dona de uma grande loja de departamentos que não aprova o namoro de sua filha, Barbara Tuttle (Jill St. John, que 10 anos depois estrelou “Os Diamantes são Eternos”, a última vez que Sean Connery fez o papel de 007), com um rapaz pobre chamado Norman Phiffier (Jerry Lewis). Phoebe, então, decide contratar o rapaz para trabalhar na loja, dando-lhe tarefas complicadas para poder humilhá-lo e também mostrar à filha que tipo de sujeito ele é, um desmiolado.

      

Uma das cenas mais conhecidas dessa comédia é aquela em que Jerry toca numa imaginária máquina de escrever, fazendo coincidir cada gesto a cada nota e cada som. As novas gerações talvez não entendam muito bem o significado dessa “gag”, uma vez que não tiveram contato com as máquinas de escrever, e nem conhecem os sons tão característicos no teclar, no fim de página e no virar da mesma. Mas certamente vão apreciar o trabalho de mímica, em que Jerry Lewis não falha uma única nota. Um show da arte expressiva desse ator, revelada em menos de dois minutos.

O curioso é que sempre achei que a música que Jerry “interpreta” tivesse sido composta especialmente para a cena, e que seus toques na máquina de escrever invisível fossem invenção dele. Engano meu.

Ela foi composta em 1950 pelo compositor americano Leroy Anderson, que se especializou em  música clássica ligeira – aquela facção pop da música de concerto caracterizada por ritmos cativantes e melodias fáceis de digerir. O mais incrível é que ela pode ser “tocada” com uma máquina de escrever, mas real. O clipe abaixo comprova isso, gravado durante o concerto apresentado em  12 de junho de 2011 no Auditório Nacional de Madrid pelo projeto “Vocês para a Paz” (Músicos Solidários). Regência: Miguel Roa. Solista: Alfredo Anaya.

Reparou que o solista imita os trejeitos de Lewis no filme? Geniais, o solista e o mestre do humor.

Dica do concerto por Eliseu Petrone.